É preciso muito cuidado na hora de olhar estas notícias sobre vendas catastróficas no Natal.
Claro que caiu e este é o “furo” da fórmula recessiva de ajuste fiscal adotada por Joaquim Levy.
Mas deve-se observar, também, a mudança de hábitos.
As compras via web tomaram boa parte do mercado das vendas presenciais,
A Reuters registra que as vendas de final de ano pela internet(Natal + Black Friday), com base no serviço Ebit/Buscapé, cresceram 26% em relação ao ano passado.
De R$ 5,85 bilhões para R$ 7,4 bilhões.
O valor médio das compras também cresceu, 8%, para R$ 420.
Os 17,6 milhões de pedidos feitos via internet certamente são parte da perda estimada de 5% nas vendas presenciais.
Os hotéis no Rio de Janeiro estão “bombando”, seja porque o realismo cambial tenha beneficiado a chegada de estrangeiros, seja porque a mesma cotação da moeda está mantendo no país os turistas brasileiros.
Mas a crise vai servindo de “muleta” para uma certa prostração empresarial.
Ontem, no Estadão, um empresário dono de uma rede de franquias e de marcas de calçado esportivos falou que era hora de parar com o chororô sobre impostos e se tornar mais eficiente e adequado ao mercado.
Mas o clima, estimulado pela mídia, é sempre o de nariz torcido.
A própria notícia que dou é um exemplo. A chamada da homepage do Estadão é “Apesar de também estar sendo afetado pela crise, o varejo eletrônico tem crescido mais que o físico”.
Jesus, 26% de crescimento, mais que as expectativas do setor , e não se livram do “apesar da crise”!
Bacanérrimo o vídeo gravado por diversos artistas – inclusive o Chico Buarque, e antes das confusões – em apoio aos estudantes paulistas que não aceitam o fechamento de quase duzentas escolas no Estado.
Em 2015, mais de 200 escolas no estado de São Paulo foram ocupadas pelos estudantes secundaristas contra a reorganização proposta pelo governo do estado, que levaria ao fechamento de 94 escolas da rede pública.
Depois de mais de 1 mês de resistência, inúmeras atividades dentro das escolas, uma Virada Ocupação e muita, muita mobilização por parte dos estudantes, o governo voltou atrás e suspendeu a reorganização, prometendo novas discussões para o ano que vem.
2016 promete ser um ano de debates sobre como melhorar a qualidade da educação no estado e, principalmente, como fazer da comunidade escolar protagonista deste processo.
Estamos formando uma rede de pessoas que querem continuar apoiando o movimento dos secundaristas no ano que vem. E você, vem com a gente?
Hoje, em O Globo, há uma reportagem de Fernanda Krakovics sobre Moreira Franco, o principal parceiro de Michel Temer na aventura de fazer o PMDB embarcar no golpe de Estado.
Talvez bastasse o primeiro parágrafo para descrever o personagem:
“Ele já foi chamado de “gato angorá” por Leonel Brizola, e recebeu o apelido de “anjo mau” no governo Fernando Henrique Cardoso. Agora o ex-ministro Moreira Franco é apontado pela ala anti-impeachment do PMDB como o mentor de cada ameaça de desembarque do partido do governo Dilma Rousseff ou subida de tom do vice-presidente Michel Temer, de quem é próximo.”
Mas não basta. Para nós, cariocas e fluminenses, infelizmente, mesmo neste dia de perdão e tolerância, não é fácil calar diante deste personagem.
Este cidadão é, para nós, uma figura nefanda, uma praga que assolou nosso Estado.
Não é apenas, como descrito na matéria, o fato de ter – acreditem, foi esse o nível de demagogia para que se elegesse, além do clima farsesco do Plano Cruzado – prometido acabar com a violência em seis meses, promessa que só poeria sair da boca de um calhorda.
Moreira fez mais. Abandonou e fechou as escolas generosas de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, os Cieps, espancou professores diante do Palácio Guanabara, destruiu as empresas públicas e uma série de barbaridades que fizeram com que ele seja, hoje, no Rio de Janeiro, um homem detestado.
O tal “Ponte para o Futuro”, documento que é uma “oferta do golpismo ao mercado”, só de vir de suas mãos mereceria o nome de “Uma Ponte para o Passado”, ou para o pântano.
Portanto, em nome do direito a que todos se informem, reproduzo um caso, lembrado pela Istoé, mas convenientemente esquecido pela imprensa, que ficou tristemente famoso como exemplo do perfil dos acompanhantes do então Governador no Palácio Guanabara.
Moreira é, a mim e a muitos, uma figura tão repugnante que posso afirmar, sem medo de errar, que foi um dos maiores atos de tolerância aceitar que ele pudesse estar enganchado, com cargos e rapapés, num governo progressista.
2 – Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República;
3 – Ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil do Brasil
4 – Participou de pelo menos 6 missões oficiais no exterior, inclusive na Rússia, na II Reunião Internacional de Altos Representantes nas Questões de Segurança.
A Beadell Resources recebeu, na última sexta-feira (18), novos resultados de sondagem de diferentes áreas da mina de ouro Tucano, em Pedra Branca do Amapari (AP). No alvo Urucum Undergound, que faz parte de Tucano, a companhia australiana confirmou a continuidade de altos teores de ouro no veio central da mina. A mina de ouro Tucano foi adquirida pela Beadell Resources em 2010 e cobre aproximadamente 2.500 km2.
Em dezembro de 2012, a Beadell concluiu a construção da planta CIL de ouro de 3,5 milhões de toneladas de por ano (atualmente operando a 4,3 milhões de toneladas por ano) e iniciou a produção de ouro. A mina de ouro Tucano é atualmente a terceira maior produtora de ouro no Brasil.A produção de ouro em Tucano foi de aproximadamente 154.000 onças em 2014 oriundas de cavas abertas otimizadas contendo 1,3 milhão de onças de ouro. Tucano tem aproximadamente 5,0 milhões de onças de ouro em reservas.
Médico financiava a produção de pornografia infantil
PF prende médico em MG por financiar a produção de pornografia infantil
Belo Horizonte/MG – A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje, 21, a operação Mr. Hyde*, que resultou na prisão de um médico de Uberaba/MG, suspeito de compartilhar e financiar a produção de material de pornografia infantil.
Em 2012, quando ainda era estudante de medicina, o preso se associou a um australiano e uma filipina responsáveis pela produção de vídeos de crianças sendo abusadas e violentadas sexualmente. O médico brasileiro financiava os autores, recebendo os vídeos e fotos em contrapartida. Ele também os ensinou a obter remédios para dopar as vítimas antes dos abusos.
As imagens e vídeos eram compartilhados na chamada deep web ou dark web, uma parte da internet que só pode ser acessada com a utilização de softwares específicos, que permitem a navegação de forma pretensamente anônima.
O australiano foi preso em fevereiro deste ano pela polícia filipina, que contou com a ajuda da Polícia Federal Australiana e da Polícia Nacional da Holanda.
Até ser preso, o médico atendia regularmente em uma Unidade de Pronto Atendimento de Uberaba/MG. Ele deve responder pelo armazenamento e publicação de pornografia infantil, bem como pelo financiamento de organização criminosa internacional.
*O nome da operação faz referência à obra “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”, que no Brasil recebeu o título de “O médico e o monstro”. O programa de TV “60 minutes” da Austrália produziu uma reportagem sobre esse caso, que pode ser vista em http://bit.do/op-mr-hyde.
Dirceu vai pedir à Justiça perdão de pena do mensalão
Defesa recorrerá ao STF para pedir indulto de Natal
Dirceu vai pedir à Justiça perdão de pena do mensalão (foto: EPA)25 Dezembro, 12:01•SÃO PAULO•ZBF
(ANSA) – A defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão e preso preventivamente há cinco meses na Operação Lava Jato, vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão do indulto de Natal a ele. Ontem, como tradicionalmente ocorre todos os anos, a presidente Dilma Rousseff publicou no Diário Oficial da União um decreto concedendo indulto natalino e comutação de penas.
A liberação precisa obedecer a vários critérios, como tempo da condenação do preso, prazo de pena já cumprido, se o crime é considerado de “grave ameaça ou violência a pessoa”, entre outros critérios. Previsto na Constituição, o benefício é uma atribuição exclusiva a ser concedida pelo presidente da República.
O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Dirceu, disse que o ex-ministro se encaixa nos pré-requisitos do decreto assinado pela presidente para ficar livre de cumprir o restante da pena sem qualquer tipo de restrição.
Mensalão
A defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, outro condenado pelo STF no mensalão, também esperava a edição do decreto de indulto para avaliar se vai requerer a concessão do benefício. O criminalista Marcelo Bessa, que defende o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR), disse que está em férias e só no seu retorno vai avaliar se o seu cliente pode ser beneficiado.
Os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB), João Paulo Cunha (PT) e Pedro Corrêa (PP), também condenados no mensalão, poderiam se encaixar nas regras do indulto, cujo texto é igual ao editado no ano passado por Dilma. O Estado não localizou seus advogados. Em março deste ano, o ex-presidente do PT José Genoino conseguiu ter a sua pena extinta com base no decreto de 2014.
Em agosto, antes de ser preso na Lava Jato, Dirceu cumpria pena em regime aberto pela sua condenação de sete anos e 11 meses no processo do mensalão. Ele fora detido pelo escândalo anterior em novembro de 2013.
A defesa do ex-ministro pretende alegar que Dirceu se incluiu nas regras previstas no decreto para receber o perdão da pena. “Entendo que ele tem direito e vou requerer no momento oportuno” disse o advogado José Luís de Oliveira Lima.
O ex-ministro, contudo, pode não garantir direito ao benefício por causa dos desdobramentos da Lava Jato. No mês seguinte à sua prisão, Dirceu virou réu após o Ministério Público Federal tê-lo denunciado à Justiça Federal de Curitiba (PR). Em outubro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a suspensão do direito de Dirceu de cumprir a pena em regime domiciliar pelo mensalão e que voltasse ao regime fechado.
Se Dirceu for condenado pela Lava Jato, o ex-ministro corre o risco de ser questionado uma eventual concessão de indulto.
Regras
Pelo texto do decreto publicado ontem, poderá se enquadrar “um condenado a pena privativa de liberdade não superior a oito anos não substituída por restritivas de direitos ou por multa, e não beneficiadas com a suspensão condicional da pena que, até 25 de dezembro de 2015, tenham cumprido um terço da pena, se não reincidentes, ou metade, se reincidentes”. A pessoa poderá ter direito a perdão da pena mesmo se a condenada responder a outro processo criminal.
Políticos condenados pelo Supremo Tribunal Federal devido a envolvimento no escândalo do mensalão ainda cumprem penas:
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil filiado ao PT. Corrupção ativa e formação de quadrilha. Pena de 7 anos e 11 meses
Valdemar Costa Neto, deputado federal (PR). Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pena de 7 anos e 10 meses.
Roberto Jefferson, ex-deputado (PTB). Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pena de 7 anos e 14 dias.
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Corrupção ativa e formação de quadrilha. Pena: 6 anos e 8 meses.
João Paulo Cunha, deputado federal (PP). Crimes: Corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Pena: 6 anos e 4 meses
—-E o Brasil? Especificamente em relação ao Brasil, pode-se estabelecer a existência de três fases desde a implantação do RMI em 1999. Nos seis primeiros anos de sua adoção (1999-2004), o BC do Brasil (BCB) teve dificuldades no cumprimento das metas, a despeito das altas taxas de juros, sendo o principal responsável a forte desvalorização cambial. No período 2005-2009 (à exceção de 2008), as metas foram cumpridas com maior facilidade, favorecidas pelos efeitos positivos da apreciação cambial sobre os preços domésticos. Já no período 2010-2014 a taxa de inflação aumentou, ficando perto do teto da meta. Além da elevação nos preços de alimentos e bebidas, devido ao crescimento do mercado interno e dos preços elevados das commodities, destaca-se o forte crescimento dos preços de serviços, que vem ocorrendo desde 2010, em decorrência de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhoria na distribuição de renda e redução do desemprego.
Alguns estudos empíricos sobre os efeitos da política de juros em um regime de metas de inflação no Brasil destacam a necessidade de se avaliar seriamente os efeitos reais da política monetária sobre produto e emprego. Neste sentido, Libânio (2010), ao avaliar empiricamente a relação entre politica monetária e desempenho econômico no Brasil durante o período 1999-2006, encontrou que a política monetária reage de forma pró-cíclica e assimétrica a flutuações na atividade econômica – muito “apertada” durante as recessões e não tão “frouxa” durante períodos de expansão. Tal padrão, portanto, gera um viés para baixo na demanda agregada, com efeitos reais negativos sobre o nível do produto. Nesta mesma direção, Modenesi (2008) apresenta evidências empíricas de que a formação da meta da taxa Selic é pautada por uma convenção pró-conservadorismo, com um comportamento assimétrico do BC. Ele eleva a taxa de juros mais fortemente por ocasião de aumento na taxa de crescimento ou no hiato inflacionário (diferença entre a inflação corrente e a meta inflacionária), e reduz pouco quando diminuem tais hiatos, i.e., quando a economia desacelera ou a inflação diminui.
Deste modo, tais estudos mostram que o RMI na forma em que é operado no Brasil tem resultado frequentemente em efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país, contribuindo para a economia crescer abaixo do seu potencial.
Quais lições podemos tirar? Da análise acima, pode-se extrair seis lições importantes. Em primeiro lugar, o Brasil é um dos poucos países que apresenta uma meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. A implicação mais imediata é que face a choques de oferta (agrícola, petróleo, etc.), o Banco Central tem que responder imediatamente a tais choques, tendo em vista a prevalência de um horizonte curto para cumprimento da meta. Ademais, ao contrário do Brasil, um número crescente de países adota concomitantemente outros objetivos para a política monetária, como bem-estar econômico, baixo desemprego e estabilidade financeira.
Em segundo lugar, os estudos empíricos, de modo geral, não são conclusivos em encontrar evidências de que os países emergentes que adotam o RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em comparação aos países que não adotam. Este resultado levanta a discussão a respeito de quais regimes de política econômica são mais adequados para sustentar um crescimento econômico robusto compatível com a estabilidade de preços.
Em terceiro lugar, países emergentes enfrentam desafios específicos para colocar em funcionamento o RMI, relacionados ao maior repasse cambial sobre preços domésticos, à dificuldade de previsão da inflação e, de modo geral, à maior amplitude de obrigações em moeda estrangeira.
Em quarto lugar, estudos empíricos, ao avaliarem os efeitos da política monetária no Brasil sobre produto e emprego, encontram evidências de que o RMI – na forma em que é operado no Brasil – tem efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país.
Em quinto lugar, observa-se que o fato da taxa de inflação no Brasil estar acima da média dos países que adotam este regime, decorre em parte da tendência ao longo dos últimos anos de elevação do salário real e melhoria na distribuição de renda, ou seja, decorrem de um fenômeno estrutural.
Por fim, a estabilidade de preços, necessária para evitar uma deterioração do poder de compra do trabalhador, deve ser obtida com uma política ampla de combate à inflação, incluindo política de rendas (definição de regras de salário mínimo, negociação salarial em geral, etc.), revisão dos resquícios de indexação da economia, redefinição de regras de reajustes de preços administrados, como planos de saúde, que estimulem a redução de custos, etc.
Neste sentido, é fundamental uma boa coordenação da política econômica e uma melhoria na governança da política macroeconômica, incluindo o estabelecimento de um horizonte maior de cumprimento da meta inflacionária, para além do ano calendário, de modo a permitir acomodar melhor choques de oferta. Além da necessidade de compatibilizar o objetivo de estabilidade de preços com outros objetivos de política (crescimento, estabilidade de preços, melhor desempenho da balança comercial, etc.), deve-se utilizar instrumentos mais amplos de combate a inflação, que não seja somente a politica monetária.
Em conclusão, já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta e dos mandatos públicos a que deve se submeter o Banco Central.
Já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta.
12/05/2015 – Copyleft—Carta Maior – O Portal da Esquerda—-Luiz Fernando de Paula* e Paulo José Saraiva**
Créditos da foto: EBC
Atualmente, 27 países desenvolvidos e emergentes adotam o regime de metas de inflação (RMI), ou alguma variante deste modelo. Este regime é visto como um “estado das artes” do que é conhecido como Novo Consenso Macroeconômico (NCM) entre os economistas da visão ortodoxa (“mainstream”). A ideia da existência de um NCM foi (auto)atribuída pelos proponentes do regime de metas de inflação, embora seja questionada por economistas heterodoxos. Após a crise de 2007-2008, foi parcialmente revisto pelos mesmos economistas ortodoxos defensores do RMI, apesar de nenhuma mudança substancial ter sido proposta.
O Brasil aderiu ao RMI no ano de 1999, na sequência do fim da âncora cambial do Plano Real. Contudo, a gestão do RMI pelo Banco Central – em parte em função de um passado de alta inflação – ainda se inspira na visão do “novo consenso” que antecede à crise recente, o que tem frequentemente levado a uma política de juros exageradamente altos, com impactos negativos sobre o crescimento econômico.
Esta política provoca um desperdício da produção atual (PIB) em relação ao potencial de crescimento da economia e se faz às custas de elevação da dívida pública (em relação ao PIB), tendo impacto distributivo favorável aos portadores de títulos da dívida pública e gerando enorme pressão para elevação de superávits fiscais primários, ou seja, antes do pagamento dos serviços financeiros crescentes da dívida pública. A configuração de uma política macroeconômica que compatibilize crescimento econômico com estabilidade de preços e estabilidade financeira requer uma coordenação maior de política econômica, incluindo, além da política monetária, política fiscal, política cambial e política de rendas. Nosso foco aqui, contudo, é a política monetária.
O Novo Consenso Macroeconômico O NCM estabelece que uma taxa de inflação baixa e estável é condição sine qua non para o crescimento de longo prazo, uma vez que é suposta a inexistência de uma contradição (ou trade-off, no jargão dos economistas) de longo prazo entre a inflação e o desemprego, ou seja, a suposição de que a economia caminha para um nível de produção predeterminado. A curto prazo, contudo, a redução da inflação exigiria aumentar a taxa de desemprego na economia.
Outra característica desta visão é que a discricionariedade na condução da política monetária deve ser limitada por regras. Não obstante, deve haver alguma flexibilidade para acomodar os choques de oferta que elevam a inflação independentemente da variação do nível de renda e emprego.
A fundamentação teórica do NCM está relacionada a junção de diversos elementos teóricos e empíricos oriundos dos desenvolvimentos de escolas de pensamento econômico liberal – por exemplo, a moeda é neutra no longo prazo (somente fatores reais, tais como produtividade, tecnologia, afetam a economia no longo prazo); existe uma taxa natural de desemprego que não é manipulável por politica econômica, etc. – mas assumindo-se (a partir de ampla pesquisa empírica) a existência de rigidez de preços de salários suficientemente significativa para permitir que a demanda agregada tenha relevância na condução da atividade econômica de curto prazo.
Assim, o NCM é a nova síntese da teoria macroeconômica convencional, de modo similar a “síntese neoclássica” dos anos 1950 (junção da teoria clássica com a keynesiana). Contudo, a política monetária, ao invés da fiscal, torna-se o principal instrumento de política econômica, sendo que as demais políticas (fiscal, cambial, financeira, etc.) tornam-se subordinadas aos objetivos de estabilização do produto e principalmente da inflação. Mishkin (2011, p.3) sintetiza os princípios do NCM, incluindo, entre outros, o seguinte: a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário; a estabilidade de preços tem importantes benefícios para a economia; expectativas desempenham um papel crucial na determinação da inflação; taxa real de juros precisa aumentar com maior inflação (vale a chamada “regra de Taylor”); banco central independente ajuda a aprimorar a eficiência da política monetária.
Partindo destas hipóteses, o RMI seria o melhor arranjo institucional para conduzir a política econômica, dado o objetivo de uma taxa de inflação baixa e estável (em torno de 2% nos países centrais), além de minimizar as flutuações do produto. Tal regime permitiria uma “discricionariedade restrita” na condução da política monetária, ao combinar alguma flexibilidade com credibilidade de maneira ótima, permitindo assim que o banco central (BC) reaja à ocorrência de recessões não previstas por meio de mudanças na taxa de juros de curto prazo, reduzindo as flutuações do produto em torno de sua tendência de longo prazo.
Adicionalmente, a implantação de um RMI reduz os graus de liberdade de atuação de um banco central para produzir surpresas inflacionárias que visem explorar o trade-off entre inflação e desemprego no curto prazo e amarra assim a política monetária ao objetivo central de estabilidade de preços. Deste modo, a defesa de um Banco Central Independente é justificada como necessária para ancorar as expectativas dos agentes, tidas como relevantes para a inflação. Nesta perspectiva, cabe avaliar os diferentes formatos do RMI e sua eficácia em termos de sustentação a um maior crescimento econômico e a uma inflação menor.
O Regime de metas de inflação O RMI, implementado em vários países a partir da década 1990, tem como ponto de partida dois pressupostos. O primeiro está relacionado ao insucesso de outras estratégias de âncoras nominais visando o controle da taxa de inflação, tais como as metas de taxa de câmbio e metas monetárias.
O segundo é que a política monetária é inócua para afetar as variáveis reais da economia (produto e emprego) de forma duradoura. Assim, a adoção de um RMI tem como característica o reconhecimento explícito de que o objetivo principal da política econômica e particularmente do BC é a manutenção de uma taxa de inflação baixa e estável.
Em versões mais flexíveis do regime de metas, o objetivo de estabilidade de preços pode ser acompanhado pelo compromisso de manter a estabilização do produto corrente em níveis próximos da taxa potencial de crescimento, mas somente naquelas condições em que a estabilidade de preços não seja violada. De fato, em muitos países a lei que rege o BC estabelece, como objetivo subsidiário, que o BC dará suporte à prosperidade econômica e ao bem-estar social, de modo geral. Por exemplo, o BC da Austrália tem um duplo mandato – estabilidade de preços e emprego -, enquanto que o BC do Canadá tem como objetivo promover o bem-estar econômico e financeiro do país. Ademais, observa-se que a partir da crise financeira de 2007 vários BCs, incluindo o Banco da Inglaterra, passaram a incluir a estabilidade financeira entre seus objetivos.
Na maioria dos países que adotam o RMI (15 em 27, incluindo o Brasil) a meta de inflação é estabelecida conjuntamente pelo governo e o BC, seguido de 9 países no qual o BC define a meta (neste caso a maioria está na América Latina e na Europa do Leste), sendo que em apenas três países (África do Sul, Noruega e Reino Unido) cabe ao governo esta tarefa. Quanto à definição do horizonte da meta – período no qual o BC é esperado alcançar sua meta de inflação -, a maioria dos países utiliza um prazo médio (dois anos ou mais ou então um período móvel) que permite divergências de curto prazo entre a meta e os choques que afetam a economia, já que choques não previsíveis têm efeitos defasados na economia. Deve ser destacado que o Brasil, neste particular, é um dos poucos países que utilizam a meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. Na tabela 1 esta discussão é sintetizada.
Tabela 1: Características do Regime de Metas de Inflação
Fonte: Elaboração própria, com base em fontes diversas—-Nota: BC = banco central; G = governo; IPC = índice de preços ao consumidor; P T=Ponto com banda de tolerância; pp = ponto percentual; Médio prazo = horizonte de meta de dois ou mais anos (exceção da República Tcheca que é de 18 meses); e DE = país desenvolvido; EME = país emergente
Existe um grande número de estudos que comparam a performance de países que adotam o RMI com países que não o adotam. Os estudos empíricos, de modo geral, não corroboram a conclusão que países emergentes que adotam RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em relação aos países que não adotam. É importante ressaltar que essa evidência está relacionada à ocorrência de problemas econômicos específicos inerentes aos países emergentes.
De fato, os países emergentes – como o Brasil – enfrentam desafios específicos ao adotar o RMI, levando em conta que: (i) tais economias têm um repasse cambial (impacto da variação do câmbio sobre os preços domésticos) maior do que as economias desenvolvidas, uma vez que nessas economias a renda das famílias tem um proporção maior de bens comercializáveis internacionalmente (e menos serviços) na cesta de consumo das famílias; (ii) a maior dificuldade na previsão da inflação, uma vez que os choques são maiores e têm efeito mais forte nessas economias; e (iii) parte de seus passivos (grandes empresas, governos, etc.) são denominados em moeda externa, criando um problema de “medo de flutuar” em relação à taxa de câmbio, em função dos impactos deletérios da desvalorização cambial abrupta sobre dívidas.
E o Brasil? Especificamente em relação ao Brasil, pode-se estabelecer a existência de três fases desde a implantação do RMI em 1999. Nos seis primeiros anos de sua adoção (1999-2004), o BC do Brasil (BCB) teve dificuldades no cumprimento das metas, a despeito das altas taxas de juros, sendo o principal responsável a forte desvalorização cambial. No período 2005-2009 (à exceção de 2008), as metas foram cumpridas com maior facilidade, favorecidas pelos efeitos positivos da apreciação cambial sobre os preços domésticos. Já no período 2010-2014 a taxa de inflação aumentou, ficando perto do teto da meta. Além da elevação nos preços de alimentos e bebidas, devido ao crescimento do mercado interno e dos preços elevados das commodities, destaca-se o forte crescimento dos preços de serviços, que vem ocorrendo desde 2010, em decorrência de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhoria na distribuição de renda e redução do desemprego.
Alguns estudos empíricos sobre os efeitos da política de juros em um regime de metas de inflação no Brasil destacam a necessidade de se avaliar seriamente os efeitos reais da política monetária sobre produto e emprego. Neste sentido, Libânio (2010), ao avaliar empiricamente a relação entre politica monetária e desempenho econômico no Brasil durante o período 1999-2006, encontrou que a política monetária reage de forma pró-cíclica e assimétrica a flutuações na atividade econômica – muito “apertada” durante as recessões e não tão “frouxa” durante períodos de expansão. Tal padrão, portanto, gera um viés para baixo na demanda agregada, com efeitos reais negativos sobre o nível do produto.
Nesta mesma direção, Modenesi (2008) apresenta evidências empíricas de que a formação da meta da taxa Selic é pautada por uma convenção pró-conservadorismo, com um comportamento assimétrico do BC. Ele eleva a taxa de juros mais fortemente por ocasião de aumento na taxa de crescimento ou no hiato inflacionário (diferença entre a inflação corrente e a meta inflacionária), e reduz pouco quando diminuem tais hiatos, i.e., quando a economia desacelera ou a inflação diminui.
Deste modo, tais estudos mostram que o RMI na forma em que é operado no Brasil tem resultado frequentemente em efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país, contribuindo para a economia crescer abaixo do seu potencial.
Quais lições podemos tirar? Da análise acima, pode-se extrair seis lições importantes. Em primeiro lugar, o Brasil é um dos poucos países que apresenta uma meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. A implicação mais imediata é que face a choques de oferta (agrícola, petróleo, etc.), o Banco Central tem que responder imediatamente a tais choques, tendo em vista a prevalência de um horizonte curto para cumprimento da meta. Ademais, ao contrário do Brasil, um número crescente de países adota concomitantemente outros objetivos para a política monetária, como bem-estar econômico, baixo desemprego e estabilidade financeira.
Em segundo lugar, os estudos empíricos, de modo geral, não são conclusivos em encontrar evidências de que os países emergentes que adotam o RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em comparação aos países que não adotam. Este resultado levanta a discussão a respeito de quais regimes de política econômica são mais adequados para sustentar um crescimento econômico robusto compatível com a estabilidade de preços.
Em terceiro lugar, países emergentes enfrentam desafios específicos para colocar em funcionamento o RMI, relacionados ao maior repasse cambial sobre preços domésticos, à dificuldade de previsão da inflação e, de modo geral, à maior amplitude de obrigações em moeda estrangeira.
Em quarto lugar, estudos empíricos, ao avaliarem os efeitos da política monetária no Brasil sobre produto e emprego, encontram evidências de que o RMI – na forma em que é operado no Brasil – tem efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país.
Em quinto lugar, observa-se que o fato da taxa de inflação no Brasil estar acima da média dos países que adotam este regime, decorre em parte da tendência ao longo dos últimos anos de elevação do salário real e melhoria na distribuição de renda, ou seja, decorrem de um fenômeno estrutural.
Por fim, a estabilidade de preços, necessária para evitar uma deterioração do poder de compra do trabalhador, deve ser obtida com uma política ampla de combate à inflação, incluindo política de rendas (definição de regras de salário mínimo, negociação salarial em geral, etc.), revisão dos resquícios de indexação da economia, redefinição de regras de reajustes de preços administrados, como planos de saúde, que estimulem a redução de custos, etc.
Neste sentido, é fundamental uma boa coordenação da política econômica e uma melhoria na governança da política macroeconômica, incluindo o estabelecimento de um horizonte maior de cumprimento da meta inflacionária, para além do ano calendário, de modo a permitir acomodar melhor choques de oferta. Além da necessidade de compatibilizar o objetivo de estabilidade de preços com outros objetivos de política (crescimento, estabilidade de preços, melhor desempenho da balança comercial, etc.), deve-se utilizar instrumentos mais amplos de combate a inflação, que não seja somente a politica monetária.
Em conclusão, já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta e dos mandatos públicos a que deve se submeter o Banco Central.
* Professor Titular de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Pesquisador do CNPq. E-mail: [email protected] ** Professor Assistente do Instituto Três Rios da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). E-mail: [email protected]
Bibliografia Libânio, G. (2010). “A note on inflation targeting and economic growth in Brazil”. Revista de Economia Política, vol. 30, nº 1, pp. 73-88. Mishkin, F.S. (2011). “Monetary policy strategy: Lessons from the crisis”. NBER Working Paper n. 16755, fevereiro. Modenesi, A.M. (2008). “Convenção e rigidez na política monetária: uma estimativa da função de reação do BCB–2000-2007”. Texto para Discussão IPEA n. 1351, agosto.
O polo pré-sal da Bacia de Santos recebeu mais um navio-plataforma. O FPSO Cidade de Maricá deixou, no sábado passado (19/12), o estaleiro Brasa, em Niterói (RJ), e chegou à locação no campo de Lula (área de Lula Alto), nesta sexta-feira (25/12). O Cidade de Maricá será o quinto FPSO a produzir no campo de Lula. Com capacidade de produzir até 150 mil barris de óleo por dia (bpd) e comprimir até 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, a previsão é que a plataforma entre em produção no primeiro trimestre de 2016. Apenas considerando os quatro FPSOs já em operação, o campo de Lula já é o maior produtor nacional de petróleo e de gás natural.
Instalado a 250 km do litoral do Rio de Janeiro, em área com profundidade de água aproximada de 2.120 metros, o Cidade de Maricá terá agora as suas linhas de ancoragem instaladas e, depois disto, será conectado a dez poços produtores e sete poços injetores. O gás natural será exportado para a costa por meio de um gasoduto submarino. A unidade tem, ainda, capacidade de armazenamento de 1,6 milhão de barris de óleo e de injeção de 200 mil barris de água por dia.
O navio-plataforma estava desde julho deste ano no estaleiro Brasa para conclusão das operações de içamento e integração final de módulos e comissionamento. Além da obra de integração, o estaleiro também foi responsável pela fabricação de seis módulos do FPSO (Floating Production Storage and Offloading), sigla em inglês que identifica uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. Trata-se de um navio-plataforma com capacidade para separar o óleo do gás e da água durante o processo de produção, armazená-lo nos tanques de carga para, finalmente, transferi-lo para navios petroleiros, que serão os responsáveis pelo seu transporte.
A área de Lula está localizada no bloco BM-S-11, que é desenvolvido pelo consórcio na qual somos a operadora com participação de 65%. As outras parceiras são a BG E&P Brasil Ltda (25%) e Petrogal Brasil SA (10%).
Dados técnicos do FPSO Cidade de Maricá:
· Capacidade de processamento de petróleo: 150 mil barris/dia · Capacidade de tratamento e compressão de gás: 6 milhões m³/dia · Capacidade de tratamento de água de injeção: 200 mil barris/dia · Capacidade de armazenamento: 1,6 milhão de barris de óleo · Profundidade de água: 2.120 metros · Comprimento Total: 346,5 metros · Boca: 58 metros · Pontal (altura): 32,6 metros
– Operador da FPSO : Um consórcio liderado pela “famosa” SBM ( 56 % ), Mitsubishi Corp ( 20%), Nippon Yusen (NYKK – 19% ) e Queiroz Galvão ( 5 % )
– Data da solicitação de intenção: 22/03/2013 – data da contratação: 12/07/2013 ( duas FPSO, a ” Maricá ” e a “Saquarema” ).
– Navio – VLCC – originario : ” Eli Maersk ” , lançado em 2000 pela Hyunday .
– Bandeira e porto de registro do ” Cidade de Maricá ” : Bahamas/ Nassau.
– Valor total deste contrato/ Maricá : US$ 1,45 Bilhão ( “Saqua ” : US$ 1,55 Bilhão )
Agora vem o interessante, algo para nossos excelsos vestais procuradores, aprenderem como a ” banda toca” :
A armadora/operadora principal ( 56%) é a SBM Offshore, envolvida até o pescoço na “Lava Jato/ Car Wash” no Brasil, e tambem em varias operações “heterodoxas” pelo mundo inteiro, processada na Holanda, Estados Unidos, Nigéria, Indonésia, Brasil, portanto na visão estreita dos “vestais de Curitiba”, uma empresa no minimo bandida, que não merece crédito em qualquer lugar do mundo, ainda mais se este for subsidiado, ela que vá a falência.
Mas o mundo capitalista opera na realidade, onde vestais terceiro mundistas não contam, “autos de fé ” de nada valem, basta um ato de contrição, pedir perdão, rapidamente pagar uma multa, e “bola pra frente”, afinal ninguem quer perder negócios e dinheiro, alem de empregos, portanto :
Um negócio deste porte, as duas FPSO somam US$ 3,0 Bilhões em financiamentos, acordados com mais de 15 bancos internacionais, e a – de acordo com os “torquemadinhas de Curitiba – a “bandida e corruptora” SBM Offshore NV, para movimentar estas FPSOs da China para entrega-las no Brasil, necessitaria de “seguros de crédito ” ( banco não quer perder nunca ), e com quem a SBM conseguiu tais seguros :
Simples, com agencias estatais de exportação, o ATRIDUS ( Holanda ), NEXI ( Japão ), UKEF ( Inglaterra ), SACE (Itália ) e 350 M/US$ com seguradoras privadas ( maioria arabes ), e quando conseguiu :
Após todos os escandalos, incluindo a “Lava Jato”, em 27/07/2015.
“As vendas de natal nos shoppings tiveram queda de 1% em 2015, descontada a inflação do período, o pior resultado nos últimos dez anos”.
Queda real de 1%, pior resultado em 10 anos!
Apesar de toda a narrativa alarmista de nossa brava imprensa, apesar das afirmações de que o fim do mundo está na esquina, queda de 1% em valores atualizados. Um resultado que indica estabilidade ou, com muito mau humor, uma leve tendência negativa.
E, registre-se mais uma vez, esse foi o pior resultado em 10 anos! Uma leve queda de 1% foi o pior resultado em 10 anos…
Isso sem ponderar os 26% de crescimento de vendas pela internet, que certamente tiraram algum resultado dos shoppings.
E eu, me sentindo um ET no meio dos meus colegas, que me imputam a culpa pela gravíssima crise econômica no Brasil por ter votado em Lula e Dilma.
Vou continuar a ouvir suas imprecações com um sorriso no rosto!
Webster Franklin
26 de dezembro de 2015 5:17 amVendas na web sobem 26%, apesar da crise. Apesar da crise?
Do Tijolaço
Vendas na web sobem 26%, apesar da crise. Apesar da crise?
Por Fernando Brito · 25/12/2015
É preciso muito cuidado na hora de olhar estas notícias sobre vendas catastróficas no Natal.
Claro que caiu e este é o “furo” da fórmula recessiva de ajuste fiscal adotada por Joaquim Levy.
Mas deve-se observar, também, a mudança de hábitos.
As compras via web tomaram boa parte do mercado das vendas presenciais,
A Reuters registra que as vendas de final de ano pela internet(Natal + Black Friday), com base no serviço Ebit/Buscapé, cresceram 26% em relação ao ano passado.
De R$ 5,85 bilhões para R$ 7,4 bilhões.
O valor médio das compras também cresceu, 8%, para R$ 420.
Os 17,6 milhões de pedidos feitos via internet certamente são parte da perda estimada de 5% nas vendas presenciais.
Os hotéis no Rio de Janeiro estão “bombando”, seja porque o realismo cambial tenha beneficiado a chegada de estrangeiros, seja porque a mesma cotação da moeda está mantendo no país os turistas brasileiros.
Mas a crise vai servindo de “muleta” para uma certa prostração empresarial.
Ontem, no Estadão, um empresário dono de uma rede de franquias e de marcas de calçado esportivos falou que era hora de parar com o chororô sobre impostos e se tornar mais eficiente e adequado ao mercado.
Mas o clima, estimulado pela mídia, é sempre o de nariz torcido.
A própria notícia que dou é um exemplo. A chamada da homepage do Estadão é “Apesar de também estar sendo afetado pela crise, o varejo eletrônico tem crescido mais que o físico”.
Jesus, 26% de crescimento, mais que as expectativas do setor , e não se livram do “apesar da crise”!
http://tijolaco.com.br/blog/32897-2/
Webster Franklin
26 de dezembro de 2015 5:25 amSe o saber é rei, viva o trono de estudar. Veja o clipe.
Do Tijolaço
Se o saber é rei, viva o trono de estudar. Veja o clipe.
Por Fernando Brito · 25/12/2015
Bacanérrimo o vídeo gravado por diversos artistas – inclusive o Chico Buarque, e antes das confusões – em apoio aos estudantes paulistas que não aceitam o fechamento de quase duzentas escolas no Estado.
Foi lançado um manifesto, que reproduzo abaixo do video , e que pode ser subscrito aqui:
[video:https://youtu.be/14NqOdRY_Ls%5D
Em 2015, mais de 200 escolas no estado de São Paulo foram ocupadas pelos estudantes secundaristas contra a reorganização proposta pelo governo do estado, que levaria ao fechamento de 94 escolas da rede pública.
Depois de mais de 1 mês de resistência, inúmeras atividades dentro das escolas, uma Virada Ocupação e muita, muita mobilização por parte dos estudantes, o governo voltou atrás e suspendeu a reorganização, prometendo novas discussões para o ano que vem.
2016 promete ser um ano de debates sobre como melhorar a qualidade da educação no estado e, principalmente, como fazer da comunidade escolar protagonista deste processo.
Estamos formando uma rede de pessoas que querem continuar apoiando o movimento dos secundaristas no ano que vem. E você, vem com a gente?
http://tijolaco.com.br/blog/se-o-saber-e-rei-viva-o-trono-de-estudar/
Webster Franklin
26 de dezembro de 2015 5:36 amMoreira Franco: uma ponte para o passado
Tijolaço
Moreira Franco: uma ponte para o passado
Por Fernando Brito · 25/12/2015
Hoje, em O Globo, há uma reportagem de Fernanda Krakovics sobre Moreira Franco, o principal parceiro de Michel Temer na aventura de fazer o PMDB embarcar no golpe de Estado.
Talvez bastasse o primeiro parágrafo para descrever o personagem:
“Ele já foi chamado de “gato angorá” por Leonel Brizola, e recebeu o apelido de “anjo mau” no governo Fernando Henrique Cardoso. Agora o ex-ministro Moreira Franco é apontado pela ala anti-impeachment do PMDB como o mentor de cada ameaça de desembarque do partido do governo Dilma Rousseff ou subida de tom do vice-presidente Michel Temer, de quem é próximo.”
Mas não basta. Para nós, cariocas e fluminenses, infelizmente, mesmo neste dia de perdão e tolerância, não é fácil calar diante deste personagem.
Este cidadão é, para nós, uma figura nefanda, uma praga que assolou nosso Estado.
Não é apenas, como descrito na matéria, o fato de ter – acreditem, foi esse o nível de demagogia para que se elegesse, além do clima farsesco do Plano Cruzado – prometido acabar com a violência em seis meses, promessa que só poeria sair da boca de um calhorda.
Moreira fez mais. Abandonou e fechou as escolas generosas de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, os Cieps, espancou professores diante do Palácio Guanabara, destruiu as empresas públicas e uma série de barbaridades que fizeram com que ele seja, hoje, no Rio de Janeiro, um homem detestado.
O tal “Ponte para o Futuro”, documento que é uma “oferta do golpismo ao mercado”, só de vir de suas mãos mereceria o nome de “Uma Ponte para o Passado”, ou para o pântano.
Portanto, em nome do direito a que todos se informem, reproduzo um caso, lembrado pela Istoé, mas convenientemente esquecido pela imprensa, que ficou tristemente famoso como exemplo do perfil dos acompanhantes do então Governador no Palácio Guanabara.
Moreira é, a mim e a muitos, uma figura tão repugnante que posso afirmar, sem medo de errar, que foi um dos maiores atos de tolerância aceitar que ele pudesse estar enganchado, com cargos e rapapés, num governo progressista.
http://tijolaco.com.br/blog/moreira-franco-uma-ponte-para-o-passado/
antonio francisco
26 de dezembro de 2015 7:31 amE muitos cargos para agraciá-lo, não?
No governo Dilma-Temer Moreira Franco foi:
1 – Vice-presidente da Caixa Econômica Federal;
2 – Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República;
3 – Ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil do Brasil
4 – Participou de pelo menos 6 missões oficiais no exterior, inclusive na Rússia, na II Reunião Internacional de Altos Representantes nas Questões de Segurança.
E olhe que esta lista se encontra na Wikipedia,
https://pt.wikipedia.org/wiki/Moreira_Franco#Miss.C3.B5es_Oficiais
que – como se sabe – só publica o que pode ser confirmado por outras fontes escritas.
Gilberto Cruvinel
26 de dezembro de 2015 9:26 amLicitação de postes de luz
Segundo o jornalista Jânio de Freitas, Moreira Franco, quando governador do Rio, roubava até em licitação de postes de luz.
antonio francisco
26 de dezembro de 2015 7:12 amMuito ouro na jazida de Tucano, Amapá
Notícia do blog de Alcinéa Cavalcante:
A Beadell Resources recebeu, na última sexta-feira (18), novos resultados de sondagem de diferentes áreas da mina de ouro Tucano, em Pedra Branca do Amapari (AP).
No alvo Urucum Undergound, que faz parte de Tucano, a companhia australiana confirmou a continuidade de altos teores de ouro no veio central da mina.
A mina de ouro Tucano foi adquirida pela Beadell Resources em 2010 e cobre aproximadamente 2.500 km2.
Em dezembro de 2012, a Beadell concluiu a construção da planta CIL de ouro de 3,5 milhões de toneladas de por ano (atualmente operando a 4,3 milhões de toneladas por ano) e iniciou a produção de ouro. A mina de ouro Tucano é atualmente a terceira maior produtora de ouro no Brasil.A produção de ouro em Tucano foi de aproximadamente 154.000 onças em 2014 oriundas de cavas abertas otimizadas contendo 1,3 milhão de onças de ouro. Tucano tem aproximadamente 5,0 milhões de onças de ouro em reservas.
http://www.alcinea.com/geral/alto-teor-de-ouro-em-pedra-branca-do-amapari
Foto na página da empresa australiana Beadell, que explora jazidas de ouro e ferro no Amapá
http://gemasdobrasil.blogspot.com.br/2015/07/a-beadell-resources-e-uma-mineradora.html
antonio francisco
26 de dezembro de 2015 7:54 amMédico financiava a produção de pornografia infantil
PF prende médico em MG por financiar a produção de pornografia infantil
Belo Horizonte/MG – A Polícia Federal deflagrou, na manhã de hoje, 21, a operação Mr. Hyde*, que resultou na prisão de um médico de Uberaba/MG, suspeito de compartilhar e financiar a produção de material de pornografia infantil.
Em 2012, quando ainda era estudante de medicina, o preso se associou a um australiano e uma filipina responsáveis pela produção de vídeos de crianças sendo abusadas e violentadas sexualmente. O médico brasileiro financiava os autores, recebendo os vídeos e fotos em contrapartida. Ele também os ensinou a obter remédios para dopar as vítimas antes dos abusos.
As imagens e vídeos eram compartilhados na chamada deep web ou dark web, uma parte da internet que só pode ser acessada com a utilização de softwares específicos, que permitem a navegação de forma pretensamente anônima.
O australiano foi preso em fevereiro deste ano pela polícia filipina, que contou com a ajuda da Polícia Federal Australiana e da Polícia Nacional da Holanda.
Até ser preso, o médico atendia regularmente em uma Unidade de Pronto Atendimento de Uberaba/MG. Ele deve responder pelo armazenamento e publicação de pornografia infantil, bem como pelo financiamento de organização criminosa internacional.
*O nome da operação faz referência à obra “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”, que no Brasil recebeu o título de “O médico e o monstro”. O programa de TV “60 minutes” da Austrália produziu uma reportagem sobre esse caso, que pode ser vista em http://bit.do/op-mr-hyde.
http://www.pf.gov.br/agencia/noticias/2015/12/pf-prende-medico-por-financiar-a-producao-de-pornografia-infantil-em-mg
Mário Mendonça
26 de dezembro de 2015 11:28 amNassif
E é assim que acontece
Nassif
E é assim que acontece a lavagem cerebral.
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1200936903268062&set=a.181771921851237.50919.100000552917624&type=3&theater
Paulo F.
26 de dezembro de 2015 12:34 pmindulto de Natal à José Dirceu
Da Ansa
Dirceu vai pedir à Justiça perdão de pena do mensalão
Defesa recorrerá ao STF para pedir indulto de Natal
(ANSA) – A defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo do mensalão e preso preventivamente há cinco meses na Operação Lava Jato, vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão do indulto de Natal a ele. Ontem, como tradicionalmente ocorre todos os anos, a presidente Dilma Rousseff publicou no Diário Oficial da União um decreto concedendo indulto natalino e comutação de penas.
A liberação precisa obedecer a vários critérios, como tempo da condenação do preso, prazo de pena já cumprido, se o crime é considerado de “grave ameaça ou violência a pessoa”, entre outros critérios. Previsto na Constituição, o benefício é uma atribuição exclusiva a ser concedida pelo presidente da República.
O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Dirceu, disse que o ex-ministro se encaixa nos pré-requisitos do decreto assinado pela presidente para ficar livre de cumprir o restante da pena sem qualquer tipo de restrição.
Mensalão
A defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, outro condenado pelo STF no mensalão, também esperava a edição do decreto de indulto para avaliar se vai requerer a concessão do benefício. O criminalista Marcelo Bessa, que defende o ex-deputado Valdemar Costa Neto (PR), disse que está em férias e só no seu retorno vai avaliar se o seu cliente pode ser beneficiado.
Os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB), João Paulo Cunha (PT) e Pedro Corrêa (PP), também condenados no mensalão, poderiam se encaixar nas regras do indulto, cujo texto é igual ao editado no ano passado por Dilma. O Estado não localizou seus advogados. Em março deste ano, o ex-presidente do PT José Genoino conseguiu ter a sua pena extinta com base no decreto de 2014.
Em agosto, antes de ser preso na Lava Jato, Dirceu cumpria pena em regime aberto pela sua condenação de sete anos e 11 meses no processo do mensalão. Ele fora detido pelo escândalo anterior em novembro de 2013.
A defesa do ex-ministro pretende alegar que Dirceu se incluiu nas regras previstas no decreto para receber o perdão da pena. “Entendo que ele tem direito e vou requerer no momento oportuno” disse o advogado José Luís de Oliveira Lima.
O ex-ministro, contudo, pode não garantir direito ao benefício por causa dos desdobramentos da Lava Jato. No mês seguinte à sua prisão, Dirceu virou réu após o Ministério Público Federal tê-lo denunciado à Justiça Federal de Curitiba (PR). Em outubro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF a suspensão do direito de Dirceu de cumprir a pena em regime domiciliar pelo mensalão e que voltasse ao regime fechado.
Se Dirceu for condenado pela Lava Jato, o ex-ministro corre o risco de ser questionado uma eventual concessão de indulto.
Regras
Pelo texto do decreto publicado ontem, poderá se enquadrar “um condenado a pena privativa de liberdade não superior a oito anos não substituída por restritivas de direitos ou por multa, e não beneficiadas com a suspensão condicional da pena que, até 25 de dezembro de 2015, tenham cumprido um terço da pena, se não reincidentes, ou metade, se reincidentes”. A pessoa poderá ter direito a perdão da pena mesmo se a condenada responder a outro processo criminal.
Políticos condenados pelo Supremo Tribunal Federal devido a envolvimento no escândalo do mensalão ainda cumprem penas:
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil filiado ao PT. Corrupção ativa e formação de quadrilha. Pena de 7 anos e 11 meses
Valdemar Costa Neto, deputado federal (PR). Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pena de 7 anos e 10 meses.
Roberto Jefferson, ex-deputado (PTB). Corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Pena de 7 anos e 14 dias.
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT. Corrupção ativa e formação de quadrilha. Pena: 6 anos e 8 meses.
João Paulo Cunha, deputado federal (PP). Crimes: Corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Pena: 6 anos e 4 meses
Fonte: Estadão Conteudo
Roberto São Paulo-SP 2015
26 de dezembro de 2015 12:45 pmRegime de Metas de Inflação (RMI)
—-E o Brasil?
Especificamente em relação ao Brasil, pode-se estabelecer a existência de três fases desde a implantação do RMI em 1999. Nos seis primeiros anos de sua adoção (1999-2004), o BC do Brasil (BCB) teve dificuldades no cumprimento das metas, a despeito das altas taxas de juros, sendo o principal responsável a forte desvalorização cambial. No período 2005-2009 (à exceção de 2008), as metas foram cumpridas com maior facilidade, favorecidas pelos efeitos positivos da apreciação cambial sobre os preços domésticos. Já no período 2010-2014 a taxa de inflação aumentou, ficando perto do teto da meta. Além da elevação nos preços de alimentos e bebidas, devido ao crescimento do mercado interno e dos preços elevados das commodities, destaca-se o forte crescimento dos preços de serviços, que vem ocorrendo desde 2010, em decorrência de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhoria na distribuição de renda e redução do desemprego.
Alguns estudos empíricos sobre os efeitos da política de juros em um regime de metas de inflação no Brasil destacam a necessidade de se avaliar seriamente os efeitos reais da política monetária sobre produto e emprego. Neste sentido, Libânio (2010), ao avaliar empiricamente a relação entre politica monetária e desempenho econômico no Brasil durante o período 1999-2006, encontrou que a política monetária reage de forma pró-cíclica e assimétrica a flutuações na atividade econômica – muito “apertada” durante as recessões e não tão “frouxa” durante períodos de expansão. Tal padrão, portanto, gera um viés para baixo na demanda agregada, com efeitos reais negativos sobre o nível do produto.
Nesta mesma direção, Modenesi (2008) apresenta evidências empíricas de que a formação da meta da taxa Selic é pautada por uma convenção pró-conservadorismo, com um comportamento assimétrico do BC. Ele eleva a taxa de juros mais fortemente por ocasião de aumento na taxa de crescimento ou no hiato inflacionário (diferença entre a inflação corrente e a meta inflacionária), e reduz pouco quando diminuem tais hiatos, i.e., quando a economia desacelera ou a inflação diminui.
Deste modo, tais estudos mostram que o RMI na forma em que é operado no Brasil tem resultado frequentemente em efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país, contribuindo para a economia crescer abaixo do seu potencial.
Quais lições podemos tirar?
Da análise acima, pode-se extrair seis lições importantes.
Em primeiro lugar, o Brasil é um dos poucos países que apresenta uma meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. A implicação mais imediata é que face a choques de oferta (agrícola, petróleo, etc.), o Banco Central tem que responder imediatamente a tais choques, tendo em vista a prevalência de um horizonte curto para cumprimento da meta. Ademais, ao contrário do Brasil, um número crescente de países adota concomitantemente outros objetivos para a política monetária, como bem-estar econômico, baixo desemprego e estabilidade financeira.
Em segundo lugar, os estudos empíricos, de modo geral, não são conclusivos em encontrar evidências de que os países emergentes que adotam o RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em comparação aos países que não adotam. Este resultado levanta a discussão a respeito de quais regimes de política econômica são mais adequados para sustentar um crescimento econômico robusto compatível com a estabilidade de preços.
Em terceiro lugar, países emergentes enfrentam desafios específicos para colocar em funcionamento o RMI, relacionados ao maior repasse cambial sobre preços domésticos, à dificuldade de previsão da inflação e, de modo geral, à maior amplitude de obrigações em moeda estrangeira.
Em quarto lugar, estudos empíricos, ao avaliarem os efeitos da política monetária no Brasil sobre produto e emprego, encontram evidências de que o RMI – na forma em que é operado no Brasil – tem efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país.
Em quinto lugar, observa-se que o fato da taxa de inflação no Brasil estar acima da média dos países que adotam este regime, decorre em parte da tendência ao longo dos últimos anos de elevação do salário real e melhoria na distribuição de renda, ou seja, decorrem de um fenômeno estrutural.
Por fim, a estabilidade de preços, necessária para evitar uma deterioração do poder de compra do trabalhador, deve ser obtida com uma política ampla de combate à inflação, incluindo política de rendas (definição de regras de salário mínimo, negociação salarial em geral, etc.), revisão dos resquícios de indexação da economia, redefinição de regras de reajustes de preços administrados, como planos de saúde, que estimulem a redução de custos, etc.
Neste sentido, é fundamental uma boa coordenação da política econômica e uma melhoria na governança da política macroeconômica, incluindo o estabelecimento de um horizonte maior de cumprimento da meta inflacionária, para além do ano calendário, de modo a permitir acomodar melhor choques de oferta. Além da necessidade de compatibilizar o objetivo de estabilidade de preços com outros objetivos de política (crescimento, estabilidade de preços, melhor desempenho da balança comercial, etc.), deve-se utilizar instrumentos mais amplos de combate a inflação, que não seja somente a politica monetária.
Em conclusão, já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta e dos mandatos públicos a que deve se submeter o Banco Central.
O Regime de Metas de Inflação no Brasil: o que pode ser mudado?
Já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta.
12/05/2015 – Copyleft—Carta Maior – O Portal da Esquerda—-Luiz Fernando de Paula* e Paulo José Saraiva**
Créditos da foto: EBC
Atualmente, 27 países desenvolvidos e emergentes adotam o regime de metas de inflação (RMI), ou alguma variante deste modelo. Este regime é visto como um “estado das artes” do que é conhecido como Novo Consenso Macroeconômico (NCM) entre os economistas da visão ortodoxa (“mainstream”). A ideia da existência de um NCM foi (auto)atribuída pelos proponentes do regime de metas de inflação, embora seja questionada por economistas heterodoxos. Após a crise de 2007-2008, foi parcialmente revisto pelos mesmos economistas ortodoxos defensores do RMI, apesar de nenhuma mudança substancial ter sido proposta.
O Brasil aderiu ao RMI no ano de 1999, na sequência do fim da âncora cambial do Plano Real. Contudo, a gestão do RMI pelo Banco Central – em parte em função de um passado de alta inflação – ainda se inspira na visão do “novo consenso” que antecede à crise recente, o que tem frequentemente levado a uma política de juros exageradamente altos, com impactos negativos sobre o crescimento econômico.
Esta política provoca um desperdício da produção atual (PIB) em relação ao potencial de crescimento da economia e se faz às custas de elevação da dívida pública (em relação ao PIB), tendo impacto distributivo favorável aos portadores de títulos da dívida pública e gerando enorme pressão para elevação de superávits fiscais primários, ou seja, antes do pagamento dos serviços financeiros crescentes da dívida pública. A configuração de uma política macroeconômica que compatibilize crescimento econômico com estabilidade de preços e estabilidade financeira requer uma coordenação maior de política econômica, incluindo, além da política monetária, política fiscal, política cambial e política de rendas. Nosso foco aqui, contudo, é a política monetária.
O Novo Consenso Macroeconômico
O NCM estabelece que uma taxa de inflação baixa e estável é condição sine qua non para o crescimento de longo prazo, uma vez que é suposta a inexistência de uma contradição (ou trade-off, no jargão dos economistas) de longo prazo entre a inflação e o desemprego, ou seja, a suposição de que a economia caminha para um nível de produção predeterminado. A curto prazo, contudo, a redução da inflação exigiria aumentar a taxa de desemprego na economia.
Outra característica desta visão é que a discricionariedade na condução da política monetária deve ser limitada por regras. Não obstante, deve haver alguma flexibilidade para acomodar os choques de oferta que elevam a inflação independentemente da variação do nível de renda e emprego.
A fundamentação teórica do NCM está relacionada a junção de diversos elementos teóricos e empíricos oriundos dos desenvolvimentos de escolas de pensamento econômico liberal – por exemplo, a moeda é neutra no longo prazo (somente fatores reais, tais como produtividade, tecnologia, afetam a economia no longo prazo); existe uma taxa natural de desemprego que não é manipulável por politica econômica, etc. – mas assumindo-se (a partir de ampla pesquisa empírica) a existência de rigidez de preços de salários suficientemente significativa para permitir que a demanda agregada tenha relevância na condução da atividade econômica de curto prazo.
Assim, o NCM é a nova síntese da teoria macroeconômica convencional, de modo similar a “síntese neoclássica” dos anos 1950 (junção da teoria clássica com a keynesiana). Contudo, a política monetária, ao invés da fiscal, torna-se o principal instrumento de política econômica, sendo que as demais políticas (fiscal, cambial, financeira, etc.) tornam-se subordinadas aos objetivos de estabilização do produto e principalmente da inflação. Mishkin (2011, p.3) sintetiza os princípios do NCM, incluindo, entre outros, o seguinte: a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário; a estabilidade de preços tem importantes benefícios para a economia; expectativas desempenham um papel crucial na determinação da inflação; taxa real de juros precisa aumentar com maior inflação (vale a chamada “regra de Taylor”); banco central independente ajuda a aprimorar a eficiência da política monetária.
Partindo destas hipóteses, o RMI seria o melhor arranjo institucional para conduzir a política econômica, dado o objetivo de uma taxa de inflação baixa e estável (em torno de 2% nos países centrais), além de minimizar as flutuações do produto. Tal regime permitiria uma “discricionariedade restrita” na condução da política monetária, ao combinar alguma flexibilidade com credibilidade de maneira ótima, permitindo assim que o banco central (BC) reaja à ocorrência de recessões não previstas por meio de mudanças na taxa de juros de curto prazo, reduzindo as flutuações do produto em torno de sua tendência de longo prazo.
Adicionalmente, a implantação de um RMI reduz os graus de liberdade de atuação de um banco central para produzir surpresas inflacionárias que visem explorar o trade-off entre inflação e desemprego no curto prazo e amarra assim a política monetária ao objetivo central de estabilidade de preços. Deste modo, a defesa de um Banco Central Independente é justificada como necessária para ancorar as expectativas dos agentes, tidas como relevantes para a inflação. Nesta perspectiva, cabe avaliar os diferentes formatos do RMI e sua eficácia em termos de sustentação a um maior crescimento econômico e a uma inflação menor.
O Regime de metas de inflação
O RMI, implementado em vários países a partir da década 1990, tem como ponto de partida dois pressupostos. O primeiro está relacionado ao insucesso de outras estratégias de âncoras nominais visando o controle da taxa de inflação, tais como as metas de taxa de câmbio e metas monetárias.
O segundo é que a política monetária é inócua para afetar as variáveis reais da economia (produto e emprego) de forma duradoura. Assim, a adoção de um RMI tem como característica o reconhecimento explícito de que o objetivo principal da política econômica e particularmente do BC é a manutenção de uma taxa de inflação baixa e estável.
Em versões mais flexíveis do regime de metas, o objetivo de estabilidade de preços pode ser acompanhado pelo compromisso de manter a estabilização do produto corrente em níveis próximos da taxa potencial de crescimento, mas somente naquelas condições em que a estabilidade de preços não seja violada. De fato, em muitos países a lei que rege o BC estabelece, como objetivo subsidiário, que o BC dará suporte à prosperidade econômica e ao bem-estar social, de modo geral. Por exemplo, o BC da Austrália tem um duplo mandato – estabilidade de preços e emprego -, enquanto que o BC do Canadá tem como objetivo promover o bem-estar econômico e financeiro do país. Ademais, observa-se que a partir da crise financeira de 2007 vários BCs, incluindo o Banco da Inglaterra, passaram a incluir a estabilidade financeira entre seus objetivos.
Na maioria dos países que adotam o RMI (15 em 27, incluindo o Brasil) a meta de inflação é estabelecida conjuntamente pelo governo e o BC, seguido de 9 países no qual o BC define a meta (neste caso a maioria está na América Latina e na Europa do Leste), sendo que em apenas três países (África do Sul, Noruega e Reino Unido) cabe ao governo esta tarefa. Quanto à definição do horizonte da meta – período no qual o BC é esperado alcançar sua meta de inflação -, a maioria dos países utiliza um prazo médio (dois anos ou mais ou então um período móvel) que permite divergências de curto prazo entre a meta e os choques que afetam a economia, já que choques não previsíveis têm efeitos defasados na economia. Deve ser destacado que o Brasil, neste particular, é um dos poucos países que utilizam a meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. Na tabela 1 esta discussão é sintetizada.
Tabela 1: Características do Regime de Metas de Inflação
Fonte: Elaboração própria, com base em fontes diversas—-Nota: BC = banco central; G = governo; IPC = índice de preços ao consumidor; P T=Ponto com banda de tolerância; pp = ponto percentual; Médio prazo = horizonte de meta de dois ou mais anos (exceção da República Tcheca que é de 18 meses); e DE = país desenvolvido; EME = país emergente
Existe um grande número de estudos que comparam a performance de países que adotam o RMI com países que não o adotam. Os estudos empíricos, de modo geral, não corroboram a conclusão que países emergentes que adotam RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em relação aos países que não adotam. É importante ressaltar que essa evidência está relacionada à ocorrência de problemas econômicos específicos inerentes aos países emergentes.
De fato, os países emergentes – como o Brasil – enfrentam desafios específicos ao adotar o RMI, levando em conta que:
(i) tais economias têm um repasse cambial (impacto da variação do câmbio sobre os preços domésticos) maior do que as economias desenvolvidas, uma vez que nessas economias a renda das famílias tem um proporção maior de bens comercializáveis internacionalmente (e menos serviços) na cesta de consumo das famílias;
(ii) a maior dificuldade na previsão da inflação, uma vez que os choques são maiores e têm efeito mais forte nessas economias;
e (iii) parte de seus passivos (grandes empresas, governos, etc.) são denominados em moeda externa, criando um problema de “medo de flutuar” em relação à taxa de câmbio, em função dos impactos deletérios da desvalorização cambial abrupta sobre dívidas.
E o Brasil?
Especificamente em relação ao Brasil, pode-se estabelecer a existência de três fases desde a implantação do RMI em 1999. Nos seis primeiros anos de sua adoção (1999-2004), o BC do Brasil (BCB) teve dificuldades no cumprimento das metas, a despeito das altas taxas de juros, sendo o principal responsável a forte desvalorização cambial. No período 2005-2009 (à exceção de 2008), as metas foram cumpridas com maior facilidade, favorecidas pelos efeitos positivos da apreciação cambial sobre os preços domésticos. Já no período 2010-2014 a taxa de inflação aumentou, ficando perto do teto da meta. Além da elevação nos preços de alimentos e bebidas, devido ao crescimento do mercado interno e dos preços elevados das commodities, destaca-se o forte crescimento dos preços de serviços, que vem ocorrendo desde 2010, em decorrência de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhoria na distribuição de renda e redução do desemprego.
Alguns estudos empíricos sobre os efeitos da política de juros em um regime de metas de inflação no Brasil destacam a necessidade de se avaliar seriamente os efeitos reais da política monetária sobre produto e emprego. Neste sentido, Libânio (2010), ao avaliar empiricamente a relação entre politica monetária e desempenho econômico no Brasil durante o período 1999-2006, encontrou que a política monetária reage de forma pró-cíclica e assimétrica a flutuações na atividade econômica – muito “apertada” durante as recessões e não tão “frouxa” durante períodos de expansão. Tal padrão, portanto, gera um viés para baixo na demanda agregada, com efeitos reais negativos sobre o nível do produto.
Nesta mesma direção, Modenesi (2008) apresenta evidências empíricas de que a formação da meta da taxa Selic é pautada por uma convenção pró-conservadorismo, com um comportamento assimétrico do BC. Ele eleva a taxa de juros mais fortemente por ocasião de aumento na taxa de crescimento ou no hiato inflacionário (diferença entre a inflação corrente e a meta inflacionária), e reduz pouco quando diminuem tais hiatos, i.e., quando a economia desacelera ou a inflação diminui.
Deste modo, tais estudos mostram que o RMI na forma em que é operado no Brasil tem resultado frequentemente em efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país, contribuindo para a economia crescer abaixo do seu potencial.
Quais lições podemos tirar?
Da análise acima, pode-se extrair seis lições importantes.
Em primeiro lugar, o Brasil é um dos poucos países que apresenta uma meta anual (ano calendário) como horizonte da meta de inflação. A implicação mais imediata é que face a choques de oferta (agrícola, petróleo, etc.), o Banco Central tem que responder imediatamente a tais choques, tendo em vista a prevalência de um horizonte curto para cumprimento da meta. Ademais, ao contrário do Brasil, um número crescente de países adota concomitantemente outros objetivos para a política monetária, como bem-estar econômico, baixo desemprego e estabilidade financeira.
Em segundo lugar, os estudos empíricos, de modo geral, não são conclusivos em encontrar evidências de que os países emergentes que adotam o RMI têm uma performance melhor em termos de maior crescimento econômico e menor inflação em comparação aos países que não adotam. Este resultado levanta a discussão a respeito de quais regimes de política econômica são mais adequados para sustentar um crescimento econômico robusto compatível com a estabilidade de preços.
Em terceiro lugar, países emergentes enfrentam desafios específicos para colocar em funcionamento o RMI, relacionados ao maior repasse cambial sobre preços domésticos, à dificuldade de previsão da inflação e, de modo geral, à maior amplitude de obrigações em moeda estrangeira.
Em quarto lugar, estudos empíricos, ao avaliarem os efeitos da política monetária no Brasil sobre produto e emprego, encontram evidências de que o RMI – na forma em que é operado no Brasil – tem efeitos colaterais negativos sobre o nível de produto e renda no país.
Em quinto lugar, observa-se que o fato da taxa de inflação no Brasil estar acima da média dos países que adotam este regime, decorre em parte da tendência ao longo dos últimos anos de elevação do salário real e melhoria na distribuição de renda, ou seja, decorrem de um fenômeno estrutural.
Por fim, a estabilidade de preços, necessária para evitar uma deterioração do poder de compra do trabalhador, deve ser obtida com uma política ampla de combate à inflação, incluindo política de rendas (definição de regras de salário mínimo, negociação salarial em geral, etc.), revisão dos resquícios de indexação da economia, redefinição de regras de reajustes de preços administrados, como planos de saúde, que estimulem a redução de custos, etc.
Neste sentido, é fundamental uma boa coordenação da política econômica e uma melhoria na governança da política macroeconômica, incluindo o estabelecimento de um horizonte maior de cumprimento da meta inflacionária, para além do ano calendário, de modo a permitir acomodar melhor choques de oferta. Além da necessidade de compatibilizar o objetivo de estabilidade de preços com outros objetivos de política (crescimento, estabilidade de preços, melhor desempenho da balança comercial, etc.), deve-se utilizar instrumentos mais amplos de combate a inflação, que não seja somente a politica monetária.
Em conclusão, já é tempo de começarmos a discutir mais seriamente a estrutura do regime de metas de inflação, incluindo uma avaliação sobre o horizonte da meta e dos mandatos públicos a que deve se submeter o Banco Central.
* Professor Titular de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Pesquisador do CNPq. E-mail: [email protected]
** Professor Assistente do Instituto Três Rios da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). E-mail: [email protected]
Bibliografia
Libânio, G. (2010). “A note on inflation targeting and economic growth in Brazil”. Revista de Economia Política, vol. 30, nº 1, pp. 73-88.
Mishkin, F.S. (2011). “Monetary policy strategy: Lessons from the crisis”. NBER Working Paper n. 16755, fevereiro.
Modenesi, A.M. (2008). “Convenção e rigidez na política monetária: uma estimativa da função de reação do BCB–2000-2007”. Texto para Discussão IPEA n. 1351, agosto.
URL:
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/O-Regime-de-Metas-de-Inflacao-no-Brasil-o-que-pode-ser-mudado-/7/33475
Roberto São Paulo-SP 2015
26 de dezembro de 2015 3:55 pmBacia de Santos recebeu mais um navio-plataforma.
Navio-plataforma Cidade de Maricá chega ao pré-sal na Bacia de Santos
Petrobras . Blog Fatos e Dados—-26.Dez.2015
O polo pré-sal da Bacia de Santos recebeu mais um navio-plataforma. O FPSO Cidade de Maricá deixou, no sábado passado (19/12), o estaleiro Brasa, em Niterói (RJ), e chegou à locação no campo de Lula (área de Lula Alto), nesta sexta-feira (25/12). O Cidade de Maricá será o quinto FPSO a produzir no campo de Lula. Com capacidade de produzir até 150 mil barris de óleo por dia (bpd) e comprimir até 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, a previsão é que a plataforma entre em produção no primeiro trimestre de 2016. Apenas considerando os quatro FPSOs já em operação, o campo de Lula já é o maior produtor nacional de petróleo e de gás natural.
Instalado a 250 km do litoral do Rio de Janeiro, em área com profundidade de água aproximada de 2.120 metros, o Cidade de Maricá terá agora as suas linhas de ancoragem instaladas e, depois disto, será conectado a dez poços produtores e sete poços injetores. O gás natural será exportado para a costa por meio de um gasoduto submarino. A unidade tem, ainda, capacidade de armazenamento de 1,6 milhão de barris de óleo e de injeção de 200 mil barris de água por dia.
O navio-plataforma estava desde julho deste ano no estaleiro Brasa para conclusão das operações de içamento e integração final de módulos e comissionamento. Além da obra de integração, o estaleiro também foi responsável pela fabricação de seis módulos do FPSO (Floating Production Storage and Offloading), sigla em inglês que identifica uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. Trata-se de um navio-plataforma com capacidade para separar o óleo do gás e da água durante o processo de produção, armazená-lo nos tanques de carga para, finalmente, transferi-lo para navios petroleiros, que serão os responsáveis pelo seu transporte.
No último mês de novembro, a produção de petróleo e gás natural que operamos na camada pré-sal atingiu a média diária de 1,023 milhão barris de óleo equivalente por dia (boed), um crescimento de 1,8% em relação ao mês de outubro deste ano.
A área de Lula está localizada no bloco BM-S-11, que é desenvolvido pelo consórcio na qual somos a operadora com participação de 65%. As outras parceiras são a BG E&P Brasil Ltda (25%) e Petrogal Brasil SA (10%).
Dados técnicos do FPSO Cidade de Maricá:
· Capacidade de processamento de petróleo: 150 mil barris/dia
· Capacidade de tratamento e compressão de gás: 6 milhões m³/dia
· Capacidade de tratamento de água de injeção: 200 mil barris/dia
· Capacidade de armazenamento: 1,6 milhão de barris de óleo
· Profundidade de água: 2.120 metros
· Comprimento Total: 346,5 metros
· Boca: 58 metros
· Pontal (altura): 32,6 metros
Conheça quais são e como funcionam os tipos de plataformas que operamos no mar
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URL:
http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/navio-plataforma-cidade-de-marica-chega-ao-pre-sal-na-bacia-de-santos.htm
junior50
27 de dezembro de 2015 12:01 amSBM, ou outros dados interessantes
– Operador da FPSO : Um consórcio liderado pela “famosa” SBM ( 56 % ), Mitsubishi Corp ( 20%), Nippon Yusen (NYKK – 19% ) e Queiroz Galvão ( 5 % )
– Data da solicitação de intenção: 22/03/2013 – data da contratação: 12/07/2013 ( duas FPSO, a ” Maricá ” e a “Saquarema” ).
– Navio – VLCC – originario : ” Eli Maersk ” , lançado em 2000 pela Hyunday .
– Bandeira e porto de registro do ” Cidade de Maricá ” : Bahamas/ Nassau.
– Valor total deste contrato/ Maricá : US$ 1,45 Bilhão ( “Saqua ” : US$ 1,55 Bilhão )
Agora vem o interessante, algo para nossos excelsos vestais procuradores, aprenderem como a ” banda toca” :
A armadora/operadora principal ( 56%) é a SBM Offshore, envolvida até o pescoço na “Lava Jato/ Car Wash” no Brasil, e tambem em varias operações “heterodoxas” pelo mundo inteiro, processada na Holanda, Estados Unidos, Nigéria, Indonésia, Brasil, portanto na visão estreita dos “vestais de Curitiba”, uma empresa no minimo bandida, que não merece crédito em qualquer lugar do mundo, ainda mais se este for subsidiado, ela que vá a falência.
Mas o mundo capitalista opera na realidade, onde vestais terceiro mundistas não contam, “autos de fé ” de nada valem, basta um ato de contrição, pedir perdão, rapidamente pagar uma multa, e “bola pra frente”, afinal ninguem quer perder negócios e dinheiro, alem de empregos, portanto :
Um negócio deste porte, as duas FPSO somam US$ 3,0 Bilhões em financiamentos, acordados com mais de 15 bancos internacionais, e a – de acordo com os “torquemadinhas de Curitiba – a “bandida e corruptora” SBM Offshore NV, para movimentar estas FPSOs da China para entrega-las no Brasil, necessitaria de “seguros de crédito ” ( banco não quer perder nunca ), e com quem a SBM conseguiu tais seguros :
Simples, com agencias estatais de exportação, o ATRIDUS ( Holanda ), NEXI ( Japão ), UKEF ( Inglaterra ), SACE (Itália ) e 350 M/US$ com seguradoras privadas ( maioria arabes ), e quando conseguiu :
Após todos os escandalos, incluindo a “Lava Jato”, em 27/07/2015.
Zé Raineri
26 de dezembro de 2015 5:49 pmA pior crise da história
No portal UOL, em destaque: Shoppings tem o pior natal em 10 anos
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/12/1723224-shoppings-tem-pior-natal-dos-ultimos-dez-anos-diz-alshop.shtml
No primeiro parágrafo, a informação:
“As vendas de natal nos shoppings tiveram queda de 1% em 2015, descontada a inflação do período, o pior resultado nos últimos dez anos”.
Queda real de 1%, pior resultado em 10 anos!
Apesar de toda a narrativa alarmista de nossa brava imprensa, apesar das afirmações de que o fim do mundo está na esquina, queda de 1% em valores atualizados. Um resultado que indica estabilidade ou, com muito mau humor, uma leve tendência negativa.
E, registre-se mais uma vez, esse foi o pior resultado em 10 anos! Uma leve queda de 1% foi o pior resultado em 10 anos…
Isso sem ponderar os 26% de crescimento de vendas pela internet, que certamente tiraram algum resultado dos shoppings.
E eu, me sentindo um ET no meio dos meus colegas, que me imputam a culpa pela gravíssima crise econômica no Brasil por ter votado em Lula e Dilma.
Vou continuar a ouvir suas imprecações com um sorriso no rosto!