Coronavírus: emissão de moeda cria poder de compra que não existia

Em artigo, grupo de economistas é taxativo: falar da falta de recursos não cabe na pandemia; emissão de moeda traria benefício social

Jornal GGN – É preciso que apenas as pessoas que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus saia de casa e, mesmo sabendo que o desemprego e a fome podem matar mais do que o vírus, esse não precisa ser o destino da sociedade.

“Colocar a economia acima da vida é reconhecer o fracasso da humanidade”, afirma um grupo de economistas em artigo conjunto, publicado no jornal Folha de São Paulo. “Com a atividade econômica parada, acionar os canhões fiscais e monetários do Estado para manter as famílias em casa é a única e necessária saída”.

Ao contrário do que acontece com famílias e empresas, o Estado é capaz de emitir moeda ou de se endividar em uma escala muito diferente: ao emitir moeda, o Estado cria poder de compra que antes não existia.

“Endividando-se, toma emprestado de quem tem dinheiro sobrando e transfere para quem não tem como consegui-lo. Emitindo ou endividando-se, o Estado injeta dinheiro na economia, e é disso que precisamos urgentemente”, ressaltam os economistas. Com a atividade econômica parada, a inflação não será um problema agora e no médio prazo.

“A emissão de moeda reduzirá os juros e o custo da dívida pública, ajudando a reduzir os gastos públicos. Porém, pode ampliar a saída de dólares do Brasil o que, no médio prazo, pode impactar a inflação”, pontuam os economistas. “Temos instrumentos para lidar com o câmbio agora, e a atividade econômica está tão deprimida que mesmo a recente forte desvalorização do Real não foi capaz de gerar repasse significativo na inflação. No médio prazo, com a economia em melhor condição, centraremos esforços em outros objetivos. Eles não são o foco agora”.

“Em momentos de crise, o que mais devemos temer é o próprio medo de agir. Se quisermos sair desta crise, precisamos impedir que a calamidade sanitária se converta em caos social. É hora de a economia servir à sociedade”.

Entre os diversos economistas que assinam o artigo, estão nomes como André Roncaglia de Carvalho, professor da Universidade Federal de São Paulo e pesquisador do Cebrap; Igor Rocha, doutor em Estudos do Dsenvolvimento pela Universidade de Cambridge; Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, professor da UNICAMP e da FACAMP; Monica De Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino Americanos da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora do Peterson Institute for International Economics; e Paulo Gala, professor da FGV-SP

 

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