5 de junho de 2026

As manobras do bolsonarismo nas eleições para Procurador Geral do MPE do Rio

Uma maneira de dissipar desconfianças seria os três mais votados, imediatamente após as eleições, firmarem um compromisso de manutenção das investigações e de independência do MPE.

Nos últimos tempos, conduzido pelo Procurador Geral Eduardo Gussem, o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro manteve acesa a dignidade da profissão, conspurcada pela promiscuidade da Lava Jato de Curitiba. Tocou inquéritos sensíveis, contra o poder ameaçador dos Bolsonaro, contra seus aliados nas milícias e no Escritório do Crime, sem se deixar intimidar.

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Com as eleições para o o novo procurador há ameaças pairando no ar. Um dos candidatos é  Marcelo Rocha Monteiro, que já apareceu em fotos com a camisa de Bolsonaro. Mas não é o candidato visto como maior ameaça à independência do MPE.

Pela legislação fluminense, o PGE precisa necessariamente sair da lista tríplice. Há dois candidatos fortes, os promotores Luciano Mattos e Virgilio Stravidis. E um candidato fraco, justamente Marcelo, por suas ligações bolsonaristas. A maior ameaça, segundo fontes diretamente ligadas nas investigações sobre Flávio Bolsonaro, é a procuradora Leila Costa, discreta mas, segundo informações de dentro do MPE, com ligações pessoais com os Bolsonaro. A candidatura de Marcelo, segundo essa ótica, seria uma espécie de boi de piranha, para deixar passar a boiada.

Uma maneira de dissipar desconfianças seria os três mais votados, imediatamente após as eleições, firmarem um compromisso de manutenção das investigações e de independência do MPE.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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6 Comentários
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  1. Raimundo Nonato Neves De Menezes

    11 de dezembro de 2020 8:46 am

    Com a Famíglia no Planalto, o Centrão na Câmara, a PGR nas mãos, parte do Ministério Público e parte do STF no balanço das circunstâncias… estamos ferrados.

  2. Eduardo Pereira

    11 de dezembro de 2020 8:56 am

    Acabei de ler no BR247 que a ABIN trabalhou pro filho zero nada , aquele da rachadinha, para tentar desqualificar a investigação da Receita.
    Seria o equivalente do Lula ter posto a PF atrás de quem dizia que o Lulinha era o dono da Friboi.
    Logo , nada mais é surpresa.
    O ataque ao Estado é permanente e parte dos que mais deveriam protegê-lo.

  3. +almeida

    11 de dezembro de 2020 10:24 am

    Vamos aguardar para ver até onde a justiça consegue esticar o elástico da sua tradicional e perigosa cegueira com os interminaveis desrespeitos às leis e aos procedimentos legais que a elas devem se submeterem.

  4. Lúcio Vieira

    11 de dezembro de 2020 10:34 am

    Parece que isto também é entendido como corrupção. Se não me engano, existe enquadramento legal para isto. Dizem até que pode levar ao impedimento. Ah, mas é o Brasil do STF que garante algumas coisas e outras não e que hoje anda até a testa envolvido com golpes e golpismos.

  5. Nender....o tal

    11 de dezembro de 2020 11:19 am

    Eu achi que Nassif não tem mais direito à ingenuidade.
    Como se a condução de investigações contra os bozos também não obedecessem (outros) interessses políticos.
    Acordo para independência do MP é de doer.
    Acho que pior que o uso partidário, que por ser explícito pode ser combatido pelas forças políticas, inclusive interna corporis, é a tolice de acreditar nesta balela de independência.
    Arf.
    Tá osso.

  6. Renato Cruz

    11 de dezembro de 2020 6:12 pm

    Talvez um dia eu consiga chegar lá no cercadinho do Palácio da Alvorada e dizer isso na cara do Bolsonaro:

    “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”

    Mas eu desconfio que ele não sabe quem foi Cícero, e menos ainda Catilina.

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