21 de maio de 2026

Analfabetismo cai, mas desigualdade ainda é gritante

Maiores taxas se concentram no Nordeste, em especial nas cidades com até 10 mil habitantes; média nacional caiu de 9,6% para 7%
Foto: Reprodução

As taxas de analfabetismo caíram no Brasil ao longo do ano de 2022, segundo o Censo Demográfico divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Em 2022, 151,5 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade sabiam ler e escrever um bilhete simples, e 11,4 milhões não sabiam.

Ou seja: a taxa de alfabetização para esse grupo foi 93,0% e a de analfabetismo foi de 7,0%. Para fins de comparação, as taxas de alfabetização e de analfabetismo no Censo 2010 eram de 90,4% e 9,6%.  

Embora os dados tenham perdido força, as desigualdades ainda se destacam: no recorte regional, o maior percentual de pessoas que não sabe ler e nem escrever está na região Nordeste – 14,2%, o dobro da média nacional (7%)..

Desigualdade persiste

A desigualdade social e racial fica escancarada quando as taxas de analfabetismo de pretos (10,1%), pardos (8,8%) e brancos (4,3%) são analisadas: a diferença percentual mais do que dobra. Quando a análise inclui aqueles de cor ou raça indígena (16,1%), o abismo é quase quatro vezes maior.

Os cinco maiores percentuais de analfabetismo no país ficaram concentrados na região Nordeste, especificamente em municípios do Piauí, Roraima, Ceará, Maranhão e Alagoas com até 10 mil habitantes.

A taxa de alfabetização da região Nordeste segue como a menor do país, embora tenha avançado de 80,9% em 2010 para 85,8% em 2022.

Veja abaixo as cidades brasileiras com os maiores e menores índices de alfabetização contabilizadas pelo IBGE:

Pessoas residentes e taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade por classes de tamanho da população dos Muncípios, segundo municípios selecionados – Brasil- 2022
  Municípios com as 5 menores taxas de analfabetismo Municípios com as 5 maiores taxas de analfabetismo 
MunicípioTaxaMunicípioTaxa
Até 10 milSão João do Oeste (SC)0,9Padre Marcos (PI)34,0
Westfália (RS)1,1Paquetá (PI)34,3
Rio Fortuna (SC)1,2Massapê do Piauí (PI)34,3
Águas de São Pedro (SP)1,2Aroeiras do Itaim (PI)34,6
São Vendelino (RS)1,3Floresta do Piauí (PI)34,7
 MunicípioTaxaMunicípioTaxa
Mais de 10 mil até 50 milBom Princípio (RS)1,3Amajari (RR)31,8
Feliz (RS)1,4Pedro Alexandre (BA)31,9
Pomerode (SC)1,4Traipu (AL)32,7
Dois Irmãos (RS)1,4Estrela de Alagoas (AL)34,2
Teutônia (RS)1,4Alto Alegre (RR)36,8
 MunicípioTaxaMunicípioTaxa
Mais de 50 mil até 100 milSão Bento do Sul (SC)1,7Coroatá (MA)23,8
Campo Bom (RS)1,8Boa Viagem (CE)24,3
Itapema (SC)1,9Icó (CE)25,9
Farroupilha (RS)1,9Buíque (PE)28,8
Indaial (SC)2,0Granja (CE)29,0
 MunicípioTaxaMunicípioTaxa
Mais de 100 mil até 500 milSão Caetano do Sul (SP)1,2Itabaiana (SE)16,0
Balneário Camboriú (SC)1,2Caxias (MA)17,5
Blumenau (SC)1,4Lagarto (SE)18,4
Jaraguá do Sul (SC)1,4Breves (PA)18,9
Santos (SP)1,6Codó (MA)22,3
 MunicípioTaxaMunicípioTaxa
Mais de 500 milFlorianópolis (SC)1,4Feira de Santana (BA)6,6
Curitiba (PR)1,5Natal (RN)6,6
Joinville (SC)1,6Teresina (PI)7,1
Porto Alegre (RS)1,7Jaboatão dos Guararapes (PE)7,2
Santo André (SP)2,0Maceió (AL)8,4
Fonte: IBGE

“A alfabetização é de responsabilidade dos municípios e está diretamente relacionada aos recursos que os municípios têm para investir em educação. A taxa de analfabetismo é menor nos municípios acima de 100 mil habitantes porque eles dispõem de mais recursos e infraestrutura para educação, além de outros fatores como localização, idade média e áreas urbanas ou rurais”, ressalta Betina Fresneda ao IBGE.

Análise por faixa etária

A queda na taxa de analfabetismo ocorreu em todas as faixas etárias. Em 2022, o grupo mais jovem de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%) e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa de analfabetismo (20,3%), mas teve a maior queda em três décadas, passando de 38,0% em 2000, para 29,4% em 2010 e 20,3% em 2022, uma redução de 17,7 pontos percentuais desde 2000 (queda de 46,7%). Confira no gráfico abaixo.

Analisando-se as taxas por idade e cor ou raça, o analfabetismo para pretos e pardos atingiu valores acima de 2% a partir da faixa etária de 25 a 34 anos de idade, enquanto para brancos isso ocorreu a partir de 35 a 44 anos.

Segundo o IBGE, a diferença entre brancos e pretos atinge seu valor máximo para o grupo de 65 anos ou mais (20,9 p.p.) – como reflexo da dívida educacional brasileira, a partir do atraso nos investimentos públicos na educação.

O tema é investigado desde o primeiro Censo do país em 1872. Em 1940, menos da metade da população (44,0%) era alfabetizada. O recorte etário é o mais indicado para a aferição da taxa de alfabetização.

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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1 Comentário
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  1. maria.passos

    18 de maio de 2024 5:30 pm

    Prezada jornalista Clara Castanho:

    O IBGE investiga a taxa de alfabetização “de forma indireta, por meio da declaração do entrevistado”, https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/3108/cd_2022_alfabetizacao.pdf, conforme introdução ao documento do IBGE.
    Tenho tomado conhecimento, diretamente ou por relatos de colegas professores, de várias pessoas que terminam o 2o grau sem terem sido alfabetizadas. A alfabetização é um processo contínuo e longo. É possível que haja várias pessoas com habilidades mínimas de leitura que se considerem alfabetizadas, mas que não o sejam por uma avaliação um pouco mais criteriosa.
    Dado que o nível real de analfabetismo no Brasil é alarmante e tendo em mente que uma pessoa com habilidades de leitura muito rudimentares vai ter grande dificuldade de acesso a vários tipos de conhecimento, acho que devemos sempre problematizar essas conclusões sobre alfabetização com base nesse tipo de metodologia. Não podemos nos acomodar sobre números que, embora sugiram que estamos enfrentando bem esse problema, não parecem espelhar o que de fato está acontecendo em nosso país.

    Um grande abraço,
    Maria de Lourdes

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