Atividade econômica das cinco regiões do Brasil – 1T19, por Marcel Balassiano

Nos últimos quatro anos, o PIB brasileiro recuou, 1,2% ao ano, em termos reais, algo sem precedentes na história brasileira.

do Blog do IBRE

Atividade econômica das cinco regiões do Brasil – 1T19

por Marcel Balassiano

Como já amplamente divulgado, a recessão que o país passou foi muito forte, possivelmente a pior década de crescimento econômico dos últimos 120 anos. Nos últimos quatro anos, o PIB brasileiro recuou, 1,2% ao ano, em termos reais, algo sem precedentes na história brasileira. Na comparação internacional, mais de 90% dos países do mundo apresentaram crescimento econômico maior que o do Brasil durante o período 2011-18. Porém uma análise mais regional é pouco explorada pelos analistas econômicos. O Banco Central divulga o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), com dados disponíveis para 13 Estados brasileiros,[1] além das cinco regiões do Brasil. Nesse artigo, a análise será em cima desse indicador do BC para as cinco regiões do Brasil (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte).

De acordo com o Gráfico 1, no triênio recessivo (2014-16), as regiões Sul e Sudeste foram as que apresentaram pior desempenho (queda real da atividade econômica de 2,6% e 2,5% ao ano), enquanto que a região Centro-Oeste a que menor recuou (0,4%, ao ano). No biênio pós-recessão (2017-18), a região Sul foi a que apresentou o maior crescimento médio (2,4%, ao ano), e o Sudeste, o pior (0,6%). Esse desempenho do SE foi impactado também pelo fato do Rio de Janeiro ter sido o Estado com pior desempenho entre todos os Estados analisados em 2018, sendo o único com queda do indicador.

No Gráfico 2 há as taxas de crescimento (YoY e QoQ) no primeiro trimestre desse ano. Segundo esse indicador, a região Sudeste foi a que apresentou o maior crescimento (em comparação com o trimestre imediatamente anterior), de 1,1%, seguido pela região Norte (0,9%). As regiões Sul e Nordeste ficaram praticamente estagnadas (0,1% e -0,1%, respectivamente) e a região Centro-Oeste foi a única que apresentou queda na margem. Na região SE, o RJ cresceu 0,4% em comparação com o 4T18, sendo a segunda alta consecutiva desse indicador (0,6% no último trimestre de 2018). São Paulo, principal estado da região e do Brasil, cresceu 1,6% no primeiro trimestre de 2019, o que contribui bastante para o crescimento do Sudeste como um todo.

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A recessão no Brasil começou oficialmente no 2T14, de acordo com o Codace, e terminou no 4T16. Segundo os dados do IBC-Br, para o Brasil, o pico do indicador foi no 4T13. Nas regiões Sul e Sudeste o pico foi no 1T14, e no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, no 4T14. Na Tabela 1 há as perdas acumuladas entre os respectivos picos e o 1T19. As regiões Sudeste e Nordeste são as que ainda têm as maiores perdas, e as regiões Norte e Cento-Oeste, as menores.[2] Ainda na Tabela 1, há os exercícios da trajetória de recuperação do Brasil e das cinco regiões, caso seja mantido as mesmas taxas de crescimento médio no biênio pós-recessão (2017-18). A região Sudeste seria a que demoraria mais para voltar ao nível do pico, somente no 4T27, já que a perda acumulada foi a maior das regiões (5,4%) e a taxa média de crescimento nos dois últimos anos foi modesta (0,6%). A região Centro-Oeste já voltaria no trimestre atual (2T19), já que a perda acumulada foi pequena e a taxa de crescimento, relativamente robusta (1,6%).

Última variável tanto a entrar quanto a sair da crise, a taxa de desemprego brasileira foi de 12,7% no 1T19.[3] No começo da recessão (2T14), a taxa de desemprego brasileira estava em 6,8%. No Gráfico 3 há a taxa de desemprego do Brasil e das cinco regiões, no início da recessão e o último dado disponível (1T19), e no Gráfico 4, as diferenças entre as taxas de desemprego de cada região e o Brasil. A região Sul é a que apresenta a menor taxa de desemprego, e a região Nordeste, a maior. As regiões Sul e Centro-Oeste apresentam taxas de desemprego menores do que à média nacional.

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A diferença (em pontos percentuais) entre o desemprego no 1T19 e no 1T14 (trimestre imediatamente anterior ao começo da recessão) diminuiu mais na região Sul e menos no Sudeste, conforme mostra o Gráfico 5.

Por efeitos sazonais, geralmente no primeiro trimestre do ano o desemprego aumenta. Isso ocorreu no Brasil e em todas as regiões. Uma forma de se analisar a evolução do mercado de trabalho é comparar a taxa de desemprego na mesma época do ano anterior. O Gráfico 6 mostra isso, com recuo da taxa de desemprego nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, e aumento no Centro-Oeste e no Norte.

Então, a recuperação lenta e gradual da economia que acontece no Brasil ocorre de forma heterogênea entre as regiões. A região Sudeste seria a que demoraria mais para voltar ao nível do pico, somente no 4T27, e a região Centro-Oeste já voltaria no trimestre atual (2T19), caso seja mantido as mesmas taxas de crescimento médio no biênio pós-recessão (2017-18). Porém, no 1T19, a região Sudeste foi a que apresentou o maior crescimento (em comparação com o trimestre imediatamente anterior), de 1,1%, seguido pela região Norte (0,9%). As regiões Sul e Nordeste ficaram praticamente estagnadas (0,1% e -0,1%, respectivamente) e a região Centro-Oeste foi a única que apresentou queda na margem. Sobre a taxa de desemprego, a região Sul é a que apresenta a menor taxa, e a região Nordeste, a maior. As regiões Sul e Centro-Oeste apresentam taxas de desemprego menores do que à média nacional. Em comparação com o 1T18, houve um recuo da taxa de desemprego nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, e aumento no Centro-Oeste e no Norte. Ou seja, o caminho para a retomada da economia e, consequentemente, diminuição do desemprego, ainda será longo. Resolver o desequilíbrio fiscal (um problema também de estados e municípios), principalmente com a reforma da previdência, é o primeior passo, mas não o único. Outras reformas, como tributária, melhoria do ambiente de negócios, entre outras, são de fundamental importância para o futuro do país.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.


[2] Para o Brasil, os dados aqui considerados são do IBC-Br, portanto diferentes dos dados do PIB, calculados pelo IBGE.

[3] No trimestre móvel terminado em abril, a taxa de desemprego do Brasil está em 12,5%. Porém, para as regiões e estados, os dados do desemprego são trimestrais, e o último dado disponível é do 1T19.

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1 comentário

  1. Na minha empírica observação uma certeza: Os gráficos da economia apontarão todos para baixo até o dia em que o povo resolver tirar o governo atual.
    E, após isso, levarão ao menos mais cinco anos para qualquer esboço de recuperação.
    Já ganhamos na megasena acumulada (Aloysio Biondi) e não soubemos aproveitar, sabotados pelos golpistas em geral, nativos ou estrangeiros.
    …-Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança.

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