20 de junho de 2026

Deputado italiano revela esconderijo e Carla Zambelli é presa em Roma; Itália tem 48 horas para responder pedido de extradição

Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça
Foto: Agência Brasil

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi localizada nesta tarde desta terça-feira (29) em um apartamento em Roma, na Itália. A prisão da aliada de Jair Bolsonaro foi confirmada pelo Ministério da Justiça brasileiro. As autoridades italianas têm 48 horas para se manifestar a respeito do pedido de extradição.

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A bolsonarista teria sido encontrada no apartamento de propriedade de uma brasileira, nos arredores do Vaticano, segundo informações da Revista Piauí. O jornalista Jamil Chade informou, no ICL Notícias 2, que o marido de Zambelli não estava no local da prisão pois já havia voltado ao Brasil. Zambelli estava acompanhada do pai. Ela agora está presa em uma delegacia em Roma, não em um presídio.

Após a repercussão na mídia a respeito da prisão, a defesa de Zambelli afirmou que ela “se apresentou espontaneamente às autoridades italianas”, após apresentar um pedido de asilo político, que teria feito ainda nesta terça.

A localização da parlamentar teria sido revelada pelo deputado italiano Angelo Bonelli, membro do partido Europa Verde, de vertente ambientalista de centro‑esquerda na Itália. No X, antigo Twitter, ele afirmou que encontrou e denunciou às autoridades o endereço onde Zambelli estaria hospedada.

“Carla Zambelli está em um apartamento em Roma. Informei o local à polícia, que já iniciou o processo de identificação”, escreveu Bonelli na rede social X (antigo Twitter).

Atualmente, Zambelli é deputada federal licenciada. Seus vencimentos já foram bloqueados por decisão do STF após a condenação, mas a Câmara dos Deputados ainda não cassou o mandato da parlamentar.

CONDENAÇÃO PELO STF

Em maio, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O hacker Walter Delgatti, responsável por executar as ordens de Zambelli, também foi sentenciado a 8 anos e três meses de reclusão.

Inicialmente, a deputada deveria cumprir a pena em regime fechado e, além da perda do mandato, ficará inelegível. Delgatti, que já está em prisão preventiva, deve seguir recluso. Ambos ainda terão de pagar, solidariamente, uma indenização de R$ 2 milhões, por danos morais e coletivos. 

Pouco tempo após a sentença, ela deixou o Brasil em uma tentativa de escapar da execução da pena. À época, a deputada afirmou viajou à Europa para tratar depressão. A pedido do STF, o nome de Zambelli entrou para a lista da Interpol.

EXTRADIÇÃO

A extradição de Zambelli ainda deverá ser decidida pelas autoridades, mas é juridicamente possível com base no Tratado de Extradição firmado entre Brasil e Itália em 1989, que entrou em vigor em 1991. Esse tratado permite que ambos os países extraditem pessoas processadas ou condenadas por crimes puníveis com pena mínima de pelo menos um ano de prisão, desde que o delito exista nas legislações de ambos os países.

Além do tratado bilateral, convenções internacionais das quais Brasil e Itália são signatários, como a Convenção da ONU contra o Crime Organizado Transnacional e a Convenção contra a Corrupção, também podem ser utilizadas como base complementar para cooperação jurídica, embora não substituam o tratado principal.

A extradição pode ser negada se houver indícios de perseguição política ou religiosa, se a pessoa já tiver sido julgada na Itália pelos mesmos fatos ou se o julgamento no Brasil tiver ocorrido sem que o réu pudesse se defender. Porém, se houver provas de instrumentalização da nacionalidade italiana para fugir da Justiça, a extradição pode sair do papel.

Foi o que aconteceu em 2015, quando o governo italiano decidiu efetivar a extradição de Henrique Pizzolato, condenado pelo STF no caso do Mensalão. Ele havia fugido do Brasil em 2013.

A decisão final sobre a extradição cabe à Justiça italiana, que avaliará tanto os aspectos legais quanto eventuais alegações de perseguição política por parte da defesa.

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5 Comentários
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  1. Alvaro Paulino Silva Sousa

    29 de julho de 2025 7:00 pm

    Aqui não é presa é detida . até prova em contrário. Brasucas são burros demais para entender detenção ou presas-Enfim-lidar com indios e complicado-..

    1. AMBAR

      30 de julho de 2025 12:39 pm

      É comovente perceber quão grande autoestima o brasileiro possui. Preso ou detido, caramelo ou com pedigree, alguns deles não deixam de latir.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de julho de 2025 10:32 am

    Macarrâo 3 vezes ao dia no menu da prisão. Se for um pouquinho esperta, Zambelli pedirá para ser imediatamente enviada para o Brasil. Cá a comidinha é mais variada e ela poderá receber cestas de alimentos no presídio.

  3. Paulo Nogueira

    30 de julho de 2025 11:13 am

    Justiça brasileira; O melhor para o Brasil seria não pedir a extradição dessas pragas. Seria mais conveniente facilitar as fugas de todos esses golpistas e, em seguida, cassar suas cidadanias e não permitir que retornem ao país.

  4. AMBAR

    30 de julho de 2025 12:37 pm

    Bonitinha mas extraordinária, a deputada em questão exibe uma inteligência de pelo menos 8 anos de idade: o suficiente para ser alfabetizada, e como a utiliza com propriedade! Rodeada de bençãos, do Vaticano, do pai, do marido, a criatura, último terminal do bolsonarismo insano , acreditava-se inalcançável, mas se a mão de deus a protegeu, o longo braço da lei a encontrou. Vai achar refúgio neste país generoso que deixou. Seja bem-vinda Zamba.Feliz retorno!

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