Bolsonaro só fechou acordo com Congresso por temer reação do centrão

Caso adiasse questão, congressistas poderiam adiar reformas – e até mesmo seguir com os processos contra os filhos do presidente; nem todos ficaram felizes com o acordo

Nem todos ficaram felizes com o acordo que o governo Bolsonaro fechou com o Congresso. Foto: Isac Nóbrega/PR

Jornal GGN – Embora o Congresso Nacional e o presidente Jair Bolsonaro tenham conseguido chegar a um entendimento sobre o Orçamento impositivo, não foram todos que saíram realmente satisfeitos.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, uma ala dos parlamentares mostrou-se descontente com os textos enviados por Bolsonaro, e mesmo apoiadores do presidente passaram a disparar mensagens nas redes sociais criticando um possível acerto.

Contudo, essa tentativa de acordo só ocorreu depois que o governo Bolsonaro percebeu que, caso seguisse com o veto, poderia haver uma reação do chamado centrão – que reúne siglas como MDB, PP, DEM, Republicanos, Solidariedade e PL–, levando ao comprometimento do andamento das reformas, a uma retaliação em projetos de interesse do Executivo ou mesmo acelerando o andamento dos processos contra os filhos do presidente —o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Os textos encaminhados dão autonomia ao governo para o contingenciamento do valor nas mãos do Parlamento, conforme a necessidade fiscal. Porém, o Executivo pode controlar o ritmo com que os recursos eram liberados, mas sua destinação não pode mudar – e esse ponto foi uma das mudanças ante o trato fechado com o Congresso antes do Carnaval.

A intenção dos congressistas que aceitaram o acordo é deixar o governo definir as regras de execução como forma de anular a narrativa de que o Congresso chantageia o Palácio do Planalto, como disse o general Augusto Heleno, ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Tais declarações levaram apoiadores a convocarem atos em apoio a Bolsonaro e contra o Congresso para o próximo dia 15.

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