Copom corta juros em 0,75 ponto, para 3% ao ano

Decisão do colegiado do Banco Central foi tomada de maneira unânime, por conta do agravamento da crise gerada pelo coronavírus

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime.

A decisão do colegiado já era esperada pelo mercado, embora o corte inicialmente estimado fosse de 0,50 ponto percentual. A medida foi diretamente afetada pelo cenário econômico do país diante da pandemia do coronavírus. “O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021”.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado – “Esse risco se intensifica caso a pandemia provoque aumentos de incerteza e de poupança precaucional e, consequentemente, uma redução da demanda agregada com magnitude ou duração ainda maiores do que as estimadas”.

Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco e gerar uma trajetória para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

“O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, afirma o colegiado.

O Copom ressalta que a conjuntura exige um estimulo monetário “extraordinariamente elevado”, mas reforça que há potenciais limitações para o grau de ajuste adicional. “O Comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, serão decisivas para determinar o prolongamento do estímulo”.

 

Leia Também
Reforma Trabalhista 2 anos depois: nada a comemorar, muito a combater, por Andréia Galvão
A importância da soberania monetária, por José Luís Fevereiro
A América do Sul e a Pandemia
Ping pong: os governos podem emitir moeda sem risco para a economia?

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora