8 de junho de 2026

As profissões que mais registram afastamentos por transtornos mentais no Brasil

No topo da lista estão profissões como vendedor do comércio varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção
Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Em 2025, Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, maior número da década, segundo o INSS.
Vendedores, faxineiros e auxiliares administrativos lideram afastamentos, afetados por contratos frágeis e pressão por metas.
Atualização da NR-1 para riscos psicossociais foi adiada para maio; fiscalização visa coibir jornadas excessivas e assédio.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Mais de duas mil ocupações profissionais registraram afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Em 2025, o país concedeu mais de 500 mil benefícios por problemas de saúde mental, o maior número já registrado pelo segundo ano consecutivo.

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No topo da lista estão profissões como vendedor do comércio varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção. São atividades ligadas ao atendimento ao público, à manutenção de serviços essenciais e ao funcionamento cotidiano das cidades.

Os dados mostram que em 2025 foram registrados mais de 546 mil afastamentos por questões relacionadas à saúde mental. Em 2024, o país já havia atingido o maior patamar da década, o que indica uma tendência de crescimento contínuo.

Para entender a distribuição desses afastamentos no mercado de trabalho, foi analisada uma lista com mais de 2 mil profissões, elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), com base em registros do INSS. O levantamento considera o período entre 2012 e 2024 e inclui afastamentos com e sem vínculo a acidentes de trabalho.

Especialistas apontam que as ocupações mais afetadas compartilham características como contratos frágeis, alta rotatividade, pressão por metas, jornadas extensas e maior exposição a riscos, como a violência urbana, caso de motoristas e vigilantes.

Segundo o procurador do Ministério Público do Trabalho Raymundo Lima Ribeiro Júnior, a combinação entre vínculos precários e sobrecarga de trabalho ajuda a explicar o cenário. De acordo com ele, há investigações em empresas que controlam até mesmo o tempo de pausas para necessidades básicas, o que agrava o adoecimento mental dos trabalhadores.

A auditora fiscal do trabalho Odete Cristina Pereira Reis, coordenadora nacional de Fiscalização em Riscos Psicossociais, afirma que o ranking revela um padrão estrutural. Para ela, o baixo nível salarial e a pouca autonomia nas funções reduzem a capacidade de decisão dos trabalhadores, aumentando o estresse e dificultando o desenvolvimento profissional.

Entre os principais fatores associados ao crescimento dos afastamentos por saúde mental estão relações de trabalho precárias, medo do desemprego, remuneração atrelada a metas de desempenho, excesso de trabalho, jornadas prolongadas e exposição à violência durante a atividade profissional.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença, o maior número dos últimos cinco anos. Desse total, mais de 546 mil licenças foram concedidas por transtornos mentais, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Os transtornos ansiosos lideram as causas de afastamento, com 166.489 licenças concedidas, seguidos por episódios depressivos, que somaram 126.608 afastamentos. Também aparecem entre os principais diagnósticos transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo, todos com crescimento em relação a 2024.

Os números se referem ao total de afastamentos, e não ao número de trabalhadores, já que uma mesma pessoa pode receber mais de uma licença ao longo do ano.

O impacto financeiro também é significativo. Embora o INSS não informe o valor exato gasto com licenças por saúde mental, dados indicam que os trabalhadores ficaram afastados, em média, por três meses, recebendo cerca de R$ 2.500 por benefício. Com base nesses valores, o custo estimado pode chegar a quase R$ 4 bilhões em 2025.

As mulheres concentram a maioria dos afastamentos, representando cerca de 63% do total, embora recebam, em média, benefícios menores do que os homens. Segundo especialistas, os dados mostram que a saúde mental deixou de ser apenas uma questão de saúde pública e passou a ter forte impacto econômico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a depressão e a ansiedade provoquem a perda de 12 bilhões de dias úteis por ano no mundo, com prejuízo global de cerca de US$ 1 trilhão.

Diante desse cenário, o debate sobre prevenção ganhou força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passaria a incluir os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida permitiria a fiscalização de situações como metas excessivas, jornadas prolongadas, assédio moral e falta de suporte organizacional, com multas que poderiam chegar a R$ 6 mil por empregado.

Após pressão de empresas e sindicatos patronais, o governo decidiu adiar a implementação da norma. O novo prazo foi estabelecido para maio deste ano. Segundo o Ministério do Trabalho, no entanto, não haverá nova prorrogação.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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9 Comentários
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  1. Susana

    2 de fevereiro de 2026 9:07 am

    Porque será de tanto afastamento ?
    Porque já trabalhei muito em comércio eu acredito que mais da metade de funcionários dessas empresas não recebem um valor justo são muito desrespeitadas como pessoa em todos os aspectos….Os grandes varejistas descontam tanto de folha de pagamento que quase não sobra nada …
    A gestão feminina leva pro lado pessoal e masculino também trabalham na chantagem emocional e o mais triste de tudo isso não tem fiscalização 😔😠

    1. Josefa

      2 de fevereiro de 2026 3:08 pm

      Já fui vendedora e auxiliar de Escritório e te digo: as duas profissões são exercidas na base do modo sobrevivência. Bulying, chantagen emocional, fofocas, puxões de tapete e armações das piores. Não tem amizade, até a sua sombra te trai dentro desses estabelecimentos. A cultura das empresas é: deixa o circo pegar fogo. Só Deus para dar forças.

  2. John

    2 de fevereiro de 2026 6:01 pm

    Já trabalhei na rede Armarinhos Fernando, que aparece na foto dessa notícia, no caso a foto é da unidade Matriz, na 25 de março centro de SP, pior loja para se trabalhar, no caso todas as lojas da rede são péssima, algumas com uma escala onde você trabalha de 10 a 15 dias para ter uma folga, salário tipico para área de varejo, como Estoquista, repositor, caixa e etc, qualquer cargo mais “alto” é para os parentes, muito comum ver um gerente que coloca parentes para trabalhar como engarregado e outras coisas, na 25 de março a área de descanso de funcionários e colaboradores é nas calçadas imundas da Rua Abdu Chain, o pior lugar para se trabalhar tem inumeros descasos com o trabalhador, a rede que é de uma família, trabalha em um modo arcaico, não se preocupando com muitas coisas, na real se você não puxar saco é esmagado la, relato pessoal, trabalhei na unidade prestanto serviços para uma agência, a mesma não me pagou, consgui uma vaga com outra agência para prestar serviços la mesmo e a própria rede não deixou, afirmando que eu só poderia prestar serviços pela agência que não estava me pagando, ou seja por questão de amizade eles queriam que eu ficasse trabalhando de graça.. fica ai a dica, quem duvidar do que eu falo é só passar na 25 de março e ver como é, aposto que vai ouvir muitas coisas de funcionários e colabarodes, ja tentei divulgar os descasos deles, mas é dificil.. mas te garanto muitas vezes o funcionário não tem um bebedouro e banheiro.. muitos descasos..

  3. Gracieli

    2 de fevereiro de 2026 8:32 pm

    Após pressão de empresas e sindicatos patronais, o governo decidiu adiar a implementação da norma. Como é que é? Ou seja, os empresários colocam pressão para adiar a fiscalização porque sabem que é um circo.

  4. JOAO MOREIRA PINTO FILHO

    3 de fevereiro de 2026 3:17 am

    Esqueceram de colocar as profissões e os seus porquês na reportagem. Que falha!

  5. Gustavo

    3 de fevereiro de 2026 9:22 am

    Cadê a lista de profissoes?

  6. Marcos

    3 de fevereiro de 2026 1:43 pm

    Experimentem trabalhar em um local cheio de mulheres sendo o único ou com pouco homens.

    Não dou 2 anos para você adoecer mentalmente!

  7. Samuel

    3 de fevereiro de 2026 9:32 pm

    Cadê a enfermagem?
    Gente que cuida de doente fica doente, na pandemia que quem estava dentro dos hospitais tinha. A certeza que iria morrer, isso ai, uma uti oncologica que pacientes que estavam em tratamento a anos de cancer ser enterrado como indigente porque tudo virou covid.
    Vem esse supremo e diz que não precisa de aposentadoria especial, generalizando as categorias, outra situação é o piso salarial que não tem nada haver com o supremo mas eles podem mudar a lei…. lamentável

  8. Renato Lazzari

    5 de fevereiro de 2026 12:05 am

    Enquanto isso, no “andar de cima”, bem… é só lembrar do Epstein, dos “Golden Boys” do INSS.
    Muda a escala mas os hábitos continuam os mesmos…

    Uns enlouquecem por excesso de trabalho, outros por excesso de lazer.

    Ah, Capitalismo, a História não lhe será lisonjeira…

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