8 de junho de 2026

Casos triplex e Atibaia nasceram corrompidos, diz defesa de Lula

Mensagens de Telegram reveladas pelo Intercept em parceria com a Folha mostram que as investigações contra o ex-presidente foram contaminadas por consulta "informal" à Receita

Jornal GGN – As mensagens de Telegram trocadas por procuradores da Lava Jato em Curitiba, reveladas pela Folha em parceria com o Intercept Brasil, no domingo (18), mostram que as duas ações penais que já resultaram em condenação contra Lula na 13ª Vara Federal nasceram, na verdade, corrompidos.

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Isto porque os procuradores fizeram consultas informações à Receita Federal para investigar funcionários e parentes de Lula, sem autorização judicial, algo proibido por lei e condenado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal.

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Mensagens divulgadas em junho já mostraram que as investigações contra Lula foram iniciadas a partir de um comando emitido pelo ex-juiz Sérgio Moro ao procurador da República Deltan Dallagnol em 07/12/2015.

Agora, descobre-se que “antes de qualquer decisão judicial de quebra dos sigilos os procuradores da Lava Jato e ocupantes de elevados cargos da Receita Federal acessavam informal e permanentemente informações e dados protegidos pelo sigilo constitucional e legal contra alvos previamente eleitos e todas as pessoas a ele relacionadas, incluindo um caseiro e os assessores de Lula”, frisou a defesa.

Os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins destacaram que o ato dos procuradores pode ser punido com até 4 anos de prisão. Além disso, informaram que vão tomar “todas as medidas jurídicas cabíveis no Brasil e no procedimento aberto deste 2016 perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU.”

Confira aqui detalhes das novas mensagens da Vaza Jato que mostram que os processos de Lula foram contaminados desde o início.

Leia, abaixo, a nota completa.

Mensagens divulgadas hoje (18/08/2019) pelo The Intercept e pela Folha de S. Paulo reforçam que o ex-presidente da República Luiz Inacio Lula da Silva é vítima de uma conspiração por partes de alguns agentes públicos que atuaram para condená-lo sem que ele tenha praticado qualquer crime — objetivando tentar retirá-lo da vida pública e prejudicar sua honra e sua reputação.

As mensagens estão diretamente relacionadas aos dois processos nitidamente corrompidos que tiveram origem na 13ª. Vara Federal de Curitiba (casos “triplex” e “sítio”) e nos quais foram impostas injustas condenações a Lula, uma delas usada para privá-lo de sua liberdade por meio de execução antecipada da pena — incompatível com o que dispõe a Constituição Federal (art. 5º, LVII) e a lei (CPP, art. 283) —, e também para retirá-lo das eleições presidenciais de 2018 mesmo após termos obtido duas decisões liminares do Comitê de Direitos Humanos da ONU em 2018 para que o ex-presidente pudesse concorrer até que lhe fosse assegurado o direito a um processo justo.

Mensagens divulgadas em 12/06/2019 pelo The Intercept mostram que as investigações contra Lula e pessoas relacionadas ao ex-presidente foram iniciadas a partir de um comando emitido pelo ex-juiz Sérgio Moro para o procurador da República Deltan Dallagnol em 07/12/2015. A Lava Jato de Curitiba efetivamente passou a investigar Lula formalmente nesse momento por meio de uma devassa na vida do ex-presidente, seus funcionários, colaboradores, pessoas relacionadas e até advogados — com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de inúmeras pessoas sem a presença de qualquer das hipóteses autorizadas em lei, em situação que pode configurar abuso de autoridade.

Para além disso, a mensagens divulgadas nesta data permitem saber que antes de qualquer decisão judicial de quebra dos sigilos os procuradores da Lava Jato e ocupantes de elevados cargos da Receita Federal acessavam informal e permanentemente informações e dados protegidos pelo sigilo constitucional e legal contra alvos previamente eleitos e todas as pessoas a ele relacionadas, incluindo um caseiro e os assessores de Lula. O quadro demonstra que tais autoridades agiam sem qualquer apreço às garantias fundamentais, à margem do devido processo legal e orientadas por uma prática intimidatória e arbitrária visando a aniquilar o direito de defesa.

A quebra do sigilo fiscal de qualquer cidadão sem prévia autorização judicial e nas hipóteses estabelecidas na Lei nº 105/2001 configura crime (art. 10 da mesma lei) punível com reclusão de 1 a 4 anos para cada conduta ilícita.

Mesmo após toda essa devassa por meios ilegais, a Lava Jato não conseguiu provar qualquer ato ilícito praticado por Lula e desprezou as provas de inocência que levamos ao processo. Lula foi condenado e está preso mesmo após o ex-juiz Sergio Moro ter reconhecido que nenhum valor proveniente da Petrobras foi dirigido ao ex-presidente e que ele jamais solicitou ou recebeu a posse ou a propriedade do “triplex” ou de qualquer outro imóvel que lhe foi atribuído pelo Sistema de Justiça.

Há real necessidade de essa situação, que revela a prática de “lawfare” e que já foi objeto de diversos pronunciamentos da comunidade jurídica nacional e internacional, seja revertida o mais breve possível pelos Tribunais Superiores, por meio dos recursos e habeas corpus pendentes de julgamento, especialmente porque no caso do ex-presidente se fazem presentes diversas preferências legais e regimentais para o julgamento desses procedimentos.

Tomaremos todas as medidas jurídicas cabíveis no Brasil e no procedimento aberto deste 2016 perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU para reforçar a necessidade de que os processos abertos contra Lula sejam declarados nulos, para que seja restabelecida a liberdade plena do ex-presidente e, ainda, para que os agentes públicos envolvidos na prática de atos ilícitos sejam investigados e, se o caso, punidos, com as consequências decorrentes da lei.

Cristiano Zanin Martins
Valeska T. Zanin Martins

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. peregrino

    19 de agosto de 2019 11:21 am

    Sem dúvida alguma…
    lava jato foi um navio pirata americano que ao singrar o mar do amor e do ódio a todos contaminou

    A AIDS INCURÁVEL DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO

  2. jcordeiro

    19 de agosto de 2019 11:22 am

    Nassif: e daí? Se os corruptores estão dando as cartas, seja dos quartéis VerdeSauvas, seja dos Foruns e das CortesSuperiores, que mal há nisso? Lembra daquele da QuerênciaDeCruzAlta que ameaçou o Çúpremu, caso saísse algum benefício jurídico pro SapoBarbudo? Inclusive essa confusão e desencontro de notícias e atos faz parte do plano. Embananar pra enganar a povalha e vender espaço comercial na grandemídia. Genial e inteligente. Começou contaminado com a dupla circense EliotNessTrupiniquim e GogoboysAvivados e continuou com os sabujos do PríncipeDeParis (dizem que o mando foi do próprio) “industriando” provas e fatos, ameaçando caseiros, porteiros e empregados domésticos, e continua com os KibeCoxinhas e Mortadelas pelos bastidores e VarandasGourmet. Ainda bem que assumindo a condução dos negócios e políticas de Estado as Milícias possam dar tempos melhores a Pindorama. Foi promessa do Queiroz. Nesse, como diz o quaseindigitado ministro, “we trust”.

  3. Hildermes José Medeiros

    19 de agosto de 2019 1:28 pm

    Já não há mais dúvidas: houve fraude através dos Procuradores e da Justiça no golpe-impeachment que afastou Dilma Rousseff e o PT do poder, em 2016, na prisão política do Presidente Lula (ainda encarcerado) e eleição do Bolsonaro em 2018. Só diretas já consertam o estrago que o Judiciário com a conivência do Supremo e os procuradores, as Forças Armadas, parlamentares que apoiaram suas decisões e a mídia (Globo à frente) para atender os interesses do grande capital (brasileiro de estrangeiro), sob coordenação dos EUA, ocasionaram e continuam causando ao Brasil e o seu povo. São mais de 40 milhões de desempregados e subempregados, retirada de direitos trabalhistas e da previdência pública para todos, entrega de nossas riquezas (o pré-sal e a Amazônia, os exemplos), mas não só. Comprometem o futuro do país comandando uma nova razia neoliberal, que afasta parceiros tradicionais e atingem países amigas com grosserias, além e o mais grave, desmontam a estrutura do estado para atender o povo (saúde, educação e segurança), o estado mínimo, comprometendo por por dois anos ou mais, como mesmo admite o economista Paulo Guedes, que tem no currículo ter sido um dos assessores econômicos do general e ditador chileno, Augusto Pinochet. Diretas, já! Lula livre!

  4. peregrino

    19 de agosto de 2019 3:52 pm

    Tem toda razão…
    é por ser espalhado que o mal se desenvolve com facilidade em praticamente todas nossas instituições atuais, a ponto de migrar para a sociedade

    até pensei em gritos de revolta mais sérios, mas cheguei a conclusão de que não é apenas o Brasil atual que não merece gritos mais sérios, o povo brasileiro de hoje também não merece

    quando todos se sentirem prejudicados financeiramente e usados para a prática do mal, talvez talvez melhorem, caiam na real

    Até lá, que todos os que já se sacrificaram por esta merda de país e sociedade descansem em paz

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