12 de junho de 2026

Coronavírus: emissão de moeda cria poder de compra que não existia

Em artigo, grupo de economistas é taxativo: falar da falta de recursos não cabe na pandemia; emissão de moeda traria benefício social

Jornal GGN – É preciso que apenas as pessoas que atuam na linha de frente no combate ao coronavírus saia de casa e, mesmo sabendo que o desemprego e a fome podem matar mais do que o vírus, esse não precisa ser o destino da sociedade.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“Colocar a economia acima da vida é reconhecer o fracasso da humanidade”, afirma um grupo de economistas em artigo conjunto, publicado no jornal Folha de São Paulo. “Com a atividade econômica parada, acionar os canhões fiscais e monetários do Estado para manter as famílias em casa é a única e necessária saída”.

Ao contrário do que acontece com famílias e empresas, o Estado é capaz de emitir moeda ou de se endividar em uma escala muito diferente: ao emitir moeda, o Estado cria poder de compra que antes não existia.

“Endividando-se, toma emprestado de quem tem dinheiro sobrando e transfere para quem não tem como consegui-lo. Emitindo ou endividando-se, o Estado injeta dinheiro na economia, e é disso que precisamos urgentemente”, ressaltam os economistas. Com a atividade econômica parada, a inflação não será um problema agora e no médio prazo.

“A emissão de moeda reduzirá os juros e o custo da dívida pública, ajudando a reduzir os gastos públicos. Porém, pode ampliar a saída de dólares do Brasil o que, no médio prazo, pode impactar a inflação”, pontuam os economistas. “Temos instrumentos para lidar com o câmbio agora, e a atividade econômica está tão deprimida que mesmo a recente forte desvalorização do Real não foi capaz de gerar repasse significativo na inflação. No médio prazo, com a economia em melhor condição, centraremos esforços em outros objetivos. Eles não são o foco agora”.

“Em momentos de crise, o que mais devemos temer é o próprio medo de agir. Se quisermos sair desta crise, precisamos impedir que a calamidade sanitária se converta em caos social. É hora de a economia servir à sociedade”.

Entre os diversos economistas que assinam o artigo, estão nomes como André Roncaglia de Carvalho, professor da Universidade Federal de São Paulo e pesquisador do Cebrap; Igor Rocha, doutor em Estudos do Dsenvolvimento pela Universidade de Cambridge; Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, professor da UNICAMP e da FACAMP; Monica De Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino Americanos da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora do Peterson Institute for International Economics; e Paulo Gala, professor da FGV-SP

 

Leia Também
Está na hora de abrir as discussões sobre emissão de moeda, por Luis Nassif
Como tornar virtuosa a política de emissão de moeda em lugar de dívida, por Luis Nassif
É hora de começar a discutir a Moderna Teoria Monetária, por Luis Nassif

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Bo Sahl

    1 de maio de 2020 1:48 am

    Não se vê saída melhor (nem menos pior) para o “phasing out” desta crise que, sem dúvida JÁ mudou a humanidade.
    Se vai ser para melhor ou pior, em que direção, sentido e intensidade, vai depender muito mais da queda de braço entre os interesses dos donos da dívida e os nossos interesses (da sociedade humana).
    A definição de nossos representantes “delegados” em serem cooptados pelos interesses deles (o mais provável, ainda mais com Bolsonaro e Guedes) ou agirem no interesse da sociedade que representam como um todo.
    E isto poderá ainda ser parcial, com alguns países indo num caminho (lembram da Islândia em 2008?) e outros por outros, em diversas combinações.
    E ainda assim, em qualquer caso (criação ou dívida), poderemos irrigar a economia (gente) ou as finanças (negócios), correndo o risco deste “dinheiro” (criação ou dívida) entrar “por cima” e empoçar ou passar lentamente por filtros de passagem onde em cada “peneira”, o caldo vai deixando seu “bagaço”…
    Usar o dinheiro para girar a economia (Circulando! Circulando!) ou para continuar a pagar uma dívida que cada vez mais não permite que sobre dinheiro para a sociedade gastar (com ela) e investir (nela).
    Se vamos aproveitar a (triste) oportunidade de COMEÇAR A ACABAR com o sistema “DÍVIDA” que já mantém mais de 3 vezes o PIB mundial estocados em “silos” privados de poucos ou vamos multiplicá-la mais ainda…
    Já dizia o Nobel de Economia Hamlet: That’s the question!

  2. Evandro Condé

    1 de maio de 2020 8:34 am

    O Guedes está morrendo aos poucos, já aventou a possibilidade, mas com lágrimas nos olhos.
    Mas senti falta da análise, põe dinheiro, mas como fica o povo? Está nas manchetes, somos 40 milhões sem perspectivas. Um novo Haiti?

Recomendados para você

Recomendados