Blog Impedimento
Um dos grandes achados do ano na vasta imensidão da internet. A narração completa da Rádio Nacional Brasileira da final da Copa do Mundo de 1950. Está tudo neste vídeo, desde o hino nacional até a entrega da taça por Jules Rimet a Obdulio Varela e uma confusão supostamente causada pela presença de muitos fotógrafos.
Interessante notar que o narrador Antonio Cordeiro nada comenta sobre Barbosa após o fatídico gol de Ghiggia. O correspondente em São Paulo entra para noticiar o gol da Espanha no Pacaembu e Cordeiro emenda com um comercial da Brahma (em garrafa ou barril, a melhor cerveja do Brasil). O último lance da partida é um escanteio para o Brasil, que não dá em nada. Após o apito final, as palavras do narrador são sobre o mau desempenho do selecionado nacional: “Desolação natural da torcida aqui no estádio do Maracanã. Porque na realidade foi uma peleja brilhantemente disputada e onde a Seleção Brasileira em nenhum momento correspondeu à expectativa dos aficionados”. E tome comercial da Brahma.
Vale conferir o relato do repórter Cesar de Alencar dentro do campo após o final da partida. “Danilo chora copiosamente no centro do gramado. Os outros jogadores brasileiros já foram todos para o vestiário. Não há mais nenhum jogador brasileiro aqui.” Na entrega da taça, Jules Rimet chega a se irritar com a presença de fotógrafos e “pessoas que não eram para estar aqui”.
Coisa linda é o futebol.
O alerta do vídeo nos foi dado pelo grande Marcelo Druck, um dos expoentes da Associação Latino-Americana dos Amigos do Impedimento. O responsável por subir o áudio no Youtube é o dono do blog O Campo dos Sonhos, que merece toda nossa deferência.
AlvaroTadeu
26 de novembro de 2013 1:07 amO gol da derrota.
Aquele negro Barbosa, recentemente falecido, ele sim, foi um herói nacional. Aturou todo o tipo de acusação pela derrota, acusações imposta pela elite branca pelo fato de ele, Barbosa, ser negro. Aturou com dignidade. Numa entrevista, ele comentou que a maior pena no Brasil era de 30 anos, mas sua (a dele) condenação já durava 39 anos.
Ouvi a declaração de Ghiggia, dizendo que ia cruzar, mas na última hora resolveu chutar para gol. Mentira. Barbosa anteviu o cruzamento e preparou-se, a jogada estava se desenhando igualzinha à jogada do gol de empate do Uruguai. Ghiggia tentou cruzar, mas chutou mais grama do que bola, esta pegou efeito e entrou no canto do goleiro, que foi pego no contrapé. Já vi jogador tentar dominar a bola na entrada da área, errou e bateu de joelho, a bola subiu, cobriu o goleiro e entrou. Depois, na entrevista, o cara-de-pau não admitiu o erro, disse que viu o goleiro adiantado e bateu de joelho. Quem acredita nesses farsantes que os comprem.
Silvio torres
26 de novembro de 2013 1:35 amSe não me engano, os acetados
Se não me engano, os acetados com essa gravação foram descobertos pelo Paulo Perdigão durante pesquisa para o livro Anatomia de Uma Derrota. Livro este, aliás, inexplicavelmente fora de catálogo desde a segunda tiragem, em 2007! Procurem por ele no Estante Virtual e vejam os preços. Qual seria a explicação p o não-relançamento? Brasil, simplesmente?
j@iro, de sp
26 de novembro de 2013 4:48 amSilvio, talvez você não
Silvio, talvez você não saiba, mas o vascaíno Paulo Perdigão (Paulo Roberto Browne Perdigão, este era seu nome
completo, além de excelente crítico de cinema (foi meu contemporâneo na revista Veja), que devia ter uns dez anos de
idade naquela data fatídica de julho de 1950, ficou marcado pela derrota brasileira.
Já adulto e jornalista de grande talento, realizou um curta metragem sobre aquela tarde negra do futebol brasileiro, juntando
trechos de cinejornais sobre o jogo com fotos da sua infância, num resultado muito atraente.
Admirador quase fanático de Ademir de Menezes, o centro-avante da seleção do Brasil, convidou-o para assistir ao seu
filme. Ademir, naturalmente, comoveu-se com o trabalho mas não se conformou com o momento que mostra o gol fatídico
de Ghighia, que Perdigão, no filme, mostra várias vezes em seguida.
Ademir reclamou e perguntou por que Perdigão fez questão de repetir tantas vezes aquele momento tão triste. Perdigão
explicou que ele repetiu a cena tantas vezes numa tentativa de apagar de vez aquele momento, que desde 16 de julho de
1950 não lhe saía da memória.
A obsessão de Perdigão com aquele jogo era tanta que ele escreveu um conto de ficção científica em que ele, já adulto,
volta no tempo até o dia do jogo, instala-se atrás do gol de Barbosa e no momento exato em que Ghighia vai chutar (ou
cruzar), dá um grito para chamar a atenção do goleiro.
Mas, como nas boas histórias de ficção científica, em que não se consegue alterar o passado, seu grito serve apenas
para distrair a atenção de Barbosa e a bola acaba entrando…
CARLOS PINHEIRO JR.
26 de novembro de 2013 1:39 amSENSACIONAL ! Um documento
SENSACIONAL ! Um documento histórico dos mais relevantes. Realmente um achado ! Me deu arrepios ouvir o locutor narrar as jogadas de Ademir Menezes, Friaça, Danilo, Bigode e do injustiçado goleiro Barbosa.
Carioca
26 de novembro de 2013 2:18 amPara a história mais um
Para a história mais um achado importante mas que coisa chata esse assunto. CARACAS!
Basta um ou dois uruguaios de férias no Brasil batendo uma pelada junto com a rapaziada local, numa praia qualquer, que sempre aparece álguem da imprensa:
E AÍ? VAI CONSEGUIR DERROTAR O TIME DELES PARA VINGAR O SOFRIMENTO DO POVO BRASILEIRO NAQUELA DERROTA DE 1950?
POR QUÊ NÃO FALAM DA PIOR ZAGA DOS ÚLTIMOS SEISCENTOS ANOS QUE É A ATUAL ZAGA DO FLUMINENSE ?
Marcio Rodrigues
26 de novembro de 2013 10:24 amAgencia Nacional x EBC
Vamos comparar os trabalhos da antiga Agencia e da atul ebc. Apesar da boa programação da noite, só conseguimos vê-la na tv a cabo, iclusive o Brasilianas.
-Charlie-
26 de novembro de 2013 11:40 am–
Pra quê ficar ouvindo e relembrando isso o tempo todo? Eu ainda estava longe de nascer nessa época (minha mãe era bebê de colo) e prefiro esquecer que isso aconteceu.
Depois desse dia fatídico (quiçá por causa dele), a Seleção Brasileira se tornou a maior potência do futebol, cantada em verso e prosa em todo o mundo, segundo time de todos os amantes do futebol, admirada e invejada por europeus, asiáticos, africanos, latinoamericanos e esquimós.
Essa história de ficar chorando sobre o leite derramado me parece coisa de argentino.