Ditadura militar tentou esconder epidemia de meningite no Brasil

País era governado pelo general Ernesto Geisel na época; documentos mostram que regime escondeu fato e perseguiu quem informava população

General Ernesto Geisel. Foto: Reprodução/Wikipedia

Jornal GGN – Assim como ocorre com o coronavírus, o Brasil passou por outra epidemia em grande escala no passado recente: durante o regime militar, na década de 70, houve uma grave epidemia de meningite que levou muitos brasileiros à morte e superlotou hospitais. E o governo da época atuou para proibir a divulgação de dados oficiais, tanto que até hoje não se sabe ao certo a quantidade de casos e vítimas.

Segundo informações do portal UOL, documentação do Arquivo Nacional não só mostra como o regime militar trabalhou para censurar veículos de comunicação como espionou, perseguiu e deu ordens para que quem estivesse informando a população sobre a doença fosse investigado.

As ordens do regime eram claras: não alarmar a população e não ferir a imagem do governo durante o chamado “milagre econômico”, mas a gravidade era conhecida pelas autoridades. Informe do SNI (Serviço Nacional de Informações) explica que a epidemia teria começado na cidade paulista de Osasco, e se espalhado pelo país, e essa epidemia também poderia afetar negativamente o andamento da campanha eleitoral.

Mesmo sabendo da gravidade, o governo manteve a proibição da divulgação dos dados durante quase todo o período. E os pesquisadores têm poucos documentos para estudar a respeito, já que boa parte dos arquivos da época da ditadura foi destruída.

Além de esconder a epidemia de meningite, existe a suspeita de que corpos de jovens foram escondidos pelo regime: cerca de 450 das 1500 ossadas encontradas em valas clandestinas do cemitério de Perus, em São Paulo, eram de pessoas com menos de 16 anos, e muitos podem ser vítimas da meningite.

Segundo Eugênia Gonzaga, procuradora Regional da República em São Paulo, e ex-presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, “aquelas ossadas das quadras um e dois eram fruto de sepultamentos feitos nos de 1970 a 1974, época dessa epidemia. O número de jovens mortos foi muito alto, não foi um percentual normal”.

Tanto historiadores como infectologistas fazem um paralelo do comportamento governamental da época – o presidente era o general Ernesto Geisel (1974-1979) – com a falta de transparência do governo Jair Bolsonaro sobre os dados da covid-19, uma vez que o Ministério da Saúde reduziu a quantidade de informações disponíveis sobre a doença.

 

 

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5 comentários

  1. Publiquei, em 08.06.2020, no meu perfil no Facebook, um relato pessoal a respeito. Ao final, dois ou três adendos.

    8 de junho às 18:46 ·
    Araçatuba (SP), 1974.

    Meu pai estava em viagem, dia de semana, por volta das 20 horas. Minha mãe, preocupada com os sintomas estranhos que ela não identificava no meu irmão mais velho, 19 anos, age rápido. Chama um táxi e rumamos não para o pronto socorro da Santa Casa, mas para um local da sua estrita confiança, o médico Dr. Renato, clínico geral e pediatra que atendia os filhos desde o nascimento.

    Chegamos sem avisar, não tínhamos telefone, o Dr. Renato tinha um consultório na sala do sobrado que era sua residência, onde atendia à noite, madrugada e finais de semana. Na maioria das vezes, pro bono. Naquele tempo tinha disso. Examinou, ouviu os sintomas, e realizou o teste que detectava o enrijecimento do pescoço, vital para o diagnóstico certeiro e preciso: meningite. Pediu que internasse imediatamente na Santa Casa, para onde estava indo assim que trocasse de roupa.

    No hospital, ele mesmo realizou a punção lombar/espinhal, e nos mostrou o líquor escurecido na seringa enorme. Meu irmão ficou internado vários dias, tudo pelo Iamspe, devido minha mãe ser professora estadual. Não havia SUS.

    Meu irmão escapou por dois motivos: 1) minha mãe correu imediatamente ao médico logo nos primeiros sintomas; 2) o médico que realizou o diagnóstico em 5 minutos era o Dr. Renato Costa Monteiro, que sabia o que estava acontecendo no Brasil, a população não. Rádio, TV, jornais mudos, calados e censurados. Muitos não escaparam.

    O ano era 1974, tinha 18 anos e o governo era do general Geisel, que não permitia que nenhuma notícia relacionada à EPIDEMIA de meningite no Brasil fosse veiculada pela mídia.

    Lembra alguma coisa?
    ****
    1 – Minha mãe era tão grata ao médico dr. Renato, que o terceiro filho, nascido em 1959, meu irmão mais novo, chama-se …Renato;

    2 – Um amigo de Araçatuba comentou, no post do Facebook, algo que já tinha esquecido. Dr. Renato, entre outros talentos, era um tremendo músico, seresteiro, o que explica tudo;

    3 – Divisão de responsabilidades: Geisel assumiu em 15.03.1974, a epidemia começou em 1971/1972, portanto o Médici é co-responsável.

  2. Ave VerdeSauvas, morituri te salutant”, Paródia romana.

    Nassif: você que é bamba nesses trocadilhos, aquilo era uma tragédia na farsa ou a farsa na tragédia. Quanto a grande mídia, nem precisava fazer pressão. Nunca passaram de prostitutas de bordel do baixo meretrício. Uns trocados e as pernas se esparramavam. Sem contar as penas mercenárias, sempre atentas à vontade do freguês. Em artigos sobre CristoJesus nem coravam em perguntar se o cliente queria contra ou a favor. E, olha, segundo as notícias da época, Pindorama era só felicidade. Saia no jornal que até o SenhorDeus tava querendo copiar o modelito da saúde pública. Um resfriadinho aqui ou ali; um sarampinho, catapora, coisa corriqueira. É só. O SUS da época não passava de figuração. Então, os Kummunistas inventaram uma tal de “DiretasJá” e atiçaram a Elite do Quintal onde moramos. Ainda tentaram maquiar as coisas, colocando no Trono de Pedro II um meliante PríncipeParisiense. Num deu outra, criamos o SambaDoCrioloDoido. Por isso é que te digo sempre — onde entra VerdeSauva a vaca vai pro brejo…

  3. Ave VerdeSauvas, morituri te salutant”, Paródia romana.

    Nassif: você que é bamba nesses trocadilhos, aquilo era uma tragédia na farsa ou a farsa na tragédia. Quanto a grande mídia, nem precisava fazer pressão. Nunca passaram de prostitutas de bordel do baixo meretrício. Uns trocados e as pernas se esparramavam. Sem contar as penas mercenárias, sempre atentas à vontade do freguês. Em artigos sobre CristoJesus nem coravam em perguntar se o cliente queria contra ou a favor. E, olha, segundo as notícias da época, Pindorama era só felicidade. Saia no jornal que até o SenhorDeus tava querendo copiar o modelito da saúde pública. Um resfriadinho aqui ou ali; um sarampinho, catapora, coisa corriqueira. É só. O SUS da época não passava de figuração. Então, os Kummunistas inventaram uma tal de “DiretasJá” e atiçaram a Elite do Quintal onde moramos. Ainda tentaram maquiar as coisas, colocando no Trono de Pedro II um meliante PríncipeParisiense. Num deu outra, criamos o SambaDoCrioloDoido. Por isso é que te digo sempre — onde entra VerdeSauva a vaca vai pro brejo…

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