Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

Jornal GGN – Segundo artigo mais lido de 2013, “Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira” também ficou em segundo lugar entre os mais comentados de 2013, com 542 opiniões. Análise de Renato Santos de Souza sobre o reacionarismo da classe média em função da supervalorização da meritocracia provocou elogios, críticas e até comentários nem pró, muito menos contra. 

Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira – Renato Santos de Souza 

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.

Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.

Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.

Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média – ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma. Mas não sem antes uma boa pergunta! Como pode uma categoria profissional pensar e agir assim, de forma tão unificada, num país tão plural e tão cheio de nuanças intelectuais e políticas como o nosso? Estudantes de medicina e médicos parecem exibir um padrão de pensamento e ação muito coesos e com desvios mínimos quando se trata da sua profissão, algo que não se vê em outros segmentos profissionais. Isto não pode ser explicado apenas pelo que se convencionou chamar de “corporativismo”. Afinal, outras categorias profissionais também tem potencial para o corporativismo, e não o são, ao menos não da mesma forma. Então deveria haver outra interpretação para isto.

Bem, naqueles episódios do Mais Médicos, apesar de toda a argumentação pretensamente responsável das entidades médicas buscando salvaguardar a saúde pública, o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil. Então, este pensamento único provavelmente fora forjado pelas longas provações por que passa um estudante de medicina até se tornar um profissional: passar no vestibular mais concorrido do Brasil, fazer o curso mais longo, um dos mais difíceis, que tem mais aulas práticas e exigências de estrutura, e que está entre os mais caros do país. É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia. 

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A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora. 

Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.

Mas por que a classe média seria mais meritocrática que as outras? Bem, creio que isto tem a ver com a história das políticas públicas no Brasil. Nós nunca tivemos um verdadeiro Estado do Bem Estar Social por aqui, como o europeu, que forjou uma classe média a partir de políticas de garantias públicas. O nosso Estado no máximo oferecia oportunidades, vagas em universidades públicas no curso de medicina, por exemplo, mas o estudante tinha que enfrentar 90 candidatos por vaga para ingressar. O mesmo vale para a classe média empresarial, para os profissionais liberais, etc. Para estes, a burocracia do Estado foi sempre um empecilho, nunca uma aliada. Mesmo a classe média estatal atual, formada por funcionários públicos, é geralmente concursada, portanto, atingiu sua posição de forma meritocrática. Então, a classe média brasileira se constituiu por mérito próprio, e como não tem patrimônio ou grandes empresas para deixar de herança para que seus filhos vivam de renda ou de lucro, deixa para eles o estudo e uma boa formação profissional, para que possam fazer carreira também por méritos próprios. Acho que isto forjou o ethos meritocrático da nossa classe média. 

Esta situação é bem diferente na Europa e nos EUA, por exemplo. Boa parte da classe média europeia se formou ou se sustenta das políticas de bem estar social dos seus países, estas mesmas que entraram em colapso com a atual crise econômica e tem gerado convulsões sociais em vários deles; por lá, eles vão para as ruas exatamente para defender políticas anti-meritocráticas. E a classe média americana, bem, esta convive de forma quase dramática com as ambiguidades de um país que é ao mesmo tempo das oportunidades e das incertezas; ela sabe que apenas o mérito não sustenta a sua posição, portanto, não tem muitos motivos para ser meritocrática. Se a classe média adoecer nos EUA, vai perder o seu patrimônio pagando por serviços privados de saúde pela absoluta falta de um sistema público que a suporte; se advém uma crise econômica como a de 2008, que independe do mérito individual, a classe média perde suas casas financiadas e vai dormir dentro de seus automóveis, como se via à época. Então, no mundo dos ianques, o mérito não dá segurança social alguma.

As classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas. A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso; ao contrário, sua defesa tem que ser dos privilégios que o dinheiro pode comprar, do direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Além disso, boa parte da elite brasileira tem consciência de que depende do Estado e que, em muitos casos, fez fortuna com favorecimentos estatais; então, antes de ser contra os governos e a política, e de se intitular apolítica, ela busca é forjar alianças no meio político. 

Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas. 

A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 

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Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa. 

Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social. 

a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.

b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos. 

c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.

d) A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”. Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes. O Mário Quintana merecia estar na ABL, mas não teve desempenho para tal. O Paulo Coelho, o Sarney e o Roberto Marinho estão (ou estiveram) lá, embora muitos achem que não merecessem. O Quintana, pelo imenso valor literário que tem, não merecia ter morrido pobre nem ter tido que morar de favor em um hotel em Porto Alegre, mas quem amealhou fortuna com a literatura foi o Coelho. Um tem inegável valor literário, outro tem desempenho de mercado. O José, aquele menino nota 10 na escola que mora embaixo de uma ponte da BR 116 (tema de reportagem da ZH) merece ser médico, sua sonhada profissão, mas provavelmente não o será, pois não terá condições para isto (rezo para estar errado neste caso). Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam. 

Mas a meritocracia exige medidas, e o merecimento, que é um juízo de valor subjetivo, não pode ser medido; portanto, o que se mede é o desempenho supondo-se que ele seja um indicador do merecimento, o que está longe de ser. Desta forma, no mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito.

e) A meritocracia escamoteia as reais operações de poder. Como avaliação e desempenho são cruciais na meritocracia, pois dão acesso a certas posições de poder e a recursos, tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente. Seria ingênuo supor o contrário. Assim, os critérios de avaliação que ranqueiam os cursos de pós-graduação no país são pautados pelas correntes mais poderosas do meio acadêmico e científico; bons desempenhos no mercado literário são produzidos não só por uma boa literatura, mas por grandes investimentos em marketing; grandes sucessos no meio musical são conseguidos, dentre outras formas, “promovendo” as músicas nas rádios e em programas de televisão, e assim por diante. Os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos.

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Critérios avaliativos e medidas de desempenho são moldáveis conforme os interesses dominantes, e os interesses são a razão de ser das operações de poder; que por sua vez, são a matéria prima de toda a atividade política. Então, por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade.

Até aí tudo bem, isso ocorre na maioria dos sistemas políticos, econômicos e sociais. O problema é que, sob o manto da suposta “objetividade” dos critérios de avaliação e desempenho, a meritocracia esconde estas relações de poder, sugerindo uma sociedade tecnicamente organizada e isenta da ingerência política. Nada mais ilusório e nada mais perigoso, pois a pior política é aquela que despolitiza, e o pior poder, o mais difícil de enfrentar e de combater, é aquele que nega a si mesmo, que se oculta para não ser visto.

e) A meritocracia é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação (talvez a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade). A dominação e o poder ganham roupagens racionais, fundamentos científicos e bases de conhecimento, o que dá a eles uma aparente naturalidade e inquestionabilidade: é como se dominados e dominadores concordassem racionalmente sobre os termos da dominação.

f) A meritocracia substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados. Para a meritocracia não vale a pena ser o Quintana, não é racional, embora seus poemas fossem a própria exacerbação de si, de sua substância, de seus valores artísticos. Vale mais a pena ser o Paulo Coelho, a E.L. James, e fazer uma literatura calibrada para vender. Da mesma forma, muitos pais acham mais racional escolher a escola dos seus filhos não pelos fundamentos de conhecimento e valores que ela contém, mas pelo índice de aprovação no vestibular que ela apresenta. Estudantes geralmente não estudam para aprender, estudam para passar em provas. Cursos de pós-graduação e professores universitários não produzem conhecimentos e publicam artigos e livros para fazerem a diferença no mundo, para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país, mas sim para engrossarem o seu Lattes e para ficarem bem ranqueados na CAPES e no CNPq. 

A meritocracia exige uma complexa rede de avaliações objetivas para distribuir e justificar as pessoas nas diferentes posições de autoridade e poder na sociedade, e estas avaliações funcionam como guiões para as decisões e ações humanas. Assim, em uma sociedade meritocrática, a racionalidade dirige a ação para a escolha dos meios necessários para se ter um bom desempenho nestes processos avaliativos, ao invés de dirigi-la para valores, princípios ou convicções pessoais e sociais.

g) Por fim, a meritocracia dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho. O verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas – pérola da concepção subjetiva e complexa do humano – é uma verdadeira aberração para a meritocracia: para ela, cada um de nós é apenas um ponto em uma escala de valor, e a posição e o valor que cada um ocupa nesta escala depende de processos objetivos de avaliação. A posição e o valor de uma obra literária se mede pelo número de exemplares vendidos, de um aluno pela nota na prova, de uma escola pelo ranking no Ideb, de uma pessoa pelo sucesso profissional, pelo contracheque, de um curso de pós-graduação pela nota da CAPES, e assim por diante. Embora a natureza humana seja subjetiva e complexa e suas interações sociais sejam intersubjetivas, na meritocracia não há espaço para a subjetividade nem para a complexidade e, sendo assim, lamentavelmente, há muito pouco espaço para o próprio ser humano. Desta forma, a meritocracia destrói o espaço do humano na sociedade.

Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos. Assim, embora eu tenda a concordar com a tese da Marilena Chauí sobre a classe média brasileira, proponho aqui uma troca de alvo. Bradar contra a classe média, além de antipático pode parecer inútil, pois ninguém abandona a sua condição social apenas para escapar ao seu estereótipo. Não se muda a posição política de alguém atacando a sua condição de classe, e sim os conceitos que fundamentam a sua ideologia. 

Então, prefiro combater conceitos, neste caso, provavelmente o conceito mais arraigado na classe média brasileira, e que a faz ser o que é: a meritocracia.

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650 comentários

  1. Se você se ativer ao que

    Se você se ativer ao que chamo inércia social, talvez concorde que é este o real sentido do que chamas meritocracia.

    Meritocracia é algo que a própria classe média reivindica como nome do motor de sua continuidade, o que impegna o termo de moralismo justificante.

    A classe média brasileira é das maiores obras do Príncipe do Mundo. Não há, em termos genéricos, nada mais deformado que dois exemplares deste grupo: o juiz e o médico brasileiros são os ápices da deformação.

     

    • The middle class

      Em uma cena do filme “Os Dez Indiozinhos”, adaptação de Agatha Christie, o médico e o juiz travam o seguinte dialago, bem ao gosto british:

      Juiz – “Então o doutor não confia na medicina… “

      Médico – “E o juiz, confia na Justiça ?”

      Risos cinicos, aperto de mão e cada um parte para seu lado.

       

    • A classe média brasileira e Carolina

      Esta análise é ainda melhor. Parabéns ao autor do blog A Poção de Panoramix. Mais breve, e perfeita. Discordo só sobre a classe média alta, pois eu incluiria a classe média-média também.

  2. Não existe meritrocracia no Brasil
    Longo texto para uma visão orgulhosa de quem quer se justificar.
    Não existe meritrocracia no Brasil, no máximo conchavocracia.
    A classe média é reacionária pois quer manter seu destaque social em relação a maioria.

    • Rapaz, voce não viu como o

      Rapaz, voce não viu como o autor explicou magistrlamente como a “conchavocracia’ está inserida na “meritocracia à brasileira”? Leia de novo, vale a pena

  3. Os CRMs não representam os médicos

    Nassif, sua analise é brilhante, mas discordo da tão falada unanimidade médica. A imprensa, querendo atingir o governo alardeou em primeiras capas um tal movimento médico na maioria das vezes com 50 ou 60 gatos pingados que se diziam representante dos médicos. Nossos representantes são do CRM – um Conselho, não um sindicato. Sou médico aqui no Paraná e o tal movimento aqui foi um fracasso. 150 médicos não representam os20 mil de médicos que temos aqui. Os CRMs são tomados pela direita médica reacionária e a maioria dos médicos não participou. Lembre que a imprensa é que ajudou a construir este dito movimento médico que na minha avaliação foi pífio e desortganizado…sem representatividade. Houve unanimidade nos Conselhos, não na classe médica.

  4. Meritocracia

    Prezado Renato,

    É preciso fôlego para lê-la, mas a sua análise é excelente. Acrescentaria apenas uma observação qie, talvez, possa ajudá-lo: o uso do incentivo à meritocracia pelas classes ricas e médias altas, patromonialistas econômicas e culturais, servem para dispersar qualquer foco transformador da sociedade, fosse ele através de arranjos políticos ou revolucionários. E são intencionais.

    São os tais: “por que não estudaram, não procuram emprego, gostam de axé e pagode, ninguém lê livros”.

    Posso estar errado, Renato, mas seus pensamentos bebem, creio que de forma intencional, bastante nas fontes deixadas por Pierre Bourdieu.

    Parabéns e abraço!

    • Resposta

      Obrigado Rui Daher. Concordo com você sobre a conveniência das elites fomentarem a meritocracia, acho que me escapou porque, provocado pela Marilena Chauí, eu estava preocupado em interpretar o comportamento político da nossa classe média, e mostrar porque a seu ethos meritocrático gera um comportamento concervador e despolitizado. Mas suas observações são muito pertinentes.

      Minhas influências são múltiplas, Bourdieu (o campo de lutas dos critérios de avaliação, as distribuições de capitais nos campos que influem nos poderes sobre a avaliação, etc.); Foucault (os “efeitos de verdade” das avaliações meritocráticas), Weber, o ethos meritocrático e a racionalidade instrumental que ele acaba forjando; Husserl e os fenomenologistas sobre a formação da subjetividade humana, dentre outros.

      Abraço, e obrigado pelo comentário

      • Pq nao usa um nick, em vez de apenas se intitular de anônimo?

        Nao acho que ninguém tenha a obrigaçao de revelar sua identidade da vida offline. Mas se chamar de anônimo impede que os outros te identifiquem como alguém específico e te reconheçam em outros comentários. Vc fez um ótimo comentário, mostrou ter boas leituras (adoro Bourdieu), seria bom poder seguir seus comentários. 

        Além disso, a identificaçao, mesmo com nome fantasia, se acompanhada de CADASTRO, é um meio de defesa dos espaços contra trolls… 

  5. Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira

    Fiquei impressionado com a lucidez do Renato.

    Parabéns pelo texto.

    Acredito que ele está no caminho certo ao perceber que a “desempenhocracia” é a raiz  da intolerância.

    Penso, no entanto, que a classe média americana também acredita piamente nesses valores, até mais do que a brasileira.

    Daí o Tea Party, por exemplo, que reflete exatamente os valores que o Renato apontou.

    Grande abraço,

    Marcuses

     

     

     

    • Obrigado Marcuses
      Com relação

      Obrigado Marcuses

      Com relação à classe média americana, não estou bem certo, mas acho que o seu conservadorismo está mais associado a uma moral religiosa intolerante e a um nacionalismo imperialista, mais do que à meritocracia. Afinal, o Obama foi eleito, em grande parte, por suas promessas de oferta de mais serviços públicos, não de incrementar a desempenhocracia. O que existe lá, também, no plano político, são poderosas elites a manipular o Congresso e lobies profissionais que distorcem o sistema legislativo, baseado em um sistema de representação arcaico. Não estou certo de que o Tea Party represente o pensamento médio da classe média americana.

      De qualquer forma, muito obrigado pela contribuição.

  6. Não há, em termos genéricos,

    Não há, em termos genéricos, nada mais deformado que dois exemplares deste grupo: o juiz e o médico brasileiros são os ápices da deformação.¨

    Meu Deus, gerei dois monstros………….!

  7. Positivismo

    O “Positivismo” ainda é a ideologia basilar da nossa classe média, que nasceu lá no final do séc 19. ORDEM E PROGRESSO!! 

    • Pois é, veja só a China:

      Pois é, veja só a China: tentou implacar o positivismo (Legalismo) em 221 a.C.. Não deu certo, retornaram ao Confucionismo e está aí até hoje como o mais antigo povo.

  8. Classe média

    Sobre a classe média, apareceu uma pichação interessante aqui perto de casa:

    “Nada você sabe, pois tudo lhe ensinaram.”

  9. Classe média

    Excelente texto.Parabéns ao autor pela clarividência demonstrada. Espero que o “desvendamento da espuma”  tenha ressonância e possibilite mais desdobramentos.

  10. Primeiro, deve-se saudar o

    Primeiro, deve-se saudar o autor por não partir para o “ad hominen” tão comum na blogosfera, e tentar identificar quais são as forças que fazem da classe média brasileira o que ela (supostamente) é. No entanto, vale fazer algumas provocações com base nos argumentos do texto:

    – realmente a meritocracia é um conceito muito complicado. Eu sempre fui um “fã” do conceito, pelo simples fato de ter me beneficiado imensamente dele (boas notas na escola, bom desempenho profissional no trabalho, entre outras coisas). No entanto, com o tempo percebi que a minha facilidade com os estudos e o aprendizado está longe de ser um “mérito” meu, e sim apenas um acaso, quiçá genético, quiçá fenotípico, que não deveria me dar o direito de automaticamente ganhar mais que alguém sem as mesmas características.

    – por outro lado, ninguém pode discutir a importância da meritocracia para o avanço da produtividade, da economia, do conhecimento científico … não estou falando aqui puramente de crescimento do PIB, mas de questões importantes como a capacidade de resposta do setor público, que hoje é certamente prejudicada pela falta de meritocracia – não adianta o concurso público ser “meritocrático” (e eu coloco entre aspas porque o concurso é, ao meu ver, uma forma bastante limitada de seleção) se, ao entrar nas carreiras, os servidores são promovidos automaticamente, independentemente do seu desempenho (ou falta dele).

    – assim, talvez o caminho mais razoável seja aumentar a igualdade de condições (e é aí que políticas como a de cotas mostram seu valor) e, fundamentalmente, construir uma sociedade com salários mais homogêneos – em que um médico não ganhe 30 vezes mais que um lixeiro. No entanto, é aí que aparece outro problema da classe média brasileira: ela está acostumada com uma sociedade “pós-escravocrata” em que a mão-de-obra de baixa qualificação é muito barata. Inclusive, não concordo com o diagnóstico que os EUA não são uma sociedade meritocrática, muito pelo contrário (eles são e muito – até por uma questão cultural/religiosa decorrente do calvinismo). No entanto, existe claramente uma diferença no valor do trabalho: mesmo com a importação de imigrantes para atuar com trabalhos de menor qualificação, são poucas as pessoas que podem ter uma empregada doméstica, e a cultura DIY (do it yourself) para atividades domésticas como jardinagem, pintura, instalações elétricas etc é muito mais forte do que aqui. 

    – outro reparo importante é observar que, embora a Europa seja realmente mais adepta dos Esatdos de Bem Estar social, sua classe média também não vê necessariamente com bons olhos as políticas de proteção aos desempregados/desamparados. Da mesma forma que aqui, muitos enxergam tais coisas como “dar dinheiro pra vagabundo”. De fato, muita gente aqui no Brasil da “nova classe média” (que para mim está mais para uma classe baixa “remediada” em termos de condições financeiras e estabilidade de longo prazo) também pensa da mesma forma.

    – por último, o caso dos médicos é muito peculiar, primeiro porque a categoria é mais organizada que a média, e segundo porque é o primeiro caso de uma política pública que explicitamente traz profissionais estrangeiros para “concorrer” com os brasileiros. Eu duvido que os CREAs não iriam “enlouquecer” se o governo lançasse um “Mais Arquitetos”.

    Resumindo, como em tantas outras coisas na vida, não cabe nem demonizar nem fazer uma apologia à meritocracia, e sim saber em que situações ela é benéfica para a sociedade e atacar os casos em que ela justifica desigualdades e injustiças.

  11. Lembrei-me de um comentário

    Lembrei-me de um comentário publicado nesse blog há meses atrás. Orgulhoso senhor que tinha acabado de passar em um concurso público federal (o céu da classe média brasileira no momento é o serviço público), falava com desdém não sei mais de que situação, acho que de cotas em universidades, e sempre afirmava: eu, que ralei dois anos estudando para passar em meu concurso…  

  12. nunca vi tamanho besteirol
    o

    nunca vi tamanho besteirol

    o merito so pode ser dado em uma disputa igualitaria, o proprio vestibular é uma maneira de previlegiar classe media alta, a 50 anos nao passava de 5% da sociedade, classificar de “merito” um guri que teve condicoes de vida digna, com dedicacao integral ao estudo ate 18 anos, acesso a informacao, viagens, etc,,, com um guri da periferia, sem estabilidade financeira da familia, sem condicoes adequadas de moradia, sem alimentacao adequada, sem esgoto com doencas constantes, tendo que trabalhar para ajudar familia, cursando uma escola que num semestre tem 3, 4 professores diferentes, uma sala de aula com 50 alunos, etc,,,isso nao nem nada de meritos, por,,,, nenhuna, na inglaterra, franca ou europa em geral, todos tem condicoes pelo menos semelhantes, ai tudo bem,,,,aqui forma manutencao, so ver melhores escolas publicas do pais, predominancia da origem classe media alta, desvio recurso publico para uma setor determinado, usp claramente, 

    o me pareceu é que autou quer esconder a origem da classe media brasileira, ao inves de meritos, historicamente tem a ver com corrupcao, crimes, autoritarismo, seja do campo onde predominava relacao com estado e boa equipe com “meritos”de tomar terras ou da cidade, ligadas a corrupcao do estado ou indicacao politica, principalmete a paulista, forte origem nas indicacoes para altos salarios de estatais e governo, vide regra, 

    o autor despresa que para este setor a democracia e principalmente governo como do lula tirou previlegio do grosso da classe media, principalmente paulista, seus filhos ja nao podem mais ser indicados para um servico publico com bons salarios, seus filhos nao sao mais os unicos a ter acesso a facudade, o status de quem tinha um fusca era superior a quem andava de carroca, a ira contra popularizacao de carro alias nao é monopolio da classe media paulista, rio grande deu varios exemplos de intolerancia, inclusive nos seus comentarios de tv, se pegamos so exemplo das dometicas que estao perdendo da pra montar uma tese, sem democracia, tinham varias, sem direito, trabalhando 24 hs e ainda era um favor empregalas e dar comida,,,

    senhor professor, lamento pelos seus alunos, mas origem reacionaria da classe media brasileira tem a ver perda de previlegios advindos da democracia e da melhor distribuicao de renda e OPORTUNIDADES, DAI A REACAO

    em tempo: ao afirma que conseguir ser medico se deve ao MERITO pessoal, como explica quase inxistencia de negros e classe nao media em suas origens, SERIA POR FALTA DE MERITOS DOS NEGROS E CLASSE NAO MEDIA??????

     

     

    • Resposta

      Desculpe ao Anônimo, mas sugiro ler o texto até o final, creio que você tenha ficado com uma impressão errada sobre ele por não ter concluído a leitura. Talvez suas impressões sobre ele mude um pouco. Acho que você confunde a elite com a atual classe média brasileira, esta da qual estou falando e provavelmente não atentou para a minha visão sobre a meritocracia impregnada no imaginário desta classe média.

      De qualquer forma, obrigado pelo comentário, todas as críticas me são bem vindas, me ensinal alguma coisa.

      • li sim, ate o final,,,
        vi o

        li sim, ate o final,,,

        vi o seu desfecho, a tese do texto é baseada no merito, quando origem da classe media, principalmente a paulista nem tem vinculo com isso, ate concordo que ele seja usado como falso dogma, mas veja bem, a origem, a assencia da origem da classe media paulista e brasileira esta relacionada manutencao de previlegios sobre resto da sociedade, com uso de autoritarismo e corrupcao do estado, na nossa historia quantos periodos de democracia tivemos? o que quero disser que origem REACAO  da classe media é contra a democracia, na democracia a meritocracia se sobrepoe ao dar condicoes teoriamete a todos, portanto, a classe media tambem reage ao merito, ela reage a dar mesmas chances de estudo a seu filho e um da classe baixa, nao aceita meritocracia, dai tese toda do texto, eu considera um vicio de origem

        a classe media antiga ou anterior a democracia, a de antes de 90, digamos, nao se mantem nessa condicao social justamente por falta de meritos, herancas estao sendo consumidas, o DNA parasita que existe nesse setor ira liquida los, se democracia (consequentemente valorizacao do merito indivdual) permanecer por uma ou duas geracoes

        • Permitem-me, os dois, dar um

          Permitem-me, os dois, dar um pitaco. Acredito que a discordância principal está na palavra “mérito”. Duvido que o Rentao discorde quando o “Anonimo” afirma que “em igualdade de condições, sem as vantagens que o dinheiro (e poder) oferecem ao rico em detrimento do pobre, é o mérito que prevalece”.

          Só que o autor discute as implicações do que signiifca de fato o ‘mérito” em nossa sociedade. Ela analisa o “mérito” dentro de um contexto, não como um valor absoluto, em si, como o Anonimo. 

          • Obrigado Juliano, pela

            Obrigado Juliano, pela força.

            No meu texto está escrito:

            “A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável ética do merecimento, uma perversa ética do desempenho”.

            “Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes”. “No mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito”.

            “A meritocracia escamoteia as reais operações de poder… tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente… por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade”.

            Tentei deixar clara a minha visão no texto, de que na meritocracia não é o merecimento e sim o desempenho que conta, e este é pautado não só pelas condições diversas de cada um, mas também pelas estruturas de poder na sociedade.

            Renato Souza

    • Anônimo intercedendo com o Anônimo pelo Anônimo

      Caro Anonimo

      Na verdade, seu comentário me parece ir um tanto ao encontro do resumo do post (que gostei, tirando alguns poucos pontos e vírgulas, o que é natural).

      Juntando ambas as constatações e opiniões, constroi-se uma visão complementar do tema, o qual é muito relevante.

      Abraço do Anônimo ao Anônimo e parabéns ao Anônimo.

       

      PS: mutio esclarecedor: este anônimo é o ed. não logado, o anônimo parabenizado é o Renato Souza e o outro anônimo ainda é anônimo (mas fora a (des)qualificação de “besteirol”, também contrbuiu positivamente).

       

  13. Aula de Sociologia

    O artigo é uma verdadeira aula de Sociologia. O texto do Sr. Renato sugere um excelente tema aos estudantes para a conclusão do Curso (TCC – Tema: Meritocracia).

  14. Ideologia 1 x Bom Senso 0

    Vamos sortear nossos mecânicos, médicos, advogados? Por mais subjetivo que seja meu relacionamento com meu mecânico se ele pisar na bola eu costumo procurar outro, não tem nada de subjetivo nisso. Meritocracia perfeita não existe, mas seguindo esta argumentação a fábula da cigarra e da formiga vai ser condenada como propaganda direitista conspiratória.

  15. Classe Média e Meritocracia

    Interessante sua análise Renato, mas acredito que você esqueceu de incluir um aspecto fundamental em sua análise, como segue:

    Todos que pertencem à classe média sabem que usaram ou usam o Estado de alguma forma. Ou a universidade pública onde estudou ou seus filhos estudam, ou no seu salário como funcionário público ou como empresário fornecedor para a máquina pública; ou até mesmo na hora dos “xunxos” na declaração do imposto de renda.

    A reação dos médicos é diretamente proporcional ao fim dos contratos com prefeituras para atender o interior ou periferias das grandes cidades. Perder um contrato de R$ 30.000,00 para atender um dia por semana vai doer no bolso de qualquer pessoa. “Uma grande injustiça”

    Entendo ser muito otimista enquadrar a visão da classe média brasileira como baseada na Meritocracia.  Essa classe média tem origem no brutal sistema escravocrata, e considera-se herdeira de privilégios, sonha com a Casa Grande e morre de medo da Senzala.

    A Meritocracia pertence à sociedades culturalmente liberais, o que não é o caso das Terras Brasillis.

    A classe média brasileira acha muito “chic” a Meritocracia, tem cheiro e aparência de “primeiro mundo”, mas na prática ela sabe muito bem que por estas paragens o que funciona são os privilégios – mantidos na base da violência.

    • Anonimo, porque só agora voce

      Anonimo, porque só agora voce me explica a oposição tão histérica dos coxinhas de branco ao “Mais Médicos”? Putz, eu presumia algo assim, mas não tinha certeza.

      Fim dos contratos com as prefeituras, em que os CRMs iriam negociar para que o salário oferecido aos que fossem aos cafundó do Judas pudessem, quem sabe, aumentar ainda mais? Mais de 30 mil? Aí chegam os “escravos do Fidel’ para atrapalhar?

      Está explicado o furor “civico” dos coxinhas de jaleco. E toda a disposição para lutar por uma saúde “padrão Fifa”

  16. Competição

    A meritocracia é a nossa forma (ir)racional de nos igualarmos às espécies predatórias de animais.

    Em nossa sociedade (como um todo) existe o culto ao vencedor, ao melhor, ao mais rico, à tudo que represente algum tipo (subjetivo ou objetivo, como queiram) de sucesso. Sendo que para existir um vencedor, deve existir um perdedor, para existir um melhor, deve existir um pior. Isso é ensinado desde cedo, o culto à competição. Todos querem se sair melhor em tudo, geralmente com os fins justificando os meios.

    O culto à competição é tão feroz que até coisas de julgamento subjetivo, como músicas, filmes, têm de ter um melhor e outro pior. Até em eventos esportivos, onde a competição deveria ser algo objetivo, também há julgamentos subjetivos, por notas, como em ginastica artística.

    Atualmente a principal competição que se nota é a de quem consegue juntar mais dinheiro. Se tornou sinônimo de um ser humano bem sucedido aquele que enriquece. Não importam os meios, não importa a finalidade de se ter tanto dinheiro. Importa é estar na lista dos mais ricos para provar o sucesso (?) de uma vida. Se você parar algumas pessoas na rua e perguntá-las “qual seu sonho?”, várias dirão: – ficar rica(o). O conceito de sucesso é ter dinheiro para esbanjar, para poder fazer o que quiser, não necessariamente ser produtivo para a sociedade.

    Voltando à nossa classe média, ela parte em um rumo muito perigoso, que não gosto de pensar. Um rumo de extremismos. Não só extremismos políticos, mas de pensamento. Um rumo de uma intolerância, uma pseudo-moralidade (outro conceito subjetivo), uma insensibilidade que me amedrontam.

    Estas manifestações de junho, julho, agosto, setembro… de início me motivaram, me animaram, mas depois me mostraram que os tempos serão difíceis. Não pela classe política, que é e sempre foi a mesma, mas pelo povo (do qual faz parte a classe política, e do qual sairão os “novos” políticos, que terão os mesmos métodos e mesmas práticas, pois não há mudança cultural nem de pensamento). Mas uma vez o importante era vencer, desta vez no grito. Só no grito. A inteligência, a capacidade de pensar, em nenhum momento foi usada. Fruto da competição? Da importância suprema de vencer? Alguém venceu?

      • Nao misture alhos c/ bugalhos, Darwin com Spencer

        Se nao entendeu no título, vá ver na Wikipédia quem foi Spencer, e vc entenderá porque o que pensa que é Darwin é na verdade Spencer. Que apenas usou o pensamento de Darwin como pretexto exatamente para justificar os privilégios sociais dos “vencedores”. 

  17. Não é dificil identificar a

    Não é dificil identificar a razão por tras do “reacionarismo” da classe média: não tem direito à Bolsa Familia (dos miseravies) nem à Bolsa BNDES (dos miliardarios), mas sustenta a ambas com seus impostos; ao contrario dos ricos, não tem muita margem de manobra pra fugir da sanha confiscatoria do Leão brasileiro em todas as suas esferas, quando muito tem um descontinho aqui ou ali no IR porque paga por educação e saude privadas;  sempre que algum despossuido de manual reclama por direitos, do tipo andar de graça à vontade no transporte publico, a classe média ja sabe do bolso de quem vai sair o aumento da popularidade do politico que porventura os conceder. Enfim, a classe média é feita de gente que no geral trabalha muito, paga muito imposto, se diverte pouco, não usa os seviços publicos porque de péssima qualidade, vive com medo de levar um tiro na cara de algum marginal. Marilena Chaui e o autor do texto queriam o que?

      • Privilégios

        Isso só vale para as gerações que atravessaram as décadas de 80 pra cá, quando os serviços públicos foram deprimidos por causa da crise fiscal do Estado e da hegemonia ideológica neoliberal. Antes disso as classes médias sempre tiveram, sim, muitos privilégios que nunca admitiram; pelo contrário defendiam como merecidos.

        Hábitos de classe são forjados ao lngo de gerações e gerações; vêm de longa data.

    • O pagador de impostos

      Fala como se fosse o unico que paga imposto. As classe baixas que recebem bolsa família, que voce chama de vagabundos, pagam imposto também, além de tambem trabalharem (o bolsa é complemento a um salário de fome).

      Pagam no consumo, que é para onde vai 100% do que ganham. A classe média pode fazer poupança, a duras penas, eles nem isso.

      E uma das injustiças tributárias é exatamente essa. Os impostos cobrados no consumo no varejo, deveriam diminuir, e o cobrado no salário deveriam aumentar proporcionalmente. É assim nos países nórdicos, por exemplo

       

      • Senhor Juliano (pelo menos se

        Senhor Juliano (pelo menos se identifica com um nome, não é simplesmente “anônimo”), não seja desonesto ao ponto de botar palavras no teclado alheio: onde chamei quem quer que seja de “vagabundo”? Depois os comentaristas “de esgoto” são os outros, né?

        Pobre paga muito imposto? Paga, proporcionalmente à renda, paga muito. Mas, em termos absolutos, não é o imposto do pobre que sustenta o país. E, bem ou mal (mais mal do que bem, certamente), o pobre ainda faz uso dos serviços públicos precários que temos. A classe média (com exceções, não se dê ao trabalho de apontá-las que eu conheço bem) só paga, amigo. Paga e tem de aguentar, de preferência calada e, mais do que isso, penitente, puxão de orelha de intelectual engajado que também deve seu salário aos impostos que ela paga.

        Mas, bom, a gente sabe o que a classe média tem que fazer pra se redimir aos olhos da Marilena Chauí, do autor do texto e, acredito, pro senhor também, não sabemos? Basta votar na Dilma em peso ano que vem.

        Votar no PT é o Omo da alma.

  18. Como apontar o médico (ou

    Como apontar o médico (ou mesmo o juiz como alguém mencionou depois) como representante(s) da classe média se até pela classificação do próprio governo, considerando o salário que tais profissionais ganham já seriam considerados parte de uma família da classe A? Podem não ser a nata da nata, mas estão longe de ser considerados classe média.

     

    Outra ressalva que faço em relação ao bom artigo é quando fala dos EUA, pois o “sonho americano”, a noção de que qualquer um pode vencer e ter sucesso na vida desde que trabalhe duro é essencialmente meritocrática. Tal meritocracia pode até não “proteger” a classe média americana daqueles mais abaixo, mas não é facilmente negada por lá, basta ver o drama que foi a discussão do Obamacare recentemente. A meritocracia é parte inseparável da cultura americana. E provavelmente, o “sonho americano”, influencia (in)diretamente os nossos defensores da meritocracia, graças ao consumo de várias formas de cultura oriunda dos States.

  19. Que tal pensar por outro lado?

    A classe média, até agora, tem sido a grande vítima e o alvo preferido do PT.

    Quando precisaram fazer uma reforma da previdência, quem se ferrou? a classe média.

    Quem foi o principal prejudicado pelas cotas? a classe média

    Enfim, basta ver em várias áreas que a classe média tem se ferrado.

    Por outro lado, em fez de afagar a classe média, o PT prefere atacar. Que tal mudar a tabela do IR, para desafogar um pouco a classe média?

    Enfim, em vez de atacar, o PT deveria afagar um pouco a classe média. 

    • Erro de estratégia

      Concordo com quase todas as afirmações. Mas não com a palavra “alvo”.

      Ora, para diminuir a desigualdade, é preciso redistribuir renda.

      Quem teria mais a fornecer seria a classe econômica A e os muito ricos.

      Mas toda vez que se tenta redistribuir usando a grana da “cobertura”, é uma grita geral.

      E sabe quem sempre fica do lado dos mais ricos: a pobre da classe média.

      Portanto, vai continuar pagando a conta enquanto não reconhecer que para defender seus próprios interesses não pode ajudar a blindar os que estão muito acima.

       

      • Vá lá, Orides, explica pra

        Vá lá, Orides, explica pra gente como a classe média “blinda” os mais ricos. Gostaria de ver isso. Mas, por favor, não saque o voto (majoritário, mas longe de ser uma maioria absoluta, esmagadora) no Serra em 2010 como “argumento”.

    • Não só do PT, temos que ser

      Não só do PT, temos que ser justos. Sempre que algum político quer fazer bonito junto à massa de desassistidos, não tem dúvida: assalta de algum jeito o bolso da classe média.

  20. Escelente  análise. É bom

    Escelente  análise. É bom destacar que o autor não apresenta uma teoria fechada. Ele argumenta bem e dá bons exemplos para ilustrar o que diz. Não se mostra dono da verdade. Apresenta caminhos convincentes para se chegar a uma conclusão sobre o que se convencionou chamar de classe média. Cito uma experiência recente que se incorpora como uma luva a esta análise. Ao comprar ingresso para o cinema apenas perguntei para a pessoa à frente, na fila, sobre o filme. Descendente de japoneses a pessoa me informou e começou a conversar e de repente a repetir as críticas mais primárias sobre o Bolsa Família. Reagi em defesa do programa e literalmente quase apanhei. Seu argumento básico: “estão dando dinheiro a vagabundos”. Acrescentou: “meu pai trabalhou a vida inteira muito duro para os filhos estudarem e nós fizemos faculdade, ele virou empreendedor e está bem de vida, ninguém ajudou, não precisou de bolsa família”, etc. É a meritocracia em ação como analisa o autor. Esta é a claase média por aqui.

  21. Escelente  análise. É bom

    Escelente  análise. É bom destacar que o autor não apresenta uma teoria fechada. Ele argumenta bem e dá bons exemplos para ilustrar o que diz. Não se mostra dono da verdade. Apresenta caminhos convincentes para se chegar a uma conclusão sobre o que se convencionou chamar de classe média. Cito uma experiência recente que se incorpora como uma luva a esta análise. Ao comprar ingresso para o cinema apenas perguntei para a pessoa à frente, na fila, sobre o filme. Descendente de japoneses a pessoa me informou e começou a conversar e de repente a repetir as críticas mais primárias sobre o Bolsa Família. Reagi em defesa do programa e literalmente quase apanhei. Seu argumento básico: “estão dando dinheiro a vagabundos”. Acrescentou: “meu pai trabalhou a vida inteira muito duro para os filhos estudarem e nós fizemos faculdade, ele virou empreendedor e está bem de vida, ninguém ajudou, não precisou de bolsa família”, etc. É a meritocracia em ação como analisa o autor. Esta é a claase média por aqui.

    • Bem, nem tanto ao céu, nem

      Bem, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno.

      Bolsa Família é um programa de assistência social imprescindível em um país como o Brasil, que possui dezenas de milhões de excluídos e em estado de miséria. 

      Ao mesmo tempo, representa o reconhecimento, pelo próprio Estado, de sua incapacidade em fornecer meios, garantir subsídios para que o indivíduo alcance a sua autonomia. Que se destaque esta minha afirmação, pois existe uma mania de alguns de celebrar o BF como se fosse um início de “Welfare State”. Não, não é. É, na verdade, a negação dele.

      O discurso do descendente de japonês, embora revele uma incompreensão com o Programa que o leva a insensibilidade social, não pode ser totalmente descartado. 

      A história dos imigrantes que vieram do Japão sempre foi pontuada pela pobreza e pela miséria. O Japão, até o quarto final do século 19, era feudal. Os japoneses que vieram para cá – em sua esmagadora maioria antigos servos – nunca tiveram chances de estudar lá, subir na vida (pois a sociedade era dividida em rígidas classes), e assim investiram todas as suas fichas na educação dos filhos. A aposta foi acertada, o que demonstra (se é que precisava de demonstração) que o maior instrumento de emancipação social existente é a educação.

      O governo federal, de 2003 para cá, teve um indiscutível mérito em amparar milhões de brasileiros com o Bolsa Família. 

      Só que, 11 anos depois, a educação – que deveria ser o investimento de longo prazo enquanto o BF matava a fome destas pessoas – não deu nenhum salto qualitativo, e o sonho de consumo dos excluídos do nosso país ainda é a educação privada. Isto causa uma situação perversa, em que mantém os beneficiários atrelados ao assistencialismo do Estado e os torna eleitores vulneráveis, altamente suscetíveis a cair no “discurso do medo” (o da perda do programa caso algum opositor chegue ao poder). 

      Os japoneses que vieram para cá tiveram a sorte de ter encontrado ensino público gratuito e de qualidade. Os seus filhos estudaram na Usp e os seus netos puderam estudar em bons colégios privados. Se tornaram algo que a maioria nunca foi no Japão: classe média.

      Teriam a mesma ascensão, se tivessem migrado pobres, HOJE, para o Brasil, com ensino público em frangalhos e ensino privado a preços aviltantes? Não sei não..seria muito mais difícil..

      É por isto que o discurso do descendente, apesar de acertar no que se refere a educação como principal meio de ascensão social, peca no simplismo de considerar ser a meritocracia do seu pai algo puro, despido das condições sócio-políticas da época. Todavia, tão simplista quanto, é celebrar o Bolsa Família sem cobrar do governo sua fatura mais cara: educação gratuita e de qualidade.

      Assim, no caso dos nossos excluídos, que hoje recebem Bolsa Família, ou figuram dentre os milhões que conseguiram empregos com baixa especialização e rendimentos de até 1,5 Salário Mínimo, só uma educação pública gratuita, universal e de qualidade poderá retirá-los deste estado de eterna estagnação social.

      • Boa contextualização

        Bem lembrado o contexto da época e sua correlação com a meritocracia. Cabe colocar outra contextualização histórica. Apesar de todos as penúrias da época aqueles que imigraram para o Brasil foram beneficiadas por alguma politica pública. As vezes um pedaço de terra sordida no meio do nada. Coisa que nem de perto tiveram os escravos libertos.

  22. ArthurTaguti

    Excelente reflexão Renato. Uma verdadeira aula.

    Só queria acrescentar alguns pontos, que você e outros podem ou não concordar.

    1) Nossa sociedade sempre teve duas classes sociais muito fortes: os “donos” (donatário, senhor de engenho) e o povão marginalizado. Como uma classe detém poder absoluto e a outra sente o poder do chicote, a classe média surgiu basicamente para funcionar de “equipe de apoio” às classes mais altas, tornando-se advogados, médicos, contadores, engenheiros, e por aí vai. 

    2) Por não deter os meios de produção (tal qual a elite), está mais perto dos pobres que dos ricos. É muito fácil amanhã eu estar na pindaíba, mas quase impossível um dia estar num jantar de gala da Fiesp ou da Febraban como um banqueiro ou industrial.

    Assim, a “meritocracia” torna-se status diferenciador entre pobres e classe média, e esta se torna essencialmente conservadora, defensora dos mais abastados, pois a ela fora concedida “regalias”, “benesses”.

    3) O que Marilena Chauí esquece de dizer, talvez por acreditar que há 10 anos vivemos governos “pós-neoliberais”, é que há tempos (desde a época de FHC) a classe média das grandes metrópoles (tal qual SP e RJ) enfrenta um processo não de proletarização, mas de recrudescimento do padrão de vida. 

    O sujeito que hoje se casa e tem seus dois filhos em SP/Capital, vai procurar um apartamento no bairro que morou a vida inteira (vamos supor, Pinheiros) e encontra latas de sardinha a R$ 700.000,00, apartamentos de 3 quartos a R$ 1.000.000,00, preço proibitivo até para a classe média “tradicional”. Ao mesmo tempo em que ouve do pai que este estudou em ótimos colégios públicos e gratuitos, o sujeito procura o mesmo colégio privado que estudou a vida inteira, e encontra mensalidades batendo a casa de R$ 3.000,00, isto na Pré-Escola.

    SP e RJ já figuram entre as cidades mais caras do mundo, comparáveis a NY, Londres, só que com um detalhe singelo: possuem Renda Per Capita muito, mas muito menor. 

    4) Portanto, além da meritocracia, impossível retirar do contexto o fato de que o custo de vida e as condições de vida da classe média, nas grandes metrópoles brasileiras, estão chegando a patamares insuportáveis.

    Tanto que os protestos de junho irromperam destas duas cidades, e se espalharam para o resto do país identificando não um problema regional, mas nacional.

    Nesse contexto, não causa surpresa que a molecada da classe média – ao contrário do senso comum que sejam reacionários e defensores do Estado mínimo – pediram “Mais Estado”, na forma de investimentos em mobilidade urbana, educação e saúde gratuitos.

    5) A meritocracia é uma ideologia ainda cara a classe média, mesmo a que engrossou o coro das ruas em junho, só que o processo de “empobrecimento” – que é o que ocorre quando o seu dinheiro não compra coisas que eram possíveis há anos, décadas atrás – leva os seus membros a pedir medidas que “aliviem” o seu custo de vida crescente, dando uma destinação adequada aos 27,5% de IR que é descontado todo mês do seu salário.

    Assim, deixar de pagar colégio privado para os filhos, deixar de bancar planos de saúde com preços cada vez mais proibitivos, e a possibilidade de deixar o carro em casa para ir ao trabalho, importaria no restabelecimento de um status financeiro que a classe média vem perdendo lenta e gradualmente há décadas.

    6) Existe espaço para um partido político, ou grupo político, que abrace verdadeiramente a bandeira do “Welfare State”. E, levando a discussão para um rumo adequado (ou seja, ganhando a discussão com a mídia, que de todo jeito tentaria desviá-la), é possível convencer a classe média a defender um Estado de Bem-Estar. 

    A carga tributária para esta classe já é alta igual no Welfare, a tributação sobre os mais ricos não a prejudicaria, e mesmo que ficassem obrigados a eventualmente arcar com Imposto de Renda mais alto (na base de 40%), no final seus ganhos no orçamento seriam maiores, pois deixariam de pagar educação e saúde privados.

    Os maiores entraves (e que entraves!) são a falta de grandes financiadores de campanha e apoio da mídia. Teriam que fazer o que o PT fez nos primórdios, com pequenas doações de pessoas físicas e apoio da militância.

    • Avestruz

      A classe média não quer enxergar o lugar que ocupa na estrutura de poder!
      E acha que “tem sim direito de ser dona de um apê em Pinheiros”.
      Se não tem, é culpa do PT ! 
      kkkkk

    • Gostei muito da matéria

      Gostei muito da matéria inicial e do seu comentário Taguti, que torna ainda mais clara a tese defendida inicialmente.

    • Taguti, pq até seu comentário está aparecendo como de 1 anônimo?

      Tá difícil de seguir a discussao neste tópico, é anônimo respondendo a anônimo! Nao estou pedindo, claro que nao, identidade da vida offline a ninguém, mas, pelos Céus, usem nicks identificatórios de quem está falando. 

      • Anarquista Lúcida,
        É que

        Anarquista Lúcida,

        É que antes não estava dando para colocar meu nome, mas agora o problema já está resolvido.

  23. Emilio

    Não estou convencido de que isso explica tudo. Acho que é bastante clara a idéia de meritocracia que é brandida pelas pessoas de classe média no Brasil contra cotas, programas socias e afins. Mas me parece que isso é a superfície.

    Ora, meritocracia subentende dar oportunidades a todos e premiar os melhores desempenhos. Qualquer análise sobre a idéia de meritocracia no Brasil terá de levar em conta alguns fatores importantíssimos:

    1. O Brasil está muito longe de dar oportunidades iguais a todos os brasileiros.

    2. A desigualdade no Brasil é abissal.

    3. A correlação entre o nível de renda dos pais e de seus filhos é muito grande.

    4. A correlação entre cor da pele e renda no Brasil é muito grande.

    Esses quatro fatores anteriores são claríssimos e evidentíssimos no Brasil, não vê quem não quer ver ou se alienou completamente do que ocorre à sua volta.

    Parece que acreditar que o próprio desempenho merece ser premiado embasado em meritocracia no Brasil subentende as seguintes premissas, casadas com os 4 fatores acima:

    1. Existem oportunidades para todos, pobres são pobres porque se acomodam e não as aproveitam.

    2. O que gera a desigualdade abissal é a diferente capacidade das pessoas e seu desempenho.

    3. A capacidade é genética.

    4. Cor da pele tem correlação com capacidade.

    Além disso, tem que haver um lapso de memória sobre a transferência de patrimônio de pais para filhos através de heranças.

    Acho que esses fatores de fundo explicam muito mais a indignação da Marilena que a superficial idéia de meritocracia.

    • Mas o artigo nao nega nada disso, pelo contrário!

      Ele nao está assumindo a ideologia do mérito, está denunciando-a! Ou seja, ele nao está dizendo que aquilo que a classe média chama de mérito é realmente um mérito. Mas que ela pensa que é, pensa. Porque precisa disso para justificar seus privilégios. Que ainda existem, por mais que tenham diminuído; o que aliás só torna mais necessário para ela agarrar-se ao seu “mérito”, berrando contra a diminuiçao da distância que a separa dos mais pobres.  

      • Realmente não acho que ele nega

        É, não acho que o texto nega isso, mas não focaliza isso.

        O texto dá a entender em muitas e muitas passagens que o problema é a meritocracia em si, não o discurso da meritocracia usando para mascarar privilégios.

        Acho que ele não tocou o cerne da questão, ou no máximo tocou bem de leve e indiretamente. Isso aí que você disse foi o que você entendeu, mas não está escrito assim tão claramente no texto. Isso só vai aparecer na cabeça de quem já tem isso na cabeça, como você, eu, e acho que até do autor do texto.

        • Caro Emílio
          No meu texto está

          Caro Emílio

          No meu texto está bem clara a minha posição, não falo da meritocracia em si, mas do que ela representa modernamente, que resolvi chamar de “desempenhocracia”.

          Textualmente…

          “A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável ética do merecimento, uma perversa ética do desempenho”.

          “Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes”. “No mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” – se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito”.

          “A meritocracia escamoteia as reais operações de poder… tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente… por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade”.

          Não acho que isto sugira a interpretação que tu deu às idéias contidas no texto.

          De qualquer forma, obrigado pelos comentários, a repercução que teve este post mostra que o tema é pulsante e que muitas pessoas ainda tem disposição para encarar um texto longo, refletir e criticar idéias. Num blog de notícias, não somos só consumidores de informação. Embora muitas das críticas, sobretudo as mais concervadoras, só reforçam as teses que defendi no texto, tenho refletido sobre a maioria dos comentários como os teus, e tentado aprender com eles.

          Abraço

          Renato Souza

          • Esses trechos para mim são indiretos

            Continuo achando indireto. Até porque você cita essa idéia de desempenhocracia lá pelo final do texto, depois de ter criticado a meritocracia variadas vezes. E até acho que esse fato da dificuldade de medição de mérito em si, dado que o que se mede é o desempenho, não é um fator tão crucial assim. Dado que haja um empenho em se manter condições e oportunidades iguais, em se dificultar privilégios de nascença e herança, desempenho e mérito têm grande correlação.

            Veja esse trecho:

            “Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.”

            Tudo uma questão de desfaçatez, isso sim. Uma verdadeira crença na meritocracia veria que cotas são a favor da meritocracia. Uma verdadeira crença na meritocracia impeliria as pessoas a verem os verdadeiros entraves à meritocracia no Brasil, e não esses efeitos colaterais e de menos importância elencados no parágrafo.

            A desigualdade de renda é medida no Brasil, não é uma questão de opinião. Você realmente acha que as pessoas de classe média acreditam que o talento segue aproximadamente o mesmo perfil de distribuição na nossa sociedade que a renda? Acha que elas acreditam que 40% do talento está com os 10% mais talentosos da população? Acha que elas acreditam que são realmente 10 mil vezes menos talentosas que um banqueiro, já que o patrimônio delas é 10 mil vezes menor? Toda a evidência aponta que há uma minoria muito talentosa, uma minoria pouco talentosa e uma grande massa de médio talento. Não é isso que você vê em qualquer profissão? Alguém que acredite firmemente na meritocracia, além de ver que nosso país está muito longe de viver um modelo assim, seria muito contra o status quo. Não vejo a classe média tendo esse tipo de posição, e parece para mim muito claro que essa conversa de meritocracia é fachada, e não a fonte do reacionarismo. Isso está escrito no texto? Indiretamente, talvez, certo?

            Uma verdadeira crença na meritocracia levaria as pessoas a se depararem com o estado abissal de desigualdade no Brasil e passarem a defender coisas como:

            1. Eliminação de toda e qualquer forma de discriminação, seja cor de pele, social, nascença, filiação a partidos, orientação sexual.

            2. Uma verdadeira reforma tributária que visasse um sistema genuinamente progressivo, que ajudasse a diminuir a distância entre pobres e ricos.

            3. Intervenção governamental que redistribuísse renda de forma a incluir no jogo meriticrático a maior parte de nossa população que sempre ficou de fora, excluída.

            Você vê grande parte da classe média defendendo princípios assim? Você conclui disso o quê? Para mim, parece que não é meritocrática coisa nenhuma, e logo essa não pode ser a fonte do reacionarismo, como sustenta o texto. O texto fala isso? Indiretamente, talvez. A conclusão de se combater a meritocracia certamente vai na direção oposta.

            Uma das partes mais fracas do texto foi ter que sustentar que a classe média americana não tem uma ideologia meritocrática. Concordo que a sociedade deles não é, mas a ideologia sem dúvida é. Pesquise sobre o American Dream e você verá elogios e mais elogios à meritocracia, mérito pessoal, talento, e, muito importante, igualdade de oportunidades. Não há como negar isso. Negar que o American Dream tenha sido parte da ideologia da classe média americana foi um lapso muito grande. Tentativa de torcer os fatos para caberem nas idéias? E como fica, diante disso, a tentativa de se dar um aspecto mais geral à idéia de que meritocracia leva ao reacionarismo.

            Concordo que meritocracia não pode ser o único e exclusivo critério para o ordenamento de uma sociedade. Há mais coisas envolvidas. Há que se ter uma rede de proteção social em razão de toda a aleatoriedade envolvida na vida. Mesmo com oportunidades iguais e falta de herança, as pessoas podem apenas não ter sorte. Além do quê, o simples fato de se ser uma pessoa já é um mérito em si.

             

  24. Antes da Chauí, Cazuza já

    Antes da Chauí, Cazuza já teria decifrado o enigma: a burguesia fede, a burguesia quer ficar rica…

    Parabéns Renato! Mass…a classe média tá mais pra invejosa que meritocrática.

    Nunca dantes nesse país comerciantes de classe média ganhou tanto dinheiro, médicos de classe média que há 15 anos atrás atendiam x pacientes, triplicou a clientela. Pior que esses só jornalistas classe média que chamam o patrão de colega, e o pior de todos promotores/procuradores classe média que prevaricam pra beneficiar determinadas pessoas.

    Já tem guru da classe média querendo proibir o bife na mesa do pobre, pra eles classe média pode. Dificultar a viagem de avião, mas os cavalos do seu marineiro correligionário, pode.

    Entre sua análise e a filósofa Chauí, prefiro a do Cazuza: a burguesia ……….além disso é ciumenta.

  25. ótimas observações e muito

    ótimas observações e muito bem costuradas pelo autor! paremos e reflitamos em como esses conceitos permeiam o dia-a-dia do homem moderno.

  26. Muitos comentários com

    Muitos comentários com “identificação”(o termo parece ser nick, não?) oriundos, parece, de pessoas distintas. 

    Se preferem o anonimato, tudo bem. É uma faculdade dada pelo blog. Mas que pelo menos fizessem uma singularização qualquer(anônimo 1, anônimo 2…….). 

    Não entendam isso como patrulhamento, e sim como mera sugestão. 

    • Emilio

      Não sei o que está acontecendo, mas para mim pelo menos não aparece o campo para preencher meu nome e e-mail, só aparece o campo assunto. Esse post, por exemplo, vai aparecer como anônimo, porque eu percebi isso e coloquei meu nome no assunto…

    • desvendando….

      Há um pequeno problema na caixa de comentários do post:  a janela Nome (pelo menos no meu computador )  está ausente. Postei um comentário pela manhã e ele teve de ir anônimo. Acredito que varios , talvez até todos os outros anonimos estejam com este problema.

       

      Meu Nick: Campos

      • Obrigada, Campos, pelo esclarecimento

        Eu nao estava entendendo essa “invasao” de anônimos, inclusive comentários de comentaristas conhecidos, como o Tagutti, aparecendo como de anônimos. Bom, se o problema continuar, talvez alguns se convençam das vantagens do CADASTRO… (rs, rs). 

      • Confirmado.
        Em teoria eh so

        Confirmado.

        Em teoria eh so deslogar e logar de novo mas como eu nao logo nunca e tive o mesmo problema, tracei o diretamente ao cookie do “addthis”, que esta prohibido no meu computador agora:  veja se resolve no seu computador tambem.

  27. Vestibular = meritocracia

    Nada tão ‘classe média brasileira’ que fazer festona por ter um filhinho que passou num vestibular depois de 2 anos naquele cursinho caríssimo.
    Na maioria dos casos, não importa muito qual o curso, nem se o cara vai mesmo cursá-lo: “Ya Basta”! O jovem coxinha conseguiu alí sua medalha, sua distinção! Já pode ganhar o carro e uma mesada maior.
    “Orgulho da nação”, vovô acha que ele merece um bom emprego!

  28. meritocracia

    Parabéns, Renato. Seu texto é excelente. Eu tinha uma idéia nebulosa sobre estas questões e a sua leitura clareou a minha mente a respeito. Gostaria de acrescentar conceitos emitidos pela classe média meritocrática que se ouve com muita frequência: o pobre, o ignorante e o bandido são os culpados por serem pobres, ignorantes e bandidos, como se o pobre gostasse de ser pobre, o ignorante tivesse tido oportunidade para estudar (dizem que ele é assim porque fugiu da escola) e o bandido teve formação ética,de educação, de saúde e estabilidade familiar, e no entanto, “deu no que deu”!

  29. Excelente. Supimba. Nota 10!

    Excelente. Supimba. Nota 10! Desnudou em termos políticos, sociológicos, psicológicos e principalmente ideológicos, o que efetivamente move a nós, classe média. 

    Gostei imensamente quando fez a distinção entre a meritocracia como valor individual, o que certamente nunca poderia deixar de ser válido, da meritocracia instrumentalizada como ideologia de classe.

    Daí se pode muito bem entender o que move, por exemplo, o ódio devotado ao ex-presidente por parte da classe média. Para ela, Lula teria um horizonte, digamos de “sucesso” na vida. Até mesmo uma eventual formação de nível superior ou mesmo um médio comerciante. Agora galgar o mais alto posto da República só com o primário e aposentado precocemente por acidente de trabalho, não. Isso foi uma afronta. Não tinha, e continua não tendo méritos para isso. 

    A propósito, vale lembrar da estória contada pelo próprio Lula quando na campanha de 2002 visitou a redação do jornal Folha de São Paulo(típica leitura da classe média meritocrática) e foi inquirido pelo sr. Otávio Frias Filho(Tavinho) acerca do seu conhecimento de inglês. 

    Na mesma linha, de forma sub-reptícia os marqueteiros que nas eleições de 2006 e 2010 trabalharam para a oposição exploraram isso quando, por exemplo, Serra se enaltecia de ser  “o mais preparado”. 

  30. Classe média

    Classe média: Come salame e fala que arrotou presunto (nem arrotar consegue).

    Interessante que, todos aqui no blog, estão na classe média brasileira (segundo o IBGE). Então não é bem assim.

    Gosto de salame com pão frances maionese e coca cola.

  31. Caixa de Pandora

    Ao colocar na berlinda a meritocracia, abriu-se uma Caixa de Pandora.

    Excluindo-se o mérito, o que entra no seu lugar?

    O problema da classe média é não ter coragem para ser hegemonia. Contenta-se com pouco e tem medo de perdê-lo. 

    No Brasil, os bancos LUCRAM (líquido!) 50 bi por ano, p. ex.. E a classe média acha que o problema do país é o Bolsa Família. Qual o mérito nisso? Ou melhor, porque Itaú e Bradesco podem embolsar 10 bi por ano cada um? Será que eles são tão melhores que um “classe média”? Será que esta classe se vê como medíocre?

    Não! – Mas é pq ela se compara com a “classe trabalhadora” (pobre). E aí, se acha!!!

    Pobre classe média. Que mérito há em ser conduzida (afinal, não é ela quem garante boa parte do lucro dos bancos)?

    O problema é que seu mérito é relativo a mediocridade (aos pobres), se fosse aos “AAAs” do Brasil, aí a conversa seria outra. Que mérito tem um “dono de banco” para colocar no bolso 10 bi por ano? Será que esta classe que se acha tão meritocrática assim, é tão mediocre a ponto de embolsar somente 0,001% disso, e ainda achar que é resultado de mérito? (além de correr o risco de ser assaltado num restaurante em Sampa, enquanto os outros, por terem mais competência, estão jantando em Paris)

    Esta diferença de renda é uma questão de mérito, ou é pq há uma estrutura econômica que coloca uma âncora no pescoço de alguns e uma turbina a jato na traseira de outros?

    Mas, para questionar isso precisa ter coragem e projeto de PODER que a classe média não tem. Nem um, nem outro.

    Falta-lhe mérito!

    Triste classe média…

  32. Emilio

    É difícil contestar a idéia de que considerar o mérito como critério de promoção ou premiação em uma sociedade é mais justificável que utilizar critérios como orientação sexual, privilégios de nobreza, condições sociais, cor de pele.

    Parece-me que a crítica mais fundamental à idéia de meritocracia como um dos pilares de ordenamento social não foi feita pelo texto, que é justamente a de que o Brasil não vive uma meritocracia, já que os critérios de condições sociais dos pais é um preditor quase infalível da condição social dos filhos. O critério no Brasil é condição social, não mérito.

    O texto parte do princípio de que a classe média está realmente convicta de que a meritocracia é um dos bom pilares sobre os quais deve se assentar um ordenamento social. É difícil de acreditar que alguém que realmente empreste tanta importância ao mérito não enxergue o quanto é importante para o funcionamento de um sistema assim que as oportunidades para colocar a potencialidade individual em prática estejam relativamente bem distribuídas para todos.

    Não vejo como uma pessoa possa sustentar de boa fé que um modelo meritocrático funcione sem essa igualdade de oportunidades. Não há como propagar valores meritocráticos sem propagar conjuntamente a igualdade de oportunidades, a menos que se queira soar profundamente hipócrita.

    Acho que a crítica é que a classe média não é meritocrática coisa nenhuma, pois não a vejo defendendo com unhas e dentes a igualdade de oportunidades, como seria de se esperar de quem realmente está preocupado em premiar as capacidades individuais de cada um. O que se tem é esse discurso de meritocracia como maneira de se mascarar privilégios, na melhor das hipóteses.

    Tomando a luta pela igualdade de oportunidades como indissociável de uma verdadeira crença na meritocracia, a maior parte desses argumentos do texto cai por terra.

    Não se esvazia espaço público coisa nenhuma, pois seria estimulada uma luta contra privilégios que seria muito benéfica para o nosso país. Seria estimulada uma luta contra diferenças de renda entre pessoas de cor de pele diferente, de orientação sexual diferente.

    Então acho que é isso. A verdadeira crítica é que essa estridência em torno de meritocracia não vem acompanhada de uma estridência equivalente contra a evidente falta de oportunidades para grande parte de nossa população. E o nome disso é hipocrisia. E já que é para lutar contra conceitos, lutar contra a hipocrisia soa mais benéfico que lutar contra a meritocracia.

  33. … o enigma da classe média brasileira

    Excelente! Parabéns ao professor Renato Santos Souza pelo artigo brilhante, que conseguiu expressar de forma clara e contundente o verdadeiro pesadelo representado pela classe média brasileira.

  34. “Mérito” no sistema escolar é um substituto para herança

    Tive uma amiga que foi colaboradora no Moçambique, como professora de Português, e desistiu. O ensino de Português estava sendo usado como filtro para quem assumia cargos e posiçoes ou nao, e a maioria dos alunos nao falava Português em casa. Eram os filhos dos dirigentes, que tinham estudado em Portugal, que falavam. Nao havia mais herança de dinheiro, mas a herança se dava por meios indiretos. 

    E ISSO NAO É MUITO DIFERENTE DO QUE ACONTECE NAS ESCOLAS BRASILEIRAS. Os alunos falam “português”, mas é o português real, variável, muito diferente do português oficial (que, aliás, nao é mais falado nem pelas classes altas… é a tal de “norma oculta”, a que o Marcos Bagno se refere). Mas os falantes filhos das classes mais escolarizadas falam uma versao da língua mais próxima da oficial. E isso permite nao só que tirem melhores notas, mas, muito mais importante que isso, que nao sejam calados a toda hora por estarem “falando errado”, como acontece com os estudantes das classes populares, que têm o seu auto-respeito ferido, porque eles próprios acabam sendo convencidos de que “nao sabem falar direito”. Boa parte dos problemas de fracasso escolar passa por aí. 

  35. Acho que não salientou suficientemente o cerne da questão

    É difícil contestar a idéia de que considerar o mérito como critério de promoção ou premiação em uma sociedade é mais justificável que utilizar critérios como orientação sexual, privilégios de nobreza, condições sociais, cor de pele.

    Parece-me que a crítica mais fundamental à idéia de meritocracia como um dos pilares de ordenamento social não foi feita pelo texto, que é justamente o de que o Brasil não vive uma meritocracia, já que os critérios de condições sociais dos pais é um preditor quase infalível da condição social dos filhos. O critério no Brasil é condição social, não mérito.

    O texto parte do princípio de que a classe média está realmente convicta de que a meritocracia é um dos bom pilares sobre os quais deve se assentar um ordenamento social. É difícil de acreditar que alguém que realmente empreste tanta importância ao mérito não enxergue o quanto é importante para o funcionamento de um sistema assim que as oportunidades para colocar a potencialidade individual em prática estejam relativamente bem distribuídas para todos.

    Não vejo como uma pessoa possa sustentar de boa fé que um modelo meritocrático funcione sem essa igualdade de oportunidades. Não há como propagar valores meritocráticos sem propagar conjuntamente a igualdade de oportunidades, a menos que se queira soar profundamente hipócrita.

    Acho que a crítica é que a classe média não é meritocrática coisa nenhuma, pois não a vejo defendendo com unhas e dentes a igualdade de oportunidades, como seria de se esperar de quem realmente está preocupado em premiar as capacidades individuais de cada um. O que se tem é esse discurso de meritocracia como maneira de se mascarar privilégios, na melhor das hipóteses.

    Tomando a luta pela igualdade de oportunidades como indissociável de uma verdadeira crença na meritocracia, a maior parte desses argumentos do texto cai por terra.

    Não se esvazia espaço público coisa nenhuma, pois seria estimulada uma luta contra privilégios que seria muito benéfica para o nosso país. Seria estimulada uma luta contra diferenças de renda entre pessoas de cor de pele diferente, de orientação sexual diferente.

    Então acho que é isso. A verdadeira crítica é que essa estridência em torno de meritocracia não vem acompanhada de uma estridência equivalente contra a evidente falta de oportunidades para grande parte de nossa população. E o nome disso é hipocrisia. E já que é para lutar contra conceitos, lutar contra a hipocrisia soa mais benéfico que lutar contra a meritocracia.

     

  36. Meritocracia é só o verniz

    Belo artigo, Renato, mas vou discordar de quase tudo! Concordo que a meritocracia tem seus efeitos colaterais, mas não creio sermos tão meritocráticos assim, e ainda não estou convencido de que meritocracia seja a causa do reacionarismo. Acho que é um componente importante, mas apenas um verniz, uma motivação que seja possível de se admitir.

    Vejo o reacionarismo da classe média mais ligado à perda da sensação de exclusividade. Muitas pesquisas sobre felicidade já identificaram que a questão comparativa é crítica, e a forma como enxergamos a situação do próximo é parte fundamental na definição do quanto nos sentimos felizes. Isso contribui para entendermos como alguém na Tanzânia pode sentir-se mais feliz que outro na Suíça.

    Sempre foi sofrido para a classe média conquistar acesso ao “pacote mínimo” da classe de cima: colégio particular, faculdade, plano de saúde, automóvel, viagem de férias… Antes disso houve a época do computador, da linha telefônica, etc.

    Enquanto não era sequer possível para os mais pobres ter acesso a tal pacote, esses primeiros passos acima do mínimo de dignidade representavam um bem escasso e, portanto, mais valorizado. Havia a sensação na classe média de que um diferencial foi conquistado, de que fazemos parte do clube dos privilegiados, e o estado de fato nunca ajudou nossas conquistas. A meritocracia, bem identificada pelo Renato, está presente, mas é a “cobertura” do bolo; o recheio é diferente.

    As queixas contra as cotas para minorias e alunos da rede pública têm sem dúvidas seu componente meritocrático, mas também carregam a reação contra um mal estar gerado pela perda de exclusividade. É o mesmo caldo do “agora todo mundo tem carro”, “está impossível viajar de avião”, etc. Tudo o que veio a reboque do consumo popular contribuiu para o aumento desse mal estar: desde os carros “populares” parcelados, passando pelos pacotes da CVC até o celular pré-pago. Ninguém faz isso com Bolsa Família, mas com aumento de renda do trabalhador – o que está mais ligado a oferta x demanda, mas também pressupõe mérito (ainda que sempre apareça um espírito de porco para reclamar do governo pelo aumento do “custo” com domésticas…).

    Além disso, o crescimento também da população na classe A pressionou a demanda dos serviços de melhor qualidade, e os preços foram ficando proibitivos. Alguém nos comentários mencionou as mensalidades escolares de R$3mil; aí não tem a mão da tal “nova classe C”. Engraçado que pouca gente vê mérito na nova classe A, só sacanagem, sonegação, heranças, privilégios, mulheres ricas, etc.

    Percepção é parte do jogo: a classe média não empobreceu, mas subiram a barra do pacote que atribuía o selo de diferenciação no Brasil, e ela passou a enxergar-se mais próxima dos pobres do que dos ricos. A sensação de exclusividade foi violada – e isso doeu para alguns, principalmente se encontrar o ambiente propício (mídia, valores, etc.). Esse é o “recheio” do bolo; reivindicar a meritocracia é apenas a cobertura.

    “Cada um de nós é um universo”? Pois é, e a necessidade de perceber-se especial é individual, com algumas características mais freqüentes em cada lugar. Numa sociedade desigual como a nossa, isso muitas vezes passa por negar ao próximo as mesmas oportunidades – e não há nada meritocrático nisso.

    É triste, porém não menos humano, e tampouco é intrínseco à classe média no Brasil. Onde houve redução de pobreza, mas também crescimento do fosso em relação aos mais ricos, foi a classe média a camada que, apesar de também melhorar, ficou mais exposta à percepção de perda de privilégios exclusivos, ou um “downgrade“ comparativo.

    Talvez só a conscientização ou o tempo resolvam isso, quando alguma geração ainda por nascer no Brasil achar natural todos terem direitos básicos respeitados. Acho melhor aguardarmos pelo tempo…

    Alocar recursos escassos em larga escala sem critérios objetivos é praticamente impossível para qualquer organização complexa. Por isso acho que nossa batalha fundamental não deveria ser contra a meritocracia, mas sim pela necessidade de nivelar oportunidades – mesmo em sistemas sabidamente imperfeitos. Assim como a outra “cracia” mais famosa, meritocracia pode ser o pior regime que se pode adotar, só é melhor que todas as alternativas disponíveis até o momento.

    P.S. Abaixo o maniqueísmo! Isso é que é conhecimento em rede. Ôpa! “Em rede” não pode mais, já se apropriaram… Viva a construção coletiva do conhecimento! Xi… “coletivo” também já era… Enfim, gostei da discussão como a discussão está evoluindo e pronto.

    • Produto de grife

      A mediocridade precisa de uma boa apresentação.

      Aécio Neves é uma grife local, e o povo adora consumir produtos de marcas famosas. O ruim é o produto dentro do pacotinho, o Aecim Cunha.

      Ainda, é o primeiro nome anti-PT que lhes aparece na cabeça!

  37. A meritocracia não é o problema, é a solução.
    A meritocracia não é o problema, é a solução. Quem acha isso quer viver do suor dos outros.Sem ela, ninguém produzirá nada e todos chafurdaram na lama da pobreza. Ou pior, seremos submetidos a trabalhos forçados para sustentar uma minoria.    

    • “De cada qual, segundo sua

      “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”

      Amigo, os homens não são iguais, nem em capacidade de produzir, nem na necessidade de consumir. Ao sistema social cabe dar a todos as mesmas oportunidades para que cada um se desenvolva conforme sua capacidade e devolver a cada um, independente dos seus limites, aquilo que necessita.

      Qualquer coisa fora disso só leva a dominação e ao servilismo.

      • > De cada qual, segundo sua

        > De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades (…)

        Levamos séculos para acabar com a escravidão dos mais fracos pelos mais fortes. Você acha mesmo que o destino redentor da Humanidade é a escravização da minoria talentosa pela maioria de medíocres? Definir fora da subjetividade do indivíduo aquilo de que ele necessita (que pode ser sim meramente um desejo, por que não?) é o caminho para uma sociedade justa? Merci beaucoup, prefiro continuar vivendo nessa sociedade injusta mesmo.

        • Bem, se você prefere a

          Bem, se você prefere a escravização doa maioria pela minoria ou da minoria pela maioria, eu não sei, é preferência particular sua, e, creio eu, deve estar sendo definida pela sua atual situação, que deve ser de um escravo feliz e faceiro.

           

          • E você triste?

            Nesse caso, a sua seria de escravo triste e ressentido?

            E defende a troca da escravidão atual por outra, que pelo menos garantirá menor esforço? Teoricamente, é claro.

      • Acabe com a meritocracia, e

        Acabe com a meritocracia, e eu sou o primeiro a parar de trabalhar. Se vou ganhar o mesmo que aquele que não faz nada, pra que fazer?

        • Perfeito, se todos vão ganhar

          Perfeito, se todos vão ganhar o mesmo independente do estudo, esforço e trabalho que tiver Então vou trncar minha pós graduação no dia seguinte e viver da renda do Estado Mãe…assim como acontece em Cuba onde os médicos ganham US$12/mês e uma faxineira ganha US$10/mês

      • Como se todos tivessem que

        Como se todos tivessem que produzir o mesmo, e consumir o mesmo. 

        Cada um produz aquilo que consegue, e consome aquilo que deseja.

        Esse argumento não inviabiliza a meritocracia, muito pelo contrário.

      • E o quê a necessidade cada um?

        Casa, comida, roupa lavada?

        Iphone mega hiper ultra caro prá carái devido a maçã podre?

        Um Rolex?

        Um prato de arroz, feijão, salada de tomate com alface, batata frita e bife?

        Um implante de silicone para ficar peituda igual as americanas?

        Uma prótese peniana para competir com ator afro de filme pornô?

        Uma marmita com tutú, couve e torresmo?

        Um casaco de zibelina e jóias de diamante?

        Um barracão de zinco, sem telhado, sem pintura…

        Um jantar sofisticado num restaurante de padrão Michelin?

        Um apartamento duplex?

        Uma cervejinha depois do expediente, numa mesa na calçada?

        Um grand cru de Bordeaux para ostentar o conhecimento de enologia?

        Caviar Beluga?

        Responda: aquilo que cada um necessita como pode ser demonstrado e quantificado? para atender a essa necessidade como será a distribuição para quem contribui mais, o produto devolvido será em quanto proporcionalmente menor?

        E perguntado como Lenine, o quê fazer com que açambarcar mais que lhe for atribuído?

        A nomeklatura que irá repartir o montante final ficará enquadrada nos mesmo parâmetros?

         

         

         

        • Grato

          Obrigado, minhas réplicas não saíram. Ainda não estou na quota de conservadores do blog, como você. kkk!

    • Solução ou desculpa?

      Caros,

      Sou mais pela Janteloven (lei de Jante) que pela Meritocracia.

      Me parece mais civilizada, mais razoável e mais sustentável que a última.

      Sem falar no paradigma do “Bem Viver” que nos foi presenteado pelas culturas andinas.

      Esse, então, não dialoga em nada com a meritocracia capitalista.

      Lembro de Max Gonzaga em sua ótima canção Sou Classe Media. Deixo o link:

      http://m.youtube.com/watch?v=nd2YUNNBbrY&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3Dnd2YUNNBbrY

       

  38. Sobre Méritos Eméritos e Méritos Deméritos

    Jé faz algum tempo que eu me incomodo com o uso da palavra meritocracia (que em princípio prezo), seu uso, organização e sequestro pelo neoliberalismo.

    Já comentei que acho muito gozada a “meritocracia que envolve, por ex. um herdeiro empresarial que (dependendo da geração), não raro acaba quebrando o negócio. Ainda que seja apenas um néscio preguiçoso e bem relacionado.

    Ou de um executivo de família rica que fez PhD em Harvard e ganha bönus anual de $150 milhões num banco de investimentos porque trouxe lucros de 20 bilhões, mesmo que os complexos modelos matemáticos que ele pode aprender e levem a extrair suco de papel (podre), acabem por quebrar o banco (alguns “nem podem quebrar”).

    Aí como o banco quebrou, e ele teve “méritos”, ainda ganha um bônus de saída pelos bons serviços “antes”, e por ter outro “mérito”, de ser bem relacionado, consegue “emprego” imediato em outro banco (quem sabe no Federal Reserve ou até mesmo como Secretary of Treasure!).

    É mentira, Terta?! (qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência).

    Bem, feita esta longa introdução e como também já vinha matutando sobre, vamos ao relevante tema bem trazido pelo colega. Gostaria de “pitacar” sober 4 itens conexos: mérito, causas, efeitos e valor.

    1) Mérito em si: não é muito difícil de se descobrir ou determinar (as vezes é), mas refere-se a algo reconhecido geralmente como positivo e simpático.

    2) Causa ou origem do mérito: espera-se que seja “verdadeiramente próprio” (capacidade, competência, conhecimento, esforço, criatividade, caráter, etc.). Mas pode estar mascarado por origens mais duvidosas (acaso, espionagem, condições sociais privilegiadas, esperteza, mau caratismo, etc.).

    3) Resultado do mérito: pode ser, por ex. desde o de manter uma gaveta de meias limpa e organizada até coisas como a cura do câncer ou a prova final da existência ou não de Deus (ÊPA!). Brincadeirinha hein!

    4) Valor ou prêmio do mérito: certamente o da gaveta arrumada não será em geral muito valorizado ou dará algum prêmio (talvez um “muito bem”!). Já inventar derivativos para trazer 30 bilhões em negócios com títulos podres, dando lucros aos sócios de 16 bilhões para todos comprarem muitos iates, “jatinhocópteros”, mansões e prostitutas(os) regadas(os) a puríssimas carreiras, tem um valor imilionário! Ainda que quebre o negócio, pois todos os premiados (a secretaria, o porteiro e a faxineira, não!) tem outro mérito, do networking herdado e viabilizado para pular de barco.

    Será que uma esforçada “caboclinha cearense de um zurrador da Veja” poderia vir a ter méritos científicos no MIT, se casada com um alemão rico morando em Boston? Quem sabe?!…

    Muito do que estamos discutindo (e espero ter jogado milho de pipoca para explodirem) gira em torno destas (pelo menos) quatro caracteristicas e usos do “mérito”.

    A crescente prevalência mundial do (poder do) neoliberalismo, que não é muito mais do que uma ideologia para egoístas bem sucedidos e deslumbrados em perseguição (afinal somos todos humanos, né?), como a classe média, está vendendo e consolidando conceitos protetivos aos privilégios alcançados, como este da “meritocracia”, o do darwinismo social (“quem pode pode, que não pode se sacode”… no Sudão, para espantar as moscas), o da competição em detrimento da colaboração e tantos outros que já conhecemos. Deturpando-os, naturalmente.

    Mérito em sua releväncia, é algo usado e premiado pelos beneficiados de seu resultados.

    E para ser razoável, precisamos entender sua origem.

    Sozinho, é algo simpático a todos, mas …

    Quando me perguntam sobre quão bom pode ser o capitalismo, comunismo, socialismo e outros “ismos”, eu me lembro que depende: Todos são sistemas exercidos por seres humanos.

    E poderão ser tão bons quanto eles.

    É como na meritocracia.

  39. Enigma da classe média

    Imagina, a classe média nem pensa em meritocracia. A classe média reacionária pensa em privilégios, desde o momento que paga o flanelinha até os empregos obtidos através do famoso Q.I: Quem indica.

    Continuo com a análise do Homem Cordial do velho Buarque.

  40. Caso dos médicos e muitos que

    Caso dos médicos e muitos que fazem faculdades públicas, beleza de mérito, aproveitam de recursos do erário e se acham com a bola toda, depois, por causa da tal “meritocracia” nem admitem trabalhar pelos que mais precisam e vão ganhar um bão de um dinheiro para comprar carrões importados e iates. Enquanto usufruem de tais “méritos”, usam dedos de silicone para receber sem trabalhar enquanto necessitados precisam de atendimento urgente por estarem sofrendo, e confiando no bom coração tal profissional cheio de “meritocracia”. O artigo vale pelos pontos que coloca em discussão, mas que pode cair facilmente para o sofisma. 

  41. Ótimo trabalho de Renato

    Ótimo trabalho de , que deve ser um ótimo professor na UFSM/RS.

    Bem explicado, bem concatenado, linguagem acessível, conteúdo consistente… e a categoria dos comentários, por consequencia, no mesmo nível. A diferença que faz um bom Professor..

    Parabéns ao autor e ao blog. Uma matéria assim jamais será encontrada na “grande imprensa”.

    Porém, permito-me um pitaco: há uma perversidade da classe média não considerada na explanação, aquela perversidade que é o mote da Prof. Marilena Chaui.

    A dita classe aceita(mos) pagar os tubos pela escola particular dos filhos, pelo plano de saúde… porque isto garante(ia) uma vantagem competitiva. Meu esforço, e meus filhos, era(m) compensados no acesso à universidade federal (a melhor), o que reforça(va) a vantagem competitiva.

    Uma grande parte do reacionarismo deve-se a ameaça de perda da vantagem garantida. Aí o sacrifício, antes naturalmente aceito em troca de uma oportunidade especialmente franqueada, perde o sentido. E a dita classe prefere a meritocracia garantida pela vantagem competitiva. A igualdade de condições… ora, às favas a igualdade.

    Valeu. A leitura da matéria, e dos comentários, deram uma qualificada/organizada no meu entendimento.

     

     

     

    • Bordieu explica essa zona cinza
      “…seria possível os aspectos sensoriais e cognitivos envolvidos nas diferentes acoplagens das pessoas com esses “aparatos” (automóvel, computador, celulares etc.) moldarem visões de mundo e ideologias?” A resposta é sim, através do fenômeno ao qual Bordieu chama de capital cultural, essa reprodução social familiar, de classe, de nicho social. Não é exatamente pelas condições materiais, mas aos valores que são atribuídas a estas coisas, aos significados que são atribuídos, aos sentimentos despertados pelos usos. Enfim, acredito ser uma pista.  

  42. Perfeito. É isto mesmo. A

    Perfeito. É isto mesmo. A opinião contrária a do artigo não perdura uma análise mais profunda. No meu caso é só análisar os meus amigos, parentes, colegas, conhecidos…

  43. O tatibitate binário… a espuma é ainda maior!

     

    Antes de qualquer análise sobre os preconceitos da classe média seria preciso delimitá-la.

    Quais seria os seus membros? A classe média urbana brasileira era composta pelos chamados profissionais liberais, pequenos e médios empresários, oficiais das forças armadas, empregados privados e funcionários públicos em cargos de nível superior.

    Era praticamente inexistente nas pequenas cidades, poderia ser contada apenas com as mãos. Uma Rural Willys transportava todos.

    Nas médias cidades caberiam numa jardineira.

    Concentrava-se basicamente nos grandes centros. Principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Além destas duas cidades poucas outras possuiam massa crítica para os seus preconceitos e rancores próprios permearem toda a sociedade.

    Nas regiões predominantemente rurais os seus escassos membros eram em geral carreados à reboque dos terratenentes locais.

    Abaixo dela, oscilando conforme o vento, existiam os “remediados”. Era o gerente do armazén, o encarregado do turno na fábrica, o chefe da repartição pública obscura, os funcionários semi-qualificados das estatais como a RFFSA, o autônomo habilidoso e com conhecimento técnico, etc. Diferenciavam-se dos pobres por comerem carne de segunda três ou quatro vezes por semana, não utilizarem remendos nas roupas e sapatos e morarem em casas de alvenaria.

    A exceção de momentos específicos, em geral guiada pela elite, a classe média no Brasil nunca possuiu força política, embora fosse ouvinte assídua da banda da UDN. No período pré ditadura elegeu um presidente, Jânio Quadros, fato este até hoje completamente inexplicável em termos lógicos e racionais. A derrota dupla do brigadeiro que virou doce, embora fosse o seu ungido, demonstra a sua fraqueza político-eleitoral na época. As suas manifestações em 1964 foram o efeito e não a causa da ebulição nos quartéis. Mesmo sem elas o golpe viria como um raio no céu azul.

    No Brasil de hoje este segmento da população permanece muito pequeno. Sempre esquecem um dos requesitos básicos para a sua conceituação: um revés temporário não lançará o desafortunado na miséria. Os que embora possuam casa própria e bom nível educacional, mas não detêm uma retaguarda, mesmo que pequena, de bens materiais suficientes para suportar o revés, na “pobreza com dignidade”, está no proletariado e não na pequena burguesia. Estes não podem ser considerados como pertencentes à classe média. Os seus conceitos e atitudes, apesar de refletirem em alguma escala os dominantes dentre os economicamente mais favorecidos, foram criados em sua própria esfera. Mesmo que estejam na segunda ou terceira geração com os pés fora do lodo.

    O conceito de classe média nas análises marxilenistas é mero reflexo da autora. Atribui a classe social a qual pertence uma força que nunca teve. Do Chuí diz que vê a olho nú o que ocorre no Oiapoque… O preconceito rançoso da classe média, que finge ter o nariz de defunto da grã-fina, é demonstrando pela própria phylosopha, atribuindo-se supostas qualidades superiores, boa e justa em relação aos pobres e despossuídos e não a postura de madrasta malvada que lança sobre os seus pares.

    Os desalmados meritocratas fazedores de espuma são em sua quase totalidades empregados de 44 semanais, 11 meses por ano e 13 salários, com FGTS e contribuição previdenciária. Muitos trabalhavam de dia e cursavam o ensino média e a faculdades à noite. Saíndo de casa antes da 7 da manhã e retornando quase no dia seguinte. Durante anos se submeteram a esta rotina desgastante, enquanto viam inúmeros vizinhos, colegas e amigos fazendo força para não pegarem no pesado, e eles são culpados por isto?

  44. EUA e Europa

    Amigo, sinto muito, mas os EUA e a Europa são meritocratas, sim. Muito mais do que o Brasil. A diferença é que eles conseguiram atingir um nível de igualdade social e econômica tão alto (com suas exceções, obviamente) que todos os indivíduos têm a mesma capacidade de “competir”. Todos ganham bem, porque trabalham bem, e com isso, o mérito de cada profissão é valorizado. Vá na Dinamarca e veja se um cara que trabalha mal é valorizado ou não.

  45. Texto muito grande, tentando

    Texto muito grande, tentando explicar a explicação da explicação. Só vou lembrar uma coisa: a classe média é a que paga imposto de renda. A classe baixa não paga. A alta não liga de pagar, e qdo decide não pagar, os advogados cuidam disso. O profissional liberal é que paga imposto sobre o trabalho. A empresa pequena, média e quase grande ( todas da tal classe média) são as que pagam imposto. A grande empresa, paga se quiser, como quiser. Mais ainda: a classe média teme o governo caso não pague os tributos em dia. Ela não tem aparato jurídico para protegê-la. Ela quer ser correta. Então ela se desdobra e paga. A classe alta, como eu já disse, não teme. Paga se quiser, qdo quiser. Pense nisso, talvez vc refaça seu texto.

  46. Excelente artigo

    Colocou um novo enfoque para algo que tambem me intrigava.

    Usando o contexto da casa grande e senzala, sempre imaginei a classe média como o feitor dedicado olhando para os escravos com um misto de raiva, medo e insegurança, sempre cioso do seu “espaço”  e temendo concorrencia na sua relação com o “coronel”, este mesmo sentimento era compartilhado pelos profissionais liberais, tais como médicos, advogados, etc.

    A concentração de renda no Brasil criou comportamentos que sobrevivem ao tempo.

  47. Um trabalho construído sobre
    Um trabalho construído sobre uma conclusão totalmente equivocada a respeito do motivo da classe média, a suposta meritocracia. Na verdade trata-se apenas de uma desculpa aceitável para o chocante fenômeno de desumanidade exibido pela classe médica, numa das páginas mais tristes da história do Brasil.

    Não existe nenhum indício objetivo de que nossa classe média seja meritocrata, muito pelo contrário. Apenas um argumento já destrói completamente esta tese: a colossal ineficiência que tanto trava o desenvolvimento de nosso país.

  48. Desvendando a Espuma….

    Parabens !!! Renato Souza!! e muito obrigado !!!

    Recebi um presente de vc, desvendando meus questionamentos!!

    Vc escreveu sobre o que me incomodava, quantas e quantas vezes ficava mudo e calado de espanto de não acreditar e entender esse sentimento tão odioso contra o bolsa familia e dos médicos….

    Mais uma vez !!

     

    Muito obrigado!!

  49. Achei interessante seu

    Achei interessante seu argumento sobre a razão de a classe média ser reacionária. Devo concordar que não está de todo errado e que certamente há essa cultura de meritocracia.

    Mas que discordo da análise que propõe a meritocracia como um defeito. E pergunto, no lugar da meritocracia, você vai colocar o que? E pense em uma resposta que não fale as coisas de sempre como “igualdade para todos”.

    Pense em como você vai decidir quem deve cuidar de uma empresa? Como você vai decidir quem é o médico mais adequado para fazer uma operação?

    Você se esqueceu do detalhe mais perverso e mais cruel da meritocracia. Que ela funciona. Pode ser um tanto injusto escolher os advogados baseados na prova da OAB, mas isso ajuda a aumentar a qualidade geral dos advogados. Como você vai decidir entre um número limitado de vagas

    E apesar de eu achar que Mário Quintana é bem melhor que Paulo Coelho, de ser a favor do programa mais médicos e ser contra todas as imposições do CREA para impedir estrangeiros de trabalhar no Brasil (em tempo, sou engenheiro), sou a favor de políticas meritocraticas e acho que elas são o caminho para uma sociedade mais eficiente e com mais mobilidade social.

  50. O mito da meritocracia na classe média.

    Eu discordo totalmente que a classe média brasileira tenha conseguido sua ascenção por meios próprios ou méritos. A velha classe média brasileira jamais existiria se não fosse as políticas desenvolvimentistas de Getúlio Vargas e Juscelino (apesar do estado bem estar brasileiro ter sido tímido se comparado ao europeu e um pouco do americano).

    Em todo mundo o fenômeno da classe média se inicia após a crise de 1929, a classe média é uma invenção keynesiana. O século XIX foi o século do liberalismo e também do Manifesto Comunista de Karl Marx, também é a época da luta de classes mais acirrada (Ricos e burgueses X Pobres e proletáriados).

    No séc. XX com o fenômeno da classe média houve uma alternativa a pobreza e riqueza. A classe média foi muitas vezes cooptada pela direita na necessidade de se criar um grande mercado consumidor nos países e acusada pela esquerda de enfraquecer a luta de classes. A partir dos anos 80 a classe média passou a ser marginalizada pelo neoliberalismo, interessados em baixos salários e ganhos de competitividade devido enfraquecimento do socialismo soviético. 

    Os governos progressistas que conseguirem unir os pobres e a classe média contra a ganância do capital serão bem sucedidos:

    – No Brasil, o PT falha em adotar a estratégia pelo pragmatismo que contaminou o partido, além do problema da governabilidade (correlação de forças desfavorável), existe a falta de estratégia na economia (projeto de longo prazo que gera mais industrialização, substituição de importações via câmbio e beneficia a escolarizada classe média) e o pouco enfrentamento do Status quo midiático/artístico (a classe média não consome os produtos culturais atuais de baixa qualidade que imundam os meios de comunicação).

    – O 1º mundo (Europa, EUA) apesar de um sistema político/partidário mais sólido, a crise econômica engessa as iniciativas políticas. Está arriscado, a classe média francesa eleger Le Pen (Frente Nacional) muito mais invervencionista e anti-liberal do que o Tea Party americano repetindo um pouco os anos 30 e 40 de tristes memórias (não significa que será igual, mas existe sempre o alerta).

    – Países como China, Venezuela, Equador e Bolívia. Ambos governados pela esquerda não possuem classes médias expressivas para se fazer uma análise mais aprofundada (apesar da tendência de crescimento em ambos), mas é interessante observas as diferentes esquerdas. Enquanto a China focou o desenvolvimento, não houve um avanço da classe média devido o modelo de crescimento mais para exportação que consumo, os países Bolivarianos priorizaram a distribuição de renda com surgimento de um estado bem-estar, mas o pouco dinamismo de suas economia é um dificultador para crescer a classe média.

    • Risos…

      A maioria do proletariado apoia a Frente Nacional na França… então não é a classe média francesar que lhe daria a vitória… ela apenas a complementaria.

      Acho bonito o pessoal falar na “classe média brasileira”. Classe média na exata acepção do termo não chega a …% da população do nosso país! Vocês acham que o indivíduo que possui apenas um imóvel, a própria residência, é empregado CLT com renda familiar de 3 ou 4 mil reais mensais é classe média? Estes já estão no 5% mais ricos da população…

      Você sabia que:

      Apenas 1,2% das contas mantidas em bancos possuiam saldo (à vista, poupança ou aplicações) superior a R$ 70.000,00 em 2010? Menos de 2.000.000 de contas… considerando que alguns possuem mais de uma conta… menos de 1% dos brasileiros?

      Enquanto isto 4.000 pessoas possuiam riqueza individual líquida superior a US$ 30 milhões? E que estes que representam 1 a cada 50.000brasileiros detêm US$ 800 bilhões conjuntamente?

      A classe média brasileira se parece com os miseráveis do Brasil. Existe nas estatísticas e quase desaparece fora delas. O hiato entre ricos e pobres aqui é preenchido pelo vácuo…

       

  51. Um dos melhores textos já publicado nesse blog

    Olha que aqui sempre tem um texto melhor que o outro, é o paraíso da diversidade. Eu me sinto um privilegiado de poder todos os dias ler as opiniões de pessoas tão diferentes, e, ao mesmo tempo, tão iguais na defesa de seus ideais (desculpa a rima, rsrs). Como é bom ler  as reflexões de comentaristas como: André LB, Anarquista Lúcida, Daniel Quireza, JB Costa, Jotavê, Gunter Zibell SP, Alexander César Weber, Diogo Costa, entre outros. Hoje não foi diferente. Parabéns Renato. E parabéns ao Luis Nassif por coordenar essa metamorfose ambulante.

     

    [video:http://youtu.be/7VE6PNwmr9g align:center]

  52. Errado na essência

    Esse texto é a maldade disfarçada de brilhantismo. Deixe alguém sem nenhum esforço tomar algo seu que conseguiste com o suor do próprio rosto e verás se não mudas de opinião.

    Todos merecem as mesmas oportunidades. Essa noção obviamente tem de ser preservada. Na escola pública de qualidade, no sistema de saúde universal, na segurança igual para todos.  Mas algumas pessoas se esforçarão mais, trabalharão mais, conquistarão mais. Por que penalizá-las dizendo que elas não merecem o que conquistaram? Isso não é mais valia, isso é justiça. E é também justiça social, sim senhor!

    Se meu filho estudou mais e tirou 10 na prova, fez por merecer. Se o filho do vizinho jogou videogame em vez de estudar e tirou 3, por acaso meu filho tem de ter a nota rebaixada para 6? Pois éa v ida  isso que o texto propõe, na essência.

    Idem para a vida adulta. SE você classe média trabalhou anos para ter sua casa própria, e depois de muitos anos conquistou mais 2 ou 3 imóveis, é justo ficar sem eles porque alguém não tem onde morar?

    O texto é leviano com a Classe médica. São 400 mil profissionais no Brasil. A reação ‘abominável’ contra os cubanos foi feita por 20 estudantes, não mais que isso. O ‘dedo de silicone” foi feito por uma pessoa apenas. Portanto, essas coisas não representam a classe. A classe médica, em sua maioria, trabalha acima de 60 horas semanais, em jornadas diurnas e noturnas, para manter o padrão de classe média, pois os salários estão achatados. A maioria estudou em escola particular, porque a maioria das vagas são em escolas particulares. Isso não significa que são filhos de milionários.  São filhos da classe média, de pais que trabalham a mais, que  se sacrificam para pagarem um escola caríssima (empresários riquíssimos que extorquem a classe média). Ou são filhos de probres, com crédito educativo.

    Aí o Governo subverte a Lei existentes, com o velho argumento de que “os fins justificam os meios”  e cria esse monstro eleitoreiro chamado “Mais médicabos eleitorais”. Ora, por que não implanta o plano do Ministro Temporão, ex minisatro da saúde do governo Lula, que queria contratar médicos de carrreira? Por que um governo dito trabalhista demon, fériasiza uma classe trabalhadora? Por que um partido construído no funcionalismo público não quer contratar funcionários públicos? Por que cria “bolsas’ em vez de empregos, por que não quer dar os médicos carteira assinada, 13º e férias?

    Tem muita gente de esquerda que precisa acordar. Precisa entender que não se pode defender esse governo apenas porque ele é de esquerda. O PT não é a esquerda e, hoje em dia, tenho minhas dúvidas se eles são de esquerda . As ideias de justiça social e igualdade de oportunidades  são muito maiores que o PT.

    Abaixo as mentiras e a hipocrisia.

    • > Por que cria “bolsas’ em

      > Por que cria “bolsas’ em vez de empregos, por que não quer dar os médicos carteira assinada, 13º e férias?

      Porque o governo pôde fazê-lo, já que não há oposição digna de nota no país, o Ministério Público foi fraco, há “juízes pela democracia” demais e juízes que entendem que seu papel é aplicar a lei de menos. Porque investiu (e foi bem sucedido, e com substancial apoio de parcela importante da imprensa, SIM) numa feroz campanha de difamação contra a classe médica, algo que nunca vi na minha vida, repercutida por caras como o autor deste textículo. Porque vai ganhar preciosos pontos com o eleitorado mais pobre, que não está nem aí se o médico que o atende é “bolsista”; não estaria se o médico estivesse lá preso por grilhões ao consultório.

    • Essas reflexões do texto só

      Essas reflexões do texto só me remetem à nossa classe artística.

       

      Todos gritam e bradam pela difusão da cultura, mas na hora de dar meia entrada para os estudantes nos seus shows, gritam, berram e esperneiam que é um absurdo, que é um roubo, um crime!

       

      Fazem canções dizendo que é proibido proibir, querem a liberdade de expressão, de idéias, mas acham que é um absurdo alguém fazer uma biografia não autorizada das suas pessoas. Como assim alguém vai ganhar dinheiro com o meu nome, e não vai me pagar nada?

       

      Falar é fácil. Quero ver a hora que um cumpanheiro que nada mais fez na vida além de subir em palanque para pedir voto para um político tomar o seu lugar em um emprego. Ou melhor, virar o seu chefe.

    • A essência é tão clara. Basta querer enxergar

      A sociedade ao enxergar a todos vai longe. 

      è o que prega o Papa Francisco

      é o que desprega a Igreja Universal quando dá palestras de auto ajuda para ostentadores

      O texto prega um mundo de oportunidades

  53. A carreira paralela

    Gostei muito do texto. É difícil ser objetivo neste tipo de temas. Parabéns. Vale a pena olhar todos os artigos aqui publicados, pois levamos gratas surpresas.

    A Anarquista Lúcida foi, mais uma vez, muito lúcida ao colocar o aspecto da linguagem.

    Eu agregaria uma carreira paralela para os mais “meritócratas”, impulsionada pelo mundo global, que começa desde Disneyworld, segue pelo Mcdonalds, pelos “pubs” e músicas em “ingrés”, pelos MBAs, pelo carro importado, pela mulher loira e peituda para exibir, pelo Green Card, pelos paraísos fiscais, e acaba encontrando a luz no final do túnel da sua “life” num apartamento luxuoso em Miami, muito longe do seu (teoricamente) país.

  54. Excelente.
    O problema da

    Excelente.

    O problema da nossa classe média é que quando ela foi urdida o conceito de meritocracia começava a surgir e como forma de diminuir o exercício de cidadania.

    O homem máquina baseado na excelência e produtividade surgia em substituição ao homem cidadão .

    Essa é a raiz dos grandes problemas brasileiro; a falta de exercício de cidadania, o homem prostrado pensando apenas no seu umbigo enquanto as varejeiras se alimentam do imobilismo da sociedade.

    Como diz Orson Camargo:

    “A compreensão e ampliação da cidadania substantiva ocorrem a partir do estudo clássico de T.H. Marshall – Cidadania e classe social, de 1950 – que descreve a extensão dos direitos civis, políticos e sociais para toda a população de uma nação. Esses direitos tomaram corpo com o fim da 2ª Guerra Mundial, após 1945, com aumento substancial dos direitos sociais – com a criação do Estado de Bem-Estar Social (Welfare State) – estabelecendo princípios mais coletivistas e igualitários. Os movimentos sociais e a efetiva participação da população em geral foram fundamentais para que houvesse uma ampliação significativa dos direitos políticos, sociais e civis alçando um nível geral suficiente de bem-estar econômico, lazer, educação e político.”

     

  55. Maravilha…..

    Esse texto explica o que eu sou e como preferiria educar meus filhos. O problema eh que vivo na Alemanha e com 3 criancas na escola….. Claro que poraqui tem meritocracia por todo lado, mas as politicas de governo nao sao meritocraticas e portanto dao MUITAS oportunidades para aqueles que nao querem estudar tambem….. Conflitos!

  56. Aiai, será que alguns

    Aiai, será que alguns comentaristas esqueceram-se de ler este pedaço do texto (essencial para se entender que o autor não desvaloriza a meritocracia como valor pessoal e sim como fundamento de organização coletiva)???

    “A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 

    Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.

    Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?

    Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.”

    Será que não percebem que a partir do momento que se coloca a meritocracia como justificativa para ‘colocar as pessoas em seus devidos lugares’ se está criando empecilhos para quem não teve oportunidades continue não tendo e quem teve sorte de nascer com todas as oportunidades possíveis assuma automaticamente o seu espaço confortável na sociedade (mesmo não merecendo nada, na verdade, como no exemplo Quintana x Coelho). A meritocracia funciona bem em termos pessoais, mas em termos de coletividade ela serve apenas para manter o status exatamente como está, e é disso que o texto está falando!!!!.

  57. Agradecimento

    Venho agradecer ao sr. Renato Santos de Souza pela luz lançada – de forma tão completa e brilhante – sobre um tema tão complexo e obrigatório. Um abraço, meu caro.

  58. Meritocracia apenas na area privada

    Excelente texto. Deu uma organizada em alguns pensamentos que me atormentavam.

    Eu sempre defendi a meritocracia baseada em igualdade de condicoes, apesar de entender que igualdade de condicoes seja algo um tanto utopico. De qualquer forma, defendo a tal meritocracia dentro das empresas ou dentro de equipes onde se busca dar oprtunidades iguais a todos os integrantes e se observa quem se desenvolve mais e desempenha melhor. Coloquei desenvolvimento e desempenho juntos porque creio que a meritocracia deve ser pensada como produto de ambos. Analisar o desenvolvimento apenas, favoreceria o menos preparado inicialmente, ao passo que desempenho isoladamente esconde as diferencas de capacidade ja adquirida pelos participantes antes do inicio do processo.

    O desafio aqui seria unir o fator desenvolvimento para compor a meritocracia, pois desenvolvimento esta ligado tambem a prover condicoes para que o individuo se desenvolva. Dessa forma, eu seria a favor de uma meritocracia futura para o Jose das notas 10, caso ele tivesse os recursos adequados, providos por politicas sociais adequadas, para que ele pudesse se desenvolver em maior igualdade de condicoes com outros garotos de sua idade.

    Os resultados aferidos de politica de cotas na Universidade de Michigan, indicam que agregar o fator desenvolvimento com condicoes ao desempenho, podem validar em parte a meritocracia. Alunos vindos de classes mais baixas e incluidos em cotas, tem desempenho profissional superior a alunos nao cotistas.

     

  59. Causa

    Você coloca a meritocracia como causa da desigualdade social no Brasil, ao mesmo tempo que diz que ela faz parte da ‘nova classe média’. Po, cara, a desigualdade social no nosso país é coisa antiga já, resultado de política excludente.

    No caso do Zé, por exemplo, se de fato vivessemos em uma meritocracia, ele conseguiria atingir seus objetivos, o problema é que ele é muito pobre, e a culpa disso é da falta de igualdade social. O Brasil ainda não tem uma meritocracia por si só, nem o governo nem as pessoas; o governo muito menos, pois trabalha pra todo mundo virar servido público: ganhando dinheiro e sem trabalhar.

  60. Acabou de aparecer esse poema

    Acabou de aparecer esse poema do Quintana no meu feed de notícias. Achei tão pertinente ao assunto em discussão, não só pelo Quintana ter sido lembrado no texto, mas pelo que este poema diz, pois ele vai fundo nesta questão da “meritocracia”, ou no fundo, de merecermos ou não um espaço neste mundo:

    O POBRE POEMA

    Eu escrevi um poema horrível!
    É claro que ele queria dizer alguma coisa…
    Mas o quê?
    Estaria engasgado?
    Nas suas meias palavras havia no entanto uma ternura
    mansa como a que se vê nos olhos de uma criança
    doente, uma precoce, incompreensível gravidade
    de quem, sem ler os jornais,
    soubesse dos sequestros
    dos que morrem sem culpa
    dos que se desviam porque todos os caminhos estão
    tomados…
    Poema, menininho condenado,
    bem se via que ele não era deste mundo
    nem para este mundo…
    Tomado, então, de um ódio insensato,
    esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável
    verdade, dilacerei-o em mil pedaços.
    E respirei…
    Também! quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

    Mario Quintana
    – A Vaca e o Hipogrifo

  61. Análise falsa do começo ao fim

    A análise começa partindo da observação de que a reação contra os médicos cubanos foi motivada pela defesa da meritocracia:

     

    “…o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil… Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia… Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito.”

     

    Só que os médicos cubanos não são uma minoria oprimida beneficiada por políticas de afirmação. Portanto a suposição de que os médicos esperneiam por verem isso como um atentado a meritocracia não é prova de que seja esse o caso. A razão objetiva é o que até as pedras sabem… Qualquer corporação monopolista quando vê seu mercado ameaçado por um novo competidor, esperneia.

     

    Mas uma vez afirmado que a meritocracia foi a raiz do episódio dos médicos, passou-se a construir uma argumentação para demonstrar a meritocracia como um mal. Só que a sustentação dessa argumentação se resumiu a descrever em itens as injustiças e perversões sociais colocando-as na conta da meritocracia sem a mínima preocupação de explicar o nexo causal. Vamos ao primeiro exemplo:

     

    “a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.”

     

    Eu pergunto, onde uma coisa obstrui a outra?

    Porque por minha vez posso observar que a meritocracia vincula-se a idéia da mobilidade social e que os valores universais se vinculam a harmonia social. E em seguida afirmar que a segunda é necessária para a primeira dando nexo causal de que para haver mobilidade social é preciso, antes do princípio da meritocracia, haver a idéia da igualdade a direitos universais. Isto é, numa sociedade escravocrata, escravos continuam escravos a despeito dos seus méritos “profissionais”.

     

    Mas para não perder tempo desmontando item por item, basta dizer que podemos trocar a palavra “meritocracia” que abre todos os itens a, b, c, d, e , f  por outra como “individualismo”, “corporativismo”,  “egoísmo”, “ganância”, “consumismo” ou qualquer outro vicio a gosto do freguês que o texto não mudará em sentido.

     

    Outra afirmação tirada da cartola foi afirmar que a elite não defende a meritocracia, algo discutível. Mas pior mesmo foi afirmar que os pobres também não defendem:

     

    “Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas.”

     

    O que quer dizer “limitado potencial individual”? Que os pobres se acham incapazes de prosperar pelo estudo e trabalho ou que os pobres são limitados individualmente?! Isso no mínimo cheira a uma visão fatalista pra não dizer algo pior.

     

    Resumindo a falsidade da idéia:

     

    Afirmação 1) meritocracia = injustiça social =  ser reacionário

    Afirmação 2) a classe média defende a meritocracia e a classe pobre e a classe rica não defendem.

    Conclusão: pessoas reacionárias = pessoas da classe média.

     

    Acontece que a meritocracia se contrapõe ao pior dos mundos que é a idéia de viver numa sociedade de castas onde privilégios e opressões são perpetuados de forma hereditária. Claro, a alternativa utópica seria uma sociedade onde as pessoas produziriam riquezas motivadas pelo bem comum e viveriam felizes para sempre compartilhando tudo com todos de forma igualitária. Uma realidade onde egoísmo e ganância não fariam parte da nossa natureza. Só que analisar dessa forma simplista não leva a lugar algum.

  62. RIDÍCULO

    Um monte de bobagens vinda de uma esquerda radical que desmerece quem conquistou seu lugar ao sol por mérito.

    Para mim não passa argumentos para justificar a própria incapacidade dos que são vagabundos e incompetentes. A maioria só quer impor esse tipo de política para conseguir um cargo comissionado no governo. Vão trabalhar ao invés de ficar mamando no Estado.

  63. Pelo que entendi o texto, a

    Pelo que entendi o texto, a meritocracia não é um demérito, a questão toda é estabelecer uma proposta de vida baseada na meritocracia, onde só vale a pena gastar tempo naquilo que resulte em algo para mim. Eu não preciso me preucupar com minha comunidade, meus vizinhos, meus parentes..se eu me trancar no quarto e decorar um contéudo imenso de informações serei aprovado  e ganharei muito dinheiro, mesmo sendo uma ameba social.

  64. Realmente é de uma ignorância

    Realmente é de uma ignorância a toda a prova por a culpa de todos os males brasileiros na meritocracia da classe média.

  65. O autor é o exemplo de que a

    O autor é o exemplo de que a meritocracia no Brasil é uma piada. De acordo com seu lattes, o último artigo publicado foi em 2011. Cadê a meritocracia da classe média?

  66. Excelente

    Excelente texto. Mas é duro de aceita-lo. Eu vou ter que reler várias e várias vezes pra ver se o que está aqui escrito entre bem na minha cabeça e me livre de anos e anos (talvez gerações) de preconceitos que nem sabia que tenho.

  67. Tenho acompanhado os

    Tenho acompanhado os comentários sobre o meu texto com atenção, e eles têm me ensinado muitas coisas, e me fornecido alguns exemplos para o que eu escrevi no texto.

    Por exemplo, um dos comentaristas escreveu, elogiando o meu texto, “ótimo trabalho de Renato Santos de Souza, que deve ser um ótimo professor na UFSM/RS”; já outro, em sua crítica a mim e ao texto, escreveu “senhor professor, lamento pelos seus alunos”.

    Não tenho nenhum reparo a fazer a qualquer dos dois comentários a meu respeito, são democráticos e eu me expus a eles deliberada e conscientemente, mas estas palavras dizem muito sobre o que eu escrevi. Se eu fosse avaliado no mérito docente pelo meu texto, qual seria a avaliação a ser considerada? Eu tenho méritos para ser professor?

    Vejam que o que me legitima como docente foi ter passado em um concurso, em que a maioria da banca avaliou o meu desempenho em algumas provas, segundo normas preestabelecidas, e concluiu que eu tinha mais méritos que os demais concorrentes. Mas nesta como em qualquer avaliação de mérito, não se estabelece uma “verdade”, o que dá legitimidade para uma decisão de mérito são os procedimentos. Na sua avaliação de mérito em um processo, o STF pode condenar um réu que obteve 5 votos como culpado e 4 como inocente. O que dá legitimidade à condenação é o procedimento da “maioria”, mas isto não significa que se chegou a uma “verdade”, a uma conclusão incontroversa, o que de fato não aconteceu se houve quatro votos pela inocência; portanto, o mérito verdadeiro não foi alcançado. Porém, após a decisão tomada, o réu é considerado culpado, e as decisões assumem “efeitos de verdade”. Culpado! declara-se. Da mesma forma, após a aprovação no concurso, o mérito está estabelecido, não importam as controvérsias a respeito da avaliação dos candidatos.

    O que estou querendo dizer é que, a despeito de muitos acharem as avaliações meritocráticas (base de qualquer meritocracia) objetivas, isentas de juízos de valor, de subjetividade, de interesses, de controvérsias, de poderes, elas não o são; portanto, o merecimento não é alcançado pela meritocracia: o mérito é, na verdade, uma convenção, e o que lhe dá legitimidade não são valores substantivos, convicções ou verdades objetivas, mas sim procedimentos e regras. É por isso que a meritocracia opta por premiar e/ou punir o desempenho, o qual é medido convencionalmente por certos procedimentos, ao invés de correr atrás de um merecimento que é mais um juízo de valor, como o expresso pelas falas dos meus dois comentaristas anteriores. Se eu fosse um professor de pré-vestibular, poder-se-ia medir o meu desempenho pela aprovação dos meus alunos, mas como se faz isto com um educador?

    Então, o que se estabelece são procedimentos para avaliar desempenhos, dos quais fazem parte critérios subjetivos; estes, porém, dependem de nossas crenças, nossas ideologias, nossos interesses, e eles estão frequentemente em disputa. Se eu fosse avaliado no meu mérito docente pelos comentaristas deste blog, provavelmente o meu destino dependesse das opiniões dominantes por aqui e do poder que elas acumulam neste espaço, e nenhum de nós poderia negar que isto está atrelado às crenças, interesses e ideologias de cada um e de cada grupo.

    O “mérito”, então, não está naquele que é avaliado, mas naquele que avalia. Então, contraditoriamente, o que está em jogo não é o valor daquele que será premiado ou punido pela meritocracia, mas os interesses, crenças, ideologias e poderes daqueles que avaliam. Os comentários divergentes, antagônicos mesmo, a meu respeito, provam que o meu mérito não repousa em mim, mas em quem me avalia. Portanto, a meritocracia se baseia em uma falsa ética do merecimento, como se fosse possível avaliar objetivamente o mérito de cada um antes de premiá-lo ou puni-lo (desculpem usar a mim mesmo como referência aqui, mas a analogia foi irresistível).

    Por isto eu escrevi que, apesar da meritocracia escamotear as reais operações de poder, os poderes econômico e político, não raras vezes, é que estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos. Como desempenho e mérito são convencionados, e convenções são disputadas politicamente, a meritocracia opera as mesmas relações de poder e dependências pessoais a que ela veio pretensamente combater.

    Então, de que meritocracia estamos falando?

    • Sublime o seu artigo. A

      Sublime o seu artigo. A meritocracia pode não ser o parâmetro mais correto para ascensão social, mas em nenhuma sociedade existe perfeição. Fiquei desapontada por você não incluir o verdadeiro vilão que é o poder público e não a classe média. O pobre não fica rico porque a classe média não permite. O pobre não se torna rico porque existe o poder público canalha , que suga as classes média e ricas com seus impostos  e a perpetua da pobreza.

    • Sublime o seu artigo. A

      Sublime o seu artigo. A meritocracia pode não ser o parâmetro mais correto para ascensão social, mas em nenhuma sociedade existe perfeição. Fiquei desapontada por você não incluir o verdadeiro vilão que é o poder público e não a classe média. O pobre não fica rico porque a classe média não permite. O pobre não se torna rico porque existe o poder público canalha , que suga as classes média e ricas com seus impostos  e a perpetua da pobreza.

      • Comentário

        Concordo com você em tudo. Sociedades que não tem meritocracia fazem com suas classes mais pobres se estagnem. Eles não têm como ascender. É um contra dos países que não têm meritocracia.

         

    • Parabéns!

      Só queria dar os parabéns pelo diagnóstico preciso! Ver a meritocracia como sistema social justo, mesmo numa sociedade injusta, é realmente um pensamento que reconheço em várias pessoas ao meu redor.  Lendo também os comentários fica claro o quanto “se colocou o dedo na ferida”.

      Talvez nem todos entendam o abismo social que impede algumas pessoas cheias de potencial de (até mesmo) conseguirem explorar e desenvolver suas próprias capacidades, quanto mais de terem um retorno financeiro e social . Acredito que é esse entendimento que falta a quem que criticou o texto.

    • Vamos ao seu erro conceitual central

      “O “mérito”, então, não está naquele que é avaliado, mas naquele que avalia. Então, contraditoriamente, o que está em jogo não é o valor daquele que será premiado ou punido pela meritocracia, mas os interesses, crenças, ideologias e poderes daqueles que avaliam. Os comentários divergentes, antagônicos mesmo, a meu respeito, provam que o meu mérito não repousa em mim, mas em quem me avalia. Portanto, a meritocracia se baseia em uma falsa ética do merecimento, como se fosse possível avaliar objetivamente o mérito de cada um antes de premiá-lo ou puni-lo (desculpem usar a mim mesmo como referência aqui, mas a analogia foi irresistível).

      Por isto eu escrevi que, apesar da meritocracia escamotear as reais operações de poder, os poderes econômico e político, não raras vezes, é que estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos. Como desempenho e mérito são convencionados, e convenções são disputadas politicamente, a meritocracia opera as mesmas relações de poder e dependências pessoais a que ela veio pretensamente combater.

      Então, de que meritocracia estamos falando?”

       

      Prova nada. Você se esquece de uma coisa básica, e objetiva, sobre a meritocracia. Mas pra não dar a resposta óbvia, que não vai fazer você pensar, eu coloco isso como pergunta…

      Se você está num conjunto de pessoas sendo avaliadas, o que realmente importa para vc ser declarado o melhor do grupo a despeito de quem seja o avaliador (desde claro que inexista desonestidade em jogo) ou “régua” usada para medir o desempenho dos candidatos?

    • Caro Renato,
      Apenas para

      Caro Renato,

      Apenas para ratificar essas suas considerações:  é justamente no âmbito acadêmico onde podemos perceber mais facilmente que a meritocracia é hipócrita, pois seria onde essa ideologia poderia reinar de forma inconteste, eis que, em tese, desprovida de interesses políticos, pessoais, etc, devendo ser pautada apenas em critérios eminentemente técnicos. No entanto, o que mais vemos é ocorrer (in)justamente o contrário: por mais brilhante que  o estudante seja, se  ele não for bem relacionado com o corpo docente ou já não tiver amizade com um professor orientador ele simplesmente não é aceito para seu mestrado ou doutoramento, principalmente  se ele não for egresso da mesma  Universidade.

  68. Caro Renato Santos de Souza,

    Caro Renato Santos de Souza, Nada, nenhum livro ou filme que tratasse de questões sociais, de valores, filosofia, da moral e ética, … nada, nada me balançou tanto quanto seu texto. Veio quase que como um SOCO que formatou e ordenou várias de minhas ideias jogadas, perdidas e aturdidas na pluralidade de nossos cotidianos. Veja a metáfora: Quando descobre-se um bacilo, vírus ou seja lá o que for, descrevesse suas características, ações, profilaxias, tratamentos e assim por diante. Comprovando-se notoriedade do fato descoberto, dá-se ao autor, um título de Doutor, PhD e por vai… e no seu caso, nessa doença social, a qual convivemos todos os dias, me atrevo a dizer que você já tem uma tese pronta. Vá em frente! … e Obrigado !!!!!!!!!! De coração e espírito. Hoje, com seu texto, você nos deu ferramentas para discutir de frente alguns dos equívocos, os quais nos deixam sem ação, justamente pela falta de entendimento, ignorância ou até mesmo, pela opressão e covardia que esse ‘pequeno poder’ nos causa. Não consigo dizer mais nada… Hoje, para mim foi um dia EUREKA. Obrigado. 

    • Andre, voce toda razão e

      Andre, voce toda razão e assino embaixo com o mesmo entusiasmo o texto do Renato.

       

      abraço

  69. meritocracia X desempenhocracia

    Concordo com todos os pontos colocados, menos na catalogação dos erros:

    a) A sociedade não é constituída por uma pirâmide em que um único eixo categoriza as pessoas: (ricos, remediados e pobres). A Sociedade é tridimensional, a classe dos políticos, que via de regra, é composta por um caldo amorfo de oportunismo/empreendedorismo/carisma/malandragem não tem classe. São ricos porque são políticos mas a origem deles é quase sempre heterogênea e desconhecida. Estão lá, alguns foram líderes estudantis, outros, líderes sindicais, outros líderes religiosos, mas o que os une não é o dinheiro de partida, e sim a veia articuladora, o carisma, a falta de escrúpulos.

    b) A sociedade não pode ser meritocrática porque os decisores não chegaram à posição de decidir por mérito e não entendem o que isso significa ou como aplicá-lo.

    c) O critério da meritocracia é um algorítimo complexo e inexato, e é dificílimo fazer um julgamento correto de mérito sem juízo de valor, sem incoerências e sem parcialidade, o que não significa que a meritocracia esteja errada. Quem não teve acesso a cultura ou oportunidades tem que ter acesso a oportunidades. Ponto. O problema é que um fundamento da nossa sociedade que interfere em tudo está errado. O político não chegou ao poder por mérito, o pobre não passa fome por falta de mérito, o remediado não criou o problema que está compulsoriamente remediando, não consertando.

    Posso dizer isso como duplamente graduado, mestre com nota máxima e louvor (mérito) e ex classe média, atualmente pobre

  70. Meritocráticos

    Lendos os posts, percebo que, em sua maioria, corroboram a tese levantada por Renato.  Esse é o Brasil:  um país desigual, preconceituoso, elitista.  Mas que, na prática, não se enxerga assim.

  71. hahaha!

    O que eu mais gostei na sua página foi o anúncio da CAIXA.

    Provavelmente vc não tem nenhum mérito nisso. Só puxa-saco do atual governo e de suas ideias tortas.

    Vai publicar um  paper e vê se merece uma bolsa de produtividade.

    Lamentável.

  72. Parabéns

    Caro Renato,

    Observo que seu texto tenta buscar as mesmas respostas do que eu. Acredito que essa seja uma pequena parte de um sistema precário que ainda estamos inseridos.

    Vejo, sim, a meritocracia como a grande muleta da classe média, também a entendo como um preconceito velado entre outras coisas que você veio a citar, mas, mesmo assim, não me responde todas as perguntas. Dentre elas algumas com respostas tão claras!

    Não Obstante, não explica a falta de interesse da classe média na informação. Digo, não apenas em ler e estudar todos nossos valores metafísicos, mas confrontar, indagar e não aceitar a primeira resposta. A meritocracia também não responde o ódio e a raiva da classe média. Muito menos a crueldade, porque ser contra o bolsa família é ser cruel. Em minha consciência tenho que ninguém merece morrer de fome, independente de seu potencial produtivo!

    Venho lendo e estudando sociólogos e filósofos desde os 17 anos e em nenhum encontrei a grande resposta. Acredito que com mais esse texto eu encaixe mais uma peça no quebra-cabeça da formulação social desta classe, que mais me anima chamar de Pretendentes, como Bourdieu!

    Continue pensando assim, existem muitos “eus e vocês” que ainda podem mudar alguma coisa!

    • crueldade

      Crueldade é ser roubada pela receita federal em um sitema tributário injusto, onde a classe média tem imposto retido na fonte e saber que o empresariado sonega macissamente e ainda ver o dinnheirro suado do imposto ir para uma cambada de vagabundos da laia dessa destemperada chauí!

       

    • Obrigado Marcelo, dentre

      Obrigado Marcelo, dentre tantos impropérios que tenho lido em alguns comentários, muitos deles claramente ofensivos (quase a confirmar o que defendi no texto), as suas palavras me animam.

  73. Tolices! Sem mais a

    Tolices! Sem mais a dizer.

    Esqueces qual foi a força que a imigração alemã, italiana, polonesa e japonesa trouxeram também um forte componente de trabalho duro, que é o símbolo da classe média. Se há distorção na socidade é justamente a fraca presença do empreendedor até meados de 1960-1970, o sujeito agregrado sem vínculos era figura comum num país de remendados e de baixa instrução.

    O estado brasileiro que se moldou à partir do corporativismo (com base no fascismo italiano) e de uma guinada para a direita no início do governo Castelo Branco, com tendências estatizante com Geisel foram as plataformas que proporcionaram a formação da classe média de funcionários públicos e em paralelo de empreendedores.

    Se houve despolitização do grosso da classe média, foi o regime militar que o causou, e é justamente um dos motivos do Brasil não ter partidos de clara e forte bandeiras liberais e conservadoras hoje.

    Ora, Marxilena Chaui é claramente uma vigarista intelectual. Como pode ter a mesma classe média um pensamento fascista, e ser meritocrática? A meritocracia recente demonstrada pela classe média foi justamente uma resposta contra um Estado quebrado e ineficiente pós-1985. E Se fosse fascista, ela agradeceria cada criação de uma estatal nova e de políticas de inchamento do Estado até voltar ao quadro do governo Geisel.

    • Justamente! Você fala da

      Justamente! Você fala da imigração alemã, italiana, polonesa e japonesa como representantes do esforço que foi recompensado. Mas você não fala dos milhões de índios e negros que formaram as bases de esta nação (trabalharam bem mais do que os alemães, italianos, poloneses ou japoneses), que merecem, mesmo que seu “desempenho” segundo os padrões meritocráticos seja baixo no esquema atual das relações de mercado.

  74. Há um sofisma evidente no

    Há um sofisma evidente no texto – ataca-se a meritocracia, mas descrevem-se apenas os defeitos dos critérios para medição do desempenho, que em geral são problemáticos, principalmente no Brasil. 

    A meritocracia é um fato e não adianta negá-lo: se ele não se manifesta no desempenho profissional, numa sociedade artificialmente igualitária (mais próxima, portanto, do socialismo) vai se manifestar de outras formas – ou ninguém exercerá o poder de outras formas numa nação socialista? E quem exercerá esse poder? Será quem alcançá-lo por seus próprios méritos! Os critérios? Serão a força? Armas? Inteligência? Carisma político? Dinheiro? Tudo isso junto?

    Ademais, não se coloca uma proposta alternativa: o que colocar no lugar da meritocracia? Os postos de trabalho e as vagas numa universidade são limitadas e não atendem a todos… como preenchê-los? Sorteio?

    Os recursos são escassos, tanto mais no Brasil, país ainda muito pobre – oitavo ou nona economia em valores absolutos – 54º em renda per capita (que desconsidera a desigualdade).  Ou prosperamos (leia-se: enriquecemos), ou não nunca se alcançará a tal justiça social.

    Enfim, e criticando agora mais acidamente, os conceitos são belos (Justiça Social), mas as oportunidades só podem ser ampliadas num ambiente de real competição econômica, com liberdade e livre concorrência (todos os países de primeiro mundo prosperaram assim, sem exceção). O mérito é medido pelo próprio mercado – os melhores e mais eficientes prosperam, ampliam, diversificam, geram mais empregos etc – , cabendo ao governo apenas criar regras e reprimir abusos do poder econômico, práticas anticoncorrenciais etc.

    Quanto mais negócios, mais empresas; mais empresas, mais empregos; mais empregos, mais prosperidade econômica etc. O ser humano não conhece outra forma de gerar riqueza, lembrando que nosso estado natural é miserável.

    Assim é no mercado, assim é na natureza tão bem explicada por Darwin: somente a competição leva à evolução (seu livro mais famoso chama-se a LUTA pela Vida), seja das espécies, seja das civilizações.

    O resto é tentativa de engenharia social que, quando aplicada na prática, não gerou prosperidade econômica, mas sim milhões e milhões de mortos. Lembrem-se: a Europa que prosperou foi a capitalista!

     

     

    • Primeiro que Darwin não

      Primeiro que Darwin não postulou um direcionamento á evolução: do menos para o mais. O postulado da seleção natural diz respeito aos indivíduos pré-adaptados ao sistema dinâmico em que estão inseridos. No sistemas em que vivemos (Capitalismo), a sua dinâmica de mudanças abruptas determina a seleção dos indivíduos adaptados ao novo caminho após a truculência. Esta mudança no perfil de uma população pode ser devido ao acaso, sem direcionamento algum! Por isso não podemos comparar o mercado de capitalização com a natureza. Um se dirige, independentemente do que aconteça ao acúmulo de capital, o outro, a natureza, não possui direção.

       

      Quanto a competição! este aspecto da teoria da seleção natural foi muito bem compreendido na política Vitoriana da Inglaterra imperialista. Explicaria toda a culpa pela exploração desmedida! Centenas de artigos depois e não temos a certeza de que este processo biológico seja responsável pela evolução como você diz. Existe uma alta tendência de que a evolução ocorra devido a processos estocásticos (o maldito acaso), que não controlamos e não temos permissão para controlar. Mais, ao que tudo indica, populações de espécies diferentes tem maior probabilidade de subsistirem as adversidades e acasos quando em interações mutualísticas (aquele negócio de um ajudar o outro!) do que competitivas.

       

      A competição é uma força que existe na natureza e existem processos naturais para controlá-la, afinal todo processo competitivo é altamente custoso para os envolvidos. Este processo envolveria ampliações e retrações nos tamanhos populacionais que controlariam o apetite da “competição” por mais mortos e vulneráveis. O problema deste processo (chamado de densidade-dependência) é que em um momento de retração pode chegar o maldito acaso e puft. Acaba tudo.

       

      Uma guerra hoje, por exemplo, em nível mundial como outras que ocorreram devido ao acúmulo de capital poderia analogicamente com relação a nossa espécie, ser um magnífico… PUFT! Abraço

    • Muito fraca sua posição

      Seu comentário aqui que comete “sofismas”. Você força a assimilação de conceitos a interesses que não são pertinentes (tampouco foram inclusos) ao tema do texto.

      1) Sua defesa de um capitalismo made in usa já é auto-refutável pela história.

      2) Sua apropriação de concepções biologiacas darwinistas para o contexto da avaliação social é completamente leviana e sem o menor rigor conceitual.

       

       

      • Ao Camilo

        “1) Sua defesa de um capitalismo made in usa já é auto-refutável pela história.”

        Qual história refuta o capitalismo made in usa? A de CUBA?

        E é engraçado.. dizem que o capitalismo made in USA é ruim… mas os cubanos vivem fugindo para os EUA (não, não existe o movimento contrário)

        Os cubanos dão a seguinte desculpa bem clichê: ah, não prosperamos por causa do embargo comercial americano! ÃÃÃÃHHH? O embargo proíbe os EUA de comerciar com CUBA – mas se o capitalismo made in USA é tão ruim assim, porque é a falta de acesso a esse capitalismo que é a causa de todos os males de Cuba?

        Não tem uma contradição aí não?

        Os EUA ainda são a nação mais próspera do mundo, com Instituições sólidas e democracia. É o país das oportunidades, quase toda a imigração do mundo se dirige para lá.

        Qual parte da história eu perdi?

        “2) Sua apropriação de concepções biologiacas darwinistas para o contexto da avaliação social é completamente leviana e sem o menor rigor conceitual.”

        Darwin descobriu (isso não é teoria, é fato comprovado) que as espécies evoluem com competição. Sem competição, não há evolução da espécie. Só fiz uma analogia com a própria civilização, que evoluiu com o decorrer dos milhares de anos de sua existência (ou você acha que ainda estamos no tempo das cavernas?)… e essa evolução, inclusive das instituições, da proteção aos direitos humanos, dos valores democráticos, foram conquistadas a duras penas… são valores muito caros para um Karl Marx chegar e defender uma engenharia social artificial e jogar tudo aquilo no lixo!

        Uns atacam a meritocracia, eu critico o “coitadismo” ou “autovitimização”, tão peculiar nessa nossa república de bananas, que atribui o nosso fracasso como tendo sido causado pelo sucesso dos EUA…

        • Concordo totalmente. ainda

          Concordo totalmente. ainda não surgiu sistema melhor que o capitalismo com democracia e bem estar social, ainda que sujeito a imperfeições e injustiças. Serviços públicos de qualidade para TODOS? SIM! Acesso à educação, qualificação para TODOS OS INTERESSADOS? sim! Oportunidades para todos, mas quem se interessa, dedica, esforça, a recompensa é maior! ISSO É ÓBVIO! Chega de coitadismo, paternalismo e populismo, chega de muitos trabalharem duro pra bancar preguiçosos e acomodados. Podem me apedrejar, chamar de reacionária, mas conheço o ser humano o suficiente pra saber que não são todos um bando de coitadinhos doidos pra terem oportunidades de trabalhar honestamente, progredir pelo esforço! o resto é lero lero, cobrem dos governos os serviços públicos essenciais para todos, o resto É MÉRITO SIM!!!

    • E por falar em sofismas – e mais…..

      Entendo que o texto faça crítica à meritocracia, não ao mérito…. Meritocracia, que não é mérito porque parte sempre de diferenças extremamente importante para o ser humano, é injusto, e assumir essa injustiça, penso eu, é, a médio ou longo prazo, “dar tiro no pé” – já que o próximo a perder podemos ser nós…. Eis onde está o fator reacionário da classe média: tem mais medo do povo no qual galga suas ações do que da alta burguesia que lhe oprime econômica, política, social e moralmente….

       

      Partindo do princípio de que o que está sob análise no texto é a classe média brasileira por um motivo a princípio bem explicado – a sua singularidade -, invocar o capitalismo estadunidense ou europeu, com todo os seus aparado de estado de bem estar social (inclusive com destaque no texto) para fazer paralelo sem que maiores explicações sejam feitas para além do eterno chavão “capitalismo venceu”, ainda mais quando estatísticas indicam, por exemplo, que 20% dos estadunidenses estão em miséria absoluta e que os europeus estão perdendo direitos – e alguns, até mesmo seus empregos e casas -, posso estar errado, mas me parece sofisma dos brabos – acompanhado de cegueira…. Não há vitórias em mortes, ainda mais quando o “inimigo está batido”….

       

      As teorias de que o livre negócio é o caminho, a verdade e a vida para a salvação da humanidade também me parece ser – e parece que os capitalistas (de verdade) concordariam com isso – um sofisma que eles só sustentariam longe das evidências mais básicas, e para sustentar o seu poder – assim como os monarcas fizeram outrora com a religião….

       

      Realmente não há uma alternativa apontada de forma evidente no texto, como tão pouco há em dizer que a melhorar o que se tem – que, leia-se de passagem, é muito ruim – é o que há de bom…. Esse é um sofisma que um mínimo de história, tão esquecida nas análises cujo foco seja viver a vida da forma que ela se apresenta – como se não fossemos os responsáveis por ela -, facilmente quebra….

       

      Não devo entrar no mérito do uso – assustador, por indicar irracionalidade à processos tão ideologicamente elaborados – da filosofia darwiniana para além de apontar o que imagino ser o mérito do ser humano segundo sua teoria: algo próximo aos chipanzés…. Viver em grupo e proteger os mais frágeis estão entre as principais características dessa espécie. Individualismo grupal, não.

       

      Restam ainda algumas dúvidas na explanação: se o mérito é do indivíduo, porque a solução prática é o negócio – que, necessariamente, envolve uma série deles?! E se os recursos são escassos – afirmação que não tem lógica quando se aponta isso para a 8ª economia mundial (e grande potencial de matéria-prima e mão de obra) -, como gerar negócios (e, por “consequencia natural”, empresas, emprego e prosperidade)?! Aliás, naturalizar empreendedorismo e prosperidade enquanto um meio e um fim concretos também não é sofisma?!

       

      Para pensar em sofismas – e pessoas, a alma de tudo…. 

       

      Existência social não é filosofia vã, é o básico da vida humana….

      • João Paulo,
        Sobre o trecho

        João Paulo,

        Sobre o trecho “As teorias de que o livre negócio é o caminho, a verdade e a vida para a salvação da humanidade também me parece ser – e parece que os capitalistas (de verdade) concordariam com isso – um sofisma que eles só sustentariam longe das evidências mais básicas, e para sustentar o seu poder – assim como os monarcas fizeram outrora com a religião….”

        É bem a cara da esquerda acusar os liberais (como eu me enquadraria) de acharem que o capitalismo é a salvação de todos os males. É bem o contrário disso: o capitalismo tem inúmeros defeitos… mas até hoje não se “inventou” nada melhor… o capitalismo não é teoria, é o fruto da evolução natural da sociedade (nesse ponto citei o Darwin, não sobre o clichê do darwinismo social que fundamentou o nazismo – não precisa se assustar)

        O que você propõe em substituição ao capitalismo? Cuba? Coreia do Norte? a naufragada União Soviética? Nesses o mérito é julgado pela lei do mais forte, o ditador que está no poder…

        O trecho ” 20% dos estadunidenses estão em miséria absoluta e que os europeus estão perdendo direitos – e alguns, até mesmo seus empregos e casas -, posso estar errado, mas me parece sofisma dos brabos – acompanhado de cegueira…. Não há vitórias em mortes, ainda mais quando o “inimigo está batido”….”

        Meu amigo… você já esteve nos Estados Unidos, no pós crise?

        Me fala uma coisa: quantos americanos estão fugindo de seu país para vir ao Brasil ou a qualquer outro lugar do mundo? Hummmmm… é, esse movimento não existe, certo?

        Agora… veja quantos cubanos fogem para os EUA… bem mais, né? Veja quantos imigrantes do mundo inteiro, Ásia, Africa, America Latina, entram nos EUA todos os anos… por que será?

        Sim, os EUA ainda são o país das oportunidades… e os países socialistas tiveram que construir muros para evitar a fuga… será que esses fugitivos são tão burros assim?

        O erro não é dizer que o capitalismo venceu… é dizer que o capitalismo perdeu para a crise de 2008 (como se alguém sustentasse que o capitalismo não é sujeito a crises….)

        Os EUA não são um país perfeito, muito longe disso… mas ainda é o melhor país do mundo em oportunidades. e lá a meritocracia é levada ao extremo!

        Nada do que disse acima são teorias… são fatos notórios. Teoria é a engenharia social pregada por Russeau, Marx e companhia!

        Abraços

         

         

         

         

         

  75. Generalização

    O autor do artigo optou pela generalização. E toda generalização é terrível vingança social que não corresponde à realidade.