10 de junho de 2026

Chega de chantagem do Congresso, é hora de alterar a pauta e botar pressão, diz Fernanda Melchionna

“Quem quer impedir o povo de ter direitos precisa mostrar a cara”, diz deputada do PSOL sobre aliança do Centrão com a extrema-direita
Imagem: Reprodução/YouTube TVGGN

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) não economizou palavras ao comentar a ofensiva do Congresso Nacional contra o governo Lula. Para ela, a derrubada do decreto presidencial que elevava a alíquota do IOF foi parte de um movimento maior. “Eles querem deixar o governo sangrando até chegar na eleição”, por isso, “é hora de botar o bloco na rua”.

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“É hora de alterar a pauta, botar pressão, fazer campanha de massas, atualiza o IR, revoga a escala 6 por 1, fura o arcabouço e coloca o Congresso contra a parede. Chega de chantagem. Quem quer impedir o povo de ter direitos precisa mostrar a cara. Quer votar contra? Vota! Mas vota contra o povo. Precisa mostrar quem está do lado de quem”, disse, em entrevista à TV GGN nesta sexta-feira [confira o link abaixo].

A luta de classes escancarada

Nesta quarta-feira, o Congresso aprovou a derrubada do aumento do IOF após votação relâmpago convocada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. A proposta tinha como objetivo combater a evasão de impostos pelos mais ricos, ajudando no equilíbrio das contas públicas. Com a revogação da medida, a expectativa é que a perda de arrecadação chegue a R$ 10 bilhões.

Nesse contexto, Fernanda defende que é preciso escancarar o verdadeiro arranjo de forças no Congresso: uma aliança sólida entre o Centrão e a extrema-direita, cujo objetivo é manter os privilégios de uma elite rentista e bloquear qualquer redistribuição mínima de riqueza.

“Enquanto a pressão continuar sendo só de dentro para dentro, o jogo segue desequilibrado. O que pode mudar o cenário é uma campanha firme, com cara, nome e partido de quem está travando o que interessa ao povo. Sem mobilização real, sem romper com a lógica de conchavos e recuos, a correlação de forças segue a mesma. E quem paga a conta é sempre o povo. A hora de virar esse jogo é agora”. 

Trata-se, segundo ela, de uma coalizão que impede qualquer avanço progressivo, na defesa intransigente dos interesses burgueses de uma fração dos mais ricos, combinada com a sanha do Congresso pelas emendas, sobretudo aquelas do orçamento secreto.

Bolsonaro elevou o IOF

Para a deputada, o decreto editado pelo Executivo estava longe de representar uma ruptura radical. “Não estamos falando de revolução socialista. Era uma medida tímida, mas importante. E mesmo assim o Congresso sabotou. A alíquota prevista nem sequer alcançava os percentuais praticados durante o governo Bolsonaro”.

Vale lembrar que, embora o governo Bolsonaro tenha assinado, em 2022, um decreto prevendo a redução gradual do IOF em algumas operações de crédito, no ano anterior havia elevado temporariamente as alíquotas do imposto para financiar o Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família. Em 2021, a taxa sobre operações de crédito para pessoas físicas subiu de 3% para 4,08% ao ano, e para pessoas jurídicas, de 1,5% para 2,04% ao ano, enquanto Lula prevê um aumento de 3,5%.

O PSOL protocolou uma ação no Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (27), e o governo Lula está definindo estratégias para possivelmente recorrer à Corte. No entanto, segundo a deputada, isso não será suficiente para reverter a correlação de forças, já que trata-se de uma afronta direta à Constituição. “Cabe ao presidente regular a alíquota do IOF. Está no artigo 153 da Constituição. A revogação é inconstitucional”.

Para ela, limitar a reação à via judicial é um erro político, especialmente num momento em que o governo já sofre desgaste diante da base social que o elegeu. “Não é só fake news. O povo sente quando a esperança vira frustração. E, sem uma inflexão, a extrema-direita vai se recompor com o Centrão. O nome da vez é Tarcísio, mas o projeto é o mesmo”.

Assista ao programa completo abaixo:

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

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4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    28 de junho de 2025 11:23 am

    Passou da hora de botar esse bando de pilastra num campo de trabalho forçado, a fim de que amenizam o prejuízo que eles têm dado à nação

  2. ed.

    28 de junho de 2025 3:50 pm

    E as manchetes na míRdia da pesquisa datafolha que diz que 58% têm vergonha do STF hein?
    Além de marota, não diz que 58,5% (58% da câmara e 59% do senado) têm vergonha do congresso (o pior da história) e 56% têm vergonha do Governo, a melhor dos 3 poderes.
    Esta é a míRdia anti-Brasil, lobista dos 1% de qual pertence.

  3. Carlos

    28 de junho de 2025 11:21 pm

    Quando leio as bobagens fétidas que fluem deste congresso como chorume vazando lixão, me certifico que viramos um país de débeis mentais pois só um povo majoritariame doente vota no bando que está lá.
    Enquanto isso leio indignado que: “Demanda da China por gelatina coloca jumentos em risco de extinção”
    Continua a reportagem: “Segundo a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, de 1996 a 2025, o Brasil perdeu 94% de seu rebanho de asininos, que são os burros, bestas e jumentos”
    Triste
    Já em Brasília só aumenta.

  4. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    29 de junho de 2025 8:10 am

    Na sua coluna no UOL, Celso de Barros pergunta se deu loucura no congresso. Não, é calhordice mesmo.

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