Os dados divulgados pelo instituto Datafolha neste sábado (11) consolidam uma tendência que vinha sendo desenhada por outros termômetros de opinião: a eleição de 2026 começa a tomar contornos de uma disputa de margens estreitas. No cenário de segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 45% das intenções de voto, numericamente atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que atinge 46%.
Embora o quadro configure um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, a sucessão de resultados similares em diferentes metodologias chama a atenção de analistas. Para o cientista político Dawisson Lopes, o momento não permite mais interpretações isoladas.
“Chegamos ao momento em que todas as pesquisas sérias convergem quanto aos números de Lula e de Flávio Bolsonaro. AtlasIntel, Ideia, Quaest e Datafolha registram empate técnico, com vantagem nominal para o filho de Jair no 2º turno. Faltam apenas 6 meses. Reta final”, disse o cientista em sua conta no X (antigo Twitter).
O desafio do Planalto
A análise de Lopes indica um cenário de equilíbrio eleitoral que impõe desafios ao governo. Embora Lula tenha alto nível de conhecimento junto ao eleitorado, registra taxa de rejeição de 48%. Já Flávio Bolsonaro, associado à base consolidada do ex-presidente, aparece com 46% de rejeição. Esse quadro sugere que a disputa tende a ser influenciada menos pela ampliação de apoio e mais pela mobilização das bases já existentes, além do comportamento do eleitorado de centro, onde ainda há parcela que opta por voto branco ou nulo (8%).
O levantamento também indica que nomes associados a uma chamada “direita moderada” ainda apresentam baixo nível de conhecimento junto ao eleitorado. Candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem em patamares próximos ao de Lula em cenários de intenção de voto (42% contra 45%), mas com uma diferença relevante: ambos são desconhecidos por mais da metade da população, o que limita a consolidação de suas candidaturas neste momento.
Diferentemente de Flávio, que já apresenta alto nível de conhecimento junto ao eleitorado, Caiado e Zema ainda teriam, em tese, espaço para ampliar sua visibilidade. No entanto, o cenário de polarização persistente, apontado também pela convergência das pesquisas mencionada por Dawisson Lopes, sugere que a disputa segue fortemente concentrada entre os campos do lulismo e do bolsonarismo, o que reduz, ao menos por ora, o espaço para alternativas de centro-direita.
O levantamento do Datafolha ouviu 2.004 eleitores entre 7 e 9 de abril. A pesquisa, registrada no TSE sob o protocolo BR-03770/2026, possui nível de confiança de 95%.
José Bispo dos Santos Santos
15 de abril de 2026 3:37 pmPara mim essas pesquisas são compradas e mentirosas e que não reflete a realidade do Brasil atual.