Contrapontos à visão míope de quem acha que a Lava Jato não destruiu empresas

Críticas dos defensores da Lava Jato em caráter incondicional ignoram alguns fatos que se sucederam ao longo da operação

Jornal GGN – Foi Dias Toffoli abrir a boca para afirmar que a Lava Jato teve impacto negativo sobre a economia nacional, para a polêmica voltar à tona: a culpa é mesmo do combate à corrupção, ou da corrupção em si? É da força-tarefa, que fez estardalhaço em conluio com setores da grande mídia, ou de empresas como a Odebrecht, que agora amargam processo de recuperação?

Miriam Leitão critica Toffoli em seu artigo em O Globo, nesta quarta (18). A jornalista não admite que a culpa pode não ser do combate à corrupção, mas da forma como ela foi desenhada especialmente para a Lava Jato.

Para ela, “a corrupção quebrou as empresas e não a investigação da corrupção. A alternativa era conviver com o crime para não prejudicar a economia. Isso não é aceitável.”

Combater o crime sem causar danos maiores à economia não era alternativa? Se não era, porque o ex-promotor de Nova York, Adam Kaufman, admirado por membros da própria Lava Jato, recomendou que a operação aprendesse a penalizar as empresas corruptas, mas sem liquidá-las? É o que se faz nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

Para defender a Lava Jato, Miriam cita a entrevista que Marcelo Odebrecht concedeu ao jornalista Thomas Traumann nesta semana:

“Na entrevista de Marcelo Odebrecht ao jornalista Thomas Traumann, está lá uma parte do problema que quebrou a empresa. Porque eles tinham vantagens nessa relação com o setor público, eles passaram a tomar decisões que levaram a prejuízos apenas para atender a pedidos do governo. (…) O próprio empresário diz que é fácil dizer que foi a Lava-Jato que quebrou a Odebrecht. Mas ele admite que não souberam administrar a crise. ‘A Odebrecht quebrou por manipulações internas’.”

Ora, na mesma entrevista, Marcelo Odebrecht diz que a Lava Jato foi, sim, o “gatilho” da derrocada da empresa. E que o golpe fatal, totalmente ignorado por Miriam, veio com um desdobramento da operação: o processo que a holding baiana enfrentou no Departamento de Justiça (DOJ) dos Estados Unidos.

As “manipulações internas” mencionadas não são picuinhas ou problemas de gestão internos, como soou no artigo, mas ações de executivos da empresa, desesperados para se verem livres das acusações da Lava Jato, que decidiram cooperar com a força-tarefa e as autoridades norte-americanas, minando as chances da cúpula conseguir um acordo melhor com o DOJ.

Ao longo do artigo, Miriam bate na tecla de que a corrupção, associada à má gestão e decisões políticas, é tudo o que explica a quebra de empresas. E ainda crava que a Petrobras só não quebrou no embalo das demais “porque é pública”.

Bem, talvez a Petrobras não tenha tomado o mesmo rumo das empreiteiras porque não foi processada no Brasil. A Lava Jato poupou sua pessoa jurídica. Vendeu aos quatro ventos que a empresa foi usada pelo governo federal para financiar o “projeto de poder” de Lula e do PT, mas jamais ameaçou colocar a União, a controladora maior da Petrobras, no banco dos réus.

Se a União tivesse sido arrastada para a Lava Jato, não teria sido Sergio Moro, um magistrado de primeiro grau, o juiz-mentor da operação, teria?

Mais do que o fato de ser “pública”, a Petrobras não quebrou porque a Lava Jato não quis dar a ela o mesmo tratamento que deu às construtoras investigadas. A estatal foi “assistente de acusação” em Curitiba, não ré.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Petrobras foi processada da mesma forma que a Odebrecht, a Braskem e outras companhias estrangeiras: como uma criminosa, não vítima de corrupção.

Pagou uma multa de 853 milhões de dólares. Braskem e Odebrecht pagaram muito mais: 3,5 bilhões de dólares. Marcelo Odebrecht não reclama à toa.

O artigo também argumentou que não caberia ao MP, governo ou outra instituição separar a família Odebrecht da empresa e, assim, atenuar impactos econômicos. Sobre isso, Luis Nassif falou com pouco no vídeo abaixo:

 

5 Comentários

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altamiro souza

- 2019-12-19 10:15:38

mirian e os jornalistas da grande mídia são tão golpistas e mentirosos quanto seus patrões. aliás, são todos office-boys desses patrões que defendem apenas seus interesses e daqueles ricos minoriários de nossa elite economica , daqueles poucos que expropriam nossas riquezas através da financeirização da economia,como denuncia em seus livros o sociologo jessé souza....

- 2019-12-18 19:30:11

O raciocínio da auxiliar dos marinhos é tão primário, tão tosco, que deixa pouca margem a considerações mais elaboradas. A atitude dela é semelhante a defender que policiais usem granadas em meio à população: o importante é combater o crime. O povo que se exploda e que tudo o mais vá pro inferno. Apertou o botão com a letra F...

AMORAIZA

- 2019-12-18 16:31:39

Nesses tempo de crise e desemprego, não custa nada fazer o que o patrão manda. A Globo patrocinou a lava-jato e a mirinha trabalha pra globo.

Carlos Elisio

- 2019-12-18 14:32:32

Claro que a lava-jato quebrou nossas grandes empresas. Com apoio da globo, patrão da Leitão, que por sua vez tem o mesmo chefe da lava-jato, os EUA.

Zé Sérgio

- 2019-12-18 14:29:29

Lava Jato é apenas a política brasileira dos últimos 90 anos de ANTICAPITALISMO DE ESTADO. Será que é coincidência a interferência tão rápida e contundente de Mirian Leitão? Ou da Justiça NorteAmericana? Deve ser tudo coincidência, não é mesmo? Até o advento da Globalização e NeoLiberalismo, que varriam a América nos anos 90, os EUA corrompiam de forma Institucionalizada e através de suas Empresas, por todo o Planeta. Estava nas suas Leis. Desde que beneficiassem os interesses nacionais, econômicos, políticos, estratégicos, financeiros dos EUA e de suas Empresas. De repente estes mesmos EUA viram a última Virgem da América, Policia do Planeta. Os Lacaios e Nações doutrinadas à submissão, precisa citar um Gigante Adormecido? Se submetem. Para o ANTICAPITALISMO DE ESTADO, Lava Jato caia como uma luva: Departamento de Justiça dos EUA? UMA OVA !!!!! Vamos deixar de tanta Hipocrisia e Covardia !!! Vamos parar de terceirizar Nossas Mediocridades !!!! Lava Jato surgiu aplaudida por toda Elite Esquerdopata. Era o ápice do ANTICAPITALISMO DE ESTADO. A desculpa que caia como uma luva para este Estado Ditador Caudilhista Esquerdopata Fascista. Eram as Forças Policiais e Judiciais do Estado Brasileiro anulando a influência e interferência do “vil capital ” do “vil empresariado” comprando opiniões e consciências do ‘ Inocente Poder Público ‘ e ‘ Inocentes Forças Políticas ‘ que se sujeitavam devido á necessidade de dinheiro para suas Campanhas. Era o argumento perfeito para o fim de Financiamento Privado de Campanhas que seriam substituídos por Fundo Partidário Público. Dilma correu em sancionar 1,4 bilhão de reais para este Fundo, podendo chegar aos 4 bilhões de reais. O tiro saiu pela culatra. Destruímos mais de 6 milhões de EMPREGOS BRASILEIROS, entre o amadorismo de tais argumentos acrescentados à ânsia dos grupos contrários em chegar ao Poder. A tragédia é está destes últimos anos. Agora, até Toffoli percebe a imbecilidade somada a mediocridade do Estado Brasileiro. Quem precisa de Empresas Nacionais? Quem precisa de Empregos Nacionais? Sempre poderemos exercer Nosso Empreendedorismo Tupiniquim, segundo Nossa Genialidade Política, e montar mais um Salão de Cabeleireiros, fazer doces e comidas em casa ou ter lugar nas portarias de MultiNacionais. Segundo Deputado Tucano de SP, talvez um mutirão de Varredores de Rua para diminuir os 14 milhões de Desempregados. Não venham botar a culpa nos EUA ou no Trump, pelas mediocridades brasileiras destes 90 anos, replicados em farsante Redemocracia. Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação. (P.S. A Odebrecht chegou a ter 550.000 Funcionários em quase 4 dezenas de países. A mediocridade do Estado Brasileiro destruiu tudo isto)

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