24 de junho de 2026

Big Techs avançam sobre o Brasil com “colonização digital”, alerta Cláudia Carvalho

Em entrevista à TV GGN, advogada alerta para o lobby das Big Techs e o risco da dependência digital do Brasil

Especialista alerta para “colonização digital” no Brasil, com data centers estrangeiros e lobby das Big Techs no Congresso.
Dependência da nuvem estrangeira expõe o país a riscos de ataques cibernéticos e falta de soberania digital.
Lobby das Big Techs enfraquece software livre e redefine advocacia, impondo adaptação a sistemas judiciais automatizados.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Brasil está vivenciando um processo de “colonização digital” onde, tal como as caravelas no passado, os modernos data centers desembarcam no país para extrair dados e impor dependência tecnológica sob o pretexto de modernização. O alerta foi feito pela advogada, conselheira estratégica digital e fundadora da Criminal Compliance Business, Cláudia Carvalho, em entrevista concedida ao jornalista Luis Nassif no programa TVGGN 20H [confira abaixo].

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Analisando a atual corrida das Big Techs por infraestrutura e o lobby exercido por essas gigantes no Congresso Nacional, a especialista argumentou que, longe de haver um movimento estatal para reduzir o poder dessas plataformas ou abrir seus algoritmos, o que se observa é uma articulação para ampliar o domínio estrangeiro sobre a soberania nacional, muitas vezes com o aval e incentivos fiscais do próprio governo brasileiro.

“O que eu estou vendo é um movimento é para dar mais poder para as Big Techs. Eu estive em um evento exclusivo sobre data centers e havia várias empresas interessadíssimas em vir para o Brasil. Uma parece que já fechou contrato com o Rio de Janeiro. Eles vêm com uma pressão muito grande, dizendo que o país está na contramão da tecnologia se não ceder às suas exigências. Querem fazer praticamente uma colonização digital: antigamente vinham com as caravelas, agora vêm com os data centers. E para melhorar a situação deles, querem isenções fiscais, dizendo que sem isso não conseguem implantar ou melhorar a economia. É inacreditável, é uma selvageria digital. Prometem gerar 12 ou 20 empregos no interior, mas que tipo de emprego? Não haverá mão de obra qualificada local para operar; trarão gente de fora ou de São Paulo. Não se desenvolve a cadeia produtiva, apenas se instala o equipamento para exportar dados”.

Ao aprofundar a discussão sobre a fragilidade da infraestrutura brasileira, Carvalho destacou que a dependência de sistemas de nuvem estrangeiros (norte-americanos, chineses ou coreanos) coloca o país em um estado de vulnerabilidade crítica. Segundo a especialista, o Brasil carece de uma estratégia real de soberania, o que nos deixa expostos à “Cyber War” – uma realidade onde ferramentas de inteligência artificial de alta velocidade, como o sistema Claude 3.5 Sonnet, podem ser utilizadas como armas de guerra para paralisar setores inteiros, da rede elétrica ao sistema bancário, em questão de segundos.

Para ela, o país gasta energia produzindo legislações e documentos teóricos, enquanto permanece desprotegido contra a iminente quebra de criptografia que será trazida pela computação quântica.

“A gente não tem soberania digital. Temos uma dependência enorme de tecnologia estrangeira. O data center é só um equipamento, mas precisamos da nuvem, e tudo hoje é armazenado nela porque dizem ser mais seguro. Mas quem é dono dessa nuvem? É a China, os Estados Unidos, a Coreia. Se isso pifa, ficamos sem telefone, sem luz. Já estamos na fase da Cyber War. Se um inimigo ou um criminoso tiver um sistema capaz de quebrar proteções em segundos, ele paralisa o setor elétrico e a internet. Isso aconteceu recentemente na Espanha, onde o governo tentou abafar, mas foi um ataque que deixou pessoas ilhadas, sem acesso a nada, voltando praticamente ao século XIX. E o Brasil está atrasado: nos preocupamos em escrever ‘textão’ de lei e estratégias, mas na prática não estamos protegidos contra a quebra de criptografia que virá com a computação quântica”.

A advogada também relembrou o histórico de resistência das Big Techs a alternativas nacionais, citando o esvaziamento do movimento de software livre no Brasil. Segundo Carvalho, o lobby de empresas como Microsoft e Oracle nos tribunais brasileiros impediu que o Judiciário desenvolvesse sistemas próprios e autônomos.

Essa submissão algorítmica agora alcança um novo patamar: a advocacia está sendo redefinida, e profissionais são forçados a adaptar suas petições para serem “lidas” por robôs do tribunal, sob pena de verem suas teses ignoradas caso não utilizem as palavras-chave exigidas pela máquina. Essa mediação tecnológica também molda o pensamento social, já que as IAs tendem a replicar narrativas econômicas liberais e ortodoxas como se fossem verdades neutras e incontestáveis.

“A questão da bolha das Big Techs é preocupante porque vai impactar diretamente o mercado financeiro. Essas empresas são interdependentes: uma produz o chip, outra o data center, outra a nuvem. Elas gastam comprando umas das outras e, no fim das contas, se você colocar na ponta do lápis, muitas não dão lucro real, apenas queimam capital dos investidores cujas ações estão superestimadas. Algum momento o mercado vai perguntar: ‘cadê o dinheiro?’. Somado a isso, temos a indústria das criptomoedas sendo usada em larga escala para lavagem de dinheiro em paraísos fiscais, algo que se dizia impossível de rastrear. Estamos diante de um cenário de apocalipse digital e precisamos estar preparados, porque não são apenas as bombas físicas que nos ameaçam hoje”.

Assista à entrevista completa pelo link abaixo:

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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  1. ed.

    19 de abril de 2026 2:36 pm

    Sim, temos muito espaço, água e invejável matriz energética!
    É o que eles precisam para colocar enormes caixas pretas que funcionam praticamente sozinhas, podendo ser monitoradas, controladas e mantidas de fora, com alguns trocadores locais de fios, cabos, conexões e módulos (que nem precisam ser “locais”).
    Se o rico braZil não se cuidar, controlar e cobrar suas riquezas com CONHECIMENTO para geração de riquezas com suas riquezas, acabará no médio/longo prazo virando um enorme lixão, um sucatão de riquezas exploradas predatoriamente, um biomão desertificado pela exaustão da extração, operada com implementos estrangeiros (fertilizantes, agrotóxicos, tratores e artefatos de alta tecnologia, etc.).
    Pior, tudo isso sem beneficiar a esmagadora maioria de sua população, em prol de poucos privilegiados, capatazes e corretores desta nação, dando, vendendo e administrando este fantástico butim sem igual no mundo contemporâneo.
    Não adianta termos décadas de progressismo voltado à nossa sociedade. Eles destroem ou revertem todos os ganhos em poucos meses (ex. Temer em ~30 meses, propiciando mais 48 para Bolsonaro, um ídolo que a míRdia corportiva e milhões de braZileiros sem noção trasmutam como “líder”.
    Como dizem aqueles que nos controlam sem muito esforço através de um submedíocre elite “by proxy”:
    “Poor brazil! … Ahahahahaha!”

  2. Paulo Dantas

    19 de abril de 2026 3:00 pm

    Temos de ter nossos MITs e Caltechs.

  3. JotachernobilJOBS

    19 de abril de 2026 4:28 pm

    Exatamente,COLONIZAÇÃO,a rua Santa Efigênia em Sampa quase inteira trabalhava com produtos de informática,ajudou a popularizar este SISTEMA DE INTERAÇÃO E SERVIÇOS NUMÉRICOS e o resultado?Se utilizaram dela e a descartaram,jj em dia têm poucos fabricantes e marcas q PRATICAMENTE MONOPOLIZAM o mercado,exemplo da playstore e etc…Necessário é uma UNIVERSIDADE PÚBLICA DE SOFTWARE LIVRE para alcançarmos a LIBERTAÇÃO,a internet surgiu livre e não podemos deixar q a sequestrem até mesmo para fim militar,aff,olha eu escreveria um livro?minha mente está entrando em modo nuclear inconscientemente sem eu poder controlar,AFF !!!

  4. João Luiz Garrucino

    19 de abril de 2026 5:04 pm

    Acho até engraçado este discurso agora falando até em estatal disto se desde FHC neoliberal praticamente nem deve ter nada nacional aqui e tudo foi internacionalizado…Vão é arrumar chifre na cabeça de cavalo isto sim…E uma bbc pública que até hoje não fizeram? Vacilam e ficam no oba oba apenas.

  5. AMBAR

    19 de abril de 2026 7:01 pm

    Que bom alguém falou.
    Mas parece que a colonização já nos tirou as defesas. Quando a gente constata que não consegue mais conversar pessoalmente com ninguém; que uma notificação processual pode ser feita pelo zap; que os dados de qualquer processo estão disponíveis no jusbrasil; que se não tiver um sistema operacional da microsoft não consegue instalar sua assinatura digital e nem acessar os tribunais, a gente desanima.

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