5 de junho de 2026

A vergonhosa matéria da Folha que faz revisionismo histórico com o impeachment de Dilma Rousseff

Jornal faz revisionismo histórico ao classificar impeachment como tese petista, ocultando a influência de Sergio Moro na queda

Às vésperas do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff completar 10 anos, o jornal Folha de S. Paulo decidiu publicar uma matéria que beira uma tentativa vergonhosa de fazer revisionismo histórico com o episódio que levou à derrubada da primeira mulher eleita presidente da República neste país. Na reportagem divulgada na noite de quarta (15), Folha tratou o golpe parlamentar como uma “tese petista” e forçou a caneta na teoria das pedaladas fiscais como justificativa plausível para a cassação.

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Na história contada pela Folha, Dilma caiu simplesmente porque era uma “mulher dura”, porque tinha pouco apoio no Congresso, porque não soube lidar com os protestos durante as jornadas de 2013 e porque tomou decisões erradas na economia. Para “mascarar” esses resultados ruins e tentar segurar sua popularidade, ela teria recorrido às pedaladas fiscais. A “pauta bomba” implementada no Congresso pelo Centrão e a vendeta de Eduardo Cunha contra a petista tiveram menções rápidas.

Como papel aceita tudo, o jornal preferiu induzir o leitor mais desavisado a acreditar, 10 anos depois, que a ex-presidente caiu quase que por conta própria. Nenhuma linha foi escrita sobre como a Lava Jato — com apoio da própria Folha e outros jornais da grande mídia — foi crucial na formação da tempestade perfeita que resultou no golpe parlamentar contra Dilma.

É de se perguntar o que aconteceu com a memória dos editores da Folha, que deixaram de lado, por exemplo, os diálogos do ex-senador Romero Jucá, obtidos com exclusividade pelo próprio jornal, dizendo que o impeachment de Dilma seria parte de um “pacto” para “estancar a sangria” provocada pela Lava Jato. Era “preciso botar o Michel [Temer], num grande acordo nacional”. “Com o Supremo, com tudo”. As pedaladas foram apenas um falso verniz de legalidade passado na capa do processo que traumatizou o Nação.

Curiosamente, Folha também marginalizou as pesquisas encomendadas ao Instituto Datafolha. Nelas, vale recordar, o principal motivo apontado pelos brasileiros favoráveis à saída da então presidente sempre foi a imagem de um governo associado à corrupção. Questões econômicas ficaram em segundo plano. O Brasil foi contaminado, sim, pela ideia de que era preciso tirar a “corrupção do PT” do poder a qualquer custo. Essa imagem de governo corrupto foi construída minuciosamente sob a batuta de Sergio Moro, que só fez tudo o que fez justamente porque jornais como Folha serviram de correia de transmissão dos interesses políticos da Lava Jato.

A história real é bem mais multifacetada do que a Folha fez parecer. As pedaladas foram apenas um pretexto para o tapetão. A personalidade “difícil” de Dilma, destacada mais uma vez pelo jornal, só ressalta o machismo eternamente impregnado na mídia brasileira. A omissão do que realmente foi o papel da Lava Jato e dos órgãos de imprensa que atuaram em conluio com Sergio Moro, gritou mais alto.

Nada que surpreenda, vindo de um jornal que levou 50 anos para fazer um mea culpa a respeito do apoio à ditadura militar. Ninguém pode esperar que a Folha faça uma autocrítica sobre seu papel na Lava Jato, no golpe contra Dilma e na ascensão da extrema-direita bolsonarista (e todos os estragos decorrentes disso) em apenas 10 anos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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13 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de abril de 2026 12:56 pm

    A Folha entrou na guerra cultural à moda do terrorista bêbado ladrão Steve Bannon ou à moda do estelionário alucinado autodidata Otávio de Carvalho? Talvez o Editor da Folha tenha treinado a IA do jornal com a obra de ambos para obter algo realmente clássico, digno da direita alternativa golpista brasileira.😂😂😂

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de abril de 2026 12:57 pm

    Correção:
    A Folha de S.Paulo entrou na guerra cultural à moda do terrorista bêbado ladrão Steve Bannon ou à moda do estelionário alucinado autodidata Olavo de Carvalho? Talvez o Editor da Folha tenha treinado a IA do jornal com a obra de ambos para obter algo realmente clássico, digno da direita alternativa golpista brasileira.

  3. Veritas

    16 de abril de 2026 1:53 pm

    Na história dos últimos 150 anos, todas as vezes que o Brasil avança seus horizontes econômicos temos um golpe. Foi assim com o golpe militar que acabou com a monarquia, tínhamos a segunda marinha do mundo, avançávamos muito em educação, com os liceus de ofício e a expansão dos Pedros II, o café ampliava nossas receitas com exportação. Foi assim também com o assassinato de Vargas, que procurou interromper o avanço da indústria, das grandes oportunidades que a Vale e a Petrobrás traziam. Foi assim também com o golpe militar de 1964, que estancou todo o avanço em energia e logística estrutural, cassando JK, interrompendo o grande desenvolvimento da agricultura e da agroindústria em torno das redes de rodovias e das cidades médias que avançavam, bem como travando o enorme desenvolvimento da música, do cinema e das artes que ocorria. Já a lava jato I parou o desenvovimento que o pré-sal e a indústria naval e petroquímica promoveriam. Agora, com as possibilidades de avanço tecnológico, científico, da indústria, do turismo, incremento das exportações via BRICS, vemos a lava jato II torpedear novos golpes contra as instituições do Brasil. Não passarão, pois o império anglo saxão também chega a seu final.

  4. Bernardo

    16 de abril de 2026 2:26 pm

    A falha não folha!!! Como dizia o saudoso PHA. Não adianta tentar reescreve a História, Dilma sofreu o golpe porque não entrou no jogo da Faria Lima associada á banda podre do Congresso comandada pelo perdedor mineirinho e pelo vigarista e salafrário presidente da Câmara à época. Todos também apoiadores do bozo e família. Uma dúvida, alguém ainda lê esse tabloide de 5a categoria?

    1. José de Almeida Bispo

      16 de abril de 2026 8:12 pm

      Exatamente!

  5. Victor lima

    16 de abril de 2026 7:23 pm

    “Como papel aceita tudo” sugiro uma volta ao passado com a utilização do citado periódico como papel higiênico que, me desculpem seus valorosos jornalistas, e sua única utilidade atual.

  6. Victor lima

    16 de abril de 2026 7:30 pm

    A Presidente Dilma foi reeleita para comandar o Banco dos Brics por mais 5 anos com apoio dos maiores líderes mundiais. Enquanto isso a Falha se encaminha para a falência econômica, pois a moral já aconteceu há muito tempo.

  7. Rui Ribeiro

    17 de abril de 2026 9:47 am

    Enquanto isso, o Deltan faz caridade com o chapéu alheio. Doar do que sobra, até eu o faço. Quero ver fazer doação do que fará falta e que seja ganho por seu próprio esforço e sacrifício.

    Mas até nisso, o Lula dá sorte prá esse Rato Jateiro. E ele tá sorridente, fazendo doação a um hospital infantil das sobras da vaquinha gorda para indenizar Lula.

  8. jair ayres borba ayres borba

    17 de abril de 2026 11:56 am

    Matéria primorosa da(o) Redator(a) do GGN. Parabéns !

  9. Naldo

    17 de abril de 2026 12:28 pm

    No dia da votação, acabada a apuração, uma das mais esquisitas da história com um ministro se trancando durante uma hora sem divulgar o andamento da contagem de votos, confirmada a vitória de Dilma, na GloboNews o clima era de velório, e nesse mesmo dia o mercal repetia, ” agora é partir para o impeachment”……o impeachment já estava sendo gestado bem antes….

  10. Jose carlos lima

    17 de abril de 2026 3:24 pm

    A Folha sustentar a falsa narrativa não é novidade
    É a Folha Ditabranda em ação

  11. Avel Alencar

    18 de abril de 2026 7:07 am

    A Folha, a muito tempo, é porta voz do fascismo.

  12. Sérgio Santos

    18 de abril de 2026 12:13 pm

    É o ministério da “verdade” do livro 1984 de George Orwell.
    Tomara que os historiadores sejam livres para consultar comentários como os aqui deixados para que a história não seja apenas a contada pelos “vencedores”, mas também por perdedores – como se declarou Darcy Ribeiro.

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