23 de junho de 2026

Dossiê Ditadura 2: De Figueiredo aos Kids Pretos, a estratégia do terror

Figueiredo, o memorando da CIA e a gramática do caos fabricado (1968–2022)
O sargento Guilherme Pereira do Rosário morto na explosão acidental da bomba dentro de um carro Puma no estacionamento do Riocentro

Memorando Colby-Kissinger (1974) revela que Figueiredo apoiou execuções sumárias de subversivos sob Geisel.
Campanha terrorista (1980-81) da linha-dura incluiu atentados e o ataque fracassado no Riocentro, com vítimas militares.
Três operações de bandeira falsa (1968, 1981, 2022) mostram padrão de fabricar caos para justificar medidas autoritárias.

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Dossiê Ditadura 2

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De Figueiredo aos Kids Pretos, a estratégia do terror

Apresentação

Este documento consolida três materiais de apoio à apuração sobre o papel de João Baptista Figueiredo no aparato repressivo e a continuidade doutrinária entre a ditadura e a trama golpista recente. A Introdução relata um episódio no qual tive participação direta, e que marca o início da reação das diretas contra o golpismo incrustado ainda na mídia.

A Parte I traz a ficha de procedência do memorando Colby–Kissinger de 1974, a peça documental mais direta e também a mais atacável. 

A Parte II reconstitui a campanha terrorista contra a abertura (1980–1981), que tem no Riocentro seu clímax. 

A Parte III compõe um quadro comparativo da operação de bandeira falsa em 1968, 1981 e 2022. 

A Parte IV sintetiza a tese e demarca o que a documentação sustenta e o que não sustenta.

Introdução

O retrato que Elio Gaspari traça de João Baptista Figueiredo em sua trilogia sobre o regime militar é, em boa medida, menos incriminador do que seria de esperar — e essa é a chave para entender a obra. Figueiredo aparece como personagem central de dois momentos distintos da Coleção Ditadura, com pesos muito diferentes.

No período em que foi chefe do SNI (1974–1979), retratado sobretudo em A Ditadura Escancarada e A Ditadura Encurralada, ele é enquadrado dentro da tese-mestra de Gaspari: a do general Golbery (o “feiticeiro”) e de Geisel (o “sacerdote”) desmontando a ditadura por dentro, contra a “anarquia militar” da linha dura. Figueiredo é apresentado mais como peça do projeto de distensão do que como operador dos porões. O eixo dramático desse trecho não é o SNI dele, mas a reação de Geisel às mortes de Vladimir Herzog (outubro de 1975) e Manoel Fiel Filho — episódios em que o presidente afinal demite Ednardo D’Ávila Mello e disciplina o II Exército. Figueiredo, ali, é tratado como aliado dessa ofensiva contra os aparelhos repressivos autônomos, não como gestor deles.

Essa é, aliás, a crítica historiográfica mais persistente a Gaspari — a de que ele concede espaço desmedido e benevolência excessiva à linhagem castelista-Geisel, atribuindo-lhe estatura de estadista justamente no terreno em que a documentação posterior seria mais dura. Vale ter isso em mente: a obra não constrói Figueiredo como torturador ou como arquiteto da máquina de matar.

Elio defende-se praticando algo impensável para um historiador isento: mantém os arquivos nos quais se baseou fora do alcance de outros historiadores. Aliás, foi o principal propagandista da candidatura de João Baptista Figueiredo à presidência da República, retratando-o como intelectual de peso, especialista em matemática e tríplice coroado na Academia Militar das Agulhas Negras. Manipulou pesquisas enviadas pela sucursal de Brasilia da revista Veja – dirigida por Dalembert Jaccoud.

Quando a Arena preparava-se para definir seu candidato à sucessão de Figueiredo, a candidatura de Tancredo Neves ganhava força. Esse fato fez Golbery sair das sombras, abrir mãos dos intermediários e conceder uma entrevista à Gaspari, nas Páginas Amarelas da Veja.

Eu acabara de assumir a Secretaria de Produção/Redação da Folha, no momento em que Otávio Frias Filho estava sendo preparado para substituir Boris Casoy na direção editorial — Casoy tendo sido posto ali para aliviar a barra do jornal com os militares. A ditadura se esgarçava, a Folha já desfraldara a bandeira das Diretas, e a candidatura de Tancredo crescia, reduzindo as chances de Paulo Maluf.

Foi nesse momento que saiu, num sábado, a edição da Veja com a entrevista de Golbery nas Páginas Amarelas, feita por Gaspari. Era a primeira vez que Golbery se expunha pessoalmente, em on. Até então, as mensagens do “feiticeiro” circulavam pela imprensa sem menção à fonte, intermediadas pelo próprio Gaspari, o grande porta-voz do grupo militar na mídia. Com o regime fazendo água, Golbery saía das sombras.

Sem consultar os Frias, pautei os repórteres, escrevi o texto final e as manchetes da página e da primeira página. A peça recuperava o histórico de Gaspari a serviço da ditadura (inclusive a campanha que apresentara João Baptista Figueiredo como intelectual, “tríplice coroado”, grande matemático) e era ilustrada por um Golbery pequeno projetando uma sombra enorme, para sustentar o título: que Golbery era muito menor do que a sombra que projetava. Virou a manchete principal do jornal.

Na segunda-feira fui chamado à sala de Frias pai, com Frias filho presente; ambos foram compreensivos diante da gravidade, mas deixaram claro que certos temas exigiam consulta prévia. Reconheci a imprudência — mas o jornal foi inundado de telegramas de apoio no domingo e na segunda. Reforcei aos Frias que o episódio mostrava que a Folha já tinha dimensão para ombrear-se com a Veja e o Jornal Nacional, até então os dois veículos mais influentes do país.

Parte I — O memorando Colby–Kissinger (11 de abril de 1974)

Identificação e procedência

Memorando do diretor da CIA, William E. Colby, ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, datado de Washington, 11 de abril de 1974, sob o título “Decisão do presidente brasileiro Ernesto Geisel de continuar a execução sumária de subversivos perigosos sob certas condições”¹. O texto integral está publicado na coleção oficial Foreign Relations of the United States e foi também liberado pelo FOIA da própria CIA².

Tornado público em maio de 2018 a partir de pesquisa de Matias Spektor (FGV)³. A fonte primária é citável diretamente, sem dependência de intermediários.

Conteúdo

Em 30 de março de 1974 — quinze dias após a posse de Geisel —, o presidente reuniu-se com os generais Milton Tavares de Souza e Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente o chefe que saía e o que assumia o Centro de Informações do Exército (CIE). Também estava presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do SNI[4].

  • Milton conduziu a maior parte da conversa e sustentou que métodos extralegais deveriam continuar a ser empregados contra subversivos perigosos.
  • Afirmou que cerca de 104 pessoas haviam sido sumariamente executadas pelo CIE no ano anterior, sob o governo Médici.
  • Figueiredo apoiou a política e defendeu sua continuidade.
  • Em 1º de abril, Geisel comunicou a Figueiredo que a política deveria prosseguir, com cuidado para que apenas subversivos perigosos fossem executados.

Ressalvas metodológicas

Literalidade vs. interpretação. O texto desclassificado estabelece, com todas as letras, que Figueiredo defendeu a continuidade e que Geisel canalizou a decisão por meio dele. A versão de que cada execução dependeria da aprovação nominal de Figueiredo é leitura de Spektor e da imprensa, não literalidade do parágrafo liberado[5]. Formulação segura: “Figueiredo endossou e passou a centralizar a política de execuções sumárias”.

Natureza da fonte. É um relato de inteligência norte-americana sobre o que teria sido dito em reunião fechada; permanece aberta a questão do informante. Em contrapartida, o Exército alegou ter destruído a documentação sigilosa brasileira do período, o que elimina a contraprova nacional — mas também não desmente o memorando[6].

Parte II — A campanha terrorista contra a abertura (1980–1981)

O Riocentro não foi evento isolado, e sim o clímax de uma campanha sistemática da linha-dura para inviabilizar a abertura por dentro, atribuindo os ataques à esquerda. A CNV concluiu que se tratou de ação articulada do Estado, não de agentes isolados[7].

Cronologia

1978–1979 — Atentados contra opositores em Minas Gerais funcionam como precursores; a partir de 1979, com o retorno dos anistiados à atividade política, o aparelho repressivo rearticula-se para travar a redemocratização[8].

Janeiro de 1980 — Intensifica-se a onda de atentados à bomba, concentrada em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Mais de trinta dos ataques visam bancas de jornal que vendiam a imprensa alternativa, com o objetivo de sufocá-la comercialmente[9].

27 de agosto de 1980 — Três cartas-bomba explodem no Rio no mesmo dia. Na sede da OAB, morre a secretária Lyda Monteiro da Silva ao abrir o pacote endereçado ao presidente da Ordem; no gabinete do vereador Antônio Carlos de Carvalho (PMDB), o assessor José Ribamar de Freitas perde um braço e um olho, com mais feridos; uma terceira explode na redação da Tribuna da Luta Operária (PCdoB). Uma quarta, enviada à ABI, é desativada após aviso anônimo a Barbosa Lima Sobrinho[10].

Agosto–setembro de 1980 — Figueiredo decreta luto oficial e declara que levará o país à democracia apesar das bombas. Ao longo do ano, são alvos livrarias, redações de esquerda, escolas e entidades; uma bomba é desativada no hotel onde se hospedava Leonel Brizola e outra no escritório do advogado Sobral Pinto[11].

30 de abril de 1981 — No Riocentro, durante show do Dia do Trabalhador com cerca de 20 mil pessoas, uma bomba explode prematuramente no carro dos próprios agentes, matando o sargento Guilherme Pereira do Rosário e ferindo gravemente o capitão Wilson Luís Chaves Machado, ambos do DOI-CODI do I Exército. Um segundo artefato explode na casa de força[12].

2 de outubro de 1981 — O STM decide pelo arquivamento do IPM por 9 votos a 4, sem apontar autores, mantendo a versão de que os militares no carro eram vítimas. Voto vencido: almirante Sá Bierrenbach[13].

Meados de 1981 — Cerca de três meses após o atentado, Golbery do Couto e Silva — idealizador da abertura — pede exoneração e rompe com Figueiredo. O governo não esclarece o caso[14].

Nota sobre os números

As estimativas variam: a denúncia do MPF-RJ fala em “mais de 40” atentados entre 1980 e abril de 1981; a historiadora Maria Helena Moreira Alves conta 46 atos de terrorismo de direita só em 1980; outras fontes chegam a 74 no período completo. Recomenda-se citar a faixa, com a fonte, em vez de um número único[15].

Parte III — A operação de bandeira falsa (1968 · 1981 · 2022)

O quadro abaixo isola a estrutura comum aos três episódios: fabricar o caos e atribuí-lo ao adversário para legitimar a medida de exceção. Não se trata de uma linhagem institucional única, mas da persistência de uma mesma gramática de ação.

DimensãoPlano Parasar (1968)Riocentro (1981)Trama golpista (2022)
Autores / unidadeBrig. Burnier; esquadrão Para-Sar (FAB)Militares do I Exército e do SNI; agentes do DOI-CODIOficiais das Forças Especiais (“kids pretos”); Copesp
MétodoBombas em vias públicas; gasômetro; lançar opositores ao mar (voos da morte)Cartas-bomba; bomba em show com ~20 mil pessoasPlano de prender/matar autoridades; “causar um caos”
Autoria fabricadaAtribuição à esquerda subversivaAtribuição a “remanescentes” da esquerdaInstabilidade imputada ao resultado eleitoral
Objetivo políticoLegitimar o endurecimento (pré-AI-5)Travar a abertura; dar sobrevida ao regimeForçar estado de defesa/sítio; impedir a posse
DesfechoRecusa de Sérgio Macaco; plano abortado; delator punidoBomba explode antes; IPM manipulado; arquivamento no STMPlano não executado; indiciamentos e julgamento no STF

Fontes por episódio: Parasar[16]; Riocentro[17]; trama golpista de 2022[18].

Parte IV — Síntese: o papel de Figueiredo e a continuidade

Figueiredo ocupou, sucessivamente, os nós de comando do aparato de segurança em suas fases mais letais: a Casa Militar de Médici (1969–1974), no auge dos Anos de Chumbo; a chefia do SNI sob Geisel (1974–1979); e a Presidência (1979–1985)[19]. O memorando de 1974 o coloca dentro do círculo decisório que tratou a execução sumária como política de Estado, e a CNV o inclui na cadeia de comando do regime[20].

Limite probatório. A documentação sustenta responsabilidade de comando e estrutura, não autoria de mortes caso a caso. No Riocentro, documentos indicam que o diretor do SNI e o comandante do Exército conheciam os planos, mas não está estabelecido que Figueiredo participou do plano; o que é dele, sem disputa, é o acobertamento ocorrido sob seu mandato[21].

Tese defensável. Mais do que uma linha de sangue institucional direta, há a persistência de uma gramática de ação — o falso atentado, o caos administrado, a inversão de autoria — que reaparece de Burnier a Riocentro e ressurge na minuta golpista. Figueiredo é o personagem que costura repressão e abertura nesse arco: o homem do memorando de 1974 e o presidente sob quem a linha-dura tentou explodir a própria transição.

¹ Memorandum From Director of Central Intelligence Colby to Secretary of State Kissinger, Washington, 11 April 1974. In: Foreign Relations of the United States, 1969–1976, Vol. E-11, Part 2, doc. 99. Departamento de Estado dos EUA, Office of the Historian (history.state.gov).
² Versão liberada pela CIA via FOIA: “Approved for Release 2018/08/20 C05355623”. Arquivo: Central Intelligence Agency, Executive Registry, Job 80M01048A, Box 1, Brazil. Classificação original “Secret”; assinado por David N. Blee em nome de Colby (9 abr.), redigido por Phillips. CIA Reading Room (cia.gov/readingroom).
³ Documento localizado e divulgado em maio de 2018 pelo professor Matias Spektor (FGV). Cf. G1, Brasil de Fato, Justificando, Pragmatismo Político (10–11 maio 2018). A formulação de que cada execução dependeria de aprovação nominal de Figueiredo é leitura de Spektor e da imprensa, não literalidade do parágrafo desclassificado.
[4] Cf. nota 1 (memorando Colby–Kissinger, FRUS doc. 99).
[5] Cf. nota 3 (leitura de Spektor).
[6] Em nota à imprensa em maio de 2018, o Exército afirmou que documentos sigilosos brasileiros do período foram destruídos “de acordo com as normas vigentes”.
[7] CNV, relatório preliminar “Riocentro: Terrorismo de Estado Contra a População Brasileira”, 29 abr. 2014: atentado planejado por militares do I Exército e do SNI; o IPM de 1981 foi manipulado para posicionar os autores diretos como vítimas.
[8] CartaCapital, “Ditadura usou táticas terroristas até contra jornaleiros” (22 abr. 2014); depoimento de Milton Bellintani (Comissão da Verdade do Sindicato dos Jornalistas de SP). Alvos: bancas que vendiam Em Tempo, Movimento, Tribuna da Luta Operária, O Pasquim, Hora do Povo, entre outros.
[9] Cf. nota 8 (bancas de jornal / imprensa alternativa).
[10] Memorial da Democracia; verbete Lyda Monteiro da Silva (Wikipédia); Vermelho (27 ago. 2010). A carta-bomba era endereçada ao presidente da OAB-RJ, Eduardo Seabra Fagundes, de quem Lyda era secretária.
[11] Cf. nota 10 (Lyda Monteiro / série de atentados de 1980).
[12] Cf. nota 7 (CNV, relatório Riocentro).
[13] Em 2 out. 1981 o STM decidiu, por 9 votos a 4, pelo arquivamento do IPM sem apontar autores. O almirante Júlio de Sá Bierrenbach foi voto vencido e qualificou a solução como farsa.
[14] Cerca de três meses após o Riocentro, Golbery do Couto e Silva, idealizador da abertura e ministro-chefe do Gabinete Civil, pediu exoneração e rompeu com Figueiredo.
[15] Estimativas variam: a denúncia do MPF-RJ refere “mais de 40” atentados (1980–abr. 1981); Maria Helena Moreira Alves conta 46 atos de terrorismo de direita só em 1980; outras fontes chegam a 74 no período, a maioria contra bancas de jornal.
[16] Caso Para-Sar (“Atentado ao Gasômetro”): plano proposto pelo brigadeiro João Paulo Moreira Burnier em 12 jun. 1968, recusado pelo capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (“Sérgio Macaco”). Cf. verbete Caso Para-Sar (Wikipédia); Memórias da Ditadura; Gazeta do Povo (2019).
[17] Cf. nota 7 (CNV, relatório Riocentro).
[18] Delação de Mauro César Barbosa Cid: tenentes-coronéis do Comando de Operações Especiais teriam dito que “algo precisaria ser feito para causar um caos”, forçando a decretação de estado de defesa ou de sítio. Cf. Agência Pública (fev. 2025); relatório da PF (nov. 2024).
[19] Arquivo Nacional, registro de autoridade (João Figueiredo); Sindijus (estrutura do SNI). Figueiredo chefiou a Casa Militar de Médici (1969–1974) e o SNI sob Geisel (1974–1979), antes da Presidência (1979–1985).
[20] CNV, Relatório Final, 2014: recomendou a responsabilização de toda a cadeia de comando das Forças Armadas desde 1964, incluindo todos os presidentes do regime — de Castello Branco a João Baptista Figueiredo — e seus ministros ligados aos aparatos de segurança. Coordenação: Pedro Dallari.
[21] Cf. nota 7 (CNV, relatório Riocentro).

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Marcos G V Vieira

    1 de junho de 2026 3:46 pm

    E a participação do exercito nos protestos dos black blocs contra a Dilma? (o capitão do Exército Willian Pina Botelho com o codinome “Balta Nunes)

    1. Naldo

      1 de junho de 2026 11:05 pm

      Cadê esses black blocos? Estranho como esses movimentos surgem do nada, como esse mbl que até hoje ninguém teve o interesse em investigar as origens de seus integrantes….já virou até partido…

  2. Zezeca Brasil

    1 de junho de 2026 4:50 pm

    Faltou citar um destes núcleos do terror militar em 1968, o “grupo secreto” que era coordenado pelo general da reserva Paulo Trajano da Silva e pelo civil Aladino Félix, de pseudônimo Sábado Dinotos.
    Fizerem vários atentados.

    1. Zezeca Brasil

      1 de junho de 2026 4:55 pm

      Um destes núcleos do terror militar era coordenado pelo general da reserva Paulo Trajano da Silva e pelo civil Aladino Félix, de pseudônimo Sábado Dinotos. Este último era o mentor e executor dos atentados, um fanático de extrema direita que liderava um grupo composto de 14 policiais militares. Este grupo foi comprovadamente responsável por 14 atentados à bomba e ao menos um assalto a banco, fazendo uso de dinamites e armas roubadas da própria corporação militar. Foram 17 atentados, entre 10 de abril até 19 de agosto de 1968. Os alvos foram desde unidades militares até a Bolsa de Valores de São Paulo, passando pelo oleoduto de Utinga, ferrovias e outros órgãos públicos.

      Certos de que os atentados eram obra de “comunistas”s”, o DOPS saiu em campo para investigar os crimes e prender os responsáveis. E assim quatro membros do grupo militar foram identificados e presos. Sob tortura, confessaram os atos terroristas e revelaram a ação militar clandestina. Aladino Félix acabou detido e, abandonado pelos seus superiores, revelou que cumpria ordens oriundas do general Jayme Portella, à época chefe da Casa Militar do Palácio do Planalto, cujas missões eram intermediadas pela Polícia Federal.

      Flagrados por descuido, passaram a construir uma versão fantasiosa: a de que, na verdade, estavam agindo para desmontar uma rebelião das polícias estaduais para derrubar o presidente-general Costa e Silva. Uma conspiração que teria sido tramada na França, com o conhecimento do presidente francês Charles de Gaulle, que ainda envolveria o ex-presidente Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda e outros políticos cassados pela ditadura militar. Por incrível que pareça, a tese fantasiosa foi parcialmente acatada pelos investigadores.

      Para encurtar a história, as investigações foram claramente sabotadas por “pressões superiores”. Apesar de vários inquéritos civis e um IPM contra o General Trajano, todos se safaram. A advogado de defesa do grupo (Juarez de Alencar) pediu no STM a absolvição de todos e até mesmo a promoção dos militares, posto que os réus “estavam convictos, na sua posição de homens de direita, e de defensores da Revolução de Março, da absoluta legalidade revolucionária de suas ações”. Adalino Félix foi o único a cumprir uma pena, apesar de ter sido avaliado como semi-imputável, já que era um extremista fanático e claramente desequilibrado. Foi o bode expiatório deste grupo terrorista que atuou sob as ordens de um general do Exército.

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