Em artigo para o Tricontinental, pesquisadores afirmam que, graças a imagem comprometida em escândalos de corrupção no governo Bolsonaro e na tentativa de golpe em 8/1, as Forças Armadas (FA) estariam em sua “situação mais frágil” desde 1985, quando tombou por acordo a ditadura dos generais.
Os pesquisadores Ana Penido, Ananias Oliveira, Carla Teixeira, Jorge Rodrigues, Pollyana Andrade, Suzeley Mathias e Rodrigo Lentz, no artigo Governo Lula e as Forças Armadas, explicitam inclusive a relação antagonista com o governo democrata, e afirmam que “saltitam evidências de insubordinação da cúpula militar ao resultado eleitoral e ao novo governo, contribuindo para o clima de conspiração para um golpe de Estado”.
Apesar da evidente tentativa de golpe e da participação da alta cúpula militar nos atos, um ano após os ataques golpistas, a relação é outra.
Comandantes das três forças fazem demonstrações de subordinação e obediência a Lula, que é recebido como comandante-em-chefe em almoços e solenidades militares nos quartéis. Além disso, o perfil do militar “apolítico” e estritamente “cumpridor de suas missões constitucionais” é exaltado pelos comandantes, com gestos públicos de desmobilização política da caserna. Nenhuma unidade militar se sublevou, afirma o artigo.
TRICONTINENTAL. GOVERNO LULA 3 E AS FORÇAS ARMADAS. Boletim Especial n°1/2024. Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Jan 2024.
No artigo, os pesquisadores analisam se, de fato, os militares não mais são uma ameaça ao governo e as consequências dessa relação na disputa pelo poder político para o campo progressista no Brasil.
Em miúdos, a relação entre Lula 3 e militares tende a ser orientada por acordos em troca da governabilidade, seguindo a aposta da priorização da agenda econômica. Enquanto na extrema-direita a segurança continua sendo o foco mobilizador, com a esquerda, os militares parecem ter encontrado uma fenda histórica na crença de seu justo engajamento no desenvolvimento econômico. E assim a tutela sobrevive com um, pelo braço forte; com outro, pela mão amiga.
TRICONTINENTAL. GOVERNO LULA 3 E AS FORÇAS ARMADAS. Boletim Especial n°1/2024. Instituto Tricontinental de Pesquisa Social. Jan 2024.
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+almeida
17 de janeiro de 2024 11:16 amAs cúpulas militares brasileiras no últimos 60 anos, que é o tempo em que penso (rs) ter amadurecido e registrado grande parte das minhas experiências de vida, nunca se mostraram confiáveis exatamente por se demonstrarem explicitamente seletivos, preconceituosos e politicamente partidários, da direita conservadora. Pau que nasce torto só não morre torto, se for endireitado na rigidez de uma amarração e de um resistente cabresto.
O que falta para desentortar um viciado entortamento dos militares é o surgimento de um governo progressista audacioso e corajoso, que exija rigorosamente o respeito a hierarquia, a obrigatória obediência as leis e ao regimento interno da instituição e que tenha o pleno conhecimento da sua limitação, da função do seu cargo e da sua submissão perante a autoridade máxima da presidência da república.
Já passou do tempo dos governos presidencialista ficarem batendo palmas para alguns malucos e aloprados militares, que de tempo em tempo se incorporam de forma criminosa, irresponsável e leviana, para se amotinarem como desclassificados golpistas gananciosos por poder, regalias de todo tipo e perpetuação ditatorial, custe o que custar.
Avalio que, ao contrário, grande parte dos militares ainda estão envenenados pelo regime imperial e só irão recuperar a normalidade, se forem descontaminados na marra, a ferro e fogo, dentro da lei, com o respeito e toda oportunidade de defesa que mereça, porém sem mais nenhuma regalia e mais nada além do que a constitucionalidade da lei e do que o regimento permita.