A prisão de Crivella e as arbitrariedades do Judiciário

Esta é a tragédia. Os que vão na frente, correndo riscos, até de vida, criam uma mística que é aproveitada por juizes de escrivaninha, para exercer seu poder discriminatório  contra os que pensam diferente.

Não se discute que a política no Rio de Janeiro é um escândalo continuado. E, aqui mesmo, tenho enaltecido o trabalho sério do Ministério Público Estadual (MPE), assim como os problemas do Tribunal de Justiça do estado, sob influência de desembargadores polêmicos.

A prisão de um ex-aliado de Jair Bolsonaro, do partido que acolheu os filhos de Bolsonaro, poderia ser objeto de regozijo. Mas me assusta mais do que entusiasma.

Lembro-me no evento que comemorou 80 anos da Folha. Na mesa, diversos colunistas analisando o papel da imprensa. Minha colega Eliane Cantanhede fez um elogio entusiasmado à cena da prisão do então senador Jader Barbalho, conduzido algemado em um avião. Era a prova definitiva de que a imprensa cumpria seu papel, segundo ela.

Pedi a palavra e mostrei os riscos que havia por trás disso. Se faziam aquilo com um senador da República, e eram aplaudidos, quem seguraria a ponta, os policiais que atuavam nas periferias  contra pobres, pretos?

Ao assistir a cena do prefeito Crivela preso, embora não algemado, pensei nos efeitos sobre os juizes que estão empreendendo campanhas de anulação de jornalistas “dissidentes”.

O show de prisões preventivas é uma demonstração de ceticismo em relação aos tribunais superiores – especialmente no Rio de Janeiro. Com a prisão e o show midiático, pensam procuradores e juízes, ao menos haverá uma punição, antes que os tribunais superiores revoguem as decisões.

Tenho a maior admiração pelo trabalho do Procurador Geral Eduardo Gussem. Tem atuado até o fim do seu mandato, mesmo sendo vítima do Covid-19, e enfrentado grupos extremamente poderosos. Mas a coragem do juiz e dos procuradores do Rio fortalecerá o juiz de São Paulo que bloqueou a conta conjunta e que está há meses sem sequer responder ao embargo de terceiros de minha esposa, mantendo a conta bloqueada com a tranquilidade dos que se julgam intocáveis.

Esta é a tragédia. Os que vão na frente, correndo riscos, até de vida, criam uma mística que é aproveitada por juizes de escrivaninha, para exercer seu poder discriminatório  contra os que pensam diferente. Em nada diferente de procuradores que passaram a exercer toda sorte de arbitrariedades estimulados pelas ações de Curitiba.

Refazendo o raciocínio ao contrário, se senti na carne a falta de discernimento do juiz de São Paulo, quem me garante que o juiz do Rio teve discernimento ao autorizar a prisão de Crivella, mesmo antes de terminado o inquérito? Ou seja, a atuação do juiz de São Paulo coloca em dúvida, na minha cabeça, a atuação do juiz do Rio.

Além disso, todo o potencial midiático da prisão de Crivella não terá nenhuma influência sobre o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na qual um desembargador muda totalmente seu entendimento sobre o papel da imprensa, meramente porque me tornei alvo de Luiz Zvriter, o todo-poderoso.

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15 comentários

  1. Algo paira no ar, pois esta prisão soma-se com outros sinais de que se aproxima um desfecho para Bozo & filhos. Bozo é um desastre explícito, mas o ativismo do judiciário é infinitamente pior do que as trapalhadas, inconsequências e milicianismo do Bozo.
    Olhe o quão grave é a dúvida que você traz, não temos certeza se esta prisão é justa ou não. Isto é o prenúncio do caos, quando o descontrole do judiciário enfim desemborcar na percepção da população de que a “justiça” só será viável pelas próprias mãos. A arbitrariedade corrói o respeito à institucionalidade, pense isto se espraiando nas corporações policiais. Percebe o resultado? É para isto que caminha. A cegueira do poder que atingiu a Globo é a mesma que aflige o judiciário, só se darão conta quando as consequências baterem à porta.

  2. Crivella se tornou um pária. E tem peso político importante, não tenho a ilusão e nem é contraditório. Senão, nem iria para o segundo turno. Talvez fosse eleito para um cargo parlamentar no futuro, igualmente. Se há iniquidade no Rio de Janeiro, Crivella é um peso para se jogar ao mar (seu mandato na prefeitura já era, então..). Seja a prática da ausência entre o público e o privado, do esfacelamento do Estado, do desmonte do Estado para negócios de grupos e pessoas que nem sempre possuem nomes próprios (a Rússia tem mais experiência nisso, infelizmente) e de funções de Estado a corporações sob o manto da “reforma” ou da “autonomia” (reforma para que e autonomia de que e quem)…
    Quer dizer, o ceticismo ativo parece constituir a nova postura política.

  3. Não há duvidas que existe um protagonismo equivocado do poder judiciário, que é refletido no prende e solta que temos observado. Neste caso, talvez no fim do dia Crivella, assim como Temer, estará em casa cercado, assim como Temer, de “homens de bem”.
    Outra aberração é que se permite uma série de iniquidades, um sofrimento que deveria ter acabado na 1a seção biblica dentro da prefeitura ou no “fale com a fulana se for da casa (religiao dele)”.
    Mas não.
    Assim como no caso do sádico do planalto, permitem que sejam praticados atos inconstitucionais lesivos ao povo para só punirem quando o sujeito, que nao passa de um fantoche, deixar de ser útil aos propositos de quem manipula a cordinha.
    Mas voltando ao nosso criminoso da vez: Por que permitiram a participação de Crivella nesta eleição? Talvez para eliminar a chance de um concorrente, tipo PT, chegasse a um 2o turno?

  4. Pau que dá em Chico dá em Francisco, como se diz por aí.
    O problema é que todo Chico é Francisco, mas nem todo Francisco é Chico.
    Essa divisão na PF (aecistas que viraram bolsonaristas, moristas e lavajatistas, etc., etc., etc.), e no Judiciário (STFistas garantistas contra venal-oportunistas, e particularmente no RJ, bolsonaristas, witzelistas, globistas-zveiterianos, etc., etc.,etc.) corre o risco de nos levar ao caos absoluto, a um ponto em que não haverá conciliação possível, sob um hipotético novo governo em 2022.
    Se é que haverá novo governo, em 2022.

  5. 90 anos de Bandidolatria. Pobrezinho do Crivella? Como puderam fazer isto com ele? Errados estão o Povo e a Guilhotina. Crivella é criminoso. Barbalho é criminoso. Zveiter é criminoso. Desembargador polêmico? Se resume nisto?! Morrerão em suas camas, em suas casas, quando já beirando os 80, 90, 100 anos. Assim como Sarney ou Teixeira ou Havellange. As Meninas do Rio de Janeiro morrerão brincando nas portas de suas casas. O fuzil não escolhe a idade. Mas escolha as Vitimas. Tem alguma Criança, carioca ou fluminense, das Famílias destes citados? Algum dia existiram? A surrealidade torna Crivella em vítima deste Estado. Esta aberração que torna Estado em não Estado. Justiça que não é Justiça. Bandidos que se tornam Vitimas. Vitimas que se tornam Bandidos. Seu risco é previsível, diminuto e regiamente recompensado. O Povo Brasileiro continua vivendo nos Campos de Concentração Nazistas que transformaram as Cidades Brasileiras. Mas ao invés de aniquilar estes 90 anos entre aberração, surrealidade e fascismo. Tentam defender o indefensável. Apenas porque os Abutres querem atacar outros Abutres. Era isto Redemocracia? Era isto Constituição Cidadã? Este STF basicamente indicado por Partidos Socialistas e Progressistas? É isto seu discurso, pela manutenção deste Estado e destas Aberrações? Pobre país rico. Este STF destituiu Zveiter? Ordenou outro tipo de sentenças e justiça? Então a culpa é de quem? Mas de muito fácil explicação.

  6. “Mandamos prender, mandamos soltar, quando nos der na telha”, “processamos quem quisermos”, “bloqueamos contas de quem acharmos que devemos, pelo tempo que nos der na veneta”, “seguramos recursos e apelos pelo tempo que quisermos”…etc.
    É o que está nos dizendo o Poder Judiciário.
    Para quê serve então, a Constituição de 1988, se a regra é: não tem regras??

  7. Os irmãos Graco só quiseram abreviar o necessário e fazer justiça numa sociedade completamente corrompida pelas indenizações de guerra, no caso o império cartaginês (e foi muito… muito dinheiro), ao fazer uma reforma agrária contra os novos milionários do saque.
    Perderam a luta e respectivas cabeças. E despertaram gente da pior espécie como Sulla e Júlio César.
    É o medo que faz você quebrar as regras, mesmo que com objetivos nobres: uma súcia de bandidos da pior espécie é quem primeiro disso vai se aproveitar.

  8. Nassif, o que eu ouvi nos jornais locais da Globo aqui no Rio é estarrecedor. Quadrilheiros dizendo onde iam atacar , quanto queriam ganhar e quem ia ganhar pra eles. Foram presos pois a roubalheira nao tinha fim.

  9. Saltando de paraquedas….
    Essa historia do Oswaldo Eustaquio ter talvez ficado paraplegico é muito estranha. Talvez queria causar pra forçar alguma agressão e reforçar o discurso em alguma passeata e as coisas sairam de controle,
    Pessoal de noticias da esquerda parece meio com o pé atrás por causa da origem e é compreensível. Agora, se provar que foi porrada é que vai ser louco.
    Quero mais que se foda,
    Feliz natal. Paz.

  10. Brasil é pais de bandidos. Como diz a anedota: você vai ver o povinho que vou colocar lá. Talvez este seja o país da separação do joio e trigo. Se sofre por viver lá é assim, se não sofre é assado. Lugar que pensava há até 5 anos que o povo seria libertado da mente vira-latas e tomaria as rédeas. Mas…. Não quiz. Preferiu mesmo a senzala.

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