10 de junho de 2026

Atitudes de expoentes da bancada ruralista mostram contradição diante da tragédia no RS

Um dos projetos dos ruralistas ameaça a vegetação nativa em todos os biomas, e retira descontroladamente proteção da Mata Atlântica, diz Alceu Castilho
Fotos: Senado e Câmara

Em meio à comoção dos brasileiros com a tragédia no Rio Grande do Sul e os esforços para reconstruir o estado, a responsabilização dos atores que contribuíram para o cenário de destruição também deve estar em pauta, já que não se trata de um caso isolado.

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Alguns dos responsáveis pela atual situação do RS, que já impactou mais de dois milhões de moradores gaúchos, são o próprio governador Eduardo Leite e a bancada ruralista como um todo, e no meio dela, alguns expoentes gaúchos dessa frente parlamentar. A opinião é do jornalista e editor do De Olho nos Ruralistas, Alceu Castilho, em entrevista à TV GGN.

“A gente que trata diariamente de ambiente fica indignado, apesar de solidário à comoção nacional do brasileiro em torno da catástrofe, mas fica indignado com a contradição, e com o cinismo que também passa pelo Congresso”.

Além disso, “estamos vendo muito oportunismo, de coach, de influencer e até de televisão aberta, como se esses atores estivessem realmente preocupados com o ambiente”.

A bancada ruralista e seus expoentes

Alceu exemplifica a sua posição citando dois expoentes da bancada ruralista. O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) e o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), líder do agro no Congresso Nacional, que assinam projetos impactantes contra o meio ambiente.

“Ambos assinam projetos que jogam contra as áreas de proteção permanente, propondo irrigação em áreas de proteção permanente (APP). O outro banca um projeto que libera 5% do território brasileiro para 48 milhões de hectares a mais para o cultivo contra o meio ambiente, inclusive quase ⅓ do pampa, 32% do pampa”.

O projeto a que Alceu se refere é de autoria do ruralista Alceu Moreira (MDB-RS), mas com texto substituído pelo do deputado federal e relator Lucas Redecker (PSDB-RS). Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados em abril, o PL 364/19 ameaça a vegetação nativa em todos os biomas, podendo retirar proteções específicas da Lei da Mata Atlântica de forma descontrolada. O PL agora segue para o Senado.

De acordo com o jornalista, Heinze não fica atrás do colega conterrâneo. Em 2016, em Brasília, Alceu questionou Heinze sobre as mudanças climáticas e o político disse não acreditar, mesmo diante das evidências elencadas por professores e cientistas da Universidade de Brasília (UnB) presentes no dia.

“Ele é um negacionista climático, negacionista das vacinas, no combate à Covid-19, e está aí, foi presidente da frente parlamentar agropecuária, assim como o seu conterrâneo Alceu Moreira”.

Para Alceu Castilho, os projetos que ameaçam o país continuam em pauta no Congresso, inclusive, pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Mais de 20 projetos de lei contrários à proteção ambiental tramitaram nos dias em que o Brasil assistia à tragédia climática no RS

“É isso que precisa ser combatido por cada cidadão brasileiro, que está com razão, comovido com as mortes, desaparecimentos, cavalo caramelo, o que seja”.

O próprio governador: mesma gestão, antes e depois da tragédia

A atuação do governador Eduardo Leite nos últimos anos de mandato, e agora, durante a gestão da tragédia, também foi um dos temas tratados durante o TVGGN 20 Horas, como as alterações ou cortes realizados em 480 pontos do Código Ambiental do RS, em 2019.

“O governador Eduardo Leite revisou 480 itens do código ambiental, passando a boiada – o que significa flexibilizar as leis ambientais – em plena pandemia, durante reunião ministerial”.

Outro ponto apontado pelo jornalista foi a conduta do governador Eduardo Leite ao criticar o impacto das doações no comércio local nesta quarta-feira (15), bem como a falta de trato com o presidente Lula.

“Ele dá essas declarações e depois faz de conta, e nem nomeia o presidente Lula. Fala apenas o ‘Presidente da República’ de forma deselegante. Inclusive, pouco republicana. Ele está com um olhar político para coisa, mas um olhar político canhestro, né? Porque quem que vai ganhar voto com esse tipo de frase aí sobre sobre as doações?”

Assista a entrevista completa pelo link abaixo:

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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2 Comentários
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  1. DOUGLAS BARRETO DA MATA

    16 de maio de 2024 8:12 pm

    Cinismo?

    Uai, o que esperavam?

    Com a leniência do governo federal e a cumplicidade do estadual eles ganharam o direito ao cinismo.

    Eles destruirão tudo

  2. +almeida

    16 de maio de 2024 9:32 pm

    Penso que o cinismo da Elite do Colarinho Branco inaugurou o deboche e o escárnio, contra a população brasileira, desde o seu descobrimento.
    Hoje, em roupagens diversificadas, só modernizaram o visual. Porém, turbinaram o deboche e o escárnio com a ignorância, a estupidez e o uso indiscriminado da violência moral, da livre/leve/solta violência verbal, que ganha o grande reforço da toda poderosa e crescente mentira diária.
    Fazem barulho para esconder o que está bem guardado do público e um exemplo dessa traição a população está no exemplo do que a Previdência/INSS/Poder judiciário/Grande Mídia não comentam e não informam a população.
    Resta para nós, que então façamos a publicação e comentário daquilo que é verdade e oficial, como o seguinte comentário:

    A PGFN – PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL publicou “PESQUISA DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO (DAU) – PREVIDENCIÁRIA”, que informa os dados referentes a janeiro de 2023 sobre 500 maiores devedores previdenciários Versão 48.00 1.2023.

    A pesquisa confirma, para mim, a hipocrisia, a falta de competência, a falta de autoridade e a total inconfiabilidade do INSS em administrar, gerir e dar segurança ao montante da arrecadação nacional das contribuições previdenciárias, que são recolhidas dos salários dos trabalhadores vinculados a CLT e também dos profissionais autônomos, que depositam mensalmente as suas contribuições através de seus carnês de pagamentos.

    Enquanto covardemente induzem e manobram tribunais com informações falsas e com os carcomidos, ridículos e debochados apelos de sempre, que tenta chantagear ingênuos e inocentes “Mestre Superiores da Justiça e do Direito Nacional”, com a velha e estúpida desculpa de que a Previdência irá quebrar, caso o STF mantenha o mérito já julgado pelo próprio STF.

    Voltando a pesquisa, ela informa quem são e em quanto está a dívida dos 500 maiores devedores do INSS, até o mês de janeiro de 2023. O mais grave de tudo é que ninguém, mas NINGUÉM MESMO informa, que: a dívida dos 500 maiores devedores da Previdência Nacional atingiu (pasmem) o montante de R$ 141.657.318.815,33 (CENTO E QUARENTA E UM BILHÕES, SEICENTOS E CINQUENTA E SETE MILHÕES, TREZENTOS E DEZOITO MIL, OITOCENTOS E QUINZE REAIS E TRINTA E TRÊS CENTAVOS).
    O link da PGFN é:

    https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/divida-ativa-da-uniao/divida-ativa-previdenciaria/500%20MAIORES%20DEVEDORES%20PREVIDENCIRIOS%20Versao%2048.00%201.2023.pdf

    No link vemos que os GRANDES BANCOS e GRANDES EMPRESAS arrastam suas dívidas por anos, enquanto vemos por anos a fio os Grandes Bancos divulgarem, a cada Trimestre, os resultados de seus 8, 9 ou 10 bilhões de Reais, em lucros. Porém, eu entendi que o dever e a responsabilidade para pagar ao erário público,…..nem pensar.

    Parece que sem nenhum pudor, debocham abusivamente de todos nós que somos os donos legítimos de toda a arrecadação das contribuições mensais da Previdência Social. O pior é que não menos deixa-nos transparecer, que as eminentes excelências do Poder Supremo Judiciário assistem passivamente a tudo, através dos luxuosos abastecidos camarotes que são bancados pelos impostos pagos pela população, aos quais estão inclusas todas as contribuições recolhidas mensalmente dos salários de quem trabalha, produz e gera as riquezas que são usurpadas de forma delinquente e picareta, pela grande corja dos malandros do colarinho branco.

    NINGUÉM tem coragem de falar, denunciar, publicar ou informar, sobre essa imensa e verdadeira prática de incompetência, irresponsabilidade, conivência e vergonhosa covardia que fazem com os aposentados e com contribuintes. Usam da mentira, do alarmismo, da chantagem barata e do abuso de poder para delinquirem contra a indefesa classe trabalhadora brasileira.

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