247 – Manchete da Folha de S. Paulo deste sábado: “Para Lula, cobrar metrô em estádio é ‘babaquice'”. O motivo, uma declaração fora de contexto do ex-presidente, quando ele aborda a cobertura dos meios de comunicação sobre a Copa. Nela, Lula diz que os brasileiros nunca tiveram problema para ir a pé aos estádios. “Vai a pé, descalço, de bicicleta, de jumento, de qualquer coisa. Mas o que a gente está preocupado é que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Que babaquice é essa?”.
Ou seja: Lula sugere que os meios tradicionais fecham os olhos para as realizações e olham apenas para o que ainda não foi feito. Será que ele realmente quis dizer que metrô é “babaquice”? Ou reclamou da cobrança por metrô “até dentro do estádio”? Algo que, aliás, nem existe em países desenvolvidos.
O ponto central do discurso de Lula, na verdade, foi a crítica à excessiva concentração da mídia no Brasil e ao fato de esse tema ser tabu no Brasil. “Nos Estados Unidos, há a proibição da chamada propriedade cruzada. Em outros países, como Espanha, Portugal, França e Itália há leis que tratam dos meios de comunicação. Não venham dizer que isso é censura, ou que estamos querendo controlar os meios de comunicação. Estou citando países capitalistas. Não venham dizer que sou esquerdista, nem citei a Venezuela do saudoso presidente Chávez”, afirmou Lula.
O ex-presidente também lembrou a entrevista que concedeu a um grupo de blogueiros – e foi alvo de uma dura reprimenda do jornal O Globo. “Eu me dou o direito de dar entrevista para quem eu quero, na hora que eu quero”, disse o ex-presidente Lula, na manhã desta sexta-feira 16, em palestra no 4º Encontro Nacional dos Blogueiros. Ele explicou que ficou “impressionado com a violência com que a imprensa tratou minha entrevista ao blogueiros, lá no Instituto da Cidadania”, afirmou.
Marco Vitis
17 de maio de 2014 11:17 pmA ONDA
Acabo de assistir ao filme “A Onda”. É aquele filme que desenvolve o argumento de que sempre é possível implantar uma ditadura fascista.
No início era apenas um experimento divertido e o professor Wender é indicado como líder autocrático e passa a exercer a função de doutrinador.
Com finalidade aparentemente solidária e libertária, as ideias defendidas e os valores transmitidos dominam a consciência de um grupo vulnerável de estudantes.
As ações praticadas levam o grupo a se constituir numa falange fascista.
Esse filme tem similaridade com o que acontece hoje no Brasil.
Dois artistas sensíveis já tiveram essa percepção, mas não souberam identificar a causa do fenômeno. Estou me referindo a Nei Matogrosso e Wagner Moura.
Vivemos em uma sociedade historicamente desigual, injusta e, por isso mesmo, vulnerável às soluções totalitárias.
Diariamente o corpo social é envenenado por ideias que disseminam o ódio e estimulam às ações violentas. Os cidadãos socialmente explorados, aqueles que são vítimas de uma abominável dominação secular, são induzidos ao justiçamento. Pessoas são linchadas por pequenos delitos ou por crimes que nunca cometeram, como foi o caso daquela mulher no Guarujá. Jovens sectários sentem-se estimulados aos atos de puro vandalismo. Estas parcelas da sociedade são agentes inconscientes de um processo que, se bem sucedido, reverterá prioritariamente contra eles. Estão espontaneamente contribuindo para a construção de sua própria senzala.
O professor Wender tem seus análogos em nossos jornais, revistas e redes de TV: Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Raquel Sherazade…
O Estado Democrático de Direito está sendo sutilmente corrompido.
É preciso uma reação democrática contra essa onda fascista que pretende nos dominar.