A Polícia Civil de São Paulo desmantelou, nesta sexta-feira (10), uma fábrica clandestina em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo, acusada de produzir bebidas alcoólicas com metanol, substância altamente tóxica que já causou a morte de duas pessoas na capital. A investigação foi aberta após os primeiros óbitos registrados na Zona Leste, onde as vítimas ingeriram vodka no mesmo bar.

A operação
De acordo com as investigações, a fábrica comprava etanol em postos de gasolina — produto que estaria adulterado com metanol — para fabricar bebidas falsificadas, como vodka e gin.
Durante a operação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à fábrica, além de imóveis em São Caetano do Sul e na capital paulista. Ao todo, oito pessoas foram levadas para prestar depoimento.
A proprietária do local foi presa em flagrante e confessou ter adquirido garrafas de uma distribuidora não autorizada. Ela será indiciada por falsificação e adulteração de substâncias alimentícias nocivas à saúde, crimes que preveem pena de quatro a oito anos de prisão, além de multa.
A Delegacia de Meio Ambiente e o Grupo de Operações Especiais (GOE) participaram da ação.
Vítima e perícia
O empresário Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, é a primeira vítima confirmada de morte por intoxicação por metanol no Brasil. Ele passou mal em 12 de setembro e morreu quatro dias depois, em 16 de setembro, após consumir bebidas falsificadas produzidas pela fábrica clandestina.
No bar da Mooca, na Zona Leste da capital, onde Ricardo ingeriu a bebida, policiais apreenderam nove garrafas — uma de gin e oito de vodka. Exames periciais confirmaram a presença de metanol em oito delas, em concentrações que variavam de 14,6% a 45,1%.
Crise sanitária
O caso reforça o alerta para o aumento das intoxicações por metanol em São Paulo e em outros estados. Até esta semana, o Brasil já contabilizava mais de 250 casos confirmados ou suspeitos relacionados ao consumo de bebidas adulteradas. O metanol, quando metabolizado, pode causar cegueira e morte, com sintomas que aparecem entre 12 e 24 horas após a ingestão.
As autoridades agora investigam toda a cadeia de produção e distribuição das bebidas falsificadas, além da possível participação de grupos criminosos no esquema.
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