Escândalo à vista: SECOM promete ajudar sites de fake news a superar queda em publicidade

Em nome do governo, Wajngarten se comprometeu a "contornar" veto do Banco do Brasil a anúncios automáticos em sites de extrema-direita

Jornal GGN – O chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, protagonizou nesta quarta (20) uma troca de mensagens no Twitter com forte potencial para se tornar o mais novo escândalo do governo Bolsonaro.

Em mensagem ao influenciador bolsonarista Leandro Ruschel, empresário “conservador” e colunista do site Conexão Política, Wajngarten prometeu que está “contornando” um eventual veto, por parte do Banco do Brasil, à divulgação de anúncios institucionais em sites de extrema-direita.

Com 400 mil seguidores no Twitter, e seguido pelo presidente Jair Bolsonaro e outras autoridades, Ruschel tem convocado nas redes um boicote às marcas que, pressionadas pelo movimento Sleeping Giants no Brasil, decidam revisar a política de anúncios via Google em sites alinhados ao governo ou, em suas palavras, “sites conversadores”.

“E o boicote às empresas que boicotam sites conservadores começou. @redetelecine vai perder muitos assinantes ao se dobrar facilmente à patrulha esquerdista”, escreveu Ruschel.

Tanto Ruschel quanto o Conexão Política aparecem em levantamento da Agência Pública sobre a rede de fake news que derrubou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

BANCO DO BRASIL

A troca de mensagens com o chefe da SECOM começou com uma provocação direta ao Banco do Brasil. Ruschel escreveu no Twitter: “E aí, @BancodoBrasil, manterão boicote à imprensa alternativa por pressão de perfil anônimo de viés esquerdista? Vamos ter que iniciar uma campanha com hashtags? Qual é a sugestão para tag? Quem sabe, #BancoDoBrasilBoicotaConservadores?”

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Wajngarten, em nome do governo Bolsonaro, acenou ao pedido de socorro: “@leandroruschel estamos cientes da importância do jornalismo independente. Nem toda a comunicação do que é público depende de nós, mas já estamos contornando a situação. Agradecemos pelo retorno e pode contar com o governo na defesa da liberdade de expressão.”

A discussão sobre o financiamento de sites bolsonaristas, frequentemente acusados de disseminar ataques contra a honra dos adversário políticos de Bolsonaro e fake news de toda sorte, ocorre após El País Brasil noticiar a chegada do Sleeping Giants ao Brasil.

Nos Estados Unidos, o movimento conseguiu quebrar as pernas do Breitart News, o blog de política de Steve Bannon, usado para ajudar a eleger Donald Trump. Com a suspensão de anúncios da Amazon e outras grandes empresas, a queda no faturamento publicitário foi exorbitante: 8 milhões de euros.

Com 20 mil seguidores no Twitter, o Sleeping Giants Brasil já gerou prejuízo ao site “Jornal da Cidade Online”, com duas empresas – a Telecine e a Dell – prometendo vetar o anúncio automático.

Em defesa da “mídia alternativa conservadora”, Wajngarten tomou partido e insinuou que o movimento, “de esquerda”, deve ser ignorado pelas marcas.

“Os jornais independentes são muito importantes e devem ser valorizados no exercício da liberdade de expressão. O @slpng_giants_pt precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias. Dormiram no ponto e acabaram mostrando a quem servem.”

Ruschel postou o nome de mais empresas que devem ser “boicotadas” caso cedam à pressão do Sleeping Giants. Além do Banco do Brasil, Telecine e Dell, tem Americanas, Samsung e Submarino. “Essas são as empresas que bloquearam monetização para sites de mídia alternativa, por pressão de perfil anônimo esquerdista.”

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A jornalista Mônica Bergamo, da Folha, compartilhou a troca de mensagens e chamou atenção para a gravidade do assunto, que envolve, no caso da SECOM e do BB, recursos públicos. “É MUITO IMPORTANTE acompanhar como Fabio Wajngarten, da Secom, está ‘contornando a situação’ de o Banco do Brasil, uma instituição pública, vetar anúncios em sites denunciados por fake news.”

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4 comentários

  1. Blogs “alternativos” é a “vó do badanha”, diriam em outra épocas.
    Imprensa marrom.
    Chantagistas.
    Mentirosos.
    Alpinistas políticos.
    Anti-democráticos.
    Por aí…

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