Algum dia, a pena de um escritor brilhante, especializado em mutações psicológicas, desvendará o processo de transformação radical do Ministro Luis Roberto Barroso.
Não se fala das mutações políticas, próprio dos macunaímas, especialistas em prever o rumo dos ventos. Esta é uma característica mais universal dos homens públicos e das corporações brasileiras. E Barroso é a melhor tradução dos estereótipos traçados pelos grandes escritores do início do século.
Falo da marca da maldade mesmo, da crueldade, da ausência de empatia em relação a terceiros, da pessoa que interpreta tão bem o personagem que cria para si próprio, a ponto de assimilar sentimentos que pareciam incompatíveis com o personagem anterior.
Na década de 70, a Universidade de Stanford imaginou um experimento revolucionário. Para estudar o comportamento em uma prisão, dividiu uma turma de estudantes em dois grupos, representando os presidiários e os carcereiros em um cenário de prisão dentro do próprio campus. De repente explodiu uma ferocidade sem tamanho dos “guardas” contra os “criminosos”, obrigando a suspender o estudo no sexto dia. Tornou-se um clássico da psicologia, inspirando documentários, livros e filmes.
Em 2007, com base nesses experimentos, o psicólogo Phil Zimbardo lançou o livro “O Efeito Lúcifer: Entendendo como pessoas boas se tornam diabólicas (The Luficer Effect: Understanding How Good People Turn Evil)”.
Os estudos se basearam nas atrocidades cometidas na prisão de Abu Ghraib. Alguém poderia provoca-lo para um projeto piloto no ambiente asséptico e solene do Supremo Tribunal Federal (STF). E, lá, se concentrar nas mutações psicológicas de Luis Roberto Barroso, de como o sujeito que se apregoava “homem bom”, o legalista, o homem que só queria o bem, o boa praça, pode se tornar um personagem tão frio e cruel.
No ano passado, atingiu milhares de famílias ao proibir o indulto de Natal do então presidente Michel Temer. O indulto é uma das poucas medidas que o presidente pode tomar individualmente. Consta na Constituição brasileira, assim como na americana. Aproveitando as tempestades da Lava Jato, Barroso interrompeu a medida e atropelou a Constituição.
Neste final de ano, ficou em suas mãos decidir sobre os indultados. Henrique Pizolatto era um dos prisioneiros que tinha direito ao indulto de 2017. O STF entrou em recesso e Barroso deixou o seu caso na gaveta.
Todos os outros condenados a prisão, na AP 470, foram indultados por Barroso, incluindo réus com penas muito maiores, como Kátia Rabello e de José Roberto Salgado (+ de 14 anos); Cristiano Paz (+ de 23 anos) e Ramon Hollerbach (+ de 27 anos). E
Mas Pizolatto permanecerá preso. Porque, com Barroso, não vigora a interpretação impessoal do que diz a lei e a Constituição, mas o exercício reiterado da crueldade contra o inimigo.
Itamar Perenha
20 de dezembro de 2019 4:59 pmEle é como as “mutações constitucionais” que alardeia, sempre que pretende manipular uma decisão ou dar um voto capaz de reverberar na imprensa. Éle é um equívoco. Mais um, de várias indicações equivocadas para os Tribunais Superiores. Fachin é outro exemplo de mau caráter. Aproximou-se da magistratura, participou de foruns constitucionais, defendia os “sem terra” (também defendia a JBS) mas a doença que corroia seu caráter passou despercebida até ela aboletar-se numa cadeira do Supremo. Aí o cara se revelou. Já se anunciam outros equívocos para breve, com ministros terrivelmente evangélicos. Só falta o retorno à Inquisição.
Lúcio Vieira
20 de dezembro de 2019 5:11 pmTais experimentos e estudos demonstram como o ego humano, quanto mais aflorado, mais adultera a realidade e as pessoas tendem a acreditar ser (em essência) aquilo que elas estão fazendo (papéis, cargos, funções), esquecendo-se de que estes são temporários e através das ações enganosas feitas por eles, geralmente são cometidos os maiores erros (ou pecados). Por isto é dito que o ego é o inimigo que torna o eu cEGO. Perdoai-vos, pois (cegos que estão) não sabem o que fazem e pior, não enxergam o futuro que escrevem para si. Época de máximo ego, maior arrogância e cometimentos de injustiças, crueldades e desumanidade. Como não canso de repetir, a maior e pior armadilha que a humanidade tem criado, é o que podemos assistir através do esmagamento e ocaso do humanismo, a condição básica para ter-se empatia pelo próximo. Quanto menos humanismo, maior será a barbárie e suas barbaridades.
Romanelli
20 de dezembro de 2019 5:33 pmjá disse, repito e escrevo com a minha BIC AZUL.
CAPA a vitaliciedade dessa canalhada, com a perspectiva de que voltarão a se transformar em abóboras, que eles tomam vergonha cara rapidinho.
Teu problema, Nassif, é que vc não leva a sério a profundidade da minha superficialidade.
Francisco Amaral
20 de dezembro de 2019 6:29 pmAo ver esse juiz empenhado no alinhamento com a Globo e com a Lava Jato, só de vê-lo sofismar que segue a voz das ruas, ao invés de seguir a constituição, a gente constata que a justiça brasileira vive um de seus piores momentos
altamiro souza
20 de dezembro de 2019 8:18 pmbarroso ´é o tipo do cara autocrático – o estado sou eu – que atiça o clima de terror característico da direita que hegemoniza o atual capitalismo, notoriamente totalitário, como se sabe….
(a iniciativa privada apoderou-se completamente do estado para ficar com tudo,expropriar a população).
Edivaldo Dias de Oliveira
20 de dezembro de 2019 8:50 pmNão dá para o plantão, tofolli, resolveram isso?
Bruno Cabral
21 de dezembro de 2019 7:46 amEtica é como se age quando todos estao vendo
Carater é como se age quando ninguem esta vendo
O poder mostra o verdadeiro carater das pessoas
Barroso e Fachin nao sao casos isolados. JB e Toffoli sao outros exemplos. O que mais impressiona é que os ministros indicados por Sarney e Collor tem mais carater de que todos os indicados pelo PT.
Maria Luisa
21 de dezembro de 2019 1:59 pmPelas ações de Luis Roberto Barroso desde que se tornou ministro no STF creio que ele empreendeu uma cruzada contra os “barbaros”, os “corruptos da esquerda”, o marxismo, o socialismo ou qualquer cosa que não represente o universo asséptico, de gente de bem, preocupada com a “nação” e que preza por seu desenvolvimento subordinado aos Estados Unidos e Europa; mundo em que vive o senhor Barroso.
Roberto Almeida
21 de dezembro de 2019 2:30 pmA morte de Teori foi um recado. Barroso, Fachin, Fux… entenderam.