Após denúncia sobre postura de Bolsonaro em meio a pandemia, governo ataca relatores da ONU

Durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, embaixadora usou sua fala para acusar os relatores de ignorar as vítimas da crise

Embaixadora Maria Nazareth Farani Azevêdo.

Jornal GGN – Em resposta à denúncia dos relatores da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre as “políticas irresponsáveis” da gestão Bolsonaro frente pandemia da Covid-19, o Ministério das Relações Exteriores usou a reunião desta quinta-feira, 30 de abril, para atacar o colegiado internacional. “Agressiva, a posição brasileira causou mal-estar entre delegações estrangeiras e relatores da ONU”, destacou Jamil Chade, em sua coluna no UOL. 

Em reunião virtual do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a pandemia, a embaixadora do Brasil Maria Nazareth Farani Azevedo usou sua fala para acusar os relatores de ignorar as vítimas da crise. “Não é o tempo para que relatores tentem usar a pandemia e a tragédia de famílias para fazer avançar suas agendas”, acusou. 

Nesta quarta-feira, 29 de abril, os relatores da ONU declararam que “as políticas econômicas e sociais irresponsáveis do Brasil colocam milhões de vidas em risco”. Ainda, de acordo com os especialistas “A epidemia ampliou os impactos adversos de uma emenda constitucional de 2016 que limitou os gastos públicos no Brasil por 20 anos”, disseram o especialista em direitos humanos e dívida externa, Juan Pablo Bohoslavsky, e o relator especial sobre pobreza extrema, Philip Alston. 

Mas, para a diplomata brasileira o comunicado não condiz “nem com a realidade, muito menos com os fatos”. Além disso, Maria Nazareth afirmou que o teto de gastos públicos “não limita a capacidade do governo em aumentar gastos públicos para proteger os mais vulneráveis”.

“A diplomata ainda usou o discurso para dizer o que o governo tem feito para lidar com a crise. Mas não deu números e omitiu o fato de que seu presidente minimizou por semanas a situação. Ela tampouco mencionou os repetidos ataques do governo contra a OMS”, escreveu Chade. 

O jornalista também reforça que o “comportamento da embaixadora, que subiu na carreira durante a gestão do PT, deixou ongs indignadas”. 

“O Brasil reforça sua posição de uso do seu assento e da sua voz nas Nações Unidas não para promover direitos mas sim para atacar o sistema internacional, como fazem outros países como o Egito e a Venezuela”, disse Camila Asano, Diretora de Programas e Incidência da Conectas Direitos Humanos.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) também se manifestou. “Apoiamos firmemente a declaração conjunta de vários Procedimentos Especiais que relatam as políticas econômicas e sociais irresponsáveis que colocam milhões de vidas em risco, refletindo a realidade no terreno, tendo em vista as drásticas medidas de austeridade que congelam os gastos sociais por 20 anos”, declarou.

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