Violência contra idoso não é só agressão física, pode ser também psicológica, material ou financeira, ou mesmo a negligência e o abandono.
Segundo dados coletados pela Ouvidoria do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, nos primeiros cinco meses de 2023 o Disque 100 registrou um aumento nas denúncias de violência contra o idoso, se comparado ao mesmo período de 2022.
As denúncias também foram contabilizadas através dos canais de e-mail e redes sociais.
Alexandre da Silva, Secretário Nacional de Direitos Humanos da Pessoa Idosa, acredita que o aumento tenha se dado porque anteriormente as denúncias eram subnotificadas. “A maior quantidade de denúncias pode significar maior confiabilidade nas instituições de que vai haver alguma providência”.
No Brasil, junho é o mês da conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa, o Junho Violeta. Mas o Lar dos Velhinhos, em Brasília, realiza campanhas permanentes para doações financeiras, de roupas, móveis e agasalhos.
“Um dos nossos focos neste mês alusivo ao enfrentamento da violência contra o idoso é a maior divulgação do Disque 100”.
Alexandre da Silva, Secretário Nacional de Direitos Humanos da Pessoa Idosa
Dupla violência
Pessoas idosas que estejam inseridas em outros tipos de vulnerabilidade social, como baixa renda e raça, podem enfrentar uma violência ainda maior.
Durante a pandemia, as principais vítimas estavam entre as populações mais carentes, como os ribeirinhos, população negra, quilombolas e indígenas, além de pessoas moradoras da periferia e favelas. É o que afirma o médico gerontólogo, presidente da Centro Internacional da Longevidade (International Longevity Centre, ILC Brazil) e co-diretor do Age Friendly Institute, baseado em Boston (Estados Unidos), Alexandre Kalache.
A vulnerabilidade no Brasil é da desigualdade social.
Alexandre Kalache, médico gerontólogo
Pandemia
A pandemia, além das mortes que causou pela negligência do último governo, também evidenciou que a violência contra idosos se dava principalmente dentro do contexto familiar.
“A pandemia nos prestou, de uma forma perversa, o flagrante que o país precisa dar saltos gigantescos para que a gente combata o idadismo, o preconceito contra o idoso. No Brasil, o velho é sempre o outro”, afirma o médico Kalache.
Para Kalache, o Brasil vive um momento histórico no enfrentamento da violência contra o idoso.
O médico acredita que é imprescindível retomar as políticas públicas que vinham sendo feitas, já que, nos últimos anos, não houve nenhuma atenção voltada para esse grupo da sociedade.
Ele leva em conta que o Brasil será um dos três países que mais rapidamente irá envelhecer até o ano de 2050.
China e Tailândia estão entre as nações que precisam também se organizar para proporcionar dignidade a uma faixa etária que não para de crescer.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que pessoas com 60 anos ou mais chegaram a 31,23 milhões de pessoas.
“Realmente nós perdemos muito tempo. Como você pode justificar que um país que tem 3% da população mundial seja responsável por 11% das mortes pela covid-19. Houve muito desleixo porque as principais vítimas da pandemia eram pessoas idosas”.
Alexandre Kalache, médico gerontólogo
Para o secretário Alexandre da Silva, as soluções passam por ações educativas.
Silva diz que o governo vai apresentar uma série de ações para minimizar as violências, e fortalecer as parcerias com estados e municípios.
“O importante é que o idoso nunca se cale. Ele nunca deve consentir com nenhum tipo de violência”.
Para isso, segundo orienta o secretário, é possível a todos os cidadãos encontrarem algum órgão com um serviço de saúde ou um espaço socioassistencial, como os Cras e Creas, que são os centros de referência de assistência social.
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