Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

Jornal GGN – Segundo artigo mais lido de 2013, “Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira” também ficou em segundo lugar entre os mais comentados de 2013, com 542 opiniões. Análise de Renato Santos de Souza sobre o reacionarismo da classe média em função da supervalorização da meritocracia provocou elogios, críticas e até comentários nem pró, muito menos contra. 

Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira – Renato Santos de Souza 

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.

Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.

Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.

Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média – ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma. Mas não sem antes uma boa pergunta! Como pode uma categoria profissional pensar e agir assim, de forma tão unificada, num país tão plural e tão cheio de nuanças intelectuais e políticas como o nosso? Estudantes de medicina e médicos parecem exibir um padrão de pensamento e ação muito coesos e com desvios mínimos quando se trata da sua profissão, algo que não se vê em outros segmentos profissionais. Isto não pode ser explicado apenas pelo que se convencionou chamar de “corporativismo”. Afinal, outras categorias profissionais também tem potencial para o corporativismo, e não o são, ao menos não da mesma forma. Então deveria haver outra interpretação para isto.

Bem, naqueles episódios do Mais Médicos, apesar de toda a argumentação pretensamente responsável das entidades médicas buscando salvaguardar a saúde pública, o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil. Então, este pensamento único provavelmente fora forjado pelas longas provações por que passa um estudante de medicina até se tornar um profissional: passar no vestibular mais concorrido do Brasil, fazer o curso mais longo, um dos mais difíceis, que tem mais aulas práticas e exigências de estrutura, e que está entre os mais caros do país. É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia. 

A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora. 

Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.

Mas por que a classe média seria mais meritocrática que as outras? Bem, creio que isto tem a ver com a história das políticas públicas no Brasil. Nós nunca tivemos um verdadeiro Estado do Bem Estar Social por aqui, como o europeu, que forjou uma classe média a partir de políticas de garantias públicas. O nosso Estado no máximo oferecia oportunidades, vagas em universidades públicas no curso de medicina, por exemplo, mas o estudante tinha que enfrentar 90 candidatos por vaga para ingressar. O mesmo vale para a classe média empresarial, para os profissionais liberais, etc. Para estes, a burocracia do Estado foi sempre um empecilho, nunca uma aliada. Mesmo a classe média estatal atual, formada por funcionários públicos, é geralmente concursada, portanto, atingiu sua posição de forma meritocrática. Então, a classe média brasileira se constituiu por mérito próprio, e como não tem patrimônio ou grandes empresas para deixar de herança para que seus filhos vivam de renda ou de lucro, deixa para eles o estudo e uma boa formação profissional, para que possam fazer carreira também por méritos próprios. Acho que isto forjou o ethos meritocrático da nossa classe média. 

Esta situação é bem diferente na Europa e nos EUA, por exemplo. Boa parte da classe média europeia se formou ou se sustenta das políticas de bem estar social dos seus países, estas mesmas que entraram em colapso com a atual crise econômica e tem gerado convulsões sociais em vários deles; por lá, eles vão para as ruas exatamente para defender políticas anti-meritocráticas. E a classe média americana, bem, esta convive de forma quase dramática com as ambiguidades de um país que é ao mesmo tempo das oportunidades e das incertezas; ela sabe que apenas o mérito não sustenta a sua posição, portanto, não tem muitos motivos para ser meritocrática. Se a classe média adoecer nos EUA, vai perder o seu patrimônio pagando por serviços privados de saúde pela absoluta falta de um sistema público que a suporte; se advém uma crise econômica como a de 2008, que independe do mérito individual, a classe média perde suas casas financiadas e vai dormir dentro de seus automóveis, como se via à época. Então, no mundo dos ianques, o mérito não dá segurança social alguma.

As classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas. A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso; ao contrário, sua defesa tem que ser dos privilégios que o dinheiro pode comprar, do direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Além disso, boa parte da elite brasileira tem consciência de que depende do Estado e que, em muitos casos, fez fortuna com favorecimentos estatais; então, antes de ser contra os governos e a política, e de se intitular apolítica, ela busca é forjar alianças no meio político. 

Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas. 

A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 

Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa. 

Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social. 

a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.

b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos. 

c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.

d) A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”. Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes. O Mário Quintana merecia estar na ABL, mas não teve desempenho para tal. O Paulo Coelho, o Sarney e o Roberto Marinho estão (ou estiveram) lá, embora muitos achem que não merecessem. O Quintana, pelo imenso valor literário que tem, não merecia ter morrido pobre nem ter tido que morar de favor em um hotel em Porto Alegre, mas quem amealhou fortuna com a literatura foi o Coelho. Um tem inegável valor literário, outro tem desempenho de mercado. O José, aquele menino nota 10 na escola que mora embaixo de uma ponte da BR 116 (tema de reportagem da ZH) merece ser médico, sua sonhada profissão, mas provavelmente não o será, pois não terá condições para isto (rezo para estar errado neste caso). Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam. 

Mas a meritocracia exige medidas, e o merecimento, que é um juízo de valor subjetivo, não pode ser medido; portanto, o que se mede é o desempenho supondo-se que ele seja um indicador do merecimento, o que está longe de ser. Desta forma, no mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito.

e) A meritocracia escamoteia as reais operações de poder. Como avaliação e desempenho são cruciais na meritocracia, pois dão acesso a certas posições de poder e a recursos, tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente. Seria ingênuo supor o contrário. Assim, os critérios de avaliação que ranqueiam os cursos de pós-graduação no país são pautados pelas correntes mais poderosas do meio acadêmico e científico; bons desempenhos no mercado literário são produzidos não só por uma boa literatura, mas por grandes investimentos em marketing; grandes sucessos no meio musical são conseguidos, dentre outras formas, “promovendo” as músicas nas rádios e em programas de televisão, e assim por diante. Os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos.

Critérios avaliativos e medidas de desempenho são moldáveis conforme os interesses dominantes, e os interesses são a razão de ser das operações de poder; que por sua vez, são a matéria prima de toda a atividade política. Então, por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade.

Até aí tudo bem, isso ocorre na maioria dos sistemas políticos, econômicos e sociais. O problema é que, sob o manto da suposta “objetividade” dos critérios de avaliação e desempenho, a meritocracia esconde estas relações de poder, sugerindo uma sociedade tecnicamente organizada e isenta da ingerência política. Nada mais ilusório e nada mais perigoso, pois a pior política é aquela que despolitiza, e o pior poder, o mais difícil de enfrentar e de combater, é aquele que nega a si mesmo, que se oculta para não ser visto.

e) A meritocracia é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação (talvez a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade). A dominação e o poder ganham roupagens racionais, fundamentos científicos e bases de conhecimento, o que dá a eles uma aparente naturalidade e inquestionabilidade: é como se dominados e dominadores concordassem racionalmente sobre os termos da dominação.

f) A meritocracia substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados. Para a meritocracia não vale a pena ser o Quintana, não é racional, embora seus poemas fossem a própria exacerbação de si, de sua substância, de seus valores artísticos. Vale mais a pena ser o Paulo Coelho, a E.L. James, e fazer uma literatura calibrada para vender. Da mesma forma, muitos pais acham mais racional escolher a escola dos seus filhos não pelos fundamentos de conhecimento e valores que ela contém, mas pelo índice de aprovação no vestibular que ela apresenta. Estudantes geralmente não estudam para aprender, estudam para passar em provas. Cursos de pós-graduação e professores universitários não produzem conhecimentos e publicam artigos e livros para fazerem a diferença no mundo, para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país, mas sim para engrossarem o seu Lattes e para ficarem bem ranqueados na CAPES e no CNPq. 

A meritocracia exige uma complexa rede de avaliações objetivas para distribuir e justificar as pessoas nas diferentes posições de autoridade e poder na sociedade, e estas avaliações funcionam como guiões para as decisões e ações humanas. Assim, em uma sociedade meritocrática, a racionalidade dirige a ação para a escolha dos meios necessários para se ter um bom desempenho nestes processos avaliativos, ao invés de dirigi-la para valores, princípios ou convicções pessoais e sociais.

g) Por fim, a meritocracia dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho. O verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas – pérola da concepção subjetiva e complexa do humano – é uma verdadeira aberração para a meritocracia: para ela, cada um de nós é apenas um ponto em uma escala de valor, e a posição e o valor que cada um ocupa nesta escala depende de processos objetivos de avaliação. A posição e o valor de uma obra literária se mede pelo número de exemplares vendidos, de um aluno pela nota na prova, de uma escola pelo ranking no Ideb, de uma pessoa pelo sucesso profissional, pelo contracheque, de um curso de pós-graduação pela nota da CAPES, e assim por diante. Embora a natureza humana seja subjetiva e complexa e suas interações sociais sejam intersubjetivas, na meritocracia não há espaço para a subjetividade nem para a complexidade e, sendo assim, lamentavelmente, há muito pouco espaço para o próprio ser humano. Desta forma, a meritocracia destrói o espaço do humano na sociedade.

Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos. Assim, embora eu tenda a concordar com a tese da Marilena Chauí sobre a classe média brasileira, proponho aqui uma troca de alvo. Bradar contra a classe média, além de antipático pode parecer inútil, pois ninguém abandona a sua condição social apenas para escapar ao seu estereótipo. Não se muda a posição política de alguém atacando a sua condição de classe, e sim os conceitos que fundamentam a sua ideologia. 

Então, prefiro combater conceitos, neste caso, provavelmente o conceito mais arraigado na classe média brasileira, e que a faz ser o que é: a meritocracia.

Redação

652 Comentários

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  1. Se você se ativer ao que

    Se você se ativer ao que chamo inércia social, talvez concorde que é este o real sentido do que chamas meritocracia.

    Meritocracia é algo que a própria classe média reivindica como nome do motor de sua continuidade, o que impegna o termo de moralismo justificante.

    A classe média brasileira é das maiores obras do Príncipe do Mundo. Não há, em termos genéricos, nada mais deformado que dois exemplares deste grupo: o juiz e o médico brasileiros são os ápices da deformação.

     

    1. The middle class

      Em uma cena do filme “Os Dez Indiozinhos”, adaptação de Agatha Christie, o médico e o juiz travam o seguinte dialago, bem ao gosto british:

      Juiz – “Então o doutor não confia na medicina… “

      Médico – “E o juiz, confia na Justiça ?”

      Risos cinicos, aperto de mão e cada um parte para seu lado.

       

    1. A classe média brasileira e Carolina

      Esta análise é ainda melhor. Parabéns ao autor do blog A Poção de Panoramix. Mais breve, e perfeita. Discordo só sobre a classe média alta, pois eu incluiria a classe média-média também.

  2. Não existe meritrocracia no Brasil
    Longo texto para uma visão orgulhosa de quem quer se justificar.
    Não existe meritrocracia no Brasil, no máximo conchavocracia.
    A classe média é reacionária pois quer manter seu destaque social em relação a maioria.

    1. Rapaz, voce não viu como o

      Rapaz, voce não viu como o autor explicou magistrlamente como a “conchavocracia’ está inserida na “meritocracia à brasileira”? Leia de novo, vale a pena

  3. Os CRMs não representam os médicos

    Nassif, sua analise é brilhante, mas discordo da tão falada unanimidade médica. A imprensa, querendo atingir o governo alardeou em primeiras capas um tal movimento médico na maioria das vezes com 50 ou 60 gatos pingados que se diziam representante dos médicos. Nossos representantes são do CRM – um Conselho, não um sindicato. Sou médico aqui no Paraná e o tal movimento aqui foi um fracasso. 150 médicos não representam os20 mil de médicos que temos aqui. Os CRMs são tomados pela direita médica reacionária e a maioria dos médicos não participou. Lembre que a imprensa é que ajudou a construir este dito movimento médico que na minha avaliação foi pífio e desortganizado…sem representatividade. Houve unanimidade nos Conselhos, não na classe médica.

  4. Meritocracia

    Prezado Renato,

    É preciso fôlego para lê-la, mas a sua análise é excelente. Acrescentaria apenas uma observação qie, talvez, possa ajudá-lo: o uso do incentivo à meritocracia pelas classes ricas e médias altas, patromonialistas econômicas e culturais, servem para dispersar qualquer foco transformador da sociedade, fosse ele através de arranjos políticos ou revolucionários. E são intencionais.

    São os tais: “por que não estudaram, não procuram emprego, gostam de axé e pagode, ninguém lê livros”.

    Posso estar errado, Renato, mas seus pensamentos bebem, creio que de forma intencional, bastante nas fontes deixadas por Pierre Bourdieu.

    Parabéns e abraço!

    1. Resposta

      Obrigado Rui Daher. Concordo com você sobre a conveniência das elites fomentarem a meritocracia, acho que me escapou porque, provocado pela Marilena Chauí, eu estava preocupado em interpretar o comportamento político da nossa classe média, e mostrar porque a seu ethos meritocrático gera um comportamento concervador e despolitizado. Mas suas observações são muito pertinentes.

      Minhas influências são múltiplas, Bourdieu (o campo de lutas dos critérios de avaliação, as distribuições de capitais nos campos que influem nos poderes sobre a avaliação, etc.); Foucault (os “efeitos de verdade” das avaliações meritocráticas), Weber, o ethos meritocrático e a racionalidade instrumental que ele acaba forjando; Husserl e os fenomenologistas sobre a formação da subjetividade humana, dentre outros.

      Abraço, e obrigado pelo comentário

      1. Pq nao usa um nick, em vez de apenas se intitular de anônimo?

        Nao acho que ninguém tenha a obrigaçao de revelar sua identidade da vida offline. Mas se chamar de anônimo impede que os outros te identifiquem como alguém específico e te reconheçam em outros comentários. Vc fez um ótimo comentário, mostrou ter boas leituras (adoro Bourdieu), seria bom poder seguir seus comentários. 

        Além disso, a identificaçao, mesmo com nome fantasia, se acompanhada de CADASTRO, é um meio de defesa dos espaços contra trolls… 

  5. Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

    Fiquei impressionado com a lucidez do Renato.

    Parabéns pelo texto.

    Acredito que ele está no caminho certo ao perceber que a “desempenhocracia” é a raiz  da intolerância.

    Penso, no entanto, que a classe média americana também acredita piamente nesses valores, até mais do que a brasileira.

    Daí o Tea Party, por exemplo, que reflete exatamente os valores que o Renato apontou.

    Grande abraço,

    Marcuses

     

     

     

    1. Obrigado Marcuses
      Com relação

      Obrigado Marcuses

      Com relação à classe média americana, não estou bem certo, mas acho que o seu conservadorismo está mais associado a uma moral religiosa intolerante e a um nacionalismo imperialista, mais do que à meritocracia. Afinal, o Obama foi eleito, em grande parte, por suas promessas de oferta de mais serviços públicos, não de incrementar a desempenhocracia. O que existe lá, também, no plano político, são poderosas elites a manipular o Congresso e lobies profissionais que distorcem o sistema legislativo, baseado em um sistema de representação arcaico. Não estou certo de que o Tea Party represente o pensamento médio da classe média americana.

      De qualquer forma, muito obrigado pela contribuição.

  6. Não há, em termos genéricos,

    Não há, em termos genéricos, nada mais deformado que dois exemplares deste grupo: o juiz e o médico brasileiros são os ápices da deformação.¨

    Meu Deus, gerei dois monstros………….!

    1. Pois é, veja só a China:

      Pois é, veja só a China: tentou implacar o positivismo (Legalismo) em 221 a.C.. Não deu certo, retornaram ao Confucionismo e está aí até hoje como o mais antigo povo.

  7. Classe média

    Excelente texto.Parabéns ao autor pela clarividência demonstrada. Espero que o “desvendamento da espuma”  tenha ressonância e possibilite mais desdobramentos.

  8. Primeiro, deve-se saudar o

    Primeiro, deve-se saudar o autor por não partir para o “ad hominen” tão comum na blogosfera, e tentar identificar quais são as forças que fazem da classe média brasileira o que ela (supostamente) é. No entanto, vale fazer algumas provocações com base nos argumentos do texto:

    – realmente a meritocracia é um conceito muito complicado. Eu sempre fui um “fã” do conceito, pelo simples fato de ter me beneficiado imensamente dele (boas notas na escola, bom desempenho profissional no trabalho, entre outras coisas). No entanto, com o tempo percebi que a minha facilidade com os estudos e o aprendizado está longe de ser um “mérito” meu, e sim apenas um acaso, quiçá genético, quiçá fenotípico, que não deveria me dar o direito de automaticamente ganhar mais que alguém sem as mesmas características.

    – por outro lado, ninguém pode discutir a importância da meritocracia para o avanço da produtividade, da economia, do conhecimento científico … não estou falando aqui puramente de crescimento do PIB, mas de questões importantes como a capacidade de resposta do setor público, que hoje é certamente prejudicada pela falta de meritocracia – não adianta o concurso público ser “meritocrático” (e eu coloco entre aspas porque o concurso é, ao meu ver, uma forma bastante limitada de seleção) se, ao entrar nas carreiras, os servidores são promovidos automaticamente, independentemente do seu desempenho (ou falta dele).

    – assim, talvez o caminho mais razoável seja aumentar a igualdade de condições (e é aí que políticas como a de cotas mostram seu valor) e, fundamentalmente, construir uma sociedade com salários mais homogêneos – em que um médico não ganhe 30 vezes mais que um lixeiro. No entanto, é aí que aparece outro problema da classe média brasileira: ela está acostumada com uma sociedade “pós-escravocrata” em que a mão-de-obra de baixa qualificação é muito barata. Inclusive, não concordo com o diagnóstico que os EUA não são uma sociedade meritocrática, muito pelo contrário (eles são e muito – até por uma questão cultural/religiosa decorrente do calvinismo). No entanto, existe claramente uma diferença no valor do trabalho: mesmo com a importação de imigrantes para atuar com trabalhos de menor qualificação, são poucas as pessoas que podem ter uma empregada doméstica, e a cultura DIY (do it yourself) para atividades domésticas como jardinagem, pintura, instalações elétricas etc é muito mais forte do que aqui. 

    – outro reparo importante é observar que, embora a Europa seja realmente mais adepta dos Esatdos de Bem Estar social, sua classe média também não vê necessariamente com bons olhos as políticas de proteção aos desempregados/desamparados. Da mesma forma que aqui, muitos enxergam tais coisas como “dar dinheiro pra vagabundo”. De fato, muita gente aqui no Brasil da “nova classe média” (que para mim está mais para uma classe baixa “remediada” em termos de condições financeiras e estabilidade de longo prazo) também pensa da mesma forma.

    – por último, o caso dos médicos é muito peculiar, primeiro porque a categoria é mais organizada que a média, e segundo porque é o primeiro caso de uma política pública que explicitamente traz profissionais estrangeiros para “concorrer” com os brasileiros. Eu duvido que os CREAs não iriam “enlouquecer” se o governo lançasse um “Mais Arquitetos”.

    Resumindo, como em tantas outras coisas na vida, não cabe nem demonizar nem fazer uma apologia à meritocracia, e sim saber em que situações ela é benéfica para a sociedade e atacar os casos em que ela justifica desigualdades e injustiças.

  9. Lembrei-me de um comentário

    Lembrei-me de um comentário publicado nesse blog há meses atrás. Orgulhoso senhor que tinha acabado de passar em um concurso público federal (o céu da classe média brasileira no momento é o serviço público), falava com desdém não sei mais de que situação, acho que de cotas em universidades, e sempre afirmava: eu, que ralei dois anos estudando para passar em meu concurso…  

  10. nunca vi tamanho besteirol
    o

    nunca vi tamanho besteirol

    o merito so pode ser dado em uma disputa igualitaria, o proprio vestibular é uma maneira de previlegiar classe media alta, a 50 anos nao passava de 5% da sociedade, classificar de “merito” um guri que teve condicoes de vida digna, com dedicacao integral ao estudo ate 18 anos, acesso a informacao, viagens, etc,,, com um guri da periferia, sem estabilidade financeira da familia, sem condicoes adequadas de moradia, sem alimentacao adequada, sem esgoto com doencas constantes, tendo que trabalhar para ajudar familia, cursando uma escola que num semestre tem 3, 4 professores diferentes, uma sala de aula com 50 alunos, etc,,,isso nao nem nada de meritos, por,,,, nenhuna, na inglaterra, franca ou europa em geral, todos tem condicoes pelo menos semelhantes, ai tudo bem,,,,aqui forma manutencao, so ver melhores escolas publicas do pais, predominancia da origem classe media alta, desvio recurso publico para uma setor determinado, usp claramente, 

    o me pareceu é que autou quer esconder a origem da classe media brasileira, ao inves de meritos, historicamente tem a ver com corrupcao, crimes, autoritarismo, seja do campo onde predominava relacao com estado e boa equipe com “meritos”de tomar terras ou da cidade, ligadas a corrupcao do estado ou indicacao politica, principalmete a paulista, forte origem nas indicacoes para altos salarios de estatais e governo, vide regra, 

    o autor despresa que para este setor a democracia e principalmente governo como do lula tirou previlegio do grosso da classe media, principalmente paulista, seus filhos ja nao podem mais ser indicados para um servico publico com bons salarios, seus filhos nao sao mais os unicos a ter acesso a facudade, o status de quem tinha um fusca era superior a quem andava de carroca, a ira contra popularizacao de carro alias nao é monopolio da classe media paulista, rio grande deu varios exemplos de intolerancia, inclusive nos seus comentarios de tv, se pegamos so exemplo das dometicas que estao perdendo da pra montar uma tese, sem democracia, tinham varias, sem direito, trabalhando 24 hs e ainda era um favor empregalas e dar comida,,,

    senhor professor, lamento pelos seus alunos, mas origem reacionaria da classe media brasileira tem a ver perda de previlegios advindos da democracia e da melhor distribuicao de renda e OPORTUNIDADES, DAI A REACAO

    em tempo: ao afirma que conseguir ser medico se deve ao MERITO pessoal, como explica quase inxistencia de negros e classe nao media em suas origens, SERIA POR FALTA DE MERITOS DOS NEGROS E CLASSE NAO MEDIA??????

     

     

    1. Resposta

      Desculpe ao Anônimo, mas sugiro ler o texto até o final, creio que você tenha ficado com uma impressão errada sobre ele por não ter concluído a leitura. Talvez suas impressões sobre ele mude um pouco. Acho que você confunde a elite com a atual classe média brasileira, esta da qual estou falando e provavelmente não atentou para a minha visão sobre a meritocracia impregnada no imaginário desta classe média.

      De qualquer forma, obrigado pelo comentário, todas as críticas me são bem vindas, me ensinal alguma coisa.

        1. Identificação de anônimo

          Excesso de anônimos por aqui dificulta identicar os diálogos. Sugiro pelo menos se identicarem como anônimo 1,2,3,4, etc… 

      1. li sim, ate o final,,,
        vi o

        li sim, ate o final,,,

        vi o seu desfecho, a tese do texto é baseada no merito, quando origem da classe media, principalmente a paulista nem tem vinculo com isso, ate concordo que ele seja usado como falso dogma, mas veja bem, a origem, a assencia da origem da classe media paulista e brasileira esta relacionada manutencao de previlegios sobre resto da sociedade, com uso de autoritarismo e corrupcao do estado, na nossa historia quantos periodos de democracia tivemos? o que quero disser que origem REACAO  da classe media é contra a democracia, na democracia a meritocracia se sobrepoe ao dar condicoes teoriamete a todos, portanto, a classe media tambem reage ao merito, ela reage a dar mesmas chances de estudo a seu filho e um da classe baixa, nao aceita meritocracia, dai tese toda do texto, eu considera um vicio de origem

        a classe media antiga ou anterior a democracia, a de antes de 90, digamos, nao se mantem nessa condicao social justamente por falta de meritos, herancas estao sendo consumidas, o DNA parasita que existe nesse setor ira liquida los, se democracia (consequentemente valorizacao do merito indivdual) permanecer por uma ou duas geracoes

        1. Permitem-me, os dois, dar um

          Permitem-me, os dois, dar um pitaco. Acredito que a discordância principal está na palavra “mérito”. Duvido que o Rentao discorde quando o “Anonimo” afirma que “em igualdade de condições, sem as vantagens que o dinheiro (e poder) oferecem ao rico em detrimento do pobre, é o mérito que prevalece”.

          Só que o autor discute as implicações do que signiifca de fato o ‘mérito” em nossa sociedade. Ela analisa o “mérito” dentro de um contexto, não como um valor absoluto, em si, como o Anonimo. 

          1. Obrigado Juliano, pela

            Obrigado Juliano, pela força.

            No meu texto está escrito:

            “A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável ética do merecimento, uma perversa ética do desempenho”.

            “Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes”. “No mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito”.

            “A meritocracia escamoteia as reais operações de poder… tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente… por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade”.

            Tentei deixar clara a minha visão no texto, de que na meritocracia não é o merecimento e sim o desempenho que conta, e este é pautado não só pelas condições diversas de cada um, mas também pelas estruturas de poder na sociedade.

            Renato Souza

    2. Anônimo intercedendo com o Anônimo pelo Anônimo

      Caro Anonimo

      Na verdade, seu comentário me parece ir um tanto ao encontro do resumo do post (que gostei, tirando alguns poucos pontos e vírgulas, o que é natural).

      Juntando ambas as constatações e opiniões, constroi-se uma visão complementar do tema, o qual é muito relevante.

      Abraço do Anônimo ao Anônimo e parabéns ao Anônimo.

       

      PS: mutio esclarecedor: este anônimo é o ed. não logado, o anônimo parabenizado é o Renato Souza e o outro anônimo ainda é anônimo (mas fora a (des)qualificação de “besteirol”, também contrbuiu positivamente).

       

  11. Aula de Sociologia

    O artigo é uma verdadeira aula de Sociologia. O texto do Sr. Renato sugere um excelente tema aos estudantes para a conclusão do Curso (TCC – Tema: Meritocracia).

  12. Ideologia 1 x Bom Senso 0

    Vamos sortear nossos mecânicos, médicos, advogados? Por mais subjetivo que seja meu relacionamento com meu mecânico se ele pisar na bola eu costumo procurar outro, não tem nada de subjetivo nisso. Meritocracia perfeita não existe, mas seguindo esta argumentação a fábula da cigarra e da formiga vai ser condenada como propaganda direitista conspiratória.

  13. Classe Média e Meritocracia

    Interessante sua análise Renato, mas acredito que você esqueceu de incluir um aspecto fundamental em sua análise, como segue:

    Todos que pertencem à classe média sabem que usaram ou usam o Estado de alguma forma. Ou a universidade pública onde estudou ou seus filhos estudam, ou no seu salário como funcionário público ou como empresário fornecedor para a máquina pública; ou até mesmo na hora dos “xunxos” na declaração do imposto de renda.

    A reação dos médicos é diretamente proporcional ao fim dos contratos com prefeituras para atender o interior ou periferias das grandes cidades. Perder um contrato de R$ 30.000,00 para atender um dia por semana vai doer no bolso de qualquer pessoa. “Uma grande injustiça”

    Entendo ser muito otimista enquadrar a visão da classe média brasileira como baseada na Meritocracia.  Essa classe média tem origem no brutal sistema escravocrata, e considera-se herdeira de privilégios, sonha com a Casa Grande e morre de medo da Senzala.

    A Meritocracia pertence à sociedades culturalmente liberais, o que não é o caso das Terras Brasillis.

    A classe média brasileira acha muito “chic” a Meritocracia, tem cheiro e aparência de “primeiro mundo”, mas na prática ela sabe muito bem que por estas paragens o que funciona são os privilégios – mantidos na base da violência.

    1. Anonimo, porque só agora voce

      Anonimo, porque só agora voce me explica a oposição tão histérica dos coxinhas de branco ao “Mais Médicos”? Putz, eu presumia algo assim, mas não tinha certeza.

      Fim dos contratos com as prefeituras, em que os CRMs iriam negociar para que o salário oferecido aos que fossem aos cafundó do Judas pudessem, quem sabe, aumentar ainda mais? Mais de 30 mil? Aí chegam os “escravos do Fidel’ para atrapalhar?

      Está explicado o furor “civico” dos coxinhas de jaleco. E toda a disposição para lutar por uma saúde “padrão Fifa”

  14. Competição

    A meritocracia é a nossa forma (ir)racional de nos igualarmos às espécies predatórias de animais.

    Em nossa sociedade (como um todo) existe o culto ao vencedor, ao melhor, ao mais rico, à tudo que represente algum tipo (subjetivo ou objetivo, como queiram) de sucesso. Sendo que para existir um vencedor, deve existir um perdedor, para existir um melhor, deve existir um pior. Isso é ensinado desde cedo, o culto à competição. Todos querem se sair melhor em tudo, geralmente com os fins justificando os meios.

    O culto à competição é tão feroz que até coisas de julgamento subjetivo, como músicas, filmes, têm de ter um melhor e outro pior. Até em eventos esportivos, onde a competição deveria ser algo objetivo, também há julgamentos subjetivos, por notas, como em ginastica artística.

    Atualmente a principal competição que se nota é a de quem consegue juntar mais dinheiro. Se tornou sinônimo de um ser humano bem sucedido aquele que enriquece. Não importam os meios, não importa a finalidade de se ter tanto dinheiro. Importa é estar na lista dos mais ricos para provar o sucesso (?) de uma vida. Se você parar algumas pessoas na rua e perguntá-las “qual seu sonho?”, várias dirão: – ficar rica(o). O conceito de sucesso é ter dinheiro para esbanjar, para poder fazer o que quiser, não necessariamente ser produtivo para a sociedade.

    Voltando à nossa classe média, ela parte em um rumo muito perigoso, que não gosto de pensar. Um rumo de extremismos. Não só extremismos políticos, mas de pensamento. Um rumo de uma intolerância, uma pseudo-moralidade (outro conceito subjetivo), uma insensibilidade que me amedrontam.

    Estas manifestações de junho, julho, agosto, setembro… de início me motivaram, me animaram, mas depois me mostraram que os tempos serão difíceis. Não pela classe política, que é e sempre foi a mesma, mas pelo povo (do qual faz parte a classe política, e do qual sairão os “novos” políticos, que terão os mesmos métodos e mesmas práticas, pois não há mudança cultural nem de pensamento). Mas uma vez o importante era vencer, desta vez no grito. Só no grito. A inteligência, a capacidade de pensar, em nenhum momento foi usada. Fruto da competição? Da importância suprema de vencer? Alguém venceu?

      1. Nao misture alhos c/ bugalhos, Darwin com Spencer

        Se nao entendeu no título, vá ver na Wikipédia quem foi Spencer, e vc entenderá porque o que pensa que é Darwin é na verdade Spencer. Que apenas usou o pensamento de Darwin como pretexto exatamente para justificar os privilégios sociais dos “vencedores”. 

  15. Não é dificil identificar a

    Não é dificil identificar a razão por tras do “reacionarismo” da classe média: não tem direito à Bolsa Familia (dos miseravies) nem à Bolsa BNDES (dos miliardarios), mas sustenta a ambas com seus impostos; ao contrario dos ricos, não tem muita margem de manobra pra fugir da sanha confiscatoria do Leão brasileiro em todas as suas esferas, quando muito tem um descontinho aqui ou ali no IR porque paga por educação e saude privadas;  sempre que algum despossuido de manual reclama por direitos, do tipo andar de graça à vontade no transporte publico, a classe média ja sabe do bolso de quem vai sair o aumento da popularidade do politico que porventura os conceder. Enfim, a classe média é feita de gente que no geral trabalha muito, paga muito imposto, se diverte pouco, não usa os seviços publicos porque de péssima qualidade, vive com medo de levar um tiro na cara de algum marginal. Marilena Chaui e o autor do texto queriam o que?

      1. Privilégios

        Isso só vale para as gerações que atravessaram as décadas de 80 pra cá, quando os serviços públicos foram deprimidos por causa da crise fiscal do Estado e da hegemonia ideológica neoliberal. Antes disso as classes médias sempre tiveram, sim, muitos privilégios que nunca admitiram; pelo contrário defendiam como merecidos.

        Hábitos de classe são forjados ao lngo de gerações e gerações; vêm de longa data.

    1. O pagador de impostos

      Fala como se fosse o unico que paga imposto. As classe baixas que recebem bolsa família, que voce chama de vagabundos, pagam imposto também, além de tambem trabalharem (o bolsa é complemento a um salário de fome).

      Pagam no consumo, que é para onde vai 100% do que ganham. A classe média pode fazer poupança, a duras penas, eles nem isso.

      E uma das injustiças tributárias é exatamente essa. Os impostos cobrados no consumo no varejo, deveriam diminuir, e o cobrado no salário deveriam aumentar proporcionalmente. É assim nos países nórdicos, por exemplo

       

      1. Senhor Juliano (pelo menos se

        Senhor Juliano (pelo menos se identifica com um nome, não é simplesmente “anônimo”), não seja desonesto ao ponto de botar palavras no teclado alheio: onde chamei quem quer que seja de “vagabundo”? Depois os comentaristas “de esgoto” são os outros, né?

        Pobre paga muito imposto? Paga, proporcionalmente à renda, paga muito. Mas, em termos absolutos, não é o imposto do pobre que sustenta o país. E, bem ou mal (mais mal do que bem, certamente), o pobre ainda faz uso dos serviços públicos precários que temos. A classe média (com exceções, não se dê ao trabalho de apontá-las que eu conheço bem) só paga, amigo. Paga e tem de aguentar, de preferência calada e, mais do que isso, penitente, puxão de orelha de intelectual engajado que também deve seu salário aos impostos que ela paga.

        Mas, bom, a gente sabe o que a classe média tem que fazer pra se redimir aos olhos da Marilena Chauí, do autor do texto e, acredito, pro senhor também, não sabemos? Basta votar na Dilma em peso ano que vem.

        Votar no PT é o Omo da alma.

        1. Verdadeiramente

          70% da arrecadação da Uniao é bancada pelas 5000 maiores empresas do país. O resto é o que as demais PJ e PF pagam. Classe média não paga benefício de pobre algum, quem paga é a Petrobrás, a Vale, a Embraer, Ipiranga, Raízen, Ambev, Cargill, Bungee, Fiat etc. Dentre as características meritocráticas da classe média há essa, de acreditar que seus impostos sustentam o país. Besteira. Não conheço um empresário que paga mais imposto de renda do que qualquer empregado de salário mediano, que vem retido na fonte, e ganham algumas vezes mais que esse empregado.

  16. Como apontar o médico (ou

    Como apontar o médico (ou mesmo o juiz como alguém mencionou depois) como representante(s) da classe média se até pela classificação do próprio governo, considerando o salário que tais profissionais ganham já seriam considerados parte de uma família da classe A? Podem não ser a nata da nata, mas estão longe de ser considerados classe média.

     

    Outra ressalva que faço em relação ao bom artigo é quando fala dos EUA, pois o “sonho americano”, a noção de que qualquer um pode vencer e ter sucesso na vida desde que trabalhe duro é essencialmente meritocrática. Tal meritocracia pode até não “proteger” a classe média americana daqueles mais abaixo, mas não é facilmente negada por lá, basta ver o drama que foi a discussão do Obamacare recentemente. A meritocracia é parte inseparável da cultura americana. E provavelmente, o “sonho americano”, influencia (in)diretamente os nossos defensores da meritocracia, graças ao consumo de várias formas de cultura oriunda dos States.

  17. Que tal pensar por outro lado?

    A classe média, até agora, tem sido a grande vítima e o alvo preferido do PT.

    Quando precisaram fazer uma reforma da previdência, quem se ferrou? a classe média.

    Quem foi o principal prejudicado pelas cotas? a classe média

    Enfim, basta ver em várias áreas que a classe média tem se ferrado.

    Por outro lado, em fez de afagar a classe média, o PT prefere atacar. Que tal mudar a tabela do IR, para desafogar um pouco a classe média?

    Enfim, em vez de atacar, o PT deveria afagar um pouco a classe média. 

    1. Erro de estratégia

      Concordo com quase todas as afirmações. Mas não com a palavra “alvo”.

      Ora, para diminuir a desigualdade, é preciso redistribuir renda.

      Quem teria mais a fornecer seria a classe econômica A e os muito ricos.

      Mas toda vez que se tenta redistribuir usando a grana da “cobertura”, é uma grita geral.

      E sabe quem sempre fica do lado dos mais ricos: a pobre da classe média.

      Portanto, vai continuar pagando a conta enquanto não reconhecer que para defender seus próprios interesses não pode ajudar a blindar os que estão muito acima.

       

      1. Vá lá, Orides, explica pra

        Vá lá, Orides, explica pra gente como a classe média “blinda” os mais ricos. Gostaria de ver isso. Mas, por favor, não saque o voto (majoritário, mas longe de ser uma maioria absoluta, esmagadora) no Serra em 2010 como “argumento”.

    2. Não só do PT, temos que ser

      Não só do PT, temos que ser justos. Sempre que algum político quer fazer bonito junto à massa de desassistidos, não tem dúvida: assalta de algum jeito o bolso da classe média.

  18. Escelente  análise. É bom

    Escelente  análise. É bom destacar que o autor não apresenta uma teoria fechada. Ele argumenta bem e dá bons exemplos para ilustrar o que diz. Não se mostra dono da verdade. Apresenta caminhos convincentes para se chegar a uma conclusão sobre o que se convencionou chamar de classe média. Cito uma experiência recente que se incorpora como uma luva a esta análise. Ao comprar ingresso para o cinema apenas perguntei para a pessoa à frente, na fila, sobre o filme. Descendente de japoneses a pessoa me informou e começou a conversar e de repente a repetir as críticas mais primárias sobre o Bolsa Família. Reagi em defesa do programa e literalmente quase apanhei. Seu argumento básico: “estão dando dinheiro a vagabundos”. Acrescentou: “meu pai trabalhou a vida inteira muito duro para os filhos estudarem e nós fizemos faculdade, ele virou empreendedor e está bem de vida, ninguém ajudou, não precisou de bolsa família”, etc. É a meritocracia em ação como analisa o autor. Esta é a claase média por aqui.

  19. Escelente  análise. É bom

    Escelente  análise. É bom destacar que o autor não apresenta uma teoria fechada. Ele argumenta bem e dá bons exemplos para ilustrar o que diz. Não se mostra dono da verdade. Apresenta caminhos convincentes para se chegar a uma conclusão sobre o que se convencionou chamar de classe média. Cito uma experiência recente que se incorpora como uma luva a esta análise. Ao comprar ingresso para o cinema apenas perguntei para a pessoa à frente, na fila, sobre o filme. Descendente de japoneses a pessoa me informou e começou a conversar e de repente a repetir as críticas mais primárias sobre o Bolsa Família. Reagi em defesa do programa e literalmente quase apanhei. Seu argumento básico: “estão dando dinheiro a vagabundos”. Acrescentou: “meu pai trabalhou a vida inteira muito duro para os filhos estudarem e nós fizemos faculdade, ele virou empreendedor e está bem de vida, ninguém ajudou, não precisou de bolsa família”, etc. É a meritocracia em ação como analisa o autor. Esta é a claase média por aqui.

    1. Bem, nem tanto ao céu, nem

      Bem, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

      Bolsa Família é um programa de assistência social imprescindível em um país como o Brasil, que possui dezenas de milhões de excluídos e em estado de miséria. 

      Ao mesmo tempo, representa o reconhecimento, pelo próprio Estado, de sua incapacidade em fornecer meios, garantir subsídios para que o indivíduo alcance a sua autonomia. Que se destaque esta minha afirmação, pois existe uma mania de alguns de celebrar o BF como se fosse um início de “Welfare State”. Não, não é. É, na verdade, a negação dele.

      O discurso do descendente de japonês, embora revele uma incompreensão com o Programa que o leva a insensibilidade social, não pode ser totalmente descartado. 

      A história dos imigrantes que vieram do Japão sempre foi pontuada pela pobreza e pela miséria. O Japão, até o quarto final do século 19, era feudal. Os japoneses que vieram para cá – em sua esmagadora maioria antigos servos – nunca tiveram chances de estudar lá, subir na vida (pois a sociedade era dividida em rígidas classes), e assim investiram todas as suas fichas na educação dos filhos. A aposta foi acertada, o que demonstra (se é que precisava de demonstração) que o maior instrumento de emancipação social existente é a educação.

      O governo federal, de 2003 para cá, teve um indiscutível mérito em amparar milhões de brasileiros com o Bolsa Família. 

      Só que, 11 anos depois, a educação – que deveria ser o investimento de longo prazo enquanto o BF matava a fome destas pessoas – não deu nenhum salto qualitativo, e o sonho de consumo dos excluídos do nosso país ainda é a educação privada. Isto causa uma situação perversa, em que mantém os beneficiários atrelados ao assistencialismo do Estado e os torna eleitores vulneráveis, altamente suscetíveis a cair no “discurso do medo” (o da perda do programa caso algum opositor chegue ao poder). 

      Os japoneses que vieram para cá tiveram a sorte de ter encontrado ensino público gratuito e de qualidade. Os seus filhos estudaram na Usp e os seus netos puderam estudar em bons colégios privados. Se tornaram algo que a maioria nunca foi no Japão: classe média.

      Teriam a mesma ascensão, se tivessem migrado pobres, HOJE, para o Brasil, com ensino público em frangalhos e ensino privado a preços aviltantes? Não sei não..seria muito mais difícil..

      É por isto que o discurso do descendente, apesar de acertar no que se refere a educação como principal meio de ascensão social, peca no simplismo de considerar ser a meritocracia do seu pai algo puro, despido das condições sócio-políticas da época. Todavia, tão simplista quanto, é celebrar o Bolsa Família sem cobrar do governo sua fatura mais cara: educação gratuita e de qualidade.

      Assim, no caso dos nossos excluídos, que hoje recebem Bolsa Família, ou figuram dentre os milhões que conseguiram empregos com baixa especialização e rendimentos de até 1,5 Salário Mínimo, só uma educação pública gratuita, universal e de qualidade poderá retirá-los deste estado de eterna estagnação social.

      1. Boa contextualização

        Bem lembrado o contexto da época e sua correlação com a meritocracia. Cabe colocar outra contextualização histórica. Apesar de todos as penúrias da época aqueles que imigraram para o Brasil foram beneficiadas por alguma politica pública. As vezes um pedaço de terra sordida no meio do nada. Coisa que nem de perto tiveram os escravos libertos.

  20. ArthurTaguti

    Excelente reflexão Renato. Uma verdadeira aula.

    Só queria acrescentar alguns pontos, que você e outros podem ou não concordar.

    1) Nossa sociedade sempre teve duas classes sociais muito fortes: os “donos” (donatário, senhor de engenho) e o povão marginalizado. Como uma classe detém poder absoluto e a outra sente o poder do chicote, a classe média surgiu basicamente para funcionar de “equipe de apoio” às classes mais altas, tornando-se advogados, médicos, contadores, engenheiros, e por aí vai. 

    2) Por não deter os meios de produção (tal qual a elite), está mais perto dos pobres que dos ricos. É muito fácil amanhã eu estar na pindaíba, mas quase impossível um dia estar num jantar de gala da Fiesp ou da Febraban como um banqueiro ou industrial.

    Assim, a “meritocracia” torna-se status diferenciador entre pobres e classe média, e esta se torna essencialmente conservadora, defensora dos mais abastados, pois a ela fora concedida “regalias”, “benesses”.

    3) O que Marilena Chauí esquece de dizer, talvez por acreditar que há 10 anos vivemos governos “pós-neoliberais”, é que há tempos (desde a época de FHC) a classe média das grandes metrópoles (tal qual SP e RJ) enfrenta um processo não de proletarização, mas de recrudescimento do padrão de vida. 

    O sujeito que hoje se casa e tem seus dois filhos em SP/Capital, vai procurar um apartamento no bairro que morou a vida inteira (vamos supor, Pinheiros) e encontra latas de sardinha a R$ 700.000,00, apartamentos de 3 quartos a R$ 1.000.000,00, preço proibitivo até para a classe média “tradicional”. Ao mesmo tempo em que ouve do pai que este estudou em ótimos colégios públicos e gratuitos, o sujeito procura o mesmo colégio privado que estudou a vida inteira, e encontra mensalidades batendo a casa de R$ 3.000,00, isto na Pré-Escola.

    SP e RJ já figuram entre as cidades mais caras do mundo, comparáveis a NY, Londres, só que com um detalhe singelo: possuem Renda Per Capita muito, mas muito menor. 

    4) Portanto, além da meritocracia, impossível retirar do contexto o fato de que o custo de vida e as condições de vida da classe média, nas grandes metrópoles brasileiras, estão chegando a patamares insuportáveis.

    Tanto que os protestos de junho irromperam destas duas cidades, e se espalharam para o resto do país identificando não um problema regional, mas nacional.

    Nesse contexto, não causa surpresa que a molecada da classe média – ao contrário do senso comum que sejam reacionários e defensores do Estado mínimo – pediram “Mais Estado”, na forma de investimentos em mobilidade urbana, educação e saúde gratuitos.

    5) A meritocracia é uma ideologia ainda cara a classe média, mesmo a que engrossou o coro das ruas em junho, só que o processo de “empobrecimento” – que é o que ocorre quando o seu dinheiro não compra coisas que eram possíveis há anos, décadas atrás – leva os seus membros a pedir medidas que “aliviem” o seu custo de vida crescente, dando uma destinação adequada aos 27,5% de IR que é descontado todo mês do seu salário.

    Assim, deixar de pagar colégio privado para os filhos, deixar de bancar planos de saúde com preços cada vez mais proibitivos, e a possibilidade de deixar o carro em casa para ir ao trabalho, importaria no restabelecimento de um status financeiro que a classe média vem perdendo lenta e gradualmente há décadas.

    6) Existe espaço para um partido político, ou grupo político, que abrace verdadeiramente a bandeira do “Welfare State”. E, levando a discussão para um rumo adequado (ou seja, ganhando a discussão com a mídia, que de todo jeito tentaria desviá-la), é possível convencer a classe média a defender um Estado de Bem-Estar. 

    A carga tributária para esta classe já é alta igual no Welfare, a tributação sobre os mais ricos não a prejudicaria, e mesmo que ficassem obrigados a eventualmente arcar com Imposto de Renda mais alto (na base de 40%), no final seus ganhos no orçamento seriam maiores, pois deixariam de pagar educação e saúde privados.

    Os maiores entraves (e que entraves!) são a falta de grandes financiadores de campanha e apoio da mídia. Teriam que fazer o que o PT fez nos primórdios, com pequenas doações de pessoas físicas e apoio da militância.

    1. Avestruz

      A classe média não quer enxergar o lugar que ocupa na estrutura de poder!
      E acha que “tem sim direito de ser dona de um apê em Pinheiros”.
      Se não tem, é culpa do PT ! 
      kkkkk

    2. Taguti, pq até seu comentário está aparecendo como de 1 anônimo?

      Tá difícil de seguir a discussao neste tópico, é anônimo respondendo a anônimo! Nao estou pedindo, claro que nao, identidade da vida offline a ninguém, mas, pelos Céus, usem nicks identificatórios de quem está falando. 

  21. Emilio

    Não estou convencido de que isso explica tudo. Acho que é bastante clara a idéia de meritocracia que é brandida pelas pessoas de classe média no Brasil contra cotas, programas socias e afins. Mas me parece que isso é a superfície.

    Ora, meritocracia subentende dar oportunidades a todos e premiar os melhores desempenhos. Qualquer análise sobre a idéia de meritocracia no Brasil terá de levar em conta alguns fatores importantíssimos:

    1. O Brasil está muito longe de dar oportunidades iguais a todos os brasileiros.

    2. A desigualdade no Brasil é abissal.

    3. A correlação entre o nível de renda dos pais e de seus filhos é muito grande.

    4. A correlação entre cor da pele e renda no Brasil é muito grande.

    Esses quatro fatores anteriores são claríssimos e evidentíssimos no Brasil, não vê quem não quer ver ou se alienou completamente do que ocorre à sua volta.

    Parece que acreditar que o próprio desempenho merece ser premiado embasado em meritocracia no Brasil subentende as seguintes premissas, casadas com os 4 fatores acima:

    1. Existem oportunidades para todos, pobres são pobres porque se acomodam e não as aproveitam.

    2. O que gera a desigualdade abissal é a diferente capacidade das pessoas e seu desempenho.

    3. A capacidade é genética.

    4. Cor da pele tem correlação com capacidade.

    Além disso, tem que haver um lapso de memória sobre a transferência de patrimônio de pais para filhos através de heranças.

    Acho que esses fatores de fundo explicam muito mais a indignação da Marilena que a superficial idéia de meritocracia.

    1. Mas o artigo nao nega nada disso, pelo contrário!

      Ele nao está assumindo a ideologia do mérito, está denunciando-a! Ou seja, ele nao está dizendo que aquilo que a classe média chama de mérito é realmente um mérito. Mas que ela pensa que é, pensa. Porque precisa disso para justificar seus privilégios. Que ainda existem, por mais que tenham diminuído; o que aliás só torna mais necessário para ela agarrar-se ao seu “mérito”, berrando contra a diminuiçao da distância que a separa dos mais pobres.  

      1. Realmente não acho que ele nega

        É, não acho que o texto nega isso, mas não focaliza isso.

        O texto dá a entender em muitas e muitas passagens que o problema é a meritocracia em si, não o discurso da meritocracia usando para mascarar privilégios.

        Acho que ele não tocou o cerne da questão, ou no máximo tocou bem de leve e indiretamente. Isso aí que você disse foi o que você entendeu, mas não está escrito assim tão claramente no texto. Isso só vai aparecer na cabeça de quem já tem isso na cabeça, como você, eu, e acho que até do autor do texto.

        1. Caro Emílio
          No meu texto está

          Caro Emílio

          No meu texto está bem clara a minha posição, não falo da meritocracia em si, mas do que ela representa modernamente, que resolvi chamar de “desempenhocracia”.

          Textualmente…

          “A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável ética do merecimento, uma perversa ética do desempenho”.

          “Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes”. “No mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito”.

          “A meritocracia escamoteia as reais operações de poder… tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente… por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade”.

          Não acho que isto sugira a interpretação que tu deu às idéias contidas no texto.

          De qualquer forma, obrigado pelos comentários, a repercução que teve este post mostra que o tema é pulsante e que muitas pessoas ainda tem disposição para encarar um texto longo, refletir e criticar idéias. Num blog de notícias, não somos só consumidores de informação. Embora muitas das críticas, sobretudo as mais concervadoras, só reforçam as teses que defendi no texto, tenho refletido sobre a maioria dos comentários como os teus, e tentado aprender com eles.

          Abraço

          Renato Souza

          1. Esses trechos para mim são indiretos

            Continuo achando indireto. Até porque você cita essa idéia de desempenhocracia lá pelo final do texto, depois de ter criticado a meritocracia variadas vezes. E até acho que esse fato da dificuldade de medição de mérito em si, dado que o que se mede é o desempenho, não é um fator tão crucial assim. Dado que haja um empenho em se manter condições e oportunidades iguais, em se dificultar privilégios de nascença e herança, desempenho e mérito têm grande correlação.

            Veja esse trecho:

            “Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.”

            Tudo uma questão de desfaçatez, isso sim. Uma verdadeira crença na meritocracia veria que cotas são a favor da meritocracia. Uma verdadeira crença na meritocracia impeliria as pessoas a verem os verdadeiros entraves à meritocracia no Brasil, e não esses efeitos colaterais e de menos importância elencados no parágrafo.

            A desigualdade de renda é medida no Brasil, não é uma questão de opinião. Você realmente acha que as pessoas de classe média acreditam que o talento segue aproximadamente o mesmo perfil de distribuição na nossa sociedade que a renda? Acha que elas acreditam que 40% do talento está com os 10% mais talentosos da população? Acha que elas acreditam que são realmente 10 mil vezes menos talentosas que um banqueiro, já que o patrimônio delas é 10 mil vezes menor? Toda a evidência aponta que há uma minoria muito talentosa, uma minoria pouco talentosa e uma grande massa de médio talento. Não é isso que você vê em qualquer profissão? Alguém que acredite firmemente na meritocracia, além de ver que nosso país está muito longe de viver um modelo assim, seria muito contra o status quo. Não vejo a classe média tendo esse tipo de posição, e parece para mim muito claro que essa conversa de meritocracia é fachada, e não a fonte do reacionarismo. Isso está escrito no texto? Indiretamente, talvez, certo?

            Uma verdadeira crença na meritocracia levaria as pessoas a se depararem com o estado abissal de desigualdade no Brasil e passarem a defender coisas como:

            1. Eliminação de toda e qualquer forma de discriminação, seja cor de pele, social, nascença, filiação a partidos, orientação sexual.

            2. Uma verdadeira reforma tributária que visasse um sistema genuinamente progressivo, que ajudasse a diminuir a distância entre pobres e ricos.

            3. Intervenção governamental que redistribuísse renda de forma a incluir no jogo meriticrático a maior parte de nossa população que sempre ficou de fora, excluída.

            Você vê grande parte da classe média defendendo princípios assim? Você conclui disso o quê? Para mim, parece que não é meritocrática coisa nenhuma, e logo essa não pode ser a fonte do reacionarismo, como sustenta o texto. O texto fala isso? Indiretamente, talvez. A conclusão de se combater a meritocracia certamente vai na direção oposta.

            Uma das partes mais fracas do texto foi ter que sustentar que a classe média americana não tem uma ideologia meritocrática. Concordo que a sociedade deles não é, mas a ideologia sem dúvida é. Pesquise sobre o American Dream e você verá elogios e mais elogios à meritocracia, mérito pessoal, talento, e, muito importante, igualdade de oportunidades. Não há como negar isso. Negar que o American Dream tenha sido parte da ideologia da classe média americana foi um lapso muito grande. Tentativa de torcer os fatos para caberem nas idéias? E como fica, diante disso, a tentativa de se dar um aspecto mais geral à idéia de que meritocracia leva ao reacionarismo.

            Concordo que meritocracia não pode ser o único e exclusivo critério para o ordenamento de uma sociedade. Há mais coisas envolvidas. Há que se ter uma rede de proteção social em razão de toda a aleatoriedade envolvida na vida. Mesmo com oportunidades iguais e falta de herança, as pessoas podem apenas não ter sorte. Além do quê, o simples fato de se ser uma pessoa já é um mérito em si.

             

  22. Antes da Chauí, Cazuza já

    Antes da Chauí, Cazuza já teria decifrado o enigma: a burguesia fede, a burguesia quer ficar rica…

    Parabéns Renato! Mass…a classe média tá mais pra invejosa que meritocrática.

    Nunca dantes nesse país comerciantes de classe média ganhou tanto dinheiro, médicos de classe média que há 15 anos atrás atendiam x pacientes, triplicou a clientela. Pior que esses só jornalistas classe média que chamam o patrão de colega, e o pior de todos promotores/procuradores classe média que prevaricam pra beneficiar determinadas pessoas.

    Já tem guru da classe média querendo proibir o bife na mesa do pobre, pra eles classe média pode. Dificultar a viagem de avião, mas os cavalos do seu marineiro correligionário, pode.

    Entre sua análise e a filósofa Chauí, prefiro a do Cazuza: a burguesia ……….além disso é ciumenta.

  23. ótimas observações e muito

    ótimas observações e muito bem costuradas pelo autor! paremos e reflitamos em como esses conceitos permeiam o dia-a-dia do homem moderno.

  24. O melhor post do Blog do Nassif em 2013

    Pra mim, este texto já ganhou (por meritocracia kkkkk) o titulo de melhor texto publicado neste blog, neste ano!

    1. Indiscutivelmente – o melhor post de 2013

      Também concordo com o Caio Freitas!!! Post parece mais uma tese acadêmica brilhantemente escrita ! Nota 1000 com louvor

       

  25. Muitos comentários com

    Muitos comentários com “identificação”(o termo parece ser nick, não?) oriundos, parece, de pessoas distintas. 

    Se preferem o anonimato, tudo bem. É uma faculdade dada pelo blog. Mas que pelo menos fizessem uma singularização qualquer(anônimo 1, anônimo 2…….). 

    Não entendam isso como patrulhamento, e sim como mera sugestão. 

    1. Emilio

      Não sei o que está acontecendo, mas para mim pelo menos não aparece o campo para preencher meu nome e e-mail, só aparece o campo assunto. Esse post, por exemplo, vai aparecer como anônimo, porque eu percebi isso e coloquei meu nome no assunto…

    2. desvendando….

      Há um pequeno problema na caixa de comentários do post:  a janela Nome (pelo menos no meu computador )  está ausente. Postei um comentário pela manhã e ele teve de ir anônimo. Acredito que varios , talvez até todos os outros anonimos estejam com este problema.

       

      Meu Nick: Campos

      1. Obrigada, Campos, pelo esclarecimento

        Eu nao estava entendendo essa “invasao” de anônimos, inclusive comentários de comentaristas conhecidos, como o Tagutti, aparecendo como de anônimos. Bom, se o problema continuar, talvez alguns se convençam das vantagens do CADASTRO… (rs, rs). 

      2. Confirmado.
        Em teoria eh so

        Confirmado.

        Em teoria eh so deslogar e logar de novo mas como eu nao logo nunca e tive o mesmo problema, tracei o diretamente ao cookie do “addthis”, que esta prohibido no meu computador agora:  veja se resolve no seu computador tambem.

  26. Vestibular = meritocracia

    Nada tão ‘classe média brasileira’ que fazer festona por ter um filhinho que passou num vestibular depois de 2 anos naquele cursinho caríssimo.
    Na maioria dos casos, não importa muito qual o curso, nem se o cara vai mesmo cursá-lo: “Ya Basta”! O jovem coxinha conseguiu alí sua medalha, sua distinção! Já pode ganhar o carro e uma mesada maior.
    “Orgulho da nação”, vovô acha que ele merece um bom emprego!

  27. meritocracia

    Parabéns, Renato. Seu texto é excelente. Eu tinha uma idéia nebulosa sobre estas questões e a sua leitura clareou a minha mente a respeito. Gostaria de acrescentar conceitos emitidos pela classe média meritocrática que se ouve com muita frequência: o pobre, o ignorante e o bandido são os culpados por serem pobres, ignorantes e bandidos, como se o pobre gostasse de ser pobre, o ignorante tivesse tido oportunidade para estudar (dizem que ele é assim porque fugiu da escola) e o bandido teve formação ética,de educação, de saúde e estabilidade familiar, e no entanto, “deu no que deu”!

  28. Excelente. Supimba. Nota 10!

    Excelente. Supimba. Nota 10! Desnudou em termos políticos, sociológicos, psicológicos e principalmente ideológicos, o que efetivamente move a nós, classe média. 

    Gostei imensamente quando fez a distinção entre a meritocracia como valor individual, o que certamente nunca poderia deixar de ser válido, da meritocracia instrumentalizada como ideologia de classe.

    Daí se pode muito bem entender o que move, por exemplo, o ódio devotado ao ex-presidente por parte da classe média. Para ela, Lula teria um horizonte, digamos de “sucesso” na vida. Até mesmo uma eventual formação de nível superior ou mesmo um médio comerciante. Agora galgar o mais alto posto da República só com o primário e aposentado precocemente por acidente de trabalho, não. Isso foi uma afronta. Não tinha, e continua não tendo méritos para isso. 

    A propósito, vale lembrar da estória contada pelo próprio Lula quando na campanha de 2002 visitou a redação do jornal Folha de São Paulo(típica leitura da classe média meritocrática) e foi inquirido pelo sr. Otávio Frias Filho(Tavinho) acerca do seu conhecimento de inglês. 

    Na mesma linha, de forma sub-reptícia os marqueteiros que nas eleições de 2006 e 2010 trabalharam para a oposição exploraram isso quando, por exemplo, Serra se enaltecia de ser  “o mais preparado”. 

  29. Classe média

    Classe média: Come salame e fala que arrotou presunto (nem arrotar consegue).

    Interessante que, todos aqui no blog, estão na classe média brasileira (segundo o IBGE). Então não é bem assim.

    Gosto de salame com pão frances maionese e coca cola.

  30. Caixa de Pandora

    Ao colocar na berlinda a meritocracia, abriu-se uma Caixa de Pandora.

    Excluindo-se o mérito, o que entra no seu lugar?

    O problema da classe média é não ter coragem para ser hegemonia. Contenta-se com pouco e tem medo de perdê-lo. 

    No Brasil, os bancos LUCRAM (líquido!) 50 bi por ano, p. ex.. E a classe média acha que o problema do país é o Bolsa Família. Qual o mérito nisso? Ou melhor, porque Itaú e Bradesco podem embolsar 10 bi por ano cada um? Será que eles são tão melhores que um “classe média”? Será que esta classe se vê como medíocre?

    Não! – Mas é pq ela se compara com a “classe trabalhadora” (pobre). E aí, se acha!!!

    Pobre classe média. Que mérito há em ser conduzida (afinal, não é ela quem garante boa parte do lucro dos bancos)?

    O problema é que seu mérito é relativo a mediocridade (aos pobres), se fosse aos “AAAs” do Brasil, aí a conversa seria outra. Que mérito tem um “dono de banco” para colocar no bolso 10 bi por ano? Será que esta classe que se acha tão meritocrática assim, é tão mediocre a ponto de embolsar somente 0,001% disso, e ainda achar que é resultado de mérito? (além de correr o risco de ser assaltado num restaurante em Sampa, enquanto os outros, por terem mais competência, estão jantando em Paris)

    Esta diferença de renda é uma questão de mérito, ou é pq há uma estrutura econômica que coloca uma âncora no pescoço de alguns e uma turbina a jato na traseira de outros?

    Mas, para questionar isso precisa ter coragem e projeto de PODER que a classe média não tem. Nem um, nem outro.

    Falta-lhe mérito!

    Triste classe média…

  31. Emilio

    É difícil contestar a idéia de que considerar o mérito como critério de promoção ou premiação em uma sociedade é mais justificável que utilizar critérios como orientação sexual, privilégios de nobreza, condições sociais, cor de pele.

    Parece-me que a crítica mais fundamental à idéia de meritocracia como um dos pilares de ordenamento social não foi feita pelo texto, que é justamente a de que o Brasil não vive uma meritocracia, já que os critérios de condições sociais dos pais é um preditor quase infalível da condição social dos filhos. O critério no Brasil é condição social, não mérito.

    O texto parte do princípio de que a classe média está realmente convicta de que a meritocracia é um dos bom pilares sobre os quais deve se assentar um ordenamento social. É difícil de acreditar que alguém que realmente empreste tanta importância ao mérito não enxergue o quanto é importante para o funcionamento de um sistema assim que as oportunidades para colocar a potencialidade individual em prática estejam relativamente bem distribuídas para todos.

    Não vejo como uma pessoa possa sustentar de boa fé que um modelo meritocrático funcione sem essa igualdade de oportunidades. Não há como propagar valores meritocráticos sem propagar conjuntamente a igualdade de oportunidades, a menos que se queira soar profundamente hipócrita.

    Acho que a crítica é que a classe média não é meritocrática coisa nenhuma, pois não a vejo defendendo com unhas e dentes a igualdade de oportunidades, como seria de se esperar de quem realmente está preocupado em premiar as capacidades individuais de cada um. O que se tem é esse discurso de meritocracia como maneira de se mascarar privilégios, na melhor das hipóteses.

    Tomando a luta pela igualdade de oportunidades como indissociável de uma verdadeira crença na meritocracia, a maior parte desses argumentos do texto cai por terra.

    Não se esvazia espaço público coisa nenhuma, pois seria estimulada uma luta contra privilégios que seria muito benéfica para o nosso país. Seria estimulada uma luta contra diferenças de renda entre pessoas de cor de pele diferente, de orientação sexual diferente.

    Então acho que é isso. A verdadeira crítica é que essa estridência em torno de meritocracia não vem acompanhada de uma estridência equivalente contra a evidente falta de oportunidades para grande parte de nossa população. E o nome disso é hipocrisia. E já que é para lutar contra conceitos, lutar contra a hipocrisia soa mais benéfico que lutar contra a meritocracia.

  32. … o enigma da classe média brasileira

    Excelente! Parabéns ao professor Renato Santos Souza pelo artigo brilhante, que conseguiu expressar de forma clara e contundente o verdadeiro pesadelo representado pela classe média brasileira.

  33. “Mérito” no sistema escolar é um substituto para herança

    Tive uma amiga que foi colaboradora no Moçambique, como professora de Português, e desistiu. O ensino de Português estava sendo usado como filtro para quem assumia cargos e posiçoes ou nao, e a maioria dos alunos nao falava Português em casa. Eram os filhos dos dirigentes, que tinham estudado em Portugal, que falavam. Nao havia mais herança de dinheiro, mas a herança se dava por meios indiretos. 

    E ISSO NAO É MUITO DIFERENTE DO QUE ACONTECE NAS ESCOLAS BRASILEIRAS. Os alunos falam “português”, mas é o português real, variável, muito diferente do português oficial (que, aliás, nao é mais falado nem pelas classes altas… é a tal de “norma oculta”, a que o Marcos Bagno se refere). Mas os falantes filhos das classes mais escolarizadas falam uma versao da língua mais próxima da oficial. E isso permite nao só que tirem melhores notas, mas, muito mais importante que isso, que nao sejam calados a toda hora por estarem “falando errado”, como acontece com os estudantes das classes populares, que têm o seu auto-respeito ferido, porque eles próprios acabam sendo convencidos de que “nao sabem falar direito”. Boa parte dos problemas de fracasso escolar passa por aí. 

  34. Acho que não salientou suficientemente o cerne da questão

    É difícil contestar a idéia de que considerar o mérito como critério de promoção ou premiação em uma sociedade é mais justificável que utilizar critérios como orientação sexual, privilégios de nobreza, condições sociais, cor de pele.

    Parece-me que a crítica mais fundamental à idéia de meritocracia como um dos pilares de ordenamento social não foi feita pelo texto, que é justamente o de que o Brasil não vive uma meritocracia, já que os critérios de condições sociais dos pais é um preditor quase infalível da condição social dos filhos. O critério no Brasil é condição social, não mérito.

    O texto parte do princípio de que a classe média está realmente convicta de que a meritocracia é um dos bom pilares sobre os quais deve se assentar um ordenamento social. É difícil de acreditar que alguém que realmente empreste tanta importância ao mérito não enxergue o quanto é importante para o funcionamento de um sistema assim que as oportunidades para colocar a potencialidade individual em prática estejam relativamente bem distribuídas para todos.

    Não vejo como uma pessoa possa sustentar de boa fé que um modelo meritocrático funcione sem essa igualdade de oportunidades. Não há como propagar valores meritocráticos sem propagar conjuntamente a igualdade de oportunidades, a menos que se queira soar profundamente hipócrita.

    Acho que a crítica é que a classe média não é meritocrática coisa nenhuma, pois não a vejo defendendo com unhas e dentes a igualdade de oportunidades, como seria de se esperar de quem realmente está preocupado em premiar as capacidades individuais de cada um. O que se tem é esse discurso de meritocracia como maneira de se mascarar privilégios, na melhor das hipóteses.

    Tomando a luta pela igualdade de oportunidades como indissociável de uma verdadeira crença na meritocracia, a maior parte desses argumentos do texto cai por terra.

    Não se esvazia espaço público coisa nenhuma, pois seria estimulada uma luta contra privilégios que seria muito benéfica para o nosso país. Seria estimulada uma luta contra diferenças de renda entre pessoas de cor de pele diferente, de orientação sexual diferente.

    Então acho que é isso. A verdadeira crítica é que essa estridência em torno de meritocracia não vem acompanhada de uma estridência equivalente contra a evidente falta de oportunidades para grande parte de nossa população. E o nome disso é hipocrisia. E já que é para lutar contra conceitos, lutar contra a hipocrisia soa mais benéfico que lutar contra a meritocracia.

     

  35. Meritocracia é só o verniz

    Belo artigo, Renato, mas vou discordar de quase tudo! Concordo que a meritocracia tem seus efeitos colaterais, mas não creio sermos tão meritocráticos assim, e ainda não estou convencido de que meritocracia seja a causa do reacionarismo. Acho que é um componente importante, mas apenas um verniz, uma motivação que seja possível de se admitir.

    Vejo o reacionarismo da classe média mais ligado à perda da sensação de exclusividade. Muitas pesquisas sobre felicidade já identificaram que a questão comparativa é crítica, e a forma como enxergamos a situação do próximo é parte fundamental na definição do quanto nos sentimos felizes. Isso contribui para entendermos como alguém na Tanzânia pode sentir-se mais feliz que outro na Suíça.

    Sempre foi sofrido para a classe média conquistar acesso ao “pacote mínimo” da classe de cima: colégio particular, faculdade, plano de saúde, automóvel, viagem de férias… Antes disso houve a época do computador, da linha telefônica, etc.

    Enquanto não era sequer possível para os mais pobres ter acesso a tal pacote, esses primeiros passos acima do mínimo de dignidade representavam um bem escasso e, portanto, mais valorizado. Havia a sensação na classe média de que um diferencial foi conquistado, de que fazemos parte do clube dos privilegiados, e o estado de fato nunca ajudou nossas conquistas. A meritocracia, bem identificada pelo Renato, está presente, mas é a “cobertura” do bolo; o recheio é diferente.

    As queixas contra as cotas para minorias e alunos da rede pública têm sem dúvidas seu componente meritocrático, mas também carregam a reação contra um mal estar gerado pela perda de exclusividade. É o mesmo caldo do “agora todo mundo tem carro”, “está impossível viajar de avião”, etc. Tudo o que veio a reboque do consumo popular contribuiu para o aumento desse mal estar: desde os carros “populares” parcelados, passando pelos pacotes da CVC até o celular pré-pago. Ninguém faz isso com Bolsa Família, mas com aumento de renda do trabalhador – o que está mais ligado a oferta x demanda, mas também pressupõe mérito (ainda que sempre apareça um espírito de porco para reclamar do governo pelo aumento do “custo” com domésticas…).

    Além disso, o crescimento também da população na classe A pressionou a demanda dos serviços de melhor qualidade, e os preços foram ficando proibitivos. Alguém nos comentários mencionou as mensalidades escolares de R$3mil; aí não tem a mão da tal “nova classe C”. Engraçado que pouca gente vê mérito na nova classe A, só sacanagem, sonegação, heranças, privilégios, mulheres ricas, etc.

    Percepção é parte do jogo: a classe média não empobreceu, mas subiram a barra do pacote que atribuía o selo de diferenciação no Brasil, e ela passou a enxergar-se mais próxima dos pobres do que dos ricos. A sensação de exclusividade foi violada – e isso doeu para alguns, principalmente se encontrar o ambiente propício (mídia, valores, etc.). Esse é o “recheio” do bolo; reivindicar a meritocracia é apenas a cobertura.

    “Cada um de nós é um universo”? Pois é, e a necessidade de perceber-se especial é individual, com algumas características mais freqüentes em cada lugar. Numa sociedade desigual como a nossa, isso muitas vezes passa por negar ao próximo as mesmas oportunidades – e não há nada meritocrático nisso.

    É triste, porém não menos humano, e tampouco é intrínseco à classe média no Brasil. Onde houve redução de pobreza, mas também crescimento do fosso em relação aos mais ricos, foi a classe média a camada que, apesar de também melhorar, ficou mais exposta à percepção de perda de privilégios exclusivos, ou um “downgrade“ comparativo.

    Talvez só a conscientização ou o tempo resolvam isso, quando alguma geração ainda por nascer no Brasil achar natural todos terem direitos básicos respeitados. Acho melhor aguardarmos pelo tempo…

    Alocar recursos escassos em larga escala sem critérios objetivos é praticamente impossível para qualquer organização complexa. Por isso acho que nossa batalha fundamental não deveria ser contra a meritocracia, mas sim pela necessidade de nivelar oportunidades – mesmo em sistemas sabidamente imperfeitos. Assim como a outra “cracia” mais famosa, meritocracia pode ser o pior regime que se pode adotar, só é melhor que todas as alternativas disponíveis até o momento.

    P.S. Abaixo o maniqueísmo! Isso é que é conhecimento em rede. Ôpa! “Em rede” não pode mais, já se apropriaram… Viva a construção coletiva do conhecimento! Xi… “coletivo” também já era… Enfim, gostei da discussão como a discussão está evoluindo e pronto.

    1. Produto de grife

      A mediocridade precisa de uma boa apresentação.

      Aécio Neves é uma grife local, e o povo adora consumir produtos de marcas famosas. O ruim é o produto dentro do pacotinho, o Aecim Cunha.

      Ainda, é o primeiro nome anti-PT que lhes aparece na cabeça!

  36. A meritocracia não é o problema, é a solução.
    A meritocracia não é o problema, é a solução. Quem acha isso quer viver do suor dos outros.Sem ela, ninguém produzirá nada e todos chafurdaram na lama da pobreza. Ou pior, seremos submetidos a trabalhos forçados para sustentar uma minoria.    

    1. “De cada qual, segundo sua

      “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”

      Amigo, os homens não são iguais, nem em capacidade de produzir, nem na necessidade de consumir. Ao sistema social cabe dar a todos as mesmas oportunidades para que cada um se desenvolva conforme sua capacidade e devolver a cada um, independente dos seus limites, aquilo que necessita.

      Qualquer coisa fora disso só leva a dominação e ao servilismo.

      1. > De cada qual, segundo sua

        > De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades (…)

        Levamos séculos para acabar com a escravidão dos mais fracos pelos mais fortes. Você acha mesmo que o destino redentor da Humanidade é a escravização da minoria talentosa pela maioria de medíocres? Definir fora da subjetividade do indivíduo aquilo de que ele necessita (que pode ser sim meramente um desejo, por que não?) é o caminho para uma sociedade justa? Merci beaucoup, prefiro continuar vivendo nessa sociedade injusta mesmo.

        1. Bem, se você prefere a

          Bem, se você prefere a escravização doa maioria pela minoria ou da minoria pela maioria, eu não sei, é preferência particular sua, e, creio eu, deve estar sendo definida pela sua atual situação, que deve ser de um escravo feliz e faceiro.

           

          1. E você triste?

            Nesse caso, a sua seria de escravo triste e ressentido?

            E defende a troca da escravidão atual por outra, que pelo menos garantirá menor esforço? Teoricamente, é claro.

      2. Acabe com a meritocracia, e

        Acabe com a meritocracia, e eu sou o primeiro a parar de trabalhar. Se vou ganhar o mesmo que aquele que não faz nada, pra que fazer?

          1. Sorte

            Ainda bem que teríamos gente como você pra sustentar a massa.  Se é serviria…..

            Pena que não daria pra nada, já que não lotariam uma kombi.

        1. Perfeito, se todos vão ganhar

          Perfeito, se todos vão ganhar o mesmo independente do estudo, esforço e trabalho que tiver Então vou trncar minha pós graduação no dia seguinte e viver da renda do Estado Mãe…assim como acontece em Cuba onde os médicos ganham US$12/mês e uma faxineira ganha US$10/mês

      3. Como se todos tivessem que

        Como se todos tivessem que produzir o mesmo, e consumir o mesmo. 

        Cada um produz aquilo que consegue, e consome aquilo que deseja.

        Esse argumento não inviabiliza a meritocracia, muito pelo contrário.

      4. E o quê a necessidade cada um?

        Casa, comida, roupa lavada?

        Iphone mega hiper ultra caro prá carái devido a maçã podre?

        Um Rolex?

        Um prato de arroz, feijão, salada de tomate com alface, batata frita e bife?

        Um implante de silicone para ficar peituda igual as americanas?

        Uma prótese peniana para competir com ator afro de filme pornô?

        Uma marmita com tutú, couve e torresmo?

        Um casaco de zibelina e jóias de diamante?

        Um barracão de zinco, sem telhado, sem pintura…

        Um jantar sofisticado num restaurante de padrão Michelin?

        Um apartamento duplex?

        Uma cervejinha depois do expediente, numa mesa na calçada?

        Um grand cru de Bordeaux para ostentar o conhecimento de enologia?

        Caviar Beluga?

        Responda: aquilo que cada um necessita como pode ser demonstrado e quantificado? para atender a essa necessidade como será a distribuição para quem contribui mais, o produto devolvido será em quanto proporcionalmente menor?

        E perguntado como Lenine, o quê fazer com que açambarcar mais que lhe for atribuído?

        A nomeklatura que irá repartir o montante final ficará enquadrada nos mesmo parâmetros?

         

         

         

    2. Solução ou desculpa?

      Caros,

      Sou mais pela Janteloven (lei de Jante) que pela Meritocracia.

      Me parece mais civilizada, mais razoável e mais sustentável que a última.

      Sem falar no paradigma do “Bem Viver” que nos foi presenteado pelas culturas andinas.

      Esse, então, não dialoga em nada com a meritocracia capitalista.

      Lembro de Max Gonzaga em sua ótima canção Sou Classe Media. Deixo o link:

      http://m.youtube.com/watch?v=nd2YUNNBbrY&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3Dnd2YUNNBbrY

       

  37. Sobre Méritos Eméritos e Méritos Deméritos

    Jé faz algum tempo que eu me incomodo com o uso da palavra meritocracia (que em princípio prezo), seu uso, organização e sequestro pelo neoliberalismo.

    Já comentei que acho muito gozada a “meritocracia que envolve, por ex. um herdeiro empresarial que (dependendo da geração), não raro acaba quebrando o negócio. Ainda que seja apenas um néscio preguiçoso e bem relacionado.

    Ou de um executivo de família rica que fez PhD em Harvard e ganha bönus anual de $150 milhões num banco de investimentos porque trouxe lucros de 20 bilhões, mesmo que os complexos modelos matemáticos que ele pode aprender e levem a extrair suco de papel (podre), acabem por quebrar o banco (alguns “nem podem quebrar”).

    Aí como o banco quebrou, e ele teve “méritos”, ainda ganha um bônus de saída pelos bons serviços “antes”, e por ter outro “mérito”, de ser bem relacionado, consegue “emprego” imediato em outro banco (quem sabe no Federal Reserve ou até mesmo como Secretary of Treasure!).

    É mentira, Terta?! (qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência).

    Bem, feita esta longa introdução e como também já vinha matutando sobre, vamos ao relevante tema bem trazido pelo colega. Gostaria de “pitacar” sober 4 itens conexos: mérito, causas, efeitos e valor.

    1) Mérito em si: não é muito difícil de se descobrir ou determinar (as vezes é), mas refere-se a algo reconhecido geralmente como positivo e simpático.

    2) Causa ou origem do mérito: espera-se que seja “verdadeiramente próprio” (capacidade, competência, conhecimento, esforço, criatividade, caráter, etc.). Mas pode estar mascarado por origens mais duvidosas (acaso, espionagem, condições sociais privilegiadas, esperteza, mau caratismo, etc.).

    3) Resultado do mérito: pode ser, por ex. desde o de manter uma gaveta de meias limpa e organizada até coisas como a cura do câncer ou a prova final da existência ou não de Deus (ÊPA!). Brincadeirinha hein!

    4) Valor ou prêmio do mérito: certamente o da gaveta arrumada não será em geral muito valorizado ou dará algum prêmio (talvez um “muito bem”!). Já inventar derivativos para trazer 30 bilhões em negócios com títulos podres, dando lucros aos sócios de 16 bilhões para todos comprarem muitos iates, “jatinhocópteros”, mansões e prostitutas(os) regadas(os) a puríssimas carreiras, tem um valor imilionário! Ainda que quebre o negócio, pois todos os premiados (a secretaria, o porteiro e a faxineira, não!) tem outro mérito, do networking herdado e viabilizado para pular de barco.

    Será que uma esforçada “caboclinha cearense de um zurrador da Veja” poderia vir a ter méritos científicos no MIT, se casada com um alemão rico morando em Boston? Quem sabe?!…

    Muito do que estamos discutindo (e espero ter jogado milho de pipoca para explodirem) gira em torno destas (pelo menos) quatro caracteristicas e usos do “mérito”.

    A crescente prevalência mundial do (poder do) neoliberalismo, que não é muito mais do que uma ideologia para egoístas bem sucedidos e deslumbrados em perseguição (afinal somos todos humanos, né?), como a classe média, está vendendo e consolidando conceitos protetivos aos privilégios alcançados, como este da “meritocracia”, o do darwinismo social (“quem pode pode, que não pode se sacode”… no Sudão, para espantar as moscas), o da competição em detrimento da colaboração e tantos outros que já conhecemos. Deturpando-os, naturalmente.

    Mérito em sua releväncia, é algo usado e premiado pelos beneficiados de seu resultados.

    E para ser razoável, precisamos entender sua origem.

    Sozinho, é algo simpático a todos, mas …

    Quando me perguntam sobre quão bom pode ser o capitalismo, comunismo, socialismo e outros “ismos”, eu me lembro que depende: Todos são sistemas exercidos por seres humanos.

    E poderão ser tão bons quanto eles.

    É como na meritocracia.

  38. Enigma da classe média

    Imagina, a classe média nem pensa em meritocracia. A classe média reacionária pensa em privilégios, desde o momento que paga o flanelinha até os empregos obtidos através do famoso Q.I: Quem indica.

    Continuo com a análise do Homem Cordial do velho Buarque.

  39. Caso dos médicos e muitos que

    Caso dos médicos e muitos que fazem faculdades públicas, beleza de mérito, aproveitam de recursos do erário e se acham com a bola toda, depois, por causa da tal “meritocracia” nem admitem trabalhar pelos que mais precisam e vão ganhar um bão de um dinheiro para comprar carrões importados e iates. Enquanto usufruem de tais “méritos”, usam dedos de silicone para receber sem trabalhar enquanto necessitados precisam de atendimento urgente por estarem sofrendo, e confiando no bom coração tal profissional cheio de “meritocracia”. O artigo vale pelos pontos que coloca em discussão, mas que pode cair facilmente para o sofisma. 

  40. Ótimo trabalho de Renato

    Ótimo trabalho de , que deve ser um ótimo professor na UFSM/RS.

    Bem explicado, bem concatenado, linguagem acessível, conteúdo consistente… e a categoria dos comentários, por consequencia, no mesmo nível. A diferença que faz um bom Professor..

    Parabéns ao autor e ao blog. Uma matéria assim jamais será encontrada na “grande imprensa”.

    Porém, permito-me um pitaco: há uma perversidade da classe média não considerada na explanação, aquela perversidade que é o mote da Prof. Marilena Chaui.

    A dita classe aceita(mos) pagar os tubos pela escola particular dos filhos, pelo plano de saúde… porque isto garante(ia) uma vantagem competitiva. Meu esforço, e meus filhos, era(m) compensados no acesso à universidade federal (a melhor), o que reforça(va) a vantagem competitiva.

    Uma grande parte do reacionarismo deve-se a ameaça de perda da vantagem garantida. Aí o sacrifício, antes naturalmente aceito em troca de uma oportunidade especialmente franqueada, perde o sentido. E a dita classe prefere a meritocracia garantida pela vantagem competitiva. A igualdade de condições… ora, às favas a igualdade.

    Valeu. A leitura da matéria, e dos comentários, deram uma qualificada/organizada no meu entendimento.

     

     

     

    1. Bordieu explica essa zona cinza
      “…seria possível os aspectos sensoriais e cognitivos envolvidos nas diferentes acoplagens das pessoas com esses “aparatos” (automóvel, computador, celulares etc.) moldarem visões de mundo e ideologias?” A resposta é sim, através do fenômeno ao qual Bordieu chama de capital cultural, essa reprodução social familiar, de classe, de nicho social. Não é exatamente pelas condições materiais, mas aos valores que são atribuídas a estas coisas, aos significados que são atribuídos, aos sentimentos despertados pelos usos. Enfim, acredito ser uma pista.  

  41. Perfeito. É isto mesmo. A

    Perfeito. É isto mesmo. A opinião contrária a do artigo não perdura uma análise mais profunda. No meu caso é só análisar os meus amigos, parentes, colegas, conhecidos…

  42. O tatibitate binário… a espuma é ainda maior!

     

    Antes de qualquer análise sobre os preconceitos da classe média seria preciso delimitá-la.

    Quais seria os seus membros? A classe média urbana brasileira era composta pelos chamados profissionais liberais, pequenos e médios empresários, oficiais das forças armadas, empregados privados e funcionários públicos em cargos de nível superior.

    Era praticamente inexistente nas pequenas cidades, poderia ser contada apenas com as mãos. Uma Rural Willys transportava todos.

    Nas médias cidades caberiam numa jardineira.

    Concentrava-se basicamente nos grandes centros. Principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Além destas duas cidades poucas outras possuiam massa crítica para os seus preconceitos e rancores próprios permearem toda a sociedade.

    Nas regiões predominantemente rurais os seus escassos membros eram em geral carreados à reboque dos terratenentes locais.

    Abaixo dela, oscilando conforme o vento, existiam os “remediados”. Era o gerente do armazén, o encarregado do turno na fábrica, o chefe da repartição pública obscura, os funcionários semi-qualificados das estatais como a RFFSA, o autônomo habilidoso e com conhecimento técnico, etc. Diferenciavam-se dos pobres por comerem carne de segunda três ou quatro vezes por semana, não utilizarem remendos nas roupas e sapatos e morarem em casas de alvenaria.

    A exceção de momentos específicos, em geral guiada pela elite, a classe média no Brasil nunca possuiu força política, embora fosse ouvinte assídua da banda da UDN. No período pré ditadura elegeu um presidente, Jânio Quadros, fato este até hoje completamente inexplicável em termos lógicos e racionais. A derrota dupla do brigadeiro que virou doce, embora fosse o seu ungido, demonstra a sua fraqueza político-eleitoral na época. As suas manifestações em 1964 foram o efeito e não a causa da ebulição nos quartéis. Mesmo sem elas o golpe viria como um raio no céu azul.

    No Brasil de hoje este segmento da população permanece muito pequeno. Sempre esquecem um dos requesitos básicos para a sua conceituação: um revés temporário não lançará o desafortunado na miséria. Os que embora possuam casa própria e bom nível educacional, mas não detêm uma retaguarda, mesmo que pequena, de bens materiais suficientes para suportar o revés, na “pobreza com dignidade”, está no proletariado e não na pequena burguesia. Estes não podem ser considerados como pertencentes à classe média. Os seus conceitos e atitudes, apesar de refletirem em alguma escala os dominantes dentre os economicamente mais favorecidos, foram criados em sua própria esfera. Mesmo que estejam na segunda ou terceira geração com os pés fora do lodo.

    O conceito de classe média nas análises marxilenistas é mero reflexo da autora. Atribui a classe social a qual pertence uma força que nunca teve. Do Chuí diz que vê a olho nú o que ocorre no Oiapoque… O preconceito rançoso da classe média, que finge ter o nariz de defunto da grã-fina, é demonstrando pela própria phylosopha, atribuindo-se supostas qualidades superiores, boa e justa em relação aos pobres e despossuídos e não a postura de madrasta malvada que lança sobre os seus pares.

    Os desalmados meritocratas fazedores de espuma são em sua quase totalidades empregados de 44 semanais, 11 meses por ano e 13 salários, com FGTS e contribuição previdenciária. Muitos trabalhavam de dia e cursavam o ensino média e a faculdades à noite. Saíndo de casa antes da 7 da manhã e retornando quase no dia seguinte. Durante anos se submeteram a esta rotina desgastante, enquanto viam inúmeros vizinhos, colegas e amigos fazendo força para não pegarem no pesado, e eles são culpados por isto?

  43. EUA e Europa

    Amigo, sinto muito, mas os EUA e a Europa são meritocratas, sim. Muito mais do que o Brasil. A diferença é que eles conseguiram atingir um nível de igualdade social e econômica tão alto (com suas exceções, obviamente) que todos os indivíduos têm a mesma capacidade de “competir”. Todos ganham bem, porque trabalham bem, e com isso, o mérito de cada profissão é valorizado. Vá na Dinamarca e veja se um cara que trabalha mal é valorizado ou não.

  44. Texto muito grande, tentando

    Texto muito grande, tentando explicar a explicação da explicação. Só vou lembrar uma coisa: a classe média é a que paga imposto de renda. A classe baixa não paga. A alta não liga de pagar, e qdo decide não pagar, os advogados cuidam disso. O profissional liberal é que paga imposto sobre o trabalho. A empresa pequena, média e quase grande ( todas da tal classe média) são as que pagam imposto. A grande empresa, paga se quiser, como quiser. Mais ainda: a classe média teme o governo caso não pague os tributos em dia. Ela não tem aparato jurídico para protegê-la. Ela quer ser correta. Então ela se desdobra e paga. A classe alta, como eu já disse, não teme. Paga se quiser, qdo quiser. Pense nisso, talvez vc refaça seu texto.

  45. Excelente artigo

    Colocou um novo enfoque para algo que tambem me intrigava.

    Usando o contexto da casa grande e senzala, sempre imaginei a classe média como o feitor dedicado olhando para os escravos com um misto de raiva, medo e insegurança, sempre cioso do seu “espaço”  e temendo concorrencia na sua relação com o “coronel”, este mesmo sentimento era compartilhado pelos profissionais liberais, tais como médicos, advogados, etc.

    A concentração de renda no Brasil criou comportamentos que sobrevivem ao tempo.

  46. Um trabalho construído sobre
    Um trabalho construído sobre uma conclusão totalmente equivocada a respeito do motivo da classe média, a suposta meritocracia. Na verdade trata-se apenas de uma desculpa aceitável para o chocante fenômeno de desumanidade exibido pela classe médica, numa das páginas mais tristes da história do Brasil.

    Não existe nenhum indício objetivo de que nossa classe média seja meritocrata, muito pelo contrário. Apenas um argumento já destrói completamente esta tese: a colossal ineficiência que tanto trava o desenvolvimento de nosso país.

  47. Desvendando a Espuma….

    Parabens !!! Renato Souza!! e muito obrigado !!!

    Recebi um presente de vc, desvendando meus questionamentos!!

    Vc escreveu sobre o que me incomodava, quantas e quantas vezes ficava mudo e calado de espanto de não acreditar e entender esse sentimento tão odioso contra o bolsa familia e dos médicos….

    Mais uma vez !!

     

    Muito obrigado!!

  48. Achei interessante seu

    Achei interessante seu argumento sobre a razão de a classe média ser reacionária. Devo concordar que não está de todo errado e que certamente há essa cultura de meritocracia.

    Mas que discordo da análise que propõe a meritocracia como um defeito. E pergunto, no lugar da meritocracia, você vai colocar o que? E pense em uma resposta que não fale as coisas de sempre como “igualdade para todos”.

    Pense em como você vai decidir quem deve cuidar de uma empresa? Como você vai decidir quem é o médico mais adequado para fazer uma operação?

    Você se esqueceu do detalhe mais perverso e mais cruel da meritocracia. Que ela funciona. Pode ser um tanto injusto escolher os advogados baseados na prova da OAB, mas isso ajuda a aumentar a qualidade geral dos advogados. Como você vai decidir entre um número limitado de vagas

    E apesar de eu achar que Mário Quintana é bem melhor que Paulo Coelho, de ser a favor do programa mais médicos e ser contra todas as imposições do CREA para impedir estrangeiros de trabalhar no Brasil (em tempo, sou engenheiro), sou a favor de políticas meritocraticas e acho que elas são o caminho para uma sociedade mais eficiente e com mais mobilidade social.

  49. O mito da meritocracia na classe média.

    Eu discordo totalmente que a classe média brasileira tenha conseguido sua ascenção por meios próprios ou méritos. A velha classe média brasileira jamais existiria se não fosse as políticas desenvolvimentistas de Getúlio Vargas e Juscelino (apesar do estado bem estar brasileiro ter sido tímido se comparado ao europeu e um pouco do americano).

    Em todo mundo o fenômeno da classe média se inicia após a crise de 1929, a classe média é uma invenção keynesiana. O século XIX foi o século do liberalismo e também do Manifesto Comunista de Karl Marx, também é a época da luta de classes mais acirrada (Ricos e burgueses X Pobres e proletáriados).

    No séc. XX com o fenômeno da classe média houve uma alternativa a pobreza e riqueza. A classe média foi muitas vezes cooptada pela direita na necessidade de se criar um grande mercado consumidor nos países e acusada pela esquerda de enfraquecer a luta de classes. A partir dos anos 80 a classe média passou a ser marginalizada pelo neoliberalismo, interessados em baixos salários e ganhos de competitividade devido enfraquecimento do socialismo soviético. 

    Os governos progressistas que conseguirem unir os pobres e a classe média contra a ganância do capital serão bem sucedidos:

    – No Brasil, o PT falha em adotar a estratégia pelo pragmatismo que contaminou o partido, além do problema da governabilidade (correlação de forças desfavorável), existe a falta de estratégia na economia (projeto de longo prazo que gera mais industrialização, substituição de importações via câmbio e beneficia a escolarizada classe média) e o pouco enfrentamento do Status quo midiático/artístico (a classe média não consome os produtos culturais atuais de baixa qualidade que imundam os meios de comunicação).

    – O 1º mundo (Europa, EUA) apesar de um sistema político/partidário mais sólido, a crise econômica engessa as iniciativas políticas. Está arriscado, a classe média francesa eleger Le Pen (Frente Nacional) muito mais invervencionista e anti-liberal do que o Tea Party americano repetindo um pouco os anos 30 e 40 de tristes memórias (não significa que será igual, mas existe sempre o alerta).

    – Países como China, Venezuela, Equador e Bolívia. Ambos governados pela esquerda não possuem classes médias expressivas para se fazer uma análise mais aprofundada (apesar da tendência de crescimento em ambos), mas é interessante observas as diferentes esquerdas. Enquanto a China focou o desenvolvimento, não houve um avanço da classe média devido o modelo de crescimento mais para exportação que consumo, os países Bolivarianos priorizaram a distribuição de renda com surgimento de um estado bem-estar, mas o pouco dinamismo de suas economia é um dificultador para crescer a classe média.

    1. Risos…

      A maioria do proletariado apoia a Frente Nacional na França… então não é a classe média francesar que lhe daria a vitória… ela apenas a complementaria.

      Acho bonito o pessoal falar na “classe média brasileira”. Classe média na exata acepção do termo não chega a …% da população do nosso país! Vocês acham que o indivíduo que possui apenas um imóvel, a própria residência, é empregado CLT com renda familiar de 3 ou 4 mil reais mensais é classe média? Estes já estão no 5% mais ricos da população…

      Você sabia que:

      Apenas 1,2% das contas mantidas em bancos possuiam saldo (à vista, poupança ou aplicações) superior a R$ 70.000,00 em 2010? Menos de 2.000.000 de contas… considerando que alguns possuem mais de uma conta… menos de 1% dos brasileiros?

      Enquanto isto 4.000 pessoas possuiam riqueza individual líquida superior a US$ 30 milhões? E que estes que representam 1 a cada 50.000brasileiros detêm US$ 800 bilhões conjuntamente?

      A classe média brasileira se parece com os miseráveis do Brasil. Existe nas estatísticas e quase desaparece fora delas. O hiato entre ricos e pobres aqui é preenchido pelo vácuo…

       

  50. Um dos melhores textos já publicado nesse blog

    Olha que aqui sempre tem um texto melhor que o outro, é o paraíso da diversidade. Eu me sinto um privilegiado de poder todos os dias ler as opiniões de pessoas tão diferentes, e, ao mesmo tempo, tão iguais na defesa de seus ideais (desculpa a rima, rsrs). Como é bom ler  as reflexões de comentaristas como: André LB, Anarquista Lúcida, Daniel Quireza, JB Costa, Jotavê, Gunter Zibell SP, Alexander César Weber, Diogo Costa, entre outros. Hoje não foi diferente. Parabéns Renato. E parabéns ao Luis Nassif por coordenar essa metamorfose ambulante.

     

    [video:http://youtu.be/7VE6PNwmr9g align:center]

  51. Errado na essência

    Esse texto é a maldade disfarçada de brilhantismo. Deixe alguém sem nenhum esforço tomar algo seu que conseguiste com o suor do próprio rosto e verás se não mudas de opinião.

    Todos merecem as mesmas oportunidades. Essa noção obviamente tem de ser preservada. Na escola pública de qualidade, no sistema de saúde universal, na segurança igual para todos.  Mas algumas pessoas se esforçarão mais, trabalharão mais, conquistarão mais. Por que penalizá-las dizendo que elas não merecem o que conquistaram? Isso não é mais valia, isso é justiça. E é também justiça social, sim senhor!

    Se meu filho estudou mais e tirou 10 na prova, fez por merecer. Se o filho do vizinho jogou videogame em vez de estudar e tirou 3, por acaso meu filho tem de ter a nota rebaixada para 6? Pois éa v ida  isso que o texto propõe, na essência.

    Idem para a vida adulta. SE você classe média trabalhou anos para ter sua casa própria, e depois de muitos anos conquistou mais 2 ou 3 imóveis, é justo ficar sem eles porque alguém não tem onde morar?

    O texto é leviano com a Classe médica. São 400 mil profissionais no Brasil. A reação ‘abominável’ contra os cubanos foi feita por 20 estudantes, não mais que isso. O ‘dedo de silicone” foi feito por uma pessoa apenas. Portanto, essas coisas não representam a classe. A classe médica, em sua maioria, trabalha acima de 60 horas semanais, em jornadas diurnas e noturnas, para manter o padrão de classe média, pois os salários estão achatados. A maioria estudou em escola particular, porque a maioria das vagas são em escolas particulares. Isso não significa que são filhos de milionários.  São filhos da classe média, de pais que trabalham a mais, que  se sacrificam para pagarem um escola caríssima (empresários riquíssimos que extorquem a classe média). Ou são filhos de probres, com crédito educativo.

    Aí o Governo subverte a Lei existentes, com o velho argumento de que “os fins justificam os meios”  e cria esse monstro eleitoreiro chamado “Mais médicabos eleitorais”. Ora, por que não implanta o plano do Ministro Temporão, ex minisatro da saúde do governo Lula, que queria contratar médicos de carrreira? Por que um governo dito trabalhista demon, fériasiza uma classe trabalhadora? Por que um partido construído no funcionalismo público não quer contratar funcionários públicos? Por que cria “bolsas’ em vez de empregos, por que não quer dar os médicos carteira assinada, 13º e férias?

    Tem muita gente de esquerda que precisa acordar. Precisa entender que não se pode defender esse governo apenas porque ele é de esquerda. O PT não é a esquerda e, hoje em dia, tenho minhas dúvidas se eles são de esquerda . As ideias de justiça social e igualdade de oportunidades  são muito maiores que o PT.

    Abaixo as mentiras e a hipocrisia.

    1. > Por que cria “bolsas’ em

      > Por que cria “bolsas’ em vez de empregos, por que não quer dar os médicos carteira assinada, 13º e férias?

      Porque o governo pôde fazê-lo, já que não há oposição digna de nota no país, o Ministério Público foi fraco, há “juízes pela democracia” demais e juízes que entendem que seu papel é aplicar a lei de menos. Porque investiu (e foi bem sucedido, e com substancial apoio de parcela importante da imprensa, SIM) numa feroz campanha de difamação contra a classe médica, algo que nunca vi na minha vida, repercutida por caras como o autor deste textículo. Porque vai ganhar preciosos pontos com o eleitorado mais pobre, que não está nem aí se o médico que o atende é “bolsista”; não estaria se o médico estivesse lá preso por grilhões ao consultório.

    2. Essas reflexões do texto só

      Essas reflexões do texto só me remetem à nossa classe artística.

       

      Todos gritam e bradam pela difusão da cultura, mas na hora de dar meia entrada para os estudantes nos seus shows, gritam, berram e esperneiam que é um absurdo, que é um roubo, um crime!

       

      Fazem canções dizendo que é proibido proibir, querem a liberdade de expressão, de idéias, mas acham que é um absurdo alguém fazer uma biografia não autorizada das suas pessoas. Como assim alguém vai ganhar dinheiro com o meu nome, e não vai me pagar nada?

       

      Falar é fácil. Quero ver a hora que um cumpanheiro que nada mais fez na vida além de subir em palanque para pedir voto para um político tomar o seu lugar em um emprego. Ou melhor, virar o seu chefe.

    3. A essência é tão clara. Basta querer enxergar

      A sociedade ao enxergar a todos vai longe. 

      è o que prega o Papa Francisco

      é o que desprega a Igreja Universal quando dá palestras de auto ajuda para ostentadores

      O texto prega um mundo de oportunidades

  52. A carreira paralela

    Gostei muito do texto. É difícil ser objetivo neste tipo de temas. Parabéns. Vale a pena olhar todos os artigos aqui publicados, pois levamos gratas surpresas.

    A Anarquista Lúcida foi, mais uma vez, muito lúcida ao colocar o aspecto da linguagem.

    Eu agregaria uma carreira paralela para os mais “meritócratas”, impulsionada pelo mundo global, que começa desde Disneyworld, segue pelo Mcdonalds, pelos “pubs” e músicas em “ingrés”, pelos MBAs, pelo carro importado, pela mulher loira e peituda para exibir, pelo Green Card, pelos paraísos fiscais, e acaba encontrando a luz no final do túnel da sua “life” num apartamento luxuoso em Miami, muito longe do seu (teoricamente) país.

  53. Excelente.
    O problema da

    Excelente.

    O problema da nossa classe média é que quando ela foi urdida o conceito de meritocracia começava a surgir e como forma de diminuir o exercício de cidadania.

    O homem máquina baseado na excelência e produtividade surgia em substituição ao homem cidadão .

    Essa é a raiz dos grandes problemas brasileiro; a falta de exercício de cidadania, o homem prostrado pensando apenas no seu umbigo enquanto as varejeiras se alimentam do imobilismo da sociedade.

    Como diz Orson Camargo:

    “A compreensão e ampliação da cidadania substantiva ocorrem a partir do estudo clássico de T.H. Marshall – Cidadania e classe social, de 1950 – que descreve a extensão dos direitos civis, políticos e sociais para toda a população de uma nação. Esses direitos tomaram corpo com o fim da 2ª Guerra Mundial, após 1945, com aumento substancial dos direitos sociais – com a criação do Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) – estabelecendo princípios mais coletivistas e igualitários. Os movimentos sociais e a efetiva participação da população em geral foram fundamentais para que houvesse uma ampliação significativa dos direitos políticos, sociais e civis alçando um nível geral suficiente de bem-estar econômico, lazer, educação e político.”

     

  54. Maravilha…..

    Esse texto explica o que eu sou e como preferiria educar meus filhos. O problema eh que vivo na Alemanha e com 3 criancas na escola….. Claro que poraqui tem meritocracia por todo lado, mas as politicas de governo nao sao meritocraticas e portanto dao MUITAS oportunidades para aqueles que nao querem estudar tambem….. Conflitos!

  55. Aiai, será que alguns

    Aiai, será que alguns comentaristas esqueceram-se de ler este pedaço do texto (essencial para se entender que o autor não desvaloriza a meritocracia como valor pessoal e sim como fundamento de organização coletiva)???

    “A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 

    Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

    Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

    Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.”

    Será que não percebem que a partir do momento que se coloca a meritocracia como justificativa para ‘colocar as pessoas em seus devidos lugares’ se está criando empecilhos para quem não teve oportunidades continue não tendo e quem teve sorte de nascer com todas as oportunidades possíveis assuma automaticamente o seu espaço confortável na sociedade (mesmo não merecendo nada, na verdade, como no exemplo Quintana x Coelho). A meritocracia funciona bem em termos pessoais, mas em termos de coletividade ela serve apenas para manter o status exatamente como está, e é disso que o texto está falando!!!!.

  56. Agradecimento

    Venho agradecer ao sr. Renato Santos de Souza pela luz lançada – de forma tão completa e brilhante – sobre um tema tão complexo e obrigatório. Um abraço, meu caro.

  57. Meritocracia apenas na area privada

    Excelente texto. Deu uma organizada em alguns pensamentos que me atormentavam.

    Eu sempre defendi a meritocracia baseada em igualdade de condicoes, apesar de entender que igualdade de condicoes seja algo um tanto utopico. De qualquer forma, defendo a tal meritocracia dentro das empresas ou dentro de equipes onde se busca dar oprtunidades iguais a todos os integrantes e se observa quem se desenvolve mais e desempenha melhor. Coloquei desenvolvimento e desempenho juntos porque creio que a meritocracia deve ser pensada como produto de ambos. Analisar o desenvolvimento apenas, favoreceria o menos preparado inicialmente, ao passo que desempenho isoladamente esconde as diferencas de capacidade ja adquirida pelos participantes antes do inicio do processo.

    O desafio aqui seria unir o fator desenvolvimento para compor a meritocracia, pois desenvolvimento esta ligado tambem a prover condicoes para que o individuo se desenvolva. Dessa forma, eu seria a favor de uma meritocracia futura para o Jose das notas 10, caso ele tivesse os recursos adequados, providos por politicas sociais adequadas, para que ele pudesse se desenvolver em maior igualdade de condicoes com outros garotos de sua idade.

    Os resultados aferidos de politica de cotas na Universidade de Michigan, indicam que agregar o fator desenvolvimento com condicoes ao desempenho, podem validar em parte a meritocracia. Alunos vindos de classes mais baixas e incluidos em cotas, tem desempenho profissional superior a alunos nao cotistas.

     

  58. Causa

    Você coloca a meritocracia como causa da desigualdade social no Brasil, ao mesmo tempo que diz que ela faz parte da ‘nova classe média’. Po, cara, a desigualdade social no nosso país é coisa antiga já, resultado de política excludente.

    No caso do Zé, por exemplo, se de fato vivessemos em uma meritocracia, ele conseguiria atingir seus objetivos, o problema é que ele é muito pobre, e a culpa disso é da falta de igualdade social. O Brasil ainda não tem uma meritocracia por si só, nem o governo nem as pessoas; o governo muito menos, pois trabalha pra todo mundo virar servido público: ganhando dinheiro e sem trabalhar.

  59. Acabou de aparecer esse poema

    Acabou de aparecer esse poema do Quintana no meu feed de notícias. Achei tão pertinente ao assunto em discussão, não só pelo Quintana ter sido lembrado no texto, mas pelo que este poema diz, pois ele vai fundo nesta questão da “meritocracia”, ou no fundo, de merecermos ou não um espaço neste mundo:

    O POBRE POEMA

    Eu escrevi um poema horrível!
    É claro que ele queria dizer alguma coisa…
    Mas o quê?
    Estaria engasgado?
    Nas suas meias palavras havia no entanto uma ternura
    mansa como a que se vê nos olhos de uma criança
    doente, uma precoce, incompreensível gravidade
    de quem, sem ler os jornais,
    soubesse dos sequestros
    dos que morrem sem culpa
    dos que se desviam porque todos os caminhos estão
    tomados…
    Poema, menininho condenado,
    bem se via que ele não era deste mundo
    nem para este mundo…
    Tomado, então, de um ódio insensato,
    esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável
    verdade, dilacerei-o em mil pedaços.
    E respirei…
    Também! quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

    Mario Quintana
    – A Vaca e o Hipogrifo

  60. Análise falsa do começo ao fim

    A análise começa partindo da observação de que a reação contra os médicos cubanos foi motivada pela defesa da meritocracia:

     

    “…o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil… Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia… Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito.”

     

    Só que os médicos cubanos não são uma minoria oprimida beneficiada por políticas de afirmação. Portanto a suposição de que os médicos esperneiam por verem isso como um atentado a meritocracia não é prova de que seja esse o caso. A razão objetiva é o que até as pedras sabem… Qualquer corporação monopolista quando vê seu mercado ameaçado por um novo competidor, esperneia.

     

    Mas uma vez afirmado que a meritocracia foi a raiz do episódio dos médicos, passou-se a construir uma argumentação para demonstrar a meritocracia como um mal. Só que a sustentação dessa argumentação se resumiu a descrever em itens as injustiças e perversões sociais colocando-as na conta da meritocracia sem a mínima preocupação de explicar o nexo causal. Vamos ao primeiro exemplo:

     

    “a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.”

     

    Eu pergunto, onde uma coisa obstrui a outra?

    Porque por minha vez posso observar que a meritocracia vincula-se a idéia da mobilidade social e que os valores universais se vinculam a harmonia social. E em seguida afirmar que a segunda é necessária para a primeira dando nexo causal de que para haver mobilidade social é preciso, antes do princípio da meritocracia, haver a idéia da igualdade a direitos universais. Isto é, numa sociedade escravocrata, escravos continuam escravos a despeito dos seus méritos “profissionais”.

     

    Mas para não perder tempo desmontando item por item, basta dizer que podemos trocar a palavra “meritocracia” que abre todos os itens a, b, c, d, e , f  por outra como “individualismo”, “corporativismo”,  “egoísmo”, “ganância”, “consumismo” ou qualquer outro vicio a gosto do freguês que o texto não mudará em sentido.

     

    Outra afirmação tirada da cartola foi afirmar que a elite não defende a meritocracia, algo discutível. Mas pior mesmo foi afirmar que os pobres também não defendem:

     

    “Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas.”

     

    O que quer dizer “limitado potencial individual”? Que os pobres se acham incapazes de prosperar pelo estudo e trabalho ou que os pobres são limitados individualmente?! Isso no mínimo cheira a uma visão fatalista pra não dizer algo pior.

     

    Resumindo a falsidade da idéia:

     

    Afirmação 1) meritocracia = injustiça social =  ser reacionário

    Afirmação 2) a classe média defende a meritocracia e a classe pobre e a classe rica não defendem.

    Conclusão: pessoas reacionárias = pessoas da classe média.

     

    Acontece que a meritocracia se contrapõe ao pior dos mundos que é a idéia de viver numa sociedade de castas onde privilégios e opressões são perpetuados de forma hereditária. Claro, a alternativa utópica seria uma sociedade onde as pessoas produziriam riquezas motivadas pelo bem comum e viveriam felizes para sempre compartilhando tudo com todos de forma igualitária. Uma realidade onde egoísmo e ganância não fariam parte da nossa natureza. Só que analisar dessa forma simplista não leva a lugar algum.

  61. RIDÍCULO

    Um monte de bobagens vinda de uma esquerda radical que desmerece quem conquistou seu lugar ao sol por mérito.

    Para mim não passa argumentos para justificar a própria incapacidade dos que são vagabundos e incompetentes. A maioria só quer impor esse tipo de política para conseguir um cargo comissionado no governo. Vão trabalhar ao invés de ficar mamando no Estado.

  62. Pelo que entendi o texto, a

    Pelo que entendi o texto, a meritocracia não é um demérito, a questão toda é estabelecer uma proposta de vida baseada na meritocracia, onde só vale a pena gastar tempo naquilo que resulte em algo para mim. Eu não preciso me preucupar com minha comunidade, meus vizinhos, meus parentes..se eu me trancar no quarto e decorar um contéudo imenso de informações serei aprovado  e ganharei muito dinheiro, mesmo sendo uma ameba social.

  63. Realmente é de uma ignorância

    Realmente é de uma ignorância a toda a prova por a culpa de todos os males brasileiros na meritocracia da classe média.

  64. O autor é o exemplo de que a

    O autor é o exemplo de que a meritocracia no Brasil é uma piada. De acordo com seu lattes, o último artigo publicado foi em 2011. Cadê a meritocracia da classe média?

  65. Excelente

    Excelente texto. Mas é duro de aceita-lo. Eu vou ter que reler várias e várias vezes pra ver se o que está aqui escrito entre bem na minha cabeça e me livre de anos e anos (talvez gerações) de preconceitos que nem sabia que tenho.

  66. Tenho acompanhado os

    Tenho acompanhado os comentários sobre o meu texto com atenção, e eles têm me ensinado muitas coisas, e me fornecido alguns exemplos para o que eu escrevi no texto.

    Por exemplo, um dos comentaristas escreveu, elogiando o meu texto, “ótimo trabalho de Renato Santos de Souza, que deve ser um ótimo professor na UFSM/RS”; já outro, em sua crítica a mim e ao texto, escreveu “senhor professor, lamento pelos seus alunos”.

    Não tenho nenhum reparo a fazer a qualquer dos dois comentários a meu respeito, são democráticos e eu me expus a eles deliberada e conscientemente, mas estas palavras dizem muito sobre o que eu escrevi. Se eu fosse avaliado no mérito docente pelo meu texto, qual seria a avaliação a ser considerada? Eu tenho méritos para ser professor?

    Vejam que o que me legitima como docente foi ter passado em um concurso, em que a maioria da banca avaliou o meu desempenho em algumas provas, segundo normas preestabelecidas, e concluiu que eu tinha mais méritos que os demais concorrentes. Mas nesta como em qualquer avaliação de mérito, não se estabelece uma “verdade”, o que dá legitimidade para uma decisão de mérito são os procedimentos. Na sua avaliação de mérito em um processo, o STF pode condenar um réu que obteve 5 votos como culpado e 4 como inocente. O que dá legitimidade à condenação é o procedimento da “maioria”, mas isto não significa que se chegou a uma “verdade”, a uma conclusão incontroversa, o que de fato não aconteceu se houve quatro votos pela inocência; portanto, o mérito verdadeiro não foi alcançado. Porém, após a decisão tomada, o réu é considerado culpado, e as decisões assumem “efeitos de verdade”. Culpado! declara-se. Da mesma forma, após a aprovação no concurso, o mérito está estabelecido, não importam as controvérsias a respeito da avaliação dos candidatos.

    O que estou querendo dizer é que, a despeito de muitos acharem as avaliações meritocráticas (base de qualquer meritocracia) objetivas, isentas de juízos de valor, de subjetividade, de interesses, de controvérsias, de poderes, elas não o são; portanto, o merecimento não é alcançado pela meritocracia: o mérito é, na verdade, uma convenção, e o que lhe dá legitimidade não são valores substantivos, convicções ou verdades objetivas, mas sim procedimentos e regras. É por isso que a meritocracia opta por premiar e/ou punir o desempenho, o qual é medido convencionalmente por certos procedimentos, ao invés de correr atrás de um merecimento que é mais um juízo de valor, como o expresso pelas falas dos meus dois comentaristas anteriores. Se eu fosse um professor de pré-vestibular, poder-se-ia medir o meu desempenho pela aprovação dos meus alunos, mas como se faz isto com um educador?

    Então, o que se estabelece são procedimentos para avaliar desempenhos, dos quais fazem parte critérios subjetivos; estes, porém, dependem de nossas crenças, nossas ideologias, nossos interesses, e eles estão frequentemente em disputa. Se eu fosse avaliado no meu mérito docente pelos comentaristas deste blog, provavelmente o meu destino dependesse das opiniões dominantes por aqui e do poder que elas acumulam neste espaço, e nenhum de nós poderia negar que isto está atrelado às crenças, interesses e ideologias de cada um e de cada grupo.

    O “mérito”, então, não está naquele que é avaliado, mas naquele que avalia. Então, contraditoriamente, o que está em jogo não é o valor daquele que será premiado ou punido pela meritocracia, mas os interesses, crenças, ideologias e poderes daqueles que avaliam. Os comentários divergentes, antagônicos mesmo, a meu respeito, provam que o meu mérito não repousa em mim, mas em quem me avalia. Portanto, a meritocracia se baseia em uma falsa ética do merecimento, como se fosse possível avaliar objetivamente o mérito de cada um antes de premiá-lo ou puni-lo (desculpem usar a mim mesmo como referência aqui, mas a analogia foi irresistível).

    Por isto eu escrevi que, apesar da meritocracia escamotear as reais operações de poder, os poderes econômico e político, não raras vezes, é que estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos. Como desempenho e mérito são convencionados, e convenções são disputadas politicamente, a meritocracia opera as mesmas relações de poder e dependências pessoais a que ela veio pretensamente combater.

    Então, de que meritocracia estamos falando?

    1. Sublime o seu artigo. A

      Sublime o seu artigo. A meritocracia pode não ser o parâmetro mais correto para ascensão social, mas em nenhuma sociedade existe perfeição. Fiquei desapontada por você não incluir o verdadeiro vilão que é o poder público e não a classe média. O pobre não fica rico porque a classe média não permite. O pobre não se torna rico porque existe o poder público canalha , que suga as classes média e ricas com seus impostos  e a perpetua da pobreza.

    2. Sublime o seu artigo. A

      Sublime o seu artigo. A meritocracia pode não ser o parâmetro mais correto para ascensão social, mas em nenhuma sociedade existe perfeição. Fiquei desapontada por você não incluir o verdadeiro vilão que é o poder público e não a classe média. O pobre não fica rico porque a classe média não permite. O pobre não se torna rico porque existe o poder público canalha , que suga as classes média e ricas com seus impostos  e a perpetua da pobreza.

      1. Comentário

        Concordo com você em tudo. Sociedades que não tem meritocracia fazem com suas classes mais pobres se estagnem. Eles não têm como ascender. É um contra dos países que não têm meritocracia.

         

    3. Parabéns!

      Só queria dar os parabéns pelo diagnóstico preciso! Ver a meritocracia como sistema social justo, mesmo numa sociedade injusta, é realmente um pensamento que reconheço em várias pessoas ao meu redor.  Lendo também os comentários fica claro o quanto “se colocou o dedo na ferida”.

      Talvez nem todos entendam o abismo social que impede algumas pessoas cheias de potencial de (até mesmo) conseguirem explorar e desenvolver suas próprias capacidades, quanto mais de terem um retorno financeiro e social . Acredito que é esse entendimento que falta a quem que criticou o texto.

    4. Vamos ao seu erro conceitual central

      “O “mérito”, então, não está naquele que é avaliado, mas naquele que avalia. Então, contraditoriamente, o que está em jogo não é o valor daquele que será premiado ou punido pela meritocracia, mas os interesses, crenças, ideologias e poderes daqueles que avaliam. Os comentários divergentes, antagônicos mesmo, a meu respeito, provam que o meu mérito não repousa em mim, mas em quem me avalia. Portanto, a meritocracia se baseia em uma falsa ética do merecimento, como se fosse possível avaliar objetivamente o mérito de cada um antes de premiá-lo ou puni-lo (desculpem usar a mim mesmo como referência aqui, mas a analogia foi irresistível).

      Por isto eu escrevi que, apesar da meritocracia escamotear as reais operações de poder, os poderes econômico e político, não raras vezes, é que estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos. Como desempenho e mérito são convencionados, e convenções são disputadas politicamente, a meritocracia opera as mesmas relações de poder e dependências pessoais a que ela veio pretensamente combater.

      Então, de que meritocracia estamos falando?”

       

      Prova nada. Você se esquece de uma coisa básica, e objetiva, sobre a meritocracia. Mas pra não dar a resposta óbvia, que não vai fazer você pensar, eu coloco isso como pergunta…

      Se você está num conjunto de pessoas sendo avaliadas, o que realmente importa para vc ser declarado o melhor do grupo a despeito de quem seja o avaliador (desde claro que inexista desonestidade em jogo) ou “régua” usada para medir o desempenho dos candidatos?

    5. Caro Renato,
      Apenas para

      Caro Renato,

      Apenas para ratificar essas suas considerações:  é justamente no âmbito acadêmico onde podemos perceber mais facilmente que a meritocracia é hipócrita, pois seria onde essa ideologia poderia reinar de forma inconteste, eis que, em tese, desprovida de interesses políticos, pessoais, etc, devendo ser pautada apenas em critérios eminentemente técnicos. No entanto, o que mais vemos é ocorrer (in)justamente o contrário: por mais brilhante que  o estudante seja, se  ele não for bem relacionado com o corpo docente ou já não tiver amizade com um professor orientador ele simplesmente não é aceito para seu mestrado ou doutoramento, principalmente  se ele não for egresso da mesma  Universidade.

  67. Caro Renato Santos de Souza,

    Caro Renato Santos de Souza, Nada, nenhum livro ou filme que tratasse de questões sociais, de valores, filosofia, da moral e ética, … nada, nada me balançou tanto quanto seu texto. Veio quase que como um SOCO que formatou e ordenou várias de minhas ideias jogadas, perdidas e aturdidas na pluralidade de nossos cotidianos. Veja a metáfora: Quando descobre-se um bacilo, vírus ou seja lá o que for, descrevesse suas características, ações, profilaxias, tratamentos e assim por diante. Comprovando-se notoriedade do fato descoberto, dá-se ao autor, um título de Doutor, PhD e por vai… e no seu caso, nessa doença social, a qual convivemos todos os dias, me atrevo a dizer que você já tem uma tese pronta. Vá em frente! … e Obrigado !!!!!!!!!! De coração e espírito. Hoje, com seu texto, você nos deu ferramentas para discutir de frente alguns dos equívocos, os quais nos deixam sem ação, justamente pela falta de entendimento, ignorância ou até mesmo, pela opressão e covardia que esse ‘pequeno poder’ nos causa. Não consigo dizer mais nada… Hoje, para mim foi um dia EUREKA. Obrigado. 

  68. meritocracia X desempenhocracia

    Concordo com todos os pontos colocados, menos na catalogação dos erros:

    a) A sociedade não é constituída por uma pirâmide em que um único eixo categoriza as pessoas: (ricos, remediados e pobres). A Sociedade é tridimensional, a classe dos políticos, que via de regra, é composta por um caldo amorfo de oportunismo/empreendedorismo/carisma/malandragem não tem classe. São ricos porque são políticos mas a origem deles é quase sempre heterogênea e desconhecida. Estão lá, alguns foram líderes estudantis, outros, líderes sindicais, outros líderes religiosos, mas o que os une não é o dinheiro de partida, e sim a veia articuladora, o carisma, a falta de escrúpulos.

    b) A sociedade não pode ser meritocrática porque os decisores não chegaram à posição de decidir por mérito e não entendem o que isso significa ou como aplicá-lo.

    c) O critério da meritocracia é um algorítimo complexo e inexato, e é dificílimo fazer um julgamento correto de mérito sem juízo de valor, sem incoerências e sem parcialidade, o que não significa que a meritocracia esteja errada. Quem não teve acesso a cultura ou oportunidades tem que ter acesso a oportunidades. Ponto. O problema é que um fundamento da nossa sociedade que interfere em tudo está errado. O político não chegou ao poder por mérito, o pobre não passa fome por falta de mérito, o remediado não criou o problema que está compulsoriamente remediando, não consertando.

    Posso dizer isso como duplamente graduado, mestre com nota máxima e louvor (mérito) e ex classe média, atualmente pobre

  69. Meritocráticos

    Lendos os posts, percebo que, em sua maioria, corroboram a tese levantada por Renato.  Esse é o Brasil:  um país desigual, preconceituoso, elitista.  Mas que, na prática, não se enxerga assim.

  70. hahaha!

    O que eu mais gostei na sua página foi o anúncio da CAIXA.

    Provavelmente vc não tem nenhum mérito nisso. Só puxa-saco do atual governo e de suas ideias tortas.

    Vai publicar um  paper e vê se merece uma bolsa de produtividade.

    Lamentável.

  71. Parabéns

    Caro Renato,

    Observo que seu texto tenta buscar as mesmas respostas do que eu. Acredito que essa seja uma pequena parte de um sistema precário que ainda estamos inseridos.

    Vejo, sim, a meritocracia como a grande muleta da classe média, também a entendo como um preconceito velado entre outras coisas que você veio a citar, mas, mesmo assim, não me responde todas as perguntas. Dentre elas algumas com respostas tão claras!

    Não Obstante, não explica a falta de interesse da classe média na informação. Digo, não apenas em ler e estudar todos nossos valores metafísicos, mas confrontar, indagar e não aceitar a primeira resposta. A meritocracia também não responde o ódio e a raiva da classe média. Muito menos a crueldade, porque ser contra o bolsa família é ser cruel. Em minha consciência tenho que ninguém merece morrer de fome, independente de seu potencial produtivo!

    Venho lendo e estudando sociólogos e filósofos desde os 17 anos e em nenhum encontrei a grande resposta. Acredito que com mais esse texto eu encaixe mais uma peça no quebra-cabeça da formulação social desta classe, que mais me anima chamar de Pretendentes, como Bourdieu!

    Continue pensando assim, existem muitos “eus e vocês” que ainda podem mudar alguma coisa!

    1. crueldade

      Crueldade é ser roubada pela receita federal em um sitema tributário injusto, onde a classe média tem imposto retido na fonte e saber que o empresariado sonega macissamente e ainda ver o dinnheirro suado do imposto ir para uma cambada de vagabundos da laia dessa destemperada chauí!

       

    2. Obrigado Marcelo, dentre

      Obrigado Marcelo, dentre tantos impropérios que tenho lido em alguns comentários, muitos deles claramente ofensivos (quase a confirmar o que defendi no texto), as suas palavras me animam.

  72. Tolices! Sem mais a

    Tolices! Sem mais a dizer.

    Esqueces qual foi a força que a imigração alemã, italiana, polonesa e japonesa trouxeram também um forte componente de trabalho duro, que é o símbolo da classe média. Se há distorção na socidade é justamente a fraca presença do empreendedor até meados de 1960-1970, o sujeito agregrado sem vínculos era figura comum num país de remendados e de baixa instrução.

    O estado brasileiro que se moldou à partir do corporativismo (com base no fascismo italiano) e de uma guinada para a direita no início do governo Castelo Branco, com tendências estatizante com Geisel foram as plataformas que proporcionaram a formação da classe média de funcionários públicos e em paralelo de empreendedores.

    Se houve despolitização do grosso da classe média, foi o regime militar que o causou, e é justamente um dos motivos do Brasil não ter partidos de clara e forte bandeiras liberais e conservadoras hoje.

    Ora, Marxilena Chaui é claramente uma vigarista intelectual. Como pode ter a mesma classe média um pensamento fascista, e ser meritocrática? A meritocracia recente demonstrada pela classe média foi justamente uma resposta contra um Estado quebrado e ineficiente pós-1985. E Se fosse fascista, ela agradeceria cada criação de uma estatal nova e de políticas de inchamento do Estado até voltar ao quadro do governo Geisel.

    1. Justamente! Você fala da

      Justamente! Você fala da imigração alemã, italiana, polonesa e japonesa como representantes do esforço que foi recompensado. Mas você não fala dos milhões de índios e negros que formaram as bases de esta nação (trabalharam bem mais do que os alemães, italianos, poloneses ou japoneses), que merecem, mesmo que seu “desempenho” segundo os padrões meritocráticos seja baixo no esquema atual das relações de mercado.

  73. Há um sofisma evidente no

    Há um sofisma evidente no texto – ataca-se a meritocracia, mas descrevem-se apenas os defeitos dos critérios para medição do desempenho, que em geral são problemáticos, principalmente no Brasil. 

    A meritocracia é um fato e não adianta negá-lo: se ele não se manifesta no desempenho profissional, numa sociedade artificialmente igualitária (mais próxima, portanto, do socialismo) vai se manifestar de outras formas – ou ninguém exercerá o poder de outras formas numa nação socialista? E quem exercerá esse poder? Será quem alcançá-lo por seus próprios méritos! Os critérios? Serão a força? Armas? Inteligência? Carisma político? Dinheiro? Tudo isso junto?

    Ademais, não se coloca uma proposta alternativa: o que colocar no lugar da meritocracia? Os postos de trabalho e as vagas numa universidade são limitadas e não atendem a todos… como preenchê-los? Sorteio?

    Os recursos são escassos, tanto mais no Brasil, país ainda muito pobre – oitavo ou nona economia em valores absolutos – 54º em renda per capita (que desconsidera a desigualdade).  Ou prosperamos (leia-se: enriquecemos), ou não nunca se alcançará a tal justiça social.

    Enfim, e criticando agora mais acidamente, os conceitos são belos (Justiça Social), mas as oportunidades só podem ser ampliadas num ambiente de real competição econômica, com liberdade e livre concorrência (todos os países de primeiro mundo prosperaram assim, sem exceção). O mérito é medido pelo próprio mercado – os melhores e mais eficientes prosperam, ampliam, diversificam, geram mais empregos etc – , cabendo ao governo apenas criar regras e reprimir abusos do poder econômico, práticas anticoncorrenciais etc.

    Quanto mais negócios, mais empresas; mais empresas, mais empregos; mais empregos, mais prosperidade econômica etc. O ser humano não conhece outra forma de gerar riqueza, lembrando que nosso estado natural é miserável.

    Assim é no mercado, assim é na natureza tão bem explicada por Darwin: somente a competição leva à evolução (seu livro mais famoso chama-se a LUTA pela Vida), seja das espécies, seja das civilizações.

    O resto é tentativa de engenharia social que, quando aplicada na prática, não gerou prosperidade econômica, mas sim milhões e milhões de mortos. Lembrem-se: a Europa que prosperou foi a capitalista!

     

     

    1. Primeiro que Darwin não

      Primeiro que Darwin não postulou um direcionamento á evolução: do menos para o mais. O postulado da seleção natural diz respeito aos indivíduos pré-adaptados ao sistema dinâmico em que estão inseridos. No sistemas em que vivemos (Capitalismo), a sua dinâmica de mudanças abruptas determina a seleção dos indivíduos adaptados ao novo caminho após a truculência. Esta mudança no perfil de uma população pode ser devido ao acaso, sem direcionamento algum! Por isso não podemos comparar o mercado de capitalização com a natureza. Um se dirige, independentemente do que aconteça ao acúmulo de capital, o outro, a natureza, não possui direção.

       

      Quanto a competição! este aspecto da teoria da seleção natural foi muito bem compreendido na política Vitoriana da Inglaterra imperialista. Explicaria toda a culpa pela exploração desmedida! Centenas de artigos depois e não temos a certeza de que este processo biológico seja responsável pela evolução como você diz. Existe uma alta tendência de que a evolução ocorra devido a processos estocásticos (o maldito acaso), que não controlamos e não temos permissão para controlar. Mais, ao que tudo indica, populações de espécies diferentes tem maior probabilidade de subsistirem as adversidades e acasos quando em interações mutualísticas (aquele negócio de um ajudar o outro!) do que competitivas.

       

      A competição é uma força que existe na natureza e existem processos naturais para controlá-la, afinal todo processo competitivo é altamente custoso para os envolvidos. Este processo envolveria ampliações e retrações nos tamanhos populacionais que controlariam o apetite da “competição” por mais mortos e vulneráveis. O problema deste processo (chamado de densidade-dependência) é que em um momento de retração pode chegar o maldito acaso e puft. Acaba tudo.

       

      Uma guerra hoje, por exemplo, em nível mundial como outras que ocorreram devido ao acúmulo de capital poderia analogicamente com relação a nossa espécie, ser um magnífico… PUFT! Abraço

    2. Muito fraca sua posição

      Seu comentário aqui que comete “sofismas”. Você força a assimilação de conceitos a interesses que não são pertinentes (tampouco foram inclusos) ao tema do texto.

      1) Sua defesa de um capitalismo made in usa já é auto-refutável pela história.

      2) Sua apropriação de concepções biologiacas darwinistas para o contexto da avaliação social é completamente leviana e sem o menor rigor conceitual.

       

       

      1. Ao Camilo

        “1) Sua defesa de um capitalismo made in usa já é auto-refutável pela história.”

        Qual história refuta o capitalismo made in usa? A de CUBA?

        E é engraçado.. dizem que o capitalismo made in USA é ruim… mas os cubanos vivem fugindo para os EUA (não, não existe o movimento contrário)

        Os cubanos dão a seguinte desculpa bem clichê: ah, não prosperamos por causa do embargo comercial americano! ÃÃÃÃHHH? O embargo proíbe os EUA de comerciar com CUBA – mas se o capitalismo made in USA é tão ruim assim, porque é a falta de acesso a esse capitalismo que é a causa de todos os males de Cuba?

        Não tem uma contradição aí não?

        Os EUA ainda são a nação mais próspera do mundo, com Instituições sólidas e democracia. É o país das oportunidades, quase toda a imigração do mundo se dirige para lá.

        Qual parte da história eu perdi?

        “2) Sua apropriação de concepções biologiacas darwinistas para o contexto da avaliação social é completamente leviana e sem o menor rigor conceitual.”

        Darwin descobriu (isso não é teoria, é fato comprovado) que as espécies evoluem com competição. Sem competição, não há evolução da espécie. Só fiz uma analogia com a própria civilização, que evoluiu com o decorrer dos milhares de anos de sua existência (ou você acha que ainda estamos no tempo das cavernas?)… e essa evolução, inclusive das instituições, da proteção aos direitos humanos, dos valores democráticos, foram conquistadas a duras penas… são valores muito caros para um Karl Marx chegar e defender uma engenharia social artificial e jogar tudo aquilo no lixo!

        Uns atacam a meritocracia, eu critico o “coitadismo” ou “autovitimização”, tão peculiar nessa nossa república de bananas, que atribui o nosso fracasso como tendo sido causado pelo sucesso dos EUA…

        1. Concordo totalmente. ainda

          Concordo totalmente. ainda não surgiu sistema melhor que o capitalismo com democracia e bem estar social, ainda que sujeito a imperfeições e injustiças. Serviços públicos de qualidade para TODOS? SIM! Acesso à educação, qualificação para TODOS OS INTERESSADOS? sim! Oportunidades para todos, mas quem se interessa, dedica, esforça, a recompensa é maior! ISSO É ÓBVIO! Chega de coitadismo, paternalismo e populismo, chega de muitos trabalharem duro pra bancar preguiçosos e acomodados. Podem me apedrejar, chamar de reacionária, mas conheço o ser humano o suficiente pra saber que não são todos um bando de coitadinhos doidos pra terem oportunidades de trabalhar honestamente, progredir pelo esforço! o resto é lero lero, cobrem dos governos os serviços públicos essenciais para todos, o resto É MÉRITO SIM!!!

    3. E por falar em sofismas – e mais…..

      Entendo que o texto faça crítica à meritocracia, não ao mérito…. Meritocracia, que não é mérito porque parte sempre de diferenças extremamente importante para o ser humano, é injusto, e assumir essa injustiça, penso eu, é, a médio ou longo prazo, “dar tiro no pé” – já que o próximo a perder podemos ser nós…. Eis onde está o fator reacionário da classe média: tem mais medo do povo no qual galga suas ações do que da alta burguesia que lhe oprime econômica, política, social e moralmente….

       

      Partindo do princípio de que o que está sob análise no texto é a classe média brasileira por um motivo a princípio bem explicado – a sua singularidade -, invocar o capitalismo estadunidense ou europeu, com todo os seus aparado de estado de bem estar social (inclusive com destaque no texto) para fazer paralelo sem que maiores explicações sejam feitas para além do eterno chavão “capitalismo venceu”, ainda mais quando estatísticas indicam, por exemplo, que 20% dos estadunidenses estão em miséria absoluta e que os europeus estão perdendo direitos – e alguns, até mesmo seus empregos e casas -, posso estar errado, mas me parece sofisma dos brabos – acompanhado de cegueira…. Não há vitórias em mortes, ainda mais quando o “inimigo está batido”….

       

      As teorias de que o livre negócio é o caminho, a verdade e a vida para a salvação da humanidade também me parece ser – e parece que os capitalistas (de verdade) concordariam com isso – um sofisma que eles só sustentariam longe das evidências mais básicas, e para sustentar o seu poder – assim como os monarcas fizeram outrora com a religião….

       

      Realmente não há uma alternativa apontada de forma evidente no texto, como tão pouco há em dizer que a melhorar o que se tem – que, leia-se de passagem, é muito ruim – é o que há de bom…. Esse é um sofisma que um mínimo de história, tão esquecida nas análises cujo foco seja viver a vida da forma que ela se apresenta – como se não fossemos os responsáveis por ela -, facilmente quebra….

       

      Não devo entrar no mérito do uso – assustador, por indicar irracionalidade à processos tão ideologicamente elaborados – da filosofia darwiniana para além de apontar o que imagino ser o mérito do ser humano segundo sua teoria: algo próximo aos chipanzés…. Viver em grupo e proteger os mais frágeis estão entre as principais características dessa espécie. Individualismo grupal, não.

       

      Restam ainda algumas dúvidas na explanação: se o mérito é do indivíduo, porque a solução prática é o negócio – que, necessariamente, envolve uma série deles?! E se os recursos são escassos – afirmação que não tem lógica quando se aponta isso para a 8ª economia mundial (e grande potencial de matéria-prima e mão de obra) -, como gerar negócios (e, por “consequencia natural”, empresas, emprego e prosperidade)?! Aliás, naturalizar empreendedorismo e prosperidade enquanto um meio e um fim concretos também não é sofisma?!

       

      Para pensar em sofismas – e pessoas, a alma de tudo…. 

       

      Existência social não é filosofia vã, é o básico da vida humana….

      1. João Paulo,
        Sobre o trecho

        João Paulo,

        Sobre o trecho “As teorias de que o livre negócio é o caminho, a verdade e a vida para a salvação da humanidade também me parece ser – e parece que os capitalistas (de verdade) concordariam com isso – um sofisma que eles só sustentariam longe das evidências mais básicas, e para sustentar o seu poder – assim como os monarcas fizeram outrora com a religião….”

        É bem a cara da esquerda acusar os liberais (como eu me enquadraria) de acharem que o capitalismo é a salvação de todos os males. É bem o contrário disso: o capitalismo tem inúmeros defeitos… mas até hoje não se “inventou” nada melhor… o capitalismo não é teoria, é o fruto da evolução natural da sociedade (nesse ponto citei o Darwin, não sobre o clichê do darwinismo social que fundamentou o nazismo – não precisa se assustar)

        O que você propõe em substituição ao capitalismo? Cuba? Coreia do Norte? a naufragada União Soviética? Nesses o mérito é julgado pela lei do mais forte, o ditador que está no poder…

        O trecho ” 20% dos estadunidenses estão em miséria absoluta e que os europeus estão perdendo direitos – e alguns, até mesmo seus empregos e casas -, posso estar errado, mas me parece sofisma dos brabos – acompanhado de cegueira…. Não há vitórias em mortes, ainda mais quando o “inimigo está batido”….”

        Meu amigo… você já esteve nos Estados Unidos, no pós crise?

        Me fala uma coisa: quantos americanos estão fugindo de seu país para vir ao Brasil ou a qualquer outro lugar do mundo? Hummmmm… é, esse movimento não existe, certo?

        Agora… veja quantos cubanos fogem para os EUA… bem mais, né? Veja quantos imigrantes do mundo inteiro, Ásia, Africa, America Latina, entram nos EUA todos os anos… por que será?

        Sim, os EUA ainda são o país das oportunidades… e os países socialistas tiveram que construir muros para evitar a fuga… será que esses fugitivos são tão burros assim?

        O erro não é dizer que o capitalismo venceu… é dizer que o capitalismo perdeu para a crise de 2008 (como se alguém sustentasse que o capitalismo não é sujeito a crises….)

        Os EUA não são um país perfeito, muito longe disso… mas ainda é o melhor país do mundo em oportunidades. e lá a meritocracia é levada ao extremo!

        Nada do que disse acima são teorias… são fatos notórios. Teoria é a engenharia social pregada por Russeau, Marx e companhia!

        Abraços

         

         

         

         

         

  74. Generalização

    O autor do artigo optou pela generalização. E toda generalização é terrível vingança social que não corresponde à realidade.

  75. Sobre os comentários

    Caro Renato, me parece que sua tese poderia ser reforçada pelos comentários que aqui se fazem. Não teria paciência para ler todos eles, mas grande parte dos que protestam contra tuas asserções demonstram justamente o ranços apontados no texto. Contudo ainda não entendo como a classe média consegue vender estes valores a uma grande parcela dos pobres, pobres de direita (oxímoro? não no Brasil). Outro detalhe interessante de muitos protestos contra tua opinião, é as pessoas parecem não ter lido ou entendido o texto, é uma das causas da facilidade de massificação, a empáfia que atrapalha a tomada cuidadosa de informações e reflexões necessárias antes de se emitir opiniões

  76. Como confiar no estado?

    Nassif, levando em consideração a sua linha de raciocínio e seus exemplos, não há como discordar do conteúdo do texto, mas há uma questão, na minha opinião muito importante e relevante com o assunto, que não é colocada em questão na sua lista: COMO CONFIAR NO ESTADO BRASILEIRO?

    Nos meus 42 anos de vida, eu não recebi serviços, ou apoio, ou qualquer coisa pública que fosse um pouco além do mais ou menos (Na maioria das vezes o serviço foi péssimo mesmo). Nunca vi qualquer ação do governo que fosse planejada de forma realmente inteligente, pensando no futuro e nos brasileiros e, ao contrário dos discursos oficiais, nunca vi o menos favorecido ter prioridade REAL na lista do poder. Ouvi sim, muitos discursos vazios, desde a época dos militares, todos recheados com promessas incríveis, explicações incríveis, mas, na prática, nada ou muito pouco. Como confiar em um estado que vem assim desde de a época da colônia?

    Penso que o sistema atual é muito melhor que as ditaduras do passado (Sou absolutamente contra  QUALQUER TIPO DE DITADURA), mas estamos ainda bem longe do razoável, ainda mais SABENDO QUE HÁ RECURSOS, e o nosso Estado ‘não consegue’  a vários governos e bandeiras, eliminar ou reduzir os vícios do sistema, como a corrupção descarada, o inchaço da máquina, a incompetência na gestão dos serviços, a burocracia criminosa…Novamente, como confiar em um estado assim?

    Venho de família pobre, sou migrante e sei o quanto a classe média pode ser cruel e sem noção. Sei que o jogo tem a lógica do lucro e as ferramentas para ‘subir’ na vida em nosso país, são distribuídas de forma totalmente injusta desde sempre, mas acredito que só poderemos melhorar REALMENTE, quando TODO esse SISTEMA UTILIZADO HOJE, que cria e alimenta um ESTADO INCOMPETENTE E CORRUPTO, mudar. Não acredito que mudar a cabeça da classe média criando uma consciência dos males da meritocracia esteja na frente de criar um sistema que alimente um ESTADO MELHOR e a partir desse ponto, pensar na melhor forma de democracia. Como fazer isso? Não sei, ainda, mas penso que líderes melhores, conectados a conceitos ideológicos atualizados com a realidade do nosso milênio e não do século passado, seja um bom começo. 

  77. Acho que o texto teve muito

    Acho que o texto teve muito sucesso ao levantar uma questão polêmica que mexe com as crenças da classe média. Ainda fico na dúvida do que se constitui a classe média, mas concordo que a sociedade é meritocrática. Não sei se isso é negativo, também não conheço alternativa viável.

    Existem algumas questões de interpretação… Eu posso achar que o pobre se sente merecedor de subsídios do governo já que foi injustiçado em outros aspectos ou que teve menos oportunidades na vida. É difícil generalizar todo um grupo como fez o texto ao avaliar a reação dos médicos. Não se levou em conta que o discurso não foi contra a vinda de médicos. O problema foi a vinda de médicos sem a devida equiparação técnica. Não é uma questão de merecimento. É uma questão de regulamentação de uma profissão que segue normas para o bom funcionamento. Se você pegar como exemplo as sociedades ditas “não-meritocráticas” (EUA, Europa)… qualquer médico estrangeiro terá que gastar alguns milhares de reais, um tempo considerável de estudo e trabalho supervisionado nestes países/continente para “merecer” exercer sua profissão e atuar em comunidades menos favorecidas – que com certeza existem em qualquer lugar do mundo. Na minha opinião a meritocracia é uma tendência mundial, não só brasileira. (Se você pensar que “vestibulandos” chineses cometem suicídio ao não conseguir uma vaga universitária…)

    Que nós da classe média continuemos engajados nesta discussão reflexiva sobre nossa situação atual e possíveis rumos.

  78. Avaliação e julgamento

    Somos tão limitados ao conhecimento que quando alcançamos seu auge, criamos novos desafios que nós tornam novamente ingênuos. Analisar a complexidade do comportamento humano, mesmo que seja social, implica se expor ao julgamento de quem tem sede de conhecimento. Jamais estaremos preparados para o julgamento porque nunca estaremos no auge do conhecimento. A observação é o comportamento mais adequado. O autor nos brindou com um texto que nos faz pensar e refletir sobre o existencialismo, sobre nossa condição racional, impossível de ser concluída. Obrigado por me fazer perceber (certo ou errado) a posição que ocupo no contexto social humano.

  79. Ignorância e incapacidade de interpretação e processamento .

    Essa direitinha de classe média do Brasil é muito patética.

    Em ponto algum o autor fala que a meritocracia é o UNICO male que assola nossa nação.
    Ele explica em detalhes PORQUE a nossa classe média é tão reacionária, cruel e sem compaixão.

    É perfeitamente óbvio que existem milhares de problemas que causam isso tudo. Se o país funcionasse como deveria, a meritocracia não seria nem um problema tão grande.

    Mas com um povo que literalmente mama nas tetas do governo, paga impostos absurdos pra depender de tudo isso, e se vangloria achando que é tudo por mérito proprio. Porque todo mundo ganha a vida sozinho né?
    Ninguem nasce com privilégios inatos num país racista, paternalista, corporativista…não. Que isso. Que absurdo.

    Por causa desse tipinho cada vez mais comum no nosso país, sabe uma coisa que me dá um prazer absurdo?
    Ver uma pessoa dessas conseguir um emprego numa super multinacional, tipo a Ambev. que é uma empresa COMPLETAMENTE voltada pra resultados, custe o que custar, ter sua vida sugada à força pela filosofia de vida que acham que é certa. Ver essa pessoa ser consumida para que uma empresa consiga mais lucros e dê uma parcela pífia do que ela lucra com o total esgotamento físico e psicológico de seus funcionários. 
    Esses que acham que são felizes porque ganham uma cesta de Natal no fim do ano e acham que seu bonus de 14 mil é grandes bosta no fim da vida.

    Méritos e conquistas devem sim ser apreciados. Mas como o autor falou, mérito é pessoal. Não devia ser política social de massa.

    1. Leia de novo

      “Em ponto algum o autor fala que a meritocracia é o UNICO male que assola nossa nação.

      Está claro no texto que a meritocracia é tratado como problema central. É só ler:

      “A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora… Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social… “

      1. Esqueceu de grifar o “boa

        Esqueceu de grifar o “boa parte dela” (parte, não totalmente, e portanto não excluindo outras causas nem incluindo a todos na mesma causa) . 😉

        1. Sim Lidiane, o “boa parte

          Sim Lidiane, o “boa parte dela” é uma forma do autor dizer que não está generalizando. Mas isso é o que qualquer um pode dizer antes de atirar a pedra na vidraça. O que não muda é que ele aponta, com todas as letras, essa vidraça como sendo a meritocracia. Porque então querer esconder isso agora?

  80. defesa da classe média?
    Meu avô era torneiro mecânico. Minha avó que era uma pessoa humilde e sem estudo (pobre) falava para seus filhos que deveriam estudar pois só assim melhorariam de vida. Minha mãe conseguiu se formar pagando a faculdade com o próprio trabalho e é pedagoga. Encontrou meu pai que não tem curso superior, nem tinha poses quando a conheceu. Eu sem condições de estudar em escola particulat, estudei toda o ensino fundamental e médio em escola pública, estudei por meu esforço, passei na UFRGS em medicina, pagava minhas custas de transporte e alimentação com aul (somente teria condições de fazer em universidade pública) as particulares de física, matemática e química, além de fazef pesquisa, ganhando uma pequena bolsa da capes. Me formei, fiz residência e sou profissional inserido na classe média. Tenho algum motivo para dizer que os pobres defende a não meritocrasia? Óbvio que não!!! Esse texto socialista não apaga minhas centenas de horas de estudo e esforço. Aliás, devia se informar de quem são os médicos do Mais médicos.. brasileiroscom pelo menos 2 anos de filiação ao PT que foram enviados para lá em 2005 e 2006 e que claramente não tem a mínima condição técnica de serem médicos. Ou vai atacar o Revalida também que tem 87% de aprovação em univeraidades brasileiras (em testes) e 9,7 % para estrangeiros. Por que tanto? Não entendem a língua? Só se for em braile a prova pois a maioria é brasileiro. Ou seja clara forma de anti-mérito.
    Mérito é a única forma honesta de ascenção social. Justa em uma sociedade heterogênea.
    Japoneses e coreanos do sul são claramente meritocratas, será que sua condição de desenvolvimento veio por acaso?
    De qualquer forma, me fez pensar um pouco e sei que sou exceção.

    1. Amigo Felipe VasconcelosSou

      Amigo Felipe Vasconcelos

      Sou o autor do referido texto, e estou te respondendo em respeito à tua história pessoal (que, aliás, referenda uma das afirmações que fiz sobre o porquê a atual classe média é meritocrática: porque se fez por méritos próprios) e também pela poderação com que me dirigiu suas críticas. Além disso, apesar de pensarmos diferente, sua história pessoal é parecida com a minha. Meu pai era pedreiro (ainda é, na verdade) e minha mãe dona de casa, e sempre nos afirmaram a importância do estudo como forma de superar a precária condição social que tínhamos na infância. Fizeram de tudo para que estudássemos. Dos seus três filhos, hoje dois tem doutorado e o outro está concluindo o seu, trabalhamos em universidades, exatamente com o estudo e o ensino que eles tanto valorizavam e para os quais sempre nos motivaram. A tua história e aminha são parecidas com a de muita gente que faz parte da classe média hoje. Também sou filho da ascenção social pela via do esforço pessoal, mas isto não me faz acreditar que esta trajetória esteja disponível ao acesso de todos, ou que seja justa uma organização social apenas sobre esta base. Quando ascendemos a um posto por mérito pessoal, fazemos isto excluindo muitos outros, superando muitos outros; para cada aluno que ingressa na medicina como você, 99 são excluídos, e isto não os faz menos merecedores de um lugar ao sol. Mas como eu afirmei, a meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervaloriza o sucesso e estigmatiza o fracasso. A meritocracia é um sistema racional de diferenciação e exclusao. Não prego, como muitos afirmaram em seus comentários, que se estinguam todos os mecanismos de mérito como critério de diferenciação, ao menos não antes que tenhamos outros melhores para colocar no lugar, mas sim que se promova mecanismos que corrijam a exclusão gerada por estes mecanismos, e que não se aceite a exclusão como merecida, como a justa medida do preço a pagar por aqueles que não tiveram o melhor desempenho competitivo.

      Tenho recebido muitas críticas pessoais nos comentários deste blog, alguns me mandaram estudar mais para ver se consigo uma bolsa de pesquisa, outros criticaram a desatualização do meu Curriculo Lattes, sugerindo o meu demérito por ser supostamente improdutivo na universidade; enfim, decerto pensam que critiquei a meritocracia por ter sido excluído por ela, por não ter méritos pessoais. Ao contrário, além de minha história pessoal, na universidade tenho sido beneficiado pelos mecanismos de mérito, sou professor Associado e bolsista de produtividade do CNPq. Portanto, sou parte da mesma classe média que, pela história pessoal, teria razões para ser um meritocrata ferrenho, mas não sou. Exemplos individuais nunca funcionam bem para extrapolações sociais, o todo é maior que a soma das partes, e a sociedade é bem mais do que a soma dos indivíduos que a compõem, assim como um corpo humano em funcionamento é muito mais do que a soma de seus órgãos isolados (para usar um exemplo da sua área de atuação). Na Universidade, por exemplo, conheço bem o dano que os critérios de mérito do CNPq e da CAPES produziram na produção intelectual brasileira, levando a um produtivismo insano, ao privilégio da quantidade sobre a qualidade, fomentando toda a forma de fraude e engodo que produza números para alimentarem o Lattes dos professores/pesquisadores, desviando a pós-graduação da formação para concentrar o esforço na produção de artigos para periódicos, acabando com a produção de livros autorais no meio acadêmico (livros, atualmente, são produzidos por quem está fora deste círculo acadêmico, pois pelos critérios meritocráticos acadêmicos, eles valem menos do que um artigo em periódico), enfim, fomentando uma produção formal ao invés de uma produção substantiva. Efeitos da racionalidade instrumental que a meritocracia fomenta.

      Bem, meu caro Felipe, não quero mudar sua posição e tampouco sou dono da verdade: a verdade é como um espelho quebrado do qual cada um de nós possui apenas um pequeno caco. Fazê-lo pensar, porém, como afirmastes acima, já é, para mim, uma grande conquista.

      1. Caso parecido

        Amigos Felipe e Renato. Minha história de vida é parecida com a de vocês, mas isso não me impediu de pensar como o Renato. A meritocracia na universidade, por exemplo, seleciona aquele que consegue passar no vestibular, e não a melhor pessoa pra ser médico, engenheiro, advogado, etc. Para tal tem que ter vocação, coisa que nenhum vestibular conseguirá medir. Muita gente boa fica de fora, assim como muita gente sem interesse pelo curso consegue entrar.

    2. Te entendo, porque o que você

      Te entendo, porque o que você escreve é lógico, mas é justamente a sua lógica que está equivocada. Se você ler o texto mais algumas vezes talvez você possa entender tudo isso por outra lógica. 

      Também sou fruto da meritocracia: estudei em escolas públicas péssimas, morei a vida toda em um bairro periférico e no entanto sou formada pela USP. Não por isso eu acredito que a meritocracia seja uma “forma honesta de ascensão social” pois devemos rever o que significa a palavra “honesta” e o conceito de “ascensão social”.

       

      Você não é exceção, você é parte da grande massa da atual classe média social brasileira.

       

       

    3. Meritocracia

      Não é excessão Felipe, como ficrá provado nas próximas eleições. Conheci pessoalmente a Chaui, uma das pessoas mais desequilibradas que tive o desprazer de cruzar o caminho. Parabens por suas conquistas. Em tempo:

      Reacionário= aquele que reage

      Não reacionário= aquele que aceita tudo que le enfiam goela abaixo

  81. indivíduo e sociedade

    O texto é muito bom, claro e possibilita uma discussão imensa. De tudo o que foi escrito, o que mais me chamou a atenção foi a diferenciação feita entre o mérito ensinado na socialização das crianças e como um merecimento individual e o mérito visto do ponto de vista social. Penso que aí há uma descontinuidade, isto é, há uma dicotomização entre indivíduo e sociedade, como se fossem duas dimensões estanques. Não são. A ideia de mérito e a própria meritocracia e a confusão entre desempenho e merecimento são coisas ensinadas, conceitos e valores que são, desde cedo, socializados e sociabilizados. Há uma “espuma” em como se relacionam as duas dimensões, a individual e a social. Seria interessante entender isso para além de uma racionalidade que coloca o Estado como central na organização de uma sociedade. É preciso, como o próprio autor alude no texto, compreender as relações subjetivas e intersubjetivas que informam os significados, que nem sempre estão relacionados às necessidades da vida “prática”. 

    Parabéns pelo texto!

  82. Digno de elogio (e críticas)

    Estou impressionado, ha muito não leio (virtualmente) um texto tão bem escrito, neste sentido o parabenizo pelo primoroso manuseio da palavra, guardando inconteste coerência entre os argumentos defendidos (o que não torna inconteste os próprios argumentos), além de ser inspirador dentro da temática proposta (a qual é gralmente hermetizada pelas ciências políticas).

    Evidencio alguns “equivocos” ao longo do discurso, não fatos aludidos erroneamente, mas tão só divergências ideológicas entre o seu posicionamento e o meu, por isso as devidas aspas. Contudo, deixo meu apoio para que se aprofunde mais no tema e continue a escrever com este brilhantismo. 

    Parabéns!

    “Conhecimento é vela acesa, se o tens compartilhe tua chama com o outro.”

  83. Parabens! Vou escrever em

    Parabens! Vou escrever em minha lingua, que é próxima ao português.

    Excelente comentario. No se puede pretender que un texto como este responda todo lo relativo a un tema tan amplio. Lo tremendamente positivo de este autor es identificar la causa, el móvil de tantas conductas que diariamente vemos en Brasil. Por lo menos a mi me resulta tremendamente útil leer una síntesis como esta de un fenómeno complejo, que ciertamente tiene sus matices y excepciones, pero como idea semilla para entender un fenómeno social complejo es un excelente trabajo.

  84. Como confiar no estado?

    Levando em consideração a sua linha de raciocínio e seus exemplos, não há como discordar do conteúdo do texto, mas há uma questão, na minha opinião muito importante e relevante com o assunto, que não é colocada na sua lista: COMO CONFIAR NO ESTADO BRASILEIRO?

    Nos meus 42 anos de vida, eu não recebi serviços, ou apoio, ou qualquer coisa pública que fosse um pouco além do mais ou menos (Na maioria das vezes o serviço foi péssimo mesmo). Nunca vi qualquer ação do governo que fosse planejada de forma realmente inteligente, pensando no futuro e nos brasileiros e, ao contrário dos discursos oficiais, nunca vi o menos favorecido ter prioridade REAL na lista do poder. Ouvi sim, muitos discursos vazios, desde a época dos militares, todos recheados com promessas incríveis, explicações incríveis, mas, na prática, nada ou muito pouco. Como confiar em um estado que vem assim desde de a época da colônia?

    Penso que o sistema atual é muito melhor que as ditaduras do passado (Sou absolutamente contra  QUALQUER TIPO DE DITADURA), mas estamos ainda bem longe do razoável, ainda mais SABENDO QUE HÁ RECURSOS, e o nosso Estado ‘não consegue’  a vários governos e bandeiras, eliminar ou reduzir os vícios do sistema, como a corrupção descarada, o inchaço da máquina, a incompetência na gestão dos serviços, a burocracia criminosa…Novamente, como confiar em um estado assim?

    Venho de família pobre, sou migrante e sei o quanto a classe média pode ser cruel e sem noção. Sei que o jogo tem a lógica do lucro e as ferramentas para ‘subir’ na vida em nosso país, são distribuídas de forma totalmente injusta desde sempre, mas acredito que só poderemos melhorar REALMENTE, quando TODO esse SISTEMA UTILIZADO HOJE, que cria e alimenta um ESTADO INCOMPETENTE E CORRUPTO, mudar. Não acredito que mudar a cabeça da classe média criando uma consciência dos males da meritocracia esteja na frente de criar um sistema que alimente um ESTADO MELHOR e a partir desse ponto, pensar na melhor forma de democracia. Como fazer isso? Não sei, ainda, mas penso que líderes melhores, conectados a conceitos ideológicos atualizados com a realidade do nosso milênio e não do século passado, seja um bom começo. 

  85. Parabens pelo texto lúcido e

    Parabens pelo texto lúcido e inteligente (as vezes textos tem apenas uma dessas qualidades). Só podia ter sido indicado pleo Nassif, um cara que sabe das coisas!!!

  86. Combater o mérito é um dos

    Combater o mérito é um dos maiores auto-enganos do esquerdismo. 
    Ao não compreender o que o ser humano é e como funciona visualiza-se falsamente aquilo que poderia vir a ser.
    Chauí se enganou pelos motivos errados, o velho jargão bolshevista identificado como louvável luta contra o eterno e suposto capitalismo meritocrático e opressor. Questionar o esforço individual neste país da pior educação do mundo (num mundo movido à mérito), com 50 mil assassinatos por ano, é promover a luta de classes. A demonização de uma classe, conservadora ou reacionária que seja, é parte do problema. A classe média merece respeito por ser conservadora e reacionária. O que ‘progressistas’ e ‘revolucionários’, legião dos nossos tempos ‘politicamente corretos’ tem a oferecer é algo que desconhecem e sequer querem conhecer. 
     

    1. Concordo plenamente

      “Questionar o esforço individual neste país da pior educação do mundo (num mundo movido à mérito)”

      Se pensarmos bem, a meritocracia em nosso pais é frágil. E reflexo disso é justamente nosso sistema educacional.

  87. Bom dia, Renato
    Apaixonante

    Bom dia, Renato

    Apaixonante ler esse texto; parabéns e obrigada pelo esforço em traduzir esse mundo (áspero) em que vivemos…

    Me preocupa o empobrecimento e o emburrecimento em curso que é, em grande parte, consequência desse contexto (tão lucidamente analisado), e que tem estruturado a percepção e o modo de vida contemporâneos. 

    Abraço de uma portoalegrense, atual moradora de São Paulo,

    Cleide Fayad

  88. Muita hipocrisia

    Ora, é muito fácil discutir a desigualdade social desfrutando dos melhores vinhos em um restaurante muito bem conceituado na cidade.

    Virou moda classificar o trabalhador de sucesso como fascista, geralmente o que a esquerda faz. Vamos então a algumas afirmações retiradas do manual ideológico de Mussolini, ” A Doutrina do Fascismo”.

    – Como um anti- individualista, acredito numa concepção de vida que destaca a importância do estado e aceita o indivíduo apenas quando seus interesses coincidem com os do estado.

    – Um homem se torna um homem apenas em virtude de sua contribuição à família, à sociedade e à nação.

    – O estado deve educar os cidadãos à civilidade, torná-los conscientes de sua missão social, exortá-los à união; deve harmonizar interesses divergentes, transmitir às futuras gerações as conquistas da mente e da ciência, da arte, da lei e da solidariedade humana.]

    Acho que esse é o pensamento da grande maioria de nossos intelectuais de esquerda, não?

    Afirmar que os valores individuais são o atraso de vida no Brasil é quase que afirmar que o socialismo é a solução, que o capitalismo destrói famílias. Vamos então, caro socialista, abrir mão de seu belo carro de luxo e de suas viagens ao exterior?

    Vamos continuar culpando o empresário, a classe média, o sucesso individual pela falta de políticas públicas eficientes. Classe média que faz hora extra para acalmar a fome da imensa carga tributária brasileira, classe média que conquista, não luxo, mas o mínimo para uma vida digna, sem dívidas, mas sempre com a água no pescoço.

    1. excelente texto

      Amigos,

      Há muito penso na fala da Marilena e em como aquele “grito” ressonou com as ideias que já faziam morada em mim. Ao ler ao seu texto fiquei espantado com a qualidade das ideias, mas não com a qualidade do autor! e tendo em concordar com seu posicionamento. De fato, ainda tenho em mente que o brasileiro, eu também sou,  é fundamentalmente reacionário! vou apelar para a observação, a minha observação dos fatos sociais, desculpe-me o método científico! observo  que cada classe social conservar seus “valores da família” como costumam justificar os reacionários de plantão. O pobre, por exemplo, ainda justifica interiormente o direito em dominar a mulher e a puní-la acaso ela não se sujeite, apelando para a agressão em muitos casos! fato também visto, mas de maneira ligeiramente diferente, na classe média e nas elites…de fato os pobres tendem a não se enquadrar na tão amada meritocracia da classe média, nem poderiam, como bem afirma o texto, restando-lhes, aos pobres, dois posicionamentos: resignação ou revolta! como o estado  bem estar social se tornar diuturnamente em mal estar generalizado, a revolta é iminente… concordo que devemos esperar o retorno social de nossos impostos, e que o governo, em suas distintas esferas, deva fazer uso racional dos recursos, mas a corrupção e inabilidade técnica inviabilizam isso, no entanto, fica a pergunta: – quem são nossos governantes? estadudinenses? não seriam os brasieliros da classe média? médicos, engenheiros, cientistas sociais? a quem culpar pelo desvio de dinheiro em São Paulo? LULA? DILMA? ou o estado de sítio que se instala no Rio, ou o massacre diário de famílias no interior Sul/Sudeste/Norte do país, vítimas do conflito por terras… de fato há um discurso em torno do mérito por parte da classe média, mas o interessante é que quando esta está no poder, a defesa do mérito é esquecida e somente é lembrada a defesa pelo pessoal, individual, no máximizar do ganho para seus pares….relembrando um ditado popular “quando a farinha é pouca, meu pirão primeiro”  acorda Brasil!

      Grande abraço.

  89. Meritocracia

    Gostaria de parabenizá-lo por esse texto espetacular. É incrível a maneira como você conseguiu dissecar uma estranha ideologia que domina as mentes de pessoas que me cercam diariamente. Eu sempre tentei entender, mas não conseguia, o que se passava com essas pessoas. Agora, após ler o seu texto brilhante, ficou mais claro para mim que, não adianta o governo trabalhista ou progressista melhorar a vida das pessoas. Se não houver o chamado “mérito”, jamais compreenderão e apoiarão os programas sociais. Não terão a visão humanista da necessidade de estancar a fome dos menos favorecidos, pois para eles, os miseráveis pagam pela falta de merecimento. A tal lógica do “Não dê o peixe, venda a vara e ensine a pescar”. 

  90. Meritocracia

    Com todo respeito ao colega e seu artigo ao me chama atenção: como o esforço individual, que pode ser de classe média ou não, incomoda tanto a inteligência nacional e o setor chamado progressista. A despeito das desigualdades socioeconômicas as fórmulas aplicadas pelo governo federal vão na direção contrária e se vinculam à lei do menor esforço. Isso também é ideologia, já que conta com promotores e defensores. Por exemplo, no lugar de demonizar a meritocracia, que não é criação da burguesia nem da classe média, o atual bloco de poder não fomenta meios para que as pessoas não precisem de exclusivismos e politicas especiais. Temo que essa negativa sobre o esforço individual vire moda com o propósito de se fazer justiça social. Teria mais coisas a dizer, mas não há como explorar tjdo isso agora. Qualificar o oponente de reacionário ou algo análogo é algo que sinceramente pouco ajuda – é facilitar o raciocínio.

    Em todo caso, parabéns ao autor por ter se apresentado ao debate.

  91. infelizmente só funciona em um mundo ideal

    essa teoria só funciona em um mundo ideal… mas no momento em que você passa a ter uma família para sustentar… e você se vê trabalhando pra sustentar a incapacidade (ou desleixo corrupto) de outras pessoas… isso lhe fere a alma…

    Falam que provas e testes não medem conhecimento… concordo 100%… realmente não tem como valorizar e medir certas coisas tão subjetivas… porem sem esses mecanismos de avaliação como distribuiremos as autoridades em nosso mundo????

    quer dizer que um pessoa que queira muito ser engenheiro do ITA.. e que não possua a capacidade mental nenhuma (sim também somos mentalmente diferentes – negar isso é viver em um mundo ideal de sonhos) vai ser de qualquer jeito???

    o grande problema disso tudo é que o autor só apresenta criticas (por sinal muitos boas)… porem não apresenta soluções… e presunçosamente lhes digo o porque… porque elas não existem!!!

    eu queria viver em um mundo ideal… mas aprendi que esses mundo não existe… e que não é saudável (tanto individualmente quanto socialmente) ficar divagando e gerando demagogias que embora sejam moralmente e racionalmente mais aceitáveis e humanas… essas não apresentam nenhuma solução para resolvermos nosso problemas sociais de fato… e pior ao meu ver sua aplicação acabaria por gerar problemas muitos maiores e de censura moral muito mais inexorável do que a atual….

    resumindo achei o texto do autor ótimo … excelente em teoria… mais sem aplicação prática …. mais o exercício de pensar nunca é um gasto de energia atoa… isso gera a evolução de pensamentos… quem sabe até dos meus… e de mais quem esteja lendo… e sim!! gostei muito do texto!!

    abraços

    1. Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, Bélgica.

      Suécia, Noruega, Finlândia, Reino Unido, Bélgica. Não sabia que estes Estados só existiam na fantasia. Meus professores de Geografia fizeram eu acreditar que eles existiam, me mostraram até mapas.

    2. Mas o autor do texto não está

      Mas o autor do texto não está buscando ua aplicação prática nem em busca de soluções mirabolantes.

      O texto é apenas um esclarecimento do autor. em seu ponto de vista, para uma classe média brasileira intolerante e reacionária.

      Discordar é salutar meu caro!

  92. Meus sinceros parabéns!

    Caro Renato, só deparei com seu brilhante texto, e as suas igualmente brilhantes respostas a comentários infelizes e a outros nem tanto, agora, depois de tanta água passada embaixo da ponte, que quase não me animo a escrever nada…. Contudo, por favor saiba que acaba de ganhar mais um leitor entusiasta! A sua lucidez expôs, com a calma analítica dos letrados, essa compreensão sintética, acessível a todos: só se torna competente quem desfruta de condições mínimas pra se desenvolver! Meritocracia num país que só agora começa ( quero crer) a acordar de fato pra necessidade de esnsino e saúde públicos de categoria, é uma distorção! Outro dia, conversando com um amigo, ardoroso defensor de uma ética de mercado, ele ficou espantado, e sem resposta, quando lhe expliquei que o grosso da educação, nos EUA, hein! Nos EUA! é pública…o ensino médio funciona, cacete!! Sim, eles não têm saúde pública, e agora estão começando a ver como isso é ruim…Mas as diferenças ideológicas entre a nossa classe média e as de outrois países estão muito bem delineadas no seu texto! Reitero meus sinceros parabéns!!

  93. Conceito de Meritocracia

    Renato Souza,

    Você escreve bem, achei o texto muito interessante e bem articulado. Mas, acho que há um problema de conceito aqui. A compreensão do que é, de fato, meritocracia.

    Permita-me dar exemplos:

    Fulana e Ciclana estão se candidatando para uma vaga na sua empresa. Fulana é de origem humilde, tem ensino médio concluído com dificuldade. Ciclana é graduada em (coloque aqui seu curso de preferência), tem renda média e está fazendo uma pós graduação.

    O processo seletivo é um exercício que envolve a construção de um blog. Você explica o funcionamento para ambas candidatas, e permite que elas consultem a internet ao longo do teste. Fulana teve mais dificuldade em entender, por desconhecer as ferramentas envolvidas, então você explica para ela o básico. Para ser imparcial, você repete a mesma explicação para Ciclana.

    Resultado final: Fulana gastou mais tempo, mas fez um site excelente. Ciclana entregou algo “mais ou menos”.

    Quem você contrata? Eu contrato Fulana, sem sombra de dúvidas. Muitas empresas contratam Ciclana? Sim, verdade. Azar delas, melhor para mim.

    Agora, por que algumas empresas contratariam Ciclana? Bem, preconceito é a primeira opção que me vem à mente. Conservadorismo, talvez. Mas o que eu quero destacar é: contratar Ciclana é não aplicar a meritocracia.

    Citando um exemplo real agora: você viu o caso do mendigo que aprendeu javascript?

    http://cacoeteseletivo.com.br/tecnologia/2013/10/ensinando-a-pescar-a-historia-do-mendigo-que-aprendeu-a-programar/

    Leo precisou de uma ajuda para aprender a programar e construir seu site. Mas ele construiu o site por sua capacidade. Ele se empenhou, estudou, buscou aprender. Isso é mérito dele. E valorizar o esforço, a capacidade de aprendizado de uma pessoa, independente de fator social, cor, credo, etc, é que é aplicar meritocracia.  Ter dinheiro, falar n idiomas, ter sei lá quantos diplomas, isso não é mérito.

    Cotas e bolsa família são programas necessários? Sim, são, mas não do jeito como estão sendo usados. Temos uma geração (mais de uma, na verdade) muito prejudicada (por diversos fatores) e eles precisam sim de um auxílio (tal como Leo precisou). Mas, deve-se entender tais programas como planos de curto prazo, o Governo (municipal, estadual e federal) precisa de uma solução a longo prazo (que, para mim, é investir na educação de qualidade, e obviamente no acesso de todos à mesma).

    Enfim, meritocracia é valorizar e reconhecer esforços como os de Leo e Patrick (ou de Fulana, do meu exemplo). Muitas barreiras precisam ser vencidas para meritocracia funcionar de verdade. O preconceito é a uma delas. A falta de acesso a educação é outra. Mas, dizer que ela produz “abismos sociais e humanos” é uma visão um pouco simplória de um problema bem maior.

    Abraço!

    1. “Fulana e Ciclana estão se

      “Fulana e Ciclana estão se candidatando para uma vaga na sua empresa. Fulana é de origem humilde, tem ensino médio concluído com dificuldade. Ciclana é graduada em (coloque aqui seu curso de preferência), tem renda média e está fazendo uma pós graduação.”

       

      Desculpe Renata mas tem uma coisa nesse seu texto aí de cima que não bate com a realidade. Você acredita mesmo que alguem que terminou o ensino médio com dificuldade, sem conhecer as ferramentas para a construção de um blog, tendo dificuldade até mesmo com o conceito da coisa vai conseguir fazer a tarefa melhor que a pessoa graduada numa excelente faculdade em um curso que, supõe-se, tem a ver com a área pretendida (você nao chamaria alguem formado em direito pra desenvolver um blog na sua empresa)?

       

      Olha, a realidade das empresas hoje em dia é a seguinte: Tenho uma vaga para desenvolver um blog pra minha empresa. Requisitos mínimos: graduação na area especifica. Ah, não tem faculdade? Ficaremos com seu curriculo e ligamos caso seja interessante…..

       

      Empresa privada nem sempre, ou quase nunca, é lugar pra meritocracia.

  94. Agora é preciso combater a meritocracia?

    Incrível a capacidade de deturpação que essa gente traz para a discussão. Descobri agora ser eu (sim, eu, o típico classe média, que saiu do interior pobre, fez uma boa faculdade e trabalha duro na iniciativa privada) o culpado pelas mazelas do país! Passei em vestibular (mesmo estudando a vida toda em escola pública), passei em processos seletivos difíceis para trabalhar… Desviando da violência e da ausência quase completa da efetividade da polícia, que precisa pagar planos de saúde privados se não quiser morrer na fila do SUS.

    Pago 27,5% em impostos diretos, deixo na mão do governo 8% do meu FGTS e um número próximo de 40% de impostos indiretos em tudo que eu consumo.

    Mas eu sou o culpado… Como se “eu” tivesse optado pelo capitalismo de Estado dos militares (que em nada, repito, NADA, difere do que vem fazendo a esquerda nos últimos doze anos no poder). Também pensam que eu estava lá em 1988 quando fizeram essa constituição horrorosa que o clube fechado do PMDB praticamente fez sozinho… Inclusive, esse PMDB nunca mais saiu do poder, mas eu sou o culpado.

    Vivo em uma Economia 40% estatizada, 40% do nosso PIB vem do setor público… Que se mete a produzir não sei por qual razão, por que o Estado deve oferecer Segurança, Educação e Saúde (e veja bem, é uma lástima total nessas três áreas)… Além de uma regulação que seja pró-trabalho e empreendedor, coisa que não temos no Brasil. Quem disse que Estado tem que correr risco com exploração de petróleo? A classe média???

    Mas é o que esperamos da grossa maioria dos rebentos do funcionalismo público que estuda em escolas particulares e se instalam nas Federais… Fácil ser pago com impostos de quem produz para falar bobagem. 

    O país que aí está não passa do resultado dos mandos e desmandos de funcionários públicos de ontem (por que um militar nada mais é que um funcionário público) e dos políticos de sempre, que formam sua própria classe, longe da produção, longe dos serviços.

    E ignoram e deturpam o resto do mundo… Vem vender a idéia de que os países desenvolvidos foram construídos em cima de sei lá qual bobagem de fundo marxista que propõe o autor! O Japão possui uma rede social de proteção, mas é um país que valoriza a meritocracia, assim como a Coréia do Sul e o Canadá. Esses países POSSUEM, o que é muito diferente em afirmar que foram construídos em cima disso!

    A própria Suíça vai lançar um programa parecido com o Bolsa Família, é bem capaz desse camarada dizer daqui 15 anos que a Suíça é o que é por que tem o programa.

    Se a classe média REALMENTE fosse parte atuante da estruturação social e política do país nos últimos 50 anos JAMAIS um carro iria custar 3 vezes mais aqui do que no exterior.

    Vá procurar culpados em outro lugar… comece pelo espelho.

     

    1. Talvez culpado, mas não por isso

      Você apoiaria iniciativas de se implantar  um sistema tributário em que quanto mais rico se for, mais impostos se paga? Gente mais rica que você paga menos imposto que você. Você apoiaria tributar fortemente fortunas e heranças, patrimônio como terras, aviões, helicópteros a fim de se ter uma verdadeira meritocracia? Normalmente pessoas de classe média são contrárias a isso, a meu ver irracionalmente. E você?

    2.  
      Meu caro, você não deve ter

       

      Meu caro, você não deve ter lido os últimos dois parágrafos, onde o autor diz que é preciso combater o CONCEITO de meritocracia, e não as pessoas da classe média, como vc está afirmando.

      Parabéns por todos os méritos e superações que vc expôs, mas vale a pena investir um pouquinho mais do seu tempo e dedicação em interpretação de texto! rsrs 

    3. Concordo

      A chamada classe média, se mata de trabalhar para pagar impostos que deveriam ser dos ricos e ainda tem que sustentam as bolsas esmolas que o governo inventa para angariar votos.

       

    4. Concordo

       

      Achei um colega que concorda comigo! 

      Abominam a meritocracia porque? Tento insistir no que comentei acima….ser meritocrático não é ser egoísta de evitar que uma pessoa que está num nível inferior da pirâmide social se ascender. Cuidado com o texto meu povo!

      Meritocracia é de baixo pra cima. e não de cima pra baixo.

      Abraços

    5. Leia o texto novamente

      Não é possível,  o indivíduo sequer deve ter se dado o trabalho de ler o texto do Renato… Ou então só é meio burrinho mesmo. 

      Ninguém está te atacando não,  meu filho, e muito menos a sua trajetória e esforços! 

    6. Excelente !

      Ikeuchi,

      Com o seu texto você exemplificou explendidamente a idéia original do texto. Você é um exemplar biológico do espécime em estudo ! Com sua racionalidade e seus cálculos, você justificou toda a sua raiva !!! Raiva por não possuir mais do que tem ! Raiva por quem faz menos que você. Está evidente em seu texto.

      Quando o Estado produz, e é mais lucrativo que a iniciativa privada, isto leva a um choque na sociedade, e logo algumas vozes se levantam contra, pois é uma heresia, aocstumados que estamos a imagem de um funcionalismo fracassado.

      Éticamente condenável é dizer que o Estado deve “fomentar”, ou seja, construir e amparar toda esta gigante estrutura de exploração dos recursos naturais e do trabalho e ENTREGAR para que a Iniciativa Privada determine quem e como será distribuído o lucro !!!!!!!!!!!!!!!!!!

      Não farei um longo debate, embora este assunto mereça um espaço maior (viu Nassif ? Você poderia organizar um evento maior…hehe).

      Que o Estado produza sim !! Que lucre muito !!!! E que a sociedade eleja pessoas que saibam ver a enorme oportunidade em reduzir nossos impostos como base no lucro obtido pelas empresas com participação estatal !!!!

      Uau !!!! Dá para fazer toda uma série de seminários com base na discussão sobre a meritocracia e importância de um Estado produtivo !

      E que a raiva individual dos incorfomados seja controlada, para que o cérebro receba a quantidade necessária de oxigênio que permita reflexões e visões de mundo mais profundas.

       

  95. Que texto bom e útil. Faz

    Que texto bom e útil. Faz muito tempo não lia algo que me ajudasse tanto a entender as razões de poscionamentos com os quais me defronto todos os dias. Após sua leitura, parece que as ideias se organizam muito mais fácil, a distinção entre  mérito no plano individual do mérito no plano social,  e  entre mérito e desempenho, e as formas pelas quais são medidos. Sensacional. Parabéns!

     

  96. Muito bom

    Excelente o artigo. 

    Dou um exemplo do que estão fazendo com o Eike, Ontem puxavam seu sacoo, hoje todos sabem que ele iria fracassar. Até o Nassif entrou nessa.

    1. Saco do Eike

                 O Eike e seus comparsas ofereceram seu saco para ser puxado, propositadamente.  Todos sabiam que explodiria… mas as vantagens foram levadas, ninguem me engana!!!

  97. Parabéns.

    O texto é muito bom. O Renato Santos pôs o dedo na ferida, por isso a reação de alguns a seu texto. Eu tenho muitas criticas a meritocracia. Até que ponto as pessoas conseguem seus bens, dipromas.etc por si mesmas, no mérito? Qual a meritocracia possível, a uma criança nascida na miséria? Quem vai pagar escola privada para ela? Como uma criança sem pai, nem mãe, sem o minimo de educação pode superar suas condições sociais?

  98. PARABÉNS

    A famigerada meritocracia! Concordo em tudo! Temos de combater esse conceito cínico e invisível que corrói nossos pensamentos e nos faz engessar diante de tanta desigualdade!. Esclarecedor seu texto! incrível!

  99. A burguesia Fede

    Maravilhoso este texto, de forma clara e objetiva sintetizou toda a revolta , todo o ódio que a maioria da classe média tem da esquerda no Brasil, do Partido dos trabalhadores, do Lula , entre outros. A sindrome do “Pequeno Burguês” , que caminhou durante a história em outros séculos , se traduz agora , desta forma , mas é o mesmo pequeno burguês que traiu a revolução Francesa , é o mesmo pequeno burguês que defendeu o nazismo , o facismo e tantos outros regimes que defendiam os valores pequeno burguês.

     

    Enquanto houver burguesia, não haverá poesia

  100. A parte mais fraca do texto é

    A parte mais fraca do texto é ter que defender que a ideologia americana não é meritocrática, a fim de se defender que é a meritocracia da classe média brasileira que a leva a ser reacionária. Concordo que a sociedade americana não é meritocrática, mas a ideologia do American Dream é fortemente meritocrática, como você pode ver pesquisando por isso na bibliografia, na internet. Existem livros na Amazon sobre o mito da meritocracia americana (http://www.amazon.com/The-Meritocracy-Myth-Stephen-McNamee/dp/0742561682), então isso é um assunto fortemente discutido por lá também, e é reconhecido claramente nessa discussão que a ideologia da classe média americana é fortemente meritocrática, talvez mais até que no Brasil. Então esse objetivo de se desvendar o que a classe média brasileira tem de diferente das outras não foi atingido.

    Olha só o que achei procurando sobre meritocracia nos Estados Unidos (http://radicalscholarship.wordpress.com/2013/01/06/unmasking-the-meritocracy-myth/), )admito as falhas de tradução):

    “Desmascarando o mito da meritocracia

    Lideranças políticas, lideranças empresariais e a mídia revelam um fascínio com o mito da meritocracia, primariamente na perpetuação da alegação de que a meritocracia já existe. De alguma maneira os Estados Unidos teriam deixado para trás o racismo, sexism e classismo, resultando em uma sociedade onde todo o sucesso é reflexo de um alto caráter, e todo fracasso é resultado de preguiça e falha de caráter.

    Tanto quanto a alegação de meritocracia continue a existir, a retórica de “falta de desculpas para o fracasso” continuará a ser efetiva e corrosiva. Ironicamente, aqueles mais enamorados do mito da meritocracia são também os mais resistentes a quaisquer políticas e ações que produziriam de fato uma justa igualdade de oportunidades para as crianças. As ideologias da “falta de desculpas” são o ambiente dentro do qual crianças em posição de desvantagem são aconselhadas a trabalhar mais duro para competir com crianças privilegiadas.

    Na realidade, entretanto, os Estados Unidos não são uma meritocracia, e enquanto exista a alegação que eles são uma meritocracia e a resistência a tomar ações que fariam a meritocracia se tornar uma realidade, a iniquidade continuará não apenas a existir mas também a aumentar.

    Os advogados da livre iniciativa estão confortáveis com a idéia de que uma mão invisível de alguma maneira cria igualdade de oportunidades, ignorando que o mercado permite que privilégio gere privilégio e desigualdade gere desigualdade. Uma verdadeira meritocracia não virá através de uma mão invisível, mas dando passos a que os privilegiados nunca irão aderir porque isso iria colocar um fim ao privilégio geracional. Uma verdadeira meritocracia iria expor a teste quem merece o quê, em vez de o acaso das circustâncias do nascimento determinarem os rumos da vida.

    O fetiche com o mercado que os Estados Unidos têm – resistentes como nós somos a tomar qualquer iniciativa real em direção a igualdade de oportunidades por causa de nossa prolongada visão deficitária sobre pobreza, racismo e sexismo – produziu um fato que não pode ser negado:

    O destino é determinado pelas circustâncias aleatórias do nascimento de qualquer criança.”

    O texto é sobre os Estados Unidos, mas se encaixa perfeitamente na realidade brasileira. É até mais relevante aqui, dado que aqui esses fatores citados no texto acima são mais pronunciados. Isso pra mim é o cerne da questão, que tenho comentado nos meus outros posts.

    O cerne do texto do Renato não é esse, mas sim uma crítica à meritocracia em si, como se pode reforçar lendo o último post dele aqui na seção de comentários. Realmente a meritocracia tem esses problemas levantados por ele, mas não são esses problemas que levam ao reacionarismo. O que leva ao reacionarismo é fechar os olhos para a desigualdade de oportunidades que impedem que uma meritocracia mais genuína possa florescer. E o que leva a esse fechar de olhos é alguma outra coisa, não a ideologia da meritocracia, que exigiria ações concretas para diminuir a iniquidade.

    Acho até que o Renato vai defender que esse texto aí em cima está falando o mesmo que ele, mas isso não é possível, porque as conclusões são opostas. A conclusão dele é que temos que combater a meritocracia. Atingido o cerne da questão, a conclusão é de que a ideologia da meritocracia pode ser utilizada para se defender políticas e ações práticas para se resolver os problemas mais profundos da sociedade brasileira, que são a iniquidade social, o sistema tributário regressivo, tudo o que contribui para o abissal fosso que separa ricos e pobres aqui no Brasil.

    Esses problemas levantados pelo Renato acontecem em qualquer implementação prática de qualquer ideologia. Acho que isso fica claro ao se refletir sobre o que aconteceu com a tentativa prática de se implementar uma ideologia de igualdade absoluta. Não são esses problemas que levam ao reacionarismo.

    Agora vem a parte mais especulativa do meu texto. Talvez a classe média brasileira não tenha nada de fundamentalmente diferente da classe média americana ou européia. O que há de diferente aqui é o nosso passado de escravidão que nos lançou em uma condição inicial profundamente desigual e discriminatória, nosso passado de colonização que parece ter deixado uma ideologia exploratória, como se o nosso país fosse algo a ser explorado e que houvesse ainda uma caravela ali no porto pronto a nos levar para a nossa real pátria uma vez terminada a exploração. As infelizmente generalizadas estupidez humana, estreiteza de pensamento, individualismo, falta de capacidade de se colocar na situação do outro, supervalorização das próprias capacidades parecem estar presentes tanto na classe média brasileira, americana, européia ou qualquer outra classe social em qualquer lugar. O que tem de diferente no Brasil é esse contexto histórico de nossa formação que faz com que essas generalizadas características perpetuem aqui uma situação que associamos com “reacionarismo”.

    1. A utopia da meritocracia

      De fato, Emílio, a motivação inicial do texto to Renato é justificar uma suposta posição reacionária por parte da classe média brasileira. Antes de buscar a justificativa, eu me pergunto o que exatamente faz com que a classe média brasileira seja considerada reacionária. Em primeiro lugar, não vejo uma posição política única que seja compartilhada pela classe média como um todo, seja em pontos específicos ou em linhas gerais. Então, rotular a classe média inteira como esta tendo uma posição reacionária, é no mínimo um abuso de generalização. Então, o texto do Renato começa de uma motivação inconsistente. 

       

      Excluida essa parte, entretanto, podemos interpretar o texto do Renato como uma tentativa de mostrar a meritocracia como algo que contribui para o endurecimento da estrutura de classes e consequentemente, no caso do Brasil, como favorecedor da desigualdade social. Assim, ele aponta com propriedade os vários problemas da meritocracia. Nem que seja sob a óptica de desmitificar uma cultura que supervaloriza esse tipo de ideologia, achei muito válidas algumas colocações dele, mas em outras, acho que há uma confusão entre meritocracia e pragmatismo, em especial na parte em que ele cita o “método” através do qual tentam se estabelecer critérios de mérito.

    2. Prezado Emílio
      Muito bom o

      Prezado Emílio

      Muito bom o texto que você postou, e não vou me ocupar em tentar provar minhas razões, e sim defender algumas posições do meu texto. Na verdade, o debate fomentado a partir dele tem me sido mais gratificante do que a aceitação ou não de minhas opiniões. Os depoimentos de cada um tem permitido fazer um mapa amplo e variado das percepções existentes sobre o tema, das mais intelectualizadas às mais rasteiras. E em geral, isto tem reforçado minhas convicções, pois os defensores mais ferrenhos da meritocracia, os que tem postado as críticas mais ferozes contra mim e contra o meu texto, tem exibido um comportamento previsível, mais ou menos aquele descrito pela Marilena e que tentei interpretar arqui. Então, não tenho mais dúvidas de que há um ethos meritocrático que orienta estas posições mais concervadoras, e isto é mais visível na classe média do que nas outras. Apenas aquele que experimentou a ascenção social pela via do “mérito” se sente autorizado por sua própria história a julgar o demérito daqueles que não fizeram o mesmo. A elite não tem esta autoridade, por isto suas defesas se voltam para o direito de propriedade e da livre iniciativa.

      Mas eu tenho que fazer um esclarecimento que tem causado muitas incompreensões. O que eu afirmei é que as posições reacionárias de boa parte da classe média são sustentadas por um “ethos” meritocrático, ou seja, uma parte significativa da classe média comunga de um sistema de crenças que associa o mérito a eficiência, progresso e justiça; portanto, uma sociedade só seria eficiente e justa se organizada sob um regime meritocrático, ao passo que políticas que subvertem o mérito gerariam ineficiência, estagnação, indolência e injustiça. Sempre que eu me referi à classe média, tentando interpretá-la, eu me referi a este ethos meritocrático que ela carrega consigo, não aos mecanismos meritocráticos de uma sociedade nem à meritocracia como sistema. E este ethos ficou cristalino nesta imensa pesquisa empírica que passamos a ter a partir dos quase 240 comentários aqui postados.

      Feito isto, apenas na segunda parte do meu texto eu me ocupo de fazer críticas à meritocracia, e o objetivo primeiro não é destruír a meritocracia em si, propondo uma sociedade que premie a indolência, a vagabundagem, a ineficiência e toda a sorte de fraqueza moral, como fui acusado em muitos comentários mais agressivos. Não, a parte em que eu critico a meritocracia tem basicamente dois objetivos. Primeiro, tentei mostrar o elo entre este ethos meritocrático e a atitude reacionária de parte da classe média, ou seja, como a meritocracia pode fundamentar um tipo de ideologia que produz pessoas intolerantes, aparentemente insensíveis aos problemas alheios, reativas a qualquer política compensatória ou distributivista, etc. Segundo, tentei desconstruír algumas das crenças que fazem parte daquele ethos meritocrático, ou seja, mostrar que certas promessas da meritocracia são crenças vãs, e que a meritocracia produz uma ilusão de eficiência, de progresso e de justiça que não corresponde à realidade. 

      Minha proposta não é acabar com a meritocracia (eu não proporia substituír os concursos públicos, por exemplo, pelas antigas indicações pessoais), mas sim relativisá-la, mostrar que ela não corresponde necessariamente ao ideal de eficiência, progresso e justiça que a sustenta como crença. Meu propósito foi desconstruír suas bases racionais, para liberar as políticas públicas para que possam atuar sob outras bases de legitimação, inclusive para fazer o que tu propões, que é tornar as condições de concorrência iguais para todos. 

      Mesmo assim, meu caro, se todos partissem do mesmo lugar, ainda a meritocracia não daria conta das suas promessas de eficiência, progresso e justiça. Qualquer sistema meritocrático com o tempo se retroalimenta para produzir a desigualdade e a exclusão, para criar círculos viciosos baseados na racionalidade instrumental e formal, para fomentar práticas fraudulentas, e para criar estruturas de poder paralelos que controlam as avaliações e forjam desempenhos. Sistemas meritocráticos deformam a sociedade e . Eles ainda precisam existir, porque são uma base de legitimação importante sobretudo para as ações do Estado, mas precisam estar submetidos a outros sistemas que operem no campo dos valores, e não apenas das convenções sobre o mérito. 

  101. Ótima análise. Mas precisamos ir mais fundo…

    Muito boa essa análise, concordo com o conteúdo, mas principalmente, com a crítica a Chauí, que apenas bradou ao reacionarismo da classe média sem buscar entendê-lo. Antes de tudo, elogio sua leitura e penso que nos ajuda a pensar no tamanho das tarefas políticas para a construção de uma nova agenda de esquerda pós-PT; pós-lulismo.

    E tentarei ir adiante e ponderar certas colocações (ponderações que talvez possam ter ficado não muito claro no texto e gere reações desnecessárias de mais conservadorismo). O que quero dizer é que boa parte da idéia meritocrática não é tão somente a de uma “justificação”. Toda ideologia não é mero mascaramento da realidade; ela diz respeito a um tipo de realidade, que inserida no complexo contraditório do todo social pode se mostrar limitada e levar a cegueiras. Neste sentido, não mais correta sua caracterização de como a meritocracia leva a leituras políticas desastrosas, inclusive para este setor social. Contudo, ela não deixa de ser a prática de milhares de assalariados de nível superior (isso mesmo, proletarios), profissionais liberais ou pequenos empresários, que, diferente da alta burguesia, vivem tão somente das relações construídas com base no esforço individual e na consolidação de redes próprias de vivência. Neste sentido, evidente, como ela paga muito imposto e recebe pouco serviço, ela brada contra a ineficiência e corrupção do Estado. Inclusive ela simpatiza com sua privatização, já que a vida desta “classe média” sempre foi bastante privatizada.

    Atacar a meritocracia não é tão somente atacar os que defendem o “mérito” (ou “desempenho”, que seja, é no mercado ou em instituições específicas que se realiza, sob certas “condições”, não no ideal transcendente), mas atacar as bases que mantém um setor social preso a esta lógica de reprodução social que em última instância é conservadora. Atacar a classe média como fez Chauí é cegueira demagógica, que não encherga que a própria base lulista e da “nova classe média” (menina de ouro do governo) é extremamente conservadora e continua a servir de base para políticos conservadores, para fundamentalismos religiosos, e mantém-se no individualismo e não conseguiu ainda estabelecer amplas solidariedades de classe. E isso tudo, fortalecido durante o gov. Lula, cuja base de políticas sociais não levou a criação ou provocou processos políticos amplos, apenas eleitorais. A bolsa família, ficou no mero assistêncialismo – apesar de sua significativa importâcnia; bolsas universitárias como dádivas aos filhos de baixos assalariados mas serviu principalmente como compensação ao mercado universitário privado que estava com sérios problemas financeiros; e, por fim, o incentivo ao consumo, que apenas fortaleceu uma consciência individualista e, não há como não empregar o conceito, de “classe média”.

    Mas voltando ao mérito, o mercado hoje dá sinais de que essa lógica também não dá conta, ou que ele mudou de lado. Não basta mais fazer uma boa faculdade, tirar boas notas, ser “do bem”. Pelo contrário, este ideal está se afundando na prática do mercado hipercompetitivo e cujos salários são constantemente rebaixados. E os jovens, que ou provém da classe média tradicional (que tem frustrações de crescimento) ou da nova classe média (e que têm expectativas de crescimento) são os que estão radicalizando para além da meritocracia, através da defesa de pautas de serviços sociais básicos nunca realizados – apesar de toda propaganda criada nas expectativas do pré-sal e da copa do mundo – no qual a luta pelo transporte público se tornou simbolicamente central. 

    A compreensão dessa juventude – deste precariado (no sentido expresso não por Giovanni Alves*) – pelo modelo de desenvolvimento atual, que trouxe alento aos mais miseraveis ao mesmo passo que deu condições e liberdade de ação à classe dominante, apenas engessou um setor consideravel do proletariado – de um lado pela pauperização e aumento da concorrência de mercado e diminuição de lutas pela ligação sindical ao governo e do outro, com as perspectivas positivas de ascenção ao mercado de trabalho formal (mesmo que extremamente limitado ao setor de serviço e a salários baixos, sob regimes de exploração brutais, ainda não contemplados por movimentos sindicais fortes).

    Mas o mais interessante é que esta juventude se unifica em um programa amplo e ainda em construção, cujas manifestações abertas em Junho não pareceram cessar – apenas radicalizaram-se, onde a atuação do blackblocks é sintomática. Alí são jovens de periferia e da “classe média” da Chauí se unindo em torno de uma contra-violência comum, que visa responder, mesmo que erraticamente, a exploração e falta de perspectivas do cotidiano. Eles evidenciam o limite do lulismo – a bizarra “aliança” dos mais pobres com os mais ricos através da figura populista de Lula -, conforme descrito por André Singer.

     

     

    *blog do autor na boitempo, http://blogdaboitempo.com.br/category/colunas/giovanni-alves/

  102. É assim que eu acredito
    Chego à conclusão que a meritocracia pura e simples é uma das bases fundamentais do capitalismo em sua forma mais selvagem e não aceita as diferenças sociais como variáveis que influenciam o cotidiano de um indivíduo, independente da sua condição social.
    Se realmente desejamos viver bem, precisamos de uma sociedade que além de reconhecer os méritos individuais, também seja capaz de propiciar a todos os indivíduos as condições necessárias para efetivamente estarem inseridos nesta.
    “O seu bem estar também pode ser o meu.”

    1. Concordo com Douglas Ferraz

      Sua abordagem foi genial. Discordo também parcialmente com o texto publicado.

      Abominação da meritocracia é no mínimo algo não inteligente de ser feito.

      Parece que o sinomino de ser meritocrata é ser egoísta. Lembre-se que uma cidadão que defenda meritocracia, gostaria que os mais pobres, não letrados, competissem de forma igualitária com aqueles que conseguiram sucesso, seja lá qual for a interpretação de sucesso para o leitor desse comentário.

      Meritocracia também impõe condições igualitárias entre classe média e classe baixa, e não acirra ainda mais as diferenças. Quer igualdade de desafio, de conquista e de competição. E que vença o mais adaptado.

       

      1. Meritoclassia

           Só para defender e reafirmar esta posição, sua e a do Sr. Douglas Ferraz.  Dominação é um termo que não concordo racionalmente!

  103. É assim que eu acredito.

     Chego à conclusão que a meritocracia pura e simples é uma das bases fundamentais do capitalismo em sua forma mais selvagem e não aceita as diferenças sociais como variáveis que influenciam o cotidiano de um indivíduo, independente da sua condição social.

    Se realmente desejamos viver bem, precisamos de uma sociedade que além de reconhecer os méritos individuais, também seja capaz de propiciar a todos os indivíduos as condições necessárias para efetivamente estarem inseridos nesta.

    “O seu bem estar também pode ser o meu.”

  104. Míope

    O texto é míope, afirmar que a revolta da classe média é baseada em meritocracia é, no mínimo, reduzir o assunto a somente um aspecto.

     

    Meritocracia importa? Com certeza!

     

    Mas este é o fundamento?

     

    Ou a revolta se baseia no fato de que temos um governo que pratica o populismo barato e defende uma agenda de interesses próprios?

     

    Você acha que a classe média se revoltaria se os bolsa-esmolas tivessem como requisito a qualificação profissional dos seus beneficiários?

     

    Você acha que os médicos se revoltariam caso tivessem um mínimo de infraestrutura para exercer sua profissão?

     

    Mostre um edital do governo com oferta de salários de 10 mil reais para médicos em postos no interior do país, te desafio!

     

    Míope, manipulado e consequentemente servo do sistema deturpado que estes ditatores travestidos de líderes democráticos instauraram neste país subdesenvolvido de mentes subdesenvolvidas.

    1. Concordo.

      Aposto que mais da metade das pessoas que defendem essa matéria equivocada, vivem mamando confortavelmente nas tetas do governo.

       

    2. Mérito pra fazer parte do governo

      Nossos governos são meritocráticos… o que não os livra de serem umas porcarias…. Mérito do cabo eleitoral que vai trabalhar numa administração regional, sem falar mal do governo, mas não fazendo nada… mérito do empresário que arrecadou fortunas para a campanha e depois tem todos os seus interesses atendidos… Isso se a fugura não virar secretário de governo, como Júlio Lopes, empresário da educação que comanda a secretaria de transportes do Rio de Janeiro. Tantos acidentes sem justificativa…. sumiço de patrimônio tombado…. ele tem o mérito de amealhar dinheiro pro governo, assim como o Piciani, maior explorador de semem bovino do país, que injetou mais dinheiro na campanha Cabral/Dilma que qualquer outro…

      Esse governo não é dos pobres. É da classe média e dos grandes empresários que tomam a voz da classe média como se fossem dar a ela a possibilidade de ascender ao seu nível. Por mais rico que um sujeito de classe média ache que possa ser, nunca será realmente rico!

      O que você qualifica como bolsa esmola permitiu que eu fizesse concursos públicos sempagar a taxa de inscrição. Você realmente acredita que eu deixaria de trabalhar por um bom salário pra ganhar um tantinho de dinheiro só porque não quero fazer nada? É um tantinho que faz diferença, mas não é o suficiente pra educar filhos, comprar supérfluos, ou o que você acha que nós, os assistidos fazemos com esse dinheiro. Essa “bolsa esmola” segurou o nível de consumo interno enquanto os ditos empresários apelavam para crise mundial pra desempregar pessoas mundo afora e manter suas margens de lucro.

      Posso não ter um edital (em mãos no momento) com vagas pro interior por uma fortuna. Mas já os vi! Posso te falar sobre Araruama, em que médicos tinham o salário de 5 mil por mês pra trabalhar 24 horas por semana… isso pode ser visto na mídia majoritária.

      Para um médico consiente, não adianta ganhar uma fortuna pra trabalhar num lugar que não tem nem ultrasom. Os médicos da modernidade não saberiam trabalhar com a tecnologia de 20 ou 30 anos atrás…. que dirá sem tecnologia nenhuma!

      Se não tem condições decentes de trabalho, pelo seu ponto de vista, é porque não tiveram mérito. Sob o meu ponto de vista, não tiveram foi garra pra lutar por condições melhores, porque papaizinho bota consultório particular pra eles. 

      Onde está o mérito de se ganhar um carro quando entra pra faculdade? Mérito é comprar o próprio carro, oras!

      Fico com pena dos servos do capital. São os cegos que esbarram em outros cegos e depois esbravejam… achando que só eles tem o direito à cegueira. Que o outro cego deveria olhar por onde anda.

      Os tiranos que nos comandam são fruto das classes mais abastadas. Isso não seria explicação suficiente pro caos em que estamos? Sim, somos um país subdesenvolvido em que uma pseudo-elite acredita que possa ser mais feliz por ter migalhas caídas da mesa do grande capital para se alimentar…. e continuar iludindo seus funcionários que o sistema é assim mesmo…

      Vocês não são a elite! São os gerentes dela contra o povo.

  105. Classe Média

    Caro Nassif, ao contrário de você não me senti ofendido (no início) com os comentários da nobre Professora Marilena Chauí, muito pelo contrário, concordei, e morri de rir. Porém o seu artigo tentando compreender este fenômeno é absolutamente brilhante, com certeza uma pérola nesta seara de tantas opiniões monossilábicas e inconsistentes. Sinto -me profundamente gratificado por ter ecolhido você entre os jornalistas independentes, por seguir as suas opiniões diariamente. Nesta você se superou. 

  106. A propósito do Felipe

    Olá, Renato.

    Parabéns pela bela e complexa análise disponibilizada. Apesar de discordar de dois ou três nexos do seu texto, assinaria-o sem pestanejar, em face do mesmo representar, no geral, o que penso. Senti-me compungida a escrever apenas para lhe oferecer (quem sabe) algum argumento a mais, diante daqueles questionados pelo Felipe. Meu pai era lavrador, sem-terra, analfabeto. Minha mãe sabia ler alguma coisa e assinar seu nome. Nasci numa localidade rural do nordeste, numa família de 14 irmãos, onde a mortalidade infantil beirava a de alguns países da África. Escapei da fome, da morte infantil. Estudei em escola pública TODA A MINHA VIDA e, a partir de 13 anos, trabalhando para pagar minhas contas. Hoje, 50 anos de vida, sou pós-doutora e professora de uma Universidade Federal. Decerto, nessa trajetória muito tem do meu esforço, mas isso não explica tudo. Não explica nada, por exemplo, do fato de todos os meus coleguinhas de infância permanecerem até hoje sem nenhuma oportunidade  de vida digna. Que bom existirem análises como a sua para trazer à tona a desnaturalização das coisas, tão ao gosto de alguns segmentos sociais. 

  107. Parabéns Renato Souza…
    Um

    Parabéns Renato Souza…

    Um ótimo texto que contribui para ajudar a pensar a complexidade de desvendar o Brasil…

    Tenha certeza que seu texto ajuda nessa direção…

    Mais uma vez, parabéns…

     

     

  108. Meritocracia como valor

    Parabéns pelo excelente artigo. Ao contrário do que muitos interpretaram, mostra como a meritocracia é um valor. Por ser um valor é relativa. Boa em certas condições, ruim em outras. Ruim quando serve ao repúdio a políticas que visam à promoção da igualdade social. Não é ruim em todas as circunstâncias. O autor claramente reconhece o valor da meritocracia no tocante ao âmbito privado. É assim.
    No mais, cumpriria indagar: por que a classe média brasileira é, em relação às demais, tão “meritocrática” a ponto de confrontar políticas igualitárias? Especulo: é a própria desigualdade social, que oprime os pobres, a classe média e até mesmo os ricos ao perpetuar o ódio, o medo, a insegurança quanto ao futuro, a disputa agônica e desenfreada, o estranhamento em relação ao outro.
    Parabéns.

  109. Contestando o item “a”

    “a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.”

    A proposição de construir uma sociedade baseada em um único valor leva a problemas.

    Uma sociedade baseada quase que exclusivamente no direito à vida, por exemplo, negaria a mulheres o direito de abortar mesmo em caso de estupro e anencefalia. Negaria o direito à autodefesa em caso de a vítima matar o ofensor em casos em que não houvesse a certeza absoluta de que o ofensor iria matar a vítima.

    Uma sociedade baseada exclusivamente no valor da liberdade teria problemas com a negação de porte de armas total e irrestrito, a negar a alguém o direito de beber e dirigir em casos em que o bêbado não ferisse ou matasse ninguém.

    Uma sociedade baseada única e exclusivamente em solidariedade seria uma sociedade em que conflitos seriam evitados ao máximo, e sabemos que há situações em que conflitos são necessários.

    Então isso de imaginar que uma sociedade pode se basear única e exclusivamente em meritocracia é sofisma. Claro que teria que haver harmonização com outros princípios, e isso não significa de modo algum que seja ruim ou problemático o princípio básico de haver alguma variação na premiação de predicados pessoais desde que seja assegurada igualdade de oportunidades.

  110. Contestando o item “b”

    “b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos. “

    Não é possível em bases racionais defender princípios meritocráticos sem que sejam defendidas ações positivas que assegurem igualdade de oportunidades para as crianças. Desde que se acredite que cor de pele, sexo, classe social não têm uma grande correlação com talento, é difícil ver como princípios meritocráticos levariam a intolerância social, visto que há uma pequena parte da população com poucos talentos, uma pequena parte com muitos talentos, e uma grande parcela com talento intermediário.

    A supervalorização do sucesso e estigmatização do fracasso ocorre quando não se dão condições mais ou menos igualitárias a todos e não se utilizam outros critérios como uma proteção social mínima para os que não deram sorte ou não têm muito talento.

    Como no item “a” se cria o boneco de palha, ou moinho de vento, de se imaginar uma sociedade baseada em um único e exclusivo critério, que leva a problemas seja qual for o valor escolhido, não só a meritocracia. E isso não invalida a meritocracia como um dos bons princípios.

  111. Contestando o item “c”

    “c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.”

    Uma honesta visão sobre meritocracia, como defendi extensamente em outros comentários aqui mesmo, levaria a garantir uma boa igualdade de oportunidades e condições iniciais para as crianças.

    No Brasil, isso poderia ser traduzido por:

    1. Eliminação de toda e qualquer forma de discriminação, seja de cor de pele, orientação sexual, classe social.

    2. Luta em favor de um sistema tributário intensamente progressivo como forma de garantir condições aproximadamente iguais a todos e corrigir distorções como patrimônios milhares de vezes maiores que outros, dado que é difícil de sustentar talentos milhares de vezes maiores que outros.

    3. Luta em favor de tributação intensa de heranças e doações, dado que a premiação de talentos deve ser direcionada a quem tem o talento, não a seus descendentes.

    Acho que isso são exemplos suficientes de como a meritocracia preencheria o espaço público em favor de se resolver os maiores problemas do Brasil. O que se fez foi criar um moinho de vento fácil de ser atacado.

    1. meritocracia à brasileira

      Nossos governos são meritocráticos… o que não os livra de serem umas porcarias…. Mérito do cabo eleitoral que vai trabalhar numa administração regional, sem falar mal do governo, mas não fazendo nada… mérito do empresário que arrecadou fortunas para a campanha e depois tem todos os seus interesses atendidos… Isso se a fugura não virar secretário de governo, como Júlio Lopes, empresário da educação que comanda a secretaria de transportes do Rio de Janeiro. Tantos acidentes sem justificativa…. sumiço de patrimônio tombado…. ele tem o mérito de amealhar dinheiro pro governo, assim como o Piciani, maior explorador de semem bovino do país, que injetou mais dinheiro na campanha Cabral/Dilma que qualquer outro…

      Esse governo não é dos pobres. É da classe média e dos grandes empresários que tomam a voz da classe média como se fossem dar a ela a possibilidade de ascender ao seu nível. Por mais rico que um sujeito de classe média ache que possa ser, nunca será realmente rico!

      Os tiranos que nos comandam são fruto das classes mais abastadas. Isso não seria explicação suficiente pro caos em que estamos? Sim, somos um país subdesenvolvido em que uma pseudo-elite acredita que possa ser mais feliz por ter migalhas caídas da mesa do grande capital para se alimentar…. e continuar iludindo seus funcionários que o sistema é assim mesmo…

      Vocês não são a elite! São os gerentes dela contra o povo.

      1. Quantidade versus qualidade!

        A maritocracia é coisa recente no país. Demorará ainda muito tempo pra q ela finalmente se estabeleça como algo bom pra sociedade brasileira como um todo. Por enqto o q se pode dizer sobre ela é isso q o Renato disse mesmo! Uma boa resposta pra quem pensa q a meritocracia funciona assim ou assado é q ela (a meritocracia) tá em constante mutação, amadurecimento! Nas condições educacionais em q vivemos hoje, nas quais a “qualidade” não acompanha a “quantidade”, é muito difícil opinar sobre o futuro dessa meritocracia “à brasileira” q parece nivelar a todos pelo nível de “sucesso” (de ideias, de ideais etc) quantitativo q atingem e não pelo seu “êxito” (de ideias, de ideais etc) qualitativo. Não adianta passar a fazer parte do chamado “primeiro mundo” sem o componente qualitativo, ou seja, sem resolver o problema da desigualdade social gritante q nos sufoca! Os índices educacionais brasileiros são vergonhosos e sempre continuaram a ser caso não se dê ao imprescindível componente da QUALIDADE o espaço q ele merece dentro dessa meritocracia à brasileira! O problema é histórico entre nós — e, a partir de agora, só temos uma única chance de resolvê-lo duma vez por todas! Ou será agora ou não será nunca!

  112. Parabéns pela iniciativa

    Professor,

    sou aluno da pós-graduação na UFMG e queria parabenizá-lo por essa primeira análise bastante lúcida da questão. No entanto, gostaria de sugerir alguns caminhos para desenvolvimentos, porque acredito que a insuficiência do texto diz respeito a uma falta de radicalidade do mesmo:

    a) De onde provém a meritocracia enquanto corrente filosófica? Ou, como já ressaltado em outro comentário, como e por que ela continua a se proliferar? Acredito que esses desenvolvimentos culminem numa crítica a ideologia do do progresso/desenvolvimento como desenvolvida por autores como Walter Benjamim e, para citar um do nosso lado do Atlântico, Celso Furtado na década de 70. Claramente que essa crítica se insere numa crítica mais ampla da reprodução do modo de produção capitalista, o que nos leva para o segundo ponto;

    b) Tive a sensação, ao final do seu texto, de uma interpretação excessivamente hegeliana da questão – apesar de outros momentos você mostrar-se bastante lúcido em relação às estruturas de poder por detrás das ideologias. No entanto, você encerra seu texto combatendo a ideia e não a classe. Ora, a classe não se refere as pessoas individualmente – como aqueles que baseiam sua análise numa binariedade infantil entre sociedade/indivíduo querem fazer parecer – mas é um categoria teórica que em certo momento apresenta certa manifestação. Para simplificar, o que quero dizer é que o fim da meritocracia – enquanto constituinte real da classe média tal como ela se efetiva no mundo prático – equivale ao fim da classe média (que no fim possui uma existência mais ideológica que real). Proceder de outra forma me parece o risco de flertar com posições reformistas que assemelham-se às formulações proudhnianas do século XIX, ou seja, de que é possível limpar a classe de determinações que são, na realidade, da própria essência dessa classe. Nesse sentido, o fim do efeito danoso só é alcançado com o fim da classe (o fim da classe, devo dizer somente para rebater os desavisados de plantão, não implica no aniquilamento dos indivíduos que outrora a compuseram). 

    Parabéns novamente pela iniciativa.

  113. Parabéns pelo artigo, foi um

    Parabéns pelo artigo, foi um dos melhores artigos que li ultimamente. No mínimo esse artigo no faz refletir sobre alguns males “invisíveis” que afrontam a sociedade.

    Bastante interessante teu ponto de vista.

  114. Se o mérito for mantido como

    Se o mérito for mantido como foco, há um problema no encadeamento da argumentação, que se baseia no desempenho, e não no mérito.

    Desempenho é apenas um dos fatores usados para avaliar o mérito, e varia de acordo com o meio. A argumentação está baseada nas nuances do desempenho e não nas diversas formas de se avaliar o mérito. Portanto, meritocracia não é o alvo, mas sim a desempenhocracia. 

    1. dá na mesma

      O caso é que por essas bandas a meritocracia não é encarada como processo permanente (a “desempenhocracia”, se é isso que estou entendendo do significado desse termo colocado na discussão).

      Ao invés disso, serve só até o ponto em que a pessoa consegue ingressar numa corporação (um diploma, um registro profissional, um cargo público, etc).

      Daí a nossa sociedade cartorialista diz pro sujeito… “Relaxa! Agora você não precisa provar mais nada pra ninguém, já provou seu mérito. Se alguém reclamar do seu desempenho: um cidadão, um paciente ou cliente infeliz qualquer, nós (a corporação) te damos cobertura sem falar que a justiça é inepta mesmo.”

       

      Bem, nem precisa dizer agora porque a “meritocracia” a la Brasil merece ser criticada e até entenderia uma critica nesse sentido. Só que esse aspecto o autor abstraiu completamente. Na falta de uma referência do que seja a verdadeira meritocracia, ele passou a atacar não a cultura por trás do uso indevido do conceito de mérito, mas sim o benefício da competição meritocrática em si!

      E certamente se essa idéia prevalecer ai é que estaremos ferrados.

  115. Na mosca!!!

    Belíssima análise! Renato, faz sentido que que não se combata a classe média; mas ao combatermos a meritocracia, em última instância não estamos atacando a classe média brasileira – ao atacarmos o que a diferencia da classe média européia?

    Na meritocracia não há realmente espaço para a subjetividade nem para a política – a meritocracia é anti-republicana, é a antítese do ‘de cada qual segundo suas capacidades; a cada qual segundo suas necessidades’. Abraço!

  116. Me parece que qualquer

    Me parece que qualquer ideologia ou sistema social levado ao extremo tem mais efeitos danosos do que benéficos, Uma sociedade baseada em um  sistema extritamente meritocrático deve ser um horror. Mas cá entre nós, nossa sociedade, aqui do Brasil (não sei se falamos do mesmo país), é tudo, menos meritocrática.

  117. No fundo todos são Reacionários

    Outro dia estava num encontro social e numa conversa informal uma professora comenta que achava a competição entre alunos como algo ruim para o conjunto da turma porque isso prejudicaria um ideal de equipe e esforço conjunto. Uma visão aparentemente razoável.

    Ouvi com atenção, e apesar de não ter posição anterior a questão, contei que quando entrei no ginásio havia essa coisa de premiar com uma medalha o melhor aluno. Coisa que fiquei sabendo ao receber a tal medalha. Bem, e qual foi minha atitude nos anos seguintes… Não me esforçar muito! Talvez fosse o instinto de não ser um alvo visível ou fosse preguiça mesmo.

    Disso, me dei conta e retruquei a ela que o aluno de elite paga um preço mais alto do que a média dos alunos. E se não fosse ele, forçando o nível de comparação, a tendência seria a turma ficar ainda mais medíocre. Assim, pensando bem, devemos dar honra aos CDF da vida porque eles se matam estudando/trabalhando e ajudam a manter o nível. Em troca muitas vezes não ganham nada com isso a ainda são hostilizados numa sociedade de raízes cartorialistas como a nossa onde a mediocridade é uma lógica muito conveniente.

     

    Então me aparece esse texto, que ao ler os primeiros parágrafos me deu a impressão do autor querer defender as atitudes mesquinhas da classe média. Isto porque é fácil pensar… Ah, as pessoas não são egoístas e gananciosas por natureza, é o sistema que as faz assim. E como um grande gênio (de araque) diz… Eureka, é a meritocracia esse sistema.

     

    E claro, pra aqueles que se acham injustiçados pelo sistema meritocrático, porque todo mundo se acha mais esperto e inteligente do que o próximo, atacar a meritocracia é perfeito e palmas pro rapaz.

    O texto é ruim, prolixo e cheio de “Se é alho, ENTÃO/PORTANTO, é bugalho. LOGO está provado que bugalho é alho”.

    E ao ver esse debate, fico perplexo e preocupado porque colocar a meritocracia na berlinda é uma idéia perniciosa e não pode prevalecer. Porque são idéias nessa linha que leva a aberrações como o sistema de aprovações automáticas e sabemos muito bem o que essas idéias “geniais” produzem.

     

    O ridículo é que a motivação para a atitude reacionária não precisa ser desvendado por nenhuma nova análise… A motivação é o próprio sinônimo do termo que o autor parece ter abstraído do discurso. Ser reacionário e querer a preservação da posse de privilégios. PONTO.

     

    E outra piada aqui é que o reacionarismo, ou preservação de privilégios, é justamente a antítese dos ideais da meritocracia. Isto é, meritocracia é sinônimo de mobilidade social, e mobilidade social é a possibilidade do indivíduo poder ganhar privilégios por si mesmo. Ou seja, na meritocracia o direito a posse de privilégios não é rígida e nem garantida por herança uma vez que famílias ricas com o passar de gerações podem acabar na pobreza e vice-versa. Assim, vá a luta e consiga aquilo que puder.

    Claro, isso não deixa de ser deprimente a princípios católicos na raiz da nossa alma portuguesa onde a competição por riqueza através do trabalho trazido pela filosofia protestante é vista com olhos tortos. Daí alguns talvez se perguntem… Não haveria uma sociedade melhor onde a meritocracia fosse dispensável?

    Acontece que o que seja melhor é bastante subjetivo. Mas podemos voltar ao exemplo dos alunos CDF e pensar no caso…

     

    Sem competição, a tendência é a mediocridade. A mediocridade leva a decadência até atingir um estado de equilíbrio e estagnação. E talvez até sejamos mais felizes assim. Afinal ser um índio numa aldeia (uma sociedade em equilíbrio, mas estagnada por excelência) pode ser mais feliz do que ser um “pequeno burguês” preocupado com a conta do cartão de crédito todo final de mês.

    Mas se for pensar assim, pra quê desenvolver ciência, criar tecnologia, se aventurar pelo universo e descobrir coisas novas quando podemos ir por mato e viver feliz pra sempre?

    Bem, eu não quero ir pro mato. Mas quem quiser, esteja à vontade.

     

    Outro aspecto importante é que a meritocracia não é necessariamente uma obstrução para políticas de distribuição de riqueza por critério igualitário. Muito pelo contrário, a idéia de direitos universais, de saúde e educação pra todos, particularmente para crianças e famílias, é obviamente indispensável para uma verdadeira sociedade meritocrática.

     

    O que talvez cause confusão seja o uso retórico de princípios meritocráticos pra tentar se opor a qualquer política social de distribuição de riqueza. Mas uma coisa é a conversa enganosa da defesa da liberdade e individualismo que serve pra defender privilégios e mais opressão, outra é o verdadeiro sentido da idéia da meritocracia.

    Da mesma forma, a negação da meritocracia pode ser apenas defesa da própria mediocridade visando igualmente salvaguardar privilégios nem sempre obtidos por mérito.

    E é bom comentar que o fato da pessoa se considerar de esquerda não faz dela um ser humano menos egoísta do que outra que se considera de direita… Como ouvi certa vez, não lembro de quem, que “da boca pra fora muita gente se considera um intelectual de esquerda, mas na hora de respeitar os direitos trabalhistas de suas empregadas a conversa fica entre quatro paredes”. Assim, levar a conversa pra quem é reacionário é um auto-engano. Porque se alguém pede por alguma mudança para o “bem comum” é improvável que essa pessoa acredite que tal mudança lhe seja seriamente prejudicial. No fundo todos nós somos reacionários.

    Vamos criticar sim as mesquinharias de classe, mas daí querer jogar a culpa num ideal a princípio universal inclusive para sistemas ditos de esquerda é forçar muito a inteligência alheia.

    1. Uau!

      Uau!

      O título não me decepcionou: sabia que o autor não provaria sua bravata!

      “O texto é ruim, prolixo e cheio de ‘Se é alho, ENTÃO/PORTANTO, é bugalho. LOGO está provado que bugalho é alho’.” – contradictio ad alho e bugalho: hummm… Aristóteles na veia!

      “Assim, vá a luta e consiga aquilo que puder.” – A meritocracia é filistina e anti-republicana: lute e consiga o que puder – se não puder… como se sabe, manda quem pode, obedece quem tem juízo! 

      “E é bom comentar que o fato da pessoa se considerar de esquerda não faz dela um ser humano menos egoísta do que outra que se considera de direita… ” Comentar é bom; provar, excelente! Digo, provar o que talvez tenha querido dizer, porque o que está dito é óbvio: não basta se considerar Napoleão para ser o General… O que falata provar é: todos são egoístas sempre.

      “se alguém pede por alguma mudança para o “bem comum” é improvável que essa pessoa acredite que tal mudança lhe seja seriamente prejudicial. No fundo todos nós somos reacionários.” O “bem comum” soa como uma fantasia para o meritocrata brasileiro (anti-republicanismo). Buscar o que lhe é seriamente prejudicial – masoquismo? Ser reacionário não é o mesmo que ser egoísta, deus do céu!

      É cada uma!…

       

      1. O título não me decepcionou: sabia que o autor não provaria sua bravata!

        “O texto é ruim, prolixo e cheio de ‘Se é alho, ENTÃO/PORTANTO, é bugalho. LOGO está provado que bugalho é alho’.” – contradictio ad alho e bugalho: hummm… Aristóteles na veia!

        Antes de escrever isso, já tinha me dado o trabalho de apontar as falsidades do artigo num post anterior (post: “Análise falsa do começo ao fim”). Talvez fosse mais correto ter reescrito pelo menos um exemplo de falha para não ficar tão jogado essa afirmação. Corrijo o erro então repostando esse post anterior como resposta ao meu próprio post.

        “Assim, vá a luta e consiga aquilo que puder.” – A meritocracia é filistina e anti-republicana: lute e consiga o que puder – se não puder… como se sabe, manda quem pode, obedece quem tem juízo! 

        Acaba usando a mesma argumentação que critiquei acima, ou seja, é muito simples dizer que A é B e se bastar a isso (“meritocracia = anti-republicana”, e, “vá a luta e consiga o que puder” = “manda quem pode, obedece quem tem juizo”  ).

        “E é bom comentar que o fato da pessoa se considerar de esquerda não faz dela um ser humano menos egoísta do que outra que se considera de direita… ” Comentar é bom; provar, excelente! Digo, provar o que talvez tenha querido dizer, porque o que está dito é óbvio: não basta se considerar Napoleão para ser o General… O que falata provar é: todos são egoístas sempre.

        O que disse era pra estar claro e posso traduzir… O fato de se defender uma causa de esquerda não prova, primeiro, que essa causa seja boa, segundo, que você seja moralmente superior. Mas está certo em dizer que não posso afirmar que todo mundo é egoísta sempre, de fato kamikases existem e certamente esse é o indivíduo a quem podemos atribuir egoismo = zero. Por acaso você é um?

        “se alguém pede por alguma mudança para o “bem comum” é improvável que essa pessoa acredite que tal mudança lhe seja seriamente prejudicial. No fundo todos nós somos reacionários.” O “bem comum” soa como uma fantasia para o meritocrata brasileiro (anti-republicanismo). Buscar o que lhe é seriamente prejudicial – masoquismo? Ser reacionário não é o mesmo que ser egoísta, deus do céu!

        É cada uma!…

        Novamente é fácil dizer A= B (…O “bem comum” soa como uma fantasia para o meritocrata brasileiro (anti-republicanismo)…). Agora se essa generalização é fato é outro problema.

        Você falou em masoquismo, indicando que não vê sentido lógico em apoiar causas que vão lhe prejudicar individualmente mesmo que a razão diga que é para o bem comum. Ora, ao pensar assim não só concorda comigo como está sendo “a prova” da minha “bravata”, não?

         

        Mas numa coisa está certo, eu acredito que ser reacionário é em essência causado pelo egoísmo e ganância da natureza humana. Estou sendo simplório? Talvez para pessoas que preferem teorias complexas pra explicar coisas simples. Mas ser quer uma demonstração, eu a faço na forma da seguinte questão…

         

        Pegue toda a sociedade humana (cidades, fábricas, tudo) e a faça desaparecer da face da Terra deixando somente uma pequena população de crianças em tenra idade no meio da África que por hipótese seriam adotadas e protegidas por chimpanzés. Depois espere dois milhões de anos de evolução social para ver no que dá.

        Supondo que vai ver a mesma sociedade “injusta” que exista hoje, me explique qual “sistema” essencial construiu a tal estrutura social injusta, digo, no início só havia um monte de crianças que não sabiam nada de nada nem muito menos estavam inseridas num sistema social prévio (esquecendo a sociedade dos chimpanzés, claro!!)…

    2. Nota:

      A minha crítica:

      O texto é ruim, prolixo e cheio de “Se é alho, ENTÃO/PORTANTO, é bugalho. LOGO está provado que bugalho é alho.”

      tem por base análise anterior que fiz do artigo e reescrevo a seguir.

      ………………………..

      Análise falsa do começo ao fim

      A análise começa partindo da observação de que a reação contra os médicos cubanos foi motivada pela defesa da meritocracia:

       

      “…o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil… Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia… Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito.”

       

      Só que os médicos cubanos não são uma minoria oprimida beneficiada por políticas de afirmação. Portanto a suposição de que os médicos esperneiam por verem isso como um atentado a meritocracia não é prova de que seja esse o caso. A razão objetiva é o que até as pedras sabem… Qualquer corporação monopolista quando vê seu mercado ameaçado por um novo competidor, esperneia.

       

      Mas uma vez afirmado que a meritocracia foi a raiz do episódio dos médicos, passou-se a construir uma argumentação para demonstrar a meritocracia como um mal. Só que a sustentação dessa argumentação se resumiu a descrever em itens as injustiças e perversões sociais colocando-as na conta da meritocracia sem a mínima preocupação de explicar o nexo causal. Vamos ao primeiro exemplo:

       

      “a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.”

       

      Eu pergunto, onde uma coisa obstrui a outra?

      Porque por minha vez posso observar que a meritocracia vincula-se a idéia da mobilidade social e que os valores universais se vinculam a harmonia social. E em seguida afirmar que a segunda é necessária para a primeira dando nexo causal de que para haver mobilidade social é preciso, antes do princípio da meritocracia, haver a idéia da igualdade a direitos universais. Isto é, numa sociedade escravocrata, escravos continuam escravos a despeito dos seus méritos “profissionais”.

       

      Mas para não perder tempo desmontando item por item, basta dizer que podemos trocar a palavra “meritocracia” que abre todos os itens a, b, c, d, e , f  por outra como “individualismo”, “corporativismo”,  “egoísmo”, “ganância”, “consumismo” ou qualquer outro vicio a gosto do freguês que o texto não mudará em sentido.

       

      Outra afirmação tirada da cartola foi afirmar que a elite não defende a meritocracia, algo discutível. Mas pior mesmo foi afirmar que os pobres também não defendem:

       

      “Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas.”

       

      O que quer dizer “limitado potencial individual”? Que os pobres se acham incapazes de prosperar pelo estudo e trabalho ou que os pobres são limitados individualmente?! Isso no mínimo cheira a uma visão fatalista pra não dizer algo pior.

       

      Resumindo a falsidade da idéia:

       

      Afirmação 1) meritocracia = injustiça social =  ser reacionário

      Afirmação 2) a classe média defende a meritocracia e a classe pobre e a classe rica não defendem.

      Conclusão: pessoas reacionárias = pessoas da classe média.

       

      Acontece que a meritocracia se contrapõe ao pior dos mundos que é a idéia de viver numa sociedade de castas onde privilégios e opressões são perpetuados de forma hereditária. Claro, a alternativa utópica seria uma sociedade onde as pessoas produziriam riquezas motivadas pelo bem comum e viveriam felizes para sempre compartilhando tudo com todos de forma igualitária. Uma realidade onde egoísmo e ganância não fariam parte da nossa natureza. Só que analisar dessa forma simplista não leva a lugar algum.

  118. Meritocracia

    Sou muito grata por este texto. Já conhecia essa opinião da Filósofa que muito admiro, Marilena Chauí. Porém, o texto me faz acordar para uma visão mais sistematizada da meritocracia. Tudo fica mais claro… as provas de mérito criadas pelo governo do PSDB para os professores e o nosso sindicato… tudo está mais claro agora!!! É fato! A meritocracia em detrimento do coletivo… Sou grata!

  119. Demais!!!

    Sempre digo que se fosse fazer uma tese em humanas, ela seria sobre a classe média, ou as classes médias. Diante do brilhantismo desse texto soa até pretensioso, mas juro que já tinha pensando nesse tema extamente sob essa ótica !!!!  Muito, muito bom esse texto. Sempre gostei da Marilena Chauí (como também adoro a virulência de Nietzsche), e uma questão retumba na minha cabeça há tempos : Como fazer uma anta, a classe média, entender um raciocínio tão requintado e elaborado? Vontade que dá de estudar isso,  só que pra mim já era rsrsrsrs estou em biológicas atolado até a cabeça e fazendo um pós-doc em biologia celular. Esse texto foi simplesmente um dos melhores textos sobre o tema que já li, se não for o melhor. Parabéns ao autor.

    1. DEMAIS

          Pois é Sr. Thiago de Castro Gomes, foi e será sempre assim, a sua ação é igual a todas as outras, passou de uma classe para outra:  intelectual, moral, funcional e qualquer outros “al”. E então ja era, mesma coisa que dizer, fodam-se, Se o Sr não é mais uma anta, sentido profisional, cultural, profissional… etc, porque se esconde então, mudou de classe?

       

       

    2. Entre mil comentários raivosos, alguem aqui entendeu o texto

       PELAS  REAÇÕES  VIRULENTAS  E   INCORFORMADAS  COM  ESTE  EXCELENTE  E  CONTUNDENTE  TEXTO,  CONFIRMAMOS  A  TESE  DE  QUE  A  CLASSE  MÉDIA   É  TUDO  ISSO  AÍ  ELENCADO  ACIMA, ALIADA  À  VIOLÊNCIA  DO DISCURSO,  QUANDO  CONTRARIADA….É  UMA  “CASTA”  INDIVIDUALISTA,  ARROGANTE, PEDANTE E  MERITOCRÁTICA…E   O  INDIVIDUALISMO  É  A  MARCA  REGISTRADA DA  CLASSE  MÉDIA,  QUE  DÁ  ASSIM  A  “CARA”  E  O  “NOME”  PARA  O  REGIME  DE  EXCLUSÃO  QUE  A  SUSTENTA  E  QUE  SE  CHAMA  CAPITALISMO…..

      1. Marcia Tigani

        Concordo com você, Marcia Tigani.

        Você falou exatamente de você, meritocrata da classe média – ou será que se fosse diferente estaria escrevendo bem, em bom português, conectada na internet num bom computador ou ipad (ou iphone), após ter frequentado uma boa universidade federal, área de humanas e depois “cuspir no prato que comeu”, hehehehehe.

        Concordo com você, menina Márcia Tigani.

        Um abraço,

        Angelo Matos

    3. Thiago de Castro

      É Dr. Thiago de Castro,

      Pelo que escreveu dá para perceber q ue o melhor que tem a fazer é continuar seus estudos em biologia celular, pois sobre o “tecido social”, composto pelas células médias você está como a presidANTA: uma ANTA.

      Se você faz pós doutorado é porque alguém te apadrinhou para chegar até aí? (Não sei, talvez tenha sido), mas prefiro acreditor que seja pela MERITOCRACIA, e não pela porta dos fundos, talvez apadrinhado pela ANTA presidANTA ou o grupo de asseclas que a acompanha, que está quebrando o nosso país.

      Que seja pelos méritos. Não me decepcione.

      Angelo Matos

  120. A “meritocracia”, na verdade

    A “meritocracia”, na verdade oculta, com as diferenças de oportunidades e injustiças, as mazelas do seu próprio conceito de “meritocracia”.

    Um grande exemplo deste fenômeno, é o que vem acontecendo nas grandes empresas multinacionais hoje em dia. Funcionários que realmente fazem a diferença, que trabalham duro, carregam o piano e que não tem tanta “simpatia” da direção, acabam deixando a empresa, e ficando as mesmas nas mãos das “panelinhas” (ratocorps) que tem transito livre e a “amizade” dos diretores, apesar de não serem nítidamente grandes profissionais.

    Estes empregados que deixam as empresas, na sua grande maioria, iniciam seu próprio negócio e acabam pulando de classe social, ou seja, da classe média para a classe rica.

    Portanto, o que acontece nestas grandes corporações, é um retrato do que acontece na sociedade brasileira como um todo. A meritocracia teria sim um papel importante se se livrasse desta mácula do individualismo exacerbado, com viés reacionário, para um pensamento mais forte no coletivo e social.

    Parabéns pela matéria, que me deu uma grande luz para começar a compreender esta classe média reacionária.

     

  121. meritocracia dos advogados = a grande tungada

    No comentário da espuma, da meritocracia, da Chauí, a defesa dos médicos à sua classe, ante o programa novos médicos, está evidente a diferença entre as classes, no tocante à defesa de seus interesses: enquanto médicos se protegem, em todos os sentidos, inclusive com cooperativas e cobertura aos erros impunes, a advocacia tem 4 milhões de bacharéis formados, sem oab, enquanto míseros 700 mil advogam, com oab, antes e após a aprovação no exame da ordem. Venderam, via MEC, o diploma, para um esforço inútil. Agora protegido até pela Câmara, que não derrubou o tal Exame. Eu, particularmente, não tive problemas, passei no primeiro que fiz, mas achei aquela cobrança tão inútil, ante a vida jurídica adiante vista. Para cada advogado, existe número muito maior de funcionários públicos, encastelados em justiça, inss, receita, ministério, todos ávidos para criminalizar, retirar e diminuir direitos sociais, é claro, para garantir o bolo de seus proventos descomunalmente recebidos, e sem meritocracia…Vem ai uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA) de tunga de 70 mil aposentadorias, principalmente de pedevistas do Banco do Brasil; Aceita a admissibilidade, vai à Corte (CIDH), a mesma que condenou o Brasil a abrir os arquivos do Araguaia a algumas famílias e que o Jobim e o Lula, à boca pequena, mostraram, aceitando o pedido de demissão de três Ministros Militares; As consequências? A suspensão do país ao mundo financeiro, pela recomendação da Corte Interamericana e algum FATO RELEVANTE sobre Banco do Brasil e Previ, sobre suas ações no mercado; CONCLUSÃO: algo parecido com as ações da OLX, hoje a menos de R$ 0,13.

  122. Enchendo Linguiça

    Verborragia desmedida para falar sobre o nada. O blogueiro não possui razoável fama por ser escritor medíocre. Lula não se tornou Presidente por ser líder medíocre. Thomas Edson tinha problemas de audição e era muito pobre, tendo se esforçado para estudar. Beethoven era surdo. 

    O que as pessoas ganham com a mediocridade? Se esforçar para ser o melhor é o cerne dos grandes feitos e grandes conquistas. Um país de gente medíocre não possui nada.

    Não se esforçar, não sonhar alto, não ir atrás, mas ficar na mediocridade, esperando que o governo “cuide” dele, é a chave da desgraça.

    Meritocracia é mais do que se esforçar para ganhar mais, mas se esforçar para superar a si mesmo. É o que os atletas olímpicos fazem. Mas como os medíocres vão entender isso?

    1. Meritocracia é mais do que se esforçar para ganhar mais, mas se esforçar para superar a si mesmo. É o que os atletas olímpicos fazem. Mas como os medíocres vão entender isso?

      Se a tendência natural é todo ser humano se achar melhor que o próximo, vão entender que a meritocracia é um sistema (na verdade é um princípio como vc bem coloca) injusto.

  123. A falácia da classe média

    “Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela)” – Professor da Federal do RS não é classe média (caso do autor). Médico no Brasil lá é classe média??? Caramba, os médicos tão recusando salário de 10.000 mensais?!?

    A boa e velha mediana coloca 50% dos brasileiros vivendo com menos de 700 reais mensais (IBGE)… essa é a média (uma família de 4 pessoas que vive com 2500 reais).

    De modo geral, a crítica da Chauí não é a classe média, é a elite DA QUAL ELA faz parte (veja o vídeo, ela critica uma patricinha no transito)… o problema é o de sempre, os intelectuais da elite não querem assumir que são elite (assim como o autor do texto), mas fazem questão de criticar os pares, então criticam a “classe média alta”, uma ficção que os agrada. 

    Mas termino dizendo apenas o seguinte… um cara que acha que a protestante classe média americana não é meritocrática, precisa estudar mais um pouco antes de querer ensinar. Caramba quem elege os republicanos?

    Faço ainda uma observação: Mesmo a classe média real (aquela composta pelo taxista, pelo jornaleiro, pelo técnico em enfermagem, pelo pequeno produtor rural, pelo cara que não tem ensino superior(restrito a 7% da população)), tem posturas das mais reacionárias, é muitas vezes evangélica, homofóbica, clama pela pena de morte, etc… e tal…. e o é por duas razões, a primeira é porque eles ralam e muito para ter o pouco que tem, e temem perdê-lo. A segunda razão é que há uma clareza no mérito que não deve ser desprezado… o mérito (mesmo que parta da premissa falsa de que todos tem chances iguais), associa-se ao esforço… e é o esforço que produz e que leva um pais do patamar D para o patamar A. É o mérito que faz falta ao processo educacional brasileiro e é o mérito que os sindicatos dos professores querem afastar do processo de remuneração. Que ganho há nisso? 

     

  124. A afirmação da diferença

    Vemos no post uma série de análises, bem construídas e justificadas, porém na integra não houve como escapar da ordenação, da escala de valores, da atribuição de características desejáveis a alguns temas eleitos como universais, de um discurso que desqualifica uma determinada forma de configurar um campo, denominado como meritocrático para, acredito eu, substituí-lo por outro.

    Que nome daríamos a este novo campo privilegiado? Vamos recordar a oposição que o autor fez entre o campo meritocrático e o campo dos “valores sociais universais”:

    A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.

    O nosso novo campo seria delineado pelo “direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade”. Quase a repetição do conhecido lema da Revolução Francesa: Liberté, Égalité, Fraternité. Digo quase pois, sintomaticamente, foi esquecida a igualdade. Talvez, como compensação inconsciente do autor a isto, tenha surgido a solidariedade no lugar da fraternidade. Solidariedade que justifica, creio eu, a permanência da desigualdade.

    Ora, a única forma possível de acabar com o mérito, é lutando por uma sociedade igualitária. Não há outro meio para “explicar e justificar” a diferença senão pelo caminho do mérito. O resto, a concessão, cota, solidariedade, caridade, ou qualquer outra medida que usemos serve apenas para mitigar a diferença, não para elimina-la. Não é igualdade e continuará a atribuir mérito às diferenças que não tem como explicar. 

    Eu diria então que a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade é esta: Encontrar novas formulas para justificar e manter a desigualdade, desqualificando  e esquecendo de vez o discurso pela igualdade. Continuamos a nos afirmar pela diferença. Seria bom retomar a crítica de Flávio Pierucci, iniciada nos anos 80 e assustadoramente atual. Um resumo de suas idéias pode ser lido aqui em Ciladas da Diferença.

  125. Mérito x desempenho

    O mérito é algo subjetivo, porém é estimado pelo desempenho que é objetivo porem produz algumas distorções conforme apontados no texto … Mas o problema está no sistema meritocrático ou na falta de igualdade de oportunidades ? se extinguirmos a meritocracia e comessássemos a premiar os piores desempenhos, isso produziria melhores resultados ? Tenho lá minhas dúvidas ….

     

    Mas pensando no embate mérito x desempenho fico pensando nos nossos políticos. Se foram eleitos é porque tiveram melhor desempenho mas seriam estes os de maior mérito político?

    o problema creio eu está na dosimetria e na falta de igualdade de oportunidades e não na meritocracia em si, pois se vamos condená-la teríamos de propor um sistema alternativo melhor e me pergunto: qual seria ?

     

     

  126. Meritocracia

    O problema do Brasil  é a falta de meritocracia e falta de oportunidades. Temos ASPONES no governo, temos boquinhas nas empresas públicas, temos ignorancia na forma de livros e cultura pois o povo não vai idolatrar sabedoria sem ter conhecimento, mais vai idolatrar politicas públicas populistas que mantem o atraso, que não desenvolvem a sociedade mas que mantém ela dominada pela classe política da esquerda caviar.

  127. Meritocracia.

    Vamos fazer um texto, criar uma palavra: Meritocracia. Repeti-la diversas até que o leitor subliminarmente assimile-a. Agora vamos achar um culpado! Vamos ver… Políticos! Não! Obvio demais. Pobres! Não! Tadinhos, pois são uns ignorantes sem educação e não têm culpa de nada. Os ricos! Não! São uma classe pequena e não dá para confirmar o argumento. A Classe Média! A solução! Achamos os culpados das mazelas do país! Fala sério! Nem todo argumento que parece lógico deve ser aceito. Temos mais de duzentos países no mundo. Todos com sua classe média e porque apenas a nossa é diferente? É só pensar um pouco para quebrar esse argumento, no mínimo infeliz. O grande problema do país é histórico!!!!!!!!!!!!!!!! Vem desde nossa colonização. É uma cultura enraizada há tempos. Vamos investir pesadamente em educação que resolveremos nossos problemas a longo prazo.

  128. a confusão mental da classe média bem intencionada

    A classe média brasileira perdeu definitivamente o caminho de casa. Prova é essa bobagem.. Para início de conserva, o Brasil NÃO se rege pela meritocracia, é ainda o País dos apadrinhamentos, das indicações políticas, do jeitinho. O mérito aparece no horizonte de (setores) da classe média como um ideal contra o patrimonialismo, o coronelismo da elite (a pseudo nova esquerda prefere masoquista se odiar, ao invés de encher o saco dos poderosos de sempre). Dizer que os EUA relativizam o mérito é ridículo. Basta dizer que a velha esquerda, aquela que não pensava em politicas compensatórias porque sonhava com reformas mais profundas, acreditava acima de tudo na educação de qualidade, substantiva, na ciência como indutora de  progresso. .O Brasil, China e India registravam o mesmo número de patentes há 20 anos, hoje a India registra 10 x mais e a China, mais de 20 x mais. Não é mérito, não é competência? Em síntese, a classe média se odeia, o autor e a Marilena Chauí se odeiam e a melhor coisa do mundo é o que? aprovação automática nas escolas??? PS. Enquanto isso, a nova esquerda (?) trabalha por uma frente ampla para eleger esse sinônimo da modernidade brasileira: Sarney

  129. Quanta verborragia

    Articulistas decadentes tem mesmo que combater a meritocracia, até para justificar o ganha pão, sugando nosso dinheiro através de empresas estatais para babar ovo.

  130. Incrível o seu esforço para

    Incrível o seu esforço para justificar as bobagens que a Marilena Chauí diz. Isso é que é vontade de concordar com alguém! Mas não me convenceu, não. Em primeiro lugar porque em muitos aspectos as classes mais baixas são mais conservadoras ou reacionárias. Elas tendem a ser contra o aborto, o casmento gay e a favor da pena de morte. Vc. acha, por exemplo, que a cura gay é uma bandeira da classe média paulistana? Depois, é natural que a classe média defenda seus interesses — é natural que qualquer classe defenda seus interesses, e as preocupações da classes média são preocupações mais burguesas mesmo, é claro: impostos, serviços públicos, etc. São os mais pobres que só pensam em emprego e inflação. Se um dia a pobreza acabar no Brasil, o PT vai continuar chamando essas exigência de reacionárias porque o PT é viciado nessa ideologia anti-burguesa (i.e., anti-classe-média). Ele não entende que o enriquecimento do país causa uma mudança de foco nas preocupações que é natural e bem-vinda. O PT parece que quer as pessoas eternamente preocupadas exclusivamente com emprego e com o preço do feijão. Mas isso é o mesmo que quere que o Brasil continue sendo um país pobre! Por fim, vc. transformou o princípio meritocrático num verdadeiro sistema fascista de governo, o que é um absurdo completo. Eu não sou contra cotas, em princípio, mas se isso transforma a universidade numa instituição púlbica de apoio aos pobres eu sou contra. Porque afinal a unversidade existe para criar ciência — ou ao menos esse é um objetivo central que ela não pode pôr em segundo plano. A avaliação do mérito e do desempenho pode ser dura e cruel, mas não existe nenhum outro caminha para uma sociedade democrática sobrevier. O talento e o esforço têm que falar mais alto sempre, seja onde ele estiver. Para você, para a Marilena e para todos os “progressistas” do PT minha recomendação é a mesma: um estágio de um ano em Cuba ou na Coréia do Norte.

    1. PASSEI UM TEMPO EM

      PASSEI UM TEMPO EM CUBA…PELO SEU DISCURSO QUE TEM QUE PASSAR UM TEMPO LÁ É VOCÊ…NÃO ENTENDEU MUITA COISA ALEM DO QUE É REPETIDO PELO SISTEMA BURGUÊS. OUTRA COISA UNIVERSIDADES SERVAM PARA ATENDER AO SER HUMANO …AO COLETIVO …DEVERIAM SERVIR …E NÃO PARA ATENDER A QUALQUER COISA OUTRA!!! BOA SORTE EM SUA JORNADA!!!

    2. Ler e escrever.

      Ler e escrever deveria ser o pré-requisito para os meritosos terem o prazer de ler e entender um texto.

      Leitura e interpretação de texto é difícil … ainda bem que não sou “meritoso”!

  131. Quanto trololó

    O autor poderia ter dito o mesmo com um texto bem menor. Mas como objetividade é coisa de meritocratas, ele achou melhor dar uma enfeitada no pavão, encher uma linguiça… É a típica “subjetividade e complexidade” do ser humano se manifestando em um texto que critica a meritocracia sem propor uma solução melhor. Misturando alhos com bugalhos (mérito e poesia… Mário Quintana e Paulo Coelho!!), o autor associa a cultura do mérito à classe média brasileira. Ricos e pobres não ligam pro mérito, eles não precisam dele, ou não conseguem atingi-lo… Mas que sandice! Nasci em família pobre, trabalho desde muito cedo. Mas nunca, nunca mesmo, pensei que conquistar qualquer coisa pelo desempenho e pelo mérito fosse algo ruim, negativo. Como? Então é melhor analisar “o lado humano, todo o universo que há em nós” e moldar a sociedade com base nisso do que lutar e se esforçar para conquistar seus objetivos? Isso representa um fator de exclusão na sociedade? Mas como?

  132. INVEJOSO !

    MERITOCRACIA é quando vc pari 2 filhos em maternidade PÚBLICA e sem dinheiro sequer pra compra fraldas e sem ajuda e nem COTAS de ninguém consegue formar esses 2 filhos em MEDICINA … mas isto é para poucos ! Isso é pra pessoas como eu que trabalham duro sem INVEJAR e nem se VITIMIZAR; MERITOCRACIA é virtude de VALENTES e não de PEDINTES ! “EU”

     

    1. Ler e escrever.

      Amiga …

      O “pari”  que a senhora quis dizer é “pare” ?

      Freud provavelmente explicaria a necessidade do “eu” se destacar … uns se destacam sem pedir … outros sem expressão gostam de usar o “eu” …

      Abraços

      1. Amigo,
        Você se acha melhor

        Amigo,

        Você se acha melhor que ela porque sabe português? Leu alguma coisa sobre Freud e quer posar de bacana aqui no site? Não sobreponha a sua “valência individual” (ou sua percepção inflada da mesma) aos outros. 

        Abraço apertado.

    2. A exceção confirma a regra

      Prezada, parabéns por ter “vencido” na vida (para quem acredita que existe ‘vitória’ e ‘derrota’ na vida). No entanto, o fato de 1% dos pobres “vencerem” na vida e conseguirem moblidade social (ascensão socioeconômica) apenas confirma que a REGRA para os pobres (os outros 99%) é ficar na pobreza mesmo se deixarmos tudo como está. E é óbvio que não é verdade que 99% dos pobres o são por que são “burros”, “incapazes” ou o que o valha. Então aí dá para ver que tem algo errado aí nesse raciocínio. Porque mesmo que 80% dos pobres “batalhem” na vida igualmente ou mais que você , “vencedora”, eles NÃO vão vencer, eles vão perecer pelo caminho mesmo. E não é por falta de capacidade pessoal, intelectual ou de trabalho. Agora, qual é a solução para o problema? Concordo que ela é complexa e demanda muito debate, mas uma coisa é não saber identificar as causas dos problemas, outra é ter sucesso parcial ou não ter sucesso em oferecer soluções viáveis e efetivas.

  133. Brilhante análise!

    Parabéns pelo texto Renato Souza.

    Creio que foi uma análise brilhante. Há tempos, eu, que sou da academia e me considero emergente à classe média, já havia notado como que a necessidade de alimentar o Lattes torna o produto final algo muito aquém do potencial dos pesquisadores, professores, etc… Aliás, na academia é algo que todos sabem e muitos falam disso abertamente. Mas poucos vão abrir mão do mérito, rendimento e reconhecimento do desempenho para fazer algo de impacto real.

    Vejo que você está sendo muito atacado. A forma como um texto que, ao meu ver, retira da classe média um rótulo antipático e o coloca em um atributo, suscita tanta “reação” violenta é a prova de como você foi feliz em suas análises. Mesmo porque o texto não é um ataque… mas de alguma forma as pessoas se sentem atacadas. É algo para se pensar.

    Percebo também que muitos ataques atribui ao texto coisas que você não disse, ou melhor, que disse justamente o contrario. É um fenômeno interessante.

    Bom. Obrigado pela coragem. Esse texto fará parte de minhas reflexões de hoje em diante.

  134. Apesar de tantos

    Apesar de tantos “reacionários da classe média” exprimirem seus pensamentos contra o texto brilhante do autor, difícil eles encontrarem argumentos igualmente brilhantes para rebater a idéia deste artigo!

    Parabéns mais uma vez Renato!

    1. Concordo com ambos.

      Se o autor não se importar tomo estas palavras (sucintas) como minhas. A observação dos comentários remete-nos à ira da classe média chilena bradando contra Allende; a menção à Katyn, ao revisionismo… um artigo brilhante cuja argumentação confirma-se pela reação que suscita. Além disso, não é uma crítica à meritocracia (que cumpriu um papel histórico…), mas à lógica conjuntural que a sustenta.

  135. Seu texto forneceu uma ideia

    Seu texto forneceu uma ideia que responde de modo completamente razoável ao comportamento da sociedade brasileira ao meu ver.

    Em relação ao pessoal dos comentários eu posso ser mais nova, mas entendi seus pontos ao descrever a classe média brasileira como meritocrática. Meus pais trabalham para me fornecer um ensino melhor, na escola estudava pra ter um boletim bom(o que nunca me estimulou a realmente aprender), o vestibular foi baseado em decoreba, escolhi a faculdade pelo índice de aprovações na OAB, tenho amigos que tentam passar para o vestibular de medicina e todos eles ficaram indignados com o programa Mais Médicos, pelos motivos ditos no texto… Enfim, a maioria dos exemplo que você citou no texto são muito reais e palpáveis pra mim.

    Quanto ao dito sobre a classe pobre, alguns nos comentários disseram que são pobres e que nem por isso se desestimularam a mudar de vida. Acho que hoje o conceito de pobre mudou bastante, hoje “pobre” tem geladeira, carro, moto, fogão, uma tv ou mais, dvd, acesso a internet e com certeza tem celular, pra mim isso já não pode mais ser considerado “pobre”.

    Pobre é aquele que vive em estado miserável, tem poucos bens (ou nenhum), ganha pouquíssimo por mês, mal podendo sustentar a família. É aquele que não consegue nem parcelar em 1000 vezes algo por simplesmente não ter o dinheiro pra pagar.

    Enfim, gostei muito da sua análise, não achei suas comparações descabidas e concordo com sua tese. Só espero que algum dia haja alguma solução, pois acho que essa meritocracia veio da imigração para o Brasil,(junto com outros fatores históricos), que vieram para cá com condições de vida muito baixas e tiveram que ralar muito pra conquistar qualquer tipo de privilégio…

  136. Muito boa analise. 
     
    O

    Muito boa analise. 

     

    O pessoal confunde o exercicio de privilegios, sejam cognitivos, sociais ou economicos, com o merito de bom desempenho advindo dos privilegios. 

    Nao ha merito algum em ser preparado a vida toda para aprovaçao em vestibulares e concursos publicos: trata-se da consequencia obvia do exercicio de privilegios. 

    A Marilena Chaui foi muito clara nisso: a classe media, em troca do diploma, ofereceu a ditadura militar o apoio ideologico. Nao ha mais ditadura, e o vies fascista da classe media continua forte. 

    As afirmaçoes da Marilena Chaui nao servem para todos os individuos da classe media. Ha medio-classistas socialistas, comunas e hippies, mas a classe, como grupo, se comporta da forma que ela descreveu. A parte mais triste onde ela tinha razao eh que nao importa o verdadeiro conhecimento, mas sim o diploma, o titulo e a segurança do status social que isso traz. 

    Julgando pelas reaçoes nos comentarios, o texto foi perfeito. 

  137. Felicidades filosóficas !

    Renato e Nassif,

    Que felicidade ver neste espaço tão rica proposta de reflexão !!!

    Pensei quase um tratado inteiro para expressar minha concordância e minhas discordâncias de alguns pontos do texto, apenas pelo exercício rico que este artigo traz a tona.

    Resumindo meus pensamento: concordo em grande parte com o raciocínio exposto. E a pimenta que brilha vermelha em frente aos meus olhos vislumbra todo o impacto “psicológico” que esta vertente fascista meritocrática impõe até mesmo sobre os movimentos sociais, sobre a infância , etc….

    Já vi, em churrasco de domingo, alguns paulistanos, gabaritados, diplomados, sem nenhum pudor, defenderem morte aos índios… Fiquei tão triste em ouvir isto que saí do churrasco para não mais voltar.

    Nas questões de gênero também se aplica este conceito. “Sejam as mulheres capazes e merecedoras do respeito igualitário”…

    Talvez seja produtivo expor a meritocracia como tema maior, com subdivisões ou influências, elencando alguns tipos destacadamente inquestionáveis. Uma tese, um livro, um curso…

    E sem vergonha de ser feliz e criativa, é que estimo, sinceramente, Felicidades Filosóficas para vocês !!

    Abraços !

     

  138. Injustificável

    A verborragia e o esforço hercúleo para justificar o injustificável; o autor apela para as velhas táticas dos “filósofos” do comunismo para difundir suas ideias, isto é, usa da subjetividade e complexidade, tudo de forma prolixa, para dizer o seguinte:
    1) um dos principais fundamentos da classe média reacionária e conservadora é a MERITOCRACIA;
    2) a meritocracia é (depois de um blá-blá-blá falacioso***) diabólica pois se sobrepõe aos direitos humanos universais.

    *** o blá-blá-blá falacioso usa das velhas táticas de VITIMISMO e COITADISMO para persuadir os indecisos e dissuadir os incautos.

    Esse discurso de tentar invalidar a meritocracia, por meio do vitimismo, é o que promove os “direitos dos manos” ao tratar bandidos e criminosos como vítimas da sociedade.

    Então, se um vagabundo ou bandido (estuprador, assaltante, assassino) não tem o mérito de cumprir as leis e trabalhar conforme elas, ele é uma VÍTIMA da sociedade burguesa e elitista (essa mesma que vive dos méritos de trabalhar e cumprir as leis), portanto deve ser sempre amparado ao nível dos outros (não deve sofrer punições duras, nem severas, nem humilhantes), para que (por milagre do divino acaso) ele possa algum dia ter algum mérito (que nunca será valorizado como mérito) de trabalhar para seu sustento sem cometer crimes.

    1. Falácias

      Tiago, você que citou o “blá-blá-blá falacioso”, deve conhecer a falácia da bola de neve. Este é um exemplo típico: “se a meritocracia é um critério inválido, então um bandido não pode ser punido. Mas como um bandido deve ser punido, então a meritocracia é critério válido”.

    1. Excelente texto !!! Acho

      Excelente texto !!! Acho ainda que a meritocracia é imbuída de valores aparentes, do faz de conta, do vazio e imperceptível.. O conteúdo é sublimilarmente visto como resultado..E  é por isso mesmo difícil de detectar e combater…

  139. Sobreviver na miséria só com a ajuda de DEUS! Ou não?

    Fé que  não cega!

    Se a Elite  não quer acabar com privilégios e/ou não pode, nada mais justo que para favorecer a JUSTA IGUALDADE SOCIAL  – QUE CRIEMOS “PRIVILÉGIOS” para aqueles que “NATURALMENTE” são pobres sobreviventes. da desigualdade histórica.(contradição da autora) só minha?  rsrs Politicamente falando, estamos acordando sim, mas com um longo despertar , principalmente dessa ideia de sanear uma sociedade pela superioridade de uns sobre os outros. O mérito está sim em  sobreviver no limite da miséria e da esperança; entre a doença racionalizada do TER e  poder ser “agraciado” com mais ou SER e ter que engolir todo dia MENOS e achar que isso é merecimento e não lutar. Credo, que coisa pra enlouquecer qualquer cristão. Ah! ia esquecendo Parabéns pelo texto e pelas educadas palavras , dignas de um privilegiado estudante/ professor/ argumentador –  leitor e escritor – não violento – que ao invés de querer acabar com os pobres se preocupa em acabar com a pobreza! Coisa que mais gente devia fazer, inclusive os médicos que ERRARAM DE  PROFISSÃO e não querem mudar porque…. outra TRABALHO corre o risco de não ser tão rentável ou será que me enganei?  no Brasil o salário de professor é muito baixo, e eles estudaram em escolas privadas, não em públicas. Sólo lamento que estos – brasileños tecnomédicos – son tan mal! suerte a otros médicos que saben aprendices y aman lo que hacen.

  140. Mérito é uma palavra.Discordo

    Mérito é uma palavra.

    Discordo da construção argumentativa feita de que a classe média brasileira possa ser classificada como reacionária, ignorante e perversa por idolatrar o mérito.

    Eles desconhecem o significado do que possa ser mérito, bem como desconhecem o significado de outras palavras, como liberdade.

    Mas têm essas palavras em auto estima: mérito e liberdade.

    Na verdade são apenas pessoas escravas, pérfidas e covardes, que programam a vida delas para servir aos seus senhores capitalistas. Pessoas que se prostituiram moralmente e venderam sua liberdade para viver com algumas bugigangas do mercado.

    Continue procurando os motivos, Luis Nassif, pois você ainda não os encontrou.

    Mas vou dar umas dicas: você verá a classe média brasileira subsumida na obra de Etienne de la Boétie (Discurso Sobre a Servidão Voluntária), assim que surge um tirano, logo se juntam a ele grupos para legitimar o seu poder, pretendendo ser tiraninhos com relação às camadas de baixo, e assim vão se agrupando piramidalmente.

    Então o que é a classe média? Um grupo de explorados, escravos, que jamais sentiram o gostinho da liberdade, vivem vidas ignóbeis e ridículas, mas satisfazem-se de ter algumas posses materiais, e refestelam-se vendo a miséria de algumas camadas mais exploradas.

    Não adianta pretender modificar o sentido das palavras para combater sua deturpação (sob pena de perder o real sentido de uma palavra de significado muito importante, para sempre). Eles possuem um conotação imbecilizada do que seja mérito, mas não penso interessante querer combater essa visão equivocada pretendendo colocar o mérito como algo ruim (não é o mérito o problema, mas sim a total incapacidade dessa classe mongolóide de compreender o que seja mérito).

    O mesmo com a palavra liberdade, o melhor é combater a visão equivocada e construída de forma falsa para tornar a liberdade em algo antagônico, oposto à igualdade e a outros valores cívicos, ao invés de assumir a liberdade como empregada no sentido “novo” neoliberal, uma liberdade negativa de mercado que se opõe à isonomia, e que não se opõe à dominação de qualquer tipo (as pessoas entendem que uma pessoa possa ser “livre para se vender” por exemplo).

    Da mesma forma uma marcha das “vadias”, não vou querer transformar a palavra vadia (slut) em algo que signifique mulher que exercita sua liberdade sexual, uma coisa nada tem a ver com a outra.

    A classe média representa a “aristocracia dos explorados”, ou seja, o menos ferrado, que como um cachorro defende seu dono, então, como ganha ossos e um pouco mais de ração, são vorazes contra os menos desfavorecidos.

     

     

     

  141. Mérito é uma palavra.Discordo

    Mérito é uma palavra.

    Discordo da construção argumentativa feita de que a classe média brasileira possa ser classificada como reacionária, ignorante e perversa por idolatrar o mérito.

    Eles desconhecem o significado do que possa ser mérito, bem como desconhecem o significado de outras palavras, como liberdade.

    Mas têm essas palavras em auto estima: mérito e liberdade.

    Na verdade são apenas pessoas escravas, pérfidas e covardes, que programam a vida delas para servir aos seus senhores capitalistas. Pessoas que se prostituiram moralmente e venderam sua liberdade para viver com algumas bugigangas do mercado.

    Melhor continuar procurando os motivos, pois ainda não foram encontrados por meio desta análise.

    Mas vou dar umas dicas: você verá a classe média brasileira subsumida na obra de Etienne de la Boétie (Discurso Sobre a Servidão Voluntária), assim que surge um tirano, logo se juntam a ele grupos para legitimar o seu poder, pretendendo ser tiraninhos com relação às camadas de baixo, e assim vão se agrupando piramidalmente.

    Então o que é a classe média? Um grupo de explorados, escravos, que jamais sentiram o gostinho da liberdade, vivem vidas ignóbeis e ridículas, mas satisfazem-se de ter algumas posses materiais, e refestelam-se no consumo e vendo a miséria de algumas camadas mais exploradas.

    Não adianta pretender modificar o sentido das palavras para combater sua deturpação (sob pena de perder o real sentido de uma palavra de significado muito importante, para sempre). Eles possuem um conotação imbecilizada do que seja mérito, mas não penso interessante querer combater essa visão equivocada pretendendo colocar o mérito como algo ruim (não é o mérito o problema, mas sim a total incapacidade dessa classe mongolóide de compreender o que seja mérito).

    O mesmo com a palavra liberdade, o melhor é combater a visão equivocada e construída de forma falsa para tornar a liberdade em algo antagônico, oposto à igualdade e a outros valores cívicos, ao invés de assumir a liberdade como empregada no sentido “novo” neoliberal, uma liberdade negativa de mercado que se opõe à isonomia, e que não se opõe à dominação de qualquer tipo (as pessoas entendem que uma pessoa possa ser “livre para se vender” por exemplo).

    Da mesma forma uma marcha das “vadias”, não vou querer transformar a palavra vadia (slut) em algo que signifique mulher que exercita sua liberdade sexual, uma coisa nada tem a ver com a outra.

    A classe média representa a “aristocracia dos explorados”, ou seja, o menos ferrado, que como um cachorro defende seu dono, então, como ganha ossos e um pouco mais de ração, são vorazes contra os menos desfavorecidos.

  142. Impressionante!!!!
    Impressionante o fechamento: “Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos”.  Como todo pensador das utopias de esquerda, o autor se esmera a cada dia nos sonhos totalitários onde as diferenças devem ser combatidas e niveladas pela média, de preferência por baixo. Afinal, no governo perfeito “todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros” (Orwell,1984). Nunca li um atentado tão assustador às liberdades individuais e democráticas, e não imagino o esforço despendido para não se destacar jamais e dedicar uma vida a não ter merito, pois isso a meritocracia configura “um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos” e não se entende sociedade sem reconhecer o individuo, apesar dos esforços em contrário, pois para muitos, o individuo livre e pensante é uma ameaça e deve ser calado. Partindo do principio de que o mérito individual e seu reconhecimento social é uma grave ameaça e tanto o individuo quanto a sociedade estão fadadas à injustiça e à consequente tragédia, como poderiamso controlar aqueles que por um arranjo genético ou condições socioambientais pudessem se destacar por em riusco a sociedade perfeita onde o mérito é condenável??? Creio que esta pobre alma é apenas mais uma vitima de seu mérito…Talvez devesse simplesmente se calar, pois o mal já esta bem representado nas ditaduras que insistem em não morrer, pois como todo reacionário de esquerda, é incapaz de se ver um revolucionário com olhos no futuro, onde a democracia nã é a igualdade a ferro e a fogo, mas as diferenças que se complementam e induzem ao progresso…

  143. Impressionante o
    Impressionante o fechamento: “Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos”.  Como todo pensador das utopias de esquerda, o autor se esmera a cada dia nos sonhos totalitários onde as diferenças devem ser combatidas e niveladas pela média, de preferência por baixo. Afinal, no governo perfeito “todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros” (Orwell,1984). Nunca li um atentado tão assustador às liberdades individuais e democráticas, e não imagino o esforço despendido para não se destacar jamais e dedicar uma vida a não ter merito, pois isso a meritocracia configura “um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos” e não se entende sociedade sem reconhecer o individuo, apesar dos esforços em contrário, pois para muitos, o individuo livre e pensante é uma ameaça e deve ser calado. Partindo do principio de que o mérito individual e seu reconhecimento social é uma grave ameaça e tanto o individuo quanto a sociedade estão fadadas à injustiça e à consequente tragédia, como poderiamso controlar aqueles que por um arranjo genético ou condições socioambientais pudessem se destacar por em riusco a sociedade perfeita onde o mérito é condenável??? Creio que esta pobre alma é apenas mais uma vitima de seu mérito…Talvez devesse simplesmente se calar, pois o mal já esta bem representado nas ditaduras que insistem em não morrer, pois como todo reacionário de esquerda, é incapaz de se ver um revolucionário com olhos no futuro, onde a democracia nã é a igualdade a ferro e a fogo, mas as diferenças que se complementam e induzem ao progresso…

    1. -Afinal, no governo perfeito

      -Afinal, no governo perfeito “todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros” (Orwell,1984).

      Não queria começar uma discussão na internet desmerecendo o outro, mas… afinal… estamos na internet, e, como diria a comunidade brasileira internauta da minha faixa etária, “a zueira não tem fim”. Então lá vai:
      Na verdade essa citação está errada. No livro 1984 de George Orwell essa frase não existe. Posso deixar como um desafio procurar de onde ela veio? Capaz que precisa ler pra saber.

      Mas agora agindo mais seriamente, você já tentou comprar uma sociedade muito meritocrática, como a brasileira e a estadunidense, e outras bem menos, como a França e a Suécia? Talvez seja  jogo sujo colocar um país em desenvolvimento no meio desses aí, então vamos esquecer o Brasil. 

      Por exemplo, a França é um lugar muito mais socialmente justo e muito menos meritocrático que os EUA. Há muitas “bolsas-esmola” garantindo que entre a população todos tenham direito à uma vida digna (e por digna, não quero dizer só “ter comida”, mas sim também educação, saúde e até mesmo arte). Isso parece pior pra você do que a situação dos EUA, onde a maior economia do mundo tem uma porcentagem de pessoas abaixo da linha da pobreza duas vezes maior (e pelo que vi a linha da pobreza nos EUA é ainda mais baixa que a da França, então a situação é ainda pior)?

      O indivíduo pensante não é uma ameaça e tem que ser calado, ele é um cara de muita sorte por ter certas inteligências razoavelmente bem desenvolvidas, e não há porque ele ser considerado melhor ou pior que qualquer outro saco de moléculas como ele, nem porque ganhar muito mais dinheiro ou ser jogado pra morar na rua.

      1. Caro amigo, dificilmente você

        Caro amigo, dificilmente você vai encontrar a frase “todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros” no livro 1984 de George Orwell pois ela faz parte do livro “A revolução dos bichos do mesmo autor”

    2. Excelente resposta.
      O autor

      Excelente resposta.

      O autor chega a conclusão de que a meritocracia vai de encontro aos ideais sociais, mas esquece que a meritocracia é a melhor  forma (se não a única realmente correta) de determinar aonde devem ser alocados os recursos, sejam estatais ou privados. Investir no menos produtivo é caminhar para o fracasso. E assim, abolindo a meritocracia e garantindo as mesmas recompensas para todos independentemente de seus esforços, é que as diversas nações socialistas do mundo afundaram em dívidas públicas, inflação e juros elevados. Todos resultados da má alocação de recursos. 

       

      Aos socialistas, boa sorte com seu sistema. E mantenham-se cegos à história e aos varios, varios e varios pensadores e produtores de literatura sobre administração, mercado e produtividade. Quem sabe um dia essa utopia se materialize e vire alimento, para sustentar uma sociedade 100% socialista. É o que todo cazal adolescente deseja, “viver de amor”.

  144. A pura essência do Stalinismo

    O texto que se propõe a explicar um suposto reacionarismo da classe média brasileira, sem sequer definir a que chama de reacionário, e que se propõe a ser um libelo pela justiça social, de fato é um dos textos mais reacionários, totalitários, que já li ultimamente. Típico sonho stalinista de nivelar para baixo a todos, sem distinção, não podendo haver nenhuma elite intelectual, financeira, ética, a não ser a elite encastelada no poder. São esses os admiradores da tese de Rui Barbosa, “que não se pode tratar os desiguais, iguais” ou de 1984- Orwell – “Todos são iguais mas alguns são mais iguais que os outros”. 

     Isso sim é um verdadeiro atentado à liberdade. Isso não é defesa de democracia nem nada, é a defesa de um estado totalitário que usurpa as “valências individuais” (como ele diz) em prol de um sistema injusto que privilegia apenas a elite estatal, o famoso “Capitalismo de Estado” e não ataca as verdadeiras causas das mazelas sociais, que são basicamente centradas na incapacidade do Estado gestor em prover políticas públicas de acesso à educação, saúde, transporte e segurança que permitam a todos desenvolverem suas “valências” livremente e deixando ao Estado apenas o papel de equilibrar forças para impedir monopólios ou oligopólios opressores. No texto do articulista, estudar não vale a pena, doutorado muito menos, pra que militar fazer treinamento em selva, treinar tiro? Que se dê tudo ao “coitado” e vamos atacar esses opressores que ousaram “estudar e desenvolver valências”. Rapaz, esse texto é puro stalinismo. Provavelmente deve ter sido lido diante da cova dos mais de 22.000 poloneses com valências individuais (médicos, escritores, advogados) antes do fuzilamento em massa feito pelas tropas estalinistas na Floresta de Katyn.

  145. Ataca a meritocracia mas vive dela, quanta incoerência.

    O autor ataca a meritocracia mas vive dela. Não só vive como se exibe, sendo professor universitário, um currículo Lattes cheio de “méritos” e classificações “bolsista nível 2” – não é pra qualquer um, não é mesmo?

    Proponho que por coerência ideológica, que o autor renuncie aos seus títulos, apague seu currículo como um protesto pela meritocracia cujo ataque defende e doe seu salário, conquistado por méritos ao ser aprovado para professor na UFSM, seja doado mensalmente a uma família que não teve as mesmas chances que ele.

    E ai, será que o autor topa?

  146. Comentários pobres

    Há algum tempo ausente do blog, volto  e vejo de cara um texto de uma profundidade pouco vista! Excelentes argumentos e muito bem colocados! Parabéns ao autor! Só me espantou a quantidade de comentários virulentos, rasos e superficiais visto aqui. Por um momento pensei estar lendo os comentários da Folha se S.Paulo ou dos leitores do portal UOL. Eles são nesse nível de miopia que, na incapacidade de rebater com argumentos igualmente fortes e inteligentes, apelam para a ignorância e uma mera opinião pessoal. Só corrobora a visão reacionária  e míope da classe média! 

    1. Comentários pobres = Debate morto

      Apesar de soar sem muito objetivo no que vim responder, quis mais tomar suas palavras e fazer delas a minha… Mesmo quando emerge nos comentários um contraponto ao que foi dito pelo texto, sem tons de arrogância ou agressividade anônima e com honesta intenção de argumentação, as pessoas – me lembrando muito a oposição de direita ao atual governo – ainda assim em vez de ir na coluna vertebral do que pode estar equivocado, em vez de atacar o que pode estar frágil mas serve de pilar para o ponto central da retórica do autor,  se voltam a dar exemplos aleatórios, pessoais e cotidianos para respaldar a meritocracia como lei do mundo, como única opção e exemplo de interação humana. Não adianta afirmar que a qualidade do texto é mérito do autor para tentar derrubar o que ele disse, ele mesmo ressalvou e pontuou – muito bem, aliás – como é comum tratarmos com mérito algumas situações individuais da vida cotidiana… A única maneira de tirar daí, combatendo o que ele disse, um modelo para organização social para um plano maior e, no caso, meritocrático, seria atacando os pontos onde ela se mostra eficiente (ou mais eficiente do que as opções baseadas em outra coisa que não o mérito) nos interesses públicos ou nas questões mais difíceis e com árduas consequências à todas as classes no âmbito social, e isso, nem os mais bem intencionados e dispostos a debater conseguiram… Voltaram aos exemplos individuais ou às premissas já meritocráticas para desestabilizar a argumentação do texto. 

      Bom saber que ainda existem mídias com boa intenção de problematizar e menos predisposição para polêmicas banais. Péssimo é perceber que mesmo nelas a qualidade do debate que se consegue atingir é tão pífia.

    2. Eu gostaria antes de mais

      Eu gostaria antes de mais nada e para esclarecer a todos aqui, você Monica Tavares se enquadraria em qual classe social?

      Pergunto somente para esclarecimento, diante da agressividade do seu comentário…. o que de fato o torna mais pobre que os pobres comentários existentes por aqui. Depois, o que é a classe média no País? seria a classe B? a classe C? a combinação das duas?

  147. Demais Renato, gostei muito da picardia, da profundidade e clare
    Demais Renato! Parabéns, pela profundidade, pela picardia, estranhanhamente mal interpretada por parte dos comentários. Muito obrigada por esse texto claro e brilhante.

  148. Meritocracia e gravidade

    Por mais que eu entenda o propósito do argumento. Por mais que eu veja o interesse de através dele o autor se  definir como intelectual e como pessoa. Por mais que seja clara a meta implícita de conquistar status e ser valorizado dentro do grupo que lê o Nassif e admira a Chauí… o argumento é frágil e não fica de pé a não ser como haste de bandeira de um clube que gosta de ser visto pelo mundo de um certo jeito “gauche”.

    A meritocracia não é uma escolha — nem um valor opcional — a meritocracia é a condição natural do mundo. O artigo de Renato Santos de Souza está aqui (assinado com o nome cheio) pois seu autor teve esse mérito, e Nassif reconheceu o mérito. É méritocracia. De outra forma qualquer autor, coerente ou não, da linha ideológica mestra ou de outra, poderia pedir o mesmo espaço. Assim se combateria a meritocracia no site do Nassif.

    Mas, ora, ora, se o site do Nassif deixasse de ser meritocrático, abrindo espaço a qualquer autor ou texto, independente do mérito, teria ele mesmo (o site) perdido seu mérito e nós, leitores, parariamos de prestar atenção ao site — iríamos a outros que tivessem o mérito de selecionar textos e argumentos com mérito. Assim, no fim, somos nós mesmos, leitores (ou autores de comentários) que prucuramos, buscamos e exigimos mérito — e portanto acreditamos subjetivamente em meritocracia.

    Meritocracia é uma realidade. Meritocracia é inevitável. A única coisa que nós, como sociedade, podemos buscar, é definir o critério de mérito — para que meritoso seja ser honesto, inteligente  e motivado, e não falso, manipulador e apático. Pior ainda, que mérito não seja nunca acreditar em fulano, votar em beltrano, ou acender uma vela para sicrano.

    1. Amigo, ao contrario do que

      Amigo, ao contrario do que pensa, você não entendeu o proposito do argumento.

      Você apenas cai no lugar comum de fazer uma análise sobre o conceito de meritocracia usando por base seu significado como palavra. Aqui o buraco é mais embaixo. Pessoas com conteúdo intelectual e psicologico um pouco mais complexos, sabem que a vida não tem metas a serem batidas. Isso é coisa que colocaram na sua cabeça, provavelmente no intuito de te explorar.

  149. Abl
    O texto tem vários pontos positivos. Mas nada será diferente enquanto reformas legislativas e constitucionais não forem feitas no Brasil. A classe média brasileira é ridícula e cafona. Mas deixe eles para lá.
    Agora eu aprovo o argumento sobre ABL. Tem gente que entrou de gaiato.

  150. Esse não é o problema

    O problema não está em uma classe, mas sim na política brasileira, na corrupção, no uso dos recursos públicos. Criar um texto assim, é evidenciar os sintomas e não atacar a doença: A sociedade política. 

  151. Obrigada, Renato Santos de

    Obrigada, Renato Santos de Souza, por me aclarar esses mesmos questionamentos que te inspiraram a tecer tão instigantes e perfeitos argumentos! Sempre concordei com estas classificações da Marilena sobre a classe média, sempre me incomodei profundamente com sua postura política e social, ainda mais por fazer parte dela, mas, igualmente, me sentia mal por concordar sem compreender totalmente. A ideologia do mérito nos faz cegos, aliás, como qualquer ideologia.

    1. Dependendo do que se entender por tempo “breve” e quantas gerações perfazem uma “família”, a mensagem irônica da foto não só será descoberta como verdadeira como será vista recorrente na história da humanidade.

  152. Parabéns pelo conteúdo e pela forma!

    É difícil encontrar pensamentos tão bem transcritos, este texto apesar de bastante profundo é bastante razoável de compreender. Também não entendo porque de críticas tão rasas nos comentários. Enfim, mérito é bom, mas utilizá-lo indiscriminadamente como balizador de acessos me parece muitas vezes ruim e atualmente mais precursor do sectarismo e das reservas de um falso mercado aparentemente nas mãos da classe média do que do desenvolvimento humano e bem estar social, inclusive da própria classe.

  153. Prezado Luis. Parabéns pelo

    Prezado Luis. Parabéns pelo texto e pela fina e útil distinção entre meritocracia e dsempenhocracia. Apenas adiciono um detalhe acerca da posição de Marilena sobre o tema: ela já havia chegado exatamente ao mesmo ponto, ou seja, à concepção meritocratica subjacente ao reacionarismo da classe média. Sabe disso quem a ouviu falar na ANPOF (Associação Nacional de pos-graduação  em Filosofia) em Caxambu. Mas isso foi em 1998 e a propósito de temas ligados à educação, em termos muito próximos dos que vc aqui analisa. Hoje tem sobressaído o ataque da professora contra a classe média. Mas é preciso fazer justiça e não atribuir a uma especialista em Espinosa a limitação de suas análises sociais a uma demonstração “quia” (do “que é”) e não “propter quid” (do “por que é”). Grandes abraços. 

     

  154. Marilena, 1998, quia et propter quid.

    Prezado Luis. Parabéns pelo texto e pela fina e útil distinção entre meritocracia e dsempenhocracia. Apenas adiciono um detalhe acerca da posição de Marilena sobre o tema: ela já havia chegado exatamente ao mesmo ponto, ou seja, à concepção meritocratica subjacente ao reacionarismo da classe média. Sabe disso quem a ouviu falar na ANPOF (Associação Nacional de pos-graduação  em Filosofia) em Caxambu. Mas isso foi em 1998 e a propósito de temas ligados à educação, em termos muito próximos dos que vc aqui analisa. Hoje tem sobressaído o ataque da professora contra a classe média. Mas é preciso fazer justiça e não atribuir a uma especialista em Espinosa a limitação de suas análises sociais a uma demonstração “quia” (do “que é”) e não “propter quid” (do “por que é”). Grandes abraços. 

  155. Serei eu um meritocrata? Pobre meritocrata existe?

    Olá, Srs Renato de Souza, Luiz Nassif e Marilena Chauí e todo mundo que recrimina ou antipatizam com os meritocratas.

    Primeiro me perdoem por algum possível erro de português, concordância e/ou gramática, só tenho primeiro grau.

    Segundo : não sei como é chamado o indivíduo associado a meritocracia, então chamarei de meritocrata.

    Minha mãe faleceu eu tinha 11 anos, meu pai gostava de uma pinga e dava um trabalho danado, mas tomar pinga era mérito dele, trabalhava logo merecia, não roubava pra comprar pinga.

    Frequentei escola pública, ia a pé 6 Km na ida e 6 Km na volta (hoje tem ônibus de graça ou pago no minimo 50% pelo município). á tarde vendia cocada e doces na porta de uma fábrica para comprar material escolar (hoje é de graça). Mas essa situação não estava boa pra mim, eu queria melhorar.

    Procurei ensino profissionalizante (SENAI-RS) na parte da tarde, o que me impossibilitou de vender doces à tarde, e tive que cumprir meio expediente de manhã em uma empresa indicada pelo curso que comecei a frequentar, ou seja: a escola mudou para o período noturno e os doces não poderiam mais ser vendidos.

    Então procurei um serviço de lavar louças em um restaurante depois da aula, a partir das 23h… Jornada de trabalho aos 14 anos: das 6:30 da manhã ás 2:00 da noite, ou manha se preferirem, com poucos intervalos entre uma atividade e outra

    Me formei no curso técnico, me formei no primeiro grau e fui procurar emprego. Na primeira porta que deixei o currículo fui chamado, a partir daí trabalhei em várias empresas. nunca fui demitido, por mérito próprio

    Hoje tenho uma pequena empresa em sociedade, por mérito e esforço em conjunto e sei lá se isso me torna classe média pois as dificuldades são muitas, se fosse bem de vida não as teria.

    Será que não mereço ter o mínimo de conforto depois de todo meu esforço, minha batalha para vencer e ser uma pessoa bem sucedida? de onde os senhores tiram idéias malucas que me condenam por conquistar meu sucesso?

    Qual é o problema em usufruir do fruto do meu trabalho? isso é Bíblico, mas não sei o versículo. Ou seria melhor ter jogado a toalha, virado assaltante, afinal, eu era vítima do sistema e não tinha condições de ser uma pessoa de bem, sem oportunidades. As oportunidades não cairam do céu, tive que ir atrás delas.

    Se na minha época tivesse o “bolsa esmola” como muitos dizem, é claro que eu iria querer, pois poderia pagar um ônibus para me deslocar, mas nem por isso viveria só disso. E o que vemos hoje? Pais de família deixando de trabalhar pra receber seguro desemprego, bolsa escola, bolsa família, vale gás… e se é mulher de preso, auxílio reclusão… Tudo pago com dinheiro de impostos que poderia ser direcionado para algum projeto que realmente acabasse com a pobreza do nosso querido país… Isso é o que revolta os meritocratas. eu jamais teria moral muito menos direito de criticar o governo se realmente preocupasse em acabar com a pobreza. (como se minha crítica fosse afetar os poderosos. hahaha)

    Por favor, os senhores me parecem ser pessoas que tem estudo, ou estudam algum tipo de ciências sociais. Me digam onde estou errado. Talvez sim, um tanto quanto egoísta, não nego.

    Se isso me torna um ser maligno para a sociedade perante seus pontos de vista, prefiro continuar assim. Seria mais maligno ainda fechar as portas e viver as custas do governo sem trabalhar.

    Não teria necessidade de citar mas digo isso para evitar o comentário: “é o classe média vivendo do sangue dos menos desfavorecidos”, pois não venci às custas de ninguém e nenhum de meus funcionários recebem salário mínimo. todos tem carro. e por mérito próprio, olha só que ironia…O mérito. Quem não serve pra trabalhar: fica em casa recebendo seguro desemprego, etc, etc. bla bla bla Aquilo que já sabemos.

    Até quem tem bolsa família tem mérito…  Se enquadra no pré requisito? ficou na fila pra conseguir? Merece.

    O viciado em crack é meritocrata? Se ele roubar um aparelho de som para sustentar o vício merece comprar o próprio crack, se ele roubou, é dele e não mais do ex-dono do aparelho?

    O Lula não era torneiro mecânico??? e hoje ele é o que? meritocrata não pode ser!! oh que horror!!!

    Aliás os senhores tem carro próprio, casa própria? Merecem mas não deveriam, pois são contra a meritocracia. Deveriam trabalhar de graça e morar em baixo da ponte. são contra merecer ter as coisas. quem trabalha não pode ter mais do que quem não trabalha. porque pensam assim não sei, só sei que isso tem nome: hipocrisia.

    A culpa não é minha se sou um vencedor, o mérito, ahh sim, esse eu faço questão de reivindicar. e com orgulho bato no peito e digo que eu sou uma pessoa honesta nunca peguei o que não me pertence e sempre trabalhei para ter o que quis.

    Eu não mudarei meu ponto de vista pode o Papa e a Presidenta Dilma e mais quem quiser tentar me convencer que estou errado.

    Eu serei um meritocrata mesmo que estiver na atolado na merda até o pescoço porque se for assim é fruto do meu esforço, no caso nenhum, mas é mérito. CADA UM TEM O QUE MERECE!

    ME JULGUEM AGORA JÁ!!!!! ESTOU ESPERANDO ANSIOSO VOSSOS COMENTÁRIOS, OU ANÁLISES COMO PREFERIREM.

    Bonita história, bla bla bla, que se dane se é uma bonita história, não gosto de ser analisado por ser o que sou, e daí? o que adianta repudiarem a classe média? acharam os culpados? então botam na cruz, simples assim? estão querendo que a classe dos menos favorecidos se revoltem contra a classe média? talvez pode ser… será que os quebra-quebra generalizados não tem algum analista encapuzado incitando a violência? o que estão ganhando com isso? vamos então todos da classe média fechar as portas e mandar todo mundo pra pqp e vamos viver de projetos sociais, já que somos a escória da sociedade e a culpa de tudo que é merda que tem por aí é da classe média.

    Faltou um pouco de definição em suas análises não me sinto enquadrado nas suas definições e pouco me importa se sou ou não meritocrata. Como saberei se sou classe média? tem que ganhar quanto? e pouco me importa também se sou classe média, só o que sei é que acordo todos os dias para trabalhar e me preocupo se minha família vai ter o que comer , se as contas estão pagas, ou não deu pra pagar… É isso.

    Deus nos ajude a ter o máximo de meritocratas no mundo, pessoas trabalhando para conquistarem o que quiserem, merecendo.

    Tenho certeza de que nas suas respostas, devido ao seu alto grau intelectual e capacidade de expressão, vão acabar comigo, me detonar e de todas as formas possíveis imagináveis tentar neutralizar meu ponto de vista, mas isso não fará de mim pessoa menos digna e meritocrata do que sou.

    SOU O QUE SOU E NÃO IMPORTA O NOME CONTINUAREI SENDO

    Muito obrigado pela atenção. um forte abraço e agora preciso ir trabalhar pra ter o que comer e pagar as contas.

     

    1. Nínguem está aqui para

      Nínguem está aqui para julgar, estamos aqui para discutir, mas como você mesmo disse, não mudará o que pensa independente do quão valido seja o arguento, então acredito que não haverá discussão.

    2. Muito obrigado, era só isso

      Muito obrigado, era só isso que eu estava esperando para definição do termo “espuma da classe média”, obrigado por me fazer compreender o brilhante texto do Renato!

      Abraços e seja feliz!

    3. Muito obrigado, era só isso

      Muito obrigado, era só isso que eu estava esperando para definição do termo “espuma da classe média”, obrigado por me fazer compreender o brilhante texto do Renato!

      Abraços e seja feliz!

    4. Amigo, você pode não saber

      Amigo, você pode não saber mas você é um dos melhores exemplos que o Renato poderia querer, todo o texto dele está presente na sua vida.

      Não vou falar muito, mas só quero fazer algumas observações:

      1) Você realmente concorda que para se vencer na vida as pessoas, como você, tem que passar dezenove horas e meia estudando/trabalhando?

      2) Como você encherga as pessoas tem empresas mais sucedidas que a sua, mas estudaram nos melhores colégios desde cedo e não precisaram trabalhar?

      A verdade é que pessoas “meritocratas” como você diz pensam na meritocracia como uma corrida aonde todos largam iguais, e que sua posição final só depende do seu esforço. A verdade é que muitos largam a mil kilômetros de distância (como você), correm descalços por cacos de vidros e fogo só para conseguir chegar numa posição “mais no meio”, enquanto outros já começam la na frente em um carro de fórmula I.

      O que se defende então, é oportunidade iguais para todos, e isso, a meritocracia pura e simples não é, e nunca vai ser.

    5. Primeiro o seu texto é

      Primeiro o seu texto é construido com uma lógica absurda, a história do pobre vencedor…veja que ninguem está falando que a classe média deveria perder os seus direitos, que deveria perder os seus bens, o ponto é que ao afirmar que venceu por mérito você está fazendo uma análise muito reducionista da situação, primeiro por que tem pessoas que batalharam muito mais que você, que passaram por situação 10 vezes piores, que passaram 10x mais necessidades, que passaram 10x mais dificuldades e que se esforçaram 10x mais que você…e não chegaram a lugar nem um…

      Você acha que isso não é possível, mas o é, conheço pelo menos umas 15 pessoas nessa situação e te falo hoje não são empresários, nem se quer tem bons empregos, mesmo tendo se esforçado a vida toda mais que você, “estão na pior”,

      ai você poderia dizer ahhhhh essas pessoas então são incompetentes ??? Horas, quer queira quer não, você teve a sorte de existir a fábrica para a qual vendia as Cocadas, fez o curso no Senai/Sesc/Sesi, teve a sorte dessas estruturas estarem perto de você, 6km do colégio meu deus quanto privilégio, você é uma pessoa de extrema sorte SORTE, não exclusivamente mas SORTE, existem pessoas 10 vezes melhores que eu, mais inteligentes, mais fortes, mais capazes, e há de existir por consequencia tudo isso pra você também…e que estão muito piores que nós…

      Ao optarmos pela suposta meritocracia, esquecemos que o fator sorte numa sociedade que não garante direitos básicos de acesso aos bens públicos se tornam fundamentais, onde você estaria se não existisse a fábrica, como não existe em 70% dos municipios Brasil a fora, não existisse escola a 6km, não existisse Senai/Sesi/Sesc para se formar?? Não existisse emprego para se candidatar?? Não existisse viabilidade economica para a sua empresa, justamente por não ter estrada para escoar a produção caso seja uma indústria, e nem mesmo mercado consumidor, (seja do produto ou serviço)…e meu caro essa é a realidade de boa parte da sociedade, onde fica a meritocracia??? Por deus você não vive no mesmo país que o meu, devemos estar em planos distintos, ou simplesmente mesmo tendo passado por tudo isso você não conhece a realidade. Para os tais pais de familai que largam o emprego por conta da Bolsa, por favor me dê um unico exemplo com nome completo, e não apenas o amigo do amigo meu disse fulano…por hora conheço gente que trabalha 10h/dia recebe menos no emprego que a tal bolsa e mesmo assim de segunda a segunda está lá gastandoa a saude e a vida em condições semi-escravidão…

      Querer falar que tudo se reduz a mérito é querer afirmar que a Anita tem mais mérito que Gonzaga, ou ainda tantos outros poetas da Música, A Anita já ganhou mais dinheiro que Einstein, logo pela sua lógica, ela é mais competente??

      Não quero aqui comparar as contribuições que um e outro fizeram para a sociedade, você está vivo graças ao desemvolvimento dos antibióticos, e tantos outros avanços da medicina, e cada um desses grandes “inventores” viveram pior muitas vezes que eu e você e só estamos saudáveis, e com força para atingir as nossas conquistas graças a esses individuos…

       

      Veja a lógica capitalista de estimular a competição individual, não acho inadequado, é válida e temos atingido grandes avanços, para o bem e para o mal por conta delas…mas ao levar a lógica do mérito para todos os ambitos da vida, inclusive a pública e politica, sem perceber você está auxiliando para reproduzir todas as situações ruins pela qual você passou (se é que é verdade a sua estória) sem que todos consigam chegar ao mesmo resultado ao qual você chegou, uma vez que as oportunidade na sociedade que formamos são excludentes,

       

      Enfim ainda acredito que você ao menos leu o texto, pois você não consegue contra argumentar nem um dos pontos levantados, o seu discurso na verdade serve para exemplificar tudo o que o texto na verdade veio combater. 

       

      Muito obrigado pelo belo exemplo do complexo do capataz

    6. Quando valorizamos só os que vencem, somos todos perdedores

      Sr. Ninja Kid (isso?). Bom, relendo seu texto, acredito que o senhor tenha se sentido ofendido pelo texto do Luís Nassif. Não vejo razão para o Sr. se sentir assim. Nesta resposta, pretendo não ofende-lo, muito menos humilhá-lo, apenas colocar minha interpretação, ok? É natural do processo democrático nos encontrarmos com opiniões diferentes da nossa. E reagir com ódio não me parece a melhor forma de evoluir com as próprias opiniões. A não ser que você já tenha desistido de entender o outro, espero contribuir.

      Se me permite, entendo que houve um erro de interpretação inicial de sua parte, clareado no começo do texto pelo próprio Nassif.

      São duas visões apresentadas sobre a meritocracia.

      Uma que nos guia individualmente, na família, nas empresas, ou seja, nos ambientes em que temos nossa autoridade meio que pré-definida (pai, filho.. patrão, empregado, cliente, fornecedor..).

      Outra que guia as visões de sociedade, as definições políticas e o esforço quase impossível de equilibrar nossas diversas versões do que “merece”. Indivíduos contra indivíduos, famílias contra famílias, empresa contra empresas… que resumidamente aqui formam juntas o que chamamos de sociedade (perdão pela simplificação).

      Estes confrontos e contradições surgem da própria natureza do mérito. Ora, se é mérito alguém ter algum tipo de destaque, haverão outros que não terão. E quem define o que é digno de ter mérito pode cometer injustiças com muitos outros. Como evitar, em espaços sociais, que esse tipo de injustiça não ocorra? Pois todos somos humanos e erramos todos os dias em nossos julgamentos. E mérito pessoal é quase impalpável, é um valor muito difícil de mensurar. Qual filho merece estudar, qual só poderá trabalhar? Qual empregado merece aumento? Qual músico merece o melhor cachê? Hermeto Paschoal ou Justin Bieber? O Nassif foi muito brilhante sobre isso quando clareia que muito o que a gente considera meritocracia é, na verdade, mero desempenho. Desempenho momentâneo. E pior, acabamos por premiar as coisas só pela moeda, esquecendo os valores mais valiosos.

      Um exemplo. Por mais racional que sejamos, somos muito mais tendenciosos em considerar nossos filhos como melhores ou mais merecedores que outros. Assim também com a família e com as empresas e por aí vai… Então, quem decide a régua para medir o verdadeiro mérito? O mais forte, o mais rico, o mais inteligente, o mais bem humorado, o mais dedicado, o mais sério?…..Novamente estamos julgando. Vamos então escolher técnicos? Ora, somos todos humanos, inclusive os “técnicos”. Não há como dissociar nossas paixões totalmente. Fazemos muito esforço mas, individualmente, somos mais animais que anjos.

      Ao sabermos humanos, somos levados a pensar em outras maneiras de sermos justos. E pensamos em direitos sociais inalienáveis, para que estes embates não gerem ainda mais injustiça. Entendo o estado e a política e, em especial, a Democracia, como uma tentativa correta de equilibrar tudo isso. A Democracia é esse esforço sobrehumano de harmonizar essas demandas (por mérito) garantindo os direitos básicos, para que as oportunidades sejam cada vez mais iguais para todos desde o início. Para que os que fazem por merecer ganhem mas não tirem direitos inalienáveis dos que perdem (do segundo ao último), pois eles formam muito mais “a sociedade” do que os que ganham, que naturalmente são em menor número. Direitos inalienáveis. E se você for humano, já perdeu e já ganhou, isso é a vida. E todo dia é dia de vencer e perder. Reconhecer que, um dia, erraremos também, é reconhecer que a meritocracia pode ser injusta se premiar apenas os vencedores a ponto de privilegiá-los para todo o sempre, ou se o julgo ficar nas mãos de quem não representa a maioria, respeitando as minorias. Não estamos falando de todos termos ferraris. Estamos falando de se alimentar, de ter um teto, de poder constituir família, de ter acesso a educação etc.

      É por isso que, ao meu ver, meritocracia no âmbito social é tão perniciosa. Não digo no âmbito pessoal. Ela é saudável (assim penso e o Nassif também expressou isso no texto). Assim como o senhor, sinto muito orgulho de minha trajetória. Posso dizer que tive e tenho uma família muito boa, que me sinto suficientemente inteligente para decidir, que lutei pelo que conquistei com muita honestidade. Mas isso é minha visão e história pessoal. Com certeza tem gente que pensa coisas sobre mim que não são tão edificantes eheh. Não sei a cruz que cada um carrega. Não sei a quantos eu já cometi injustiças, mesmo sem saber.

      Não desprezo quem não age como eu, por caráter ou por falta de oportunidade ou por outra razão. Eu realmente me esforço por entendê-lo e isso não me parece algo ligado só à inteligência. É mais compaixão que inteligência, que, ao meu ver, nos torna mais justos que a própria racionalidade. É saber que sou também imperfeit. Considero-os tão merecedores dos direitos inalienáveis como qualquer humano.

      O meu esforço é tornar essa sociedade cada vez mais democrática e justa, para que as leis e oportunidades sejam iguais de fato a todos, coisa que nunca foi, nem de longe, mas que nos últimos 10 anos tem melhorado muito. Muito. Graças ao esforço de políticos, humanos como nós. E de gente como eu e você, que tem gerado riqueza para que possa ser desfrutada indivudualmente, mas que parte também seja dividida e multiplicada, sem egoísmos.

      Que o estado seja capaz de valorizar coisas que realmente sejam saudáveis à sociedade, além do dinheiro. Que a meritocracia de nosso dia-a-dia seja na medida certa para manter as próximas gerações com a mesma esperança de prosperar como a minha. Basicamente, que um bebê de uma família pobre possa ter as mesmas oportunidades de um bebê rico. O que ele vai fazer disso, se vai aproveitar ou não, aí é outra história.

      Por isso, ao contrário do senhor, votarei na Dilma. E o respeito por não votar nela. Mas não o xingo por pensar diferente. Isso, para mim, não é nada digno.

       

    7. Não questiono o seu

      Não questiono o seu merecimento, e acho que o Renato de Souza se equivoca ao não considerar a existência de pobres que ascendem para a classe média através do próprio mérito. Existem e são muitos.

      Mas questiono: será que aquele menino de 14 anos não desejava para o futuro algo além de “trabalhar para comer e pagar as contas”? Não questiono o valor do desejo do auto-sustento e da possibilidade de usufruir dos bens e confortos médios do capitalismo, como uma boa casa, boa comida, bom entretenimento, boa saúde e educação para a família. Mas geralmente os nossos maiores sonhos são mais belos e mais ousados.

      Será que aquele jovem de 14 anos, esforçado, correto e inteligente não sonhava em cursar uma faculdade, por exemplo? Será que com uma pequena ajuda financeira do governo ele não poderia trabalhar menos e dedicar mais tempo aos estudos, ou às artes, ou a algum esporte, ou à mera diversão despretensiosa, a fim de viver mais feliz, simplesmente? Pois isso também é parte importante de nossa qualidade de vida, e jovens merecem viver esses tipos de experiência mais do que ninguém, independentemente da classe social.

      Devem haver, certamente, pessoas que fazem mal uso dos auxílios do governo. Mas você se equivoca ao generalizar. Imagino que a maior parte dos beneficiados faça bom uso. Com o alto custo de vida de hoje, pouquíssimas pessoas ficariam satisfeitas com o valor do bolsa-família a ponto de deixarem de trabalhar. Os auxílios do governo não passam disso: auxílios. Se essa ajuda financeira está ajudando jovens a estudarem mais, se alimentarem melhor, viverem mais felizes, e consquentemente, a desenvolver de forma plena suas capacidades e potencialidades… Quem sou eu, quem é você, para pôr-se contra? Só porque sofremos demais não temos que desejar o mesmo sofrimento aos outros.

       

       

    8. Caro Ninja Kid

      Por felicidade tenho o que se chamaria de uma boa educação e posso afirmar com certa presunção que seu texto é consistente e bem escrito. E mesmo que não seja verídico (desculpe minha desconfiança, mas sou cético a qualquer coisa que leio) vem demonstrar a tolice do artigo porque todos conhecem o caso do Lula, fora que todo mundo sabe de um parente ou conhecido [pobre] que melhorou de vida graças a esforço meritório. Note, nem estou entrando no mérito da discussão sobre prós e contras do sistema meritocrático, mas apontando que nenhuma análise que parte de premissas FALSAS pode ser levado a sério e foi esse o caso porque o artigo explicitamente afirmou que a “classe pobre” não acredita na lógica meritocrática.

    9. Dei mérito apenas ao Nassif. Dou agora também ao Renato eheh

      Perdão, errei ao comentar o texto imaginando ser do Luis Nassif. O texto original é do Renato de Souza. Parabéns!

    10. Merito e meritocracia

      Acho que você fez uma leitura rápida demais do texto e o entendeu como crítica, não como reflexão. Crítica fez a Marilena. O texto do Renato é uma reflexão sobre a meritocracia e não sobre o mérito. O mérito como sistema geral de cultura política e organização social, onde aí sim, se adotado sem filtros, geraria perversões dos direitos à igualdade, na noção de sociedade e coletividade. O orgulho que a classe média sente pelo seu mérito próprio não deixa de ser justificável, afinal vivemos num país que só conheceu recentemente a política de bem estar social, o wellfaire state que tanto beneficiou a Europa e os EUA nos momentos de maior crise. Por outro lado esse orgulho torna a classe média insensível ao fato de que as oportunidades que criam o livre empreendedor, podem e devem ser incentivadas pelo coletivo. Uma sociedade em que o individuo tem que sozinho dar conta de construir suas oportunidades para depois aproveitá-las, e aproveitá-las bem, é uma sociedade do cada um para si e papai noel para todos, ou seja, uma sociedade doente, que não cuida dos seus, que não se vê como um coletivo.

    11. Interessante sua reflexão

      Caro Ninja Kid, interessante sua reflexão, mas creio que os pontos que você coloca não são controversos com o texto de maneira alguma, pelo contrário, em alguns momentos, são bons exemplos do que o texto postula. O autor não está julgando a busca pelo mérito individual de maneira negativa, pelo contrário, quando ele coloca que, efetivamente, buscamos que nossos filhos tenham mérito naquilo que conquistam (é buscamos mesmo, ou seja, nós, o autor se inclui nisso) coloca isso como um fenômeno que ele observa. Com o desenrolar do texto, ele faz uma análise, contudo, sobre como a meritocracia, quando transportada do plano individual para o plano social, leva consigo uma série de distorções, perversões, em relação às quais pouco se discute e poucas pessoas querem encarar e analisar. Quando você fala na meritocracia entre os pobres, o que o autor está trazendo é que, as pessoas que, a despeito de todas as dificuldades e precariedades com que se depararam, conseguem sair da condição de pobreza (como você), passam a formar isso que ele chamou de classe média, que realmente é um grupo diverso. O que ele está defendendo é justamente que, pela falta de políticas de Estado no sentido de forjar uma classe média, esse grupo teve que formar-se a si mesmo, através do mérito, e esse se tornou o valor mais importante para ela. Ele não pragueja o mérito, não está dizendo que devemos abandonar o mérito, apenas analisa várias nuances disso e como a pretensa objetividade de análise do mérito não tem racionalidade quando fazemos uma análise mais profunda. Isso é importante porque, se não encaramos essas diversas nuances, corremos o risco de sermos injustos com as pessoas, com suas histórias, com os grupos sociais e suas lutas. Pra terminar, achei muito interessante a análise que você fez sobre o Bolsa Família, que gostaria de ter tido Bolsa Família para pagar o ônibus e ir para o curso. Achei muito boa porque, um dos dados que tem sido revelados recentemente é que, de uma geração para outra, muitas famílias deixam de precisar do bolsa família, ou seja, seus filhos, por poderem estudar mais e com menos precariedade do que você precisou enfrentar, têm conseguido postos de trabalho melhores. Achei isso uma conquista muito grande, pros indivíduos e pra sociedade!

    12. Concordo plenamente com o que

      Concordo plenamente com o que o sr. escreveu!!

      Dentre os intelectuais brasileiros o que mais vejo são hipócritas… é muito fácil falar mal das pessoas honestas e bem

      sucedidas, que trabalharam, pagam impostos, não roubam, não sonegam.

      O bonito é ser Chico Buarque, socialista, sem abrir mão de seus apartamentos no Leblon e às Margens do Rio Sena,

      em Paris. 

      Hipócritas!!!

    13. Viva a Meritocracia !!!

      Grande Ninja Kid !!! Mostrou muito mais habilidade na exposição do assunto que o autor, diga-se de passagem. Texto claro e contundente. Argumentação perfeita. A sensação de perda de tempo que me tomava desvaneceu-se após a leitura do seu comentário. Nem tudo está perdido, graças a você. Obrigado.

  156. Acho que o texto não critica

    Acho que o texto não critica o mérito das pessoas na tentativa de melhorar de vida, ou seja, o mérito “em si”.

    O que o texto se propõe a discutir, na minha opinião, é o problema da adoção da meritocracia como balizadora das políticas públicas. É nesse ponto que reside a sua não adequação. as políticas públicas devem ser universais ou focadas em alguns grupos sociais, independente do mérito individual. E conclui que a adoçao da meritocracia no espaço público (e não no privado) leva ao reacionarismo.

  157. O Fascismo das aparências

    Não vou aqui desenvolver um novo texto sobre seu texto – que me agradou demais – mas apenas para trazer uma espécie de desabafo de um médico muito envergonhado das atitudes de uma classe com histórico tão importante. Acho sua análise da meritocracia e – para mim, pelo menos – essa visão tão aguda e certeira de sua relação com a INTOLERÂNCIA, matriz do fascismo e raiz de todos os males pela sua semelhança com a democracia.

    Parabéns, novamente, pelo texto (vou citá-lo certamente em minha aulas: sou professor de ética médica na FCM-UNICAMP)

  158. Culpem o carro

    Culpar a classe média pelas mazelas do mais pobres ou a boa vida dos mais ricos é como culpar o carro pelo acidente de transito, ainda que ao tirar os carros de circulação os acidentes acabem, arrochar a classe média não resolverá a injustiça social do Brasil.