Luis Nassif
Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
Fiódor Andrade
17 de janeiro de 2014 2:31 amCondomínio impede entrada de trabalhadores “malcheirosos”
Do Extra: Condomínio de luxo na Barra é acusado de discriminar trabalhadores: ‘Poluição visual e mau cheiro’, disse administradorBy Luã Marinatto • globo.com O grupo discriminado na porta da delegaciaO grupo discriminado na porta da delegacia Foto: Thiago LontraTamanho do textoO objetivo, para a maioria, era realizar os exames médicos para, em breve, iniciar um emprego novo. Mas a expectativa transformou-se em frustração na porta do condomínio comercial Le Monde, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Barrados na entrada, 18 trabalhadores ainda ouviram um administrador dos edifícios dizer que causariam “poluição visual e mau cheiro” no espaço, segundo consta no registro de ocorrência feito na 16º DP (Barra) na noite desta quarta-feira. A ofensa também foi presenciada por um PM que foi ao local atender o chamado. O grupo começou a chegar ao endereço, situado no número 3.500 da Avenida das Américas, por volta das 8h. O destino de todos era a clínica BioCardio, especializada em medicina do trabalho, que ocupa três salas no quarto andar do bloco 7. Com idades variando entre 18 e 59 anos, alguns deles negros, boa parte dos pacientes iria começar a atuar em funções como pedreiro, ajudante de pedreiro e servente, entre outras, nas obras da Linha 4 do Metrô. Após realizarem exames de raio-x e de sangue num laboratório próximo, veio a surpresa: nenhum deles conseguiu autorização para se dirigir à clínica. As tratativas com a equipe de segurança e com a administração do condomínio, capitaneadas pelo cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da BioCardio, duraram mais de quatro horas – em jejum para os exames, os trabalhadores não comiam nada desde a véspera. Apenas por volta de 15h, depois da ameaça do médico de acionar a PM, o acesso foi liberado. O grupo, contudo, não aceitou a oferta, e preferiu aguardar a chegada do policial. A essa altura, já haviam ouvido seguranças pedirem “para que não tocassem as paredes”. Mais tarde, na presença de um PM, escutaram Felipe Alencar Gilaberte, administrador do Le Monde, proferir a frase sobre poluição visual e mau cheiro. – Houve uma total discriminação. E não foi a primeira vez, trata-se de uma briga antiga que eu tenho com o condomínio. Dizem que a nossa clínica não deveria funcionar aqui, devido ao tipo de público que atendemos. Acredito que me criam esse tipo de constrangimento para tentar forçar uma mudança de endereço – afirmou o doutor Renato Sérgio. O cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da clínica BioCardioO cardiologista Renato Sérgio Fernandes Pinto, sócio da clínica BioCardio Foto: Thiago LontraAção contra o condomínio A clínica BioCardio funciona no Le Monde há cerca de 2 anos. Em novembro do ano passado, o estabelecimento entrou com uma ação contra o condomínio por conta de problemas como o desta quarta-feira. O registro de ocorrência feito na 16ª DP, inclusive, será anexado ao processo. Injúria e desobediência No registro, que tem o administrador Felipe Alencar Gilaberte como alvo, constam os crimes de injúria e de desobediência – esse segundo por conta do desrespeito a uma lei que proíbe a restrição de acesso pela entrada social de edifícios residenciais e comerciais. Versão do Le Monde Na porta da delegacia, cercado por três advogados que inicialmente o aconselharam a não conversar com o EXTRA, Felipe deu a sua versão para os fatos. Segundo ele, a confusão na portaria ocorreu porque o grupo teria se negado a apresentar seus documentos de identificação. ‘Isso é história’ O administrador também negou que tenha ofendido os trabalhadores, embora o próprio PM tenha confirmado em seu depoimento o uso dos termos “poluição visual” e “mau cheiro”. Felipe acusou a BioCardio de ter inventado essa versão: “Isso é história do proprietário, que quer atender cem pessoas por dia”. Trabalhadores mostram documentos referentes ao casoTrabalhadores mostram documentos referentes ao caso Foto: Thiago Lontra’Aquilo é para carga e descarga’ Depoimento do operador de escavadeira Leonardo Moraes da Silva, de 31 anos “Essa foi a terceira vez que fui nessa clínica, e em todas fui tratado da mesma forma: cheguei na portaria e me mandaram dar a volta por trás, para subir pelo elevador de carga. É humilhante, porque o próprio nome diz: aquilo é para carga e descarga. E o que disseram sobre os documentos é mentira, porque entreguei a minha carteira de habilitação na entrada e mesmo assim me fizeram passar por tudo isso”. Democracia, Economia, Política. Confira a opinião de especialistas Source: http://extra.globo.com/casos-de-policia/condominio-de-luxo-na-barra-acusado-de-discriminar-trabalhadores-poluicao-visual-mau-cheiro-disse…
Fiódor Andrade
17 de janeiro de 2014 2:35 amDirceu pode deixar prisão ainda em 2014
Dirceu pode deixar prisão ainda em 2014Eduardo Knapp-15.nov.2013/FolhapressDirceu se apresenta na Policia Federal em São Paulo após receber mandato de prisão Dirceu se apresenta na Policia Federal em São Paulo após receber mandato de prisãoSEVERINO MOTTADE BRASÍLIA 16/01/2014 03p0 Ouvir o textoMais opçõesPUBLICIDADECondenado a 7 anos e 11 meses de prisão no processo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu pode deixar o complexo da Papuda e migrar para o regime aberto após cumprir dez meses da pena, ou seja, ainda neste ano. A hipótese dependerá da autorização judicial para trabalhar, já solicitada, e da capacidade de Dirceu de gerenciar seu tempo entre o eventual trabalho durante o dia, estudos e leitura de livros -aproveitando assim todos os benefícios disponíveis para detentos do regime semiaberto para a redução de pena. De acordo com a lei, o preso pode pedir a chamada progressão de regime após cumprir um sexto de sua pena. No caso de Dirceu, em um ano e quatro meses ele já estará apto a deixar o presídio e seguir para o regime aberto, quando só é preciso dormir numa Casa do Albergado. Há grandes chances também de ele passar a cumprir pena em casa, como acontece na maioria dos casos, por falta de albergues. Se trabalhar, Dirceu descontará um dia de pena para cada três de atividade; se estudar, abaterá, também a cada três dias, mais um de sua pena. Por fim, outros quatro dias podem ser descontados por mês se o preso ler um livro e escrever uma resenha sobre ele para provar a leitura e interpretação próprias. Editoria de Arte/Folhapress LEITURAS Como a Justiça ainda não definiu se ele poderá trabalhar na biblioteca de um escritório de advocacia, como pediu, os dez meses deverão ter o acréscimo do tempo entre sua prisão em novembro e a eventual concessão do benefício. Dirceu já está lendo livros e fazendo um curso de direito constitucional por correspondência. Outros condenados do mensalão também poderão usufruir de benefícios, como por exemplo o operador do esquema, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Sentenciado a 37 anos e 5 meses em regime fechado, ele poderá migrar para o semiaberto após cumprir um sexto de sua pena -aproximadamente 6 anos e 4 meses. Como está no regime fechado, para obter o benefício do trabalho, terá que encontrar alguma atividade interna. Só podem trabalhar fora da cadeia de dia detentos do semiaberto. Se conseguir trabalhar, estudar e ler, ele poderá migrar para o semiaberto após 3 anos e 11 meses. Até agora, pelo menos sete dos condenados em regime semiaberto pediram autorização da Justiça para trabalhar, entre eles Dirceu. Três já obtiveram o benefício. DIFICULDADES A teoria da progressão de regime e a prática da redução de pena não acontece de forma tão simples, de acordo com advogados. Felipe Almeida, especialista em direito penal do escritório Siqueira Castro, afirma que são raros os casos de detentos que conseguem desempenhar as três atividades. “A dinâmica de cada presídio conta muito. Há casos em que, quando o preso acaba o trabalho, a biblioteca está fechada. Se for estudar na cela, tem o horário de apagar as luzes. São muitos os obstáculos”, disse. Para o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Vinícius Furtado Coêlho, a concessão de benefícios é positiva na reeducação dos presos, mas é preciso que o sistema prisional amplie o leque de atividades para atender um número maior de detentos. Visão semelhante é compartilhada pelo presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais), Nino Toldo. Para ele, “quanto maior o tempo que uma pessoa passa no cárcere, mais ela se brutaliza”.
Fiódor Andrade
17 de janeiro de 2014 2:39 amVEP-DF: Delúbio pode trabalhar mas terá q pagar a multa.
Justiça autoriza Delúbio a trabalhar como assessor da CUTMARIANA HAUBERTDE BRASÍLIA 16/01/2014 21p6 Ouvir o textoMais opçõesPUBLICIDADEA Vara de Execuções Penais do Distrito Federal autorizou na noite desta quinta-feira (16) que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares trabalhe durante o dia. No pedido de emprego encaminhado à Justiça em 28 de novembro, Delúbio informou que trabalhará na assessoria da direção nacional da CUT, em Brasília. A entidade ofereceu a ele um salário de R$4,5 mil. Preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, ele cumpre pena de seis anos e oito meses de prisão em regime semiaberto. Para trabalhar, ele será transferido para o Centro de Progressão Penitenciária, que fica em outra região da capital. A VEP também determinou que Delúbio pague a multa que recebeu no processo, de R$ 466,8 mil. Assim que receber a intimação, ele terá dez dias para quitar a dívida. André Borges – 24.jul.12/Folhapress O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares trabalhará na assessoria da direção nacional da CUTO ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares trabalhará na assessoria da direção nacional da CUTDelúbio é o primeiro petista a conseguir o benefício, que ajuda na redução da pena. A cada três dias de trabalho, ele tem um dia abatido da pena. Além dele, o ex-ministro José Dirceu pediu para trabalhar em um hotel de Brasília, mas teve o benefício negado após denúncias de que um dos donos do estabelecimento era suspeito de ser laranja. Após o episódio, ele pediu para trabalhar no escritório do advogado José Gerardo Grossi com um salário bem menor do que os R$20 mil oferecidos pelo hotel. Além do petista, outros três condenados já obtiveram autorização para o trabalho externo: os ex-deputados Pedro Henry (PP-MT) e Romeu Queiroz (PTB-MG) e o ex-tesoureiro do PL, atual PR, Jacinto Lamas.
ROSE
17 de janeiro de 2014 2:43 amAlckmin e a Saúde em SP
(Não adianta reclamar… Aos poucos, uma coisa de cada vez, o PSDB segue terceirizando… quarteirizando… parceirizando… privatizando… a Saúde em SP. )
PPPS DA SAÚDE
Alckmin abre concorrência para passar a mãos privadas entrega de remédios
Logística custará R$ 152 milhões por ano aos cofres do estado. Empresa vencedora será responsável por armazenar e distribuir medicamentos
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 16/01/2014 17:54, última modificação 16/01/2014 17:56Comments ARQUIVO RBA
Segundo a Secretária de Saúde, não está prevista nenhuma outra parceria público privada até o final da gestão Alckmin
São Paulo – A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo anunciou hoje (16) que repassará até R$ 152 milhões anuais nos próximos 20 anos para a empresa terceirizada que for selecionada para entregar, armazenar e distribuir medicamentos no estado, por meio de uma Parceria Público Privada (PPP), anunciada na última segunda-feira (13).
A compra dos medicamentos continuará a cargo da Secretaria de Saúde, porém os serviços de logística serão terceirizados. A empresa selecionada será responsável por implementar seis centros de distribuição de medicamentos e imunobiológicos nos complexos de Hospitais das Clínicas localizados nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Marília, Campinas e Botucatu.
A vencedora deverá criar uma Central Logística de Inteligência Farmacêutica, na sede da própria secretaria, para monitorar e centralizar as informações de cada centro de distribuição. Além disso, ficará responsável por desenvolver e instalar um sistema de tecnologia da informação online. Todo o esquema logístico deverá ser concluído no terceiro ano de vigência do contrato, que será assinado ainda no primeiro semestre deste ano.
“A especialidade da Secretaria da Saúde não é transportar medicamentos, mas fazer planejamento de assistência, formular o elenco de medicações e articular tudo isso com o que é fornecido pelo Ministério da Saúde”, afirmou Sérgio Swain, coordenador de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos da Secretaria. “Temos o entendimento há alguns anos que a operação em si, que inclui caminhão, motorista, armazém e etc precisa ser passada para quem é do ramo e que pode fazer isso com mais eficiência.”
Questionado se não seria mais vantajoso contratar o serviço pela Lei 8666, de 1993, que rege os contratos públicos por licitação, ele afirmou que acredita que no sistema de PPP “o parceiro tem uma participação mais ativa e um interesse maior no negócio que uma empresa que se tem um contrato fixo por um determinado tempo. Queremos estabelecer uma relação de logística que possa também contribuir para o processo”.
Leia também:
Alckmin amplia terceirização e entrega da saúde ao setor privado
A concorrência para entrega de medicamentos, de caráter internacional, já é a terceira do governo Alckmin na área saúde desde junho do ano passado, quando foi anunciada a PPP para gestão, operação e manutenção da Fundação para o Remédio Popular (FURP). A vencedora foi a brasileira EMS, única a apresentar uma proposta.
Depois disso, em outubro, o governo estadual anunciou uma concorrência internacional para a construção de três hospitais públicos, nas cidades de Sorocaba, São José dos Campos e na capital paulista. O vencedor será responsável pela construção, fornecimento de equipamentos, manutenção e gestão dos serviços que não se relacionem com atendimento clínico.
A princípio, a Secretaria de Saúde receberia propostas até 6 de dezembro, mas devido a alterações nas garantias ao parceiro previstas no edital, solicitadas pela Secretaria da Fazenda, o documento foi republicado e as inscrições foram estendidas até o início de fevereiro. O gasto do governo paulista será de R$ 772,2 milhões, pagos em 30 meses, que inclui projeto, obra, compra de equipamentos médicos e mobiliários, instalação de tecnologia de informação, aquisição de instrumentação cirúrgica e transporte.
Segundo a Secretária de Saúde não está prevista nenhuma outra parceria público privada até o final da gestão Alckmin, que termina em dezembro deste ano. O dinheiro repassado nos contratos é do Tesouro do Estado e não abrange repasses feitos pelo Ministério da Saúde.
Webster Franklin
17 de janeiro de 2014 6:46 amRolezinhos chegam à imprensa europeia
Correio do Brasil
Rolezinhos nos shoppings do Brasil se proliferam e chegam à imprensa europeia
16/1/2014 13:55
Por Redação – de São Paulo
Domingo passado, em um shopping paulista, os seguranças chegaram a mostrar a arma para os manifestantes do rolezinho
O ‘rolezinho’, forma de manifestação de jovens pobres, da periferia dos grandes centros urbanos no Brasil, foi assunto no vetusto diário parisiense Le Monde, nesta quinta-feira. Na matéria, intitulada “No Brasil, o verão dos ‘rolezinhos’: a erupção da juventude pobre nos shoppings”, o jornal sublinha que o ambiente climatizado dos centros comerciais, em um país de temperaturas altíssimas, leva os moradores “das favelas e das periferias” a protestar contra “a perpetuação da segragação social em um espaço protegido”.
Certos analistas ouvidos pela reportagem do Le Monde chegaram a comparar os ‘rolezinhos’ ao ‘funk de ostentação’, uma outra forma de manifesto no qual os integrantes exibem seus gostos por artigos de luxo, mas repara que, nessa versão, os meninos e meninas que integram o movimento “transgridem as regras não escritas do apartheid social, que reserva os centros comerciais à classe média e seus privilégios à minoria branca”.
A matéria, ao justificar a existência de um racismo latente no Brasil, cita o sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987) e o romancista Jorge Amado (1912-2001) e lembra que “os brasileiros pretendiam que sua nação fosse um paraíso social, um exemplo de miscegenação racial, mas o mito da democracia social se mostra um caminho muito duro”.
“Se um branco corre na rua, ele é um atleta, mas se um negro passa correndo, é um marginal: ‘Cada macaco no seu galho’, diz um ditado muito popular no Brasil”, afirma a reportagem. O diário percebeu, também, o dilema das autoridades para reprimir o rolezinho. Segundo o jornal, “o ‘rolezinho’ é justamente um desafio às convenções e ao decoro exigidos, mas não ditos claramente. Os comerciantes e os policiais reagiram à erupção dos jovens com repressão, sob o pretexto que eles assustam os clientes das lojas e perturbam a ordem pública.
Estes mesmos argumentos foram utilizados para que até a principal rede social do país, o Facebook, passasse a censurar os convites para ‘rolezinhos’, nas principais capitais do país. A reação, no entanto, foi imediata. Nesta manhã, mais de 10 convites foram publicados, um deles contra o próprio Facebook: “A pedido da Associação Brasileira de Shopping Centers, Facebook está tirando do ar convites para rolezinhos em shopping center. O Facebook agora imita os ditadores e manda tirar do ar os convites que não lhe agradam. Convide seus amigos para dizer não à censura do Facebook. /// Facebook: nós estamos de saco cheio de censura à liberdade de expressão”, diz o texto do convite para o evento, marcado às 12h de segunda-feira, em todo o país. Apenas alguns minutos depois de publicado, mais de 100 pessoas já haviam confirmado presença.
O pedido para que o Facebook tirasse do ar as páginas criadas por usuários da rede social para a realização de rolezinhos em shoppings de São Paulo partiu do presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Luiz Fernando Veiga. Ele não soube informar que centros comerciais conseguiram a retirada e se eles recorreram à Justiça, mas afirmou que as páginas continham ameaças.
– Naquelas programações de eventos de rolezinhos havia atitudes absolutamente criminosas e ilegais, como incentivo ao uso de maconha, a entupir os vasos sanitários e a interromper as escadas rolantes – disse o comerciante. Procurado pela reportagem do Correio do Brasil, o Facebook não confirmou, ou negou, a remoção de páginas.
O fato é que representantes de 55 shoppings da Grande São Paulo reuniram-se, na tarde desta quarta-feira, na capital paulista para discutir medidas de prevenção contra os ‘rolezinhos’. Veiga também afirmou que não há consenso sobre a possibilidade de os shoppings recorrerem à Justiça para exigir dos frequentadores a apresentação de documento na entrada dos centros, mas alega que a medida, adotada no último sábado, pelo Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, não é discriminatória.
Sérgio T.
17 de janeiro de 2014 9:45 amMorre soldado que esperou 30 anos para se render após 2ª Guerra
Japão: morre soldado que esperou 30 anos para se render após 2ª Guerra
Hiroo Onoda, soldado imperial japonês que se escondeu em uma selva por quase 30 anos após o fim da 2ª Guerra Mundial para evitar a rendição, morreu nessa quinta-feira na capital nipônica, aos 91 anos. O porta-voz do governo de Tóquio, Yoshihide Suga, expressou nesta sexta-feira suas condolências, e lembrou da grande vontade de viver e o espírito indomável de Onoda, de acordo com informações da agência AP.
“Depois da 2ª Guerra Mundial, o senhor Onoda viveu na selva por muitos anos, e quando ele retornou ao Japão, eu senti que finalmente a guerra tinha terminado. Foi assim que eu senti”, afirmou o porta-voz.
Hiroo Onoda foi um oficial de inteligência que saiu da clandestinidade na ilha de Lubang, nas Filipinas, em março de 1974, no seu aniversário de 52 anos. Ele só se rendeu quando seu ex-comandante foi até o local e retirou a sua ordem, dada em 1945, para permanecer escondido e espionar as tropas americanas.
O militar recebeu boas-vindas de herói em seu retorno ao Japão. Em sua rendição formal ao então presidente filipino, Ferdinand Marcos, Onoda usou seu uniforme imperial, chapéu e espada, todos em bom estado, mesmo depois de 30 anos.
Em dezembro de 1944, o soldado foi enviado a Lubang, a cerca de 150 quilômetros de Manila, a capital das Filipinas. A maioria dos soldados japoneses se rendeu com a chegada das tropas americanas na ilha, em fevereiro de 1945. Centenas de japoneses, no entanto, permaneceram desaparecidos por anos depois da guerra.
Para sobreviver, Onoda roubava arroz e bananas de moradores locais, e abatia vacas para obter carne. Em fevereiro de 1974, Norio Suzuki foi até a ilha à procura de Onoda. Assim que o localizou, Suzuki retornou ao Japão e entrou em contato com o governo. Este, por sua vez, localizou o chefe de Onoda, o major Yoshimi Taniguchi, e o enviou para as Filipinas para dar a ordem de rendição ao soldado pessoalmente.
http://noticias.terra.com.br/mundo/asia/japao-morre-soldado-que-esperou-30-anos-para-se-render-apos-2-guerra,dea4b501b1f93410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html
Ninguém
17 de janeiro de 2014 1:52 pmApenas complementando o seu texto…
A matéria se esqueceu completamente de que Onoda viveu aqui no Brasil, em Mato Grosso, entre 1975 e 1984, além de ter sido agraciado pelo governo brasileiro com a medalha de mérito Santos-Dumont, da FAB, em 2006. Onoda, depois de retornar ao Japão, criou um acampamento para jovens – a Escola da Natureza Onoda – onde ensinava técnicas de sobrevivência. Onoda voltava com regularidade ao Brasil.
Fontes: http://www.theguardian.com/world/2014/jan/17/hiroo-onoda-japanese-soldier-dies
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hiroo_Onoda
http://en.wikipedia.org/wiki/Hiroo_Onoda
http://www.nytimes.com/2014/01/18/world/asia/hiroo-onoda-imperial-japanese-army-officer-dies-at-91.html?_r=0
evandro condé de lima
17 de janeiro de 2014 11:52 amO que na verdade diz a notícia? Normal, bom ou ruim?
Como leigo, peço ajuda :
Estado de Minas.
Dívida de MG com a União quase empata com o orçamento do estado para 2014Dívida ultrapassa R$ 70 bilhões. Orçamento de 2014 é de R$ 75 bilhões. Mudança no cálculo está na pauta do Senado
Publicação: 17/01/2014 06:00 Atualização: 17/01/2014 07:55
Enquanto aguarda a votação do Congresso para recalcular a dívida dos estados com a União – o que deve acontecer na primeira sessão deliberativa do Senado, no retorno do recesso, em fevereiro –, a dívida de Minas Gerais com a União ultrapassou os R$ 70 bilhões neste mês e se aproxima do orçamento total do estado para 2014: R$ 75 bilhões, valor sancionado nessa quinta-feira pelo governador Antonio Anastasia (PSDB). Se o novo indexador não for aprovado pelo Congresso ainda no primeiro semestre, a dívida ultrapassará o total do orçamento. De acordo com a lei do orçamento sancionada, a amortização da dívida pública de Minas Gerais deve consumir R$ 2,25 bilhões neste ano, sendo que o estado pagará ainda mais R$ 2,7 bilhões de juros e encargos da dívida. O débito mineiro com a União foi renegociado em 1997, quando o montante ainda era de R$ 14,8 bilhões. Desde então, o governo do estado já desembolsou quase R$ 30 bilhões, mas teve a dívida multiplicada ao longo dos anos.
O mesmo aconteceu com outros estados, que no fim da década de 1990 aceitaram recalcular suas dívidas usando como indexador o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e taxas de juros que variavam de 6% a 9%, dependendo do montante inicial desembolsado no pagamento da dívida. Com o tempo, as dívidas foram aumentado e os recursos usados para quitar o débito não alcançavam nem mesmo o valor dos juros cobrados.
O projeto que tramita no Congresso prevê mudanças na forma de cobrança da dívida. A proposta altera o indexador atual para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais 4% ou a taxa Selic, o que for menor a cada mês. Dessa forma os estados poderiam reduzir os juros e passariam a diminuir mensalmente o montante devido à União. Para Minas, se a nova regra para calcular a dívida estivesse valendo no ano passado, o governo estadual teria economizado mais de R$ 2 bilhões no saldo devedor.
O orçamento total de Minas Gerais neste ano, com receitas e despesas, é de R$ 75 bilhões, o que representa um aumento de 10,13% na comparação com o de 2013. As despesas de pessoal e encargos sociais são as de maior peso no orçamento, correspondendo a 55,9% do total das despesas correntes. A partir da proposta orçamentária de 2014, as despesas com pagamento de pensões civis e militares deixam de ser classificadas como outras despesas correntes e passam a ser classificadas como despesas de pessoal e encargos sociais.
As transferências constitucionais aos municípios, os juros e encargos da dívida e as demais despesas correntes participam com 20,84%, 4,95% e 27,80%, respectivamente. Pela Constituição Federal, o estado tem o dever de aplicar, sobre sua receita de impostos e transferências (total de R$ 37,55 bilhões), 25% na educação, 12% na saúde e 1% em pesquisa científica. Em valores, esses gastos no orçamento serão os seguintes: R$ 9,39 bilhões, R$ 4,5 bilhões e R$ 375,58 milhões, respectivamente.
lucascosta
17 de janeiro de 2014 12:14 pmA PNAD e a Política
A PNAD e a política
Do site do Instituto Alvorada – em 30-9-2013 (http://bit.ly/1dX1jUm)
O IBGE divulgou esta semana os resultados da PNAD 2012. Embora não seja possível definir uma tendência, ela permite formular hipóteses que são centrais para a interpretação do momento atual no Brasil, as tendências e os embates políticos que precisam estar na agenda dos próximos anos.
Em termos da renda, observou-se um crescimento muito acima do crescimento do PIB. Sendo assim, a percepção dos ganhos dos brasileiras não apresentaram relação direta com o crescimento do PIB. Outro fator é que este crescimento de renda se deu com pequena alteração no Índice de Gini, e, em algumas regiões como o Nordeste, o coeficiente de Gini aumentou.
Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República, veio a público para dizer que a estagnação na redução da desigualdade, que aparece na PNAD 2012, retrata um “equívoco” das políticas de transferência de renda do Governo Federal. O governo, por sua vez, enfatiza a série histórica em relação à desigualdade e os dados da PNAD que apontaram que diminuiu o desemprego e aumentou o rendimento real em todas as regiões.
A disputa de interpretação dos resultados da PNAD entre governo e oposição acaba por travar o debate público transparente que poderia trazer uma melhor interpretação da situação do país. Quando tudo que é dito é imediatamente cravado na imprensa como vitória/derrota, avanço/recuo, sem espaço para contextualizar e ir a fundo nos problemas, esse se transforma no comportamento padrão.
A estratégia de Aécio de atribuir a equívocos das políticas de transferência de renda a estagnação observada na PNAD demonstra uma falta de conhecimento tão grande do papel desempenhado por estes programas que me espanta que venha de alguém que postula seriamente a Presidência da República. Como não acredito em falta de conhecimentos tão básicos em um Senador da República e ex-governador de Minas Gerais, a afirmação tem o simples objetivo de manipulação, ignorando fatos para obter um suposto dividendo eleitoral, que insiste em não vir. É uma fala para os convencidos de que estes programas são um mal para o país, o que está longe de ser a maioria da população.
Feito esse desabafo, a pergunta que gostaria de discutir é sobre os limites dos impactos do lulismo na redução das desigualdades.
Em 2012, chegamos ao menor nível do Índice de Gini desde que ele começou a ser medido: 0,498. Em 2004, era de 0,535, lembrando que quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade. Estes resultados foram obtidos por meio de uma série de políticas que, em seu conjunto, levaram a este resultado. Em resumo, 3 fatores contribuíram mais fortemente para este resultado: programas de transferência de renda, injetando bilhões de reais nas famílias mais pobres em locais de economia frágil; a valorização do salário mínimo acompanhada do aumento do número de pessoas no mercado formal de trabalho; e a redução da taxa de desemprego.
A PNAD apontou que a política valorização do salário mínimo continua tendo efeitos no aumento da renda do brasileiro. Enquanto o PIB cresceu 0,9%, a renda média subiu 8,9%. No entanto, o coeficiente de Gini teve uma ligeira queda, o que mostra que os ganhos não beneficiaram com maior intensidade os extratos mais pobres da população.
Isso coloca a pergunta se chegamos ao limite do que este modelo é capaz de contribuir para a redução das desigualdades. O rendimento continua subindo, a vida das pessoas melhorando, mas a distância entre elas mantém-se inalterada, significando que podemos ter chegado a um ponto de equilíbrio. Sendo o Brasil um dos países mais desiguais do mundo, esta constatação pode ser um problema.
Se é verdade que atingimos um ponto de equilíbrio na redução da desigualdade e que estas políticas públicas terão, daqui para frente, uma importância maior na manutenção das conquistas já alcançadas (seu desmonte geraria um retrocesso), sem levar, isoladamente, a novos avanços, quais medidas complementares deveriam ser tomadas?
Nesta hipótese, deverão ser atacados outros pontos que têm impactos diretos na distribuição da renda no país. Um destes pontos é o fundo público em suas duas pontas – a arrecadação e o gasto. Na ponta da arrecadação, implementar um conceito simples: a quantidade de tributo que eu pago deve ser proporcional aos meus rendimentos e bens, com ajustes para os outliers nas duas pontas – de quem não tem rendimento algum e as grandes fortunas. Na outra ponta, a do gasto, priorizar os gastos que levem à equidade na qualidade e no acesso à educação, saúde e trabalho. Exemplos práticos da implementação destes conceitos seria a taxação das grandes fortunas, melhor identificação e taxação de bens móveis, fim de incentivos fiscais para gastos privados em educação e saúde, reformulação dos impostos sobre o consumo.
Outro fator que merece atenção para a redução das desigualdades no país é a concentração da propriedade, tanto rural quanto urbana. No Brasil, a riqueza – bens – é ainda mais concentrada que a renda e está na raiz de sua reprodução. Para continuar avançando, o país deve de maneira séria buscar um equilíbrio entre assegurar a propriedade privada e a função social da propriedade.
As relações entre poder político e econômico também são centrais para a reprodução das desigualdades no país. O poder econômico captura o poder político, que seria a arena para definição dos limites a estes ganhos, que acaba por travar as reformas que de alguma forma prejudicariam estes setores em benefício de uma distribuição mais igualitária das riquezas. O financiamento às campanhas é apenas um dos instrumentos nesta cooptação, mas mexer nesta equação já seria um bom começo.
Por fim, mas não menos importante, convém analisar e rediscutir o papel das diversas organizações de classe no processo de reprodução das desigualdades e sua interligação como um sistema às diversas variáveis. A reação das classes médicas a qualquer proposta que venha minimamente ameaçar o status-quo, como as reações em relação ao Mais Médicos e ao veto da presidenta ao Ato Médico; a reação dos magistrados ao simples questionamento de suas férias e recessos de 60 dias ao ano; a “caciquização” dos partidos políticos e a baixa transparência de seus atos internos; as organizações de servidores públicos e sua lógica interna. Os exemplos são várias e o símbolo que representa de grande relevância.
São questões cruciais e belicosas. São reformas que redistribuiriam rendimentos, riquezas e poder na sociedade brasileira de maneira mais estrutural e assegurariam a continuidade dos avanços nos próximos anos. O que foi conquistado, a população brasileira já absorveu e assimilou. Querem saber quais serão os próximos passos e essa discussão estará no centro das próximas eleições. O dilema está na busca do equilíbrio entre vencer a eleição, o que significa dialogar e fazer concessões ao pensamento conservador, e fazer propostas de reformas estruturantes que permitam ampliar os ganhos da última década, o que significa romper com o pensamento conservador. Porque o povo é sábio: se o objetivo for implementar um projeto conservador, os partidos conservadores estão mais aptos para esta tarefa.
BRAGA-BH
17 de janeiro de 2014 1:26 pmShopping center não é praça
Shopping center não é praça
Miúda dissertação sobre um patético fenômeno chamado “rolezinho”, enésima prova da visão primitiva dos envolvidos
por Mino Carta
A praça que mais me impressionou, entre todas as que conheço, do ponto de vista da participação, da intensidade do fervor de quem a frequenta e ama a vida, foi a principal de Bolonha, espraiada entre o palácio do rei Enzo e a catedral, com sua severa fachada enobrecida pelos altos-relevos de Iacopo della Quercia, gênio dos começos de 1400.
Aqui me permito uma digressão. A respeito do uso impróprio que se faz nas nossas plagas da palavra nobre. Horário nobre, espaço nobre etc. etc. Ora, ora: nobre por quê? Porque encarece a publicidade da televisão no caso do horário? Este esbanjamento é próprio de uma sociedade que não tem nobreza alguma e desconhece o exato significado das palavras. Fecho o parênteses e vou ao que me move, para afirmar, alto e bom som como o editorial de um jornalão: shopping center não é espaço nobre.
O shopping center resulta de uma grande hipocrisia, de um monumental engodo, de um ardil sinistro destinado a enganar o distinto público. Finge ser uma praça com as intenções mais malignas. Falava de Bolonha, a qual, diga-se, como conjunto arquitetônico, só é inferior a Florença e Veneza. Pois, ao cair da tarde, aquela praça deslumbrante enche-se de cidadãos aos milhares, lotam os bares para enfrentar umas e outras, mas a maioria fica de pé para tomar conta do asfalto, e forma grupos excitados em meio ao vozerio. O que se discute em Bolonha são, sobretudo, os problemas da cidade e a política nacional.
A praça é o logradouro público por excelência, o palco de um povo que naturalmente o elegeu e o preserva. É uma extraordinária oportunidade de congraçamento, de intercâmbio cultural, de interação democrática. O shopping, pelo contrário, não passa de paraíso dos mercadores e de garantia dos oligarcas. Aqui o povo, plebe rude e ignara de ricos e pobres em virtude de uma perversa democracia atada apenas e tão somente à ignorância geral, lá vai em busca da praça e encontra o apelo consumista, tanto mais sedutor na ausência de estímulos e alternativas. O shopping é rincão deprimente, de aterradora melancolia, onde fermentam, em áspera contraposição, ilusões e frustrações a demarcar as diferenças sociais acima da pobreza intelectual e do conformismo comuns.
E se a praça é do povo, o shopping tem dono, e cada dono conta com seus jagunços, e os exatos papéis e competências dos jagunços são bastante confusos, incertos, impalpáveis, donde sujeitos ao arbítrio quando público e privado se misturam. Chego ao ponto, os chamados rolezinhos. Jovens da periferia perfumam-se, transformam a cabeleira em casca de ouriço, vestem a bermuda das noites de sábado e refluem em bando para o shopping. Cantam, dançam, “zoam”. E “causam”, quer dizer, provocam suavemente, sem liderança, reivindicação explícita, faixas ou cartazes. Não se registraram até agora consumo ostensivo de drogas, roubos ou depredação. Mesmo assim, os donos chamam os jagunços.
No JK Iguatemi, templo do consumismo “nobre” em São Paulo, foi instituída, com aval judiciário, multa de 10 mil reais para cada participante de rolezinho, identificado na área interna ou externa do formidável estabelecimento. Um oficial de Justiça, a PM e os seguranças do shopping foram incumbidos da triagem, diligentemente executada ao sabor de critérios raciais e avaliação dos traços fisionômicos. Lombroso apreciaria. No momento, não se fala de outra coisa, sem contar os analistas a enxergarem sintomas de luta de classe. Até o governo demonstra preocupação. A presidenta Dilma convocou uma reunião ministerial para debater as possíveis consequências do fenômeno. Pode haver, quem sabe. Mas é certo que, por enquanto, o enredo é patético.
De um lado, assistimos ao sonho de consumismo da juventude suburbana, que pretende ser admitida à tertúlia, a imitar heróis novelescos e a sociedade de Caras, em busca da afirmação pelo acesso às grifes. Do outro, o pavor de sempre, o calafrio a percorrer a dorsal dos privilegiados, na expectativa da rebelião das massas. Sosseguem, leões. Por ora, não é o caso. Por ora, creio eu, e ainda por muito tempo.
rkodama
17 de janeiro de 2014 1:32 pmColuna Esplanada – 17/01/2014 – CGU pega leve com Padilha candid
http://colunaesplanada.com.br/cgu-pega-leve-com-padilha-candidato/
Home / Política
17 de janeiro de 2014 às 6:00
CGU pega leve com Padilha candidato
Por Leandro
Não é de agora que a cúpula petista e do governo federal protegem o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o candidato escolhido por Lula para disputar o governo de São Paulo. E justamente por isso. São Paulo será a prioridade do PT nas disputas estaduais deste ano. Após o sucesso da eleição de Fernando Haddad prefeito da capital, Lula aposta em outro novato nas urnas para vencer a resistência do eleitorado paulista.
Para Lula, se o PT conquistar os governos de Minas, Rio e São Paulo, os três maiores colégios eleitorais do País, o partido sai no lucro este ano. Essa é sua meta.
Daí Padilha ter essa blindagem política. O que não se esperava é que entrasse nessa onda um conceituado órgão independente do governo, mas sob controle petista – e justo o que cuida de fiscalização. A Controladoria Geral da União pegou leve com a gestão do ministro na emissão de certificado para prestação de contas.
A CGU descobriu falhas graves na prestação de contas de um evento bancado pelo Ministério da Saúde, a ‘12ª Mostra Nacional de Experiências Bem Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi)’. O problema é do tamanho do nome do evento: um superfaturamento de R$ 2.053.023,73 ‘pagos indevidamente, sendo R$ 1.417.023,73 por serviços não prestados ou prestados em quantidade inferior ao cobrado; e R$ 636 mil de despesas antieconômicas’, segundo relato da própria CGU, que conseguiu bloquear R$ 169.608,00 de pagamentos futuros à GV2 Produções.
A despeito de tudo, o desfecho por ora foi surpreendente. A CGU enviou relatório para o Tribunal de Contas da União com certificado ‘contas regulares com ressalva’, e não ‘contas irregulares’, como de praxe em outros casos. Na nota divulgada no site, a CGU informa que foi proposto assim pela equipe técnica.
A CGU informou que se respalda na Instrução Normativa N.º 01, de 06 de abril de 2001, para certificar a auditoria com a expressão ‘contas irregulares com ressalva’, e para exemplo citou outros três casos. Já a GV2 Produções, procurada, não se pronunciou. O que não veio à tona é um embate ferrenho entre os técnicos da Controladoria com a cúpula do órgão. Eles foram contra esse encaminhamento, e engoliram seco. Caberá agora ao TCU julgar as contas, a despeito do certificado da CGU, e ali a história é outra.
Como supracitado, não é de hoje que o PT blinda Padilha. Foi assim quando a bancada no Senado barrou a instalação da CPI do Erro Médico – cujos dossiês, aos quais a Coluna teve acesso, justificam a investigação. A comissão focaria os casos gritantes de médicos em hospitais particulares de Brasília, mas a turma do jaleco, aliada ao ministro e ao seu partido, percebeu que o sangue alheio respingaria naturalmente nos hospitais públicos e, por consequência, nas ações do ministério. Enterrada a CPI no Senado, menos uma dor de cabeça.
Padilha então passou a priorizar as viagens nos jatinhos da FAB para se promover, como revelou a Esplanada mês passado. Apenas para citar um caso, em dois dias Padilha fez seis voos de jatinhos do governo para visitar cidades paulistas. Passou por São Paulo, Ribeirão Preto, Marília, Guarulhos, São José dos Campos, São José do Rio Preto. Na agenda, assinaturas de convênios (normalmente isso é feito no gabinente) e visitas a hospitais, onde recebeu sorrisos, aplausos e tapinhas nas costas.
Fabio (o outro)
17 de janeiro de 2014 4:50 pmO CERCO AO GRATIS
17/01/2014 às 00h00
O cerco ao grátis
Por Alexandre Rodrigues | Para o Valor, de São Paulo
Morador de Porto Alegre, o designer Andrey Damo paga todos os meses R$ 16,90 para ver filmes e séries no Netflix, serviço de exibição de vídeos em “streaming” na internet. Também paga pelo espaço extra no Dropbox, serviço de armazenamento de arquivos, e pelo Evernote, plataforma que usa para guardar anotações de trabalho. Assim como pelo Deezer, um banco de músicas que, como o Netflix, cobra mensalidade. “Gasto em torno de R$ 100,00 a R$ 130,00 por mês com esses serviços”, diz.
Cinco anos atrás, imaginar um consumidor assim era ir contra a corrente. Futurólogos e pesquisadores de tendências previam que músicas, vídeos, livros e qualquer outro bem digital teriam um único preço: zero. A pirataria corria livre e sites de “torrent” (sistema de compartilhamento de arquivos), como o Pirate Bay, proclamavam o fim da propriedade intelectual. A indústria da música estava quase falida. No meio de tudo isso, em 2007, o site do “New York Times” desistiu da cobrança pelo conteúdo, que havia iniciado dois anos antes, e, juntando-se a quase todos os jornais importantes, passou a oferecer notícias de graça.
Em 2013, o “New York Times” tornou-se a marca mais importante, entre os maiores jornais do mundo, que cobram pelo conteúdo. Enquanto os donos do Pirate Bay lutam contra uma condenação na Justiça da Suécia por pirataria, desde 2011 o Netflix movimenta mais dados pela internet do que todos os serviços de “torrent”. E dezenas de milhões de usuários pagam ao Deezer e ao Spotify para ouvir músicas em “streaming”.
Não é que os serviços e produtos grátis tenham deixado de ser importantes. O Google ainda não cobra nada pelas buscas e pelo uso do Gmail, assim como redes sociais, como Facebook, Twitter e LinkedIn continuam a oferecer acesso de graça. O Skype tem chamadas on-line gratuitas e o YouTube, os vídeos. Sexto site mais acessado do mundo, a enciclopédia Wikipedia também é de uso livre. Milhares de outros sites são construídos a partir de códigos abertos, gratuitos, na internet. E também há os aplicativos, de GPS a mapas, “players” de música, busca de táxis etc., baixados para “tablets” e “smartphones”.
No estudo “The attention economy: measuring the value of free goods on the internet” (A economia da atenção: o valor dos bens gratuitos na internet), dois economistas, professores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Erik Brynjolfsson e JooHee Ho, concluíram que o valor do que é oferecido de graça on-line – serviços como a liberação do código-fonte ou “templates” de sites, que podem ser modificados para a criação de novos, ou as ligações no Skype – é de US$ 300 bilhões e aumenta US$ 40 bilhões por ano. “Serviços gratuitos são subestimados”, afirma Brynjolfsson, autor de “Race Against the Machine” (Corrida contra a máquina), livro sobre como a tecnologia está acelerando a inovação e a produtividade.
Mas eis o outro lado. Aplicativos pagos para “smartphones” movimentaram US$ 20 bilhões em 2013 – 60% mais do que em 2012 – e até 2017 deverão chegar a US$ 63 bilhões. As vendas digitais de música devem ter fechado 2013 com US$ 7 bilhões, o segundo ano de crescimento desde 1999, quando surgiu o formato MP3.
A estrela dos serviços fechados é o Netflix. Lançado em 1997 para aluguel e entrega de vídeos em domicílio, já funciona em 43 países e tem 40 milhões de assinantes, superando a HBO, da TV a cabo, que tem 31 milhões. A mensalidade dá direito a um acervo de estimados 60 mil vídeos (a empresa faz segredo desse número), entre filmes, séries, documentários, programas de TV e palestras. Em 2013, o serviço também lançou séries próprias, como a quarta temporada de “Arrested Development”, comédia produzida originalmente para a TV, “Orange Is the New Black”, sobre uma prisão feminina, e o drama político “House of Cards”, com Kevin Spacey, a primeira série para a web indicada ao prêmio Emmy.
O Netflix já é responsável por um terço do fluxo de dados nos EUA, segundo a consultoria Sandvine, especializada em banda larga e tecnologia da informação. Os números são altos, não apenas devido ao número de usuários como pela quantidade de informação em um vídeo. Em poucos anos, o site mudou o modo de se ver TV, podendo ser assistido não apenas no computador como em consoles de videogame, “tablets” e “smartphones”. Apesar da concorrência de outros sites de “streaming”, como Hulu e LoveFilm, da Amazon, e de equipamentos como a Apple TV, em outubro o Netflix tornou-se o canal mais assistido na TV paga americana. (O Netflix foi contatado diversas vezes, enquanto se produzia este texto, mas preferiu não se manifestar)
A força dos serviços pagos na internet impõe a pergunta: a promessa do grátis perdeu fôlego? “As previsões não levaram em conta o prêmio que os consumidores estão dispostos a pagar pela conveniência”, diz Marcelo Träsel, professor de comunicação digital da PUC-RS. “A gratuidade é ótima, mas a geração que usou o Napster na adolescência cresceu e, embora tenha pouco tempo para catar músicas em servidores mundo afora, tem dinheiro para comprar um arquivo de qualidade garantida no iTunes.”
Por trás da ideia de que todos os produtos digitais seriam gratuitos está a Lei de Moore. Em artigo escrito em 1965, Gordon Moore, cofundador da Intel, previu que a capacidade de processamento dos computadores sempre aumentaria, enquanto os preços continuariam a cair. Isso levaria a um valor irrisório dos produtos digitais, imaginou Chris Anderson, então editor da revista “Wired” e hoje executivo-chefe na startup 3D Robotics. Seu livro “Grátis”, lançado em 2009, foi recebido como um manifesto da nova economia. Como o custo de qualquer produto digital, de uma matéria de jornal a uma música, cairia a quase zero, dizia Anderson, só haveria um caminho para o conteúdo na internet: o grátis.
O que dizer de quanto se gasta no mundo físico para produzir arquivos digitais? O valor seria recuperado por um número pequeno, mas suficiente, de fãs dispostos a pagar por serviços adicionais, que custeariam a maioria – modelo de negócios que Anderson batizou de “freemium” (“free + premium”). Jornais, músicos, escritores, programadores e produtores deviam esquecer as vendas e sobreviver com o dinheiro que viria dos extras: edições especiais, camisetas e doações.
Não foi bem assim. Modelos “freemium” são realmente cada vez mais comuns, mas o ano de lançamento de “Grátis” marca também uma virada no modelo de negócios na internet. Um dos motivos foi a popularização da banda larga. “Isso de que as coisas seriam gratuitas foi pensado em um tempo em que as conexões eram ruins. Os arquivos digitais eram quase físicos e ocupavam espaço. Fazia sentido guardar algo”, diz Silvio Meira, pesquisador de engenharia de software e professor da Universidade Federal de Pernambuco, integrante do primeiro comitê gestor da internet no Brasil. “Mas por que vou organizar milhares de discos e pastas se posso pagar um serviço que faz isso para mim e posso ouvir aquela música em qualquer lugar? Não se trata mais de música, de um produto, mas de um serviço.” Meira prevê que, por uma questão de conveniência, os downloads, cada vez mais, perderão espaço para os “streamings”.
O próprio conceito do que é grátis teve de ser redefinido. Certo, o Facebook é de graça, mas hoje os usuários são cada vez mais submetidos a anúncios. O mesmo se passa no Twitter. Afora isso, a rede social de Mark Zuckerberg desde 2010 relaxou seguidamente as regras sobre a privacidade de seus usuários. “Ficou mais claro, com o tempo, que o negócio das redes sociais e de algumas outras empresas é reunir dados dos usuários para uso em publicidade dirigida”, diz o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal de São Carlos. O Facebook não fornece dados de ninguém, mas os utiliza para definir perfis de possíveis compradores de dado produto.
“Não se trata mais de música, de um produto, mas de um serviço”, diz Silvio Meira, para quem os downloads, cada vez mais, perderão espaço para os “streamings”
O Google não fica atrás. Há o monitoramento do conteúdo dos e-mails, para criar sugestões que aparecem no Gmail por associação com o que se está escrevendo. Para isso, os algorítmos pinçam palavras e apresentam anúncios relacionados a elas, mas, segundo a empresa, não leem o conteúdo das mensagens. De todo modo, os seguidos rearranjos em seus serviços, como o fim do agregador Google Reader e sua incorporação à rede social Google Plus, levam usuários, queiram ou não, a participar do ecossistema Google. Há que se ressaltar que a principal fonte de faturamento do Google continuam sendo as buscas no site, nas quais a privacidade é preservada.
Outro fator importante foi o cerco à pirataria on-line. Sites de “torrent” foram fechados e, no caso mais emblemático, os quatro suecos criadores do site The Pirate Bay foram condenados à prisão e a multa de US$ 6,7 milhões em 2009. Em 2012, Kim Dotcom, criador do serviço de armazenamento Megaupload, foi preso na Nova Zelândia e ainda corre risco de ser deportado para os EUA. Junto com legislações mais duras sobre o tema – sem contar aquelas não aprovadas, como a Sopa e Pipa, siglas de leis americanas que previam até cinco anos de prisão para a troca de arquivos -, na Europa e nos EUA, assim como acontece no Japão e na Austrália, tornaram-se comuns os processos contra quem baixa músicas ou filmes ilegais.
É um cenário diferente do que acontece no Brasil, onde o combate à pirataria se dá quase sempre contra produtos falsificados. A lei que tipifica crimes cibernéticos entrou em vigor em 2013. Em sua versão original, previa punição para downloads ilegais, mas o artigo acabou retirado. Bastou um descuido, porém, para o músico Flávio Flu Santos, baixista da banda DeFalla, saber a que ponto chegam as restrições no exterior. Ao visitar uma amiga na Alemanha, não notou que havia deixado o programa de “torrent” aberto e, sem perceber, baixou um filme no notebook. Na Alemanha, é proibido baixar arquivos protegidos por direito autoral.
“Uma semana depois, estava em outra casa e recebo a notícia de que tinha chegado uma multa de €1 mil por compartilhamento ilegal de filme”, diz. “Minha amiga falou com advogados e conseguiu baixar o prejuízo pra €350.”
Contudo, dificilmente um modelo faria sucesso pelo medo. “A perseguição aos consumidores que faziam downloads ilegais talvez tenha tornado menos vantajosa essa prática, mas, se não houvesse serviços eficientes e de baixo custo para comprar filmes e músicas, duvido que as pessoas tivessem deixado de lado o intercâmbio de arquivos”, opina Trazer. “Se o cidadão continuasse sendo obrigado a importar um CD dos EUA, pagando caro e em dólares para ouvir o novo álbum de sua banda favorita, o fenômeno dos downloads ilegais não teria perdido aceleração.”
Até a dada como moribunda indústria musical encontrou um jeito de ganhar dinheiro com assinaturas. Em 2003, quando foi lançado, o iTunes, loja virtual da Apple, enfrentou ceticismo. Dez anos depois, tem mais de 500 milhões de usuários e já vendeu 25 bilhões de músicas. O modelo que mais vem crescendo, porém, é o das rádios pagas. Com 24 milhões de assinantes, Spotify, a maior delas, oferece mais de 20 milhões de canções. O serviço pode ser gratuito, mas terá anúncios, mesmo modelo de qualquer rádio. Há, no entanto, a modalidade premium, com mensalidade de US$ 9,99, sem publicidade e com melhor qualidade de som ou a possibilidade de ouvir música off-line. Já está em 20 países (ainda não no Brasil).
Deezer (5 milhões de assinantes), Rdio (números não revelados), Grooveshark (6,5 milhões e vários processos por pirataria, pois os usuários também podem fazer upload de suas músicas) e Pandora (2,5 milhões) competem com o Spotify, todos com modelos de cobrança parecidos. Até o Napster, primeiro serviço de troca de arquivos, hoje se dedica ao “streaming” e está presente em 14 países. “Se você tem um serviço pago, um preço justo e oferece boa qualidade e variedade de conteúdo, as pessoas preferem optar por isso do que baixar música grátis”, afirma Tiago Ramazzini, vice-presidente do Napster na América Latina.
O valor do que é oferecido de graça on-line é subestimado: chega a US$ 300 bilhões e aumenta US$ 40 bilhões por ano, calcula Erik Brynjolfsson, do MIT
Depois de se estabelecer na internet, graças aos aplicativos para celulares, esses serviços agora estão prontos para disputar audiência e publicidade com as rádios tradicionais. “Enquanto estava no meu carro, ainda agora ouvia a ABC, uma rádio de jazz da Austrália, no meu celular”, diz Meira. “Uma rádio local, mesmo oferecendo o serviço de graça, vai ter que se reinventar para competir.”
E os jornais e revistas? Depois de anos de tentativas de oferecer o conteúdo de graça e sobreviver com anúncios, 40% deles, no Brasil, já usam algum sistema de cobrança, segundo a Associação Nacional de Jornais (ANJ). Restabelecido em 2011, o “paywall” do “New York Times” atraiu 500 mil novas assinaturas e o jornal pela primeira vez fatura mais com assinantes (53%) do que com publicidade (47%). Estima-se que, em 2013, 400 jornais americanos tenham seguido o mesmo caminho, segundo a Press Plus, empresa que auxilia jornais a lançar programas de assinaturas digitais. O inglês “The Guardian” é atualmente o único grande jornal, no mundo, a não cobrar pelo acesso.
“É uma tendência irreversível”, diz o diretor-executivo da ANJ, Ricardo Pedreira. “Os jornais acreditaram que poderiam ter um modelo baseado na audiência e pago pela publicidade, como a TV aberta, mas isso acabou sendo uma ideia equivocada. Hoje, é consenso que a cobrança do conteúdo é necessária.”
Nem tudo são flores. Se os serviços são baratos para usuários, o ganho é muitas vezes irrisório para quem produz. Músicos como Thom Yorke, do Radiohead, Brian Molko, do Placebo, e David Byrne criticaram o valor que o Spotify paga aos artistas – US$ 140 para cada dez mil execuções. E estúdios culpam o Netflix pelo desinteresse nos lançamentos de filmes em DVD, porque o público passou a esperar o lançamento na internet, mesmo que demore alguns meses.
Quanto aos jornais, o “San Francisco Chronicle” desistiu do “paywall”, no ano passado, apenas alguns meses depois de adotá-lo, e novamente abriu o conteúdo. Vai apostar em serviços “freemium” para atrair novos pagantes.
Como muitas vezes acontece com tecnologias, o mais provável é que os modelos “freemium”, grátis e pago sobrevivam em paralelo, sem vencedores. “Não vai existir um modelo único, mas a cobrança pelo conteúdo na internet não tem volta, vai continuar”, diz Pedreira, da ANJ. “Sobreviverá quem entender que dólares que ganharia antes estão virando centavos”, afirma Meira. “Mas a questão sempre será simples: quem vai pagar a conta?”
Fabio (o outro)
17 de janeiro de 2014 5:09 pm16/01/2014 às 17h45
FT: Os
16/01/2014 às 17p5
FT: Os “Cinco Frágeis” viram oito com ameaça de menor liquidez
Por James Kynge | Financial Times
LONDRES – A lista de países que podem ser afetados pelo aperto de liquidez feito pelos bancos centrais é mais longa do que aquela apelidada de “Fragile Five” (Os Cinco Frágeis).
A grande preocupação para os investidores, como destacou o Banco Mundial, é de uma interrupção abrupta do financiamento internacional para as dívidas soberanas e corporativas de países vulneráveis. Em um “cenário de ajuste desordenado”, os fluxos financeiros para os países em desenvolvimento poderiam diminuir em até 80% durante vários meses, advertiu o Banco Mundial.
Quando avaliados pela percepção de sua capacidade para pagar empréstimos estrangeiros de curto prazo, os países particularmente expostos ao enxugamento de liquidez global são Brasil, África do Sul, Turquia, Índia, Indonésia, Hungria, Chile e Polônia, segundo os dados processados pelo Financial Times e pela gestora de recursos Schroders.
Isso expande o grupo “Fragile Five” (Brasil, África do Sul, Turquia, Índia e Indonésia), uma alcunha muito usada nos últimos seis meses para incorporar países que têm sua vulnerabilidade ligada à situação das contas externas e dos déficits fiscais. A lista expandida derivado mais dos temores sobre a dívida de curto prazo.
Craig Botham, economista de mercados emergentes da Schroders, diz que esses rótulos cativantes podem distrair os investidores de riscos mais amplos. O foco do mercado está se deslocando para os países mais dependentes de financiamento externo, particularmente aqueles com altas exigências de refinanciamento de curto prazo, disse ele.
“Esse foco é sustentado pelo temor de uma ‘parada súbita’, em que os fluxos de capital parem ou mesmo se invertam. Se isso acontecer, o impacto sobre empresas endividadas pode ser devastador, com repercussões para os bancos.”
Uma métrica para avaliar a vulnerabilidade compara o tamanho das reservas internacionais do país à soma da dívida externa de curto prazo e seu déficit em conta corrente – a Necessidade Bruta de Financiamento Externo (GEFR, na sigla em inglês). Esse indicador mostra que, no segundo semestre do ano passado, Turquia, África do Sul, Chile, Índia e Indonésia tinham reservas suficientes para cobrir cerca de um ano de seus GEFRs, de acordo com a pesquisa da Schroders. Hungria, Brasil e Polônia têm reservas para cobrir cerca de dois anos.
Ucrânia, Venezuela e Argentina, que as agências de classificação de risco colocam entre os países menos merecedores de crédito, também são vistos como expostos. Mas os seus pontos fracos são essencialmente relacionados às incertezas internas, em vez dos efeitos da redução gradual da liquidez global.
O Banco Mundial identificou como cenário mais provável um ajuste suave nas políticas monetárias, levando a uma redução modesta no fluxo de capitais. Mas a instituição prevê um aumento de até 2 pontos percentuais nas taxas de juros de longo prazo nas maiores economias do mundo.
evandro condé de lima
17 de janeiro de 2014 5:31 pmE se pegar fogo?
Salvo engano já saiu a notícia aqui mas acho que faltou uma observação : E se pegar fogo – que ao que tudo indica é até muito fácil – a quem irá se culpar?
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/01/17/megaocupacao-em-sao-paulo-reflete-deficit-habitacional-da-cidade.htm
Megaocupação em São Paulo reflete deficit habitacional da cidade
Em apenas seis semanas, uma pequena cidade foi erguida no extremo sul da capital de São Paulo.
A ocupação Nova Palestina, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), tem 8.000 barracos. Segundo a organização, outras 4.000 pessoas estão na fila para conseguir um espaço no local.
A ocupação reflete a falta de moradias na cidade. Segundo a prefeitura, cerca de 700 mil famílias vivem em condições inadequadas no município e precisam de uma casa.
A área de 1 milhão de m², no extremo do Jardim Ângela, é uma propriedade privada. Declarado de utilidade pública, o terreno deveria se tornar um parque, segundo os planos da prefeitura paulistana.
A ocupação, no entanto, pode fazer nascer ali um conjunto habitacional. O porta-voz do movimento, Guilherme Boulos, informou que o MTST está em negociação com os proprietários para a compra da área e uma das possibilidades é construir as moradias a partir do programa Minha Casa Minha Vida Entidades.