Decotelli cede à pressão e deixa o MEC

Polemicas em torno de seu currículo teria irritado - ainda mais - Bolsonaro. Após cinco dias de nomeação ser publicada, Decotelli deixa a pasta

Imagem: Marcos Corrêa/PR

Jornal GGN – Diante da omissão sobre seu currículo, o mais recente ministro da Educação de Bolsonaro, Carlos Decotelli, cedeu à pressão do governo e entregou sua carta de demissão da pasta na tarde desta terça-feira, 30 de junho.

A nomeação de Decotelli para o Ministério da Educação (MEC) foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na última quinta-feira, 25 de junho. A cerimonia de posse estava marcada para hoje, mas foi interrompida após as polemicas em torno das revelações de seu currículo, o que teria irritado – ainda mais – Jair Bolsonaro (sem partido).

O estopim para a permanência de Decotelli na pasta, teria sido a nota divulgada na noite desta segunda-feira, 29 de junho, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), negando que o ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tenha feito parte do seu quadro de docentes, contrariando as informações apresentadas em seu currículo.

De acordo com a Folha de S. Paulo, assessores da presidência afirmaram que a nova informação irritou Jair Bolsonaro (sem partido) e a permanência de Decotelli no Ministério da Educação (MEC) voltou a ser debatida.

Entre as omissões, foram revelados sinais de plágio na dissertação de mestrado de Decotelli, além da inexistência de um título de doutorado pela Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, e de pós-doutorado pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

Mas, apesar disso, nesta segunda, Bolsonaro esteve com o então ministro e afirmou em uma rede social que Decotelli não seria um “problema para a sua pasta (governo)”. Na ocasião, a atitude pareceu eliminar a chances do ministro deixar a pasta.

Entretanto, após nota da FGV, até aliados do ministro se mostraram “constrangidos em defendê-lo”, destacou a Folha de S. Paulo. Mas, como a exoneração de Decotelli poderia ser um problema para a imagem do governo, por ele ser o primeiro ministro negro da gestão, a pressão seguiu no sentido para que o economista pedisse demissão.

8 comentários

  1. Ele nem tomou posse.
    Como ninguém checa o passado da pessoa antes de nomeá-la? As informações do curriculo sao facilmente verificáveis.
    Deveriamos fazer como nossos “vizinhos do norte”, os americanos. Lá se faz um background check extemamente minucioso como procedimento prévio, e depois ainda tem de passar pelo moedor de carne no Senado. Muitos candidatos a cargos no executivo não conseguem chegar ao fim do processo.

  2. E o recorde é de quem?

    Nelson Taich ficou no chinelo, menos de um mês no ministério.
    O campeão foi nomeado pelo Diário Oficial e nem chegou a sentar na cadeira, imbatível.

  3. Bem, não diria “pressão”, mas a clareza de que seu currículo é, no mínimo, duvidoso.
    Por outro lado, foi bastante salutar a presença de pessoas de entidades ligadas a setores da educação comentando o currículo do Decotelli, no Jornal Hoje, da Globo.
    Dentre eles, estava o reitor da USP, Vahan Agopyan.
    O reitor diria que, caso houvesse uma fraude deste tipo, a pessoa por si só se demitiria, pois os seus pares não o aceitariam.
    O que ele disse é verdade, pero, depende de uma ótica estrita.
    Afinal, dependendo do grupo onde atua dentro da universidade, os problemas poderiam ser outros, bem outros.
    Quer dizer, nada como fazer do caso do Decotelli para dizer, de quebra, que “sim, NÓS somos honestos”.

  4. Agora fiquei com uma dúvida, que, quero crer, também é do ex-ministro: quem é Carlos Decotelli? Nem oficial da reserva ele é, como dizia sê-lo. A minha dúvida é trivial, a de um sujeito que assiste a mais uma canalhice dessa quadrilha eleita. A do ex-ministro é terrível, pois é existencial. Agora, ele deve (assim espero) estar se perguntando quem ele, de fato, é, depois de passar a vida mentindo para os outros e, por que não?, para si. Foi uma decisão terrível assumir o cargo, pois teve de revelar publicamente quem ele é, um desqualificado para o cargo, e, o pior de tudo, assumir-se quem ele nunca quis ser, um zé-ninguém. Ao fim, foi uma tremenda sessão de psicanálise. Ele deveria até nos agradecer.

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