Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na última sexta-feira (30) revelam trocas de e-mails atribuídas a Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado e morto em 2019, e Steve Bannon, ex-conselheiro do então presidente norte-americano Donald Trump. Nas mensagens, os dois fazem comentários elogiosos ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no contexto da eleição presidencial brasileira de 2018.
Em um e-mail datado de 8 de outubro de 2018, atribuído a Epstein, Bolsonaro é descrito como um líder que “mudou o jogo”. A mensagem afirma que o então candidato não sofreria pressão da União Europeia, que controlaria a entrada de refugiados e que precisaria apenas “reativar a economia”. O texto foi escrito às vésperas do segundo turno da eleição, após Bolsonaro liderar o primeiro turno contra o candidato do PT, Fernando Haddad.
As mensagens fazem parte de um novo lote de documentos relacionados ao caso Epstein, que também trazem menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em diálogos envolvendo o empresário e o filósofo Noam Chomsky. Parte dessas alegações, no entanto, é negada por representantes de Chomsky e pelo Palácio do Planalto.
Na troca de mensagens, Bannon afirmou ter proximidade com o entorno de Bolsonaro e questionou Epstein sobre a possibilidade de atuar como conselheiro do grupo. Epstein respondeu comparando a situação a um “reino no inferno”, em referência ao custo político da associação. Apesar disso, Bannon declarou apoio público a Bolsonaro naquele ano.
Em entrevista concedida à BBC News Brasil em 2018, Bannon descreveu Bolsonaro como um líder “brilhante”, “sofisticado” e semelhante a Trump, embora tenha negado participação formal na campanha. Em outro trecho dos e-mails, Bannon afirma que seu candidato venceria a eleição no primeiro turno, ao que Epstein responde classificando Bolsonaro como “autêntico” (“the real deal”, no original).
As mensagens também abordam a possibilidade de Bannon viajar ao Brasil para apoiar Bolsonaro. Epstein avalia que a presença poderia fortalecer a imagem pública do estrategista, caso a vitória do então candidato fosse confirmada.
Em outro ponto da conversa, Epstein demonstra insatisfação com declarações de Bolsonaro negando qualquer vínculo com Bannon. À época, o deputado Eduardo Bolsonaro havia afirmado que o estrategista norte-americano estaria à disposição da família. Jair Bolsonaro, por sua vez, declarou que não havia parceria formal.
Segundo a imprensa brasileira, Eduardo Bolsonaro participou, em novembro de 2018, de um jantar de aniversário de Bannon nos Estados Unidos. Após a repercussão, o então presidente reforçou que não mantinha relação com o ex-assessor de Trump.
As mensagens também revelam que Epstein teria aconselhado Bannon a evitar o tema Bolsonaro em encontros com Noam Chomsky, destacando a relação do filósofo com Lula e sua visão crítica sobre políticas associadas ao bolsonarismo. Epstein mantinha contato frequente com Chomsky e teria utilizado sua influência financeira para ajudá-lo em diferentes ocasiões.
O novo conjunto de documentos amplia o alcance das revelações envolvendo Epstein e suas conexões com figuras políticas e intelectuais de diferentes países, reacendendo debates sobre a influência do empresário em círculos de poder antes de sua morte.
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Carlos
2 de fevereiro de 2026 12:29 pmApós atentar para a merda que havia elogiado, no ano seguinte, na cadeia, epstein suicidou.