A parceria entre a Lava Jato e os advogados das grandes ações contra a Petrobras, por Luis Nassif

A revelação não apenas liquida com as pretensões de Thamea, de participar da equipe do próximo PGR Augusto Aras, como a expõe definitivamente, assim como a Dallagnol, a punições severas do CNMP.

As últimas revelações do dossiê Vaza Jato confirmam a parceria da Lava Jato com advogados, nas grandes ações que custaram mais à Petrobras do que todos os cálculos, ainda que superestimados, de corrupção.

As ações contra a Petrobras, que correram nos Estados Unidos, foram alimentadas por informações da Lava Jato. Custaram à Petrobras mais de US$ 3 bilhões, e a tiraram da condição de vítima, para a de ré. A contrapartida da Lava Jato foram os R$ 2,5 bilhões que receberiam para serem administrados pelos próprios procuradores da Lava Jato.

O escândalo maior é que, desses R$ 2,5 bilhões, reservou-se R$ 1,25 bilhão para ressarcimento de acionistas brasileiros, nas ações propostas por aqui, seguindo o modelo das ações americanas. E o grande advogado desses acionistas é Modesto Carvalhosa.

Os diálogos divulgados mostram os procuradores Thamea Danelon e Deltan Dallagnol preparando a minuta com a qual Carvalhosa arguiu o impeachment de Gilmar Mendes, Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A revelação não apenas liquida com as pretensões de Thamea, de participar da equipe do próximo Procurador Geral da República Augusto Aras, como a expõe definitivamente, assim como a Dallagnol, a punições severas do Conselho Nacional do Ministério Público.

O que causa mais espanto não é nem a falta de escrúpulos da procuradora, mas o fato de ter chegado onde chegou, sendo uma procuradora sem maiores destaques em sua atuação profissional. Tornou-se uma das pontas de lança das manipulações da Lava Jato porque a chefia falhou, a corregedoria falhou, a Procuradoria Geral da República não orientou e a Associação Nacional dos Procuradores da República apoiou.

Esses deslumbrados cairão um a um. Mas a culpa pela próxima perda de prerrogativas do MPF será exclusivamente das chefias, que fecharam os olhos para todos os abusos.

O GGN prepara uma série de vídeos que explica a influência dos EUA na Lava Jato. Quer apoiar o projeto? Clique aqui.

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Depende do que significa "país subdesenvolvido", caro Luis. Esse negócio de "vamos lucrar individualmente usando o poder que estado nos confere", usando para tanto o que estiver à mão - inclusive o combate à corrupção, mas velem outros pretextos ou oportunidades - parece ser comum aos países capitalistas, cenário em que se estimula ao máximo, por todos os meios, a vitória do "eu" sobre o "nós". Ainda que se utilize o "nós" como pretexto ou desculpa. E há países capitalistas que são considerados "desenvolvidos"... O que define um país "desenvolvido"? Tecnologia? Humanidade? Riqueza pecuniária? Capacidade de ataques bélico? Civilidade? Bem viver de seu povo? Relacionamento pacífico e próspero com outros países? Pouco medo, poucas fobias (homofobia, xenofobia...)? Justiça democrática? Pouca corrupção? O que é um país "desenvolvido"?

Renato Lazzari