Por Eliana Rezende
Como profissional da informação, custa-me assistir diariamente verdadeiros atentados contra aquilo que considero a coisa mais importante que caberia a meios de comunicação: a informação como matéria-prima tanto para a tomada de decisões quanto para o exercício de cidadania.
Mas infelizmente, e muito especificamente no caso da imprensa brasileira, temos o que alguns profissionais da área chamam desinformação como tática!
Vejo que mais do que corrupção, escândalos, manifestações, inflação ou qualquer outro termo utilizado pela grande imprensa o mais crasso e perigoso à democracia é a desinformação. Pior, quando é uma escolha, uma opção dos veículos de massa que pretendem, com esta ação, pautar como a sociedade se organiza, politica, social e economicamente.
Cito alguns exemplos neste sentido.
Em todo o período que antecedeu à Copa do Mundo, o Brasil assistiu a uma onda de pessimismo e de queixas que se reproduziam como mantra.
Os meios de comunicação, realizando um papel absurdo de partido político tentava, por meio de meias verdades e desinformação, gerar mal estar e pessimismo nos brasileiros e desconfiança no resto do mundo. Por seu turno, via as pessoas repetirem chavões acríticos que ouviam nas mídias e, sem pensar sobre os reais interesses por trás de tudo o que a imprensa noticiava e envenenava.
Os resultados todos nos lembramos bem: chegava a haver um mal estar nos meios quando tinham que reconhecer que tudo estava correndo muito bem. E o pior: quando os elogios rasgados vinham da imprensa internacional. Toda a desinformação voltou-se contra seus próprios construtores. O descrédito foi geral! E assolados em duas frentes: de um lado uma campanha de marketing abominável tentando colocar nas mãos de alguns jogadores todo o talento e magia de nosso futebol. Fiasco de novo. O futebol envergonhou e mostrou-se patético: ocupou sua real posição no mundo do futebol internacional. Cartolas e jogos de interesses foram expostos em praça pública. Dois tiros no pé! Erraram em todas as suas previsões. Ainda bem que tinham dois pés para, democraticamente, dar-se um tiro em cada um e ainda sobravam dois, lá atrás.
A imprensa no Brasil deixou de fazer jornalismo há muito tempo.
Como profissional da Informação, esta é uma conduta que me irrita profundamente…
Cito, Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa:
“(…) Se o leitor ou leitora afeto à visão crítica dos acontecimentos fizer uma visita ao noticiário dos últimos doze meses, vai observar que o estado de espírito negativo que contamina o Brasil não decorre de um efeito colateral do noticiário: é o propósito central da atividade da imprensa hegemônica.
Quando o sistema da comunicação abandona o pressuposto da objetividade para atuar como lobby, mesmo às custas de suas necessidades e interesses de longo prazo, pode-se dizer que houve uma ruptura entre jornalismo e imprensa.
O núcleo tático desse procedimento é a imposição de meias-verdades, que produzem a desinformação geral; a desinformação estimula protestos, crises, decisões equivocadas de investidores, e − o mais grave − descrença no sistema democrático (…)”
Lembro de um fato ocorrido que dá bem este exemplo de desinformação como tática.
Era um evento de índios em Brasília.
De repente, uma foto com cenografia pura e simples. E já tínhamos por parte da imprensa uma manifestação dos índios contra o Planalto!
Nenhuma discussão sobre o seu número, sua representatividade e seus objetivos, quanto que em termos percentuais aquele número significa na população do Brasil e quais os aspectos que são antes de tudo culturais.
As fotos maquiadas e muito focadas servem aos interesses lobistas da imprensa e não tem nada que ver com informação.
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A vítima pela lente da mídia |
O mesmo ocorreu quando se tentava dar aos black blocks uma dimensão infinitamente maior do que de fato o foram. Discussão que até sociólogos se recusavam a fazer, já que enquanto expressão e volume nada representavam. Eram de fato situações isoladas que tentaram ser exploradas e superdimensionadas pela imprensa em geral.
Vejo o nosso papel como sendo exatamente este: pôr tais temas em pauta e de fato questioná-los.
Não ser meros consumidores de informação. Já falei sobre isto, no post “Consumidores ou Coletores de Informação?“ que ainda acho bem atual e pertinente para este caso.
Transcorrido o tempo, mas de novo nesta orquestração de desinformação, temos a construção quase que diária de factoides*.
*Um factoide (nova grafia, pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa) é uma declaração (falsa, não verificada, ou fabricada) questionável ou espúria apresentada como fato, mas sem provas. O termo também pode ser utilizado para descrever um fato especialmente insignificante ou novo, na ausência de contexto muito relevante. O termo é definido pelo Compact Oxford English Dictionary como “um item de informação não confiável que é repetido tantas vezes que se torna aceito como fato”
Os factoides são a tentativa de pautar os caminhos de nossa democracia a partir das páginas de semanários (ex.: Veja). Para falarmos o mínimo, sua construção de escândalos e capas são um atentado ao verdadeiro jornalismo!
A condição primordial, que deveria ser ensinada, para todo aquele que deseja um dia ser um profissional de informação, é checar sua fonte, indicar provas. Boataria não serve à ninguém e muito menos à informação. Mas nesta luta de trincheira midiática o papel mais tosco coube a outros “veículos de informação” que saíram atrás de reproduzir o boato. Aí, de fato estamos em dificuldades.
Não cabe à imprensa julgar, supor, investigar nem condenar. Cabe apontar vias de elucidação, esclarecer de forma articulada e inteligente, mostrar meandros e conexões, construir questões que problematizam de fato e que não sejam apenas névoa para confundir. Mas em todos os casos o que temos são escolhas e informações. Ambas sempre estiveram em territórios e disputas pelo poder e livre pensamento. A desinformação no entanto, tenta anular os dois.
Provavelmente, não seremos nós a mudar tais opções, pois não nos pertencem. Mas temos que ser nós a aprender a ter uma postura crítica e arrazoada. Nunca embarcar no primeiro mantra que ouvimos divulgado. Do contrário perdemos todos! E seremos avassalados pela desinformação. Afinal, dados são apenas dados…informação e posicionamento crítico são outra coisa.
O papel dos meios de comunicação tentando realizar pilhagem de dados e apresentá-los para obter algum protagonismo noticioso, em geral revela-se, como de fato tem ocorrido sucessivamente com VEJA, um malogro patético.
Eis o papel que nos cabe:
Ser agente e profissional nos processos de lidar, tratar e usar a informação. Simplificações e passionalidades não servirão e logo, logo, teremos sim que nos posicionar de forma consciente frente à uma urna.
Isto sim me preocupa!
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Posts relacionados:
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Curadoria de Conteúdos: O que é? Quem faz? Como faz?
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Publicado orinalmente no blog Pensados a Tinta
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nosde
23 de setembro de 2014 2:45 amCOMO EU FAÇO PARA GUARDAR
COMO EU FAÇO PARA GUARDAR ESTE TEXTO ?
Erly Ricci
23 de setembro de 2014 3:48 pmFavoritar
Clica em favoritar, no pé da postagem
Eli Rezende
24 de setembro de 2014 1:18 amDesinformação como tática midiática
Ol@ nosde…
Vc tbm pode ir para a postagem orinal no blog:
http://pensadosatinta.blogspot.com.br/2014/09/desinformacao-como-tatica-midiatica.html
Abs
Eliana
Frank
23 de setembro de 2014 3:36 amTEnho uma dúvida, depois de
TEnho uma dúvida, depois de comprarmos um jornal ou revista impressa com algo escandalosamente falso (ficha da Dilma, Demostenes Ético…), será que podemos entrar e ganhar uma indenização no Juizado de Pequenas Causas? Afinal , compramos algo com defeito, com vício induzido de proposito.
Luciano Prado
23 de setembro de 2014 11:18 amJudiciário – outra vítima dessa desinformação
Não, definitivamente não. Porque o juduciário passou a agir como braço auxiliar dessa desinformação e manipulação. Joaquim Barbosa e Ayres Britto são exemplos palpáveis da cooptação pela imprensa.
Bastaram algumas capas da Veja para Barbosa, por exemplo, se render aos holofotes midiáticos e passar a agir com base nos interesses mesquinhos dessa velha mídia.
Fernando ( não logado)
23 de setembro de 2014 6:25 amBravo Bravíssimo.
Eliane,
me lembrei de um post antigo seu ( e se … ) em que vc perguntava o que faríamos se tivéssemos apenas um dia de vida.
Dia destes eu me lembrei de uma frase que mainha escrevia em nossos livros didáticos: ” Instrua-te como se a vida fosse eterna e viva como se a morte fosse amanhã. “
Somando as duas lembranças me ocorreu o seguinte: Eliane escreveu este texto como se fosse o seu último.
Tamanha clareza , leveza e coerencia não se vê muito por ai.
Belíssimo texto.
Bravo bravíssimo.
Eli Rezende
24 de setembro de 2014 1:21 amDesinformação como tática midiática
Olá Fernando…
Muito grat@ de verdade!
E tens razão! Qaundo escrevo sempre espero que seja o meu melhor e mais derradeiro post.
Ao mesmo tempo, não posso falar de informação e mídia se não conseguir ser clara com meu raciocinio.
Fioc feliz de saber que se lembra de outros posts…
Abs
Eliana
Roberto São Paulo-SP 2014
23 de setembro de 2014 7:00 amAos eleitores mais jovens, com carinho
Estamos muito próximo das eleições presidenciais, onde os mais jovens mais do que refletir, precisam também recorrer a pesquisas do passado recente para decidir o rumo que o país tomará depois das eleições.
Temos muito a melhorar, o Brasil ainda é o pais cheio de desigualdades sociais e de enorme concentração de renda, mas estamos no caminho correto para que todos nesse país possa viver mais e melhor.
Dentre as alternativas nestas eleições o PT é o melhor caminho para garantir a continuidade do processo de distribuição de renda, que garanta um maior acesso a bens e serviços pela população, e não é por menos que a maior parte da mídia apoia os candidatos da oposição Aécio Neves e Marina Silva.
Eu sei que lendo jornais e revistas ou vendo e ouvindo a rádio e a televisão nos dias de hoje, a impressão é de que vivemos numa terra arrasada pelo PT, e que a maioria dos brasileiros e brasileiras vivem em uma situação bem pior do que no passado recente, e que o governo FHC e os anteriores eram bem melhores do que os Governos do Presidente Lula e da Presidenta Dilma.
Mais não é bem assim, muito pelo contrário.
Apesar do enormes recurso naturais desse país muitos brasileiros morriam de fome, além da miséria absoluta a fome imperava nos lares de milhões de brasileiros e brasileiras, o desemprego era enorme, e muito daqueles que conseguiam um emprego novo, quase sempre o fazia em troca de salário bem inferior ao emprego anterior, e não antes de passar vários meses sem emprego e renda, e vivendo de favores de parentes e amigos, e quase ninguém viajava de avião, que coisa para uma parcela muita restrita da população deste país.
Muitos de vocês jovens de hoje, tem acesso livre a internet além do aceso aos meios de comunicação como jornais, revistas, rádio e televisão, aproveitem esta enorme oportunidade para buscar informações do passado recente, principalmente com referência ai fome vivida por milhões de brasileiros e brasileiros de todas as idades, do nível de emprego, do salário real, das condições de emprego com carteira assinada, do nível da inflação, do acesso as escolas, principalmente as universidades.
E depois busque as considerações dos parentes mais velhos, como país, tios, e avós.
Muito provavelmente perceberão que o Brasil de hoje é muito melhor do que o passado recente, a fome quase não existe mais, o desemprego é muito menor, e salários reais bem maiores, e o consumo da famílias também é muito maior.
Está melhora se deve ao atual processo de distribuição de renda, que ampliou as politicas sociais com o Bolsa família, aumentou a renda dos trabalhadores, com os aumentos reais do salário mínimo e com o aumento do emprego com carteira assinada, aumentou o poder de compra da famílias com o aumento real dos salários, do nível do emprego, e do crédito destinado ao consumo.
Temos muito a melhorar, o Brasil ainda é o pais cheio de desigualdades sociais e de enorme concentração de renda, mas estamos no caminho correto para que todos nesse país possa viver mais e melhor.
Dentre as alternativas nestas eleições o PT é o melhor caminho para garantir a continuidade do processo de distribuição de renda, que garanta um maior acesso a bens e serviços pela população, e não é por menos que a maior parte da mídia apoia os candidatos da oposição Aécio Neves e Marina Silva.
Gerson Pompeu
23 de setembro de 2014 10:01 amHumor e contradesinformação.
“Dois tiros no pé! Erraram em todas as suas previsões. Ainda bem que tinham dois pés para, democraticamente, dar-se um tiro em cada um e ainda sobravam dois, lá atrás”.
IV AVATAR
23 de setembro de 2014 10:36 amO que a Globo está fazendo é banditismo e não jornalismo
O que a Globo está fazendo não é jornalismo e sim banditismo, canalhice, crime eleitoral ao fazer propaganda política para detonar Dilma para favorecer Aécio e Marina, dois candidatos cujas propostas não se diferenciam, até me lembro quando vou a uma farmácia e fico na dúvida se levo o genérico ou o similar. Mas é isso,: A Globo está apostando no tudo ou nada para tirar o PT do poder, investiu muito prá isso, instrumentalizou a primavera junina de 2013, jogou pesado no NãoVaiTerCopa, inventou, distorceu, pôs uma matilha de cães para latir a título de estarem entrevistando Dilma, uma hora a população vai desconfiar que o ódio que sente do PT foi insuflado por uma emissora de TV que, como concessionária de serviço público, deveria noticia ao invés de fazer politicagem, não pense a Globo que, em tempos de redes sociais, a população não vai perceber que a emissora pratica crime eleitoral a todo momento, afinal de contas o que é isso senão crime eleitoral: Sabotar a candidata durante suas entrevistas, não deixá-la responder as perguntas que lhe são feitas, alô Ministério Público Eleitoral, TSE, FENAJ, OAB e cia, kd vcs:
Se as constantes interrupções de Bonner e Poeta na entrevista de Dilma ao Jornal Nacional, no mês passado, já foram preocupantes, a Rede Globo conseguiu bater o recorde hoje pela manhã. Na entrevista ao Bom Dia Brasil, Miriam Leitão, Ana Paula Araújo e Chico Pinheiro fizeram OITENTA E DUAS interrupções à fala de Dilma durante os 30 minutos e meio de entrevista. Se considerarmos que por mais de 8 minutos desse total a palavra foi dos jornalistas, Dilma foi interrompida, nos pouco mais de 22 minutos restantes, em média, uma vez a cada 16 segundos. É quase o dobro do que ocorrera no Jornal Nacional, quando havia uma interrupção a cada 29 segundos.
A campeã de interrupções é Miriam Leitão, que responde por quase metade das 82. As intervenções dos três jornalistas chamaram tanto a atenção e atrapalharam tanto o andamento da entrevista que Dilma teve que avisar: “Deixa eu acabar de responder, pelo amor de Deus? O debate é comigo, não é?”. Era quase impossível a presidenta concluir seu pensamento, poucas falas não eram interrompidas.
Foi tanta vontade de interromper a presidenta que cenas bizarras chegaram a acontecer, como a sincronizada interrupção tripla a 18 minutos de entrevista e a interrupção da interrupção, quando a 23min30s, Miriam Leitão pede licença para Ana Paula para poder falar mais um pouco.
A cena é recorrente. Dilma é a entrevistada, mas nenhum jornalista quer ouvir o que ela tem a dizer. Preferem ficar perguntando em círculos, sem ouvir as respostas e ignorando os dados que apresentam os avanços do país. Quase deixam de lado o papel de entrevistadores; viram debatedores.
http://www.mudamais.com/ruas-e-redes/uma-interrupcao-cada-16s-eles-nao-deixam-dilma-falar
Calvin
23 de setembro de 2014 5:54 pmEssa Eliana precisa ler Nassif!
Né não?
altamiro souza
23 de setembro de 2014 7:50 pmdois tiros nos dois pés da
dois tiros nos dois pés da frente e dois nos de trás…
mas afgrande mídia sabe que a
tropa é grande, por isso exacerba na burrice.