Deltan parou de fazer filantropia com palestras e embolsou R$ 580 mil

Para se livrar de ação no Conselho Nacional do Ministério Público, Deltan Dallagnol afirmou que a maior parte dos recursos de palestras ia para hospital e combate à corrupção

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Depois que convenceu o Conselho Nacional do Ministério Público a arquivar uma ação que questionava suas palestras, alegando que fazia filantropia com elas, Deltan Dallagnol mudou o foco. Alterou os contratos de prestação do serviço e passou a embolsar o lucro líquido que obtinha com os eventos. Dessa maneira, segundo comprovantes trocados por mensagens de Telegram, o procurador da Lava Jato faturou pelo menos R$ 580 mil para si, a partir de 2017. É o que mostra novo vazamento do Intercept Brasil em parceria com a Folha, nesta sexta (23).

Segundo o jornal, cada “aula” de Dallagnol variou entre R$ 10 mil e R$ 35 mil. Se juntar os montantes que ele remeteu para filantropia com o que embolsou, são mais de R$ 1 milhão em palestras e eventos conquistados graças à fama na Lava Jato.

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“A lista de contratantes do procurador traz unidades da operadora de planos de saúde Unimed, firmas do mercado financeiro e associações industriais e comerciais”, anotou a Folha.

No mês passada, a Vaza Jato revelou que Deltan pretendia ampliar ainda mais os lucros, abrindo uma empresa com o colega Roberson Pozzobom, no nome das respectivas esposas. A revelação foi parar na Corregedoria do CNMP.

Procurador, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato afirmou que “na soma de 2016 a 2018, destinou a maior parte dos valores para atividade beneficente ou ações anticorrupção, incluindo uma reserva de R$ 184 mil que mantém em aplicação financeira e que ele diz planejar para essa última finalidade. Ele não comenta as mudanças ocorridas especificamente após 2017”, indicou a Folha.

Até 2016, “a maior parte do valor arrecadado com as palestras havia sido doada ao Hospital Oncopediátrico Erasto Gaertner, de Curitiba. A instituição médica informou à época ter recebido R$ 219 mil (R$ 240 mil em valores atualizados) do procurador.”

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