Enem 2020 só ampliou desigualdade escolar, avaliam ex-presidentes do Inep

Para Maria Inês, a ação do governo com o Enem "escancarou" a desigualdade escolar. Mas para atual presidente do Inep, a edição 2020 do Enem foi "vitoriosa"

Jornal GGN – Enquanto que para o atual presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), a edição 2020 do Enem foi “vitoriosa”, para os ex-presidentes do órgão, foi um fracasso, além de ocorrer em alta de casos de Covid-19 no Brasil, aumentou a exclusão de estudantes.

A edição teve um recorde de abstenção, de 55,3% que não compareceram às provas. Locais como Amazonas e duas cidades de Rondônia tiveram os exames suspensos. E milhares de estudantes entram, agora, com ações na Justiça, para garantir a possibilidade de refazer a avaliação que é a principal porta de entrada dos alunos para as universidades brasileiras.

Enquanto que 3 milhões dos 5,5 milhões esperados faltaram ao Enem, o atual presidente do Inep, Alexandre Lopes, celebrou: “O Brasil, com todas as suas dificuldades logísticas e todas as suas desigualdades, você assegurar no meio da pandemia que 5 milhões pudessem fazer a prova e que 2,5 milhões façam a prova, eu acho isso uma vitória.”

Mas para ex-presidentes do Inep, não há o que comemorar. “É lamentável que tenha se mantido calendários. A abstenção foi a maior. Quase 3,1 milhões de pessoas faltaram ao exame”, disse a ex-presidente do Inep e idealizadora do Enem, Maria Inês Fini.

Segundo ela, além de a prova, em si, concentrar-se apenas “em quem foi”, todo o processo de ensino em 2020 foi de exclusão, com milhares de alunos estudando de forma remota, muitas vezes sem computador, internet ou ferramentas para o estudo.

Para Maria Inês, a pandemia e a ação do governo com o Enem “escancarou” a desigualdade escolar:

“Se pensar na vulnerabilidade dos que mais precisam (escola pública, noturno, quem trabalha para viver) tinha que ter algum tipo de ação para repor essa escolaridade. Muitos não tinham acesso às plataformas digitais, outros as secretarias de educação não conseguiriam mandar trabalhos para casa. Há todo um contexto, essas coisas acontecem em contexto e ele não foi considerado”, disse, ao G1.

“Mais de um milhão de estudantes, além do esperado, não foram fazer os testes. Ou seja, o país inventou uma nova desigualdade. Quem estava cursando o terceiro ano do ensino médio em escolas públicas foi particularmente afetado”, avaliou Francisco Soares, também ex-presidente do Instituto.

 

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