Em 100 dias de governo, setor empresarial abandona expectativa de retomada nos negócios

Para economista, se o governo não aprovar a reforma da Previdência, pode ocorrer fuga de empresas do Brasil

Foto: Divulgação/Honda da Amazônia

Por Pedro Teixeira

Do Jornal da USP

Descompromisso do governo quanto às reformas causa frustração

O governo de Jair Bolsonaro aproxima-se dos 100 dias e o setor empresarial começa a abandonar a expectativa de viver uma retomada nos negócios ainda em 2019. O crescimento pode ficar para 2020, principalmente no setor industrial. No caso da indústria, o movimento de retomada precisa superar uma limitação operacional: a grande capacidade ociosa nas linhas de produção. Segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas), a ociosidade média da indústria brasileira está na casa de 26%, um patamar muito elevado. Sem investimentos nas operações já existentes ou na abertura de novas unidades neste ano, o cenário no mercado de trabalho também se deteriora. Os sinais de melhora da economia são tímidos.

“Não se pode perder tempo discutindo o sexo dos anjos, cada trimestre passado tem consequências reais”, alega o professor Fernando Botelho, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. O economista fala que o Rio de Janeiro é um exemplo de quando há uma falência do Estado. Segundo ele, “sem resolver o nó da Previdência, não há caminho para a recuperação, o Brasil entrará em colapso”.

Botelho explica que é missão dos políticos fazerem a reforma passar. “Paulo Guedes deve planejar propostas, oferecer alternativas e esclarecê-las, mas os trâmites no Congresso e com a população são um dever do presidente, ou de algum preposto como a Casa Civil. Agora Bolsonaro tem de articular uma base de governo e mostrar seus planos para o País, tanto ao povo como aos investidores”, declara o professor.

De acordo com o docente, a situação é urgente e quase 100 dias de governo já se foram. “São os mais pobres que sentem o desemprego e a falta de serviços estatais, como saúde, segurança e educação.” O economista defende que, fora o desarrocho do orçamento, hoje ocupado pela Previdência em 70%, a reforma atrairia investimentos e estimularia o consumo. “As pessoas teriam mais segurança para adquirir um imóvel, ou um carro, dada a maior estabilidade econômica”, justifica.

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Por outro lado, sem a economia prevista pelas mudanças no regime previdenciário, Botelho prevê empresas abandonando o Brasil. “O ambiente seria de incertezas, a moeda perderia força assolada pela inflação, levando o País a um cenário de altos juros, ocasionando o aumento da dívida e ausência de crédito”, elucida. Os investidores não apostam se não sabem onde colocam seu dinheiro, ou se há um provável aumento substancial dos impostos. “Muitos provavelmente migrariam para países mais responsáveis”, argumenta o professor.

O economista não deixa de ser esperançoso, todavia. Ele defende que, se o governo tiver êxito em aprovar nos próximos seis meses, os tempos seguintes serão mais tranquilos, já que haveria vontade de se investir no Brasil. “A conjuntura externa está favorável, a situação doméstica demonstra potencial de crescimento, se venceria essa ociosidade. Os ventos estão a favor, é dever do capitão guiar sua tripulação”, conclui.

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6 comentários

  1. Tentar curar a economia brasileira com a reforma da previdência é como tentar curar uma tuberculose tomando vitamina C.

  2. Fernando Botelho, mais um JÊNIO!
    Esse deve ter participado da dancinha “fora kurrupissaum”.
    Dos devedores da Previdência ele nada falou.
    Provavelmente não sabe da monstruosa dívida com que o sistema amarga.

  3. Não é possível se fazer uma ligação lógica entre a reforma da Previdência e retomada da produção. Esta balela propagada pelos economistas faz parte apenas do plano de privatização da Previdência. Isto só vai dar lucros e garantia de lucros para o sistema financeiro, não retorna para a produção. Hoje nesta mesma linha o Presidente da Caixa fala em securitização e crédito imobiliário.

    A securitização consiste em converter uma carteira de crédito em títulos no mercado financeiro. O objetivo é proteger a dívida a receber remunerando investidores. Guimarães disse que existe um interesse “brutal” dos investidores estrangeiros na securitização dos ativos da Caixa.
    Obviamente isto é bom para os investidores e péssimo para quem estiver comprando uma casa.
    E o imbecil continua

    “Claro que todo o mercado quer esse tipo de investimento (…) Se nós aprovarmos a reforma da Previdência, será um Brasil que minha geração nunca viu”, disse o presidente do banco.

    Realmente será um Brasil que jamais vimos, principalmente quando os investidores mandarem todo o lucro para suas matrizes e quando tivermos uma crise imobiliária. Ao invés da Moça do Tempo na televisão ficaremos grudados para ver a oscilação caótica da bolsa. Mas sabendo que quem ganha neste casino é sempre a casa.

  4. Nao entendo essa fixacao de empresarios por previdência. Bancos ganharao, mas pro empresário não influi em nada de nada

  5. Este Fernando Botelho é mais um lobista que defende os interesses do sistema financeiro que quer a capitalização da previdência para se esbaldarem. Como lobista, ele vai poder acumular um patrimônio suficiente para dispensar a aposentadoria dos simples mortais, sem considerar a aposentadoria de marajá, que por direitos adquiridos, ele vai ter da USP. É importante ver a origem e o que fazem estes lobistas de plantão. Tem que avisar este camarada que a reforma da previdência que vai passar está bem longe desta proposta. O sujeito tem que deixar de ser catastrofista e começar a fazer análises mais reais, baseadas no que, mais provavelmente, vai acontecer. Tem que deixar de torcer para os seu desejos e ser mais útil para a sociedade. Tem que passar informações. O povo está querendo saber por quem ele torce! Faça valer os custos que a sociedade tem com através da USP. Não fique aí disseminando o caos pregações fatalistas.
    A reforma que vai passar não é essa que queres e o Brasil não vai acabar e tu sabes disto, seu Botelho!

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