5 de junho de 2026

Empresa alemã do setor de energia está receosa em investir no Brasil

Jornal GGN – Mesmo voltados para o mercado externo, investidores da empresa alemã de energia E.ON começam a se preocupar se o investimento de US$ 1,3 bilhão no Brasil não será inoportuno. Alguns tropeços recentes da companhia deixaram seus líderes bastante receosos com as oportunidades galgadas aqui – sem muito sucesso.

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Tudo por conta da excessiva confiança depositada no grupo EBX de Eike Batista, numa trajetória pouco animadora: em 2012, a E.ON pagou R$ 850 milhões por uma participação de 10% na empresa de energia MPX Energia – para, logo depois, ver o império de negócios de seu recém-parceiro Eike Batista começar a desintegrar.

Em seguida, a alemã elevou sua participação para 37,9% na companhia como resultado de problemas econômicos do empresário, investindo mais R$ 2,1 bilhões e renomeando a empresa para Eneva, numa tentativa de distanciá-la do magnata brasileiro – a participação dele no negócio caiu para 24%.
 
Resultado: desde janeiro de 2012, o mês que a E.ON anunciou o movimento na MPX, as ações da Eneva caíram 77% para R$ 2,8, enquanto as ações da E.ON caíram 21%, a 13,11 euros.

E os maus negócios no exterior não se limitaram ao Brasil: há seis anos, a empresa perdeu para a espanhola Acciona e para a italiana Enel a batalha pela aquisição da empresa espanhola Endesa. E no momento exato em que decidiu expandir, promovendo uma onda de aquisições de 11,5 bilhões de euros (US$ 15,8 bilhões), com a compra de 12.200 megawatts (MW) de capacidade de geração, principalmente na Espanha, Itália e França, deu-se início a crise de crédito e a dívida soberana na Europa, forçando a empresa a ter quase 6 bilhões de euros em baixas contábeis.

Os administradores da E.ON reconheceram, por meio de uma nota, que o Brasil continua a ser um mercado altamente interessante, onde se pode esperar um crescimento econômico significativo e um aumento da demanda por energia. No entanto, especialistas afirmam que a empresa entrou tarde demais no Brasil e que, por enquanto, seus investimentos por aqui só terminaram em “dores de cabeça”.

Com informações da Reuters.
 

Redação

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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