Carminha, Carlinhos e Fux, três cenas sobre o STF atual

Questionário: qual dessas cenas reflete melhor o Supremo Tribunal Federal atual?

Cena 1

No auge do terrorismo pré-impeachment, o Ministro Gilmar Mendes pediu a Nelson Jobim que agendasse um encontro com Lula – recém restabelecido de câncer. Durante o período de convalescença ambos tiveram bons contatos, intermediadas pelas respectivas esposas. Houve a reunião, sem nada de mais. Um mês depois, uma editora da TV Globo, em Brasilia, descobriu que poderia criar um factoide político.

Soltou um veneno para Gilmar – o de que Lula estaria espalhando versões sobre o encontro. Gilmar engoliu e devolveu com a versão de que Lula o pressionara no encontro para votar contra o inquérito do mensalão.

Imediatamente, a Globo mobilizou seu pelotão de repórteres para repercutir a notícia e criar o clima de operação-chantagem em andamento. Um dos entrevistados foi o inolvidável Ministro Ayres Brito, blindado pela mídia de acusações envolvendo o genro.

Ayres pensou, pensou e lembrou-se de uma cena que corroborava a versão.

– Agora estou entendendo. No nosso último encontro, Lula perguntou-me como estava o jurista Celso Antonio Bandeira de Mello.

Ora, crítico do impeachment e da campanha de mídia, Celso Antonio foi o padrinho da indicação de Ayres Brito – a quem chamava de “Carlinhos” ao Supremo. Provavelmente era o único assunto em comum entre ele e Lula. E Carlinhos não se envergonhou em relacionar a menção ao amigo com uma pressão indevida do ex-presidente.

Cena 2

Enquanto ocupava a presidência da casa – e do Tribunal Superior Eleitoral -, a Ministra Carmen Lúcia, conhecida como Carminha pelos amigos, e por ser desorganizada, segurou mais do que devia a aprovação de 8 filmetes para uma campanha pró-voto. Só 2 ficaram prontos.

Tempos depois, o Tribunal de Contas da União veio em cima do Supremo, para saber porque os demais não tinham sido divulgados. Investigação inútil, já que o gasto registrado na produção era para apenas 2 filmetes.

Carmen Lúcia não vacilou e apontou um subordinado como responsável pelo atraso, apesar de abundância de provas – incluindo e-mails cobrando rapidez dela.

Cena 3

Um médico do STF, em defesa da saúde da casa, encaminha ao supervisor a proposta de solicitar 7 mil vacinas da Fiocruz. O supervisor encaminha ao presidente da Casa, Ministro Luiz Fux. Fux não apenas assina o pedido como dá entrevistas justificando a regalia.

Explode o escândalo e Fux muda de posição. Coloca-se ao lado dos críticos, contra o pedido do Supremo. Diz que não foi consultado. Depois corrige-se, diz que assina muita coisa e não consegue conferir todas. Nada fala sobre o apoio público que deu à medida.

Demite, então, o médico, que serviu a várias diretorias da casa, sem uma mancha sequer em seu currículo. Para seu supremo azar, o médico é figura ponderada, digna. Em vez de sair esbravejando e atirando para todo lado, apenas explicitou, calmamente, seu currículo e o fato de jamais ter tomado uma atitude sem consulta aos superiores.

Simples assim. Verdadeiro assim.

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