A metodologia do desemprego

Desde que começaram a sair essas estatísticas de queda do desemprego que fico pasmo com a desinformação reinante.

De fato há uma nova série da PME desde 2002 (pesquisa mensal de emprego nas 6 maiores regiões metropolitanas). De fato, nessa série os dados atuais de desemprego são os mais baixos.

Não sei se por falta de capricho e atenção, ou se por interesse mútuo de governo e imprensa, esquece-se da série anterior.

Dizer que o desemprego atual é “o mais baixo da história” interessa ao discurso governista, calcado no apoio sindical, no voto do trabalhador, etc. Mas também é bom para o discurso alarmista-mercadista da mídia, pois permite associar a pressões sobre a inflação, etc. (afinal, a herança bendita se resumiu a baixa inflação, então esse é o grande mito a preservar.

Enfim, o que é necessário também dizer é:

– a nova série do IBGE foi adotada por sugestão da Organização Internacional do Trabalho para compatibilizar algumas coisas (explicadas no site do IBGE), mas existe série muito mais ampla, desde 1982.

– ambas as séries foram calculadas por um ano simultaneamente e é possível perceber que ficaram muito parecidas. Assim, embora não sejam idênticas em metodologia, são perfeitamente concatenáveis para efeitos de avaliações históricas

– o menor desemprego por essa pesquisa deu-se em duas ocasiões : no final do Plano Cruzado (2º semestre de 1986), em torno de 3%; no final do governo Sarney, em função da hiperinflação e descontrole de gastos, em torno de 5% 

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