
Jornal GGN – O presidente do Senado, Renan Calheiros, afirmou que o projeto do senador José Serra (PSDB-SP), o PLS 131, não impede a participação da Petrobras na exploração do pré-sal, “apenas acaba com a fatia obrigatória” de 30%. A declaração foi dada na sessão temática que está discutindo a possibilidade de mudança no modelo de exploração. Para Calheiros, é preciso buscar uma solução que garanta o desenvolvimento do setor energético, alertando que o Brasil ainda tem uma dependência de 50% de sua matriz no petróleo.
Na sessão temática, os debatedores ainda discutiram a produção de petróleo pela estatal. “Apesar de todos os pesares”, disse Renan Calheiros, referindo-se às denúncias envolvendo a Petrobras, a empresa lucrou R$ 5,3 bilhões no primeiro trimestre e tem reservas de 30 bilhões de barris, e ainda “desfruta de confiança no mercado internacional”.
A proposta de Serra altera a Lei 12.351, em vigor desde 2010, desobrigando a estatal brasileira a ser operadora única do pré-sal. “O momento é propício, pois toda a Nação se preocupa em encontrar saídas para a empresa, e o assunto, como todos sabem, é candente”, defendeu Renan Calheiros, que afirmou que “os opositores do modelo de partilha suspeitam de fraude no cálculo de custo de exploração dos blocos do pré-sal”, alertando para o cuidado nessário na tomada de decisão.
Em participação, o diretor executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Alberto Machado, acredita que a revogação da participação obrigatória da Petrobras na exploração do petróleo será benéfica para a indústria nacional, pois ampliará a demanda por produtos.
“Quando temos um cliente só, a indústria fica de alguma forma amarrada a esse cliente e, se o cliente tem um pequeno problema, a gente também tem o pequeno problema sendo conduzido para todo o setor”, exemplificou Machado.
Não foi a mesma opinião declarada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-executivo da Petrobras, Ildo Sauer, que defendeu a participação estratégica da estatal na exploração. Para ele, o modelo de contratação direta da Petrobras, ainda não testado, é o que mais ajuda o Brasil. E que a questão principal da exploração do Petróleo para o Brasil é: “com quem ficará a riqueza, com os países consumidores, ou com os países produtores?”, questionou.
Na mesma linha, o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, acredita que o PLS 131, eliminando a participação da Petrobras, cria “uma anomalia” e deveria ser retirado de pauta.
Já o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Jorge Toledo Camargo, entende que a cláusula na lei original (Lei 12.351) é o maior obstáculo para o Brasil atrair investimentos estrangeiros na exploração do petróleo. Assim também considerou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, que acredita que o PLS 131 permitirá que a empresa escolha onde quer participar como operadora, sendo as mudanças um “bônus para a Petrobras”.
Por fim, o consultor legislativo da Câmara, Paulo Cesar Ribeiro Lima, ponderou que “dificilmente outra empresa terá o custo de operação baixo no pré-sal como a Petrobras consegue ter” e que abrir mão da exploração pela estatal seria um “equívoco”. Encerrando o painél de especialistas, o secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida, alertou que o pré-sal é uma área de 140 mil km2, e que para as demais 39 operadoras petrolíferas ainda se tem uma área de 2,8 milhões de km2. Para ele, é de interesse estratégico nacional privilegiar a companhia brasileira no pré-sal.
Marcos Antônio
30 de junho de 2015 6:16 pmNão tem NENHUM ESPECIALISTA
Não tem NENHUM ESPECIALISTA DIVERGINDO sobre o modelo da Arábia Saudita…
Esses especialistas do PIG, recebem em dollar e não estão NEM AI PARA EDUCAÇÃO E SAÚDE DO POBRE BRASILIERO!
É ISSO QUE OS INCOMODA – POBRE RECEBER ROYALTS DO PETRÓLEO!
Por que o rico tem educação e saúde EM QUALQUER LUGAR DO MUNDO!
Severino Januário
30 de junho de 2015 6:16 pmOs cenários globais no mundo
Os cenários globais no mundo do petróleo mudam tanto e tão rápido quanto as nuvens no céu. Quem mais compraram?
Fabio Pereira Veloso
30 de junho de 2015 6:26 pmPSDB é antipatriota
Só um palavra: TRAIÇÃO À NAÇÃO!
Cada povo tem o governo que merece.
Tudo graças a paulicéia desvairada.
naldo
30 de junho de 2015 6:41 pmRoberto Requião para
Roberto Requião para presidente, um homem que honra as calças que veste; e por que o proprio Lula não vai ao senado defender o pre-sal? Não ouvi nenhuma declaração dele a respeito, hoje o congresso se prepara para enterrar o país nas trevas, e ainda querem parlamentarismo? E quem nos salva de um congresso obscuro e retrogrado como esse? O papa francisco? o zé colmeia? o renan? Outra, querem cassar a Dilma por doações legais, que tal o Pt ter mais coragem e pedir a cassação do senador que recebeu e NAO DECLAROU?!!
Fabio Pereira Veloso
30 de junho de 2015 7:03 pmPra que servem os militares?
Quando os idiotas saem as ruas pedindo intervenção militar, os milicos se pronuciam.
E agora? Será que não veem que iso pode vira afetar os projetos de defesa nacional?
Ataíde Coutinho
30 de junho de 2015 7:43 pmcontratos de risco
Quem se lembra do fracasso que foi , na decada de70 os contratos de risco com Shigiaki Ueki ,como as operaçoes eram em mar aberto e os custos altos nao existiam *parceiros* , agora nao é justo oferecer a tecnologia e localizaçao de poços de gratis !
Madruga
30 de junho de 2015 8:06 pmSegue o barco
O modelo atual é similar ao da Noruega e ao de Angola. Sendo aplaudido mundo afora pelos beneficios que estas nações obtêm.
sersikera
30 de junho de 2015 9:43 pmA Noruega adota o modelo de concessão.
A Noruega adota o modelo de concessão, aquele pelo qual a Petrobras e suas parceiras adquiriram os blocos do pré-sal, descobriram os campos e estão colocando-os em produção, em volumes e períodos de tempo que, curiosamente, são exaltados justamente por aqueles abominam este modelo e defendem a partilha. Já neste modelo, ninguém sabe quando será produzida a primeira gota de óleo nem quando serão liberadas novas áreas para exploração.
Athos
1 de julho de 2015 3:02 pmPego na mentira!
Não, na verdade o modelo brasileiro foi baseado no Norueguês com a diferença que lá o percentual ESTATAL não são APENAS 30%, é muito maior.
Retirei isso abaixo de uma reportagem da Gazeta Mercantil, que provavelmente defende o modelo Serra.
“A própria criação da Petoro – com capital 100% estatal — deu-se a partir de
muita controvérsia sobre o papel da estatal do petróleo local, a Statoil, a
qual em 1981 já dispunha de um faturamento equivalente a 15% do Produto Interno
Bruto (PIB) local. Em 1978 obteve o direito de exploração de 85% das licenças
do país – índice que não chegou a atingir. Mas, com o seu crescimento, a
empresa passou a ter uma postura independente em relação ao governo, levando a
questionamentos na sociedade.
“Foi como se a sua filha crescesse e passasse a defender idéias
próprias”, comparou. A politização dos quadros da empresa também incomodou
o governo que optou por dividir as licenças de exploração sob seu comando. E,
em 2001, 18% do seu capital foi privatizado. E, desde 2005, 30% do seu capital
passou às mãos de investidores privados. Nesse contexto, foi criada a Petoro. A
empresa administra o fundo SFDI com seus 60 consultores. Todo o lucro gerado
pelo fundo vai para o governo. Detém 124 licenças de produção de petróleo e
34,5% das reservas do país. A StatoiHydro (novo nome da Statoil após a compra
da Hydro) tem 32,5% das jazidas e outras empresas, 33%.
Nas novas licenças, a participação da Petoro é definida pela agência reguladora
do petróleo norueguesa, a NPD. E essa participação é variável, conforme o caso,
assim com as parceiras que participam de cada licença. Ao ser perguntado sobre
a possibilidade de corrupção no sistema, considerado pelos presentes como pouco
transparente – já que a agência reguladora é quem decide quais são as empresas
que exploram as licenças e define suas participações em joint ventures com
outras candidatas -, Moe disse-se intrigado. “Nunca soube de um caso de
corrupção entre nós no setor. O setor mais sujo da Noruega, em que soubemos de
um caso de corrupção, foi o da construção civil. Nunca no de petróleo”,
respondeu o ministro .”
Athos
1 de julho de 2015 3:09 pmMentira tem perna curta!
O Fundo 100% estatal tem 34,5% das.reservas TOTAIS do país.
A estatal Statoil tem 33%.
E depois, qualquer empresa na Noruega paga imposto de 78% sobre LUCROS!
A Noruega nacionalizou suas reservas que foram descobertas pela BP.
Vou aí, não foi a empresa deles quem achou, foi uma das grandes estrangeiras. E.perdeu tudo!
E é a Agência, O Governo, quem determina os percentuais dos poços novos. A.maioria, 100% estatal.
O mercado dicou com 30% do total. No Brasil, se.oferece mais… Mas ainda acham pouco.
Sabe como é vc tem o respeito que se dá.
Fabio Pereira Veloso
30 de junho de 2015 9:10 pmCadê os filhotes da Veja?
Cadê os coxinhas que vivem aparecendo nos comentários e atacando que tem um opnião contrária?
Cadê as feras agora? Pronunciem-se!
Athos
1 de julho de 2015 2:41 pmEles vem aqui e ficam
Eles vem aqui e ficam fingindo ser completos idiotas.
Fingem não entender o que está acontecendo.
democracia direta
30 de junho de 2015 9:41 pmA QUESTÃO É ATENDER A QUAIS INTERESSES!
AS VANTAGENS DA PETROBRÁS!
A Petrobrás é controlada pelo governo, e, entre outras coisas, desenvolve tecnologia dentro do país, prefere adquirir produtos e contratar serviços e pessoal aqui no Brasil, gerando empregos e renda. Seus lucros vão para o tesouro nacional, possibilitando mais investimentos em escolas, hospitais, habitação popular, segurança, etc.
AS DESVANTAGENS DAS MULTINACIONAIS!
Outras concorrentes que tenham condições de operar no Pré Sal serão multinacionais, onde os principais cargos e os salários mais altos ficam com estrangeiros, a tecnologia e os técnicos altamente especializados são formados no exterior; seus lucros são absurdamente transformados em dólar, comprometendo nossas divisas e anulando nosso esforço exportador. Ou seja, em vez de dar aos brasileiros o direito de importar mais produtos de seu interesse com suas divisas, acabamos apenas garantindo a conversão de remessa de lucros para dólar, permitidas por uma lei ultrapassada, ainda da década de 60. Sem contar que direcionam sua produção para a exportação, dando preferência a essa operação. Com a oferta interna diminuindo, o produto sobe de preço no país. Ou seja, o fato de aumentar a produção e a produtividade, não significa que haja melhorias para nós brasileiros. Já que essas empresas de fora tem suas bases tecnológicas, financeiras, administrativas, e humanas, no exterior, preferindo fortalecer seu país, onde recebem privilégios e proteção, além de ter um imenso interesse em favorecer e zelar por esse maravilhoso patrimônio humano que está em seu país de origem, que lhe dá suporte.
O INTERESSE DO SERRA, DO PSDB, E ALGUNS POLÍTICOS LADRÕES E VAGABUNDOS!
Outro problema é que normalmente as exportações de multinacionais são subfaturadas. Ou seja, se o petróleo normalmente é vendido a 40 dólares o barril, elas acabam exportando-o por uns 30 dólares apenas, muitas vezes ficando até com prejuízos. Parece incrível, mas o subfaturamento de exportações acaba com o lucro dessas empresas, vocês podem pesquisar no google pelas “MAIORES EMPRESA + LUCRO”, e verão como empresas de um mesmo setor tem lucratividade bem menor que as outras. Ora, se não tem lucro, não paga imposto. Entretanto, a filial daqui vende pra sua matriz no exterior, que é quemfica com um super lucro, e também paga um super imposto. Não sem antes depositar em paraísos fiscais a propina dos parasitas políticos, que permitiram essa falcatrua.
O principal ingrediente para o plano do Serra e do PSDB dar certo é o arrocho salarial. Afinal, se tivermos dinheiro pra consumir tudo o que é produzido, não sobra nada pra exportar e fazer o trambique. Mas parem pra pensar, se não houver consumo interno no Brasil, não é muito mais correto, austero, e inteligente, manter essas reservas para o futuro, como fazem os americanos, do que queimá-las desvairadamente no mercado internacional?
Matéria aqui comentada:
https://jornalggn.com.br/noticia/especialistas-divergem-sobre-o-modelo-de-partilha-do-pre-sal#comment-680798
Vejam como se coloniza um país, sem que seu povo nem perceba:
http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2014/11/como-deixar-de-ser-colonia.html
Veja como agem esses traidores do Brasil:
https://www.facebook.com/democracia.direta.brasileira/photos/a.300951956707140.1073741826.300330306769305/640261436109522/?type=3&theater
Srs. brasileiros, se não pudermos explorar e beneficiar o petróleo, é muito melhor que o deixemos lá embaixo, para garantir nosso abastecimento por muito tempo. Senão para combustível, para fabricação de borrachas, plásticos, e resinas. Multinacionais são importantes, e devem ser incentivadas, mas não podem dominar setores inteiros de nossa economia. A própria Petrobras, o governo detém apenas metade da empresa, que fica com uma boa parcela a investimentos estrangeiros muito bem vindos dessa forma…
Se você quer ter direito de decidir no voto sobre aberrações legislativas, como a do Serra, debata e promova a
PEC 21/2015,
nosso direito de derrubar leis como essas, e cassar políticos, iniciando o processo com nossos ABAIXO ASSINADOS.
Ouçam a entrevista da rádio do Senado:
http://www12.senado.gov.br/noticias/audios/2015/05/cidadao-podera-revogar-mandatos-de-politicos-eleitos-para-o-executivo-e-legislativo
Conheça a PEC Nº 21 de 2015:
http://http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=120006
sergio m pinto
30 de junho de 2015 10:13 pmSó imagino esses
Só imagino esses parlamentares e empresários defendendo esse tipo de medidas contra uma Chevron, por exemplo, nos Estados Unidos.
Acho que nem o Tea Party e o Partido Republicano apoiariam.
Aqui, ainda se acham patriotas, alegando benefícios para o país. Õ raça!
Jesus Cristinho
30 de junho de 2015 10:30 pmNão vejo a menor diferença
Não vejo a menor diferença entre pagar 3 reais de gasolina made in petrobrás, ou made in Esso, Chevron, etc. Estarei sendo roubado de qualquer jeito.
A questão é que a petrobrás JÁ ANUNCIOU UM CORTE DE INVESTIMENTOS DE 38% PARA OS PRÓXIMOS 3 ANOS.
Dedução lógica é que teremos 38% a menos de poços a serem escavados nesse período, 38% a menos de sondas, 38% a menos de poços em produção.
A questão toda pode ser resolvida pelos royalties que as companhias estrangeiras vão ter de pagar para explorar o petróleo.
Sei que os bancos Nacionais estão emprestando uma dinheirama de dezenas de bilhões de dólares para a petrobrás explorar esse petróleo. Se a Petrobrás deixar de ser tomadora desse dinheiro, sobrará mais reais para irrigar a economia local.
Por que não deixar para empresas estrangeiras investirem nessa exploração sem sugar esses recursos da nossa economia local uma vez que, ao cidadão comum, não vai notar nenhuma diferença quando pagar para encher metade do tanque se o petróleo foi extraído pela Petrobrás ou outra multinacional.
Athos
1 de julho de 2015 2:39 pmA legislação não foi feita
A legislação não foi feita para SIC o Brasileiro encher o tanque.
Vc é burro assim ou é apenas pago para parecer burro assim?
Doney
1 de julho de 2015 3:29 amBurrice e traição
O presidente da Abimaq dizer isto é realmente impressionante.
A burguesia brasileira é incurável. O governo do PT tomou todas as porradas possíveis pela exigência de conteúdo nacional, e agora justamente o cara que deveria lutar pela manutenção de uma petrobrás forte, pois é ela e somente ela que compra o maquinário brasileiro, ele trai a sua própria classe (nem quero tocar no país).
É uma lástima.
Wsobrinho
1 de julho de 2015 8:36 pmE o interesse nacional (do Brasil, é claro)?
A OPERAÇÃO LAVA JATO, A DEFESA NACIONAL, A CONTRA-INFORMAÇÃO E A ESPIONAGEM
Em suas críticas ao tamanho do Estado e na defesa da privatização a qualquer preço, os neoliberais tupiniquins se esforçam por defender a tese de que o poder de algumas das maiores nações do mundo “ocidental”, os EUA à frente, teria como únicos, principais esteios, o capitalismo, a livre iniciativa e o livre mercado, e defendem, sempre que podem, alegando a existência de “cabides de emprego”, e o grande número de ministérios, a diminuição do setor público no Brasil.
A informação, divulgada na semana passada, de que, com três milhões e duzentos mil funcionários, o Departamento de Defesa dos EUA é o maior empregador do mundo, tendo em sua folha de pagamento, sozinho, mais colaboradores que o governo brasileiro, com todos seus 39 ministérios, mostra como essa gente tem sido pateticamente enganada, e corrobora o fato de que a tese do enxugamento do estado, tão cantada em prosa e verso por certos meios de comunicação nacionais, não é mais, do ponto de vista da estratégia das nações, do que uma fantasia que beira a embromação.
Dificilmente vai se encontrar uma nação forte, hoje – como, aliás, quase sempre ocorreu na história – que não possua também um estado poderoso, decidida e vigorosamente presente em setores estratégicos, na economia, e na prestação de serviços à população.
Enquanto em nosso país, o número total de empregados da União, estados e municípios, somados, é de 1,5% da população, na Itália ele passa de 5%, na Alemanha, proporcionalmente, ele é de 80% a mais do que no Brasil, nos EUA, de 47% a mais e na França, também um dos países mais desenvolvidos do mundo, de 24% da população ativa, o que equivale a dizer que praticamente um a cada quatro franceses trabalha para o Setor Público.
Esses dados derrubam também a tese, tão difundida na internet, de que no Brasil se recebe pouco em serviços, comparativamente aos impostos que se pagam. Por aqui muitos gostariam de viver como na Europa e nos Estados Unidos, mas ninguém se pergunta quantos funcionários públicos como médicos, professores, advogados, técnicos, cientistas, possuem a mais do que o estado brasileiro, os governos dos países mais desenvolvidos do mundo, para prestar esse tipo de serviços à população.
E isso, sem ter que ouvir uma saraivada de críticas a cada vez que lança um concurso, e sem ter que enfrentar campanhas quase que permanentes de defesa da precarização do trabalho e da terceirização.
Aos três milhões e duzentos mil funcionários, cerca de 1% da população norte-americana, fichados apenas no Departamento de Defesa, é preciso agregar, no esforço de fortalecimento nacional dos Estados Unidos, centenas de universidades públicas e privadas, e grandes empresas, estas, sim, privadas, ou com pequena participação estatal, que executam os principais projetos estratégicos de um país que tem o dobro da relação dívida pública-PIB do Brasil e não parece estar, historicamente, preocupado com isso.
Companhias que, quando estão correndo risco de quebra, como ocorreu na crise de 2008, recebem dezenas de bilhões de dólares e novos contratos do governo, e que possuem legalmente, em sua folha de pagamento, “lobistas”, que defendem seus interesses junto à Casa Branca e ao Congresso, que, se estivessem no Brasil, já teriam sido, neste momento, provavelmente presos como “operadores”, por mera suspeição, mesmo sem a apresentação de provas concretas.
Da estratégia de fortalecimento nacional dos principais países do mundo, principalmente os ocidentais, faz parte a tática de enfraquecimento e desestruturação do Estado em países, que, como o Brasil, eles estão determinados a continuar mantendo total ou parcialmente sob seu controle.
Como mostra o tamanho do setor público na Alemanha, na França, nos Estados Unidos – ampla e propositadamente subestimado no Brasil – por lá se sabe que, quanto mais poderoso for o Estado em um potencial concorrente, mais forte e preparado estará esse país para disputar um lugar ao sol com as nações mais importantes, em um mundo cada vez mais complexo e competitivo.
Daí porque a profusão de organizações, fundações, “conferencistas”, “analistas” “comentaristas”, direta e indiretamente pagos pelos EUA, muitos deles ligados a braços do próprio Departamento de Defesa, como a CIA, e a aliança entre esses “conferencistas”, “analistas”, “filósofos”, “especialistas”, principescos sociólogos – vide o livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura”, da jornalista inglesa Frances Stonor Saunders – etc, com a imprensa conservadora de muitos países do mundo, e mais especialmente da América Latina, na monolítica e apaixonada defesa do “estado mínimo”, praticada como recurso para o discurso político, mas também por pilantras a serviço de interesses externos, e por ignorantes e inocentes úteis.
Em matéria de capa para a Revista Rolling Stone, no final da década de 1970, Carl Bernstein, o famoso repórter do Washington Post, responsável pela divulgação e cobertura do Caso Watergate, que derrubou o Presidente Richard Nixon, mostrou, apresentando os principais nomes, como centenas de jornalistas norte-americanos foram recrutados pela CIA, durante anos, a fim de agir no exterior como espiões, na coleta de informações, ou para produzir e publicar matérias de interesse do governo dos Estados Unidos.
Muitos deles estavam ligados a grandes companhias, jornais e agências internacionais, como a Time Life, a CBS, a NBC, a UPI, a Reuters, a Associated Press, a Hearst Newspapers, e a publicações como o New York Times, a Newsweek e o Miami Herald, marcas que em muitos casos estão presentes diretamente no Brasil, por meio de tv a cabo, ou têm seu conteúdo amplamente reproduzido, quando não incensado e reverenciado, por alguns dos maiores grupos de comunicação nacionais.
Assim como a CIA influenciou e continua influenciando a imprensa norte-americana dentro e fora do território dos Estados Unidos, ela, como outras organizações oficiais e paraoficiais norte-americanas, também treina, orienta e subsidia centenas de veículos, universidades, estudantes, repórteres, em todo o mundo, em um programa que vem desde antes da Guerra Fria, e que nunca foi oficialmente interrompido.
O próprio Departamento de Defesa, o Departamento de Estado, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, USAID, o Fundo Nacional para a Democracia, NED, o Conselho Superior de Radiodifusão, BBG, e o Instituto dos EUA para a Paz, USIP, bancam atividades de “desenvolvimento de meios” em mais de 70 países, em programas que mantêm centenas de fundações, ONGs estrangeiras, jornalistas, meios de informação, institutos de “melhoramento” profissional, e escolas de jornalismo, com um investimento anual que pode chegar a bilhões de dólares.
Além deles, são usados, pelo Departamento de Estado, o Bureau de Assuntos Educacionais e Culturais, (Bureau of Educational and Cultural Affairs, BECA), o Bureau de Inteligência e Investigação, (Bureau of Intelligence and Research, INR) e o Bureau de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (Bureau of Democracy, Human Rights, and Labor, DRL), que apenas no ano de 2006 organizou, na Bolívia, por exemplo, 15 diferentes “oficinas” sobre “liberdade de imprensa e expressão”, além do Escritório de Diplomacia e Assuntos Públicos (Office of Public Diplomacy and Public Affaires, OPDPA).
“O que nós estamos ensinando – explica Paul Koscak, porta-voz da USAID – é a mecânica do jornalismo, na imprensa escrita, no rádio ou na televisão. Como fazer uma história, como escrever de forma equilibrada … tudo o que se espera de um verdadeiro profissional de imprensa.”
Isabel MacDonald, diretora de comunicação da Fairness And Accuracy in Reporting (FAIR) – Imparcialidade e Transparência na Informação – um observatório de meios de comunicação de Nova Iorque sem fins lucrativos, não tem, no entanto, a mesma opinião.
Para ela, “esse tipo de operação do governo norte-americano, a despeito de sua alegada defesa das normas da objetividade, trabalha, na verdade, contra a democracia, apoiando a dissensão sufocante, e divulgando informações deliberadamente falsas que são úteis para os objetivos da política exterior dos Estados Unidos.’
Um exemplo clásssico desse tipo de resultado, quanto aos objetivos norte-americanos, foi o envolvimento de Washington, denunciado pela comissão legislativa Church-Pike, no Congresso dos EUA, com o financiamento a jornais de oposição na América Latina, como o grupo “El Mercúrio” do Chile, por exemplo, na conspiração que levou ao golpe militar contra o presidente eleito de orientação nacionalista Salvador Allende, em 1973.
Em abril de 2015, a Associação dos Jornalistas Chilenos decidiu expulsar de seus quadros o dono do Grupo El Mercúrio, Agustín Edwards Eastman, de 87 anos, por violação do código de ética, depois que documentos oficiais revelados nos Estados Unidos mostraram, em 2014, que ele havia recebido dinheiro da CIA para publicar informações falsas contra o governo chileno.
A diferença entre os Estados Unidos, que se dizem “liberais” e “privatistas”, e na verdade não o são, e o Brasil, que cede a todo tipo de pressão, na tentativa de provar, todos os dias, que não é comunista nem estatizante, é que, mesmo quando envolvidas com corrupção – considerada uma espécie de “dano colateral” que deve ser “contornado” e “absorvido”, no contexto do objetivo maior, de permanente fortalecimento do complexo-industrial militar dos EUA – a existência das principais empresas de defesa norte-americanas nunca é colocada em risco.
Apenas como exemplo, a Lockheed Martin, uma das principais companhias de aviação e de defesa dos EUA, pagou, como lembrou André Motta Araújo no Jornal GGN outro dia, entre as décadas de 1950 e 1970, mais de 300 milhões de dólares, ou 3.7 bilhões de dólares em dinheiro de hoje, de propina para autoridades estrangeiras, entre elas – para quem acha que isso só acontece em paises “sub-desenvolvidos” – o então Ministro da Defesa da Alemanha Ocidental, Franz Joseph Strauss, os ministros Luigi Gul, e Maria Tanassi, o Primeiro-Ministro Mariano Rumor e o Presidente da República Italiana, Giovanni Leone, o general Minoru Genda e o Primeiro-Ministro japonês Kakuei Tanaka, e até o príncipe Bernhard, marido da Rainha Juliana, da Holanda.
E alguém acha que a Lockheed foi destruída por isso ? Como também informa Motta Araújo, seus principais dirigentes renunciaram alguns anos depois, e o governo norte-americano, no lugar de multar a empresa, lhe fez generoso empréstimo para que ela fizesse frente, em melhores condições, aos eventuais efeitos do escândalo sobre os seus negócios.
A Lockheed, conclui André Motta Araújo em seu texto, vale hoje 68 bilhões de dólares, e continua trabalhando normalmente, atendendo a enormes contratos, com o poderoso setor de defesa norte-americano.
Enquanto isso, no Brasil, os dirigentes de nossas principais empresas nacionais de defesa, constituídas, nesses termos, segundo a Estratégia Nacional de Defesa, em 2006, para, com sede no Brasil e capital votante majoritariamente nacional, fazer frente à crescente, quase total desnacionalização da indústria bélica, e gerir alguns dos mais importantes programas militares da história nacional, que incluem novos mísseis ar-ar, satélites e submarinos, entre eles nosso primeiro submersível atômico, encontram-se, quase todos, na cadeia.
O Grupo Odebrecht, o Grupo Andrade Gutierrez, o OAS e o Queiroz Galvão têm, todos, relevante participação na indústria bélica e são os mais importantes agentes empresariais brasileiros da Estratégia Nacional de Defesa. Essas empresas entraram para o setor há alguns anos, não por ter algum privilégio no governo, mas simplesmente porque se encontravam, assim como a Mendes Júnior, entre os maiores grupos de engenharia do Brasil, ao qual têm prestado relevantes serviços, desde a época do regime militar e até mesmo antes, não apenas para a União, mas também para estados e municípios, muitos deles governados pela oposição, a quem também doaram e doam recursos para campanhas políticas de partidos e candidatos.
Responsáveis por dezenas de milhares de empregos no Brasil e no exterior, muitos desses grupos já estão enfrentando, depois do início da Operação Lava-Jato, gravíssimos problemas de mercado, tendo tido, para gaúdio de seus concorrentes externos, suas notas rebaixadas por agências internacionais de crédito.
Projetos gigantescos, tocados por essas empresas no exterior, sem financiamento do BNDES, mas com financiamento de bancos internacionais que sempre confiaram nelas, como o gasoduto do Perú, por exemplo, de quase 5 bilhões de dólares, ou a linha 2 do metrô do Panamá, que poderiam gerar centenas de milhões de dólares em exportação de produtos e serviços pelo Brasil, correm risco de ser suspensos, sem falar nas numerosas obras que estão sendo tocadas dentro do país.
Prisões provocadas, em alguns casos, por declarações de bandidos, que podem ser tão mentirosas quanto interesseiras ou manipuladas, que por sua vez, são usadas para justificar o uso do Domínio do Fato – cuja utilização como é feita no Brasil já foi criticada jurídica e moralmente pelo seu criador, o jurista alemão Claus Roxin – às quais se somam a mera multiplicação aritmética de supostos desvios, pelo número de contratos, sem nenhuma investigação, caso a caso, que os comprove, inequivocamente, e por suposições subjetivas, pseudo-premonitórias, a propósito da possível participação dessas empresas em um pacote de concessão de projetos de infra-estrutura que ainda está sendo planejado e não começou, de fato, sequer a ser oficialmente oficialmente estruturado.
O caso Lockheed, o caso Siemens, e mais recentemente, o do HSBC, em que o governo suiço multou esse banco com uma quantia mínima frente à proporção do escândalo que o envolve, nos mostram que a aplicação da justiça, lá fora, não se faz a ferro e fogo, e que ela exige bom senso para não errar na dose, matando o paciente junto com a doença.
Mais uma vez, é necessário lembrar, é preciso combater a corrupção, mas sem arrebentar com a Nação, e com alguns dos principais pilares que sustentam nossa estratégia de desenvolvimento nacional e de projeção nos mercados internacionais.
No futuro, quando se observar a história do Brasil deste período, ao tremendo prejuízo econômico gerado por determinados aspectos da Operação Lava-Jato, mutíssimo maior que o dinheiro efetivamente, comprovadamente, desviado da Petrobras até agora, terá de ser somado incalculável prejuízo estratégico para a defesa do país e para a nossa indústria bélica, que, assim como a indústria naval, se encontrava a duras penas em processo de soerguimento, depois de décadas de estagnação e descalabro.
No Exército, na Marinha, na Força Aérea, muitos oficiais – principalmente aqueles ligados a projetos que estão em andamento, na área de blindados, fuzis de assalto, aviação, radares, navios, satélites, caças, mísseis, submarinos, com bilhões de reais investidos – já se perguntam o que irá acontecer com a Estratégia Nacional de Defesa, caso as empresas que representam o Brasil nas joint-ventures empresariais e tecnológicas existentes vierem a quebrar ou a deixar de existir.
Vamos fazer uma estatal para a fabricação de armamento, que herde suas participações, hipótese que certamente seria destroçada por violenta campanha antinacional, levada a cabo pelos privatistas e entreguistas de sempre, com o apoio da imprensa estrangeira e de seus simpatizantes locais, com a desculpa de que não se pode “inchar”” ainda mais um estado que na verdade está sub-dimensionado para as necessidades e os desafios brasileiros?
Ou vamos simplesmente entregar essas empresas, de mão beijada, aos sócios estrangeiros, com a justificativa de que os projetos não podem ser interrompidos, perdendo o controle e o direito de decidir sobre nossos programas de defesa, em mais um capítulo de vergonhoso recuo e criminosa capitulação ?
Com a palavra, o STF, o Ministério da Defesa, e a consciência da Nação, incluindo a dos patriotas que militam, discreta e judiciosamente, de forma serena, honrosa e equilibrada, no Judiciário e no Ministério Público.
Do Blog do Mauro Santayana
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