Dep. portuguesa arranca máscara do golpe. Respondo-lhe: terroristas tomaram o avião

Não é a primeira vez que vejo um bom discurso de um deputado do Bloco de Esquerda. No panorama político português seria o equivalente a um PSOL, mas com representação parlamentar bastante superior.

Neste discurso, a deputada descreve – para nossa vergonha – a sessão da Câmara de domingo e outros aspectos do golpe de Estado em curso no Brasil.

A compreensão do golpe em Portugal é bastante facilitada:

– há a proximidade linguística e cultural, aumentando mesmo o interesse pelo tema;

– são, como legatários do mesmo a nós, profundos conhecedores do apego ibérico a formalismos e aparências. Assim, sabem como esse traço permite, casado com cinismo e hipocrisia, sem alterar uma vírgula de nenhuma lei, por ação ou omissão, cometer estupros de repetição – se não formais, materiais – da institucionalidade e do Estado de Direito.

Neste caso específico a democracia em sentido estrito e o princípio majoritário são também currados atrás do biombo das falsas aparências.

– Não devemos esquecer que a democracia portuguesa é apenas uma década mais velha que a Brasileira. As memórias do arbítrio ainda são bastante vivas naquela terra.

Por essas razões, recomendo aos Ministros do STF que evitem os colóquios acadêmicos em Lisboa e em Coimbra, pelo menos.

Os portugueses estão bastante informados sobre o que ocorre no Brasil.

Aliás, depois daquela abjeta sessão em que Eduardo Cunha “manobrou” à vontade, sentado em cima de uma CARTA BRANCA dada pelo STF, o mundo todo está em alguma medida informado.

Não escapa a ninguém a ridicularizarão do processo de impeachment – mas também do país e de suas instituições – em toda a imprensa internacional e nos círculos de Chefes de Estado, políticos estrangeiros e altos funcionários de Organizações Internacionais.

É impressionante como o “soft power” brasileiro e a “goodwill” de que o país gozava desfizeram-se como fumaça em um par de anos.

Parábola do avião:

É como acidente de avião: decerto as razões para essa tragédia são múltiplas.

Mas também como num acidente de avião falta-nos um comandante capaz de tirar a aeronave do piloto automático e realizar um pouso de emergência. Pouso traumático, mas que minimizaria perdas materiais e evitaria a morte.

Nosso comandante teve as mãos amarradas por terroristas que sequestraram o avião.

E o copiloto, ou melhor, os copilotos, em vez de tomarem a direção em suas mãos, preferem trancar-se dentro do lavabo, a salvo.

Sim, estão a salvo da violência dos terroristas e da responsabilidade de tomar as rédeas do avião cadente – o que pode salvá-lo ou não.

Mas com essa atitude compram apenas o luxo de serem os ÚLTIMOS A MORRER na inevitável explosão que se seguirá.

Ninguém mais a bordo está apto a fazer esse pouso de emergência.

Que aproveitem seus últimos segundos de tranquilidade às expensas da tortura do resto da tripulação e dos passageiros na mão dos terroristas, todos cientes do fim iminente.

KA-BOOOOOOOOOOM!

Ao bravo discurso da deputada portuguesa então:

Mídia Ninja

“O impeachment resolve algum problema dos problemas de corrupção no Brasil?”

O assunto roda o mundo depois da patética votação de domingo no Congresso Federal. A deputada do Bloco de Esquerda de Portugal Joana Mortágua faz seu pronunciamento: “o impeachment é a vitória da corrupção (…) de uma direita conservadora que viu uma oportunidade para assaltar o poder.”

Link para o video aqui.

E vendo essa jovem e brava deputada portuguesa, vem-me à cabeça uma canção celebrando o seu povo, o nosso povo e nossa herança comum.

É com você, Chico! Cante para a deputada e para nós o “Fado Tropical“.

 

 

 

 

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