Coronavírus pode levar meio bilhão de pessoas à pobreza no mundo

"A crise econômica que está se desenvolvendo rapidamente é mais profunda que a crise financeira global de 2008", constatou o relatório

Jornal GGN – A recessão econômica que será provocada pelo coronavírus poderá levar meio bilhão de pessoas no mundo à pobreza, segundo um estudo da Oxfam divulgado nesta quinta (9). Até o momento, a doença já matou oficialmente mais de 89 mil pessoas e infectou 1,5 milhão.

O impacto da crise sobre a pobreza global foi mensurado em função da diminuição da renda e do consumo das famílias, explicou a agência Reuters.

“A crise econômica que está se desenvolvendo rapidamente é mais profunda que a crise financeira global de 2008”, constatou o relatório.

O relatório da Oxfam, que é uma instituição de caridade sediada em Nairóbi, capital do Quênia, foi divulgado antes da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), na semana que vem.

“As estimativas mostram que, independentemente do cenário, a pobreza global pode aumentar pela primeira vez desde 1990”. Isso significa, de acordo com o relatório, que alguns países podem voltar aos níveis de pobreza vistos pela última vez há três décadas.

Os autores analisaram vários cenários, levando em consideração as várias linhas de pobreza do Banco Mundial: da pobreza extrema (quem vive com até US$ 1,90 por dia)  até a pobreza (até US$ 5,50 por dia).

“No cenário mais sério – uma contração de 20% na renda -, o número de pessoas que vivem em extrema pobreza aumentaria em 434 milhões de pessoas, para 922 milhões em todo o mundo. O mesmo cenário levaria o número de pessoas que vivem abaixo do limite de US$ 5,50 por dia a aumentar em 548 milhões de pessoas, para quase 4 bilhões”, anotou a agência.

“Vivendo dia a dia, as pessoas mais pobres não têm a capacidade de tirar folga do trabalho ou estocar provisões”, alertou o estudo, lembrando que mais de 2 bilhões de trabalhadores do setor informal em todo o mundo não têm acesso a subsídios por doença.

“A Oxfam propôs um plano de ação de seis pontos que forneceria subsídios e resgates em dinheiro para pessoas e empresas necessitadas, e também pedia o cancelamento da dívida, mais apoio do FMI e maior ajuda. Tributar riqueza, lucros extraordinários e produtos financeiros especulativos ajudaria a levantar os fundos necessários”, resumiu a Reuters.

Na visão da Oxfam, o mundo precisaria mobilizar pelo menos US$ 2,5 trilhões para apoiar os países em desenvolvimento. Enquanto isso, os países ricos mostraram que podem mobilizar trilhões de dólares em resgate de sua própria economia.

“No entanto, a menos que os países em desenvolvimento também sejam capazes de combater os impactos econômicos e à saúde, a crise continuará e causará danos ainda maiores a todos os países, ricos e pobres.”

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