Edith Piá, por Janderson Lacerda

Edith Piá

por Janderson Lacerda

Minha sogra chama-se Edith, na verdade é Edite, mas na “confusão fonológica” de Sérgio Moro, confesso que achei que o ex-magistrado, ex-ministro de Bolsonaro e atual diretor da Alvárez & Marsal, administradora responsável pela recuperação judicial da Odebrecht, estivesse evocando o nome da mãe da minha companheira.

Ué, mas como Moro pode trabalhar para a empresa que ele condenou por corrupção? Confesso que senti uma taquicardia e um arrepio na alma. Não por conta do nome da minha sogra ou pelo atual emprego do ex-juiz, mas pelas consequências da menção. Sei que essa crônica está confusa e muito provavelmente você não deve estar entendendo o que estou escrevendo!

É que os dias são estranhos e as perseguições políticas e jurídicas são quase uma certeza na democracia em vertigem do Brasil, para lembrar o excelente documentário de Petra Costa.

Enfim, felizmente fui salvo pelo Piá. Não, caro leitor, nenhuma criança me alertou a respeito do que Sérgio Moro havia falado. Mas, só após ouvir um Piá é que compreendi que ele não havia pronunciado o nome da minha sogra e fiquei aliviado por motivos óbvios. Mas, na realidade, eu não compreendi, absolutamente, nada do que Moro disse. Tentei ligar a tecla SAP, mentira não existe mais essa tecla, ao menos não na minha TV. O recurso agora se chama audiodescrição, mas não funciona na minha televisão. Deveria funcionar, eu sei!

Mas, não funciona!

Audiodescrição não tem nenhuma relação com a tecla SAP!

Quá!

Hoje tá difícil compreender algo aqui, heim?

De qualquer maneira mesmo se tivesse tecla SAP ou audiodescrição, eu não conseguiria entender o porquê Sérgio Moro estava no Jornal Nacional justificando a sua parcialidade no caso Lula. Afinal, não me lembro da Globo ter ouvido o ex-presidente Lula quando foi preso. E não é papel do jornalismo ouvir os dois lados da questão?

Me ajuda aí, Nassif!

Ah, verdade! Lula não podia dar entrevista porque o STF o proibiu! E com isso tivemos uma disputa eleitoral suspeita e que culminou na eleição do genocida que está no poder. Não, não posso chamar o capitão presidente de genocida; lembra-se do começo da crônica?

A perseguição jurídica?

Psiu!

Melhor voltar a falar sobre o que Sérgio Moro disse ao jornal. Refiro-me a “Edith Piá”, mas não seria Édith Piaf?

Não entendi nada! Imagino que você também não!  

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