10 de junho de 2026

Calor desigual motiva expansão de monitoramento climático em favelas do Rio

Após registro de 43,92ºC no Morro do Adeus, prefeitura anunciou que o monitoramento deve acompanhar também o calor no Morro do Salgueiro e na Comunidade e Manguinhos
Crédito: Reprodução/ Wikifavelas

Observatório do Calor no Complexo do Alemão registrou 43,92°C, quase 10°C acima da temperatura oficial do Rio em 26/12/2025.
Projeto será expandido para Manguinhos e Morro do Salgueiro, com apoio da UFRJ e Uerj, para comparar diferentes perfis urbanos.
Medições diárias e relatos dos moradores orientarão ações ambientais, como plantio de árvores e criação de espaços sombreados.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O calor que chega às favelas da zona norte do Rio de Janeiro é muito mais intenso do que os termômetros oficiais indicam, de acordo com dados do Observatório do Calor, projeto da Prefeitura do Rio criado para medir ilhas de calor e qualidade do ar em comunidades.

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Instalado pioneiramente no Complexo do Alemão, o observatório realizou 710 aferições de temperatura entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O dado mais expressivo foi registrado em 26 de dezembro, quando o Morro do Adeus atingiu 43,92°C, enquanto a temperatura máxima oficial da cidade, apurada pelo Sistema Alerta Rio, marcava 34°C no mesmo dia. Uma diferença de quase dez graus.

Diante dessas evidências, a prefeitura anunciou que o projeto chegará a mais duas comunidades: Manguinhos, área plana e densamente ocupada às margens da Avenida Brasil, e Morro do Salgueiro, nos arredores do Parque Nacional da Tijuca. Cada uma representa um perfil urbano distinto, o que tornará a comparação entre os dados ainda mais relevante.

Medições

A metodologia do projeto prevê que a força de trabalho responsável pelas aferições seja contratada dentro das próprias comunidades. As medições serão realizadas três vezes ao dia, em diferentes pontos do território. Os registros serão então analisados por pesquisadores e deverão orientar intervenções ambientais e urbanísticas.

A expansão contará com o apoio da UFRJ e da Uerj. Na segunda fase, além dos dados climáticos, serão colhidos depoimentos dos moradores sobre como o calor afeta o cotidiano, uma dimensão que a pesquisadora Giselle Arteiro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, considera essencial.

“Entendemos a importância de ouvir as pessoas que vivenciam o calor no seu cotidiano”, afirmou. “Uma das premissas do projeto é a consciência ambiental, em um contexto de justiça climática.”

A secretária municipal de Ambiente e Clima, Tainá de Paula, destacou que o observatório permitirá identificar os pontos mais quentes de cada território e as razões por trás dessas concentrações.

“Com isso, poderemos planejar desde a criação de microcorredores verdes e o plantio de árvores em pontos estratégicos, até o melhor aproveitamento de áreas que hoje estão vazias e poderiam virar espaços de convivência mais frescos”, disse.

Manguinhos

Manguinhos é uma das comunidades que mais acumula fatores de risco climático: alta densidade habitacional, poucos espaços verdes e qualidade do ar historicamente comprometida, em parte pela proximidade com grandes vias de tráfego intenso. A favela chegou a abrigar a maior horta urbana da América Latina, em um trecho de um quilômetro, que hoje não funciona mais.

As intervenções previstas incluem plantio de árvores, criação de áreas sombreadas e permeáveis e abertura de espaços para circulação do ar. Mudanças no manejo do lixo também devem compor as recomendações. A execução local ficará a cargo do Coletivo Manguinhos Cria.

Salgueiro

No Morro do Salgueiro, a realidade é diferente. A comunidade fica em zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca, o que garante mais arborização e quintais produtivos. Mas isso não significa ausência de vulnerabilidade climática.

“Nossa percepção de calor, certamente, é diferente de uma favela mais urbana, menos arborizada”, avaliou Emerson Menezes, jornalista e presidente do Instituto Sal-Laje, que apoiará o observatório na comunidade. Ele, porém, fez questão de marcar o que não muda. “Não temos aparelhos de refrigeração como moradores do asfalto têm, e isso é uma questão no verão.”

Emerson também integra o Coletivo de Erveiras e Erveiros do Salgueiro, que mantém uma horta no morro e distribui mudas para moradores. “Muita gente aqui cria galinhas, porcos, planta pequenos canteiros, árvores frutíferas. Nossa comunidade valoriza muito as plantas”, disse.

A intenção no Salgueiro vai além da coleta de dados: a prefeitura quer identificar as práticas comunitárias bem-sucedidas e replicá-las em outras favelas com menos infraestrutura verde.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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