10 de junho de 2026

Coronel Telhada, o incompetente que silenciou a Lapa, por Luís Nassif

Quando a estupidez encontra poder sem freios, o resultado é sempre o mesmo: decisões ruins, perseguições tolas e um rastro de atraso

A pior característica humana é a burrice. Ainda mais quando aliada ao autoritarismo.

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Observe a formação militar. O sujeito se forma na artilharia. Mas, para tomar uma posição em território inimigo, necessita da infantaria. Obviamente, só um burraldo colocará os tanques de guerra afundando em trincheiras.

Subprefeito da Lapa, o coronel Telhada é um militar burro, ao pretender transformar seu território em ordem unida ou, pior, em presídio. Não entendeu que a gestão de cidadãos exige discernimento, análise dos interesses envolvidos, capacidade de articulação e de negociação.

A Lapa tornou-se uma região dos músicos e de quem aprecia a música. Inúmeros barzinhos, com música ao vivo, dando emprego aos músicos, sustento aos pequenos empresários e suas famílias e alegria aos fregueses.

Aos sábados, então, a região transforma-se no melhor lazer para os paulistanos desafogarem as tensões da semana, do trânsito caótico, dos horários apertados.

Ai, os bares incomodaram vizinhos. Tem-se uma situaçào de interesses conflitantes. O que faria um dirigente inteligente? Ouviria todos os lados e chegaria a soluções conciliatórias.

Não o coronel Telhado, que é autoritário e burro. Simplesmente passou a aplicar a Lei do Psiu a torto e a direito. O burraldo definiu que o limite de barulho seria 55 decibéis.

Confira:

🔊 Para comparar:

  • 🌿 30 dB → ambiente silencioso, biblioteca.

  • 🗣️ 50–55 dB → conversa normal em tom de voz baixo, sala de estar tranquila.

  • 🚗 60 dB → tráfego em rua movimentada a certa distância.

  • 🔨 80+ dB → trânsito pesado, aspirador ou barulho de obra.

👉 Assim, 55 dB equivale a uma conversa em tom normal ou ao ruído de fundo em um escritório.

Mas como a única característica do burro autoritário é a dureza, o coronel Telhada resolveu ser duro ao extremo e passou a aplicar multas pesadas, para o nível financeiro de um boteco. Mais que isso, passou a proibir música em fins de semana, no almoço, à tarde. Acabou com o samba, o choro, a alegria.

Tivesse um mínimo de inteligência, saberia que está em uma função pública, chamaria as partes para conversar, definiria meio termos.

Quando a estupidez encontra poder sem freios, o resultado é sempre o mesmo: decisões ruins, perseguições tolas e um rastro de atraso.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    31 de agosto de 2025 11:25 am

    É…talvez, talvez.

    Não há dúvida de que militares têm pouca margem para o diálogo ou o raciocínio.

    Eu não conheço o local em questão.

    A minha opinião é uma hipótese da hipótese.

    O coronel é um imbecil?

    Pode ser.

    Mas será que bares, chorões, músicos, artistas não perceberam antes que estavam incomodando?

    Será que antes do coronel, o pessoal da boemia não recebeu nenhum reclamação, os estabelecimentos nunca foram admoestados antes, com multas e notificações?

    E pior, como a ninguém é permitido o descumprimento da lei ou regulamento, sob o argumento de seus desconhecimento, será que a boemia da Lapa não sabia até onde poderia ir, o tratamento acústico que deveria fazer, horários ao respeitar?

    Bem, o coronel é um idiota, mas será que os boêmios não esticaram a corda de tal forma, que acabaram por legitimar a estupidez?

    Não conheço São Paulo (graças a Zeus), mas conheço bem o Rio (argh) e belíssima e civilizada Buenos Aires, e um pouco menos Santiago e Montevideo.

    As três têm intensa vida noturna, BA começa a balada depois das 23, Palermo, Recoleta, etc.

    Boates com tratamento acústico.

    Música dos bares dentro de limites, e com horário restrito, e regras rígidas para consumo de álcool na rua.

    Diversão é ordem urbana.

    Um tal de sendo cívico.

    Uma maravilha.

    Bem diferente dessa selvageria brasileira.

    1. Agnaldo

      1 de setembro de 2025 11:48 am

      Perfeito. Resumiu tudo. De fato, no Brasil, o respeito aos vizinhos não existe. PS. Nunca saí do Brasil.

  2. José de Almeida Bispo

    31 de agosto de 2025 1:29 pm

    A coisa mais terrível é idiota com poder. É uma caca atrás da outra. De certo modo, o Mourão, o primeiro, se redimiu ao se auto definir “uma vaca fardada”: teve o discernimento e a hombridade de se reconhecer incapaz numa seara que não era a sua. Apesar de nela ter mergulhado de cara e provocado um desastre que duraria 21 anos.

  3. evandro

    31 de agosto de 2025 9:35 pm

    Por pouco tempo trabalhei na Secretaria de Meio Ambienteem BH. E a “poluição sonora” dos bares era um problema recorrente, Nem cabe a pena listar. Tinha-se de ir a casa do reclamante como decibelímetro e fazer as medições devidas. Um pé no saco. Tudo pq bom senso era mecadoria escassa.E tinha casos de assustar. Ouvia-se a quarteirão de distância

  4. Fauzi Achoa

    1 de setembro de 2025 11:00 am

    Nunca fui chegado a coronéis, nem o da guarda nacional, muito menos os da PM. Agora: que a botecaria é foda isso é verdade. Estão acabando os passeios públicos. As calçadas viraram extensão de bares e restaurantes, não satisfeitos em invadir a calçada com mesas, cadeiras , bêbados e garçons invadem os domicílios com pandeiro, ripinique, bumbo e reco-reco.

  5. cidadao sem cidadania

    1 de setembro de 2025 6:06 pm

    Bom , isso ja acontece aqui na periferia , faz tempo , com bares fechados as 10 horas pela guarda civil , com uma violencia pior que a pm , bom , eu tambem fui algumas vezes ai na lapa , e a guarda agora tambem esta agindo como outra pm , qual a diferenca , simples a lapa é um bairo de classe media , ai nao pode , ou seja o guarda da esquina esta a todo vapor , como disse o vice presidente da ditadura , senhor presidente , o problmea nao é o senhor , mas o guarda da esquina , entao desde o famigerado estatutos dos guardas feito por dona dilma , o guarda ja age como policia , e pior foi os guardas nos municipios que acabaram com os protestos , e agora que lula autorizou o stf autorizar eles patrulharem , estao agindo como outra pm bem pior , pq o stf deixou claro que guarda nao poderia fazer barricadas e param carros a vontade , nem a pm faz isso , hoje em varios municipios é um inferno ate sentar numa praca , mas como chegou num bairo bonito , veio a reclamacao , a questao que fica é , essa aberracao de guarda agir como policia tem que acabar , se nao conseguiu ser policia , nao pode ter poder de policia ,ou se acaba com isso ou esse inferno vai se espalhar de tal forma que se subir um ditador sera moleza acabar com o que eles acham que sao contra a ordem publica , deixei de ir na padaria na 12 de outubro , porque ali virou um inferno , a guarda entra e pedi o documento geral e apontando arma e tudo , e vamos lembrar que o vice prefeito era comandante da rota , o stf e lula tem mais uma chance de por guarda como diz a constituicao , com a acao que a pm entrou , que guarda nao pode agir como policia . obs , ja com o ex prefeito hadad era ruim .

  6. giovane loureiro

    2 de setembro de 2025 7:37 pm

    Além disso considere os evangelicos pressionando.

  7. Carioca

    25 de outubro de 2025 10:17 pm

    A grande maioria que frequenta os bares (centro cultural? – juntou dois tocando reco-reco é centro cultural) moram a quilômetros de distância de onde se tem mesas e cadeiras espalhadas nas calçadas e tem “músicos” (vamos combinar que uma boa parte toca só pandeiro e faz um inferno de som com um cavaquinho desafinado) e o pau comendo solto até 2-3 da madruga com cantorias (extravasar suas alegrias), e onde, em volta, e/ou acima, moram pessoas que só querem gozar o direito de dormir em paz para aliviar as tensões da semana, do trânsito caótico, dos horários apertados, …. mas para prestigiar a liberdade (deles) comparecem só as sextas e sábados.
    O velho ditado: Os incomodados que se mudem …

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