Brasil Milênio: A destruição do CEITEC

Julio Leão, representante da associação dos colaboradores da estatal, contou sobre a atuação do governo de Jair Bolsonaro sobre o centro tecnológico em entrevista ao jornalista Luis Nassif, nesta terça-feira, 22

Reprodução/TV GGN

Jornal GGN – O desmonte do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) foi denunciado no décimo-segundo episódio da série Brasil Milênio, exibida na TV GGN. O representante da associação dos colaboradores da estatal, Julio Leão, contou a situação em entrevista ao jornalista Luis Nassif, nesta terça-feira, 22.

No momento em que a Indústria 4.0 é ponto central para o desenvolvimento nacional, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu extinguir a empresa pública, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, que atua no segmento de semicondutores, na fabricação de microchips, desde 2009. 

O decreto 10.578, que autoriza a “desestatização” do Ceitec na modalidade de dissolução societária no prazo de seis meses, assinado por Bolsonaro e os ministros Paulo Guedes e Marcos Pontes, foi publicado na edição do Diário Oficial da União(DOU) da última quarta-feira, 16.  

Além disso, a medida autoriza a publicização das atividades de pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação no setor de microeletrônica, executadas pela Ceitec e define que as novas regras de escolhas de “entidade privada sem fins lucrativos como organização social” do setor serão definidas pela pasta de Pontes.

Segundo Leão, apesar de ainda ser uma empresa deficitária, o Ceitec dobrou o seu faturamento, em comparação aos últimos dois anos, e a perspectiva era de que a estatal se tornasse superavitária em quatro anos.

A empresa ganhou destaque durante o governo de Dilma Roussef (PT), com o desenvolvimento de microchips para passaportes, uma inovação no mercado internacional que poderia render cerca de R$ 25 milhões em receita, segundo levantamento da própria empresa. No entanto, a pesquisa foi abortada em 2016 pela gestão de Michel Temer (MDB). 

“A empresa foi pensada e planejada para atender demandas de governos. Houve várias encomendas de governos, em que se desenvolveu o projeto e o governo não comprou. Temos pelo menos quatro projetos desse tipo”, disse Leão. Segundo ele, um desses exemplos é o microchip para passaporte, aprovado e pronto para uso desde 2017, mas que não foi comprado.

Foi a partir dessas dificuldades que a estatal decidiu ingressar no mercado privado, competindo com gigantes internacionais do setor, o que ocasionou no ganho de receita. Além disso, a estatal possui hoje o índice de especialização mais alto do país, com 170 funcionários concursados e 10 cargos comissionados, pelo menos, 60% dos servidores contam com pós-graduação. 

“Em termos de capital intelectual, além das pessoas altamente especializadas, nesses anos nós depositamos 40 patentes no Brasil, três nos Estados Unidos e uma na Europa”, contou Leão. 

O representante também falou sobre as dificuldades do centro tecnológico em meio aos baixos investimentos públicos e mais. Confira o programa na íntegra:

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