17 de junho de 2026

Escritora Isabel Allende desmistifica suposto paraíso econômico chileno

No Chile 1% da população detém 25% da riqueza nacional e 40% dos chilenos sequer podem pagar por serviços básicos, afirma
A escritora chilena Isabel Allende | Foto: Acervo pessoal da escritora

do Diálogos do Sul

por Prensa Latina, especial para Diálogos do Sul 
Tradução de Beatriz Cannabrava

A escritora Isabel Allende desmistificou o suposto paraíso econômico do Chile apresentado por diversos estudos e considerou seu país como um dos mais desiguais do mundo com um sistema neoliberal herdado da ditadura.

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Em uma entrevista à imprensa em Barcelona, a conhecida autora denunciou que os protestos sociais no Chile têm sua origem na desigualdade.

“Aparece nas estatísticas como um oásis na América Latina, mas as cifras não mostram a distribuição de renda, recursos e desigualdades, das mais altas do mundo”.

Exaltou-se o progresso econômico do país e se diz que é o paraíso, mas as cifras escondem a desigual distribuição da riqueza e das oportunidades, insistiu a escritora chilena que recebeu em Barcelona o Prêmio Internacional de Novela Histórica Barcino.

Recordou que no Chile 1% da população tem 25% da riqueza nacional e que 40% de seus compatriotas não pode pagar por serviços básicos.

Tudo está privatizado por um sistema neoliberal imposto pela ditadura de Augusto Pinochet de acordo “com a teoria econômica de Friedman, dos Chicago boys”.

“O capital teve toda a liberdade possível sem ter um contrapeso democrático de sindicatos, partidos políticos, de representação cidadã, e este modelo, aplicado em 1980, se manteve durante 30 anos pelos governos da democracia”.

Para Allende, a faísca que desatou as atuais demandas foi o aumento do preço do metro, dando lugar a um protesto massivo, de todas as idades e classes, na qual “as pessoas reclamam não tanto da pobreza, mas da desigualdade, que é um insulto”.

Rigoberta Menchú repudia violações de direitos humanos no Chile

Prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchú considerou repudiável a violência empregada pelas forças policiais no Chile contra a cidadania que protesta pacificamente por mudanças no país.

A ativista guatemalteca reuniu-se com os diretores do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) para analisar a situação. Disse que “não é a primeira vez que a repressão ocorre no Chile e na América Latina e não queremos que isso se repita”.

Considerou que “se supunha que o Chile era o país mais avançado da região em todos os sentidos, inclusive a não repressão, mas de repente se destapa uma situação realmente brutal. Há mais de quatro mil detidos de maneira ilegal, há feridos e isso comove. Nós viemos por mandato de muitas organizações mundiais”.

Em declarações aos meios de comunicação a dirigente indígena disse sentir-se muito preocupada pelas ações dos Carabineiros durante as manifestações. Disse que as pessoas feridas, as detenções arbitrárias inclusive de menores de idade e os abusos sexuais à mulheres que estão sendo denunciados são métodos repudiáveis e condenáveis no mundo inteiro.

Considerou que as forças policiais “não podem agir como crianças brincando com uma pistola de água”.

Menchú, fervente defensora das causas indígenas disse que mesmo antes da rebelião social atual, já sabia de vítimas e de violações aos direitos do povo mapuche.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Octavio Ferreira Filho

    9 de novembro de 2019 11:59 am

    Na verdade é desmitifica.

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