19 de junho de 2026

Estados Unidos reconhecem que a tentativa de dominar o mundo acabou, por Arnaud Bertrand

A hegemonia acabaria mais cedo ou mais tarde, e agora os EUA estão basicamente escolhendo acabar com ela em seus próprios termos

Estados Unidos reconhecem que a tentativa de dominar o mundo acabou

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Arnaud Bertrand*

Está ficando cada vez mais claro que estamos diante de uma mudança sísmica no relacionamento dos EUA com o mundo, entre:


O GGN vai revirar os esqueletos deixados nos armários de Curitiba por Sergio Moro, Deltan Dallagnol, Gabriela Hardt e outros lavajatistas ainda blindados por setores do Judiciário. Há crimes que remanescem impunes e não vamos deixar que sejam esquecidos! Clique AQUI para conhecer o projeto. Apoie e compartilhe com seus contatos. Toda ajuda importa!

1) Os EUA desmantelando seus aparelhos de interferência estrangeira (como a USAID). 

2) Marco Rubio afirmando que estamos agora num mundo multipolar com “multi-grandes potências em diferentes partes do planeta” e que “a ordem global do pós-guerra não está apenas obsoleta; é agora uma arma que está a ser usada contra nós”

3) As tarifas sobre supostos “aliados” como o México, o Canadá ou a UE

Isso é os EUA efetivamente dizendo “nossa tentativa de dominar o mundo acabou, cada um com o seu gosto, agora somos apenas mais uma grande potência, não a ‘nação indispensável'”.

Parece “idiota” (como o WSJ acabou de escrever) se você ainda estiver mentalmente no velho paradigma, mas é sempre um erro pensar que o que os EUA (ou qualquer país) faz é idiota.

A hegemonia acabaria mais cedo ou mais tarde, e agora os EUA estão basicamente escolhendo acabar com ela em seus próprios termos. É a ordem mundial pós-americana – trazida a vocês pela própria América.

Mesmo as tarifas sobre aliados, vistas por esse ângulo, fazem sentido, pois redefinem o conceito de “aliados”: eles não querem mais – ou talvez não possam pagar – vassalos, mas sim relacionamentos que evoluem com base nos interesses atuais.

Você pode ver isso como um declínio — porque, sem dúvida, parece o fim do império americano — ou como uma forma de evitar um declínio maior: uma retirada controlada dos compromissos imperiais para concentrar recursos nos principais interesses nacionais, em vez de ser forçado a uma retirada ainda mais confusa em um estágio posterior.

Em todo caso, é o fim de uma era e, embora o governo Trump pareça um caos para muitos observadores, eles provavelmente estão muito mais sintonizados com as realidades mutáveis ​​do mundo e com a situação de seu próprio país do que seus antecessores. 

Reconhecer a existência de um mundo multipolar e escolher operar dentro dele em vez de tentar manter uma hegemonia global cada vez mais custosa não poderia ser adiado por muito mais tempo. Parece confuso, mas provavelmente é melhor do que manter a ficção da primazia americana até que ela eventualmente entre em colapso sob seu próprio peso.

Isso não quer dizer que os EUA não continuarão a causar estragos no mundo, e de fato podemos estar vendo-os se tornarem ainda mais agressivos do que antes. Porque quando antes estavam (mal, e muito hipocritamente) tentando manter alguma aparência de autoproclamada “ordem baseada em regras”, agora nem precisam fingir que estão sob qualquer restrição, nem mesmo a restrição de jogar bem com aliados. É o fim do império dos EUA, mas definitivamente não é o fim dos EUA como uma grande força disruptiva nos assuntos mundiais.

No geral, essa transformação pode marcar uma das mudanças mais significativas nas relações internacionais desde a queda da União Soviética. E os mais despreparados para isso, como já é dolorosamente óbvio, são os vassalos da América, pegos completamente desprevenidos pela percepção de que o patrono em que confiaram por décadas agora os está tratando como apenas mais um conjunto de países com quem negociar.

Arnaud Bertrand é empreendedor e comentarista de economia e geopolítica.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

LEIA TAMBÉM:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

12 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Rui Ribeiro

    3 de fevereiro de 2025 6:11 am

    Musk diz que Trump concorda em fechar agência dos EUA responsável por 40% de ajuda humanitária no mundo
    USaid, que destinou US$ 72 bilhões em ajuda em 2023, estaria ‘além de qualquer conserto’, segundo Musk, que chefia departamento do governo dos EUA focado em cortar custos.

  2. Carlos

    3 de fevereiro de 2025 7:07 am

    Um artigo aqui do GGN aponta para o DNA genocida dos EUA.
    Nada mais certeiro.
    Continuando nesta “vibe”, além das taxas indecentes sobre produtos de outros países, dignas do agiota aqui da esquina, acenam agora, sob patrocínio do sul africano musk, com a retirada de ajuda humanitária que, supostamente, representariam 42% do total desta rubrica no mundo, uma ação do plano estabecido por musk e trump para “enxugar” as despesas. Estranho como até agora o sul africano é o filho de imigrantes não cogitaram cortes nas despesas de guerra e no fomentou delas pelo mundo, gastando a rodo com subsídios a países com DNA genocida semelhante ao seu.

    Agora, musk e sua trupe controlando o tesouro dos eua, é a raposa no galinheiro. Afinal, para quem possuí um oceano de grana, incorporar ciclicamente um lago de grana, passa fácil pelo controle, principalmente se “parças” o exercem.

  3. Rui Ribeiro

    3 de fevereiro de 2025 8:35 am

    Quando o Elon Musk fez gesto hitlerista na posse do Trump, o Presidente do Centro Mundial de Memória do Holocausto ficou omisso, bem como continuou omisso quando o Netanyahu saiu em defesa do Elon Musk sobre o gesto feito na posse do Trump que remete à saudação nazista; mas quando o Elon Musk afirmou que a Alemanha deve “superar a culpa do passado” e que “as crianças não devem carregar a culpa dos pecados de seus pais, muito menos de seus bisavós”, aí o Presidente do Centro Mundial de Memória do Holocausto, Dani Dayan, acusou Elon Musk de insultar as vítimas do nazismo.

    O holocausto dos Palestinos é refresco nos olhos dos $ionistas.

    1. Weslys Augusto de Almeida

      4 de fevereiro de 2025 11:28 am

      Meu caro, outros PR e a atual candidata derrotada, fizeram o mesmo sinal, e a hipocrisia não falaram nada…

  4. Milton

    3 de fevereiro de 2025 9:56 am

    Não vejo nas ações e declarações de Trump como políticas consistentes ao longo do tempo. Apenas usa e abusa da encenação e ações atabalhoadas que, ao fim, devem trazer prejuízos a seu país. É características de Trump o “jogo de cena” em busca de apoios momentâneos e os mais duradouros na medida em que vai firmando a “persona presidencial” e do “negociador” a procurar posições de dominância. O instinto para a teatralidade faz parte de sua natureza e assim tem agido. Este lado alegórico não resistirá à imposição do mundo real. Algo que parece completamente disfuncional como as tarifas impostas a aliados tradicionais e ameaça a outros tantos resultará em mais encenações, então, com o sentido inverso. Eleito, segue midiático mas não mexeu num centavo em gastos militares que, ao fim, garantem a suzerania americana. A bola de cristal está aí para “leitura” variada. A acima é apenas mais uma . . .

  5. Rui Ribeiro

    3 de fevereiro de 2025 10:23 am

    Dólar opera em alta e Ibovespa cai com tarifas de Trump; bolsas pelo mundo vivem dia de queda

    Na última sexta-feira, a moeda norte-americana teve queda de 0,25%, cotada a R$ 5,8372. Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, teve um recuo de 0,61%, aos 126.135 pontos.

    https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/02/03/dolar-ibovespa.ghtml

    De acordo com a notícia acima, “se a inflação voltar a subir muito acima da meta do Fed, a instituição pode promover novas altas nos juros do país. Juros maiores tornam a tomada de crédito pela população e empresas mais caro e, por isso, o consumo tende a reduzir, tirando a pressão sobre a inflação”.

    Esqueceu de complementar que a redução do consumo arrefece a economia, gerando menos negócios, fechando empresas e causando desemprego.

    1. Rui Ribeiro

      5 de março de 2025 9:09 am

      Os Brasileiros copiam os estadunidenses em muitas coisas… ruins. Mas quando o que vem dos EUA é bom, os brasileiros rejeitam, como por exemplo

      “Nesta terça-feira (25), o deputado Frank Lucas, chefe de um novo painel do Congresso norte-americano que está se preparando para fortalecer a supervisão do BC dos EUA pelo Capitólio, disse à Reuters que planeja uma ampla revisão de como a instituição toma suas decisões sobre juros, incluindo se o controle da inflação do país deve ser priorizado em relação à proteção do emprego”.

      Aqui nestes Tristes Trópicos elevam-se os juros prá estratosfera, arrefecendo a economia e, em consequência do arrefecimento da atividade econômica, dispensam-se trabalhadores, enquanto os especuladores se locupletam (com as absurdas taxas de juro) e a inflação, que segue seu curso independentemente da elevação da taxa de juros, piora o poder de compra dos trabalhadores.

      Galípolo, quando o Senhor for tomar suas decisões sobre a taxa de juros, pense se o controle da inflação (fake) e o consequente locupletamento dos especuladores devem ser mais importantes do que a proteção do emprego.

  6. Analista crítico

    3 de fevereiro de 2025 2:42 pm

    Os EUA aceitando a realidade de uma ordem multipolar e recolhendo-se em expansão militar, sofpower, etc contrasta com a adoção de práticas fascistas tanto interna (fakenews do inimigo comum, cinturão da Bíblia, aumento da desigualdade, repressão, empobrecimento da população, etc) como externamente (promessas de expansão/domínio territorial, agressividade internacional, união da extrema direita internacional com fakenews em massa), procurando retirar maior excedente de seus vassalos, seja em matérias-primas, seja em superávit financeiro. Uma estratégia bem agressiva, que pode acelerar a queda.

    Interessante ver essa contradição da política externa: tentar recolher onde pode e atacar e ganhar nos mais fracos.

  7. Maria José Martins Guimarães

    4 de fevereiro de 2025 7:04 am

    A arrogância precede a queda.
    O governo Donald Trump é sem sombra de dúvidas o gigante Golias dos Estados Unidos, numa busca incessante do poder,acendeu se atrevido com seu topete a despontar buscando tomar terras e se possível como a deus estas terras e seus povos dominar. Assim segue Trump,um Americano sonhador, impondo condições e impostos, tentando a todo custo mostrar o reinado Americano a este mundo que dia após dia vai se tornando uma bomba prestes a explodir.

  8. Ernesto

    4 de fevereiro de 2025 3:08 pm

    Já já Fukuiyama lança outro: “o fim do fim da história”.

    1. José de Almeida Bispo

      5 de fevereiro de 2025 8:33 am

      Kkkkkkkkkk
      Bem lembrado.

  9. José de Almeida Bispo

    5 de fevereiro de 2025 8:32 am

    Vão conseguir a façanha de Bizancio, ou repetirão Roma, ipsis literis?

Recomendados para você

Recomendados