17 de junho de 2026

Entrevista: Brasil precisa investir mais em infraestrutura e energia limpa para avançar com Inteligência Artificial soberana

Em entrevista à TVGGN, Isabela Rocha avalia plano brasileiro de IA e cita parceria com BRICs para desenvolver infraestrutura necessária

Em meio a discussões sobre o DeepSeek ascendendo e superando o ChatGPT e outros chatbots de mega empresas ocidentais de tecnologia, fica no ar a pergunta: onde o Brasil está situado nesse tabuleiro? O que o país está fazendo para desenvolver suas próprias ferramentas de Inteligência Artificial e garantir soberania tecnológica para a segurança do seu povo?

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O tema foi abordado no programa TVGGN 20 Horas [assista abaixo], conduzido pelo jornalista Luis Nassif na noite de segunda-feira (3), com transmissão ao vivo pelo canal do GGN no Youtube.

Para Nassif, o Brasil já foi líder nesse campo, mas está perdendo terreno para as Big Techs. Ele criticou o lobby das empresas de tecnologia e a aparente falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil.

A convidada do programa, Isabela Rocha, doutora em ciências políticas pela Universidade de Brasília (UNB), e atual coordenadora do Grupo de Trabalho sobre Estratégia, Dados e Soberania da instituição, falou da importância da soberania tecnológica e a necessidade de proteger os dados dos brasileiros. De acordo com Isabela, a soberania tecnológica é importante porque garante a proteção dos dados dos cidadãos e o desenvolvimento de ferramentas open source soberanas.

Ela mencionou o plano brasileiro de inteligência artificial, que prevê investimentos em infraestrutura e data centers, mas alerta para a necessidade de garantir que a energia utilizada seja sustentável. Afinal, não adianta ter inteligências artificiais que gastam muita energia se essa energia for suja. A inteligência artificial gasta muita energia, e essa energia precisa ser limpa. O Brasil tem a possibilidade de fazer parcerias econômicas com os BRICS para desenvolver essa infraestrutura.

Isabela também comentou sobre a importância de desenvolver ferramentas open source e citou exemplos de iniciativas como o monitor do debate público da USP e o grupo de pesquisa em segurança internacional da UNB. Ela destacou o projeto de inteligência artificial do Piauí, que visa auxiliar os cidadãos em processos burocráticos e utiliza dados processados localmente.

Ferramentas open source são softwares que não possuem direitos autorais e podem ser desenvolvidos por comunidades.

A geopolítica da IA

Na entrevista, Nassif e Isabela Rocha também abordaram a geopolítica da inteligência artificial, analisando a disputa entre Estados Unidos e China pelo poder global. Nassif traçou uma linha do tempo sobre a política externa dos Estados Unidos em relação à China, desde a política de portas abertas até a guerra comercial atual. Ele argumentou que o presidente Donald Trump está tentando reconquistar a influência americana na América Latina para combater a China.

Em meio aos conflitos, Isabela reafirmou a importância de proteger os dados dos brasileiros e de investir em pesquisa e desenvolvimento de ferramentas open source. Isabela criticou o uso de ferramentas como Teams e Zoom, que são de empresas estrangeiras, e defendeu o uso de ferramentas open source como a Conferência Web, da Rede Nacional de Pesquisa.

A primeira parte do programa termina com uma discussão sobre a necessidade de investir em educação digital e de desenvolver cursos de programação para preparar as futuras gerações para a era da inteligência artificial.

Trump e a nova guerra comercial com a China

Na segunda parte do programa, o cientista político e colaborador do GGN, Pedro Costa Jr, fez uma análise sobre a disputa pelo poder global entre os Estados Unidos e a China.

Ele argumentou que a política externa dos Estados Unidos sob Trump passou por diferentes fases em relação à China: a política de portas abertas, a política de contenção e a política de engajamento.

Para o especialista, Trump rompeu com a política de engajamento e adotou uma política de guerra comercial contra a China. Trump está reestruturando a Doutrina Monroe para pressionar a China na América Latina, que é a principal zona de influência dos Estados Unidos.

Costa acredita que o Trump está tentando fortalecer a influência estadunidense na América Latina para combater a China, que se tornou o principal parceiro econômico da região.

Assista a entrevista completa abaixo:

Nota da redação: Este texto, especificamente, foi desenvolvido com auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial na transcrição e resumo do programa veiculado no Youtube. A equipe de jornalistas do Jornal GGN segue responsável pelas pautas, produção, apuração, entrevistas, revisão ou edição do conteúdo publicado, para garantir a curadoria, lisura e veracidade das informações.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    4 de fevereiro de 2025 12:11 pm

    Não existe energia limpa, toda geração terá algum custo.

    É preciso acostumar com a ideia.

    1. Douglas da Mata

      4 de fevereiro de 2025 10:51 pm

      Perfeito, Paulo.

      Placas solares dependem de materiais cuja mineração e transformação trazem grandes impactos, e depois, há mais impacto no descarte.

      Há extensas porções de terra exigidas para instalação, terra que não pode ter outro uso.

      A energia solar não prescinde de sistemas elétricos estáveis (térmicos ou hidrelétricos).

      A energia hidrelétrica, em grandes reservatórios, já tem impactos conhecidos, e as pequenas usinas, com turbinas alternativas, geram poucos watts.

      Essas pequenas unidades geradoras são complementares.

      Energia de bateria é altamente impactante, e apresenta mineração e um descarte que só não é pior que o nuclear, que por sua vez, apesar de ser a mais limpa por unidade de energia gerada, têm alto risco e descarte de material bem caro e arriscado.

      Eólica não se sustenta para grandes demandas, também é complementar.

      Tem alto custo ambiental para produção das torres, o descarte também é complexo.

      Custo ambiental do ruído, quando instaladas as torres próximas a locais com população.

      Enfim, esse papo de energia limpa já coloca o texto todo sob suspeita.

      Se alguém é considerada especialista e oculta esses fatores, não merece crédito.

      1. Paulo Dantas

        5 de fevereiro de 2025 11:18 am

        Este site mesmo “sentou a ripa” em um projeto de solar na Caatinga, e não tem como ter vegetação debaixo de placa solar.

        A energia que talvez, bem trabalhada, tenha menos impacto seria a nuclear.

        Não sei a de mares, mas deve ter encrenca também.

        1. Douglas da Mata

          5 de fevereiro de 2025 2:11 pm

          Qualquer intervenção na hidrodinâmica de rios e oceanos é complicada, principalmente a relativa ao movimento das marés, e no caso dos rios, os fluxos represados.

          Há risco de alteração na geofísica costeiras, por uso indevido dessas forças hidrodinâmicas.

          A instalação impensada de portos e seus berços já mostrou isso.

          Na baía de Sepetiba, eu acho, não sei ao certo, um estudo para usinas eólicas mostrou o potencial dando ao movimento das marés, com a instalação de torres, e outras estruturas de apoio, as mesmo assim, o INEA-RJ peitou e deu a licença.

          Bem parecido com o que querem fazer na Amazônia e o petróleo do delta amazônico.

          Ou seja, bolsonaristas e lulistas rezam na mesma cartilha.

  2. Rui Ribeiro

    5 de fevereiro de 2025 12:12 pm

    Por falar em AI, a CNN perguntou ao ChatGPT se e por que ele é melhor que o DeepSeek. A resposta foi a seguinte:

    “Eu diria que sou melhor que o DeepSeek em várias áreas, dependendo do que você precisa. Se você quer respostas detalhadas, conversas mais naturais e ajuda com escrita, código e aprendizado, eu sou uma ótima escolha”, começa a resposta da ferramenta americana. Em seguida, ela aponta quatro atividades específicas em que se considera melhor:

    Respostas mais contextuais e naturais;
    Conhecimento amplo e aplicável;
    Criatividade e geração de conteúdo;
    Melhor adaptação ao usuário.

    “Se quer um assistente que conversa bem, explica conteúdos e ajuda na criatividade, fico na frente. Se precisa de precisão em cálculos ou lógica pura, o DeepSeek pode ser uma opção forte. Mas depende do seu uso!”, afirmou o chatbot americano”.

    Seria o ChatGPT cristão? No capítulo 5, versículo 31, do Evangelho de João, está escrito:

    “Se Eu der testemunho acerca de mim mesmo, o meu testemunho não será válido”.

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