Deus e espíritos nada têm a ver com a religião tradicional, por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

Deus e espíritos nada têm a ver com a religião tradicional,

por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

Essa afirmação do título pode parecer óbvia para alguns, mas para muitos outros não é. Há uma ilusão de que, ao tratar ao longo de séculos de temas como Deus e espíritos, as religiões os monopolizariam. No entanto, se uma consciência suprema denominada Deus existe e se existem consciências, nós mesmos e todos os outros, que vivem sem ou com o corpo físico, isso nada tem a ver com a religião no seu sentido tradicional.

Se há uma causa primária de todas as coisas, uma energia que liga a tudo, que rege os ciclos, criando e desfazendo, pode-se dar qualquer nome que faça sentido a ela. Não precisa ser Deus. Se essa consciência existe, independe de quem fala dela, ainda que cada indivíduo possa criar sua própria realidade. Se ela existe, já existia antes de surgirem as religiões e continuará existindo depois que se extinguirem. 

Chegando à conclusão de que, para tudo existir de modo tão complexo, é preciso existir uma causa, algo que organize esse aparente caos, isso é algo ontológico, ou seja, que está no plano do ser, da realidade, da natureza. As religiões tradicionais são apenas formas de entender essa realidade e, acima de tudo, de cultuá-la.

Segundo os espíritos explicam, o importante é se ligar a essa consciência suprema, ao todo, compreendendo-se como uma individualidade que é una com todo o resto. Para isso, ninguém depende de um conjunto de dogmas específicos ou de rituais. O religare, origem da palavra religião, independe de uma religião tradicional.

Neste momento de transição, os espíritos têm nos passado que é importante começar a superar as dualidades, ainda que seja preciso continuar vivendo-as até que haja uma mudança de dimensão da realidade e de consciência no planeta. O estágio seguinte de evolução de consciência buscado pela espiritualidade à frente do plano evolutivo da Terra envolve fechar os espaços ou, sob outro ponto de vista, entender que os espaços já estão preenchidos por aquela consciência suprema e por um éter que a todos liga.

Se o objetivo é ligar cada vez mais, tudo o que separa tende a se enfraquecer e desaparecer, a exemplo das religiões. Isso não vai acontecer em poucas décadas, mas é claro o movimento de criação no Brasil, o berço do renascimento espiritual do planeta, de mais escolas e casas espiritualistas universalistas, religiosas ou não.

O programa Diálogo com os Espíritos tem mostrado com muita clareza que está havendo um crescimento considerável da Umbanda, pois ela é capaz de abarcar inúmeras crenças distintas e todo tipo de pessoas: velhos, crianças, negros, índios, orientais etc. A Umbanda vem mudando e se tornando cada vez mais universalista. Não significa que é uma religião melhor do que as demais; significa que o plano evolutivo a utiliza como meio de integração maior entre as pessoas.

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A umbanda é cósmica. Foi a única religião trazida por espíritos à Terra com apresentação do seu nome e com instruções até certo ponto detalhadas sobre como deveria funcionar. O processo do espiritismo e da teosofia foram similares, mas, ainda assim, com marcas bem diferentes. Há inúmeros relatos no Diálogo com os Espíritos e em obras psicografadas no sentido de que a Umbanda vem da Aumbandhan (ou Aumbandhã), uma visão cósmica a respeito das coisas, sobretudo a respeito do que é mais metafísico.

Aumbandhan é uma sabedoria cósmica que foi trazida à Terra pelos sirianos, aqueles que vieram do Sistema Sirius, uma parte degredada e outra por vontade própria, para que pudessem ajudar na evolução dos seus irmãos trazidos para cá e dos demais vivendo no planeta. Ela não parece ser siriana, contudo. Pelo que os espíritos explicam, talvez não com o mesmo nome, esse conhecimento Aumbandhan está espalhado pelo cosmo e já devia ter vindo de outros povos mais evoluídos para chegar em Sirius. Ela envolve conhecimento metafísico geral, como entendimento sobre o que se chama de Deus, o que se chama de espíritos, magia, esoterismo etc.

A Aumbandhan era praticada em Atlântida, continente de dimensão um pouco mais elevada do que esta terceira dimensão em que vivemos. Os diversos relatos espirituais, como os de Ramatis, explicam que lá havia templos e sacerdotes Aumbandhan. Alguns dos livros de Roger Bottini, como os dois volumes Atlântida (no reino da luz e no reino das trevas), são muito detalhados ao tratar do tema.

Há livros, inclusive, sem cunho metafísico que tratam seriamente e com detalhes surpreendentes a respeito da comunicação entre sirianos e terráqueos ao longo da história. Um exemplo dentre muitos é a obra “O Mistério de Sírius“, de Robert Temple, que conta com minúcias sobre ter sido perseguido pela CIA e outros órgãos devido a suas pesquisas sobre Sirius e extraterrestres.           

A Umbanda está caminhando, muito provavelmente, para se tornar um círculo de práticas universalistas, cada vez menos religioso no sentido tradicional, nos moldes da Aumbandhan, que buscará integrar o ser com o todo, os seres uns com os outros, afastando dogmas, comparações, competições etc. entre religiões e entre todos os indivíduos.

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Não quer dizer que vá continuar se chamando Umbanda, nem que casas hoje não autodenominadas como Umbanda não possam seguir caminho semelhante. As fusões entre conhecimentos filosóficos de natureza espiritualista já vêm acontecendo de vento em poupa. É claro o movimento de integração em busca de visões menos sectaristas e mais pragmáticas: usa-se aquilo que ajuda a curar, a despertar a consciência, a desenvolver o ser holístico.

O espiritismo, cumprindo o seu importante papel, municia a todos com o conhecimento científico-filosófico de caráter metafísico deixado por Kardec e outros autores, além das práticas magísticas como o passe e outras.

A teosofia, também com papel muito relavante, traz o conhecimento oriental para integrá-lo ao ocidental, tratando das energias do planeta numa perspectiva distinta daquela dos orixás, explicando sobre os mestres que regem os raios e assim por diante.  

Esses três conhecimentos espiritualistas, todos surgidos num período de menos de 60 anos (1854-1908), são a base de uma unificação lenta do pensar sobre a vida em geral e, sobretudo, a metafísica. Alguns ainda precisam ter a sua única religião, pois isso lhes faz bem e é importante respeitá-los, mas claramente se caminha para a integração e para o desfazimento de convicções, de dogmas, de círculos fechados, que terminam permitindo o controle e o atraso no despertar das consciências.

O hinduísmo, o budismo, o sufismo, a gnose, o hermetismo e muitos outros conhecimentos somam-se a esses “novos” conhecimentos espiritualistas para, de forma integrada, municiá-los e, em relação com eles, autorregenerarem-se por dentro na forma dos sistemas autopoiéticos. 

As religiões devem continuar existindo por pelo menos mais algumas décadas, mas parece-nos evidente que, já em 10 ou 20 anos, deixarão de ser como hoje de uma forma marcante.

O fato que queremos deixar mais ressaltado neste texto, contudo, é que essas são todas formas de conhecer a realidade metafísica e de praticá-la. Pode-se utilizar um meio mais religioso tradicional, que costuma separar muito as pessoas; pode-se utilizar um meio não religioso de caráter espiritualista, como uma filosofia prática, que costuma integrar mais as pessoas; mas, o fato é que, adotando ou não algum círculo teórico ou prático, consciências metafísicas reais não deixarão de existir, exceto para o mundo limitado daquelas consciências que se fecham. 

Se os espíritos hoje influenciam ou não drasticamente a nossa vida, como se crê em muitos desses conhecimentos acima citados, ter religião ou não, acreditar ou não, não vai mudar muita coisa. Então, é preciso começar a destituir os preconceitos em relação ao que é metafísico por se julgar que há ali necessariamente algo religioso, doutrinário, com o que não se quer pactuar.

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Os espíritos explicam que, pelo mau uso de magias em outras encarnações, pelas quedas e desencarnes causados por origens espirituais no passado, muitos encarnados atualmente têm pavor do que é metafísico. Some-se às causas acima o terror decorrente de filmes e outras obras de ficção.

Não há, porém, como fugir do plano espiritual, que é apenas um conjunto de dimensões de realidade amalgamadas a esta na qual vivemos. Fugir da realidade é escapismo. Prefere-se ficar apenas no material, naquilo que não causa medo, que causa menos dúvidas, que não dá insegurança e que dá sensações imediatistas boas, como namorar, ganhar dinheiro, buscar sucesso etc.

A questão é que compreender as influências metafísicas sobre nós, encarnados, ajuda a gozar muito melhor da vida material, que deve, sim, ser gozada, mas de forma equilibrada com o aspecto espiritual. O conhecimento metafísico ajuda a ter melhor saúde, a compreender que quase tudo é gerado por nós mesmos, que não precisamos de tantos remédios, que podemos cocriar nossas realidades.

O racionalismo e o cientificismo fez com que parte da humanidade julga-se tudo aquilo que é metafísico como bobo, inocente, fanático e assim por diante. As religiões tradicionais contribuem imensamente para isso, apesar de terem também seus pontos positivos, como já dito.

Não está mais chegando a hora do despertar de consciências em massa; ele já vem ocorrendo. Quanto mais indivíduos acordarem para os planos metafísicos, mais cedo poderão reestruturas suas vidas de acordo com uma visão mais ampla e profunda da realidade, o que lhes ajudará imensamente a melhorá-las.

Marcos de Aguiar Villas-Bôas é terapeuta holístico, consultor jurídico e político, espiritualista universalista, reikiano usui, reikiano xamânico, estudante de psicanálise e de Programação Neurolinguística (PNL), praticante de meditação e amante do todo e de todos. Deixou a sociedade de um dos cinco maiores escritórios de advocacia do país, sediado em São Paulo/SP, para seguir seu sonho de realizar pesquisas em Harvard e em outras universidades estrangeiras, mas, após atingir muitos dos seus objetivos materiais, percebeu, por meio da Yoga, de estudos e práticas espiritualistas sem restrições religiosas, que seus sonhos e suas missões iam muito além das vaidades acadêmica e profissional. Hoje busca despertar a consciência, o mestre dentro de si, e ajudar os outros a fazerem o mesmo, unindo o material e o espiritual e superando todas as demais dualidades. 

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